História A Doce Amizade dos Loucos - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)
Personagens Absolem, a Lagarta, Alice Kingsley, Chapeleiro Maluco, Coelho Branco, Dormidonga (Mallymkun), Gato de Cheshire (Gato Risonho), Lebre de Março, Rainha Branca, Rainha Vermelha, Tweedle-Dee, Tweedle-Dum
Tags Alice Kingsleigh, Amizade, Felicidade, País Das Maravilhas, Recomeço
Exibições 44
Palavras 2.013
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Acabei de acordar tem pouco tempo. Talvez, eu vá dormir mais um pouco, mas tenho que voltar à escrever algo bem lindo, gostoso - e novinho.
Boas Lonjuras!

~Rockeiro Sem-Noção.

Capítulo 4 - Surreal


 

Depois de toda a folia animada por Alice estar de volta ao País das Maravilhas – ela, então, começou a explicar o motivo por ela ter voltado para lá. Logo, todos os risos e sorrisos foram substituídos por atenção e compaixão. Ela contou tudo o que vinha acontecendo na sua vida. Contou sobre os seus ganhos e perdas; suas admirações e decepções; seus momentos de felicidade e tristeza.

 

Alice contou para todos os seus amigos que ela viajara por todo o seu mundo, seguindo os passos de seu pai até que ela acabou perdendo isso pela morte de sua mãe e, depois que se despediu de sua irmã, não encontrou lugar melhor para tentar se sentir bem do que o País das Maravilhas. Todos ouviram suas palavras simples e emotivas com atenção e profundo silêncio. Até Tarrant, que tinha acabado de acordar do seu desmaio, estava sério demais para ser o louco que fazia chapéus o dia todo.

 

Naquele momento, todos aqueles loucos pareciam estar sentindo o mesmo que Alice sentia como se já tivesse passado por isso. Até Iracebeth aparentava estar triste e compassiva por ouvir isso – o que não eram aspectos de sua natureza furiosa e tirana de alguns anos atrás.

 

-Ela tinha uma doença...-Alice está dizendo enquanto remexia a colher dentro de sua xícara de chá.-Uma doença que a devorava por dentro todos os dias... os médicos disseram que o estágio dessa doença estava avançada demais e não podiam fazer mais nada para ajudá-la... ela foi emagrecendo, ficou fraca e com olheiras nos olhos que perderam todo o seu brilho... eu nem a reconhecia mais...

 

Ao lado de Alice, Mirana estava sentada e até parou de comer o seu bolinho de marshmallow depois que ouviu toda aquela triste história. Ela pegou na mão de Alice delicadamente.

 

-Que doença terrível era essa, Alice?-Mirana quis saber.

 

-Os médicos disseram que era câncer.-Alice respondeu, suspirando longamente.-Ninguém percebeu que era algo tão grave e... quando percebemos, já era tarde demais. Ela foi enterrada com rosas brancas que eu mesma pintei de vermelho...

 

Iracebeth esboçou um pequeno sorriso por sentir essa lembrança viva na mente.

 

-Pelo menos...-Iracebeth murmurou gentilmente.-Foi um gesto criativo.

 

Alice sorriu de volta – mas de um jeito bem tristonho.

 

-Você estava se sentindo triste e solitária, Alice...-Tarrant se pronunciou.-E, por isso, veio ficar com nós?

 

-Eu não posso mentir que vocês me fizeram rir e me emocionar mais do que as pessoas do meu mundo.-Alice explicou, sem deixar de sorrir.-Foi uma idéia maluca e maravilhosa que explodiu na minha mente. Assim que vi minha irmã partindo naquele navio, eu vendi tudo da minha casa, vendi a casa para um bom casal que esperava uma criança e só me despedi daquele mundo antes de me atirar de cabeça no toca de coelho.

 

-Foi bom você ter vindo para cá, Alice.-Mirana diz docemente.-Não se preocupe. Vamos cuidar de você agora.

 

-Obrigada...-Alice sorriu.

 

-Absolem sentiu que você precisava de ajuda, Alice.-Mctwisp informou.-Ele ficou observando você por muito tempo e eu ainda me aventurei em sair da toca para ver o que estava acontecendo com você.

 

-Então, por isso, tinha pêlo de coelho na minha cama.-Alice não deixa de rir.

 

-Você sabe que pode contar com a gente, menina!-Mallynkum exclamou, levantando sua espadinha por algum motivo desconhecido.-Nós vamos sempre estar aqui até porque o chá parece ser inesgotável.

 

-Vocês devem ir ao banheiro toda hora com os litros de chá que beme o dia todo!-Iracebeth rebateu.

 

-Chá é uma bebida antioxidante, Iracebeth.-Tarrant diz sabiamente.-Nossos corpos estão puros como cristal brotando de uma cachoeira.

 

-É uma prática espiritual!-Tachery esbravejou histericamente.-Aliás, qual seria a graça de celebrar o seu aniversário em um só dia do ano?

 

-É uma filosofia de vida.-Tweedle-Dum apontou.

 

-Não. É uma tradição do nosso povo.-Tweedle-Dee corrigiu.-Bebemos chá como uma dieta milenar.

 

-Filosofia de vida.-Tweedle-Dum insistiu.-Faz parte das nossas vidas. Está no nosso sangue.

 

-São os dois lados do mesmo espelho...-Cheshire murmurou num sorriso largo e sensual.

 

-Sinceramente, eu pensei que vocês tomavam chá porque era uma mania obsessiva.-Bayard comentou, confuso.

 

-Pra mim, um bule de chá já basta.-Iracebeth diz, levantando as mãos como se desculpasse.

 

-Ah, o floral é o meu favorito.-Mirana sorriu, animada.

 

E todo mundo começou a tagarelar ao mesmo tempo. Até o Capturandam estava rugindo junto. Eles jogavam cubos de açúcar e broas uns para os outros e conseguiam pegar no ar com total precisão. Para alguns, começar a rir depois de uma história triste poderia ser grosseiria – mas para Alice não. Todos aqueles loucos tagarelando e jogando coisas pelo ar era como uma cura para a sua alma machucada. Era ali que ela se sentia bem e isso a fez sorrir como nunca antes.

 

Eventualmente, Tarrant se inclinou sobre a mesa de chá até perto de Alice e sorriu para ela.

 

-Você sentiu falta de todos nós, não é, Alice?-Tarrant perguntou, todo sorridente.

 

-Como não sentir falta de vocês?-Alice riu.

 

-E você sentiu falta de mim?-Tarrant diz, todo animadinho.

 

Ela só sorriu mais para o seu grande amigo.

 

-Como não sentir falta de você?-Alice diz num sorriso feliz.

 

:

 

Agora que Alice iria morar no País das Maravilhas, Mirana logo lhe concedeu um dos quartos suntuosos de seu palácio.

 

Nem na Inglaterra, Alice já teve a oportunidade de entrar no quarto de um palácio real – mas ela sabia que no País das Maravilhas ela teria tudo o que sempre quis.

 

O quarto era todo branco e de teto alto. Possuía uma grande janela quadriculada que revelava uma vista perfeita e maravilhosa para as florestas de cerejeiras de Marmoreal. Tinha tapetes azuis e belos móveis brancos com ornatos azuis como penteadeira, poltrona, divã, escrivaninha e mesa de cabeceira. Já a cama era simplesmente enorme e era toda azul com um elegante dossel por cima.

 

Alice ficou maravilhada com o luxo grandioso que viu diante dela e, é claro, que ela foi logo correndo até o guarda-roupa incrustado na parede, só para dar de cara com uma coleção inteira de vestidos de noite, vestidos de verão, vestidos mais simples e confortáveis, e até tinha casacos de inverno, cachecóis e lindas sapatilhas.

 

Mirana e Iracebeth pararam ao lado de Alice. Ambas pareciam se comprazer com o sorriso luminoso e animado de Alice até porque ela só vestia uma reles roupa de baixo.

 

-O Chapeleiro já está preparando uma coleção inteira de chapéus para você experimentar.-Mirana diz para Alice num sorriso gentil.-E ainda vai deixar você escolher um chapéu para usar a cada dia.

 

-Eu ainda sinto que ele me fez aqueles chapéus bizarros só para tirar sarro da minha cara.-Iracebeth diz pensativamente.

 

-Irace, você era insuportável para todo mundo naquela época.-Mirana está dizendo.-E você sabe como o Chapeleiro gosta de tirar sarro de tudo o que vê pela frente.

 

-Mirana!-Iracebeth agarrou os cabelos vermelhos.-Ele colocou um pato na minha cabeça! Isso lá é coisa de gente normal?

 

-Ninguém é normal aqui.-Mirana balançou a cabeça, rindo.-Você matou o Stayne para se soltar das algemas. Pensa que eu não sei?

 

-Aquele patife mentiroso não tinha lado...-Iracebeth bufou de um jeito infantil.

 

As duas irmãs, então, se tocaram que Alice estava encarando elas num sorriso divertido.

 

-O que foi?-Mirana piscou os olhos de maneira inocente.

 

-Ah, nada...-Alice riu em diversão.-É que ver vocês duas assim ainda me é muito surreal.

 

-Ah, se não fosse a comedora de tortas aqui, você nos veria assim muito mais vezes.-Iracebeth brincou.

 

-Irace, você sabe que eu amava as tortas da mamãe!-Mirana rosnou.

 

-Oh, sim!-Iracebeth diz, rindo.-Eu não sei como você não engordava daquele jeito. Alice, se você visse a quantidade de tortas que essa pateta conseguia comer...

 

-Você ronca depois do jantar!-Mirana esbravejou.

 

Alice sugou os lábios para dentro da boca numa tentativa quase falha de não rir. Iracebeth olhou para Mirana que, arregalou os olhos, e saiu correndo do quarto.

 

-Mirana de Marmoreal!-Iracebeth gritou.-Eu vou cortar a sua cabeça fora e colocar ela num mastro!

 

Alice assistiu Iracebeth sair correndo pelo seu novo quarto atrás de Mirana e só se ouviu o som da porta batendo com força e os gritos das duas irmãs ecoando pelos corredores do palácio. Alice apenas riu disso.

 

-É, de fato, surreal mesmo.-a voz de Cheshire veio aos ouvidos de Alice.

 

De repente, o Gato Risonho surgiu no ar levitando sobre a cama de Alice.

 

-Antes eram duas irmãs rivais separadas por um trauma de infância.-Cheshire está dizendo.-Um trauma de infância que, para qualquer adulto, não é nada de mais, porém provocou uma ruptura vasta entre essas duas irmãs. Agora, uma ponte se ergueu por cima dessa ruptura e essas irmãs estão unidas novamente como se jamais tivessem sido separadas... é mesmo muito surreal, eu concordo.

 

-Cheshire?-Alice sorriu de canto.-Não vai ficar aí enquanto eu troco de roupa, vai?

 

-Eu posso rosnar quando estou feliz e abanar o rabo quando estou com raiva.-Cheshire sorriu largamente.-Mas a verdadeira Alice deve ser preservada eternamente em toda a sua muiteza.

 

-Vem cá.-Alice riu.-Eu sou alguma deidade para vocês aqui?

 

-Você foi nossa heroína no Glorianday e também quando salvou o Grande Relógio de Todo O Tempo.-Cheshire explicou.-Por quê não venerá-la?

 

E Cheshire desapareceu no ar sem mais, nem menos.

 

Alice riu disso.

 

:

 

A luz azul da Lua cheia entrava pela grande janela do quarto e alguns poucos vaga-lumes voavam brilhantes e misteriosos pelo ar da noite.

 

Alice havia tomado um banho de banheira bem longo e cheio de espuma na suíte do seu quarto. Ela nem se lembrava da última vez em que tomou um banho tão maravilhoso como aquele e saiu das águas se sentindo renovada.

 

Ela estava sentada na cadeira de sua penteadeira. Vestia um robe azulado e confortável enquanto se penteava diante do espelho com um longo pente negro. Alice não deixara de notar que o seu semblante parecia um milhão de vezes melhor do que antes de ela se atirar naquela toca de coelho. Seu rosto estava mais corado e mais luminoso, e seus olhos castanhos tinham mais brilho do que antes.

 

De fato, Alice se sentia melhor, muito melhor.

 

Há uma batida na porta e de um ritmo bem bizarro, e Alice sabia quem poderia bater na porta assim.

 

-Pode entrar, Tarrant.-Alice sorriu divertidamente.

 

Ouve-se o som da porta sendo aberta e depois fechada. Tarrant surgiu logo depois e estava simplesmente trajando um pijama todo colorido com uma touca na cabeça de cabelos ruivos. Alice olhou para ele da cabeça aos pés sem acreditar no que via.

 

-Chapeleiro?-Alice franziu o cenho.-Você não veio andando da sua casa até aqui vestido num pijama, não é?

 

-Pijama?-Tarrant diz curiosamente.-Que pijama?

 

Alice riu e deixou isso de lado.

 

-O que você tem aí?-Alice perguntou ao ver que o seu amigo segurava um embrulho em seda.

 

-Oh, sim!-Tarrant sorriu.-Eu estava andando por aí e olha só o que eu encontrei?

 

O Chapeleiro Maluco abriu o embrulho e segurou nas mãos um lindo vestido todo colorido. Alice não deixou de sorrir ao ver que Tarrant havia trazido o seu último vestido da China de volta para ela.

 

-É uma peça deslumbrante.-Tarrant está dizendo ao dobrar o vestido cuidadosamente e colocá-lo sobre a penteadeira.-Se o meu ofício fosse fazer vestidos, você usaria um mais lindo que o outro todos os dias. Mas o meu ofício é fazer chapéus.

 

-Combina muito mais com você.-Alice riu em diversão.

 

-A Rainha Branca e a Rainha Vermelha vão dar uma festa de boas vindas para você, Alice.-Tarrant está dizendo.-Eu gostaria muito de lhe fazer um chapéu para essa ocasião especial.

 

Parando para pensar agora, Alice nunca teve o privilégio de usar um dos chapéus do Chapeleiro Maluco. Isso seria mil vezes melhor do que uma reles medalha de honra.

 

-Tarrant...-Alice diz, sorrindo.-Faça os chapéus que você quiser porque eu os usarei todos os dias.

 

Então, o rosto de Tarrant se iluminou todo e até seu pijama e maquiagem nos olhos pareceu ficar vários tons mais coloridos.

 

-Obrigado, Alice.-Tarrant agradeceu, todo sorridente.-E bons sonhos.

 

Tarrant foi andando até a porta do quarto e desapareceu nela, deixando Alice sozinha.

 

Só o fato de Tarrant estar andando por Marmoreal só de pijama já faria Alice ter bons sonhos com coisas engraçadas, envolvendo pijamas e chapéus.

 



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