História A confusão do meu coração - Capítulo 13


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Escola, Lesbicas, Orientadora, Professora
Exibições 263
Palavras 1.372
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Homossexualidade, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Eu não estou feliz. Mas também não estou triste. E, nessa inconstância de sentimentos e emoções, quero deixar esse capítulo relativamente depressivo pra vocês.
Leiam com atenção as notas finais.

Capítulo 13 - Suicídio pt.1


Ápice.

Ápice da tristeza.

Ápice da depressão.

Ápice da minha tolerância à vida.

Eu não tinha muita coisa. Apenas desgosto porque minha família odiava me ter nela. Apenas uma falsa amiga que destruiu o que restou de mim. Mas depois eu consegui uma pessoa especial. Eu encontrei alguém que ainda conseguia colocar um sorriso, mesmo que fraco, em meu rosto. Eu encontrei alguém que me amava, gostava de mim e me confortava com abraços. Eu encontrei uma pequena chama de esperança e de felicidade.

Eu encontrei amor. Consegui sentir esse maravilhoso sentimento se aflorar em meu coração. Consegui sentir essa chama aquecer meu peito toda vez que via a única pessoa que se importava comigo.

Eu consegui um motivo para continuar, para viver, para não desistir.

Mas ela se foi. Por culpa minha. Um dia após termos tido um de nossos melhores momentos juntos. Um dia depois que eu finalmente poder beijá-la e concretizado esse desejo.

Um dia depois de termos nos amado como duas mulheres apaixonadas.
Minha alegria sempre era finita. Era sempre limitada. Durava tão pouquinho... Tão pouquinho.

Eu já não podia fazer nada. Não tinha explicações. Não tinha ideias de porquê Elisa se mudou.

Eu não sabia mais o que supor ou imaginar. Minha mente apenas projetava ideias ruins, pensamentos muito horríveis.

Elisa se foi, e levou com ela minha vontade de viver que quase já não existia.

Eu sentia meu corpo totalmente tomado pela depressão quando entrei no meu quarto e deixei-me cair sobre a cama.

Não conseguia mais chorar. Por mais que buscasse lágrimas em mim, nada mais encontrava. Eu era apenas um corpo jogado em um móvel de madeira e acolchoado.

Eu era apenas um resquício de uma vida que tentei viver.

–#-

– Raquel, se você vai faltar mais uma vez na escola, pelo menos desça para tomar café.

Minha mãe me convidou para o café da manhã. Teria ficado surpresa e até um pouco mais animada se não estivesse ainda pensando na minha ex-orientadora e tão fraca a ponto de não conseguir me levantar da cama.

Era o terceiro dia seguido que não ia para a escola. Para que ir? O que eu teria de bom lá? Elisa não estava mais lá. Elisa não estava mais perto. O aperto no meu coração que sentia toda as as vezes que eu me lembrava dessa mulher ainda me mataria.

Estava a três dias sem comer qualquer coisa e ingerindo apenas água suficiente para não morrer de sede. Mas já estava pensando em parar de beber o líquido e parar de respirar como consequência também.

Raquel. Pequena Raquel. O que você está fazendo consigo mesma? Raquel. Pequena Raquel. Raquel, o que está acontecendo com você?

Raquel. Se puder, ainda se mantenha viva, por favor.

Por favor.

–#-

– Filha.

A voz da minha mãe tremeu ao me chamar de filha. Mas ela não estava chorando, apenas assustada. Eu também estava assustada comigo. Já era de noite, mais um dia sem comer. Mais um dia tentando enumerar todos os motivos que existiam para eu me manter viva e obtendo uma lista com número zero de motivos.

Raquel. Pequena Raquel. Isso não vale mais a pena. Mas será mesmo? Você sabe disso, Raquel.

Raquel. Pequena Raquel. Você sabe mesmo disso? Sua vida. Sua história. Seus dezesseis anos.

Raquel. A decisão é sua, Raquel. Somente sua.

Somente minha.

–#-

– Levanta dessa cama agora!

Meu pai entrou no quarto gritando. Sua cara tinha expressão de raiva que sempre se estampava ao me ver. Esse era o homem que ejaculou um espermatozoide que formou eu. Esse era o homem que me odiava.

Meus olhos pareciam inexpressivos. Eu os sentia inexpressivos. Eu estava mal. Muito mal.

Raquel. Pequena Raquel. Se deixe ir. Se permita abandonar esse mundo.

Ele iria me bater, tinha certeza disso. Ele adorava fazer isso. Adorava me machucar. Física e psicologicamente.

– Não ouse - minha mãe meio que sussurrou para meu pai. O homem recuou.

– Está a defendendo agora? - rebateu raivoso. - Mas hoje não vou bater nessa garota. Posso fazer outra coisa mais tarde.

O homem se retirou com o olhar odioso. A mulher tentou manter a expressão durona, mas falhou.

Tentei olhar para meu próprio corpo quase já sem vida sobre a cama. Mal enxerguei. Minha visão estava turva, meu organismo com raros nutrientes.

Sem vontade de viver.

Raquel. Pequena Raquel. Já tomou sua decisão? Você sabe o que é mais sensato nesse momento. Você sabe. Você...

Eu sei.

Pensar na morte me fez dar um mínimo sorriso.

–#-

– Eu sei qual é o seu problema, menina.

A voz abafada no meu ouvido. O peso sobre meu corpo. A dor nas minhas partes íntimas. O cansaso mental. A confusão de um despertar. A dor de uma realidade.

– Filha minha não gosta de mulher. Uma mulher não pode gostar de outra. Como vão procriar? Como vão transar? Mulher não tem rola, filha da puta. Me entende?

Ele estava falando comigo?

A cada palavra sentia mais dor. Dor no meu corpo por estar a dias sem alimento e dor por estar sendo abusada.

Ah, então era essa minha realidade da vez?

O homem ainda estava sobre mim, se pressionando contra meu corpo frágil. Ele deveria ser meu pai. As cobertas bagunçadas ao redor da cama, o olhar odioso, o suor de seu rosto que recaía sobre o meu.

Mais dor.

E eu não tinha reação.

Raquel. Pequena Raquel. Você deveria ter morrido mais cedo, aí não passaria por essa situação.

Não passaria por essa situação.

Tentei clarear minha visão e minha mente, mas estava fraca demais para isso. E cada vez mais dor. Mais gemidos, mais peso sobre mim.

O que era isso?

O que estava acontecendo.

Queria manter minha mente ligada para raciocinar, mas meu cérebro queria apagar de vez e me levar pra bem longe.

Meu corpo nu.

O corpo dele nu.

Dor no órgão genital.

Desespero súbito.

Tentei erger uma mão, um braço, um dedo, mas não tinha mais nenhuma reserva de energia. Tentei gritar, mas minha boca seca abenas se abriu e não fez o menor ruído.

Não podia estar acontecendo.

Estava acontecendo.

Raquel. Pequena Raquel. Você vai sofrer agora por não ter se matado mais cedo. Ele está abusando de você.

Ele está te violentando.

Te violentando sexualmente.

Estava sendo estuprada.

Estuprada pelo meu pai.

–#-

Frio. Calor. Sufoco. Agonia.

Lágrimas molharam meu rosto depois de dias sem chorar, apenas sentindo a depressão me consumir.

Eu chorei.

Por tudo chorei.
Raquel. Pequena Raquel. Você já tomou sua decisão.

Sim, é verdade, eu tomei minha decisão.

Precisei de um esforço inimaginável para me sentar na cama.

Olhei para meu próprio abdômen sem roupa. Havia perdido uns dez quilos. Podia ver meus ossos marcando a pele. Meus braços quase sem carne. Não tinha quase massa corporal para verificar.

Olhando um pouco pais para baixo do abdômen vi uma imagem aterrorizante.

Aquilo era sangue. Sangue nos meus lençóis. Sangue na minha calcinha jogada no chão.

Sangue na minha intimidade.

E dor.

Dor física e mental.

Raquel. Pequena Raquel. Acabou. Pode ficar mais tranquila. Acabou.

Sim, acabou.

Sem precisar me levantar alcancei a segunda gaveta do criado mudo à minha direita. A gaveta de remédios e utensílios para primeiros socorros. Quase não me era útil. Mas nesse dia me seria.

Tinha umas cinco cartelas de drogas para dores, febre e inflamações. Sem contar no pequeno vidro com as pílulas de antibiótico.

Isso parece meio forte, não é, Raquel?

Sim. Isso parece bem forte. E nocivo se ingerido em grandes quantidades.

Isso pode matar, não é, Raquel?

Sim. Isso pode matar.

Morte.

Eu gosto desse pensamento.

Reuni um número bem grande de medicamentos na palma das mãos e não pensei duas vezes antes de engolir.

Raquel. Pequena Raquel. Pode dar seu adeus para esse mundo, tudo bem?

Acabou, Raquel. Finalmente o fim. O final é reconfortante, Raquel.

A morte é capaz de te envolver com um abraço apertado e aconchegante, como um abraço da Elisa. A morte pode beijar sua bochecha delicadamente.  Como a Elisa beijava.

A morte te ama, Raquel. Como a Elisa te amava.

Raquel. Pequena Raquel. Você já pode dizer adeus. Diga adeus, pequena Quel.

Eu podia dizer adeus.

Eu disse adeus.


Notas Finais


Demorei? Sim. Desculpe. Era ou demorar ou excluir a história mais uma vez.
Eu preferi dar um tempo. Preferi esperar um pouco para escrever mais um capítulo.
Me perdoem por demorar tanto para postar.
Vocês são bons leitores. Quando comecei a escrever yuri não imaginava que conseguiria alcançar um número considerado de leitores e comentários. Você são demais, obrigado por não me abandonarem mesmo eu sendo uma típica escritora filha da puta com vocês.
Eu não queria utilizar a expressão, mas é assim que sinto que sou. Eu atraso postagem, faço personagens sofrerem... Mas esse acaba sendo meu estilo de escrever.
Eu queria avisar que novembro está chegando e nesse mês eu irei me abster de toda história que não seja o segundo livro da saga que comecei ano passado.
Em novembro ocorre o National Novel Write Month (mês navional de escrita de novela).
É como se fosse uma maratona de escrita internacional. E nesse mês meu planejamento é Gulisher - O nascimento dos reinos, ou seja, não me dedicarei a escrever nada a não ser esse livro.
"Ah, Bia, você vai nos abandonar por mais um mês?"
Bem, pretendo não fazer isso. Eu me esforçarei para escrever nesse mês de outubro o máximo possível de todas as minhas fanfics e atualizar no decorrer de novembro.
Mais uma vez não prometo nada, mas... Bem, se não for pedir demais, não me abandonem.
Vocês não fazem ideia de como o comentário de vocês me anima.
Gosto de vocês.
Ah. Se tenho algum leitor professor, parabéns pelo dia de vocês!


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