História A Cria da Guerra - Capítulo 51


Escrita por: ~

Exibições 3
Palavras 4.973
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Super Power, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Yoo
ESTOU ME SENTINDO O FLASH
DUAS COSITAS QUE EU IA FALAR NA NOTA PASSADA E LEMBREI DPS PQ EU ESTAVA COM PRESSA:
descobri que meu nome vem do italiano Joana e do inglês Jane
CARACA
coincidências? acho que não (achei super legal cara kkk)
E a outra:
Quando escrevi caraleo, notei que terminava com Leo, o que me lembrou de uma pessoa
Sério, eu ando precisando de conselhos, mas acho meio bocó demais dizer que ando obcecada com um menino que eu vejo todo dia na saída/lanche mas nunca nem dirigi a palavra
Me ajudem 😭😭😭
Ok, mas enfim, voltando ao que interessa, a fanfic:
Tá bem melzinho o final do cap, e eu gostei bastante
Realmente? O fim está próximo
Se eu pensei em continuações? Ando tentando
Se eu fico curiosa para saber se alguém shippa Robert com Nico ou Anthony? Sim. SEUS FANTASMAS DO MAL
Se eu fiquei meio babona desde reler Todo dia/Outro dia e escutar o Jack White no Jimmy Fallon? Yep, mucho - babona só na hora de escrever, digo
Pensei em desaparecer ou matar alguém ai para dar um momento daqueles super bad, mas ando em dúvida porque essa idéia ainda não amadureceu bem
Olha, admito que não sei o que continuar depois desse capítulo, e vão ver o porquê
Mas enfim mis amores, yo tenho de partir
Desculpem, ia ter postado anteontem acho, mas pensei "cara, não quero esquecer de nada na nota", então deu nisso. Também não coloquei a foto de capa meiga p o capitulo passado, acho que vai ficar melhor nesse no fim das contas
Como começei um caderno de desenho novo no qual o lema é: não planejar os desenhos, desenhar o que vier na hora e não parar caso começe a parecer meio bosta - ou seja, mais chances de uma cap p a fic (ou não, hueheuehe).
Acho que agora é adeus mesmo.
Bem, it's ser isso
Adios flores do campo (*-*)//
Ps: cara, esse nome brotou do além realmente. Tipo, qualquer outro nome seria meio spoiler, e esse ficou super adequado! Uau - até pensei em ser Panelinha Incrível, mas ele veio depois, o primeiro foi melhor. MAS ENFIM
Bjos
LEIAM A NOTA PELO AMOR DE HEFESTO
Sério gente, não firam (verbo estranho né) mais ainda meus sentimentos
ADEUS NOVAMENTE
THAU SEM MAIS PS
(*-*)//

Capítulo 51 - Colocando pingos nos Is


 

---Nico---

Jane tem um sério problema com desmaios.

Ok, talvez eu também tenha, mas isso não vem ao caso.

Estavamos terrivelmente alto quando a bomba explodiu e Jane apagou.

Imediatamente imaginei suas asas desaparecendo pela falta de concentração ou algo assim, mas não. Começei a tentar tirar as asas dela, desamarrando e desafivelando, mas era muito, MUITO difícil. Eu mal conseguia me segurar nela direito, e a maldita asa não queria sair. Enrosquei minha perna nas dela, mas já estavamos nos aproximando terrivelmente do chão. Tentar viajar nas sombras ali seria idiotisse, afinal era um dia bem claro e bonito e não há sombras de nada tão alto por ali para ajudar nem sutilmente.

Jason provavelmente não nos aguentaria.

Finalmente consegui desamarrar a asa, tirei-a de Jane apressadamente. Cara, não dá para fazer nada enquanto se cai no ar.

Coloquei-as precariamente, as pernas de Jane escorregavam das minhas - nunca tente carregar alguém usando só as pernas - agarrei-a pela cintura com as asas precárias e tentei lembrar das aulas de voo que ela me dera umas três vezes.

Planar.

Fiz as asas se esticarem e bruscamente paramos e planamos por uns segundos nos últimos segundos.

Enfim, a uns bons metros do chão ainda, a asa desaparece.

PORRA

E quando eu já me vi caindo estatelado no chão, Jason passa e me segura pela camiseta (o que quase me enforca de início, mas salva minha pele). Por pouco segurei Jane, agarrei-a bem firme contra mim, torcendo inteiramente para ela não acordar.

Jason nos largou brutamente no chão - já que seus braços mal nos aguentava no ar. Acho que me ralei um pouco.

Jane acordou assustada. Por sorte ela já não estava nos meus braços - seria constrangedor.

Jason nos rodeou matando as endhonas ao nosso redor.

Ela se levantou enérgica e pronta para lutar, mas mal o fez e já vi a tontura domina-la.

-Se ela não aguentar, leve-a daqui! - Jason berrou.

-Que não aguentar o que. Eu sou Jane Parker. E Leonni também. - ela parecia meio grogue. Como eu ia tirar ela dali?

As endhonas logo já nos cercavam e nossa defesa basicamente era Jason e eu.

Acho que seria mais fácil levar aquela teimosa se ela estivesse desmaiada.

Mesmo assim, ela até que não se defendia tão mal.

-Jane, vem aqui!

-Por que? Estou lutando, cara. - notei como ela não parecia mais tão grogue. Seus olhos estavam meio nublados, mas havia determinação ali, ela só continuava meio lenta e errando coisas que antes nunca erraria. E isso parecia irrita-la.

-Sério, você tem que ajudar um paciente e...

-Tem muitos curandeiros...

-Robert quer falar com você e... - isso chamou a atenção dela.

-Tá, tá. Ok, vamos.

Ela brandia a espada ainda mais determinada quando gritou sobre os barulhos da batalha: 

-Me dê cobertura! - ela se aproximou mais e eu a cobri. Ela colocou as asas e agarrou de repente pela cintura. Tão de repente que quase contra ataquei antes de notar que era ela.

Merda, deixa-la sair voando por ai não era parte do plano.

Jason, que vi de relance, pareceu preocupado e surpreso, mas não disse nada.

Ela me levou até o limite de Nova Roma, onde largamos nossas armas e entramos.

Ela cambaleou e quase caiu. Eu a amparei, sem graça por ser o único ali e ter que fazer isso. Ela, meio grogue, não pareceu ligar muito e logo se afastou tagarelando.

-E Robert? Nossa, meu deus, a lojinha tá vázia... até estranhei. Ai minha perna. Cadê...

-Consegue transformar sua espada numa cadeira de rodas?

-Por que? Eu estou Ó-TI-MA e... ok estou meio cansada. - ela sentou na recém chegada cadeira de rodas e eu a empurrei.

Quando entramos na lojinha, ela já roncava.

Tentei enviar sonhos bons para ela. 

-Vai ficar de acompanhante? - perguntou um curandeiro, só haviam ele e outro, já que o resto estava em batalha.

-Não, eu... bem, eu vou indo.

Cerca de duas horas depois houve uma retirada, umas seis e meia em ponto.

Jane acordou as oito.

-Hã...

-Olha, a bela adormecida está acordando. - resmungou Anthony sentado no chão ao lado dela enquanto jogava vidrado no celular. Robert estava na cama improvisada ao lado, observando o garoto jogar. Ele imediatamente ergueu o olhar quando Anthony disse isso. 

Eu fingia dormir no colchão improvisado que estava do outro lado de Jane (um dos curandeiros fez questão de reserva-lo para mim, pois achou que eu gostaria já que eu que trouxe ela lá e etc - esse etc é a parte que ele disse que eu parecia gostar muito dela e ele pensou que eu iria gostar desse empurrãozinho, e decidi não comentar nada e só agradecer sua boa vontade e percepção).

-Jane!

-Oin... oi. - ela se espreguiçou - Meu d.... onde eu estou? E... e a luta e... 

-Você dormiu na ação toda.

-Sério? Que merda!

-Não foi nenhuma batalha épica. Foi meio desanimado, na verdade.

-Nossa. Não acredito. O destino do meu acampamento estava acontecendo e eu estava dormindo. Meu deus. Estou me sentindo inútil. 

-Realmente. 

-Jane, pelo que soube, você passou os últimos dias sabe se lá onde, catando informações. Informou o acampamento grego, coisa que estavamos impossibilitados de fazer, trouxe os reforços, se arriscou sozinha nos túneis conseguindo guias, quase se envenevou de tanta poção, salvou cerca de três vidas contando a minha e quase se esgotou usando sua magia. Você foi óti...

-Meu deus. Quanto puxa-saquismo! Mas admito, Janinha tu foi foda. E isso é um elogio vindo de mim, O cara. - ele dizia com um leve sorriso orgulhoso sem tirar os olhos do jogo do celular. Ela sorriu.

-Uau. Assim vou ficar convencida.

-Você já é convencida. Deveria é ficar orgulhosa de mim.

-Por que?

-Por aprender a elogiar ué. Sou um cavalheiro agora, viu.

-Bem, Anthony teve sua cota de incrivilidade. - comentou Robert com um sorriso travesso.

-O que eu fiz de incrível? - ele provocou.

-Mini canhões, a mão robótica, e cara, eu sei que foi você o responsável pela bomba no esconderijo das endhonas.

-Há! Sou demais mesmo.

-Bem, agora Robert já elogiou todo mundo. Aposto que também merece uma puxação de saco. - Jane comentou e eu senti o sorriso em sua voz. Mal podia ve-la direito pelos olhos praticamente cerrados, sem falae que ela estava de costas, então fechei-os e concentrei minha audição.

-Robert não lutou. Ele foi acordar só no meio da coisa, e quando foi sair ninguém deixou. Sério, teve uma hora que eu achei que ele fosse tacar uma bola de fogo na cara do cara. - Jane riu - Mas não precisamos elogiar nosso sol matinal, ele já sabe que é nossa luz.

-Nooossa! - disse Jane rindo alto. Puxei a coberta mais para cima. Ai que droga - Mas que fim deu toda essa guerra?

-Toda esse batalha, quis dizer né. Bem, amanhã cedo estaremos em pé, firme e fortes de novo. Bem, eu vou estar né cinderelos.

-E eu também! Que merda de cria da guerra eu seria se não estivesse sempre no meio da ação?

-Garanto que uma cria da guerra mais saudável. Bem, não sei se deveria. Se cansou demais hoje. Se esgotou demais.

-Blá blá blá. Estou com fome, cara.

-Você está em Nova Roma com um amigo carteirudo. Bora?

-Uau, isso é um convite?

-Não, é um bat-chamado. 

-Jane não pode recusar seus bat-chamados, Jane cumpre seu dever! - ouvi ela se levantar.

-Meu deus. - abri um milimetro do olho e vi Robert levantando. Anthony os seguiu.

Eu dormi um pouco, finalmente.

Acordei 1:42 segundo o relógio led de pilha recém instalado na parede - e com "recém" digo pouco depois de o lugar virar um refúgio.

Me sentei e notei Jane lendo.

Me arrependi.

Ela se virou meio como um cachorro quando um esquilo passa perto. Depois virou de volta quase tão rápido quanto. Mas notei eu rosto sujo de lágrimas, de poucas lágrimas, mas que conseguiram deixar o rastro molhado e os olhos vermelhos.

-Você tá legal? - eu continuava encarando-a.

 

---Jane---

Dormir todo aquele tempo de tarde tirou meu sono. E eu odeio não conseguir dormir direito a noite. 

Ok, até consegui dormir quando deram o toque de recolher as dez e meia, mas meia noite eu já acordei.

Começei a reler um livro usando uma gambiarra boba que fiz um dia enquanto esperava Anthony fazer algo na oficina. Era basicamente uma miniatura fofa de uma lampada de mesa que podia se virar praticamente 360° e se encaixar nas coisas (tipo a capa de um livro).

Eu estava lendo dois livros ao mesmo tempo, afinal tratavam dos mesmos 40 dias por pontos de vista diferentes e eu amava isso.

A garota era mais desleixada, o garoto era mais poeta digamos - o que me rendia várias orelhas para marcações posteriores -, e eu amava os dois.

Estava na parte meio que final, últimas 100 páginas talvez, e eu lia enquanto eles narravam seus dramas adolescentes sobre como o amor não daria certo, afinal A - que mal era sexuado - mudava de corpo todo dia.

É um livro lindo. Sério. E olha que eu prefiro ação e aventura que paixão e emoção, mas David Levithan era um real ídolo juvenil para mim. 

E, como se o universo conspirasse contra mim, começa a tocar "You've got her in your pocket" no fone com a voz emocionada do meu príncipe Jack White.

E eu estava me sentindo seriamente deprimida. Sério, Rhiannon e A TINHAM que ficar juntos. Mas eu sabia o que aconteceria no final. Ia ser aquela coisa sugestiva horrível e que não esclarece bem se eles voltaram a se encontrar.

Começei a deliberar em como eles só não ficaram juntos porque o "universo" não quis. Em como eles tentaram o impossível. Em como eles eram bons. Em tudo.

Peguei meu celular e assisti Jack cantando. Ele limpava os olhos cheios d'água após cantar as duas músicas no show no Jimmy Fallon.

Voltei a ler.

Notei que uma lágrima molhou a página e que haviam outras na minha cara.

Pensei em como eu não sabia o porquê da minha tristeza. Ok, eu sabia alguns dos motivos, mas eu não admitia para mim mesma.

Fazia uma hora e quarenta e dois minutos que a manhã começara.

Ouvi alguém se mexer. Virei a cabeça instantaneamente.

Nico se sentou. Desvirei a cabeça instantaneamente.

-Você tá legal? 

Ah claro. São lágrimas de pura alegria.

-Jane? Ah pelo amor de deus, não vai me ignorar né? - ele disse. O que eu entendi: pelo amor de deus, isso é tosco demais até para você.

-Oi. Estou ótima. E você, vai bem? - disse encarando os livros abertos.

-Jane. Precisamos conversar.

-Sobre o que? O clima? Ele anda uma bosta. Não acha?

-Você pode falar sério por um segundo? - havia muita mágoa na sua voz e eu me senti muito babaca.

-Sobre?

-Sobre nós. O que houve naquele dia? O que houve com tudo? Eu... eu não sei o que devo... olha, sei que ainda gosta de mim, ok?

-Não. - ele ergueu o olhar e me encarou. Eu me sentei, não queria encara-lo, mas o fiz - Cansei, ok? Só... acabou. É isso. 

-Jane! Você já admitiu que fez isso para me proteger da sua morte, e eu cansei de ser protegido!

-Quando admiti isso?

-Não importa, mas Ja...

-Como? - ele pareceu culpado e preocupado.

-Não foi minha culpa, eu...

-Fala logo! 

-Quando me sentei ao seu lado no túnel... sem querer, juro, pude ouvir seus pensamentos e...

-O que!? 

-Não foi minha culpa!

-E não me contou!?

-Você mal me olhava! - de novo ouvi uma enorme mágoa na voz dele.

-E... meu deus. O que ouviu, o que... meu deus. - eu afastei o cabelo do rosto, uma onda de incredibilidade passou por mim e me descabelei interiormente porque PORRA ALGUÉM LEU MINHA MENTE, e meu deus do céu, o que ele viu ali?!

Então notei que... bem, eu nunca daria livre acesso a minha mente para ninguém, mas eu acreditava que Nico dizia a verdade. Acreditava que ele nunca faria uma coisa dessas propositadamente. Acreditava que ele achava torturante a culpa de ter visto o que viu - seja lá o que tenha visto. E por acreditar nisso, tentei ser racional e não ter um ataque de pelanca.

Notei em como era raro eu acreditar fácil assim. E em como demorou um bom tempo até mesmo para Robert ter toda essa confiança que eu dava a Nico no momento. E tipo, ele merecia isso de tantas formas que seria totalmente injusto desacredita-lo. Eu acho né.

Eu estava com a cabeça meio escondida entre as palmas das mãos e podia sentir o olhar de penetrante expectativa que Nico me lançava.

-Eu acredito mas... o que viu? 

Ele estava de queixo caido e um esgar de esperança pareceu perpassar seu rosto.

-Vi... bem, sua preocupação com Robert, o que pensava que deveria dizer a mim, umas músicas estranhas, coisas nada a ver com nada e... - então ele falou bem rapidinho para disfarçar: - uma memória. - e acrescentou mais rápido ainda: - Bem, foi só. Juro que...

-Que memória? - tentei soar complacente, mas devo ter parecido meio acusadora, então emendei - Vamos lá.

-Você lavando um banheiro. Só. - eu sabia. Eu lembrava do que eu havia me lembrado no momento do túnel, a lembrança veio por causa da música. E Nico viu. Ai. Merda.

-Ah.

-Não quero que fiquemos estranhos. 

-Como assim fiquemos? Não tem essa, Nico. Não tem mais "nós".

-É claro que tem! 

-Vai ser tudo pior! E quando eu morrer? Nico eu VOU morrer! Você vai sofrer mais ainda! E isso é um fato certo!

-Pare de falar isso! - a voz dele, que saiu muito alta, ecoou pela loja. Ele corou. Eu baixei o olhar. Alguns se mexeram sob as cobertas.

-Vamos dormir, ok? - murmurei.

-Não. Eu não vou dormir. Para com isso está bem? Estou cansando disso. Chega. Para. Isso está me deixando louco. - eu o encarei e ergui uma sombrancelha - Se eu gosto de você e você, mesmo que eu quase desacredite, gosta de mim, o que nos impede? Eu não quero que pense em como vou ficar se você morrer, afinal isso é problema meu, não é mesmo? E outra, eu te garanto absolutamente que vou sofrer muito mais se você morrer sem eu ter aproveitado o máximo do seu tempo viva que se morrer brigada comigo. - os olhos deles pareciam cheios d'água, mas eu não sabia se estavam ou se era a falta de luz brincando com minha visão.

Eu podia sentir sua sinceridade. Sua necessidade. Seu desejo ao me ver. Suas mãos nervosas. Seu olhar.

Eu queria ele para mim.

De verdade.

Mas eu pensava em como seria estranho agora, não seria? Tipo, ele me descobriu. Descobriu tudo.

Idiota. Era assim que eu me sentia. 

Como voltariamos ao normal? Não sei se seria só aquilo. Só um abraço e tudo voltaria ao normal? Não. Haviam obstáculos. Mágoas. Será que Nico estava disposto a engolir tudo? Bem, nem eu conseguia engolir tudo isso. 

-É isso?

-Isso o que? - ele pareceu confuso.

-A gente iria simplesmente... voltar? E dai amanhã estariamos de mãos dadas e sorrindo de novo? Eu acho improvável.

-Mas... é assim que as coisas funcionam. Quebram. Se concertam lentamente. Depois funcionam como novas.

-Não é verdade. Não para o tablet do meu irmão. Ou o telefone da minha avó.

-Não acredito que está dizendo isso. Sinceramente, Jane. - ele piscou e limpou os olhos - Ok. Se é assim para você. Vamos... vamos só dormir. - ele se deitou e virou de costas.

-Não! Desculpe, ok? - eu me levantei e sentei atrás dele - Não sei como vai ser, mas não vamos desistir né? - eu pousava minha mão no seu braço, ele se sentou.

-Acho que não. - ele olhava para seus pés.

-É. - notei como meu pé também parecia super interessante. Mas ele ergueu o olhar primeiro. Ele me encarou. Se aproximou. Só pousou sua testa na minha e ficou quieto ali.

-Tudo... tudo bem agora, não é? - e algumas lágrimas escorregaram quietas no seu rosto. Ele parecia com vontade de chorar, mas controlava esse impulso.

-Sim. - me afastei e o olhei. Segurei seu rostinho entre minhas mãos. Fiz uma careta para parar uma lágrima que caia. Sorrimos de leve. Então obviamente demos um beijo. Claro, o que mais tinhamos a fazer?

-Boa noite.

-Boa noite.

Então dormimos.

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5:57

Preguiça.

Abri os olhos.

Nico estava sentado na cama comigo, suas pernas tocavam minhas costas e sua mão acariciava meu cabelo. Esperei um pouco ate dar sinal de vida. Então virei de barriga para cima. Ele me olhava intensamente. Parecia cheio de expectativas e esperanças. Parecia quase muitissimo feliz, mas ainda muito incerto disso.

-Bom dia?

-Bom dia. - ele corou por algum motivo. Eu me sentei ao lado dele. E me virei um pouco para olha-lo. Peguei sua mão.

-Tudo bem. - eu disse olhando nossas mãos. Quase sorri. Era boa a sensação de proximidade física com ele, mas eu me perguntava se nossas mentes estavam tão proximas quanto. Queria poder limpar logo a ferida e continuar, queriamos que agora conversassemos como se nada tivesse acontecido. Então fui em frente. Quebrei o silêncio que pairava.

-Você não parece ter dormido muito bem. 

-O de sempre. Acordou cedo, em? - sorri de leve.

-Jane não é um ser que obedece horários, meu querido. - ele deu um sorrisinho frouxo. Pareceu notar que talvez não fosse difícil voltar ao normal coisa nenhuma. Era só querermos. Bem, eu notei. E ele me beijou. Sorrimos. Me encostei no seu ombro e dormi de novo. Agora muito mais feliz, afinal havia um braço abraçando minha cintura.

 

---Nico---

7:45

Uma corneta soou.

Jane roncava do meu lado.

Ai ai ai.

Ela acordou assustada.

Parecia meio confusa ao me ver. Mas contente. Isso que importava. O olhar dela. Só para mim. Era tão bom vê-la me vendo daquele jeito de novo.

Logo ela já estava de armadura e armada. Eu também. Mas aquilo era uma droga. Sei lá. Eu queria poder ter um dia nosso. Só nosso. 

Meu deus. Como isso soa tosco. 

Admito que eu ainda me sentia inseguro com tudo isso. Muito.

Mas mesmo assim não sai de perto de Jane enquanto nos ajeitavamos e entravamos em campo.

Ela lutava ferozmente, combatendo muitas de cada vez, dando golpes com as duas mãos e pernas e socos e as vezes voando. Notei como ela me rondava como se não quisesse me deixar desprotegido.

Não era uma batalha com qualquer coisa... diferente, digamos. Estava tudo nos conformes. Jane lutava super bem. Eu também. Os monstros iam aos poucos. Jane fazia manobras estranha e ouvia música em um dos ouvidos. Robert lançava bolas de fogo. Semideuses eram rodeados por monstros. Etc.

Então algumas endhonas começaram a cair de repente. E se envolveram em cásulos negros. E brotaram como Anne brotou.

Com tentáculos negros de escuridão, suas formas antes feminina agora eram mais como as de demônios, os vestidos viravam carapaças ou coberturas escamosas, seus rostos tinham presas enormes e espinhos pontudos, os cabelos eram chamas ou escuridão, todas viravam criaturas pratica e terrivelmente iguais, perdendo as personalidades e tudo que nos dava vantagem. Merda.

Jane parecia assustada. Todos estavamos. Eu não podia me afastar dela. Não. Por favor deuses. Ela não podia morrer.

Eu brandia a espada mas todo e qualquer golpe era rebatido, ninguém mal conseguia atacar. As asas de Jane bateram e atingiram algumas, mas nada grave, elas só tombaram. Jane parecia insegura de algo. Notei que era insegurança de me deixar sozinho.

-Pode ir! - gritei por cima dos sons da batalha - Eu... vou ficar bem! - ela comprimiu os lábios e saltou para dar impulso ao voo. Continuei lutando, mas pelo canto de olho a vi emitir uma luz vermelha e dourada em volta de si e um avatar se formar lentamente ao seu redor. Ele tinha um corpo masculino com cabeça de íbis e asas e brandia duas espadas. Seu corpo parecia não decidir entre o vermelho, o dourado ou o azul, e isso dava um efeito bonito. Então ela saltou e voou pela batalha.

Sua giganye espada brilhante matava algumas endhonas como um martelo: numa espetada só.

Jane parecia feliz ali dentro. 

Me perguntei se ela não se embriagava demais naqueles poderes.

Me perguntei se a presença do tal Tot com ela era muito forte.

Ela pegou Robert do chão e o sentou no ombro dela, onde ele tinha boa visão para atirar bolas de fogo. Pegou Anthony no outro ombro, e se num instante ele mexia no colar, no outro já atirava com seu mini canhão portátil - marca registrada dele.

Então vi os soldados ainda caindo ao meu redor. Eu tinha que ajudar de alguma maneira. Tinha que instigar minha fúria.

Imaginei como aquele era o lar de Jane e ele estava sendo destruído. Concentrei meu medo de sua morte. Meu ódio pelas endhonas por tirar meu sossego, meu único sossego. Concentrei isso num grito.

Me concentrei ainda mais e criei alguns buracos negros embaixo das endhonas mais próximas.

Muitas endhonas taparam os ouvidos, que sangravam.

Jane agora parecia desestabilizada. Ela pousou Robert e Anthony brutamente num telhado e sua imagem tremulou. Ela pisou num grupo de endhonas meio sem querer meio querendo. O avatar parecia ofegar com ela. Ela parecia procurar algo, e ao se virar para mim, pareceu encontrar esse algo.

Minha visão tremulava e eu estava terrivelmente fraco, as endhonas começavam a me cercar. Jane veio voando e me pegou com as duas mãos, me embalando.

Por baixo do avatar, ela parecia muito preocupada. Ela tirou algo do bolso - poção de unicórnio - e me deu, passando sua mão através do avatar. Tomei num gole só.

Me sentia melhor, mas nem de longe inteiro.

Realmente fiquei impressionada com o fato de ainda estar acordado depois de tudo aquilo.

Jane ia em direção a Nova Roma.

-Ainda posso lutar! Me deixe lá!

-Não! Seria suicídio!

-Se confia em mim, me deixe! Eu deixei você! 

-Mas... - seu olhar suplicava por trás do corpo brilhante. Ela pareceu incerta. Mordeu o lábio - Ok. Eu... eu confio inteiramente em você. Por que eu te amo. Ok?

Eu queria abraçar o avatar, mas aquilo seria estranho.

Ela voltou para a batalha e me deixou num canto sem muito movimento. Ela brandia a espada e atacava sem dó.

Jason explodiu algumas delas com um raio.

Os semideuses, romanos e gregos, pareciam querer se afastar de mim. Eles me olhavam como se eu fosse um monstro também.

E eu senti que não era meu lugar. 

Senti os olhares me julgando.

Eu me senti horrível.

Todos viram meus piores momentos.

Me viram assassinar pessoas.

Enfim concentrei minha raiva por aquilo e por tudo em lutar com as endhonas, mas eu estava terrivelmente fraco. A todo momento eu cambaleava e disfarçava.

A batalha parecia ganha.

Os semideuses ao meu redor eram bons lutadores. Robert correu até mim. Anthony vinha desajeitado atrás enquanto segurava o canhão.

-Achamos que seria bom deixar o garoto de luz perto de você. 

-Isso aê. - Robert concordou.

Vê-los vindo ao meu apoio por pura vontade me deixou feliz. Aposto que corei. Me senti gostado. Talvez a presença luminosa de Robert ajudasse um pouco na minha escuridão interior.

Jane agora estava longe, praticamente do outro lado da batalha. Seu avatar parecia um pouco enfraquecido.

Jason voava por ai, ele havia lançado três raios e pelo visto sua cota acabara ali. Não vi muitos sinais de Piper, mas aposto que o jato de presuntos que voou num momento fora culpa dela (teve um momento estranho em que Jane pegou um sanduiche e começou a comer dentro do avatar, o que foi muito estranho - ainda mais porque o avatar usava um fone gigante brilhante identico ao de Jane, preso a um ouvido só).

Então, agora com poucas endhonas, Jane e Jason se encontraram no ar e falaram algo, então gritaram alguma formação e todos imediatamente se afastaram e deixaram as endhonas no centro de um círculo. Segui eles.

Então Jane e Jason brandiram as armas e começaram uma carnificina dentro do círculo. Os romanos ao meu redor sabiam o que fazer, incluindo Robert e Anthony, e todos se lançaram cercando as endhonas. Batalhando e diminuindo cada vez mais o círculo de inimigos.

E, no fim da batalha, minha visão escuresse quase totalmente e eu percebo que eu tenho que sair dali. Então eu caio no chão, perdendo os sentidos.

Uma garota me olhou de longe.

-Não vamos chamar reforço para ele, né?

-Não. - um cara concordou - É melhor assim.

E eu não vi mais nada.

----

Jane estava sentada na beira da cama, ela parecia muito preocupada e segurava minha mão. Ao me ver abrindo os olhos, me abraçou.

-Finalmente acordou. - ela murmurou.

-Quanto tempo...

-Um dia praticamente, cara. - disse Anthony - Sorte de ainda estar vivo. - ele se sentou na outra beirada da cama, parecia me olhar de forma meio... saudosa. Como se fosse mesmo meu amigo. Robert surgiu ali também.

-O que seria da flor do dia e a flor da tarde sem a flor da noite? - brincou Jane sorrindo.

-E você é qual flor? - perguntou Anthony.

-Do campo? Da tarde? Quem se importa?

-Eu. Eu me importo sim. - sorri e tentei me levantar precariamente, ela se sentou bem pertinho de mim e me deixou ficar recostado nela. Ela sabia que eu falava de coisas além de flores.

Robert e Anthony, que antes não pareciam aceitar totalmente nos ver juntos pareciam felizes. Aquela felicidade calma. Ambos nos olhavam como uma foto que trazia boas lembranças.

-Bem, acho que minha flor da noite tem que comer. Algum pedido para o chef? - Jane brincou.

-Não. Pode ser qualquer coisa. Desde que esteja aqui. - ela sorriu.

-Meu deus. Estou com diabetes só de ficar perto. - Anthony se levantou e pegou um biscoito de uma bancada.

-Não é nojento um pote de biscoitos no meio dos remédios? - questionou Robert.

-Quem liga? - Robert revirou os olhos.

-Acho que Nico devia ir comer no refeitório. - Jane me encarava de um jeito meio apaixonado.

-Hã? - como assim?

-Ir lá ué. Você odeia enfermarias. 

-Ótima idéia! - notei Robert erguer uma sombrancelha. Concordei mesmo assim.

Jane me ajudou a me levantar depois de uma poção. Notei que eu usava um traje leve e branco. Não uma camisola de enfermaria. Não, pelo amor de deus não. Era uma roupa de linho, calça e blusa, e era bem confortável. Decidi não questionar quem me trocara. O pior era o fato de eu quase ser mais branco que a roupa, devia parecer transparente, um fantasma.

E... bem, se estavamos na enfermaria como normalmente, o acampamento estava bem! Uau. Mal tinha notado isso.

Ela me segurava pela cintura e eu a segurava pelos ombros. Isso talvez fosse meio estranho, já que ela era mais alta que eu, mas quem se importa?

Mesmo com a roupa e a altura, coisas bocós que me incomodavam, eu notei o olhar das pessoas. Era impossível não notar. Elas se afastavam de mim. Não eram como Reyna, que me compreendiam. Eles me achavam um monstro, e seu olhar revelava isso. 

Me senti alguém ruim. Alguém errado.

 

Notei que eu não andava mais de cabeça erguida.

 

E isso era extremamente idiota, eles que eram maus por me julgarem assim mas... eles tinham motivos, não? É claro que tinham. Viram coisas horríveis. Nunca tentariam ver se tem algo além disso. Por que é assim que as pessoas são: a partir do momento em que veem algo ruim, nunca procuraram o bem.

Me arrependi por ter saido da enfermaria.

Notei Jane me aproximando mais de si mesma como uma forma de entrar na defensiva. Ela me deixava bem grudado a si, de forma que eu me sentia meio protegido daquilo tudo. Mesmo assim...

Imaginei se eu não estava fazendo um estrago social na vida dela. Afinal, se ela andava comigo então era como eu, não é?

Nos sentamos um do lado do outro no banco e ela fazia questão de se manter grudada em mim. Seu quadril tocava o meu e sua perna se enroscava na minha, e depois que ela terminou seu café da manhã meio ralo para os padrões, me abraçou pela cintura e me deu um beijo na bochecha.

Admito, ela estava melhorando o clima. Era como se eu pudesse me sentir realmente gostado apesar de toda a hostilidade ao meu redor.

Anthony e Robert chegaram quando já haviamos terminado, ambos se sentando na nossa frente.

-Eae pombinhos.

-Eae Tonão. - Anthony sorriu. Eu me deixei encostar em Jane e me esconder ali. Me camuflar do mundo. Então Robert se debruçou sobre a mesa e sussurrou.

-Nico, você não pode se importar com esses idiotas, ok? Eles não importam, cara. Te garanto que se qualquer um te incomodar nós vamos partir para cima. Porque depois que você entra no nosso grupo, você vira um de nós, cara. - sorri de leve e corei. Eu mal conseguia encara-lo. Anthony havia franzido o cenho, mas ele sorria, ele aprovava aquilo. Jane sorriu e me deu um beijo na testa.

O clima teria sido mais fraterno ainda se Robert não tivesse derrubado o suco enquanto sentava novamente.

-Ai que burro, dá zero pra ele! - Anthony riu. Eu ri. Jane riu. Todos ajudamos colocando papeis toalha ali em cima.

-Panelinha incrível? - Anthony colocou uma mão no meio da mesa.

-Panelinha incrível. - falamos em uníssono e colocamos as mãos em cima da dele para depois ergue-las no ar.



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