História A Doce Amizade dos Loucos - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)
Personagens Absolem, a Lagarta, Alice Kingsley, Chapeleiro Maluco, Coelho Branco, Dormidonga (Mallymkun), Gato de Cheshire (Gato Risonho), Lebre de Março, Rainha Branca, Rainha Vermelha, Tweedle-Dee, Tweedle-Dum
Tags Alice Kingsleigh, Amizade, Felicidade, País Das Maravilhas, Recomeço
Visualizações 160
Palavras 3.010
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Aqui está o que vocês tanto desejavam: a loucura de todos os loucos do País das Maravilhas. ;3
Boas Lonjuras!

~Rockeiro Sem-Noção.

Capítulo 3 - País das Maravilhas


 

Alice gemeu pelo desconforto físico de ter caído de cara no chão antigo daquela mesma sala misteriosa.

 

Sentando-se no chão, Alice olhou ao redor. Ela se encontrava naquela sala circular, onde uma porção de portas percorria as paredes, mas nenhuma delas estava destrancada. Olhando para aquelas portas misteriosas, Alice sempre teve a teoria maluca de que, talvez, aquelas portas dessem acesso à outros mundos como o País das Maravilhas, se ela tivesse as chaves de cada uma delas.

 

Ao se levantar do chão, Alice andou diretamente até uma cortina velha e escura. Empurrando-a para o lado, ela encontrou a pequena porta trancada logo no rodapé da parede. Alice já sabia o que tinha de fazer agora. Virando-se, ele avistou uma mesa de vidro e ferro fundido no centro da sala. Nela, estava uma chave antiga e um frasco de vidro com a bebida mágica e intragável conhecida como Suco Minimizador.

 

Alice andou até a mesa e se abaixou. Seus olhos castanhos percorreram as pernas da mesa até se depararem com uma caixinha de vidro que continha um bolinho cremoso. Era o Altestrudel. Alice pegou a caixa e a colocou sobre a mesa.

 

Sua adrenalina estava nas alturas. Ela nem acreditava que estava fazendo isso.

 

Depois de abrir a caixa de vidro, Alice arrancou um pedaço do bolo que dizia “coma-me” e foi até a pequena porta, onde deixou a migalha do bolo bem na frente dela. Voltando para a mesa, Alice pegou a chave na mão e o frasco que dizia “beba-me”. Ela sabia que iria perder aquele seu vestido colorido da China também e ficaria só com os trajes longos e íntimos por baixo – mas depois de ter passado por tanta coisa, ela já nem ligava mais para bens materiais como a maioria da sociedade hipócrita em que ela vivia.

 

Então, sem mais, nem menos, Alice abriu o frasco e entornou um tanto do Suco Minimizador. Feito isso, ela tossiu com o sabor horripilante e deixou o frasco sobre a mesa.

 

De repente, ela começou a sentir o seu corpo diminuir de tamanho. O teto da sala parecia mais alto e o chão mais vasto. Logo mais, ela acabou se escondendo dentro de uma caverna infinita de tecidos coloridos e, por fim, foi encolhida em poucos centímetros.

 

Alice saiu debaixo de todo o vestido colorido, trajando apenas a roupa de baixo. Ela já estava com a chave em mãos, então saiu correndo até a pequena porta. Alice pegou a migalha do Altestrudel nos braços, pois tinha o tamanho de uma “miniatura” de bola de croqué em comparação ao seu tamanho atual.

 

Rapidamente, Alice enfiou a chave na fechadura da porta e a destrancou.

 

Assim que a porta se abriu, Alice fora arrebatada pela beleza extraordinária do País das Maravilhas.

 

Ao passar pela porta, ela nem a ouviu fechar e pouco se importou pelo fato bizarro de só ter um céu azul e vasto atrás de uma porta solitária no topo de uma escadaria de pedra. Alice foi descendo os degraus de pedra antiga até chegar o chão de grama verde e flores coloridas.

 

Tudo estava lindo como da última vez. Tinha moscavalos voando e relinchando pelo ar e alguns porcos correndo entre os arbustos verdes. Alice foi andando totalmente extasiada com a migalha do Altestrudel nos braços. Logo ela se deparou com um grande portão negro que estava aberto e mostrava jardins e mais jardins, onde, talvez, aquelas flores tagarelas estariam a esperando para dar as boas-vindas.

 

Agora, Alice não se importava de desviar de xícaras arremessadas pelo ar, de beber chá o dia todo, de correr o risco de perder a cabeça, de se assustar com gatos que surgem do nada e lhe sorriem até as orelhas, e de um louco que a faria experimentar todos os tipos de chapéus que ele criasse do nada.

 

Alice estava em casa. Sua casa desde sempre. E era só isso que importava nesse momento.

 

-Seja bem-vinda, Alice...-Alice murmurou, sorrindo em pura felicidade.

 

Ao morder várias vezes a migalha do Altestrudel, Alice sentiu seu corpo aumentar de tamanho ao passo que o chão estava mais longe dela e ela podia ver tudo com mais altitude. Ela acertara o seu tamanho original com perfeição. Ela estava pronta agora.

 

Por fim, Alice inspirou o ar inebriante do País das Maravilhas e atravessou os portões.

 

:

 

Como era esperado, Alice fora recebida primeiramente por todo o jardim das flores vivas. Elas ficaram surpresas por verem Alice andando por ali como se estivesse perdida em seu próprio mundo perfeito. Ela lhe indicaram o melhor caminho para Marmoreal, onde todos os seus amigos moravam atualmente com Mirana de Marmoreal, a Rainha Branca.

 

Alice sabia que ainda havia muito chão para andar até porque o País das Maravilhas não tinha a tecnologia que a Terra tinha, aliás o jeito mais legal de viajar era de chapéu. Só de pensar em todas as lembranças loucas e divertidas que teve com loucos tão amáveis e hilariantes, Alice sentia que poderia sair voando de uma vez.

 

No momento, a loira muitaz se encontrava em uma floresta fechada e escura bem depois da floresta de cogumelos, onde Absolem costumava ficar sentado com o seu narguilé repleto de névoas ondulantes. Alice conhecia muito bem aquela floresta. Os galhos das árvores se entrelaçavam de forma confusa e eram tão retorcidos que pareciam ter cachos iguais aos seus cabelos longos e loiros. Ainda era dia – mas a luz do Sol, ou sabe-se lá o que iluminava aquela terra mística, mal penetrava os galhos e ramos das árvores.

 

Alice olhou no horizonte da floresta retorcida e escura, e avistou uma luz bem no fim dela. Era a saída. Ela continuou seguindo em frente, porém mal percebeu uma bruma azul-acinzentada voar por trás dela e pousar em um galho longo.

 

-Seria uma alucinação de meus sonhos loucos, ou é a verdadeira Alice?-aquela voz sensual e provocante ronronou.

 

Alice parou no mesmo instante.

 

Seu corpo todo girou para trás e seus olhos castanhos contemplaram o lindo Gato Risonho deitado e aconchegado no galho alto de uma árvore. Seu sorriso perpétuo era tão largo que alcançava suas orelhas felinas.

 

-Cheshire...-Alice sorriu e sentiu seu queixo tremer ligeiramente.

 

-O que está fazendo aqui, menina?-Cheshire quis saber.-Não disse que nunca mais iria voltar quando estava atravessando o espelho?

 

-Eu tive de voltar, Cheshire.-Alice respondeu, ainda sorrindo como se fosse o próprio gato.-Minha vida lá em cima não tem andado muito boa, então... eu decidi voltar...

 

Cheshire diminuiu seu sorriso um pouco, demonstrando certa curiosidade.

 

-Os problemas andam te atormentando, não é, Alice?-Cheshire perguntou como se já soubesse de tudo.-E por quanto tempo ficará?

 

Alice engoliu em seco – ela ainda não imaginava que conseguiria responder à essa questão. Mas respirou fundo, mesmo assim, para reunir coragem.

 

-Para sempre.-Alice diz, por fim.

 

-Para sempre?-Cheshire parou de sorrir no mesmo instante.-Como assim para sempre?

 

-Cheshire, eu andei refletindo muito sobre a minha vida lá em cima.-Alice está dizendo.-Eu pude perceber que ganhei aqui mais do que ganhei na terra de onde eu vim. Eu posso ter realizado os meus sonhos lá em cima, mas aqui... eu me sinto bem.

 

O sorriso do Gato Risonho retornou ao seu rosto peludo e felino – o que faz a loira muitaz rir disso.

 

-Entendo perfeitamente.-Cheshire se pronunciou.-E para onde pretende ir agora, Alice?

 

-Por favor, Cheshire.-Alice pediu-lhe de maneira quase suplicante.-Me leve até eles.

 

Naquele momento, Cheshire nunca se sentira tão honrado em fazer aquilo mais uma vez.

 

-Pois bem.-Cheshire sorriu largamente.-Eu levarei você até a Lebre e o Chapeleiro. Isso e nada mais...

 

***

 

Alice contou tudo à Cheshire na sua viagem até Marmoreal. Contou sobre a sua mãe e sua morte trágica. Contou sobre a partida da sua irmã para um país estrangeiro. E não deixou de contar sobre o seu pai e todas as viagens que ele fez no mundo lá de cima. Ela contou sobre tudo o que fez; sobre tudo que ganhou; e também sobre tudo que perdeu.

 

Cheshire ouviu tudo com muita atenção enquanto levitava ao lado de Alice. Ele fez algumas poucas perguntas sobre sua família e sobre o seu mundo como se já fosse o suficiente.

 

Quando Alice terminou de contar toda a sua história, ela percebeu que eles já se encontravam andando pelo caminho de mármore ladeado por cerejeiras floridas. E, mais à frente, estava o suntuoso e majestoso palácio branco de Mirana. Alice tinha certeza de que todos eles estavam por ali em algum lugar escondidos e se divertindo.

 

Ela parou diante de um pátio de puro mármore branco e olhou ao redor. Não tinha ninguém ali, nem os súditos de Mirana. Ela olhou para o Gato Risonho ao seu lado, que apenas sorriu mais, se fosse possível.

 

-Lembre-se de uma coisa, Alice.-Cheshire murmurou para ela.-Os problemas podem nos atormentar e nos derrubar sempre, mas só você pode decidir enfrentá-los, ou deixar se afundar com eles num poço de melado até porque... você é Alice, não?

 

Alice esboçou um sorriso divertido e desconfiado.

 

-Vem cá, o meu nome não parece ser só um nome para vocês, não é?-Alice perguntou, rindo.

 

-Não.-Cheshire respondeu, rindo também.-Para nós, o seu nome é uma filosofia de vida que todos devemos seguir de corações abertos e sorridentes...

 

Então, Cheshire saiu flutuando até o lado esquerdo do caminho de mármore em direção às cerejeiras.

 

-Ei! Vai me deixar aqui sozinha?-Alice exigiu saber.

 

-É óbvio que não.-Cheshire não deixou de rir.-Se me seguir, você estará junto de todos os loucos mais uma vez.

 

É claro que Alice não pensou duas vezes para sair marchando atrás de Cheshire.

 

Eles foram andando pelas florestas de cerejeiras. Tinha pétalas rosadas e delicadas voando na brisa fresca e cobrindo a grama verde com um tapete fofo e perfumado. Eles subiram e desceram algumas poucas ladeiras e parecia que estavam perdidos, aliás tudo era rosa ali com tantas cerejeiras pra lá e pra cá.

 

Alice já estava se sentindo desnorteada.

 

De repente, eles se aproximaram de uma grandiosa estátua de pássaros branco e pararam ali. Cheshire apontou com sua pata para uma direção e Alice pôde ver uma cena que jamais esperaria ver em toda a sua vida.

 

Lá estavam Mirana de Marmoreal, a Rainha Branca, e Iracebeth de Carmesim, a Rainha Vermelha, juntas no que parecia ser um jogo de xadrez. Elas estavam sentadas em bancos de mármore numa mesa. Vestiam os mesmos vestidos de branco e vermelho. Mirana parecia estar organizando as peças brancas e pretas no tabuleiro de xadrez enquanto Iracebeth parecia tentar esperar mesmo que estivesse fazendo caretas engraçadas pela demora.

 

É claro que vale ressaltar que a cabeça de Iracebeth estava enorme, monumental e clinicamente gigantesca como sempre.

 

Alice e Cheshire ficaram observando de longe.

 

Após Mirana ter colocado a peça da rainha branca no tabuleiro, Iracebeth suspirou aliviada.

 

-Tudo bem, Mirana.-Iracebeth diz evidentemente impaciente.-Agora pode me dizer como se joga essa jeringonça?

 

-Irace, deve-se saber que no xadrez, você não joga o jogo.-Mirana diz com um ar de sabedoria ancestral.

 

-Ah, não?-Iracebeth franziu o cenho.-Então?

 

-Você joga o seu oponente.-Mirana respondeu de imediato.

 

-O quê?-Iracebeth questionou.

 

Então, a Rainha Branca se levantou do seu banco, pegou todas as suas peças brancas do xadrez e simplesmente começou a jogá-las em Iracebeth. A Rainha Vermelha, em fúria, pegou todas as peças pretas e começo a atirá-las em sua irmã também.

 

Logo mais, as duas irmãs que, outrora, foram separadas por um trauma da infância agora corriam e riam de um lado para o outro ao passo que jogavam peças de xadrez uma na outra.

 

Alice acabou rindo daquela cena engraçada que ao mesmo tempo inspirava o amor fraterno e Cheshire apenas ficou se comprazendo com isso.

 

-Cheshire, pode me dizer o que andou acontecendo por aqui?-Alice quis saber, ainda rindo.

 

-Bom, Mirana e Iracebeth fizeram as pazes depois de tantos anos brigadas.-Cheshire explicou, sorrindo.-Mirana acabou deixando que Iracebeth morasse com ela aqui em Marmoreal e agora as duas rainhas governam o País das Maravilhas com sabedoria e liderança.

 

-Isso é...-Alice fez uma pausa.-Despossível.-e sorriu.

 

-Concordo.-Cheshire riu.-Só não comente das noites mal-dormidas de Mirana depois que Iracebeth come um jantar farto. Ela parece um porco por roncar daquele jeito.

 

Alice riu de novo e olhou para as duas irmãs rainhas. Agora, elas estavam arrancando grama do chão e jogando uma na outra, apesar de ambas nem terem mais forças para isso por estarem rindo tanto.

 

-Repare um coisa.-Cheshire apontou.-Iracebeth agora tem a sua própria coroa e feita sob medida.

 

Os olhos castanhos de Alice se focaram numa coroa dourada que tinha uma base de formato bizarro para se encaixar perfeitamente no cabelo vermelho de Iracebeth, que mais parecia um coração gigante.

 

-Quem fez essa coroa?-Alice diz curiosamente.

 

-Alguém tão louco como você chamado Tarrant...-Cheshire responde como se fosse o conceito mais simples que existe.

 

Silêncio.

 

-Chapeleiro.-Alice olhou para Cheshire.-Onde ele está?

 

-Talvez, ele esteja preparando a mesa para a hora do chá.-Cheshire diz pensativamente.-A Mally e o Tachery fizeram docinhos deliciosos. Pra falar a verdade, eles nunca se cansam disso.

 

Alice, então, olhou para Cheshire como se pedisse permissão para andar até as Rainhas Vermelha e Branca. Ele apenas assentiu e ela foi andando rapidamente com ele a seguindo pelo ar.

 

Agora, Mirana e Iracebeth estavam sentadas no chão e se desmanchando de tanto rir.

 

-Que jogo idiota!-Iracebeth esbravejou.-Por quê um cavalo pegaria um peão?

 

-E por quê cargas d’água construir um castelo de cartas?!-Mirana gritou, toda risonha.

 

E as duas rainhas voltaram à rir de novo. Porém, elas só pararam de rir quando viram algo que as fizeram desacreditar em seus próprios olhos.

 

Era Alice – e ela vinha andando em sua direção. Mirana e Iracebeth se levantaram do chão e permaneceram boquiabertas ao ver que Cheshire guiava Alice até elas.

 

Enfim, a loira muitaz parou diante das duas rainhas e sorriu para elas.

 

-Olá.-Alice diz num gentil sorriso.

 

-Olá, Ahm.-Iracebeth brincou.

 

-Olá, Alice!-Mirana saudou-a, sorrindo, mas franziu o cenho.-Mas o que você faz aqui?

 

-Eu vim ficar.-Alice responde simplesmente.

 

-Ficar?-Iracebeth olhou-a da cabeça aos pés.-E por quanto tempo?

 

-Para sempre.-Alice riu.

 

-Não...-Mirana tapou a boca e sorriu.-Você veio morar com nós? Todos nós?

 

-Vim.-Alice assentiu.

 

-E que idéia foi essa?-Iracebeth quis saber.-Teve essa idéia quando acabou de sair da cama?

 

-Iracebeth, não seja ignorante!-Mirana deu um tapa no ombro de sua irmã.-Não vê que a menina está sem uma roupa decente? Vá buscar roupas para ela!

 

-Ih, a casa é sua. Os súditos são seus.-Iracebeth cruzou os braços, teimosa.-Os meus súbitos eram um bando de hipócritas mentirosos mesmo.

 

-Olha, não precisam me vestir agora.-Alice interveio, sem deixar de sorrir com puro divertimento.-Eu só quero sentar e tomar um chá.

 

-Tomar um chá?-Mirana sorriu, animada.

 

-Nossa amada Alice passou por maus bocados no mundo em que ela veio.-Cheshire explicou brevemente.-Acho que um bom chá quente terá o poder de acalmar os nervos dela.

 

-Oh, Alice, você chegou bem na hora do chá!-Mirana exclamou alegremente.-Você é a nossa convidada de honra agora, então pode vestir o que quiser! Venha!

 

Num instante, Mirana e Iracebeth pegaram nas mãos de Alice e saíram conduzindo-a pelas florestas de cerejeiras. Cheshire apenas riu disso e foi seguindo ela na levitação.

 

-O Chapeleiro vai ficar muito animado de ver você.-Mirana está dizendo.

 

-Isso mesmo.-iracebeth afirmou.-Só não coma as minhas tortas.-e riu.

 

-Chega disso, Irace!-Mirana repreendeu-a.

 

-É engraçado!-Iracebeth riu.

 

-Então, vai ser muito engraçado quando eu cortar a sua cabeça!-Mirana rebateu.

 

-Agora você está apelando!-Iracebeth rebate de volta.

 

De fato, Alice estava sentindo saudades disso, pois seu sorriso era puramente feliz.

 

:

 

Alice foi levada até um outro canto das florestas de cerejeiras. Ela pôde imaginar onde estava quando ouviu uma certa folia animada e gritante, e um som de porcelana sendo atirada para todos os lados.

 

Num instante, Alice se deparou com o que tem sonhado todas as noites.

 

A mesa era grandiosa e feita de mármore puro e ao redor dela estavam todos os loucos que tanto a amavam e a admiravam.

 

Primeiramente, Alice avistou o seu amado animalzinho feroz, o Capturandam, que, ao lado de Bayard, roía um enorme osso de uma criatura que parecia ser pré-histórica sobre a grama verde. Os gêmeos idênticos que viviam se contradizendo, Tweedle-Dum e Tweedle-Dee, pareciam estar brincando de cavaleiros com suas espadas de madeira esculpida. Mallynkum, a Dormidonga, estava sentada numa cadeirinha no topo de uma pilha de livros e limpava a sua espada com um pano em um sorriso orgulhoso, mesmo que sua arma mais parecesse um alfinete. Tachery Earwicket, a Lebre de Março, estava servindo chá quente para Nivens Mctwisp, o Coelho Branco, que olhava as horas em seu relógio de bolso de vez em quando.

 

E lá na cabeceira da mesa estava o amigo mais leal, louco e admirador de Alice, Tarrant Cartola, o Chapeleiro Maluco. Ele estava prestes a beber da sua xícara de chá quando viu algo maravilhoso à sua frente.

 

Alice sorriu ao ver Tarrant olhando diretamente para ela de um jeito quase obsessivo. Ela sabia que ele não estava crendo em seus próprios olhos – mas isso era um bom sinal.

 

Como todos estavam falando ao mesmo tempo com palavras sendo atiradas para todos os lados, junto das xícaras, broas e cubos de açúcar, alguém tinha de usar o seu vozeirão poderoso para calar todos.

 

-CALEM AS BOCAS, OU EU CORTO SUAS CABEÇAS!!!-Iracebeth berrou furiosamente.

 

O efeito foi instantâneo.

 

Todos os olhos se viraram para Mirana, Iracebeth, Cheshire e, principalmente, Alice.

 

Ninguém conseguiu reagir, falar, nem piscar os olhos. Aquele momento fora arrebatador e extraordinário demais.

 

Porém, só houve alguém muitaz o suficiente para se levantar de sua cadeira e simplesmente sair andando por toda a mesa de chá sem se importar de pisar nos bules de chá e nas tortas de frutas.

 

Tarrant andou por toda a mesa de chá e finalmente pisou na grama verde bem diante de Alice Kingsleigh. Ele sorriu debilmente como se estivesse em profundo delírio.

 

-É você mesmo?-Tarrant murmurou com uma voz bem boba.

 

-Sou eu, Tarrant.-Alice sorriu docemente.-Eu vim para ficar.

 

E, no minuto seguinte, Tarrant se inclinou para trás e tombou todo desmaiado na grama.

 

Já era de se esperar.

 



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