História A deusa da primavera - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Mitologia Grega
Tags Deméter, Deuses, Hades, Perséfone, Troca
Exibições 16
Palavras 1.591
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Hentai, Romance e Novela, Saga
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 4 - Capitulo 3


A pilha de livros usados era assustadora. Lina já tinha encontrado dez volumes antigos de culinária italiana. Interessantes de olhar e esgotados no mercado. Enquanto estivera escolhendo, estes não lhe pareceram tão espessos, ou númerosos.
Mas agora que ela os trouxera para casa e os empilhara sobre o tampo de vidro da escultura de ferro forjado que utilizava como mesa de centro, estes pareciam ter se multiplicado.
Não poderia ter limitado suas escolhas e selecionado menos livros antes de sair do sebo?
— Uma vez na panificação, sempre à altura da situação! — falou para o enorme gato pretoe branco, de pelos compridos, deitado bem no meio da chaise longue da mesma cor.
A combinação perfeita fez Lina sorrir. Ela gostava de comprar móveis que agradassem a seus animais de estimação, mesmo que seu gato não se dignasse a lhe agradecer por isso.
Mesmo assim, recebeu um breve olhar de tédio e um rápido balançar de cauda, vindo do outro lado da sala, em resposta à sua declaração.
— Patchy Poo the Pud Santoro — ela se dirigiu formalmente ao gato, por seu nomecompleto. — Você é um belo animal, mas não entende nada de panificação.
A seus pés, a sonolenta buldogue inglesa, de meia-idade, bufou como se concordasse.
— Não seja maldosa, Edith Anne — Lina repreendeu a cadela sem entusiasmo. — Vocês dois entendem muito mais de comer do que de cozinhar.
Edith suspirou, satisfeita, quando sua dona coçou-lhe a orelha direita.
Com a mão livre, Lina apanhou o primeiro livro. Era uma brochura espessa, intitulada Descobrindo a Itália Histórica. Abriu-a com dificuldade e começou a ler um parágrafo longo e complexo sobre a preparação adequada de vitela.
Empalideceu e tratou de fechar o livro. Vitela podia ser um prato popular na Itália, porém ela só conseguia pensar nos filhotes de vaca aparvalhados, de olhos enormes e adoráveis.
— Talvez nem sempre seja possível ficar à altura de uma situação difícil sem uma preparação adequada… — falou à buldogue, que agora roncava. — Na panificação ou não. —Devolveu o imenso livro à mesa como se este fosse uma bomba que poderia explodir a qualquer momento se não tratada com cuidado.
— Acho que esta situação, em particular, pede uma boa taça de vinho tinto italiano — disse a Patchy Poo the Pud Santoro.
O gato a fitou com os olhos semicerrados e bocejou.
— Vocês dois não ajudam em nada!
Balançando a cabeça, Lina afastou-se da mesa e se dirigiu para o armário onde guardava os vinhos. Em sua opinião, um Monte Antico Rosso Sangiovese era o acompanhamento perfeito para qualquer situação difícil… relacionada ou não à panificação.
— Eu deveria mais era servir um vinho italiano tão bom com o meu novo menu, que os clientes nem prestariam atenção ao que estivessem comendo, de tão bêbados — falou por sobre o ombro enquanto se servia da bebida.
Porém nem precisou de uma “não resposta” de seus animais de estimação para saber que sua última declaração era ridícula. Se fosse assim, ela estaria administrando um bar e não uma padaria, o que certamente provocaria um ataque apoplético em Anton.
Lina endireitou a espinha, agarrou um saco de amendoins cobertos com uma grossa casquinha de chocolate, o acompanhamento perfeito para o Sangiovese, e marchou de volta para a sala de estar. Acomodou-se no sofá, abriu o notebook e apanhou na pilha o livro
seguinte: Cozinhando com a Itália.
Cão e gato ergueram as cabeças e, de forma idêntica, lançaram-lhe um olhar zombeteiro.
— Que comecem os jogos! — ela declarou, séria.
Três horas depois, Lina havia vasculhado nove dos dez livros e contava com uma lista de quatro possíveis receitas para o prato principal: pollo picatta, spaguetti alla puttanesca, melanzane alla parmigiana e il grande aioli, uma travessa com alcachofra, azeitonas, tomates, salmão poché e carpaccio, regados com aioli, um tipo de maionese à base de alho.
Sentiu uma pequena comoção ao olhar para sua lista. Estava realmente se divertindo. Pesquisar nos livros mofados tornara-se uma verdadeira aula de História e cultura italianas, duas coisas que tinham sido parte integrante de sua educação.
Faltava apenas um livro de receitas agora, o de capa fina, que ela havia guardado propositadamente para o final. No sebo, ela ficara intrigada com a capa, que era de um azulroyal profundo, com um desenho em relevo gravado em ouro. O título, O Livro de
Receitas da Deusa Italiana, encimava a figura dourada de uma deusa circunspecta, sentada em um enorme trono, vestida com uma túnica longa e com os cabelos enrolados em volta da coroa em intrincadas tranças. Em uma das mãos ela segurava um cetro cuja cabeça era uma espiga de milho maduro. Na outra, empunhava uma tocha flamejante. Sob a ilustração, as palavras “Receitas e mágicas para a deusa que existe em cada mulher” também estavam escritas em ouro. O nome da autora, Filomena, fora gravado na capa, embaixo da impressão em alto-relevo.
— Só mais uma… Ajude-me a encontrar apenas mais uma receita, e vou estar com a noite ganha! — pediu Lina, passando a mão sobre a figura.
Sentiu os dedos formigarem e franziu o cenho. Descansou o livro no colo e esfregou as mãos. Devia estar cansada.
Olhou para o relógio. Tinha passado apenas um pouco das nove horas, mas aquele fora um longo dia.
Concentrou-se novamente na capa do livro. A impressão em ouro parecia captar a luz da luminária, fazendo com que a palavras “Receitas e mágicas para a deusa que existe em cada mulher” cintilassem.
Que coincidência estranha o fato de uma mulher que cozinhava como uma diva italiana houvesse encontrado uma cópia antiga de O Livro de Receitas da Deusa Italiana! Sua avó ateria atribuído a la magia dell’Itália, sem dúvida.
Num impulso, fechou os olhos. Acreditava na magia da Itália. Já a tinha experimentado no mármore multicolorido do Duomo de Florença, nas janelas enfeitadas por floreiras repletas de gerânios de Assis, e no maravilhoso e lúgubre Fórum Romano, durante a noite.
Concentrou-se no amor que sentia pela terra natal da avó e abriu o livro que repousava em seu colo em uma página qualquer.
Abriu os olhos e começou a ler.
Pizza alla Romana, ou pizza por metro. Esta receita extraordinária vem de Roma. É aconselhável deixar que a massa, macia e flexível, descanse por muito tempo, cerca de oito horas. Quanto mais, melhor. Em seguida, coloque-a numa pá de forneiro de mais ou menos
oitenta centímetros de comprimento, sovando-a de modo ritmado e com tal vigor que, literalmente, esta dance sob seus dedos.
Lina piscou, surpresa, e sorriu. Pá de forneiro! Aquela pá de madeira comprida, usada para soltar o pão dentro e fora do forno. A Pani Del Dea tinha várias delas, claro.
Continuou lendo:
Quando a massa parar de balançar, besunte-a com óleo e coloque a pá no forno, onde o mais inesperado acontece: bem devagar, retire a pá, esticando essa pasta maleável, até que ela se torne uma pasta fina e incrivelmente leve, de até surpreendentes dois metros,
de pendendo do tamanho do forno de cada diva.
Ora, a Pani Del Dea possuía vários fornos compridos. Ela poderia esticar a massa até o limite de dois metros!
Lina esquadrinhou o resto da receita. No livro havia também vários recheios, desde um específico para Pizza Bianca, feito apenas com azeite, alho, sal, alecrim e pimenta, até o da Pizza Pugliese, um exagero completo com os ingredientes favoritos da Itália: berinjela,
provolone, anchovas, azeitonas… A lista não tinha fim.
— Esta pode ser a resposta. Por que lidar com um monte de receitas diferentes? Por que não ter apenas uma especialidade, Pizza alla Romana, por exemplo, com diversas variações?
Sem dizer que isso ainda seria panificação!
Reagindo à excitação na voz da dona, Edith Anne se manteve acordada apenas o suficiente para um latido abafado de apoio. Patchy Poo the Pud exerceu o papel inato de um gato e a ignorou completamente.
Lina deu um tapinha na cabeça da cadela enquanto estudava a receita da massa.
Por esta massa utilizar pouca levedura e necessitar de muito tempo para crescer, uma diva pode incluí-la em sua movimentada agenda americana, preparando-a à noite com água fria e refrigerando-a logo após a mistura. Na manhã seguinte, só precisará colocá-la num
local fresco para que cresça lentamente durante todo o dia à temperatura ambiente. Depois disso, basta abri-la e assá-la para o jantar.
Lina correu os olhos pela lista de ingredientes: fermento, água, farinha, sal, azeite de oliva… sim, claro que tinha tudo. Poderia fazer a massa naquela mesma noite, deixá-la descansar por todo o dia seguinte, e então ela e seus “filhotes” poderiam prová-la.
Encantada, Lina se pôs a ler sobre os preparativos:
Antes de começar, você precisará de uma vela verde para representar a Terra e a deusa que honramos com esta receita. É Ela, que dá vida à farinha com a qual nossa massa é fabricada: Deméter, a Grande Deusa da Colheita, das Frutas e das Riquezas da Terra.
Os olhos de Lina se arregalaram.
Quando começar os preparativos, acenda a vela verde e concentre os pensamentos em Deméter. Só então deverá dar início a receita.
Lina correu os olhos pela receita. Intercaladas nas orientações para mexer o fermento e misturar a farinha e o sal, havia instruções do Além!
Leu uma das linhas com a testa franzida. Seria uma mágica?
Tratou de ler outra. Aquilo parecia mais uma invocação, ou talvez uma oração. Fosse qual fosse o nome da coisa, porém, as coordenadas sobrenaturais eram, definitivamente, parte integrante da receita.
Não pôde deixar de sorrir. La magia dell’Itália
Sua avó aprovaria aquilo, sem sombra de dúvida.
Cantarolando, foi em busca de uma vela verde.



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