História A Duquesa de Konoha - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Kakashi Hatake, Karin, Naruto Uzumaki, Sai, Sakura Haruno, Sarada Uchiha, Sasuke Uchiha, Suigetsu Hozuki
Tags Drama, Época, Narusaku, Naruto, Orihimeba, Sakura, Sarada, Sasukarin, Sasuke, Sasusaku, Shipp, Traição
Exibições 257
Palavras 4.496
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 17 - Capítulo17


Fanfic / Fanfiction A Duquesa de Konoha - Capítulo 17 - Capítulo17

 

~ Sakura ~

 

Me remexi devagar na cama, sentindo todos os meus músculos doloridos e tensos. Tentei me aconchegar de novo na cama e dormir mais um pouco, quem sabe assim a dor passava, mas a cama se mexeu também e então todas as imagens do dia anterior passaram rapidamente pela minha cabeça. Suigetsu invadindo minha casa, ameaçando todos que estavam ali, quase me deixando viúva. Naruto nos salvando, Suigetsu morto, eu mandando Karin embora e, por último, eu fazendo amor com Naruto.

Abri os olhos de uma vez só, sentindo o sol queimar. Eu havia me entregado à Naruto na noite anterior e, agora, ele estava deitado nu ao meu lado. Ousei olhar para o lado só para ter certeza que ele estava dormindo, e o encontrei deitado de lado com os olhos fechados. Ele dormia tranquilamente, os cabelos loiros caíam em sua testa e sua boca estava levemente aberta. Minha cabeça pendeu para o lado e me deixei ficar um bom tempo o observando. Seu peito era forte, com pelos loiros que desciam até o meio de duas pernas, que, infelizmente, estavam cobertas. Haviam marcas vermelhas em seu peito, com o desenho perfeito de minhas unhas. Corei violentamente com a lembrança de como fiz aquelas marcas.

Nesse mesmo momento, ele abriu os olhos. O azul era escuro, sua pupila estava dilatada, mas logo diminuiu e o azul clareou, tomando conta de seus olhos. Um sorriso de derreter qualquer mulher se instalou em seus lábios e eu agradeci por estar deitada. Se não estivesse, minhas pernas já teriam falhado e eu estaria no chão.

- Bom dia – ele murmurou, fechou os olhos devagar e os abriu novamente.

Eu não conseguia responder. Toda sua beleza me deixava tonta, desnorteada e sem fala. Ele levou uma mão para o meu rosto e o trouxe para perto do seu. Seu corpo se aproximou do meu, senti todo o seu calor, e ele depositou um beijo em minha testa.

- Dormiu bem? – ele perguntou novamente e eu fiquei imaginando onde minha voz havia ido parar.

- Sim… – foi tudo o que eu consegui responder.

Ele me olhou com curiosidade e então passou um braço atrás dos meus ombros, me trazendo para perto de seu corpo. Sua mão abraçou o meu braço e eu encostei a cabeça em seu ombro, tentando achar uma posição confortável para me deitar. Era tudo muito surreal para mim. O carinho, a preocupação, o amor. Naruto me tratava de uma maneira que eu desconhecia, nem meu pai tratava minha mãe assim. Claro que ele nunca foi como Sasuke, mas papai devia ser muito mais amoroso com mamãe quando estavam sozinhos. Talvez seja esse o jeito certo de se amar e ser amado.

Me permiti aproveitar o momento, passando a perna pelas dele e encaixando meu corpo no seu. Respirei fundo, inalando seu perfume viciante, enquanto passava o braço por seu abdômen. Quando dei por mim, estava passando os dedos nos pelos de seu peito, os enrolando e desenrolando, relando as unhas em sua pele. Naruto soltou um suspiro e sua cabeça pendeu para mais perto da minha.

- Sabe… – ele começou – Eu poderia acordar assim todos os dias.

Eu apenas ri. É claro que ele gostaria de acordar desse jeito todos os dias. E pensando bem, eu também não ligaria de acordar dessa maneira. Com um homem lindo, que me amasse e me fizesse feliz, ao meu lado da cama, preferencialmente nu.

- Sei que sim – murmurei entre o riso – Não parece ser tão ruim…

Ele se remexeu na cama e se virou para mim, apoiando seu peso em seu cotovelo. Seus olhos azuis me estudaram, pelo o que pareceram minutos, desde meu corpo coberto pelo fino lençol até meu rosto, parando em meus olhos. Fiquei mais uma vez encantada com o brilho de seus olhos, mesmo tendo acabado de acordar, Naruto parecia ter sido abençoado por uma beleza divina.

- Está me desafiando, senhora? – ele disse, se aproximando de mim e colando cada vez mais seu corpo no meu – Eu posso fazer melhor…

A boca dele se apossou da minha com o beijo mais selvagem que eu já tive em toda a vida. Sem cerimônias, sua língua entrou e explorou minha boca, me deixando com calor. Eu queria, mais que tudo, senti-lo de novo, como se fosse um sentimento primordial, como se minha alma precisasse da dele, como se nossos corpos fossem feitos um para o outro. Suas mãos passearam novamente pelo meu corpo, me sentindo muito mais do que da outra vez, acariciando minha pele e me dando arrepios.

- Acho que pode tentar… – o provoquei entre o beijo e recebi uma risada como resposta.

Ele realmente tentou. Tentou tudo que podia e sabia. Tentou ao me segurar com muito mais força. Ao levar suas mãos para meus quadris e me fazer remexer, sentindo sua ereção contra minha intimidade. Ele tentou quando parou de beijar minha boca e desceu seus lábios para meus ombros. Senti cada célula do meu corpo vibrar com seus toques. O calor que havia tomado conta do meu corpo, passou a se concentrar em apenas um lugar, o meio das minhas pernas.

Eu o queria, mais do que tudo, tocando meu corpo em todas as partes. Desci minhas mãos por suas costas e agarrei seu quadril, me remexendo nele, o fazendo arfar. Minha boca foi de encontro ao seu pescoço e depositei um beijo leve ali. Vi seus pelos se arrepiarem com meu toque, me dando mais vontade de tocá-lo. O beijei ali, passando a língua levemente, como se eu estivesse lhe beijando a boca.

- Oh, Sakura, preciso… – ele resmungou com a boca perto demais da minha orelha, me causando arrepios desde a base da minha espinha.

Tudo que eu consegui fazer foi gemer, ainda com a boca em seu pescoço. Naruto me levantou sutilmente e se enterrou dentro de mim. O senti me preencher cada centímetro, senti minhas paredes o apertar conforme ele ia e vinha. Mordi seu pescoço com a invasão, sentindo a onda de prazer me inundar cada vez mais. Era como se eu estivesse em um barco à deriva em um mar violento, que me levava cada vez para mais longe. Como se as ondas ficassem cada vez maiores, quase me afundando, me fazendo me perder em seu azul profundo.

E quando o céu pareceu explodir em mil estrelas, quando me senti leve como uma pluma, quase fora de órbita, e me deixei levar pelas ondas de prazer, eu tive certeza que poderia passar a vida inteira me afogando no mar azul dos olhos de Naruto.

 

 

~ Sasuke ~

 

Eu estava molhado. Ensopado. E puto da vida.

Esse desgraçado invadiu a minha casa, não sei como, e ameaçou minha família inteira. E ainda quase conseguiu me matar. Quase, se não fosse por aquele Uzumaki aspirante a político. Achei melhor mandá-lo escoltar Sakura, Karin e as crianças, meu pressentimento dizia que as coisas ainda não estavam acabadas.

Assim que eles saíram dali, eu fiquei ao lado de Pakkun, que chorava, e observei meu outro companheiro morto. Me ajoelhei na grama e fitei o corpo imóvel, enquanto Pakkun se deitava ao meu lado e choramingava. Não tive muito tempo para ficar de luto, porque logo ouvi passos e, com receio de ser mais uma ameaça, me levantei e virei para onde o barulho vinha. Cinco criados vinham apressados pela grama, com os olhos arregalados e as bocas abertas.

É claro que eles havia ouvido o barulho dos tiros, tanto que nem me recordo de ver qualquer um deles nos jardins ou até mesmo perto deles. Mas também, tudo que eu me recordo era da raiva que sentia por Suigetsu e a vontade de matá-lo. Por Kami, tudo havia acabado, ou quase. Como o Uzumaki havia perguntado, ainda havia o corpo de Suigetsu boiando no meu lago. Eu teria que me livrar dele, o quanto antes. Não queria a imprensa nos portões atrapalhando.

- Vossa Alteza – o criado chegou apressado – O senhor está bem?

- Sim – respondi seco e olhei para os dois corpos inertes ali – Dois de vocês vão cavar um buraco para o cão. Os outros, tragam o corpo do Sr. Hōzuki para cá.

Deleguei e fiquei parado no mesmo lugar enquanto eles faziam suas tarefas. Iria demorar, então fui para a entrada da cozinha e as criadas prepararam um banho quente num quarto ali perto mesmo. Eu não estava com vontade de andar muito pelos corredores da casa. Já pronto, saí de lá e voltei para os jardins. A cova estava cavada e o corpo de Suigetsu já estava na margem.

- Chamem a carruagem. A mais simples, não quero jornalistas perto – informei para dois dos criados e eles saíram apressados – Vocês, enterrem o cão.

Eu não podia me mostrar fraco, por mais que minha vontade fosse fazer tudo isso por mim mesmo. Eu não podia perder a compostura de Duque. Fiquei parado, com as pernas duras e o rosto impassível, enquanto Pakkun parou ao meu lado e observou nosso companheiro sendo enterrado na nossa frente. Ele choramingou algumas vezes mas parecia estar se conformando que, agora, seríamos só nós dois. Os criados terminaram de tapar a cova com toda aquela terra vermelha quase ao mesmo tempo que a carruagem parou atrás de mim. Era uma das mais simples, em madeira avermelhada, com estofado básico e sem muitos adornos por fora.

Era tudo o que eu precisava nesse momento. Apenas olhei para os criados que chegaram depois dela e indiquei o corpo de Suigetsu na margem do lago. Eles entenderam na mesma hora, pegaram o corpo, com dificuldade porque eram criados muito magricelas, e o colocaram na frente da porta da carruagem. Um outro empregado, o cocheiro, abriu a porta para eles e o corpo foi colocado no chão de madeira frio.

- Vamos – eu disse para o cocheiro e os outros criados apenas me fitaram enquanto eu subia e me sentava no banco rústico da carruagem – Agora.

O cavalo se pôs a trotar e a carruagem deu um súbito tranco para sair do lugar. Fechei todas as janelas, com a cortina espessa, não queria olhares curiosos nem fofoqueiros comentando sobre a minha passagem pela cidade. Dei uma batida na parede, chamando a atenção do criado que guiava.

- Vá por fora, não quero enxeridos bisbilhotando.

Eles fez como eu pedi, fiquei observando a carruagem passar pelos grandes portões de ferro e dar a volta pela periferia da vila. Andávamos beirando as casas simples, com crianças descalças correndo pela rua empoeirada com uns trapos em seus corpos enquanto as mães as observavam das portas, com outra criança no colo. Fechei a cortina e fiquei observando o interior da carruagem. Não havia nada para fazer, apenas aguardar a chegada no local. Olhei para baixo e vi o corpo branco demais, com o rosto já azul, de Suigetsu Hōzuki.

Ele já não sangrava, acredito que nem havia sangue o suficiente em seu corpo para sair, e tinha um aspecto horrível. Sua pele estava quase da mesma cor de seus cabelos estranhos. Até que a morte lhe caía bem. Seu colete havia sido aberto, talvez aqueles criados sem vergonha tivessem pegos todas as moedas de ouro e prata que o homem tinha nos bolsos. Aparentemente, o que eu lhes pagava não era o suficiente e eles sempre arranjavam um jeito de conseguir mais moedas. Pelo menos de mim, eles não roubavam. Passamos em um buraco no meio da estrada, quase bati a cabeça na parede, e a cortina balançou, deixando um fio de luz entrar. Algo dentro do casaco de Suigetsu brilhou. Algo que não deveria estar ali.

Me abaixei para observar melhor o que poderia ser. Não dava para distinguir o que era, então enfiei a mão em seu casaco e peguei o objeto. Foram raras as vezes que me assustei com algo, mas essa foi uma delas. Segurei o relógio de bolso de ouro nas mãos com várias memórias passando rapidamente em minha cabeça, me deixando quase tonto. O virei nos dedos, já sabendo o que encontraria no verso, mas rezando para não ser verdade. O desenho entalhado era exatamente de como eu me lembrava, o leque adorado de folhas e o grande U abaixo dele não me deixaram dúvidas. Era o relógio de bolso dos Uchiha, um dos mais antigos, passado de geração para geração, mas que se perdeu quando meus pais morreram.

Me lembro do meu pai o usando todos os dias, ele tinha orgulho de o ter no bolso e fazia questão de ver as horas nele sempre que possível. Eu ansiava poder usá-lo com o mesmo orgulho de meu pai, mas assim que ele morreu, o relógio sumiu. O procurei pela mansão inteira, mas nenhum sinal dele. Nem Itachi o achou, antes de morrer, e assim que só ficou eu, a busca pelo relógio continuou. Me recordo de, uma vez, meu tio-avô segurar um relógio parecido, mas havia um pequeno detalhe que, naquele dia, quase me passou despercebido. O relógio do meu pai havia um S e um I gravados, logo abaixo do U. Essas letras indicavam as iniciais do meu nome e do meu irmão. E o que eu segurava em minhas mãos era exatamente igual.

Respirei fundo, organizando os pensamentos repentinos em minha cabeça e analisando o que deveria fazer em seguida. Suigetsu Hōzuki, um homem com quem eu nunca tive contato direto, possuía um relógio da minha família em seu bolso. Não havia explicação plausível para Suigetsu tê-lo em seu bolso. A primeira coisa que pensei, foi em roubo. Mas não me recordo da casa Uchiha, que fica do outro lado da cidade, ter sido invadida recentemente.

Me recostei no banco esforcei minha mente a raciocinar. Não era mera coincidência esse relógio estar em seu bolso justo no dia em que ele havia invadido minha casa e tentado me matar por alguns motivos. Primeiro, eu nunca tive contato com Suigetsu, nem ao menos sabia qual era o seu rosto. Segundo, não havia como ele saber que Karin estava dormindo comigo, nunca deixei isso sair de dentro de minha casa. Terceiro, minhas terras eram muito bem protegidas, não havia como ele entrar sem ajuda. De dentro, o que eu acho impossível, ou de fora, o que eu acho improvável.

Não tão improvável, porque no momento que pensei nisso, a imagem de Madara e Obito me vieram à mente. A ideia parecia ridícula, mas me pus a pensar nela do mesmo jeito. O que Madara e Obito teriam a ver com Suigetsu ter o relógio da família no bolso? A última vez que vi um relógio desse foi na mão do meu tio-avô, vulgo Madara Uchiha, o homem mais soberbo e mesquinho que já conheci. E nunca me lembro de ter visto nos históricos familiares a existência de outro relógio. Madara até tentou me enganar no dia e, sinceramente, não dei muita importância pois tinha muitos assuntos a resolver com o recém título de Duque que recebi na época. Mas eu nunca me esqueci que ele desconversou quando perguntei sobre o relógio e não me deixou vê-lo em minhas mãos, apenas de longe, sem nem ao menos me mostrar o verso direito.

Revirei o relógio em meus dedos novamente, fazendo o dourado brilhar com a luz que entrava pela janela. Não havia engano, era o relógio que pertenceu ao meu pai e era para ser meu. E um homem aleatório o tinha em seu bolso. Madara e Obito tinham algo a ver com isso, por mais que eu não quisesse pensar em nada disso, meu interior me dizia que algo não estava certo. A carruagem parou e, ao abrir uma fresta da cortina, percebi que estávamos nos portões de ferro da casa dos Hōzuki. Ajeitei minhas roupas e, em um bolso na parte de dentro do meu colete, enfiei o relógio, o escondendo bem e não o deixando aparecer atrás das várias camadas de tecido que usava. Entramos e logo a carruagem parou, o cocheiro abriu a porta e eu desci. Alisei minhas roupas, tirando o pó e olhei para trás. Os criados de Suigetsu chegaram correndo na porta de entrada, que era onde eu estava, e colocaram as mãos em frente à suas bocas, em choque ao ver o corpo inerte do seu patrão no chão do veículo.

- Deem um fim em seu patrão – eu disse a uma criada já idosa, com os olhos marejados, estagnada na porta – Antes que eu desista de minha bondade e eu mesmo faça isso.

Não havia tempo a perder. O corpo já estava há tempo demais ali, e eu já não aguentava olhá-lo. Os criados arregalaram os olhos para mim e correram retirar o corpo para colocá-lo no chão mesmo, na frente da porta de entrada. Eu não sabia se esse homem tinha outros familiares, ou apenas Karin e seus filhos, mas mesmo que não tivesse, seus criados iriam fazer um funeral ou cerimônia para o corpo. Mesmo que, na minha opinião, ele merecesse ser queimado em praça pública. Se os criados não o pegassem, eu mesmo jogaria o corpo em um pântano qualquer, ao redor da cidade, e o deixaria apodrecer e servir de comida para os vermes.

- Vossa Alteza – um senhor se aproximou de mim com os lábios franzidos em uma linha fina e dura – Podemos perguntar o que ocorreu com o Sr. Hōzuki?

- Mas é claro – fiz questão de elevar minha voz para todos ali ouvirem – O patrão de vocês invadiu minha casa, assassinou meu cão a sangue-frio e ameaçou minha família. Minha senhora e minhas filhas quase perderam a vida por conta de um bastardo que não tinha amor à vida.

- Mas… – uma senhora já de idade resmungou, torcendo o pano mas mãos – Ele não…

A cortei com um aceno de mãos, simples e curto, mas que serviu para calar todo o burburinho que surgiu quando ela se pronunciou.

- Não sei o que ele fingiu ser para vocês, mas eu vi sua verdadeira face – o silêncio pairou enquanto eu proferia as palavras com raiva – Suigetsu Hōzuki não era nada menos do que um cretino que não soube cuidar de sua mulher e tentou tomá-la de volta à força. Um homem fraco, sem pulso, covarde e sem juízo. O bastardo, no fim, teve o que merecia.

Os criados puxaram o ar com força e se assustaram com as minhas palavras, especialmente com as últimas. Um burburinho voltou e, como eu não tinha paciência para esse tipo de coisa, cortei todos com uma última fala.

- Caso algum de vocês tenha informações à respeito dele que possa tê-lo levado a fazer o que fez, é bom me contarem. Mesmo que seja pra falar que ele era apenas louco – esquadrinhei cada um dos criados ali, mas não pareciam ter ideia.

- Vossa Alteza, queira aceitar um chá, pelo menos, como agradecimento da criadagem por trazer de volta o patrão – um criado alto, novo e de cabelos escuros, se aproximou de mim, fazendo uma reverência.

- Não posso me demorar – resmunguei, tinha coisas demais para pensar e queria o sossego de minha casa.

- Como desejar, Vossa Alteza. Queira me acompanhar – o criado me guiou dentro da casa, enquanto vários olhares eram direcionados à mim.

Entramos em uma pequena sala de chá, simples, com uns sofás bem estofados, uma grande mesa de centro e grandes janelas. Uma senhora apareceu com alguns biscoitos em uma bandeja de prata e logo uma outra veio trazendo um grande bule de água fervente. Elas mal me olharam nos olhos, apenas deixaram os objetos ali e saíram. O criado que me guiou para dentro da casa estava no canto, ao lado da porta, observando as mulheres saírem dali.

- Devo lhe agradecer, Vossa Alteza, por deixar velar o corpo do querido patrão – o homem disse e deu um passo à frente – Há algo que posso fazer pelo senhor?

- Sim – respondi ao pegar a xícara de chá da mesa e deixá-la no meu colo – Quero respostas.

O homem coçou a garganta e olhou porta afora antes de se aproximar de mim. Ele parou com a pose perfeita de criado, com os braços para trás e a cabeça baixa. Ficou em silêncio, me aguardando voltar a falar. Eu tinha que dar um jeito de conseguir informações, e qual lugar era melhor do que a casa do homem que tentou me matar?

- Seu senhor se encontrou com alguém diferente, nesses últimos meses? – perguntei sério, tomando um gole de chá logo que terminei.

- Vossa Alteza, entendo que o senhor deseja respostas, mas não tenho informações pertinentes para o senhor – ele disse polidamente demais – O senhor era um homem muito ocupado, mas nunca teve um comportamento fora do normal.

O seu jeito era estranho. Seu tom de voz parecia ser calculado, seus atos eram ensaiados demais e sua postura séria demais. Se um empregado encontrasse seu senhor morto, na porta de sua casa, era para se desestabilizar, ou, no mínimo, se ressentir. Mas tudo o que esse criado fazia era falar com a maior frieza que conseguia.

- Qual o seu nome? – perguntei, o fazendo me olhar como se algo estivesse errado.

- Zabuza, Vossa Alteza – ele respondeu voltando a ficar sério – Zabuza Momochi.

- Então, Zabuza – o chamei pelo nome numa última tentativa de conseguir alguma informação – Você, ou qualquer outro criado, não viram nada de diferente, ou até mesmo estranho, acontecendo com o Sr. Hōzuki?

- Não, Vossa Alteza – ele respondeu de prontidão, sem nem ao menos pensar.

Passei a mão no queixo, sentindo a barba por fazer, olhei para a janela, vendo apenas a claridade, e me voltei para o criado. Ele continuava a me encarar, com a pose rígida, e comecei a analisar seu porte. Zabuza era grande demais para ser um simples criado, mesmo que fosse o encarregado. Ele era bem alto, talvez maior que eu mesmo, com ombros largos e os braços fortes demais, além dele parecer estar desconfortável usando as roupas da criadagem. Alguma coisa não estava certa.

- Há quanto tempo serve à casa dos Hōzuki, Zabuza? – perguntei, o pegando de surpresa, o fazendo piscar diversas vezes antes de responder.

- Perdão, Vossa Alteza, como? – ele descruzou as mãos das costas e as trouxe para a frente.

- Não parece servir como criado há muito – pontuei, vendo seus olhos se abrirem mais – Seu porte é grande demais para trabalhar dentro de uma casa.

Zabuza abriu a boca mas nada disse. A fechou e então abriu novamente, provavelmente escolhendo suas palavras.

- Sempre fui muito grande, Vossa Alteza, trabalhei como lenhador há alguns anos.

Eu havia acertado quando pensei que ele não era criado há muito tempo. Mas não parecia ter sido lenhador, mas sim espadachim ou matador de aluguel. Era perigoso demais eu ficar aqui com apenas uma pistola e cinco balas para me proteger de um possível ataque de um homem maior que eu. Dei o assunto como encerrado ao pousar a xícara de chá, já vazia, na mesa. Me levantei devagar, sempre observando os movimentos do homem à minha frente.

- Vou-me embora – anunciei – Agradeço o chá.

Saímos da sala com Zabuza à minha frente mudo como um túmulo, apenas me guiando para fora da casa. Minha carruagem estava lá, assim como meu cocheiro, me aguardando para podermos voltar para casa. Toquei minhas costas, apenas para checar se o revólver ainda estava lá, e voltei minhas mãos para a lateral de meu corpo. Os criados observaram o grande homem sair pela porta da frente parecendo ter medo. Como pensei, ele não era pra estar ali. Não era um criado, ou se era, tinham medo dele. E eu queria saber o porquê. Todos fizeram uma reverência enquanto eu entrava na carruagem e o cocheiro dava o arranque para longe dali. Minha ida para a casa dos Hōzuki foi em vão, nenhum dos criados sabia o que havia acontecido. Tudo isso só serviu para eu entregar o corpo branco demais do patrão dessas pessoas. Me aconcheguei no banco que ficava nas costas do cocheiro e dei uma leve batida.

- Alguém se aproximou da carruagem? – perguntei temendo que algo me acontecesse no caminho para casa.

- Não, Vossa Alteza – o criado respondeu – Fiquei o tempo todo em alerta.

- Bom – murmurei relaxando um pouco os músculos.

Seguimos por mais alguns segundos em silêncio, mas o cocheiro voltou a falar depois de bater levemente na parede atrás de mim.

- Vossa Alteza – disse, parando a carruagem – Há dois criados requisitando uma conversa com o senhor.

Olhei pela pequena janela de trás, e observei que já estávamos fora dos limites da casa dos Hōzuki.

- O que querem? – perguntei para o cocheiro.

Uns instantes se passaram, eu ouvia as vozes baixas, talvez sussurros, e logo o homem voltou a falar.

- Disseram que possuem informações pertinentes sobre o Sr. Hōzuki – me informou.

Ponderei sobre isso. Poderia ser uma armadilha, já que meu pressentimento me informava que algo de errado estava se aproximando de mim. Mas também, eu precisava de informações e, se eu ignorasse o que eles tinham a dizer e fosse verdade, perderia uma grande fonte de informações. Decidi arriscar, mas não sem antes de me precaver. Ao abrir a porta da carruagem, retirei minha pistola do cós da calça e a apontei para a porta, pronto para acionar o gatilho caso fosse uma emboscada. Os dois criados que apareceram ali se assustaram no mesmo instante que viram o cano da arma apontado na altura de suas cabeças.

- Tentem qualquer coisa contra mim e terão uma bala no meio do cérebro antes mesmo de pensar em fugir – os ameacei.

- Vossa Alteza, nós só queremos lhe contar o que sabemos – o rapaz, que para mim mais parecia uma mulher, entrou na frente da menina que tinha as mãos no rosto de medo – Não faremos nada contra o senhor ou o cocheiro. Mas corremos grande perigo estando aqui fora…

- Se Zabuza nos ver… – a moça disse e seus olhos se tornaram puro terror – Vai nos matar. Haku - ela chamou o menino – Vamos voltar antes que ele nos ache. Ele é capaz de qualquer coisa, ele…

- Rin! – o menino a chamou, grudando em seus ombros e a chacoalhou – Já fugimos de lá, não podemos voltar. Vamos fazer o certo, pelo menos. Se você voltar, sabe o que acontecerá, não sabe? Aquele homem vai te levar para a casa de novo e…

- Pare! – ela gritou e colocou as mãos nos ouvidos, como se não quisesse ouvir.

- Ei – interferi na discussão deles – Quem a levará? Zabuza?

Querendo ou não, eu estava curioso e queria saber cada vez mais sobre o homem que não parece criado nenhum da casa de Suigetsu Hōzuki. E se essa moça tinha algo a ver com ele, eu ia arrancar qualquer pedaço de informação que conseguisse deles.

- Não Zabuza… – o menino se virou para mim, ainda segurando nos ombros da moça e disse um nome que me fez ter calafrios – Obito.

 


Notas Finais


E aí, gostaram? kkkk
comentem, por favor, gosto muito de saber o que estão achando *-*


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