História A Cruz - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias EXO, F(x), Mamamoo, Red Velvet, Super Junior
Personagens Amber Liu, Baekhyun, Chanyeol, Chen, Hwasa, Kim Heechul, Sehun, Suho, Wendy, Xiumin, Yeri
Tags Eu Não Tenho Vida, Satansoochallenge, Xiuchen
Exibições 58
Palavras 2.644
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá gente, antes que vocês leiam este capítulo, eu queria avisa-los de que ele não foi betado. E o motivo da demora colossal foi: Minha beta está com problemas pessoais e não podia betar, então eu estava insegura em posta-lo sem ser betado.
Mas garrei vergonha na cara e aqui estou postando-o. Peço perdão caso o capítulo não esteja gramaticamente bom (A minha beta Ana que cuidava dessa questão gramatical) e se tiver algum erro também, já que muitas vezes quando eu mesma reviso o que escrevo deixo um erro ou dois passar despercebido.
Bom, era só isso, e uma boa leitura.

Capítulo 3 - Creio.


Novembro 1966

––Que? – Jongdae questionou assim que o mais velho terminou seus pequenos múrmuros de palavra aleatórios sobre o caso enquanto mexia-se para lá e pra cá, animado consigo mesmo. – Mantenhas a calma, tu precisas dizer-me o que acabas de descobrir.

 Um sorriso de canto surgiu nos lábios do mais velho que parou com seu anda aqui, anda acolá e encarou feliz ao seu parceiro.

––Peço-lhe para que olhes bem as fichas de cada uma das vitimas. – Minseok respondeu jogando aquele poço de identidades mortas sobre a mesa segurando algumas em mãos – Ahn HyeJin, 21 anos, também conhecida por um nome de meretriz: Hwasa. Levava dentro do ventre uma criança com apenas três meses. Habitava uma pensão para prostitutas a cerca de dois anos e meio. A família recusou-se a vir buscar o corpo e enterra-la dignamente, afirmando que para eles a verdadeira filha morreu há tempos. – Deu uma pausa enquanto trocava para outro papel – Amber Josephine Liu, 29 anos, jornalista que em 1964 assumiu-se publicamente como “sapatão do país” em uma de suas colunas. Participou de movimentos ativistas enquanto morava nos Estados Unidos da America, país onde viveu vinte e um anos de sua vida. Uma das primeiras jornalistas femininas da recém-separada Coreia do Sul. Amber foi demitida de um jornal sul-coreano devido ao fato de assumir-me homossexual, foi expulsa ao som de vaias. Seus responsáveis levaram o corpo de volta ao seu país natal onde ela talvez não recebesse um tratamento tão cruel.

 Minseok parou a fala e então encarou Jongdae com expectativas, como se tentasse de algum jeito compartilhar todos seus pensamentos e ligações com o amado. Os olhos como de uma criança que acaba de pedir algo aos pais e aguarda esperançosa por uma resposta. Enquanto isso o mais novo mergulhava-se naquelas palavras, em cada fato narrado pelas testemunhas e investigações sobre as vidas pessoas das vítimas. Analisava com zelo todos os detalhes, mas não havia nada em seu mente que as ligasse, além de serem mulheres, mas depois desses meses cuidando desse caso, incumbindo todos esses crimes ele sabia muito bem que o assassino também matava homens. Sua mente não conseguia corresponder às expectativas do menor ali que acabou por perder o brilho no olhar com a demora da resposta.

 Minseok estava animado, feliz, leve. Ele tinha motivos para acreditar que tudo estava certo.

 ––JongDae penses comigo: Como foi que Jesus morreste? – Minseok questionou e viu o outro revirar os olhos. – Não é uma aula sobre religião, estamos a fazer algo sério.

 ––Entendi... – bufou – respondendo a tua pergunta, Jesus morreste pregado a cruz.

 ––Exatamente... E tu se lembras do porquê dele morrer? – ainda animado tentava aos poucos despertar a realidade não mente do maior.

––Por pregar uma religião diferente da que era predominante? –a voz saiu em um tom de duvida. Sinceramente, Jongdae não fazia noção do motivo que levou a morte do filho de Deus, ele não ia a igrejas, não era pagão de doutrina alguma.

 Minseok fez um barulho com a língua que indicava negação e talvez descrença.

 ––Não amor meu, penses bem. Jesus morreu por nós. Por mim. Por tu. Morreu para salvar-nos de nossos pecados, para sermos perdoados. Então a cruz seria os nossos pecados que Cristo tivera de carregar e morrer preso. – Ainda não entendendo aonde Minseok pretendia chegar, Jongdae fez um sinal para que o menos continuasse – Penses bem... Todas às vitimas até agora, furtadores, meretrizes, lésbicas, travestis, pessoas não cristãs... O que eles têm em comum, Jongdae? – a pergunta soou direta e calma pelos lábios bem desenhados alheios que logo se transformaram num discreto sorriso.

  Enquanto isso o Kim mais novo parou, as palavras, explicações, ponto a ponto tudo se ligava dentro daquela velha caixa empoeirada que chamava de mente. Então um ponto brilhou. O apito ecoou por sua cabeça, um alerta de que uma descoberta foi feita. Sua expressão denunciava isto.

  ––Os pecados... São todos pecadores... – as palavras descrentes escaparam de sua boca, soando pela sala vazia daquela delegacia.

––Touché! – O sorriso de Minseok espalhou-se por sua face, assim como o fogo que se inicia com uma faísca e depois incendeia florestas.

 Eles tinham finalmente andando uma casa naquele enorme tabuleiro do jogo de um assassino doentio. Estava fascinado por si e pela sensação de finalmente ser útil naquele bolo confuso que era o caso.

––Ah Jongdae, estamos lindando com um doido, alguém com um distorcido senso de fé.  A paz e o amor tornam-se meros sentimentos perto do ódio pregado nas linhas da santa palavra. Esta é mais uma das pessoas que se esqueceu dos sentimentos bons que Deus nos trás, levando-se pela maré de coisas ruins que os humanos fingem terem sido trazidas pelos céus.

 Os olhos de ambos amantes cruzaram-se e travaram uma longa batalha de olhares, o único barulho que poderia ser ouvido era o das mentes soltando vapor enquanto trabalhavam sem descanso produzindo um oceano de pensamentos.

 ––Talvez não. – Jongdae soltou então num fio de voz, o que fez Minseok franzir seu cenho com duvida sobre a fala do outro. – Pode não ser apenas um fiel com o senso de fé bagunçado e totalmente punitivo. Há de ser algo pior. Agora sou eu que lhe diz: Penses comigo. A cruz pode não significar isso que tu pensas, a cruz pode ser uma zombaria com a morte de cristo. Se Jesus morreste para purificar nossos pecados, este em uma ironia mata e deixa a cruz ali, brincando com a imagem de cristo, como quem diz: Ele não purificou a ninguém que purificas aqui sou eu. Puno os pecados que eu bem entender e quando entender.

––Estás a me dizer que estamos lidando com alguém que não acredita em Deus? – O tom da voz de Minseok soa totalmente confuso e perdido.

 ––Não me caro, muito pelo contrário. – Jongdae era quem sorria agora enquanto encarava o rosto duvidoso do outro – Estamos lidando com alguém que pensa ser um Deus.

 

––Eles saíram? – Minseok pergunta paciente para a garota a sua frente.

 Ele, assim como Jongdae, correu para o apartamento que Wendy e Sehun moravam. Necessitavam falar com o casal o mais rápido possível, talvez de uma maneira que ultrapassava os limites do desespero. Tinham finalmente algo que os lhe permitisse se moverem e existia aquela sensação de que poderiam resolver todo aquele embolado que era o maldito caso. Mas ao chegar até lá uma surpresa e decepção, nem Wendy ou Sehun estavam em casa. Isso soava estranho aos ouvidos dos investigadores, pois ouviram dos lábios de Suho que Sehun estava doente e Wendy ficaria em casa para cuidar do marido.

 ––Sim, os vi passar por aqui hoje apenas para ir ao trabalho e até agora sequer voltaram a pisar neste prédio. – Afirmou Yerim mais uma vez. A vizinha tinha toda a certeza do mundo de que estava certa. Não ouviu e nem viu o casal Oh voltando naquele dia.

  ––Mas Suho disse-nos que Wendy o ligou a pouco mais de uma hora... Isso soa-me impossível. – Jongdae dessa vez foi quem disse – Pode de ser que ela ligou de um telefone de farmácia, no entanto eu duvido muito disso.

––Olhe, eu juro-lhe que aqui por este prédio eles não passaram. Fiquei plantada na porta o dia todo aguardando a volta de meu pai. – contou-lhes a garota – Se por algum milagre eu não tivesse os visto chegar ao mínimo os veria partir. Não deixei de aguardar meu pai em nenhum instante.

 Os olhos da jovem vizinha ganharam aquele brilho de tristeza. Podia-se ver ao longe o quanto a mesma já estava para baixo com toda a situação que vivia.

––Heechul ainda não retornou? – pediu Minseok agora repentinamente curioso no desaparecimento do pai da garota.

––Não, sequer tivemos notícias sobre ele, mamãe está desesperada, não há quem se prontifique a ajudar pela procura, você sabe, às pessoas não gostam muito de meu pai.

 ––Mas por quê? – questionou Jongdae sem entender.

 A garota deu um sorriso amarelo sem graça enquanto colocava uma mecha de cabelo por de trás da orelha, depois suspirou um pouco e meio constrangida respondeu:

––Às pessoas seguem muito a Deus e papai não era exatamente do tipo que seguia a Deus fielmente sem questionar...  Ele sequer acreditava em Deus. Então isso gerou ódio nas pessoas... Ele dizia-me sempre que as pessoas costumam odiar umas as outras por motivos quaisquer, para depois colocar a culpa da religião e naquela falsa ideia de quem odeia em nome do amor... Um enorme paradoxo da farsa humana. – soltou como um desabafo e então encarou os homens em sua frente. – E por mais que odeie admitir, meu pai estavas certo.

 Foi então que Jongdae entendeu o interesse de Minseok no desaparecimento daquele homem, isto quase que o fez esquecer-se de Wendy e Sehun. Naquele instante sua mente e seu coração apertaram-se de pena daquela garota em sua frente.

 Ele sabia que logo haveria mais um cadáver marcado com a cruz e não poderia fazer nada para impedir aquilo.

 ✞

 

 Quando o Kim abriu seus olhos e captou aquela imagem de anjos pintados no teto soube que havia algum bem errado acontecendo. Tentou assim como todas as outras vitimas se mexer, até que teve o conhecimento do fato de estar preso por algo e em algo. Poderia ter gritado, debatido-se ou até mesmo clamado por socorro, mas quando parou e pensou melhor sobre isso, constatou de que nada iria lhe servir.

Espiou pelo canto do olho o lugar a sua volta e assustou-se. Quaisquer pessoas reconheceriam aquele lugar como uma igreja, os desenhos de anjos, Deus, as cruzes penduradas em cada canto da parede. Pensou consigo mesmo que o dono daquele local deveria de ser muito religioso. E com isso constatou que estava mais ferrado do que poderia imaginar.

 Ouviu passos pelo chão de madeira que soavam como eco. Tentou manter-se calmo, entretanto isso ficou só no tentar. Ninguém conseguia manter a calma quando se acordava preso a um lugar estranho.  Kim Heechul não era uma exceção. E o pânico se tornou mortal no momento que ele o viu.

Creio em Deus-Pai, todo poderoso, criador do céu e da terra...

 A mente do Kim despertou uma sensação incompreensível assim que seus olhos encontraram com aquele sorrio irônico na face alheia. Algo gritava dentro de si. Sua vida estava escorrendo pelos dedos da morte, pouco a pouco enquanto aquele ser andava em sua direção. Os olhos negros do assassino carregavam um fio de sanidade que parecia estar prestes a se romper. Mesmo com aquela marcara preta encobrindo meio rosto, Heechul podia decifrar facilmente todas as expressões daquela face delicadamente cruel.

 E em Jesus Cristo seu único filho, Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo...

Quando ambos deram conta já estavam lado a lado. A figura segurava sua inseparável faca de impecável lâmina em mãos, que brilhava e refletia as pinturas distorcidas daquele local. Heechul ouviu que aquela figura em sua frente falava com si mesmo em um tom baixo quase como um sussurro, fazendo logo em seguida o sinal da cruz.

 Apesar do estar afundando-se em um oceano de medo, este tentava ao máximo mascarar o sentimento, não gritava, debatia, ou chorava. O Kim apenas engolia ao seco enquanto era observado e avaliado como um cordeirinho que estava indo ao abate.

Nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Poncio Pilatos...

––Eu podia pelo menos saber a razão pela qual irei morrer? – reuniu toda a coragem dentro de si para fazer a pergunta que precisava.

Se Heechul iria morrer, aceitaria a sua morte como um verdadeiro homem deveria fazer, entretanto não se deixaria ir embora sem antes saber a causa de seu próprio óbito.

 Essa pergunta captou a atenção do assassino que prendeu seus orbes vazios e sem alma em um longo contato visual. Sorriu de maneira gentil como sempre fazia com todas suas vitimas e então caminhou para perto do rosto daquele preso na mesa de metal. Passou os dedos pelos cabelos lisos e um pouco compridos como uma mãe que fazia carinho em seu filhote, tentando o acalmar.

 Foi crucificado, morto e sepultado, desceu a mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia...

 ––Tu vais morrer em pedido de Deus, é por isso que estou aqui purificando a tua alma. – a voz delicada que docemente recitava palavra por palavra, Heechul conhecia aquela voz, sua alma se reconhecia a aconchegava-se naquele tom familiar – Talvez se tu não tivesses pecado tanto não estivesse aqui... Se ao menos acreditasse naquele que lhe deu a vida... Teu destino poderia ser diferente.

O tom de voz doce, os sorrisos gentis, o carinho que tentava o acalmar, era tudo um disfarce para aquela mente doentia que condenava as escolhas de quem supostamente havia ganhado livre arbítrio.

 Subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai, todo poderoso, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos...

––Eu pensei que Deus condenasse ao pecado e não o pecador... – Heechul deixou escapar de seus lábios e logo se arrependeu.

 ––Puff... Bobagem. – resmungou em resposta, mostrando o descontento com a frase – Não há sentido dizer que se condena só o pecado, se há pecado a pecador, um depende do outro, para acabar com um tem de levar o outro embora. Não é como se um sem fé como você entendesse disto.

 Pegou a faca e arrastou para perto do pescoço alheio já não demonstrando a mesma doçura de antes.

Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos...

––Mas Deus não deveria ser amor? Então por que você está matando em nome dele? – insistiu o Kim em perguntar, vendo um sorriso doente surgir pelo rosto delicado do outro.

––A Heechul... Não seja um tolo, é impossível amar a raça humana, eles são vermes nojentos que vivem a recusar seu criador. Pendem sua fé em vielas, pecam e jogam no esgoto todas as regras de Deus criou. – ergueu o cabo da faca em mãos, estava já em posição para dar o primeiro golpe – É preciso limpar o mundo de humanos como ti, pecadores imundos que quebram a ordem do nosso Pai, que esquecem sua natureza clássica. Deus não pode amar aqueles que não sabem o amar e obedecer. Tu só entenderás isso quando sua alma pecadora estiver limpa do mal.

––Deus nos deu o livre arbítrio para depois nos matar por não segui-lo?Heechul não conseguia compreender o que as pessoas pregavam ser Deus, talvez este tenha sido o porquê dele jamais ter acredito no mesmo.

Novamente aquele sorriso irônico se pendurou sobre a face que agora parecia se divertir.

––Feche os olhos, tudo ficará bem agora. – esta foi à única resposta que ganhou enquanto sentia os dedos suaves fazerem o sinal da cruz em sua testa, ungindo-o.

Na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna...

Então o homem sentiu uma forte dor na região direita de seu peitoral.  Os olhos encheram de lágrimas fazendo com que ele os fechasse em uma expressão de puro sofrimento.

 A ardência profunda e certeira que o deixava tonto. O sangue sujando a lâmina naquela mesma cor carmesim. E assim seguiu, de lugar a lugar, várias e várias vezes. A lâmina rasgava a pele pálida do Kim que apenas mergulhou no mar da morte levando sua consciência consigo. A vida de Kim Heechul se perdeu no fio da faca.

Então ele viu que a vítima já se se encontrava morta parou com os golpes, respirou fundo, controlando seus pulmões já não tão calmos. Havia descoberto como seu lado raivoso era pela primeira vez. Prendeu suas frustrações e admirou o cadáver esfaqueado em sua frente.

 ––Deus nos deu o livre arbítrio para escolhermos entre o certo e o errado... Mas ele nunca disse que nos deixaria seguir com a escolha errada. – murmurou consigo mesmo enquanto preparava a cruz quente para marcar a pele pálida a sua frente.

 Kim Heechul era mais um nome na enorme lista de crucificados.

Amém.



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