História A diferença entre Amar e Gostar - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook, V
Tags Jihope, Jungkook, Kookv, Menção Vmin, Taehyung, Taekook, Vkook, Vmin
Exibições 325
Palavras 8.000
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - (Único) Como o amor por ele


 

Sua língua brigava por espaço na boca alheia enquanto seus dedos se perdiam em apertar a coxa do moreno. O gosto forte de menta com um pouco da ardência do chiclete, que tanto via Jeongguk comprar na cantina da escola, tocou sua língua e suspirou em aprovação com aquilo, envolvendo o pescoço quente do outro com seus braços.

Empurrou levemente o corpo forte até que este estivesse deitado na cama e afundou os próprios dedos nos fios negros, descendo seus beijos pelo pescoço do amigo enquanto sentia as mãos deste tomarem total posso de sua cintura e rebolou no colo de Jeongguk.

Sorriu ao ouvir os suspiros do mais novo e deixou seu rosto a altura dos olhos negrumes.

Tão lindo.

Beijou-o novamente, pondo as duas mãos nas laterais do rosto bem delineado de Jeongguk, sentando-se novamente.

O toque estridente e irritante de seu próprio celular quebrava todo o clima e continuou os beijos, esperando que ‘quem quer que fosse’ se desse conta que estava ocupado no momento. O quão contente que ficou quando o toque se finalizou não durou muito até que o telefone voltasse a tocar e revirou os olhos por isto enquanto apreciava o trabalho dos lábios do garoto em seu pescoço.

Resolveu, por fim, ignorar aquilo e quase bufou quando na terceira vez o telefone voltou a tocar e tentou beijar Jeon mais uma vez, antes do próprio lhe empurrar levemente, sem encara-lo e saiu de cima das pernas musculosas, sentando-se no colchão da cama do garoto.

 

– Atende logo.

Bufou dessa vez em bom som e levantou-se a muito contragosto da cama, pegando com brutalidade o celular em cima da cadeira.

– Taetae? – A voz de Jimin soou graciosa do outro lado.

– Oi Jimin.

– Você já terminou, amor? – Respirou fundo, passando os dedos pela franja no olho.

– Ainda não, me desculpe. – Riu forçadamente. – O festival cultural da escola tem os lados bons, mas ter que ir comprar os itens de organização é cansativo Jiminie. – Resmungou, rindo ao ouvir a risada do namorado. – Vou deixar tudo na casa do organizador e já te encontro, ok?

– Tudo bem, tome cuidado. – Passou alguns segundos até que ouvisse a respiração forte de Jimin. – Taetae, eu te amo.

Sorriu inconscientemente.

– Eu também te amo. – Respondeu por fim finalizando a chamada.

Atirou o aparelho de volta ao lugar anterior e voltou a cama, acariciando os ombros de Jeongguk enquanto este mantinha o cenho franzido. Lambeu os próprios lábios antes de desce-lo até o pescoço do mais novo, lambendo o local.

Subiu sua boca novamente até os lábios avermelhados e pressionou sua própria contra estes, estranhando ao ser renegado e empurrado de leve, soltando Jeon. Viu este começar a fechar os botões da camisa branca do uniforme.

 

– Ei. – Aproximou-se do amigo e tocou o peito, agora coberto, acariciando o local. – O que aconteceu?

– É sério isso, Taehyung?

– Sério o que? – Perguntou confuso e viu os olhos negros se revirarem.

Ouviu Jeongguk bufar e passar os dedos pálidos pelo cabelo.

– Me responde uma única coisa, quem acabou de te ligar?

– Você sabe bem quem foi Jeongguk, o que isso....

– Só diga.

– Jimin, meu namorado.

– Temos que parar com isso. – Pôs o blazer azul marinha com o emblema a escola e voltou a encarar Taehyung. – Nunca nem devíamos ter começado com isso, Jimin é meu amigo e seu namorado, sabe o quão errado é isso que fazemos?

– E você vai dar uma de sensato logo agora? Você sabe que nunca teríamos parado se não fosse pelo celular.

– O problema não é esse. – Sussurrou para si mesmo e respirou fundo. – O problema é que sempre fazemos isso Tae! Há quanto tempo?! Meses, certo? A meses que fazemos isso e traímos Jimin pelas costas. Eu cansei disso, e a cada vez que ele te liga quando nós estamos juntos só me faz lembrar que estou no lugar errado e com a pessoa errada. Você pertence a ele. Acha que é normal namorar alguém e vir pra casa de outro ficar se agarrando com alguém que não é seu?

– E o que você quer dizer com tudo isso? – Aproximou-se de Jeon quando este recuou.

– Que vamos acabar com isso, fingir que nunca aconteceu.

Observou em silêncio quando sua própria roupa de cima fora estendida para si por Jeongguk e riu, desacreditando naquilo. Pegou com força, demonstrando sua raiva com tudo aquilo, vestindo sem quaisquer cuidados a blusa e o blazer, calçando-se.

 

– Só espero que não pense que vai virar o anjo na história por fazer isso. – Odiava as palavras que soltava sem pensar, ainda mais ao ver lágrimas nos olhos de Jeongguk.

Levantou-se observando o garoto ajeitar os cabelos em frente ao espelho do quarto. Já estava perfeito. Sorriu sem dar conta ao observar Jeongguk daquela forma e desmanchou a própria alegria quando o amigo lhe encarou sério pelo espelho, desviando em seguida e suspirando.

 

– É por sentir isso que eu sei que não sou.

E depois de pouco tempo, a palavra ‘isso’ fez total sentido e arregalou os próprios olhos.

– Jeongguk.

Pegou sua mochila e o celular na cadeira próxima a escrivaninha do garoto e se aproximou dele, que ainda se ajeitava no espelho.

 

– Pode ao menos me deixar até a porta?

– Eu preciso ficar sozinho. Agora que você já sabe, não preciso mais disfarçar. 

Respirou fundo tentando controlar o próprio humor e bateu a porta do quarto. O barulho da madeira e os passos apressados do outro pelos corredores vazios da casa, foram o suficiente para que Taehyung não ouvisse o choro silencioso de Jeongguk e muito menos os pedaços dele se quebrando.

 

 

 

 

 

Agachou-se em frente a bolinha de pelos que balançava o rabo, animado com sua presença e sorriu quando este lambeu seu rosto, apoiando as duas patas em seu peito e movia-se animado.

Passou os dedos por um bom tempo no pelo macio e retirou do bolso o saquinho que sempre trazia com ração para Cici, a cadelinha de rua que ‘adotara’ a alguns meses atrás. Sua mãe possuía uma alergia a pelos de quaisquer animais, então a possibilidade de ter um em casa era zero.

Lembra-se que estava com Jeongguk, conversavam sobre uma nota baixa que o mais novo havia tirado em inglês e o carão que seus pais haviam lhe dado quando sentaram-se em uma das mesinhas do lado de fora da confeitaria, cada um com seu sanduiche e dividindo a vitamina de framboesa – Taehyung havia esquecido parte do dinheiro e Jeongguk insistiu para que o amigo aceitasse dividir um consigo – quando algo batera em seus pés e em seguida olhinhos redondos e pidões pararam a frente dos dois, com a língua do lado de fora.

Taehyung pareceu ter a mesma ideia que Jeongguk quando ambos estenderam um pedaço de pão para a cadelinha e riram ao ver ambas as mãos estendidas com parte de seus lanches. A agora chamada Cici, na época havia comido os dois pedaços com vontade e logo os dois começaram a brincar com o animal de rua.

Encantaram-se por ela de primeira, acabaram por gastar horas afim ali com o pequeno animal e no final, quando a rua já se esvaziava e a luz do sol acabava, Taehyung viu-se triste por ter que abandonar o animal.

Jeongguk deu a ideia de voltarem no dia seguinte com ração para ela. Era normal que os cachorros permanecessem na mesma área de sempre e por isso não seria tão difícil encontra-la novamente.

No entanto, ficara decepcionado ao voltarem a ir para casa quando a cadelinha latiu – numa tentativa de chama-los – e acenou para ela, ainda que ela não fosse entender o gesto humano e foi confortado pelo abraço de lado de Jeongguk enquanto sorria para si.

Acabaram criando um costume de sempre levarem ração para Cici. A casa de Jeongguk ficava antes da de Taehyung, que ficava antes da de Jimin. Então era normal esperar o garoto até este chegar em sua casa, até chegarem a praça encontrando a cadelinha, alimentando-a e seguindo para a casa de Jimin.

 

Jimin.

 

Se lhe questionassem quando as coisas mudaram, não saberia dizer.

Sempre foram os três, o trio inseparável como os pais gostavam de chama-los. Havia se mudado com sua mãe para Busan após o falecimento do pai e abandonou a vida em Daegu. Por mais extrovertido que fosse, era estranho para ele estar numa nova escola depois de passar todos seus anos estudantis na mesma. Não conhecia absolutamente ninguém na escola, muito menos na cidade e se sentia sozinho por conta disso.

Isso até eles aparecerem.

O primeiro a conhecer foi Jeongguk. Depois de passar minutos observando as crianças correndo de um lado para o outro do pátio, com risadas e gritos esganiçados, decidiu permanecer quieto no seu canto, esperando que o recreio acabasse, na época possuía nove anos.

Entretanto, um carrinho vermelho fora depositado a sua frente e franziu o rosto confuso, encarando o garoto branquinho que estava a sua frente. Já este sorriu para si e lhe estendeu o carrinho.

 

– Sou Jeongguk.

Foram as primeiras e únicas palavras que fizeram as duas crianças passarem os minutos restantes do intervalo brincando de corrida e depois juntarem o dinheiro do lanche para comprar doces.

Jeongguk havia se tornado seu primeiro e único amigo ali. Ele era dois anos mais novo e por isso suas classes eram diferentes, mas só por um ano pois Jeongguk começara a escola adiantado e durante o restante da semana os dois sempre se encontravam no pátio da escola, cada um agora com seu carrinho e corriam de um lado ao outro sempre rindo juntos.

Uma semana havia se passado tão rápido que até mesmo se assustara com isso. Mas, estranhou ao ver, diferente do habitual, Jeongguk acompanhado de outro garoto na segunda seguinte. Se aproximou receoso ao ver que os dois conversavam animados e assim que o amigo lhe viu, arrastou Taehyung até ficar frente a frente com o garotinho bochechudo.

 

– Jimin, este é Taetae. – Quis rir do nome que o amigo havia lhe dado, mas permaneceu quieto. – Taetae, este é Jimin.

Os olhinhos fechados em um tipo de sorriso e as bochechas fofas de Jimin tiraram todo o desconforto de Taehyung e não demorou muito até que os três garotos estivessem correndo juntos novamente agora com os sorrisos de Taehyung direcionados a Jeongguk e Jimin.

Sempre estavam com Taehyung.

Era normal ver Jimin passar da sua casa para acompanhar Jeongguk e Taehyung até a casa do novato. Diferente de Jeongguk, era da mesma sala que Taehyung então acabava sempre os dois juntos estudando juntos, – Jeongguk quase nunca conseguia ficar por conta do reforço – o que deixava os dois a sós.

Jeongguk odiava se sentir ‘excluído’ ao seguir sozinho para sua casa e um pouco longe ainda escutar os gritos de Taehyung e Jimin que corriam pela casa.

Taehyung acabou criando uma proximidade maior de Jimin. Com o passar dos anos, era normal ver os dois abraçados e rindo cumplices sempre que juntos, compartilhavam mais segredos e medos. Jeongguk notava isso, seus dois melhores amigos sempre próximos e fora em uma dessas vezes que pela primeira vez desejou que nunca os tivesse apresentado.

Os anos se passaram assim, o trio inseparável e os ciúmes inacabáveis por parte de Jeongguk. Ele sempre possuiu aquilo por Taehyung, mas tinha completa noção de que suas chances não eram tão grandes se fosse comparar-se a Jimin. Ele sim era uma boa pessoa.

Foi em um dos intervalos que Jimin pediu Taehyung em namoro. Estavam os três sentados em uma das mesas do refeitório. Jeongguk parecia mais quieto que o normal e não falava nada com eles, somente escutava algo em seus fones e deixava seu lanche de lado.

Surpreendeu-se quando um colar dourado fora posto no pescoço de Taehyung e viu o rosto corado de Jimin. Este entrelaçou as mãos as dele e pediu seu Taetae em namoro bem à sua frente. Seu Taetae.

Taehyung não soube negar o pedido e quando viu já haviam trocado um selar rápido ao mesmo tempo que chovia novamente nos olhos de Jeongguk e suas pernas corriam para longe da mesa.

Sim, eles já haviam ficado em segredo, fora algo não pensado em uma das tardes de estudo. Taehyung explicava o movimento de um pêndulo enquanto Jimin continuava com a cabeça deitada em suas pernas.

Naquele dia, em primeiro plano ia sair com Jeongguk, o garoto lhe ligou animado sobre a estreia de um filme e que havia ganhado ingressos de seus pais. Taehyung até mesmo riu do quão animado e feliz o melhor amigo parecia pelo celular e concordou de primeira.

Isso até Jimin lhe ligar.

O garoto parecia desesperado, sua prova de física seria no dia seguinte e havia estudado zero de matéria, pois sequer entendia algo e Taehyung não conseguiu não dizer ‘sim’ para ele quando seu tom era tamanho suplica. Sequer avisou a Jeongguk.

Em meio as leituras e questões, os ombros encostados e os corações descompassados, Jimin aproximou-se o suficiente para deixar seus olhos frente a frente com os do amigo e Taehyung não conseguiu se mexer, muito menos parar aquilo. Quando menos notou, já tinha os olhos fechados e as mãos no rosto de Jimin, assim como este tomava posse de sua cintura enquanto seus lábios trocavam caricias.

A campainha foi quem cortou a sessão de beijos naquela tarde. Se encararam, ambos envergonhados, mas não arrependidos. Taehyung deu um último selinho em Jimin antes de se levantar com um sorriso. No entanto, ao ver Jeongguk cabisbaixo a sua frente com uma mão segurando o celular e a outra atrás de suas costas, ele soube que havia esquecido do primeiro amigo.

Ele tentou se explicar e consolar a única lágrima que caia do olho negro, mas soube que explicações não eram o suficiente quando Jimin lhe abraçou por trás perguntando quem era e os lábios avermelhados de Jungkook tremeram e lágrimas lhe escaparam.

Sequer disse algo, somente observou a figura virar-se com pressa escondendo a mesma mão agora a frente do corpo e somente suspirou antes de fechar a porta.

Mal sabia ele que Jeongguk carregava um buque de margaridas brancas – suas favoritas, mas agora murchas – consigo.

Jeongguk havia se distanciado.

Havia se tornado normal que ele sumisse durante todo o intervalo, ou que não passasse na casa de Taehyung, ou que não o acompanhasse para brincarem com Cici ou que simplesmente eles não se falassem.

Era normal também que agora ele nunca atendesse Taehyung ou que tivesse o ignorado quando Taehyung descobriu que ele vinha se escondendo na biblioteca. Chorou em uma noite quando ligara para Jeongguk e este não lhe atendera e então resolveu optar para o aplicativo de mensagens. Criou esperanças quando viu o ‘online’ no nome dele e mandou mensagens seguidas para ele.

Novamente ignorado.

Mentiu para Jimin no dia anterior, afirmando não poder ficar com ele no intervalo pois um professor pediu que fosse conversar com ele sobre uma olimpíada. Mentiu novamente ao dizer que precisava ir só e Jimin sorriu compreensivo, selando rapidamente seus lábios e disse que ficaria com alguns colegas da sala.

Correu até onde uma menina da sala de Jeongguk tinha afirmado ver o garoto indo, o último andar.

Ver os fios negros bagunçados por conta do vento e os olhos arredondados fechado enquanto ele tinha a cabeça apoiada nos joelhos flexionados, fez Taehyung sentir falta – mais do que já vinha sentindo – de poder abraçar e conversar com Jeongguk.

Ele não pensou duas vezes. Correu da porta até onde o garoto estava sentado e ao ver a surpresa nos olhos dele de verem ele ali, sorriu sentindo seus olhos molhados e abraçou Jeongguk com toda a força que tinha e saudade que possuía.

Acalmou-se ao sentir o mesmo aperto vindo dos braços do mais novo e enterrou sua cabeça no espaço de Jeongguk.

 

– Senti sua falta.

Sussurrou ainda grudado ao amigo e sentiu quando lágrimas deixavam uma pequena parte de sua blusa úmida. Quando viu os olhos avermelhados de Jeongguk não pensou duas vezes antes de levar seus dedos até os olhos dele e limpar cada canto.

Perdeu nos olhos confusos que lhe fitavam e deixou-se levar pelos toques de Jeon em seu rosto, deixando que ele se aproximasse, que ele lhe abraçasse, que beijasse sua testa, sua bochecha, seu nariz e por fim, sua boca.

Era diferente, com certeza.

Não lhe deixava nervoso, muito menos com receio, como era com Jimin. Aquele beijo só lhe parecia tão certo, tão carinhoso e afetuoso que não poderia sequer pensar em quebra-lo. Jeongguk era amável consigo até em momento como aquele.

E tudo complicou.

Tudo complicou por que mesmo depois de se separar de Jeongguk e notar o que havia feito, Taehyung não sentiu que aquilo fosse errado. Ele não achou errado beijar Jeongguk novamente e se deixar passar o restante do intervalo abraçado a ele, não achou errado matar aula para ficar ali com ele e não achou errado mentir para Jimin depois de tudo.

Se tornou comum que ele e Jeongguk ficassem as escondidas. Mentia sabe-se lá quantas vezes para Jimin e se encontrava com Jeongguk.

Trocavam beijos, caricias até intimas demais e palavras que jamais tinham dito com outro. Se sentia feliz quando estava cercado pelo calor acolhedor do corpo forte, isso até o telefone tocar.

As mentiras iam ficando cada vez mais sem nexo e sequer se importava com isso, o que importava era que no final estivesse deitado ao lado de Jeongguk e com um Jimin sorridente do outro lado da linha.

 

 

 

 

 

Tinha um sorriso no rosto e um braço ao redor dos ombros de Jimin enquanto escutavam a história de Jin. Não conseguia conter as risadas, não muito diferente dos outros quatro ali, ainda que Yoongi e Namjoon tentassem se manter imparciais nas risadas, mas era obvio o quanto, todos, se divertiam.

Alguns segundos se passaram, até que se acalmassem e voltassem a conversar normalmente por ali enquanto esperavam que a vontade de ir para casa lhes surgisse. Adora sair com seus amigos e descontrair-se um pouco de realidade cansativa e estressante que tinha.

No entanto, ao ver um único assento vazio na mesa, lembranças as quais gostaria de evitar lhe invadiam a cabeça e se via ser impossível não pensar e se preocupar com Jeongguk. Desejava que as palavras dele, ao final da “conversa”, fossem coisa do momento e que o garoto realmente não tivesse criado tais sentimentos por si.

Sentiu a cabeça de Jimin pousar em seu peito, mas continuou quieto sem ações, ainda alheio a conversa.

 

Ele estava bem? Por que não apareceu?

 

Bufou, bagunçando os próprios fios e o peso em seu obro sumiu, só então notando os cinco pares de olhares direcionados para si.

 

– Tudo bem? – Hoseok questionou depois de silencio e fez o máximo para conseguir engana-los com seu sorriso falso.

Sabia que todos sempre acreditavam – ou ao menos fingiam – e não questionariam mais nada sobre o que quer que fosse que estivesse pensando.

– Só preocupado com alguns trabalhos.

Mentiu e viu todos suspirarem, reclamando que havia os preocupados por nada.

Mas fora automático, depois de todos decidirem já ser tarde o suficiente para continuarem ali e pagarem a conta. Viu Hoseok abraçar Jimin com carinho antes de se despedirem e sorriu tristemente.

Sim, ele sabia que o amigo era apaixonado por Jimin. Foi algo tremendamente estranho ser “avisado” por Hoseok para que não magoasse Jimin. Merda, além de sua mente estar em confusão tirava Jimin, não que este já tivesse sido propriamente dito, de Hoseok e sabia que o outro realmente gostava e não magoaria Jimin.

Era um merda mesmo.

Com Taehyung e Jimin pegando uma carona com Jin, pegar seu celular e entrar no ícone de mensagens com Jeongguk.

 

 

JK

Tae, tá perto?

Vou acabar desistindo -.-‘

Yah! Onde você está?

TH

Eu já toquei a campainha dez vezes -...-‘

A culpa não é minha da sua relação amorosa com um fone de ouvido!

 

O dia que discutiram havia sido o último a ser datado e, enquanto Jimin e Jin se acomodavam no banco da frente, deitou-se no passageiro e abriu o teclado, digitando as palavras de forma que não deixaria seu lado racional lhe atrapalhar.

 

TH

Eu sei que errei feio com você e que tudo isso que aconteceu é culpa minha, mas só queria poder me desculpar e (por mais que você não acredite), eu estou preocupado e confuso. Não posso te falar que tipo de confusão é essa por que provavelmente isso te magoaria ainda mais e também afetaria Jimin. Só não evite os seus, nossos amigos, eles se preocupam com você e muito, mas vou entender se me evitar em questão, mas os outros não tem culpa de nada, eu tenho.

 

Não olhou se Jeongguk respondeu ou qualquer outra possibilidade, somente cobriu os olhos com o antebraço e respirou fundo.

Assim que Jin parou o carro em frente à casa de Jimin, descobriu os olhos e sorriu para o namorado, não o beijando como costumava fazer e recebeu um olhar estranho deste antes de sair do carro.

Agradeceu a Jin quando, poucos minutos depois, pararam em frente sua casa e entrou sem mais palavras, notando estar a sós quando chamou por seus pais e não possuirá resposta alguma.

Deitou-se na cama, pousando um dos braços na testa e com a outra mão desbloqueava o celular e assustando-se quando recebera uma mensagem de Jeongguk.

 

JK

Eu não quero mais pensar em nada disso. Sei que tem sido idiotice ignorar os outros, mas eu preciso de um tempo para pensar e ajustar tudo que eu venho sentindo.

 

Jeongguk estava pondo toda a culpa em si mesmo.

Levantou-se, voltando a calçar os sapatos na porta de entrada da casa e trancou a porta desajeitadamente enquanto corria pelas ruas desertas. Não era justo que o garoto se culpasse por tudo sozinho quando fora o próprio Taehyung que aceitara e insistira em continuar tudo o que faziam.

Se alguém ali devesse ser apontado como culpado, esse alguém deveria ser Taehyung.

Ele sempre possuiu completa consciência de que o que fazia era errado, sujo. Se culpava por gostar de duas pessoas e não conseguir se decidir, mas quando menos notou seu coração acelerava e seu estomago era possuído por borboletas quando via Jeongguk e suas mãos suavam quando via Jimin.

Para ele, Jimin era uma pessoa que poderia confiar. Sempre contou seus segredos a ele, nunca fora jugado ou discriminado pelo amigo por tudo o que desabafava e sempre recebia o apoio de Jimin. Se sentia confortável com ele, era bom.

Já Jeongguk era um pouco diferente. Sempre o amou de todas as formas. Fora seu primeiro e mais verdadeiro amigo e se apegou a ele de forma rápida e forte. Gostava de quando era surpreendido pelo mais novo com abraços e beijos em sua bochecha, achava adorável a vermelhidão nas bochechas deste quando isso acontecia e sentia-se bem quando ficavam a sós e era circulado pelos braços fortes de Jeongguk.

O amigo conseguia lhe tirar a habilidade de conversar e ser ele mesmo, trocando-a por um Taehyung nervoso e ansioso para quando veria Jeongguk mais uma vez.

Parou em frente à casa branca e grande de Jeongguk e respirou fundo. Já se passava das dez e estava apreensivo se ir ali realmente fora uma boa ideia. Estranhou não ver o carro preto dos pais do amigo na garagem, mas ignorou isso, voltando ao real motivo por estar ali. Parou em frente a porta de entrada da casa e antes de tocar a campainha, sorriu ao ver a estrela cravada na parede com as iniciais de ambos.

 

JK + TH

 

Haviam feito aquilo em meio a uma brincadeira e disseram que seria uma forma de selarem sua amizade. Passou os dedos por cima dali e respirou fundo antes de tocar a campainha.

Não ouve resposta e tocou novamente, dessa vez com mais confiança. Sabia que Jeongguk estava acordado por ter recebido a mensagem a menos de meia hora atrás e tocou pela terceira vez a campainha, dessa vez conseguindo ouvir passos abafados dentro da casa.

Deu passo para trás quando ouvi as trancas da porta serem destrancadas e esperou até que a porta fosse aberta.

Jeongguk vestia uma bermuda preta e camiseta de mesma cor, com seus cabelos bagunçados e pés descalços. Sua mão carregava o celular e observou aquilo antes de desviar seus olhos aos de Jeongguk que o observavam surpresos.

 

– Oi Guk.

Cumprimentou receoso e o silêncio do horário deixava tudo mais tenso.

– O que você está fazendo aqui? – Jeongguk questionou após um tempo e suspirou.

– Precisamos conversar.

Antes que a porta fosse completamente fechada conseguiu infiltrar seu braço pela brecha e agarrar o de Jeongguk, o puxando para o lado de fora e trazendo o corpo de encontro ao seu, em um abraço apertado.

A princípio Jeon não queria aceitar aquilo, tentou se soltar debatendo-se, gritar para que Taehyung o soltasse e empurrar – sem uma força exata – Taehyung para longe, mas isso só fez com que o amigo lhe apertasse ainda mais.

Tentou uma última vez antes de Taehyung empurrar sua cabeça carinhosamente para que se deitasse no seu ombro e se rendeu, desistindo de resistir e apertou Taehyung de volta, juntando ainda mais os corpos.

Seu rosto se escondeu no pescoço bronzeado do mais velho e inspirou o leve aroma de lavanda infantil que ele possuía.

Taehyung continuou com sua mão presa as costas de Jeongguk e inconscientemente passeava seus dedos por ali, fazendo uma leve caricia enquanto sua outra mão entrelaçava os dedos longos aos fios negros.

Separaram-se sem pressa, tinham medo de voltar a realidade. Por Taehyung ficaria naquele abraço pelo restante da noite, sem preocupações ou receios, somente ele e Jeongguk.

Seus olhos encontraram novamente os olhos de Jeongguk e mal se deu conta de quando haviam deixado seus rostos tão próximos. Sua mão escorregou dos fios até a bochecha branca e deixou seu polegar circular por ali, cortando a distância entre seus rostos e principalmente entre suas bocas.

Para ele aquilo seria sua despedida, o modo de entregar tudo o que sentia. Aquele beijo não era um simples beijo, somente encostou os lábios um no outro e quando Jeongguk se moveu levemente, aceitou isso como permissão para aprofunda-lo.

De seus olhos duas únicas lágrimas saíram e quando terminaram o beijo, não se separaram-se ou falaram alguma coisa. Taehyung juntou sua testa a de Jeon e fechou os olhos, selando a boca avermelhada mais algumas vezes e abraçando-o com força novamente.

Suas mãos pareciam querer tocar cada milímetro da pele de Jeongguk, como se com isso conseguisse memorizar tudo e a dor diminuísse. As feições bem delineadas e postas eram perfeitas para Taehyung. Apertou Jeongguk no abraço e deitou a cabeça no ombro dele.

 

– Eu gosto de você. – Confessou e pode sentir a tensão que apossou Jeongguk. – E por isso ter acontecido, eu entendo sua distância, por que eu sinto o mesmo.

Não houve resposta e voltou a se acolher nos braços quando a voz rouca de Jeongguk interrompeu sua linha de pensamentos.

 

– Jimin sabia. Ele sempre soube que eu gostei de você, que eu queria me declarar. – Taehyung não disse nada pois via que ainda tinha muito a ser dito. – Assim como ele sabia dos meus sentimentos, eu também sempre soube dos deles e mesmo assim fui covarde. Eu não te mereço Tae. Eu posso te amar, posso amar o modo como você fica avoado nas aulas de filosofia, posso amar saber que você tem preguiça de fazer a lição e sempre finge estudar, posso amar o fato de você ficar mais pegajoso quando cansado ou posso amar o fato de você ser você. – O sorriso triste de Jeongguk lhe quebrava pouco a pouco, e viu o brilho das lágrimas surgindo em meio a negridão. – Eu posso te amar como for, Jimin é quem te merece por que ele teve coragem para se confessar, por que ele não teve medo de mostrar que gosta de você. É por isso que eu não vou tentar mais nada.

Taehyung sentia as facadas no peito a cada palavra acompanhada das lágrimas de Jeongguk. Puxou-o novamente para seus braços e negou seguidas vezes com a cabeça.

Jeongguk era umas das pessoas mais maravilhosas que já conheceu e se odiava por magoa-lo assim.

 

– Eu te amo, Jeongguk. Eu me odeio por te magoar e ter feito o que eu fiz. Eu nunca devia ter te colocado nessa situação e complicado tudo. Me perdoa, por favor, me perdoa.

Separaram-se ambos fungando e com os olhos vermelhos. Palavras não eram necessárias quando seus olhares diziam que aquilo era uma despedida, quando mostravam tão abertamente seus sentimentos.

 

– É melhor você ir. – Jeongguk se pronunciou e Taehyung concordou. – Tchau Taehyung.

A porta já se fechava quando levantou sua cabeça e a última coisa que viu foram os olhos de Jeongguk. Sorriu triste, abaixando sua cabeça e sentiu as lágrimas saírem.

 

– Tchau Guk.

 

 

 

 

 

Não se sentia bem. Acordou com a garganta irritada e quando tomara o leite pela manhã seu estomago o expulsou segundos depois quando correu ao banheiro e pôs para fora. Resolveu tomar um banho para disfarçar sua aparência a seus pais e mal falou com os mais velhos após se trocar, correndo para fora de casa.

Depois de ontem sabia que Jeongguk não apareceria ali e desligou-se quando pôs seus fones caminhando sozinho. Assim que chegou próximo à esquina da pracinha, avistou Cici e sorriu, estralando os dedos atraindo a atenção da pequena cadelinha, correndo e agachando-se enquanto ela lhe cumprimentava com suas patinhas. Abriu a mochila, retirando a pequena vasilha que sempre colocava a ração e outra onde colocava agua para Cici beber, rindo quando notou a euforia dela ao devorar tudo com pressa.

Enquanto a cadelinha comia, passava sua mão pelos cor de creme e distraia-se com o rabinho que se balançava rapidamente. Sentou-se no chão sem se importar se sujaria ou não a calça e distraiu-se um bom tempo ali.

Cici deitou-se de barriga para cima e riu passando a fazer carinho naquela área antes de seu celular vibrar.

 

Jimin

Tá perto?

 

Estranhou o modo como a mensagem estava. Normalmente Jimin era mais carinhoso ou animado digitando “Tae” ou qualquer coisa. Riu de si mesmo, estava ficando paranoico.

Levantou-se brincando mais um pouco com Cici e por fim, sentindo-se triste ao ouvir o choro da cadela, despediu-se dela e voltou a correr para a casa da próxima quadra.

Reconheceu a mochila azul – umas das cores favoritas de Jimin – quando se aproximava e apressou um pouco seus passos, tocando as costas do namorado e recebeu um sorriso torto.

 

– Vamos?

Perguntou e Jimin não fez nada mais que acenar.

Algo estava errado.

Passaram o caminho todo em silencio. Não trocaram um beijo, um abraço ou sequer conversavam, sabia que algo tinha acontecido para que Jimin mudasse da agua para o vinho em uma só noite e questionava-se sobre o que poderia ter acontecido.

Não notou quando Jimin parou no meio do caminho e somente parou de andar quando a mão fofa do namorado agarrou a alça da mochila o trazendo de volta. Estavam parados em uma esquina vazia e só agora, encarando os olhos avermelhados e inchados de Jimin, foi que viu o quão tudo estava errado.

Sequer conseguiu falar algo e continuaram ali. Uma das mãos de Jimin presas a sua bolsa, as suas nos bolsos da calça, sua boca entreaberta e olhos cabisbaixos e Jimin com seus olhos inchados. Não demorou muito até que abaixasse a cabeça, deixando mais lágrimas saírem e soltou a mochila de Taehyung.

 

– Desde quando? – Perguntou e distanciou um passo de Taehyung, agora encarando os olhos os quais era tão encantado.

Desviou quando se lembrou do brilho que secretamente viu noite passada, brilho este que nunca lhe pertencera.

– Jimin.

– Eu vi tudo. Depois que Jin hyung me deixou em casa, pensei que algo tivesse acontecido para você ter passado a me ignorar. – Uma risada sarcástica escapou quando mais lágrimas caíram. – Você não costuma sair tão tarde de casa e quando eu me aproximei da sua te vi correndo. Eu ainda não acredito que me preocupei com você, Jeongguk já deve fazer isso.

– Por favor me deixa explicar, ele não tem culpa de nada! – Defendeu e tentou se aproximar de Jimin.

– Só me responde uma única coisa. Desde quando?

– Isso não vem ao caso agora e....

– Só me responder isso logo, droga! – Gritou com a voz falha e viu Taehyung suspirar, seus olhos tão vermelhos quantos os próprios.

 

Odiava ver Taehyung chorando.

 

– No dia que eu disse que iria procurar o professor no intervalo. Fui conversar com Jeongguk e o beijei, nos beijamos, quero dizer...

– Não precisa se explicar.

– Eu preciso sim! – Dessa vez Taehyung quem gritou. – Eu amo sim do Jeongguk, é verdade, mas eu também gosto de você Jimin! Eu não sei o que fazer! Sabe o quão eu venho me odiando ultimamente? Eu sei que a última coisa que eu vou ser é a vítima, sei que tudo que tenho feito foi pura idiotice, mas não sei o que dizer e nem fazer! Eu não sei por que eu simplesmente não entendo aos meus próprios sentimentos e isso dói! Sempre que você me ligava e me falava coisas tão lindas eu tinha vontade de me desculpar e pedir que não me falasse nada daquilo. Você é tudo que eu sempre quis, mas eu tô tão confuso que sei que não mereço ter tudo isso que você me dá. Jeongguk quem pediu que parássemos, foi aí que eu entendi tudo o que ele sentia, ele também gostava de mim, você sempre soube. Ele mesmo me contou, mas eu não conseguia retribuir a nenhum dos dois por não querer magoar ninguém, mas sabia que já não tinha volta!

Taehyung falhava com sua voz e soluçava entre as palavras. Jimin chorava em silêncio, evitando olhar para o amigo e apertava suas mãos em punhos.

Era cômico o quão bobo havia sido. Ele mesmo já sabia de tudo, mas Taehyung era cego demais para ver.

 

– Você ama ele.

Soltou as palavras e esperou um tempo. Ainda chorava, mas tentava conter suas lágrimas. Taehyung parecia tão confuso quanto ele mesmo se encontrava, mas agora não deixaria que sua razão falasse, somente soltaria tudo que já sabia e aprisionava.

 

– Eu sempre soube, vocês sempre se trataram de modo especial, ainda que você tentasse ser igual comigo, era um pouco obvio que não era tão natural como com ele. Quando nos conhecemos, você sempre sorria para Jeongguk, não importava o que fosse sempre te via tratando ele como se fosse uma preciosidade. Eu sentia inveja dele, conseguiu toda a sua atenção sem nem tentar enquanto eu me matava para conseguir descobrir o que você mais gostava. Eu comecei a gostar de você sem nem me dar conta, mas quando Jeon me confessou que queria se declarar para você eu vi minha chance de conseguir pela primeira vez sua atenção. – Limpou as lágrimas e encarou Taehyung sentindo mais uma lágrima cair. – Eu te pedi em namoro ali por que sabia que você gostava de mim, mas você nunca me amou. Eu sempre soube. Jeongguk era a pessoa que você amava desde sempre e por mais que isso doesse eu tentava aceitar dia após dia quando vocês chegavam sorridente na minha casa.

Pigarreou e suspirou.

– Eu já sabia disso tem um tempo, sobre vocês dois. Eu fingi que não sabia por que está com você dessa forma era melhor do que não estar de maneira alguma, mas ontem. – Limpou os olhos, pausando por um momento. Não choraria agora. – Ontem eu vi o que estava tentando não ver a um tempo, o brilho nos seus olhos. Eles ficam tão bonitos quando você está com ele Taetae. Parece que você é a pessoa mais feliz do mundo e por eu gostar de você como eu gosto, eu sei que não sou o certo.

A esse tempo Taehyung era uma perdição de lágrimas e soluços. Lhe doía não poder e não conseguir retribuir a tudo o que Jimin sentia por si, mas machucava ainda mais não poder ficar com Jeongguk. As palavras machucadas, mas honestas, lhe mostravam mais do que a clara verdade.

Sim, ele gostava de Jimin e muito, mas era como pensava. Jeongguk era diferente.

 

Sempre foi diferente.

 

– Me desculpa.

Foi a única coisa que conseguiu dizer em meio as palavras doloridas e Jimin negou.

– Por agora, só por agora. – Abraçou Taehyung e escondeu o rosto no pescoço do amigo. – Não vamos tocar nossas feridas. Eu te amo Tae e sei que você me ama, não como eu quero, mas como um irmão e eu não quero perder isso. Eu quero manter nossa amizade, assim como quero manter a de Jeongguk, então não vamos mais nos machucar com isso, vamos seguir em frente.

Deixou que Jimin fosse embora. Continuou ali, sozinho e chorando como a criança que nunca havia deixado de ser.

 

 

 

 

 

– Fala sério!

Jin riu alto o suficiente para chamar a atenção de algumas pessoas no refeitório e Taehyung o acompanhou, deixando Yoongi um tanto quanto constrangido. Conversavam sobre uma viagem de campo que haviam feito quando mais novos e Taehyung contou sobre o macaco que havia cuspido em si.

Por mais que Yoongi não risse tanto, pode ver ele vermelho de segurar a risada.

Deixou somente o sorriso no rosto, se acalmando aos poucos. Desviou seu olhar dos amigos que voltavam a conversar sobre algo para um garoto de cabelos negros que entrou no refeitório, comprou um salgadinho no caixa e deixou o lugar sem sequer lhe olhar.

Somente se deu conta que novamente havia ficado perdido no próprio mundo quando a mão em seu ombro o trouxe de volta a realidade e viu Yoongi sorrir amarelo para si.

Todos os amigos deles já estavam cientes da história toda.

No começo, Hoseok ficara tão puto da vida que quase brigaram, mas Namjoon fora mais sensato e os separaram. Jimin e Taehyung conversavam de vez em quando. Claro que as coisas estavam voltando de pouco em pouco, mas ao menos – palavras de Jimin – já haviam esquecido as magoas maiores que foram causadas.

Notou também que nesse período de dois meses, Hoseok e Jimin estavam mais próximos. Não tão próximos como ele fora de Jimin, mas já era um bom começo e estava realmente feliz pelo amigo ter alguém bom como Hoseok.

E assim como as coisas com Hoseok e Jimin estavam dando certo para algo além da amizade, conseguira voltar ao comum com Jimin. Não ficavam mais constrangidos ou sequer mencionavam o antigo namoro. Haviam se tornado os mesmos melhores amigos de sempre.

O problema era Jeongguk.

Não procurou o garoto, assim como este não lhe procurou. Se perguntava se ele sabia que não tinha mais nada com Jimin ou sequer sabia de algo.

Os outros já tentaram fazer com que se falassem inúmeras vezes, mas a cada tentativa falha Taehyung se convencia cada de que não era pra ser.

Todo dia Jeongguk entrava na cantina, comprava os salgadinhos que gostava e depois ia para fora – Taehyung descobriu que o garoto migrava para a parte de trás da escola, uma área mais isolada – se afastando não só de si mesmo, como de todos.

Seu sorriso morrera completamente e deitou a cabeça por cima dos braços. Quando o assunto era Jeon Jeongguk era delicado demais, doloroso demais.

 

 – Vocês precisam se resolver. – Jin falou após um tempo e quis rir. Se fosse tão fácil assim. – Eu entendo que vocês precisavam de um tempo, mas já foi tempo demais Taehyung.

– Não posso discordar disso. Já faz dois meses.

Yoongi estava certo e sabia disso.

– Ele parece me odiar. – Admitiu e bateu com a cabeça na mesa de metal, reclamando. – Não sei o que fazer.

– O problema é que você pensa demais e faz de menos.

Levantou-se e encarou Jimin que ria.

– Apenas fale com o coração Tae.

 

 

 

 

 

Viu a professora finalizar o resumo e copiou as palavras finais, suspirando ao terminar. Os alunos já corriam com suas bolsas e mochilas para fora, comemorando pelo tão amado feriado e se apressou em guardar os livros, levantando-se.

A sala já estava deserta e somente ele e Jimin se encontravam nela. Viu o amigo se virar para si e sorri, se aproximando em passos curtos.

 

– Tem certeza que não vai vir hoje à noite? – Jimin lhe questionou e sorriu.

– Sim, tô meio cansado e vou aproveitar para dormir um pouco.

– Então tudo bem. – Jimin sentou-se na mesa de uma das carteiras. – Como vocês…Estão?

Sabia de quem ele falava e negou, suspirando.

– Na mesma, não nos falamos desde aquele dia.

– Vocês precisam se resolver.

– Eu sei, mas não sei como fazer isso. Tudo parece complicado demais e impossível demais quando penso em falar com ele. – Passou o dedo pelo cabelo o retirando do olho. – Mas, mudando de assunto, você e Hoseok parecem bem próximos.

Viu o rosto de Jimin corar facilmente com suas palavras e o amigo abaixar o rosto se levantando com rapidez.

 

– I-isso é bobagem, somos só amigos.

– Ah claro, vou fingir que acredito.

– Não fale essas coisas!

Riu alto quando Jimin tinha o rosto vermelho, mas ainda sim seu sorriso era radiante. Abraçou o amigo e respirou de forma aliviada.

– Fico feliz por vocês.

Conversaram por mais alguns minutos. Taehyung se sentia bem em conseguir manter uma boa e saudável conversa com Jimin como eram a tempos atrás e sem sentir culpado. Era bom e se sentia feliz por o amigo estar seguindo bem e não passar a ignora-lo.

Era como ele tinha lhe dito a meses atrás, o amava, mas era um amor de irmão.

Passou pelo portão de entrada, se despedindo do porteiro e passou a andar sem pressa para casa. Jimin não iria consigo pois hoje ele e os amigos sairiam para um show de um rapper famoso que estava de turnê. Taehyung negou o convite, ultimamente ele raramente aceitava convite para sair com os amigos e já havia ganhado o novo posto de folgado do grupo, sendo o antigo dono Yoongi.

Procurava seus fones enquanto ficava alheio ao mundo, cantarolando e andando, e acabou por esbarrar em alguém, derrubando uma quantidade considerável de papeis no chão e seu celular.

Resmungou baixo, murmurando um ‘desculpas’ rápido e se abaixo para recolher tudo.

O estranho se abaixo junto e recolheram tudo em questão de segundos, verificou se seu celular não havia sofrido danos e se levantou sem mais palavras. A mão com os papeis restante lhe fora estendida e ao levantar seu olhar para agradecer, as palavras se entalaram em sua garganta ao ver o rosto de Jeongguk a sua frente, inexpressível.

Se passou um tempo onde ambos continuaram ali. Os olhos castanhos matando a saudade dos olhos redondos e adoráveis de Jeon. Sentia vontade de abraçar o amigo, mas precisou conter seu desejo quando este desviou seu rosto, um pouco constrangido com a situação e se deu conta do que estava fazendo, voltando a guardar tudo de forma desajeitada.

 

– Você.

Iniciou sem saber ao certo como finalizar e Jeongguk negou antes que terminasse.

O garoto voltou a andar e Taehyung se viu o acompanhando passos atrás. Não esperava se encontrar com o garoto hoje, tanto que ultimamente demorava mais para sair da escola justamente com o intuito de não ter chances de se esbarrar com ele e agora se via, como meses atrás, voltando para casa com ele.

Quase esbarrara em Jeongguk novamente quando ele parou no meio do caminho e reconheceu estarem na praça onde viam Cici. A cadelinha não demorou muito tempo a latir e correr até eles, ficando sobre duas patinhas e apoiando-se na perna de Jeon. Sorriu, sentando-se no chão assim como mais cedo, e passou os dedos pelo corpo peludo, rindo quando a tal veio para cima de si, tentando lhe lamber.

Ouviu a risada de Jeongguk e este se sentou ao seu lado, retirando da mochila um saquinho com ração.

 

Então ele manteve a promessa.

 

Taehyung a alimentava pela ida na escola e Jeon pela volta, haviam combinado isso a tanto tempo e mesmo com tudo o que aconteceu o garoto não deixará de dar atenção ao bichinho deles.

Eles não se falaram durante o tempo que estavam ali, mas sentia que a medida que brincavam e conversavam normalmente com Cici, na verdade todas as palavras eram direcionadas um ao outro, principalmente quando em meios as caricias na pequena cadela, suas mãos se esbarraram e somente se entreolharam, separando-as.

O mais novo afirmou ter que ir embora por conta do horário e levantou-se também, pronto para acompanha-lo por mais algum tempo.

Seria mentira dizer que não sentia vontade de segurar a mão de Jeongguk. O clima já estava frio naquele tempo, se aproximavam do inverno e podia sentir a brisa fria lhe lembrando que não havia pego um casaco. Encarou a mão de Jeongguk e resolvera seguir as palavras de Jin quando viu que já se aproximavam de sua casa.

Não poderia perder essa chance.

Levou sua mão a de Jeongguk, entrelaçando os dedos e abaixando sua cabeça. Diferente do que pensou, não foi afastado ou recusando, na verdade, sentiu a mão de Jeongguk encaixar-se perfeitamente na sua e um aperto carinhoso lhe foi proporcionado.

 Nunca haviam andando de mãos dadas.

Jeon já havia tentando uma vez, não sabia dos sentimentos dele na época, então quando o garoto entrelaçou seus dedos aos dele, Taehyung levou na brincadeira e riu, os soltando em seguida.

Dessa fez faria diferente. Parou quando estavam duas casas da sua e Jeongguk não lhe questionou, somente parou consigo e permaneceram em silêncio.

Sem pensar muito bem, abraçou Jeongguk como havia feito na última noite que se falaram e apertou seus braços ao redor do corpo imóvel. O cheiro da lavanda de pêssego que Jeongguk usava sempre seria sua predileta no mundo todo e sentia-se feliz por poder adocicar-se com o cheiro novamente. Já Jeon não retribuiu ao abraço, seus braços continuaram largados.

 

O problema é que você pensa demais e faz de menos”

 

Agora entendia o real significado.

 

– Me desculpa. – Iniciou sem saber ao certo se aquela era a melhor forma. – Eu sei que os motivos que você tem para me odiar são mais do que o suficiente para nunca mais olhar na minha cara. Sei que tudo o que eu tenho feito ultimamente só foi idiotice, mas você parecia tão distante. Eu sempre queria poder fazer isso, te abraçar e poder falar tudo o que eu sinto, mas você me parecia tão distante que considerei que o melhor fosse te esquecer. Parecia ser impossível me aproximar de você e deixei me convencer por isso. – Fungou. Merda! Não deveria chorar naquela hora.

Os braços antes inexpressivos de Jeongguk, lhe abraçaram de volta e sorriu, apertando seu menino.

– Eu te amo. – Admitiu. – Eu te amo tanto Jeongguk e não é amor de irmão. Você me disse não ser para mim, certo? É verdade, você é tão perfeito, tão gentil que ficar comigo é algo meio difícil de acreditar. Jimin não é melhor do que você, nem aqui nem em qualquer lugar, sabe por que? – Não deu chances a ele de responder. – Por que por mais que eu já tenha gostado dele, é você quem eu sempre amei.

Fora calado por um par de lábios juntos aos seus.

O beijo não era um beijo qualquer, tinha saudades, magoa, dores de palavras não ditas e principalmente amor. Apertou os braços ao redor do pescoço de Jeongguk e sentiu quando este lhe apertou a cintura, grudando ainda mais seus corpos. Sabia que o local não era o mais correto para fazerem isso, mas no momento essa seria uma de suas últimas preocupações.

Finalizou o beijo com selares rápidos, não queria soltar Jeongguk. Tinha medo de que isso fosse um sonho ou peça de sua mente, por isso não hesitou em grudar suas testas, sentindo tanta falta disso e riu sozinho.

 

– Isso não é um sonho, certo?

Riu com Jeongguk e beijou seus lábios novamente.

 

– Eu te amo. – Jeongguk confessou e fechou os olhos, buscando a mão de Taehyung.

Beijaram-se novamente, matando toda a saudade e falta que sentiam um do outro.

 

Tudo que importava era eles.

 

 

 


Notas Finais


Olá! Bem, eu já tinha essa shot escrita a um boooom tempo, mas só tomei vergonha na cara para postar agora. :p

Eu espero que tenham gostado e peço que comente e favorite (isso é muito importante <3)!!!
Até uma próxima!!! (já me desculpo por qualquer erro de gramática)


https://spiritfanfics.com/historia/labios-macios-deixam-e-ficam-dormentes-6955074/capitulo1


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