História A Destiny Error. (Season: First and Second) - Capítulo 55


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Humor, Romance, Zayn Malik
Exibições 82
Palavras 5.331
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Magia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oláa amores!

Desculpem essa demora toda.. tô em semana de provas, é dificil!
maaaaas, terça e quarta estou livre! E postarei mais caps pra vocês szsz

OBRIGADA PELOS FAVORITOS!!!!!!!!!!!!

Boa Leitura ><

Capítulo 55 - Changes and discussions.


 

Os raios de sol acariciaram minhas pálpebras. Suspirei e me movimentei na cama, sentindo os braços de Zayn me apertarem com força. Abri os olhos e girei a cabeça no travesseiro, encontrando o rosto do meu marido relaxado, ainda inconsciente. Um sorriso involuntário surgiu em meus lábios. Eu nunca me cansaria de olhar para Zayn.

Desvencilhando-me dele com cuidado, saí da cama e caminhei pelo quarto na pontinha dos pés. Apanhei meu pijama favorito esquecido no chão e o passei pela cabeça -- Zayn estivera particularmente impaciente na noite passada, razão pela qual os cantos de minha boca teimavam em curvar para cima. Fui até o guarda-roupa, admirando as molduras entalhadas nas portas feito heras. Abri uma delas em busca do pacote que Emma dissera ter guardado ali, já que não me permitiram entrar no quarto antes do casamento. Encontrei apenas vestidos. Vasculhei o assoalho, mas ainda assim não achei a caixinha

Abri a segunda porta, e mais coisas que Zayn comprara para mim estavam penduradas e arrumadas com capricho. Franzi o cenho e apalpei as peças em vão. Na terceira tentativa, um pressentimento ruim se apossou de mim conforme eu examinava a vasta coleção de camisolas e penhoares de cetim de cores variadas. Escancarei a última, e meus sapatos faziam fila na prateleira, ordenados pela altura dos saltos. Dei um passo para trás com o coração batendo rápido até trombar no baú próximo à janela. Levantei a tampa e, além de roupas de cama, encontrei a caixa de veludo verde. Fechei o móvel e deixei o pacote sobre ele, correndo para a cômoda e abrindo as gavetas em um ritmo frenético. Anáguas, calcinhas, espartilhos, uma coisa esquisita que se parecia com... uma pochete de crochê?

 Ergui a peça e a examinei de diversos ângulos. Havia uma espécie de cauda presa a uma das fitas. Que raios era aquilo? Dei de ombros e guardei de volta, esbarrando os dedos em algo ainda mais estranho. Uma pequena coleção de esponjas jazia no fundo da gaveta. Eu as analisei, completamente confusa. Havia um barbante preso a elas, bem ao centro. Apertei as esponjinhas macias entre os dedos. Pouco menores que uma ameixa, só que em formato irregular, eram pequenas demais para ser usadas no banho.

-- O que faz fora da cama assim tão cedo? -- perguntou a voz rouca de Zayn, me fazendo derrubar as esponjas dentro da gaveta. Ele se esticou na cama, fazendo a madeira ranger de leve sob seu peso, e esfregou o rosto.

-- Onde estão as suas coisas? -- perguntei sem rodeios.

-- No quarto. 

-- Não estão! Já olhei tudo. -- Abri os braços para o guarda-roupa escancarado. -- Só tem coisas minhas aqui.

Zayn se apoiou nos cotovelos, o lençol deslizou por seu peito nu e se amontoou na cintura estreita.

-- Eu quis dizer no quarto ao lado -- ele indicou uma porta ao lado do guarda-roupa que até então eu não havia notado. Meu coração mais parecia uma britadeira conforme eu me dirigia a ela. Alertas luminosos piscavam em minha cabeça quando pousei a mão na maçaneta. Tomando fôlego, eu a girei e, ao abrir a porta, me deparei com uma decoração masculina típica da época: uma cama maciça -- mas sem dossel — dominava quase todo o espaço, e uma poltrona negra descansava ao lado da janela

Perturbada, me atrevi a entrar e, sem perder tempo, fui direto ao guarda-roupa, tão grande quanto o do quarto ao lado. Abri uma das portas, e ali estavam as roupas de Zayn. Com a testa franzida, apanhei um de seus casacos. Zayn, já vestido com as calças da noite passada, surgiu sob o umbral da porta, passando a mão nos cabelos negros e encorpados.

-- Esse é o meu quarto e aquele é o seu. -- Ele me puxou para junto de seu peito, enrolando os braços em minha cintura e afundando o rosto em meus cabelos. -- Bom dia, minha Melissa. 

Por mais que todo o meu corpo se rebelasse contra a ideia -- e, ah, a revolta em meu íntimo teria deixado a Inconfidência Mineira no chinelo --, consegui me desvencilhar dele para encará-lo.

-- Por que temos quartos separados? -- Sacudi o casaco. --- Por que todas as suas coisas estão separadas das minhas? Sua testa franziu.

-- As damas normalmente preferem manter a privacidade.

— Bem, pois eu não sou uma dama! — berrei, jogando o casaco nele para provar meu argumento. Ele não esperava pelo ataque, então nem tentou se esquivar. O tecido, ainda no cabide, atingiu seu ombro direito. Zayn tinha um quarto só para ele. Não me queria ao seu lado todas as noites? Mal tínhamos nos casado e ele já me rejeitava? Droga, eu sabia! Sabia que o casamento faria nossa vida sexual evaporar. As estatísticas nunca mentem.

-- Percebo que não gostou da ideia-- ele tentou me alcançar, mas eu me esquivei.

-- Melissa... -- ele se esticou de novo, mas me afastei de suas mãos. Zayn suspirou.  -- Pare de fugir de mim.

-- Ah, quer dizer que só você pode, é?

-- Eu não estou fugindo -- afirmou, paciente.

--- Ainda! Mas veja só, tem um quarto só pra você --  fiz um gesto amplo para que ele enxergasse aquele cômodo imenso, completamente mobiliado, que abrigava todos os seus pertences.

Foi a vez dele de se alterar.

-- Isso é por você, Melissa, não por mim! Apenas quis preservar sua privacidade.

-- E por que diabos você acha que eu ia querer ter privacidade justo aqui? -- apontei para a cama. -- Uma das razões pra gente se casar tão depressa era pra dormir juntos sem a Madalena encher nosso saco. Mas aí você arruma um quarto conjugado e tem uma cama só pra você. Legal. A gente mal se casou e você já me deixou de lado. Literalmente Você é muito perspicaz

Isso o fez rir e, dessa vez, ele me pegou pela cintura antes que eu pudesse me afastar. Então me envolveu em seus braços e beijou a ponta do meu nariz.

-- Não é nenhuma rota de fuga. Este quarto é uma mera convenção. Não tenho o desejo nem a intenção de passar uma noite que seja longe da sua cama.  -

- Tá vendo? -- Lutei para me livrar dele, mas tudo o que consegui foi fazer com que ele me segurasse ainda mais apertado.  -- Minha cama. Era para ser a nossa!

-- E é -- respondeu tranquilo.

-- Não se todas as suas coisas estão no quarto ao lado.

Pela expressão dele, percebi que Zayn finalmente entendeu meu argumento. Ainda assim, hesitou, me lançando aquele olhar penetrante na máxima potência. 

-- Eu não quero impor-lhe minha presença, Melissa.

-- Você é meu marido, caramba! -- bufei, socando o peito dele de leve. -- Tudo que é seu deve estar embolado com o que é meu, que nem a gente fez com a nossa vida.

Isso trouxe um sorriso esplêndido ao seu rosto. Ele se abaixou e passou um braço pelos meus joelhos, me pegando no colo e voltando para o quarto em que passamos a noite.

-- Gosto dessa palavra. Embolar -- disse Zayn e, como prova, me colocou na cama e, bom, meio que se embolou em mim. == Mandarei o senhor Gomes providenciar a mudança hoje mesmo, está bem? -- Ele correu o nariz pela minha bochecha. -- Perdoe-me se isso a entristeceu. Não era a intenção.

-- Tudo bem -- respondi num sussurro, fechando os olhos e me deleitando com a carícia. -- Só quero que suas coisas fiquem junto das minhas. Estou tentando ao máximo me adaptar a tudo, mas aqui no quarto não, Zayn. Aqui somos só você e eu, sem rótulos, sem época, nada. Apenas nós dois. No nosso quarto. 

-- Que bom que pensa assim. -- Ele mordiscou minha orelha e eu estremeci em seus braços. -- Porque não sei ao certo o que faria se você me mandasse dormir longe de você, ainda que fosse por apenas uma noite. Eu enlouqueceria, certamente. Ouvir aquilo trouxe à tona a lembrança de seus soluços, seu pavor naquela madrugada. Eu o empurrei de leve, para poder ver seus olhos.

-- Você tá bem?

-- Pretendo ficar, minha esposa. -- Ele tentou se inclinar, mas eu o detive.

-- Tô falando do que aconteceu na noite passada. Se quiser conversar sobre... você sabe, talvez ajude -- terminei meio sem jeito. 

Zayn soltou um longo suspiro agastado

-- Não há o que dizer. Creio que meu cérebro juntou meus maiores temores, que é perdê-la, caso ainda não saiba, e produziu aquelas imagens terríveis. Falar não ajudará, apenas tornará mais difícil esquecer. Beijá-la, em contrapartida, parece uma técnica muito eficaz... -- E dessa vez eu permiti que ele me alcançasse. Zayn começou a se dedicar ao meu pescoço, e eu virei a cabeça para que ele tivesse livre acesso, mas vislumbrei de relance o motivo que me levara a vasculhar as gavetas agora esquecido sobre o baú.

-- Espera, Zayn. -- Apoiei as mãos em seus ombros e o empurrei de leve. Adorei a consternação em seu rosto causada pelo adiamento. Acabei rindo. --  É que eu tenho uma coisa pra você

A surpresa dele foi o que me fez capaz de me soltar de seu abraço tão facilmente. Arrastei-me pelos lençóis e me estiquei para alcançar o pacote. Um pouco apreensiva, voltei para junto dele.

-- Toma. -- E lhe entreguei a caixa, me sentando sobre os calcanhares. -- Seu presente de casamento.

Lentamente, Zayn se sentou, analisando o pacote.

-- Você o comprou para mim? -- Sua testa franziu e as sobrancelhas arquearam num misto de alegria e confusão que tomou conta de sua face. Não me pergunta. Não me pergunta como paguei. Só aceita, por favor! 

-- Espero que goste -- forcei um sorriso.

Zayn ficou observando a tampa fechada da caixa por um momento imensurável. Meus nervos quase entraram em colapso antes de ele erguer os olhos e cravá-los em mim. Aquele brilho prateado quase me cegou.

-- Obrigado -- murmurou numa voz intensa e enrouquecida.

-- Mas você ainda nem abriu -- eu ri, tensa.  -- Pode ser uma fita de chapéu cor-de-rosa.

-- E eu a amaria de todo o coração. -- Ele voltou a examinar o que tinha nas mãos. -- Como eu poderia não amar algo que comprou pensando em mim, Melissa? 

-- Fico contente em ouvir isso, mas não é uma fita. Abre logo e me diz se gosta.

Ele examinou a caixa com um leve sorriso nos lábios. Parecia um menino que acabara de ganhar sua primeira bola. Eu mordi o lábio e entrelacei os dedos, ansiosa em todos os níveis. A caixinha parecia tão minúscula em suas mãos enormes... Zayn soltou a pequena trava dourada e levantou a tampa.

-- Meu amor... -- ele disse, sem ar. A ponta de seus dedos passeou pelo mostrador do relógio aninhado no cetim creme, que fazia o prateado parecer ainda mais cintilante. Com movimentos deliberadamente lentos, Ian desalojou o relógio dali, testando seu peso, sentindo a textura. Então, ele virou o objeto para examinar a parte de trás, traçando o símbolo do infinito com o polegar. Seus olhos dispararam em direção aos meus. E diziam tanto. Perguntavam ainda mais! Minha boca ficou seca. 

-- Eu... -- clareei a garganta. -- Eu sei que não é tão vistoso quanto o que você tinha. E também sei que o do seu pai é insubstituível, mas você ficou tão triste quando ele quebrou que eu quis, sei lá, tentar te deixar menos triste. E também porque eu acho que nada mais pode representar o que aconteceu com a gente. É como um coração mecânico. Ele grava a passagem do tempo. Os ponteiros registraram cada dia quando ainda não nos conhecíamos, numa espécie de contagem regressiva. Eles marcaram cada minuto desde que nos encontramos. E agora marcarão cada segundo da nossa vida.

Zayn não disse nada, apenas continuou me observando como se enxergasse minha alma.

-- T-tinha outros modelos na loja -- continuei, insegura --, uns mais chiques, com pedras brilhantes, mas eu pensei que você fosse gostar desse mais simples, porque... porque pode haver beleza na simplicidade, não é? Nem sempre uma coisa enfeitada é bonita. Quer dizer, não que você não mereça algo luxuoso. Você merece! É que às vezes uma coisa mais... comum pode ser atraente. Tipo, mesmo se for diferente das outras e... -- engoli em seco. -- Ele parecia fora do lugar naquela vitrine, mas aí nas suas mãos parece tão mais bonito.

Eu mordi o lábio para calar a boca. Não sei ao certo se pelo olhar intenso de Zayn, que parecia atingir meus ossos, se por medo de que ele compreendesse que eu não falava do relógio ou se porque ele logo se daria conta de que eu não tinha grana para comprar um presente daquele.

-- É perfeito -- sua voz falhou. -- Nunca vi nada tão belo, que se encaixe tão bem em minhas mãos, que seja mais precioso ou signifique mais para mim. -- Mas ele ainda me encarava

Soltei o ar com força, me sentindo mais leve, mas ainda trêmula.

-- Ainda bem. Porque não sei se já existe troca nas lojas deste século. -- Pisquei algumas vezes para afastar as lágrimas que teimavam em se acumular nos meus olhos. Ele pousou a mão na lateral do meu rosto, e seu polegar percorreu minha bochecha.

-- É o presente mais bonito que já recebi em toda minha vida. -- Ele moveu a mão, deslizando-a por meu pescoço até parar no centro do meu peito, sobre o meu coração. -- Jamais me afastarei dele -- Zayn murmurou tão intensamente que fiquei na dúvida se ainda falávamos do relógio. -

-- Mandei gravar suas iniciais. 

-- É mesmo? -- Zayn se aprumou para revirar a peça, abrindo-a com familiaridade, e a aproximou do rosto para ler a inscrição na tampa. Eu o vi prender a respiração enquanto lia, os olhos ligeiramente mais brilhantes. -- Ah, Melissa! -- Ele me puxou para perto e grudou a boca na minha, me beijando quase com brutalidade. Mas de repente me soltou e saltou da cama.

-- Não! Volta aqui! -- reclamei, arfando.

-- Em trinta segundos -- Zayn riu, esticando a corrente do relógio com destreza e enlaçando-a ao passante da calça. Então colocou o objeto dentro do bolso e as mãos na cintura estreita. -- Como estou? 

Admirei meu marido dos cabelos negros bagunçados aos pés descalços, me detendo por um longo instante no meio do caminho. Zayn era...

-- Muito gostoso -- suspirei.

A testa dele encrespou.

-- Gostoso, como uma comida a ser saboreada? -- perguntou um tanto confuso.

Dei mais uma conferida.

-- Definitivamente! 

Aquele brilho prateado se insinuou em seus olhos e o canto de sua boca perfeita subiu, num claro convite. Que, infelizmente, não tive tempo de aceitar, porque alguém bateu à porta. Zayn resmungou alguma coisa, irritado com a interrupção, e se pôs a procurar a camisa pelo chão. Assim que estava apresentável, foi atender à porta, e uma histérica Madalena entrou no quarto.

-- Perdoem-me, meus senhores. Lamento interrompê-los justo hoje, mas eu não sabia a quem recorrer. -- Ela corou ao me ver apenas com a camisa e se virou, ficando de costas para mim. -- Algo terrível aconteceu!

-- Por que não se senta, senhora Madalena? -- Zayn indicou uma das cadeiras perto da porta. 

-- Não seria adequado, senhor Malik.

-- Bobagem. Venha --  ele pegou a mulher pelo braço, guiando-a gentilmente até o assento.

Saí da cama e, assim que ela se acomodou, me ajoelhei diante dela.

-- Por que você tá chorando? O que foi que aconteceu?

-- Um terrível engano, senhora Malik -- ela soluçou

-- Sofia -- corrigi. -- Que tipo de engano?

-- Isaac desatrelou os cavalos da carruagem da senhora Cassandra ontem à noite. Os pobres animais estavam fadigados por conta da viagem, e o menino os levou ao estábulo para lhes dar um pouco de água. Mas a senhora sua tia -- ela fitou Zayn através das lágrimas -- não havia dado permissão, e hoje de manhã ela ficou furiosa com o menino por ter feito tudo sem consultá-la. E agora Isaac e o senhor Gomes irão partir, pois a senhora Anne demitiu o menino! 

-- Senhora Madalena, por favor, acalme-se. -- Zayn tocou de leve o ombro da mulher em prantos. -- Ninguém deixará esta casa. Ao menos nenhum de meus empregados. -- Algo perigoso faiscou em seu olhar. -- Vou até o estábulo falar com Isaac e desfazer o mal-entendido.

-- Fi-fico muito grata, patrão.

Assentindo uma vez, Zayn foi para o quarto onde estavam suas roupas e fechou a porta.

-- Por que Gomes iria embora com o Isaac? -- perguntei a Madalena, alisando a sua mão fria

Ela secou as lágrimas com a ponta do avental.

-- Ora, quem deixaria o filho sair sozinho pelo mundo?

-- Isaac é filho do Gomes? -- Essa era nova.

-- Sim. Ele e a falecida esposa, que Deus a tenha, tentaram a vida toda conceber uma criança, mas foram abençoados muito tarde. A senhora Gomes já era uma mulher madura e não andava bem de saúde. A pobrezinha morreu ao trazer Isaac ao mundo. O senhor Gomes fez tudo que pôde pelo menino, e sonhava em vê-lo servir esta casa quando ele próprio já estivesse velho demais para fazê-lo, mas Isaac só queria saber de cavalos, de modo que o senhor Malik o colocou para cuidar do estábulo logo que ele teve tamanho para isso. Eles não podem partir, minha senhora. Eles são... minha família! 

-- Zayn não vai deixar. São parte da família dele também. Fica calma, tá?

Madalena meio que riu, meio que soluçou.

-- O senhor Malik tem aquele velho matusquela como um avô. -- Ela se levantou de um salto, como se a cadeira estivesse pegando fogo. -- Oh, minha nossa, eu preciso preparar seu banho! -- alisou a saia longa e fez uma mesura. -- Estará pronto em pouco tempo, senhora Malik. Deseja que lhe traga o café da manhã?

-- Melissa! E não quero nada. Você não está..

-- Eu jamais deixei de cumprir minhas obrigações -- afirmou, empinando o queixo. -- Sinto muito por perturbá-la nesta manhã tão... -- Seus olhos relancearam a cama bagunçada e ela ruborizou. -- Importante. E, com isso, se retirou.

Zayn saiu do quarto conjugado quase que no mesmo instante, amarrando a gravata com agilidade.

-- Não precisa me esperar para tomar o café da manhã. -- E finalizou o nó. -- Você deve estar faminta.

-- Dá pra aguentar. Vou te esperar.

-- Tentarei ser breve, então. -- Ele pegou minha mão direita e retirou o anel de safira, acomodando-o em seguida na mão esquerda, com a aliança, enquanto um pequeno sorriso curvava um dos cantos de sua boca.

-- Você adora fazer isso, não é? Colocar anéis na minha mão esquerda.

O sorriso se ampliou

-- Nem faz ideia. -- Zayn plantou um beijo em minha mão e outro em minha testa antes de sair, contudo se deteve sob o batente, retirando o novo relógio do bolso e examinando as horas. -- Melissa, precisa de mais dinheiro?

Meu coração deu um salto e quis sair pela boca. Minhas mãos começaram a suar, e tive que me obrigar a continuar olhando para ele e não desviar os olhos, como eu desesperadamente desejava.

-- Não. Já resolvi tudo -- e torci para que ele acreditasse. Zayn me examinou por um longo instante, e eu podia jurar que ele sabia que eu estava mentido. Contudo, assentiu uma vez, me mostrou os dentes brancos perfeitos e guardou o relógio antes de partir. Soltei um longo suspiro e me deixei cair na cama. Se ele me pressionasse um pouco que fosse, eu acabaria dizendo a verdade.

A verdade. 

Uma sensação muito desagradável na boca do estômago me tirou o fôlego, mas preferi ignorá-la.

Como prometido, Madalena preparou meu banho em dez minutos, e eu me apressei em ficar decente. Meia hora depois, coloquei o primeiro vestido que vi pela frente -- um novo, lilás, com botões frontais --, escovei os cabelos e saí à procura de Zayn. Àquela altura, ele já devia ter colocado ordem na casa.

-- Senhora Malik, bom dia -- saudou Gomes assim que me viu entrar na cozinha.

Suspirei exasperada

-- Ah, seu Gomes, por favor! Não me chame assim. O senhor prometeu ao Zayn!  Todos vocês prometeram e ninguém tá cumprindo! Nada de senhora Malik, tá bem?

Ele corou, mas assentiu uma vez.

-- Como preferir. Deseja tomar seu café na sala de jantar, senhora Melissa?

Evitei um grunhido. Senhora era a parte ruim! Por que ele não percebia isso?

-- Agora não, obrigada. Vou esperar o Zayn. Madalena nos contou sobre Isaac. Eu sinto muito.

Ele anuiu com a cabeça

-- O senhor Malik já conversou comigo. De qualquer forma, agradeço sua preocupação.

-- Ele ainda tá falando com o Isaac?

-- Não. Já conversou com meu filho também. Mas a senhora Anne solicitou uma reunião com seu marido pouco depois que ele deixou o estábulo.

-- Oh, solicitar uma reunião não devia ser nada bom.

-- Eles ainda estão no escritório do patrão. O senhor Styles não está presente.

Eu franzi a testa.

-- Styles?

-- Estava me referindo ao jovem senhor Harry Styles II, senhora Melissa.

-- Ah! Aaaaaah! -- Certo. Aquilo era meio confuso...

-- Será que eles ainda vão demorar? Prometi ao Zayn que o esperaria pro café, mas tô varada de fome.

-- Lamento, mas não sei dizer. Contudo... -- ele se inclinou levemente -- escutei sem querer parte da conversa quando passava pelo escritório. Pareceu-me que aquela mulher estava insatisfeita com o casamento e decidiu dizer ao seu marido o que pensa da senhora. Pelo que pude ouvir, o senhor Malik a defendeu com muito fervor

Fiquei ereta.

Aquela mulher metia medo com aquele rosto enrugado e esnobe, mas já estava passando dos limites. Eu não permitiria que ela trouxesse algum tipo de constrangimento a Zayn. Eu já fazia isso muito bem sozinha!

-- Vou até lá -- endireitei os ombros. -- Casei ontem e quero tomar o café da manhã com meu marido.

--  Como quiser, senhora Melissa.

-- Ai, senhora não, seu Gomes! Me chama de... minha cara, minha jovem, mas senhora não, por favor. Me magoa

Seus olhos cansados se arregalaram, a boca aberta num oh mudo, horrorizado.

-- Magoá-la? -- perguntou ele. -- N-nunca tive a intenção de magoá-la, senh... minha cara Melissa. Muito pelo contrário. Perdoe-me se feri seus sentimentos.

-- Eu sei que não teve a intenção. Fica tranquilo. Mas pode parar com isso de senhora, tá bem? Não vou achar desrespeitoso. Nem o Zayn.

Eu já me virava em direção ao escritório quando o mordomo me chamou

-- Minha cara Melissa -- começou, cauteloso. -- Espero que a estada da senhora Anne seja breve.

Sorri conspiratoriamente.

-- Então somos dois, seu Gomes.

Eu pretendia seguir direto para o escritório de Zayn, mas acabei encontrando Emma no caminho. A garota parecia feliz, constrangida, ansiosa e muito, muito curiosa

-- Minha querida irmã! Acordou tão cedo! Pensei que dormiria até mais tarde hoje.

-- Quem dera, se sua tia permitisse... -- resmunguei.

-- Tia Anne? O que houve?

Eu lhe expliquei a confusão da madrugada (menos a parte do pesadelo de Zayn) e a da manhã. Para minha surpresa, Emma ficou completamente envergonhada. Como se ela fosse a culpada pela intromissão de Anne.

-- Oh, eu lamento tanto! -- murmurou ela, arrasada. -- Mal posso crer que minha tia tenha tido tamanha audácia a ponto de bater à porta de seu quarto em sua noite de núpcias. Até mesmo eu sei que isso é de uma enorme indiscrição. 

-- Eu dei um jeito -- encolhi ombros. -- O que me deixou fula da vida foi ela querer demitir o Isaac. Eu não o conheço muito bem, mas gosto do garoto. Além disso, ele é filho do seu Gomes, e eu amo aquele careca.

Minha cunhada riu.

-- Ele a ama também, posso lhe garantir. Mas Zayn resolveu o mal-entendido?

-- Parece que sim. Ele está tendo uma reunião com a Anne.

Emma soltou um delicado suspiro

-- Eu jamais deveria ter enviado aquela carta à titia, avisando sobre o casamento. Lamento tanto, Melissa.

Pousei uma mão sobre seu ombro e apertei de leve.

-- Relaxa, Emma. Parente a gente não escolhe. E ela deve se mandar logo, né?

Emma inclinou a cabeça para o lado.

-- Mandar o quê para onde?

Revirei os olhos.

-- Ir embora -- expliquei.

-- Não sei bem, mas Harry mencionou ontem durante a festa que deixou negócios pendentes e que não poderá se ausentar por muito tempo.

-- Ainda bem! -- exclamei, erguendo as mãos para o alto, e com isso fazendo Emma gargalhar. Dei um beijo estalado em sua bochecha. -- Vou falar com seu irmão e já volto. Te encontro na mesa do café? 

-- Sim. Oh, quase me esqueço. -- Ela enfiou a mão no minúsculo bolso preso à saia de seu vestido, retirou dali uma moeda cobre e a depositou na minha mão. -- A senhorita Suelen deixou-lhe isto e agradeceu por ter conseguido um pouco do produto.

Com o cenho franzido, fiquei olhando para a moeda em minha palma.

-- Suelen entendeu tudo errado. Eu preciso devolver esta moeda a ela.

-- Não faça isso, Melissa. Poderá ofendê-la! Ela estava radiante pela honra de compartilhar um de seus segredos de beleza. Ela não sabe que é você quem fabrica o condicionador. Não devolva o dinheiro. Nem é muito, não lhe fará falta. 

 -- Mas...

Gritos femininos agudos ecoaram no corredor e Elisa se encolheu toda.

-- É melhor eu ir salvar seu irmão! -- eu disse a ela, já suspendendo a saia do vestido, pronta para correr.

-- Por favor, vá depressa

 Disparei pelo corredor, mas me detive em frente à porta do escritório para alisar o vestido lilás e passar a mão pelos cabelos.

Bati de leve.

-- Estamos ocupados. Volte outra hora. -- resmungou a voz esganiçada da mulher.

-- Tia Anne! -- resmungou Zayn e pouco depois abriu a porta. Seu rosto estava afogueado, as sobrancelhas caídas, quase unidas, mas sua expressão se suavizou ao me ver.

-- Desculpe interromper -- comecei sem jeito --, mas bateu fome e eu queria saber se você já tá livre.

Zayn bufou.

-- Quase. E você não interrompe nunca. -- Ele tomou a minha mão e se inclinou para depositar um beijo delicado nas costas dela.

-- Tá tudo bem por aqui? -- sussurrei.

-- Não, mas ficará. -- Ele se endireitou, me puxando para dentro da sala.

-- Senhora Malik, é hábito seu interromper reuniões familiares? -- a tia perguntou, instalada muito confortavelmente na poltrona de couro negro ao lado das tralhas de pintura de Zayn. Os cacarecos foram deixados ali por conta da bagunça da troca de quartos, mas eu desconfiava de que não demoraria muito para que fossem levados ao nosso quarto atual. Zayn amava pintar. 

-- Melissa não interrompeu, tia Anne -- Zayn a repreendeu, impaciente. -- Ela é parte desta família.

-- Infelizmente, devo acrescentar. Lamento que sua negligência vá além do descuido para com a propriedade. Poderia ter feito um casamento mais proveitoso. Sua esposa não é a jovem mais educada que conhecemos, como pôde provar nesta madrugada. Na verdade -- seus olhos estreitos passearam por mim --, ela parece quase selvagem.

-- Isso é culpa do meu cabelo! -- me defendi, passando a mão pelo rabo de cavalo malfeito. -- E, se a senhora quer mesmo saber, acho que o problema não sou eu. Eu jamais me meteria na vida de recém-casados ou demitiria gente que nem trabalha pra mim, por exemplo

-- Menina insolente! -- gritou ela, se levantando da poltrona. Sua saia volumosa esbarrou no cavalete e quase derrubou a tela em branco. -- Como ousa...

-- Tia Anne -- interrompeu Zayn, com a voz assustadoramente calma. -- Gostaria de lembrá-la mais uma vez que é uma hóspede nesta casa, a casa de minha esposa. Então sugiro que repense suas próximas palavras.

-- Zayn, meu sobrinho amado! -- O rosto da mulher ficou branco feito papel. -- Como pode falar comigo nestes termos? Não vê que ela está zombando de mim? Eu o alertei ainda há pouco que ela tentaria nos afastar. Não posso ser culpada pelo comportamento dessa...

-- Cuidado -- avisou ele, encarando-a. A mulher piscou algumas vezes

-- Só estou pensando no seu bem, querido.

-- Agradeço a preocupação, tia Anne, mas, como eu disse ao menos três vezes na última hora, sou adulto e capaz de julgar o que é melhor para mim. Não preciso de seu consentimento, tampouco de sua aprovação. Espero que entenda e não se ofenda com isso. Como eu também expliquei, não há nada que a senhora possa dizer que mudará a maneira como me sinto em relação à Melissa.

-- Bem... -- Ela abriu o leque e começou a sacudi-lo freneticamente diante do rosto chocado. -- Se é assim que pensa, creio que encerramos esse assunto.

-- Assim espero -- respondeu Zayn, sucinto

-- Muito bem. Vou encontrar seu primo e então tomaremos o desjejum.

Anne fez uma mesura quando passou por Zayn, mas me dedicou um tratamento diferente. Um olhar tão penetrante quanto perverso, e tive de lutar para não estremecer e demonstrar fraqueza. Fechei a porta assim que ela saiu, soltando um suspiro.

-- Olha, eu sei que família a gente não escolhe, mas essa sua tia...

-- No entanto, não pude terminar. Zayn me prensou contra a porta, colando a boca na minha. Era dessa forma que eu tinha imaginado passar minha lua de mel. Em seus braços.

-- Desculpe-me por ter demorado tanto -- ele disse um tempo depois, acariciando meu queixo com o polegar. -- Mas minha tia realmente não sabe quando se calar. 

-- O que ela queria afinal? Seu Gomes disse que ela solicitou uma reunião.

-- Creio que pôde captar o conteúdo da conversa — admitiu de má vontade. Desvencilhei-me dele e gemi.

-- Não acredito que ela te chamou aqui só pra me descascar!

Zayn me estudou por um momento, parecendo refletir sobre algo importante. Por fim, abriu os braços em um gesto derrotado.

-- Desisto. Vou precisar de explicação para essa.

Acabei rindo alto. 

-- Falar mal de mim. E depois eu é que sou a mal-educada... -- Fui me aproximando da janela. Fazia um dia lindo lá fora, fresco e ensolarado, o céu azul sem nuvens, uma perfeita manhã de outono. -- Eu sabia que isso ia acontecer em algum momento -- murmurei encarando a paisagem rural e cruzando os braços sobre o peito. -- Todo mundo já sacou que eu sou diferente e ninguém gosta dos diferentes.

Senti Zayn se aproximar.

-- Eu gosto. -- Ele enlaçou os braços em minha cintura, colando minhas costas em seu peito rijo.

-- Você entendeu o que eu quis dizer. 

-- Não se preocupe com tia Anne. Eu deixei bem claro que não admitirei interferências em nossa vida. Agora, se bem me recordo, você estava faminta.

Revirei os olhos.

-- Se sua tia me achou mal-educada antes, não quero nem pensar no que ela vai dizer depois que me ver comendo. Teodora ainda se espanta.

Ele deixou escapar uma gargalhada gostosa que aqueceu meu corpo inteiro.

-- Então comerei duas vezes mais que você, assim ela não notará seu apetite. 

Deixei que ele me conduzisse para a sala de jantar, temendo o que me aguardava à mesa. Anne deixara claro que não aprovava o casamento e até tentou, sem êxito, argumentar com Zayn. Então agora ela aceitaria o casamento e nos deixaria em paz, certo? Torci para que fosse assim, para que eu tivesse interpretado de maneira equivocada o olhar malévolo de Cassandra ao deixar o escritório..


Notas Finais


ihhhhhh! Espero que tenham gostado.

Desculpe qualquer erro!

Até o próximo
xx.


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