História A Cria da Guerra - Capítulo 50


Escrita por: ~

Exibições 6
Palavras 7.567
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Super Power, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Eae peoplessoal
DESCULPEM a demora
Ok, é hipocrisia dizer isso todo santo capitulo
Caraaa, eu acho que o fim já se aproxima e eu definitivamente não sei nada para o pós final
Não sei o que escrever aqui, mas tenho a impressão de que havia muita coisa que eu tinha planejado
Ah, quase esqueci: REFORMAS CARALEO
Gente, li TUDO e reescrevi muita coisa. Agora a coisa tá boa!
(na verdade, eu teria criado outro começo, mas/porém/portanto isso resultaria na exclusão de muitos capítulos e criação de outras missões, o que seria escrever outra fic se eu mudasse tudo que queria, mas enfim)
Nada demais no cap
Mentirinha
Bem, adeuses
Beijus
Byes
Ps: amanhã vou por foto de capa nesse cap
Nossa, é o niver do capitulo 50, eeeeeeba
Parabéns para a fic!!

Ps2: olha que doidera, descobri que meu nome é derivado de Jane/Joana, acreditam? Coincidência? Acho que não. (achei isso tão legal, cara!)

Capítulo 50 - Linha de defesa


Fanfic / Fanfiction A Cria da Guerra - Capítulo 50 - Linha de defesa

 

---Jane---
No fim do sétimo dia, depois de matutar muito sobre o maldito plano, decidi que a melhor idéia era eu voltar ao túnel sozinha primeiro e conseguir um guia.
Eu poderia enfeitiçar alguém e força-lo a nos guiar.
Agora era só falar com Quíron. 
-Acho arriscado. Mas também é inadequado tomarmos uma decisão sem o conselho. Mas... seu plano é bom. Sem guias podemos ter resultados... realmente ruins. Você tem minha permissão. Se quiser pegar algo das forjas, cozinhas ou lojinha, fique à vontade.
O mordomo esquisitão cheio de olhos, Argo, me levou na vã dos morangos até a fonte do bendito parque. Onde entrei com Nico e Anthont da primeira vez.
Tentei percorrer o mesmo caminho, fui ao Central Park, entrei na fonte principal, coloquei alguns comandos de abertura na placa e dei uma pancada; entrei naquele túnel de tubulação pela escada (da outra vez eu só cai mesmo, nem vi a escada), andei e andei até o precipício que levava ao rio. Mas, ao invés de me jogar, como da última vez (o que foi mais para irritar Nico/Robert), eu desci calmamente com minhas asas e percorri aquela tubulação gigante (cheia de quedas d'água e ondas e incômodos que agora estavam quase secos) bem mais rápido e confortalvemente, com asas lindas.
Quando eu já estava quase que cheia daquilo, escutei um barulho diferente, e logo percebi a queda à frente; cinco metros, talvez? Lembro de quando cai dali e da minha luta foda com as empousas. Robert também lutara muito bem ali com seus mini sóis.
Parei onde o túnel terminava bruscamente e caia no que me parecia uma caverna, com teto e parede de terra e pedras cheio de lamparinas, várias quebradas, que um dia (antes de Nico invocar zumbis do teto provavelmente) serviu de reservatório; por baixo d'água e pelas paredes havia vários tubos de encanamento de várias cores, alguns estourados ou inutilizados; no lado contrário ao da cachoeira havia um túnel, e um pouco adiante dali havia uma porta sobre um pequeno patamar.
O teto parecia terrivelmente precário, como se fosse desabar se um zumbi qualquer despencasse dali de novo. A salinha de controle lá no alto estava com o vidro quebrado e com madeiras precariamente colocadas ali. O lugar tinha um ar de abandono, e a água não corria mais que nem antes: agora era só um restinho que descia pela cascata deprimente, o "rio" estava raso.
Pousei no patamarzinho e tomei um gole da poção pela primeira vez no dia: eu tinha de evitar beber muito, isso poderia causar mal estar, vício (só em algumas pessoas, as mais vulneráveis), perda de membros, invisibilidade repentina nos membros, formigamento, tontura, falta de energia e em raros casos até amnésia.
Subi aquele monte de escadas voando, e foi bem rápido se comparado a última vez. Só fui sair daquela escadaria horrivel quando cheguei na última porta. Finalmente no grande salão. De novo.
Agora era só planejar como eu raptaria uma daquelas endhonas: começei a entreabrir algumas portas e espiar, por fim parei ao lado de uma que levava a uma escadaria silenciosa como a porta que cheguei. Era um bom plano. Acho. 
OK, DEFINITIVAMENTE, DEPOIS DE ESPERAR QUASE UMA HORA: não foi o plano mais esperto.
Quando finalmente entrou alguém ali, entrei junto e a segurei com a adaga na garganta. A filha da puta era forte, quase que foge de mim. 
-Quieta se quiser viver. - murmurei; aproximei a adaga da garganta dela até quase cortar, e procurei minha varinha egipcia na mochila. Apontei para ela e murmurei um comando de obediência. 
Foi fácil. Fácil demais.
-Você conhece Sivara? Ou Aravis?
-Sssim. São... - ela tentava lutar contra meu poder - a mesma coisa.
-Onde está?
-Não.... no aposento de Anches.
-Me leve até lá.
-NÃãooh-oh-ok. Siga me. - ela até tentou protestar, mas logo a voz ficou arrastada.
Foi enjoativo seguir ela? É. Vou poupa-los dos detalhes, como o fato de todos túneis parecerem deprimentemente iguais. Ou como a maioria cheirava bolor, mofo ou esgoto. Ou como eu vi uma endhona vomitar e foi nojento demais. Enfim, tentei só focar em controla-la e não perder esse controle. Sério, junte isso com minha invisibilidade, eu estava começando a me cansar terrivelmente rápido.
-Por que não te ve...jo? - ela falava arrastado, como se cada palavra lhe custasse muito.
-Porque não. Não pode, tá. - só não demoramos tanto para chegar no aposento de Aravis porque a endhona que peguei não era de um posto muito bosta e sabia bem os atalhos, de modo que eu descobri alguns elevadores e caminhos... estranhos.
Chegamos no tal aposento e a endhona parecia aguardar ordens a contra gosto.
Tentei abrir a porta, fechada. Chutei.
Aravis estava sentada no chão, espantada, e se levantou num salto. Percebi que ela provavelmente estivera olhando o livro que estava caido no chão, se remoendo em lembranças que provavelmente nunca voltaram, até eu chegar lá e apontar a espada para a fuça dela.
Ela revidou erguendo uma adaga meio desajeitadamente, procurando um alvo, mas não me vendo.
-Traidora.
-Traidora é você. Jane. Semideusa. - ela deve ter reconhecido minha voz.
-Eu!?
-Eu sei o que pensam. Sei o que fazem.
-Sabe merda nenhuma! Você era nossa amiga!
-Era minha missão!
-Você nos traiu!
-Você matou Anches!
-Quem?
-Minha família! - ela disse chateada. Eu não estava entendendo nada.
-Eu nem conheço sua familia!
-Cala a boca!
Murmurei um feitiço de comando. Ela cambaleou. Amarrei suas mãos nas costas e ela não protestou.
-Você vai me dizer o caminho. E você - me dirigi à endhona - ira garantir que está correto.
(.....)
Logo estavamos nas ruas de novo, a caminho do acampamento.
No acampamento, mal cheguei e me dei de cara com vários líderes de chalé conversando com Quíron em frente a Casa Grande.
-Ai está ela! - disse Clarisse.
-Quem são essas? 
-Fiu fiu.
-Conheço a ruiva...
-É uma endhona? Uau!
-Ei. - disse Quiron por cima das vozes curiosas - Essa é a... garota das endhonas?
-Pelo visto sim.
-Bem, vamos partir logo. Já temos a guia.
De repente todos nos viramos de supetão para o barulho a alguns metros dali.
O barulho de algo caindo na grama.
Nico se levantou zonzo.
Eu quase fiquei zonza também.
-Nico?! - exclamou Quiron.
-Oi... vim dar as novas. Sabem, houve um ataque e...
-Já sabemos. - exclareceu Clarisse.
-O que?
-Já sabemos. - repetiu Quiron.
-Por...
-Sua amiga nos contou. - disse algum fulano. Nico franziu o cenho. Eu apareci no meio deles. Ele abriu a boca para falar, mas fechou. Parecia meio pasmo.
-Ah. Oi Jane.
Sim.
Doeu.
Doeu ouvir ele dizer meu nome com indiferença.
Eu que fiquei meio pasma.
Mas escondi, claro.
-Hãn... oi também.
Os olhos dele mostravam uma turbulencia incoerente com a calma da voz.
-Achei que tivesse sumido. Robert e Anthony ficaram preocupados.
-Eu...
-Vamos continuar esse papinho ou vamos atacar? - resmungou Clarisse.
-É. Vamos. Estamos atrasados já.
-É... vamos. - eu disse sem jeito, ainda encarando Nico. Queria correr e dar um beijo nele.
Percebi que todos já se encaminhavam para pegar suas armaduras e eu ficava para trás. Nico parecia me evitar.
Quiron deteu Piper, Jason e um pequeno grupo dizendo que deveriam ir depois junto com o cão infernal que nos farejaria. Sei lá o porquê. Ele disse algo sobre grupo de reforço reserva. Grupos menores seriam menores. Algo assim.
Depois de pegarmos a armadura e as armas e as mochilas e etc, entramos nas vãs de morango para irmos até o Central Park.
Por sorte, não fui na vã de Nico.
Os mortais, não muitos, que nos viam enquanto passavamos nos olhavam como aberração e logo desviavam o olhar, como se pudessemos ataca-los. O que podiamos mesmo, mas obviamente não fariamos.
Nico parecia mais pálido que o normal. Ve-lo me irritava e chateava. 
Percebi como ele pareceu aliviado em me ver, como se o fato de eu estar viva o enchesse de uma alegria que ele não devesse sentir.
Que porra.
Eu deveria ter continuado egoísta ao invés de ficar pensando e... Será? Sei que o que fiz podia me chatear e chatear a Nico, mas isso não faria minha morte iminente ser menos dolorosa para ele? Ou... talvez pioraria? Desde quando eu ligava para o que aconteceria depois que eu morresse?
-Jane, e agora? - eu me toquei.
-A fonte. Venham. - fui até a fonte e me preparei para o frio de mergulhar a cabeça ali.
Mas a fonte estava seca.
E ao rodea-la percebi que a passagem sumira.
-E agora?
Eu fiquei estarrecida ali.
-Sumiu. - eu murmurei.
-Que? Fala alto! - reclamou Clarisse. Ela segurava Aravis amarrada e hipnotizada.
-Sumiu. - disse com minha voz normal e rígida - Acho... acho que precisa de água para aparecer.
-Não temos água!
-Que merda!
-E agora?
-Vamos invocar o Percy Jackson. - resmunguei.
-Trazer baldes d'água?
-Eu... sei lá. - eu dei de ombros.
-O que acha Nico? Já esteve aqui.
-Sim... Bem, deve ser a água mesmo. Não sou nenhum mestre de portais nem nada mas...
-Ele deve ter mecanismos para ser aberto sob a água. - completei.
-É. - por algum motivo, eu e Nico coramos levemente.
-Você não pode abrir algum buraco negro de passagem para irmos até lá?
-Bem... - fulminei o garoto com o olhar por dar essa idéia exaustiva para Nico e notei, que merda, que Nico percebera - até daria, mas são muita gente e...
-Não. - eu disse - Isso seria exaustivo para Nico.
-Sim, não devemos força-lo. - Quiron completou. 
Percebi Will querendo dizer algo mas talvez não dizendo em respeito a mim. Sabe, a namorada do boy "dele".
A ex-namorada, me corrigi. Bosta.
-Não sei se pensaram, mas eles podem simplesmente ter fechado o portal e não haver mais nada ai. - revirei os olhos, filho de Atena malaaaa.
-Bem, mas ainda temos esperança. Então podemos só buscar água ué. Aqui tem outra fonte se não me engano.
-Vamos levar de baldinho? - desdenhei.
-É. Tem outra idéia?
-Não. - sorri dando de ombros.
-Bem, alguém tem dinheiro mortal? Ali tem uma loja de bujigangas que deve ter baldinhos. - disse algum garoto.
-Ótimo.
15 mins depois ~~~
-Ei, já vou avisando, o meu é o em formato de peixe. - eu disse séria, com um sorriso subentendido. Alguns sorriram e reviraram os olhos. 
-O meu é o de bolinhas. - disse uma garota que foi comigo, sorrindo. Gostei dela até.
Coloquei as asas e peguei dois baldes, o de peixe e um de cozinha, e enchi de água na outra fonte. Trouxe.
Sério, aquilo era a coisa mais idiotamente tosca que podia ter acontecido.
Logo a parte inferior da fonte estava quase cheia, e eu ainda me perguntava o que diabos os mortais viam enquanto eu voava por ali. 
Vários semideuses estavam sentados no chão conversando distraídos, alguns mais sérios discutiam em pé, outros corriam e sorriam, era legal ver a cena pacífica. Nico estava em baixo de uma árvore, olhando o que acontecia ao seu redor. Sozinho.
Quando terminamos, tirei o capacete e enfiei a cabeça na água sem avisos. Logo vi o portal. Chupem, filhos de Atena malas.
Ergui a cabeça encharcada e quase sorri.
-O portal está de volta. Vou primeiro, tomem cuidado, tem uma escada. Ok? - ouvi murmúrios de concordância.
Quiron se despediu e foi para as vãs com Argos e outros motoristas.
Clarisse se ofereceu para levar Aravis. Eu, obviamente, aceitei.
Entrei ali novamente e me enfiei pelo buraco. Desci as escadinhas e cheguei ao túnel. Minutos depois todos estavam ali.
Andamos um punhado até chegarmos no abismo que caia no rio, conferi com minhas asas e se o rio ainda estava ali, enquanto isso alguns filhos de Hermes enchiam botes de enchimento rapido.
Logo haviam uns dez botes prontos. Todos entraram e afivelaram os cintos. Eu ajudei a empurrar alguns e ouvi alguns gritos empolgados de quem caía.
Nico estava no primeiro, e pude perceber que não fora uma coincidência - ele estava me evitando. Droga.
Eu obviamente fui voando. O que teria sido legal, mas eu tive de levar Aravis.
Na hora da catarata, que tinha uns cinco ou seis metros mais ou menos, ouvi muitos chingamentos e alguns gritos.
A sala de represa continuava aquela coisa deplorável: a salinha de controle com vidros quebrados precariamente fechados por madeira, agora havia ainda mais canos quebrados - antes não parecia haver tantos, havia um fedor estranho no ar e o teto estava quase em frangalhos - pedrinhas caiam e rachaduras se espalhavam, tinha um buraco muitissimo duvidoso num canto. 
Me prontifiquei na frente e mostrei o patamar que deveriamos subir. 
Se eu e mais dois amigos reclamamos muito de ter que subir tudo aquilo de escada, imagine uma legiã... um grupo de semideuses armados daquele porte? Sim, MUITAS reclamações. Sim, MUITA demora.
Teve um momento que ouvi Will conversando com Nico, e quase atropelei todos na escada para ir lá dar um murro nele.

Bem, a diferença no trajeto foi que tivemos que subir bem menos, pois Aravis nos disse que deveriamos entrar algumas portas antes da última - que levava ao grande salão, ou grande praça, ou qualquer nome com grande no meio que queira chamar.

Havia um corredor sinuoso que ora descia ora subia, ou seja: despropositalmente cansativo. Depois outra tubulação estranha. E, quando perguntei se deveriamos ir para a esquerda ou direita - numa das pouquissimas vezes em que ouve uma bifurcação - Aravis respondeu:

-Não... não entrem... a passagem correta é velha... ninguém mal a usa. Vai... vai desabar!

-Bem... temos que arriscar. Agora diga. - deliberei comigo mesma se não devia reforçar o feitiço caso ela já estivesse consciente e nos levando a uma armadilha (principalmente ao ver a hesitação em seu olhar), e o fiz por garantia, o que me rendeu mais cansaço e uma leve e momentânea tontura. Uma garota me amparou. Queria ter sido amparada por Nico, não por ela, mas ignorei isso.

Viramos à direita e logo o túnel transformou-se num monte de barro e pedras, o que fazia parecer que estavamos numa toca de coelho ou algo assim. Eu levava minha mão acesa à frente e alguns semideuses seguravam tochas, lanternas ou encantamentos de luz.

Aravis resmungava preocupada sobre a estrutura do túnel e eu quase fiz um feitiço para calar a boca dela.

-Isso não é bom... não sei como isso ainda para em pé...

-Será que Amber firmou o acordo mesmo sem concordarmos? - disse alguém timidamente.

-Que passariamos em segurança em...?

-A custa da vida de um de nós. - completei.

Nossa desorganizada formação pareceu tremer na base: ouvir uma sugestão daquela paracia trazer maus agouros.

-Vamos só ficar quietos. - murmurei.

De repente, de uma parede ao nosso lado brota a ponta de uma espada.

E tudo aconteceu terrivel e impressionantemente rápido:

A ponta da espada surgiu, a parede se encheu de rachaduras junto com o teto, semideuses começaram a correr, o teto começava a ruir e desabava aos pouquinhos, vi o corpo do dono da espada cair em meio a poeira e a fumaça duvidosamente verde. Me toquei que era veneno. Ouvi ruídos de rachaduras e segurei o corpo, obviamente vindo do outro lado da parede, por algum motivo, meu pressentimento me fez saber que ele não era inimigo, e quando vi um gigante bloco de terra cair do meu lado e ouvi muitos gritando, chamando uns aos outros, me chamando, percebi que não conseguiria arrastar o corpo dali a tempo.

Posicionei os projetos de gargulas que eram os bonecos de Hórus e traçei uma linha tosca. Murmurei o encantamento e imediatamente vi uma pedra maior que eu caindo em nossa direção.

Ouvi alguém chamar o nome de Robert.

Peraí, Robert?

 

---Nico---

Chegar no acampamento e ver Jane foi... chocante.

E digo isso em muitos sentidos, mas o principal sentimento que saiu daquele reboliço foi mágoa. Claro, havia uma parte de mim que queria ter saido correndo abraça-la, o que era difícil de admitir até para mim mesmo. Ela estava viva e bem. Mas era impossível não sentir isso: eu me remoera muito sobre se ela estaria bem ou não naqueles últimos dias, e ve-la ali... era torturante. Meu coração pareceu desmoronar todo quando a viu. Senti um peso sair do meu ombro. Ela estava viva. Ela estava mesmo viva.

Mas ela tinha me largado.

E aquilo doia.

Doia tanto.

Eu nunca imaginei como podia doer.

E agora eu estava sozinho de novo.

Eu, que devotara todo meu amor a ela, fui rejeitado.

De novo.

Pela pessoa que eu menos imaginava.

E mesmo ignorando isso, a vozinha ecoava na minha cabeça, Quem iria querer seu amor? Quem iria querer essa merda carente?

Como se não bastasse, passamos por aqueles túneis novamente. E ela ia na frente, como uma provocação do universo para mim: Bem, agora você pode olha-la bastante mesmo. De longe.

Então o túnel desaba.

Quando o tumulto começou a se acalmar, eu só pensava "Cadê Jane?". Me repudiei por isso. Mas como não pensar, afinal, eu não sei como seria se ela morresse. Eu...

Todos buscavam por feridos e contavam se faltava alguém. Todos lembravam uns dos outros. 

Eu estava bem. Mas se não estivesse... talvez não seria tão importante para ninguém.

Tirei aqueles pensamentos patéticos da minha cabeça. Pelo amor de deus, parecia uma criança resmunguenta.

Jane tinha sumido de novo.

Ah lá vamos novamente.

Se eu fiquei preocupado? Muito.

Eu e um dois garotos fomos os únicos a se por em frente ao monte de destroços e começar a escavar desesperadamente.

-Ei, esperem vocês!

-Eles estão vão ser esmagados! - eu disse irritado.

-Se já não foram - murmurou um sem noção. Eu me virei e olhei irritado.

-Em vez de resmungar, ajude, imbecil.

-Jeff, Nico, Tom, isso não adianta...

-Adianta! - um garoto gritou - Meu irmão não vai morrer!

-Muito menos minha Katy! 

-Mas...

-O túnel pode desabar...

-O túnel já desabou. - retrucou alguém.

Começei a escavar com minha espada. Alguns outros semideuses vieram em nossa ajuda depois de se recuperarem do espanto.

Eles podiam só calar a boca e ajudar.

Um maromba de iris tirou um pedregulho gigante ao meu lado. Uma garota de hécate fazia pedaços sairem voando. Alguns usavam a espada como pá improvisada. Filhos de Atena nos alertavam em como se retirassemos aquilo poderiamos terminar de destruir a passagem. Aravis parecia um zumbi, mas seus olhos revelavam uma preocupação enorme e temor, mas mesmo assim, uma filha de Ares que me pareceu muito agressiva se postava ao seu lado, segurando a corda que prendia seu pulso.

Após alguns minutos, não pareciamos ter feito progresso. A ficha começou a cair.

Imaginei o corpo inerte de Jane nos destroços. Imaginei aquele deus Tot imbecil nos dizendo como ele lamentava não ter contado. Imaginei a reação de Robert e Anthony. E da família. Imaginei o manto de Jane sendo queimado. Imaginei seu fantasma repetindo em como ela não faria diferença se morresse, mesmo que, de início, pudesse doer. Imaginei como segurar as lágrimas parecia segurar uma represa. Imaginei em como eu nunca mais sentiria seu toque ou veria seu sorriso, ou mesmo o modo como seu comportamento mudava quando estava comigo, me fazendo me sentir um garotinho especial.

Porém eu não sentia que sua alma tinha ido. Ela não estava morta, mas parecia muito próxima disso. Sua aurea parecia cada vex mais insignificante.

Imaginei tudo isso e muito mais, mas nunca teria imaginado o que veio a seguir.

Quando todos, mesmo sem admitir, já começavam a perceber a verdade, uma filha de Hécate liberou uma estreita passagem entre as rochas com a névoa e podemos deslumbrar uma espécie de campo de força se rachando.

Jane estava de joelhos, com as mãos erguidas como se segurasse o teto (o que realmente fazia), haviam mais dois corpos dentro de seu campo de força: Robert e uma garota. Haviam quatro gargulazinhas em volta deles, todas juntas por uma linha de giz.

OQUE ROBERT FAZIA ALI!?

Jane parecia exausta, parecia sem cor, parecia estar perdendo a vida a cada segundo.

Todos estavam boquiabertos.

Então nos demos conta de algo.

-Como vamos ajuda-la?

-Não podemos entrar no campo de força dela, nem tirar as pedras de cima dele, nem...

Eu estava arfante. Meu coração parecia querer sair do peito.

Ouvi as vozes se difundirem enquanto eu viajava nas sombras.

Ouvi exclamações.

Jane parecia atônita. Segurei-a pela cintura e garanti que a mão da garota segurasse meu pé e minha outra mão segurasse Robert.

Ouvi tudo desabar.

Mas eu já estava bem.

Todos sorriam e me parabenizavam.

Menos o garoto que perdera o irmão.

Segurei Jane e ela pareceu me olhar com remorso antes de desmaiar.

Colei minha testa na dela e me segurei para não deixar nenhuma lágrima cair. Lágrimas de alívio, claro.

Will a deu uma poção ao invés de ambrosia. Talvez fosse a magia egipcia que a sugava de um jeito diferente.

Me dispus a leva-la, mas disseram que eu já estava fraco o suficiente para mais esforços.

Robert estava esverdeado, Jane não acordava, Katy - a garota - parecia bem ruim, mas já andava apoiada no namorado, que sorria, o outro garoto parecia arrasado pelo irmão, e muitos outros também, haviam alguns chorando baixinho e outros se consolando.

Aravis agora tinha de ser contida, já que Jane não a controlava mais.

-Me soltem, imbecis, me larguem - ela se debatia nos braços de Clarisse, que já estava irritada - Me deixem ver Robert! - a voz dela tremeu.

-Só se sossegar o facho. - Clarisse apertou uma gravata no pescoço dela.

-T-tudo bem. - Clarisse soltou seu pescoço e segurou suas mãos atrás das costas.

-Oi. - ela viu Robert inerte no colo de alguém e pareceu emocionada - Tinha que sair da segurança... - ela murmurou - Droga. - a voz dela pareceu embargar.

Cara, ela gostava dele.

Como eu não notei.

Nossa.

Ela pediu para que a soltassem por um instante e jurou que não fugiria - e se fugisse aceitaria a morte. Então pegou seu colar e o pousou no coração de Robert, uma luz parecia sair dali. Ela agradeceu de má vontade e se permitiu ser presa novamente.

A viagem continuou monótona por um bom tempo. Andamos muito até chegar numa portal de metal bem enferrujada.

Perguntamos a Aravis onde estava nos levando exatamente e como queriamos sair pela saida diretamente no acampamento.

-Vai demorar um pouquinho ainda. Mas estamos quase lá.

-Ela está dizendo a verdade. - disse alguém que realmente podia identificar se alguém estava ou não dizendo a verdade.

Quando paramos para um lanche, eu comia alguns salgadinhos num canto e uma garota conversava comigo. Quem? Bem, nem eu sei direito.

-Achamos que você ia ficar no acampamento.

-É... bem, eu ia. Me mudei para os romanos por um tempo. Nem eu sei direito. - ela sorriu.

-Sabe, eu acho que deve ser difícil para os outros semideuses escolherem um dos lares. Tipo, é muita pressão. 

-Já pensou em mudar? 

-Já... bem, na verdade eu cheguei a pouco tempo no acampamento grego, e já descobri que sou romana. Mas não sei realmente o que farei. É muita coisa.

-É. - ela cutucou a trança, tinha feições bem infantis e bonitinhas. Deixamos a conversa morrer ali.

-Ei, Nico, ela... Jane acordou. 

Ponto 1 - Não demonstrar empolgação. Fui até lá quase como se não fosse nada demais.

Ponto 2 - Autocontrole ao ve-la se sentando. Continuar em pé e sério.

Ponto 3 - Controle-se, controle-se, meu deus ela ergueu a cabeça, nada para dizer, nada para dizer, merdaaa, e agora, eu...

Ponto 4 - Manter a calma, agachar na sua frente e encara-la, esperar ela dizer algo antes de retrucar.

-Oi. - pane pane pane

-Oi. Está... legal? - péssimo péssimo parece um pateta mudar mudar tática

-Sim... e você?

-Normal - normal? meu deus

-Também. Senta ai. - sentei ao lado dela e encarei a parede, sem graça. Seu quadril quase encostava no meu. Então ela se ajeitou. Nossos braços se encostaram. Ai ai ai.

O grupo ia dar uma paradinha rápida, e Jane continou ali. Eu estava muito sem graça.

Jane fala logo bocó.

-Oi?

-O que? - ela me olhou curiosa.

-Você não...

-Não. - ela sorriu de leve.

Meu deus. Fala com ele, Jane.

-Você tá me zuando? - Jane, meio virada de costas quase, escutando a conversa de alguém, se virou de cenho franzido.

-Pela primeira vez, não. - ela sorriu de leve e se virou com uma cara de "nossa, tá doido".

Acho que vai ser mais difícil de admitir se ele ficar biruta. 

-Jane!

-Oi? - ela sorriu.

-O que disse? 

-Cara ela não disse nada. - disse um cara. Eu fiquei com uma cara de bocó com a boca meio aberta. Então sosseguei o facho e peguei uma bolacha.

O braço dela ainda me tocava.

Bem, é só formular a frase: Nico, eu te larguei porque vou morrer e não queria te chatear. Nah. Que tosco. Mano, falar que quer voltar com ele seria ser tosca. Tu que largou ué. Nico deve te achar infantil e idiota. E babaca, claro. Sempre babaca. Robert devia acordar logo. Bem, mas eu tive um motivo nobre. Que a nobreza vá a merda, ele que devia decidir contigo. Mas ele não pode ser magoado mais uma vez... Nico só merece alegria. E eu sou esse íma de bosta. Não... nossa, inside my telescope i see... como era o resto? Time is like a leaf in the wind, is no way i... cara que batatinha boa. Robert... nossa que cara bonito ali. Acorda Robert... nossa tenho que renovar o feitiço de Aravis. Ignorar o cansaço. Ai Nico olhou aqui porra, não me chame de novo por favor se não eu vou cagar na calça. Dor na barriga, dor na barriga. Puxãozinho chato. Meu deus Nico tá tão bonitinho... que droga. Agora que aquele Will vai vir para cima. Ugh. Será que puxo assunto? Não. Sem noção demais. Sem graça demais.

Notei que eram os pensamentos dela.

Engasguei com a batata.

-Nico? Você está bem? 

-Tome água. - olhei atonito para ela.

-Tudo bem? - ela me encarou preocupada.

-Sim... Sim... estou ótimo. 

O QUE ESTAVA ACONTECENDO!??!?

Nossa, bem que Nico podia dar o primeiro passo. NÃO. Ia ser uma merda. Jane cala a boca pelo amor de deus. In a far and distant galaxy, inside my telescope... para, chega de música triste cara. Vou chutar a cara do Robert se ele não acordar - e morrer se ele não respirar mais. Não. Credo. Jane idiota. Viu que ele está vivo. Música mais animada. Tut tut tut... I come from Land Down Under, where women glows and man plunder, can't you hear, can't you hear the thunder, you...

Não era errado? Meu deus. Ela queria voltar comigo. Ela só tinha querido me proteger. Que bocó. Cara, deus. Eu estava feliz. E confuso. Mas ouvir os pensamentos de alguém... meu deus. Ela iria me odiar. Ou não? Isso a pouparia de admitir tudo e...

Uma parte do cotovelo e braço me tocavam. Não era culpa dela. Todos tentaram se sentar bem perto um do outro e ocupar pouco espaço da caverna.

Nossa teve aquela vez que ouvi essa música quando Octavian chegou... nossa eu era muito tonta mesmo

Então uma lembrança inundou minha mente. 

Eu estava lavando um banheiro público e rebolando um pouquinho.

Eu não. Jane sim. Eu era Jane.

Eu dublava a música sem fazer nenhum som mas perfeitamente interpretada. Eu estava contente.

Era assim que era ser ela.

Assim que era estar nela.

Meu deus.

Me senti um invasor.

I come from the Land Down Under, where womens glow and man plunder, can't you hear, can't you hear the thunder, you...

-Ora ora. Pelo visto está gostando de lavar uns banheiros. - me virei em direção da voz.

-Octavian. Por que tá aqui? - era estranho ouvir minha voz saindo como a de Jane. Soava muito agressiva. Parei de esfregar e rebolar.

-Vim ver se não estava burlando seu castigo.

-Sabe o que eu odeio?

-Diga.

-Quando cagam fora da privada. - ela apontou uma mangueira de água para a cara dele. NOSSA CARACA, o eu habitando aquele corpo riu consigo mesmo, ela chamou Octavian de merda na maior cara dura.

-Uh uh uh. - ele sorriu com desdém.

-Duvida?

-Duvido.

-Não vou te encharcar só se me obedecer.

-Hã? Quer que eu te obedeça? - ele riu com desdém.

-Adoraria te ver rebolar. - eu... quer dizer, Jane, pensou em como foi sorte ele não ter chegado enquanto ela dançava Fortunate Son, cara teria sido vergonhoso, ela riu consigo mesma.

-Doentio.

-Vamos logo augúre. Dança para mim.

-Adeus garota. - ele se virou para sair e Jane lançou um jato de água nas costas dele.

Eu dentro dela ri comigo mesmo. Jane era muito impertinente cara.

Octavian parecia estar tendo um chilique interior.

-O que você fez!? - ele berrou - Acha que tem o direito... e ainda ri!

-Opa.

-Opa!? Reyna vai ser informada, você vai ser castigada, muito mais semanas lavando banheiros e... olhe para mim enquanto falo! 

-Por que eu olharia? - disse esfregando uma pia.

-Eu sou augúre! Posso fazer da sua vida um inferno!

-Não, não pode. Mesmo que a sua já seja.

-A minha vi...

-Você deveria ser mais como Robert. Como ele pode ser seu irmão? - ela disse numa voz extremamente calma e irritante, contudo eu podia sentir seus átomos e extremamente agitados dando loops de nervosismo.

-Não me compare a ele!

-Por que? - ela desafiou.

-Porque estou cansado disso desde quando cheguei! Todo mundo só sabe me comparar e... eu sou eu! - ele dizia muito irritado. Jane o trazia para fora de sua área de conforto aos poucos, o deixando cada vez mais vulnerável.

-Já pensou que sou a única pessoa que fala com você sem ser pelo fato de ser o augúre?

-Agora é metida. Você não...

-Metida nada. Sabe que é verdade. Quase fui sua amiga e isso exige uma boa vontade do caralho.

-E dai? Eu não preciso de semideuses desmiolados me rondando. É melhor assim.

Uma música mais calma começou a tocar. Suspirei mentalmente. Na verdade Jane suspirou mentalmente.

Era estranho dividir um corpo.

Era estranho me sentir maior.

Estranho um cabelo cumprido, peitos, nariz grande, tudo.

-Ok, thau então. - ela revirou os olhos e deu de ombros. De canto de olho podiamos ver Octavian com cara de inconformado. Eu podia sentir que Jane queria poder ajuda-lo, queria traze-lo para o lado bom da força, ela só não deixava isso óbvio. Aquela vontade de ser boa com alguém, de fazer os outros se sentirem bem... era algo raro. A bondade tem a ver com quem você é, a gentileza com como quer ser visto.

-Pelos deuses, que abuso... - ele saiu resmungando.

-Posso te ajudar a se secar... Se pedir com gentileza. E cara, você não que ser aquele augúre que saiu todo molhado do banheiro né? - ela disse em tom de zombaria.

-Por que está me ajudando? - ele disse desconfiado - Não quer ser mais punida né? Eu te conheço... - ela ergueu uma sombrancelha para a cara desconfiada dele.

-Quer ajuda ou não, porra?

-Tá tá. 

-Entra ali na secadora. Melhor, tira esse pano de chão.

-Pano de chão!?

A Jane real, ao meu lado, pareceu contrair os lábios. Um cara dizia que logo iriamos partir. Comi mais um punhado do salgadinho.

-Vai logo cara. Enfia ela embaixo da secadora.

-Ugh.

-E não resmung... essa música! - ela foi até o rádiozinho e aumentou até o máximo. Ela dublava com mais vontade, ainda muda, e para dar um efeito ao que cantava, apontava a vassoura para Octavian, que fazia uma careta - Vai cara, se divirta. Não precisa ser o Robert para se divertir. Essa música é boa pra cacete. - ele se levantou da pia em que sentara e pegou a outra vassoura. Então incrivelmente começou a passa-la nos espelhos.

Jane pareceu impressionada. Octavian deu um leve sorrisinho tipo "Eu também posso fazer isso".

Senti um sorriso se formar. Não. Jane sentiu um sorriso se formar.

.

Antes que eu me desse conta, Jane se levantou e senti a conexão se esvair.

Notei que provavelmente conseguimos aquilo pelo mero toque do cotovelo. Notei também que ela não percebeu nada. Estava indiferente.

Minha cabeça era um furacão.

Jane quer voltar

Jane não quis terminar

Jane foi amiga de Octavian

Jane incrivel

Eu li a mente dela 

Desde quando eu leio mentes?

Meu deus ela vai me odiar

Queria ler mais mentes

Como fiz isso

Como vou fazer de novo?

Não, não vou fazer de novo

Isso é mal

Nossa, a Jane de 13/14 era uma graça

Nossa Octavian lavou um banheiro

Robert ainda estava inconsciente

Ai ai ai

Outro corpo

Outra mente

Ela estava em pé

O que eu faria

O garoto anunciou que iriamos voltar a caminhada.

E eu obedeci.

 

----------

 

Antes de emergirmos no acampamento, tivemos alguns... inconvenientes.

Tivemos de passar por uma sala de depósito. Todos fomos andando bem devagarzinho e agachados por trás das caixas enquanto uns filhos de Hécate nos ocultavam da melhor maneira possível. 

Alguém iria ser a isca, que eu saiba um garoto mais velho e ágil... acho que o musculoso de Íris.

Jane ia no pônei/espada porque se sentia muito cansada e não queria ir apoiada em ninguém - aquilo a irritava. Já aproveitou o veículo para levar Robert, que sentava na frente todo caido no pescoço do potro.

Eu sentia um impulso terrível de falar com ela e abrir o jogo, mas precisariamos de muita privacidade - que é exatamente o que não teriamos ali.

Minha barriga até revirava e meus dedos estavam todos comidos de nervosismo.

Quando pararam, vi o garoto de íris indo ao canto contrário e subindo numas caixas para chamar atenção das algumas endhonas que estavam ali. Todos fomos correndo até a grande saída - havia um barranco que subia até a luz do dia.

O cara de Íris fingiu estar espiando e uma endhona o viu - o que era exatamente o plano.

-Ei! Um semideus! - ela apontou. O cara subiu com uma agilidade incrível em cima de uma das pilhas de caixas de mais de dois metros, depois pulou para uma pilha maior ainda. Uau.

-Peguem-no!

-Devem haver outros!

-Semideus imundo!

-Merece a morte!

-Chamar tropas!

-Suas tontas! Logo meus amigos chegaram do mesmo túnel de que vim!

-Vieram do outro acampamento!

-Matem!

-Bloqueem o túnel!

Muitas endhonas dirigiam-se ao túnel de onde viemos. Nosso sr. distração tropeçou e ficou suspenso.

-Ei, eu vou lá, ele vai cair e... - Jane já havia descido do pônei, empunhado duas espadas e começava a tirar Robert do pônei.

-Não acho uma boa idéia.

-Sim e...

-Por que? Ele vai cair e...

-Jane, você é justamente quem eles querem. Ir até lá seria se entregar. Seria desnecessariamente arriscado. Se eles te pegassem, podiam arrancar muita informação e...

-Ugh, merda. Merda porque é verdade. Mas...

-Jane. Sério. - eu, depois de uma certa coragem, a encarei. Ela me encarou de volta por uns segundos e desviou o olhar.

O cara conseguiu se salvar sozinho. Por enquanto.

Quando quase voltamos rumo a saída, Jane disse:

-Esperem, e Robert e os outros feridos? Eles não podem lutar, onde iram ficar?

-Bem...

-Eles podem ficar no túnel aqui com mais guardas...

-Cara, vão...vamos demolir o túnel. - Jane olhava de uma pessoa para outra que falava.

-E já temos poucos soldados.

-Eles não podem sair daqui para o meio da luta.

-É, estariamos cercados e com peso morto.

-Sério, chamou os nossos de peso morto? 

-Entendeu o que eu quis dizer.

-Gente! - interrompeu Jane - Posso chamar a legião...

-Como?

-Seria seguro?

-E se não voltar?

-Por que eu não voltaria? - ela disse fazendo uma careta irritada - Enfim, eu pego minhas asas e vou voando. Claro, depois de mais uma poção da invisibilidade e...

Ela não esperava a enchurrada de filhos de Apolo e suas recomendações.

-MAIS uma poção? Você já estava morrendo e...

-Isso faria um mal terrível. Poderia desmaiar em pleno voo...

-Suas forças podem se esvair completamente. Você pode ficar literalmente esgotada.

-Essa magia egípcia está te sugando de uma forma muito intença, ainda mais juntando tudo. Mal vai poder lutar.

-A combinação de poção da invisibilidade inúmeras vezes, que já é algo instável por si, com o campo de força, o feitiço contínuo na ruiva, e o uso constante dos seus poderes e energia? Péssimo. Na-na-ni-na-não moçinha. - sintetizou Will cruzando os braços.

Ela ergueu uma sombrancelha. Os dois ficaram frente a frente de braços cruzados e olhares desafiadores.

-E o que sugere?

-Podemos iniciar o ataque e usando essa distração alguém avisa a legião. Depois de avisada, ela resgatará nossos feridos e nos ajudará em batalha.

-E se o túnel for fechado? Não vou arriscar. Ela já tinha se dirigido a Robert e começado a coloca-lo no chão delicadamente.

-Você tem experiência como curandeira. Devia ligar mais para a saúde.

-Quem liga. Sou só eu. Se eu morrer, simplesmente acabou ué. Contanto que outros não morram, eu não ligo. - ela colocava as asas nas costas e já preparava o frasco da poção.

Aquilo doeu. Queria gritar que eu me importaria. Que eu iria querer morrer também. Mas é claro que eu não podia dizer isso.

-Menina, isso...

-Você devia escutar Will, cara.

-Romanos deviam ser melhores em seguir ordens.

-Ordens médicas ainda por cima. 

-Acho... acho que se quiser ir está responsável pela sua atitude - Will me olhou incrédulo. Jane ponderou. Me olhou parecendo meio arrependida de alguma coisa.

Você ainda é dela.

Ela te ama.

Ela ainda é sua.

Por que eu apoiava os instintos suicidas dela!??!?

Ela revirou os olhos para Will e desapareceu.

Me perguntei se a veria de novo.

 

---Jane---

Coloquei as asas e aquele Solace mala veio me encher.

Aaaaah

Bem, enfim, sobrevoar o acampamento era gostoso, mesmo que sair dali fosse enervante e ver aquelas endhonas no meu território fosse uma bosta.

Não foi nada demais, devo admitir.

Voei até Nova Roma e deixei as espadas com Término, que me identificou mesmo invisível - ugh (Término até permitira um pequeno estoque de armas em frente a Nova Roma devido a invasão e a necessidade, mas nada dentro).

Entrei numa loja que havia se tornado uma espécie de quartel general.

Tomei a pílula que acabava com a invisibilidade.

Logo achei Anthony. Na verdade, ele me achou. E quase me matou.

Depois de um abraço monstro, ele me deu um murro do braço.

-Ai!

-Onde diabos se enfiou todos esses dias? - ele disse de olhos arregalados.

-Ah. Por ai. Fui até os gregos. Invadi uns túneis. Alias...

-Meu deus! E o que mais? Os gregos vão vir? Você está um caco, menina!

-Eles já estão aqui.

-O QUE?

-Sim, sim. Nico e Robert estão conosco e...

-Nico e Robert!?!? Eles estão com você? Só eu que estava preso aqui nesse buraco? Jane... que porra! Eles estão bem? E Robert? Cadê e... Como chegou... caralho! - ele sorriu, pude notar que sua cabeça ia explodir de tanta coisa. E ele ainda nem sabia de Aravis. Ai.

-Achamos Robert no meio de um túnel por ai. Mal sabemos o que houve. Ele ainda não acordou. Nico chegou no acampamento quase na mesma hora que eu depois de achar um guia para nós.

-E Robert está bem?

-Sim... claro. - não devo ter sido muito convincente - Mas temos que ir logo. Temos que chamar a legião. Rápido. Muito rápido.

-Sim, sim... affe, nunca mais eu sigo essas ordens: "seus amigos não estão num complô, Anthony", "eles tiveram designações, Anthony", "Uma vez na vida, blá blá blá, dê uma chance a eles". Humpft.

-Ai bocó. Vamos logo.

Deixei Aravis para depois.

Ele chamou Reyna e Frank, que em poucos minutos organizaram a legião em frente a Nova Roma (não dentro - esqueceram de Término?), e se lançaram numa batalha inexperada, enchameando a Via Principalis. Mas as endhonas eram rápidas: mal chegamos e várias dela já formavam uma linha defensiva enquanto outras se armavam e vinham. Voei até o esconderijo, novamente invisível, e novamente tomei outra pílula para terminar com o efeito. Avisei-os do ataque - que eles obviamente já tinham ouvido - e eles se lançaram na batalha. 

Imaginei se o grupo de Jason iria demorar.

Com o corpo de Robert nas minhas mãos invisiveis, levei-o até a entrada de Nova Roma. Deixei que outros semideuses cuidassem dos outros feridos.

Então voltei a Nova Roma onde Anthony me esperava e fomos imediatamente achar os ativadores de bomba.

Eu segurava Anthony, que ia meio caindo e constatando como aquilo definitivamente não era seguro.

Depois de invadir o point dos filhos de Vulcano - pelo visto muito usado pelas endhonas mas agora totalmente deserto (e isso inclui seus arredores) -, abrimos o cofre secreto. Admito que perdemos alguns minutos para ativar tudo e ligar cada bomba no controle. Eram bombas de explosão controlada que afetavam só o que estivesse programado. Cara, eu me amarrava nessas bombas.

Bem, não literalmente né... mas enfim.

Saimos dali por uma janela antes trancada e fugimos. E voamos mais um pouco.

As bombas balançavam na mochila.

Na verdade era bem legal de ver do alto: os gregos e romanos e as endhonas e tudo mais. Mas eu não iria me rebaixar ao nível de um deus ficando parada me entretendo com aquilo.

Imediatamente lembrei-me de Tot, como se ele cutucasse minha mente dizendo "Há! Não é você que reclama do sexismo? E pratica esse deusismo? Eu não sou alguém baixo!".

Notei como fazia dias que Tot e eu não nos falavamos.

"Tot?"

"Ei? Cansou da aluna?"

"Você está bem?"

"Tot...? Bem, posso resolver isso depois, espero que esteja bem"

Com duas espadas em punho, começei a apunhalar e cortar cabeças em grandes quantidades. Muitas distraídas mal me viam antes da cabeça cair. Há.

Enquanto eu fazia esse agradável passeio sangrento, também procurava um lugar onde precisassem de ajuda para eu pousar.

Me dirigi a um grupo perto das coortes e logo me pus a trabalhar.

Não pareciamos ir tão mal. 

Tomei cuidado para não deixar as armas de ninguém relar na minha mochila explosiva.

Em cerca de dez minutos, Jason irrompe do túnel de onde viemos. Finalmente poderiamos demolir o lugar. Eu não aguentava mais aquela mochila cheia de bombas ameaçando explodir.

Peguei Anthony, que deu um berro quando eu o ergui no ar e começou a rir.

Pousei num telhado e dei a mochila para ele. Ele colocou-a com o ziper para frente. Logo uma flecha voou em nossa direção. Olhei meio pasma para quem havia lançado e não achei o atirador. Aquilo me deixou em estado de alerta. Segurei Anthony mais firme e voei mais alto. Quando estavamos proximos da abertura do túnel, Anthony abriu a mochila e jogou os explosivos todos bem grudados por fita adesiva.

Então ele segurou o controle e começou os preparativos para a explosão. Depois pegou o apito de avisos e murmurou nele a mensagem: não se esqueçam do plano semideuses!, e quando ele apitou a mensagem reverberou pelos montes.

Imediatamente pude perceber os grupos se afastando da entrada das endhonas.

Jason voou até mim.

-O que é exatamente o plano? Por que todos foram para aquele lado?

-Vamos explodir o túnel, lembra?

-Uou. 

-Vá afastando eles de lá.

-Ok ok capitã. - ele sorriu e se lançou de volta na batalha.

Anthony ativou o apito e fez uma contagem regressiva. Então, ao terminar olhou se ainda haviam pessoas a uma distância perigosa e ativou. 

Como era uma bomba muito perigosa, ela se explodiria em vinte segundos por segurança.

E isso basicamente foi minha salvação: uma endhona levava um semideus entre os braços, ela o agarrava pela cintura prendendo seus braços e o deixando imóvel com ajuda dos tentáculos. Era como um homem bomba - não ligava de se matar ao matar alguém.

Larguei Anthony meio bruscamente na batalha e voei até a endhona a mil por hora. A endhona riu para mim. Já empunhei uma espada e apontei diretamente para ela, mas ela me desviava só com os tentáculos. Era uma endhona com uma espécie de buraco negro em vez de rosto.

A cabeça do garoto estava escondida por um saco mas eu já descobri quem era. Ela ria doentiamente.

Merda.

Deu um soco na endhona e ela retribuiu-o em Nico. A bomba já ia explodir...

Eu não conseguia pensar direito.

Começei a dar meu melhor com as duas espadas, mas ela usava Nico como escudo e isso era uma porra. Quando finalmente enfiei uma espada na cara dela, Nico caiu cambaleando e cortei tentáculo que o prendia frouxamente mas outro o segurou.

Então disse um encantamento egípcio para acalmar.

Peguei-o pela cintura e ouvi um grito horrendo sair da endhona. Parecia um filme de terror. E ação também. Eu estava terrivelmente tonta.

Uma coisa preta começou a sair de dentro do tentáculo, mas eu já voava para cima e para longe.

Cabum. Eu e Nico já estavamos a uma distância melhor, mas a explosão tirou todo o resto de equilíbrio e controle que eu tinha com uma rajada potente de vento.

Minha visão escureceu.



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