História A Era dos Dragões III: Aprendiz de princesa - Capítulo 18


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Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Escolar, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Saga
Avisos: Álcool, Violência
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 18 - O Desfiladeiro das Nuvens


Fanfic / Fanfiction A Era dos Dragões III: Aprendiz de princesa - Capítulo 18 - O Desfiladeiro das Nuvens

O almoço ocorreu na normalidade de sempre: Gnomos famintos, cantarolando e subindo na mesa para alcançar mais comida enquanto as fadas, injuriadas com a falta de educação dos gnomos à mesa, batem suas pequenas mãos, produzindo um pó colorido que faz com que os gnomos espirrem. A guerra continua até que Ariel os repreenda ou Olvir de o almoço por encerrado.

  Hoje Boo comeu conosco, como o combinado lhe dei minhas costeletas, o que não foi suficiente para aplacar sua fome, imitou os gnomos e subiu em cima da mesa, devorando metade da carne, Ariel gritou e o expulsou, Olvir apenas riu, disse que Boo era jovem e tinha muito que aprender, a fada chefe discordou, foi até a cozinha e voltou com a antiga tigela de comida do ieti.

- Quer se comportar como um lobo então comerá como um! – Disse implacável, colocando Boo em um canto da sala.

- Argh ar. – O pobre ieti resmungou.

- Dê-se por feliz, poderia estar comendo lá fora com os cachorros!

- Argh arar! – Boo mostrou a língua.

- Está me retrucando? – Ariel pôs as mãos na cintura. – Não mecha com uma fada! – Chacoalhou as mãos produzindo um pó mágico.

  Ela estava prestes a punir Boo com um ataque de espirros, quando Olvir tocou a sineta.

- Almoço encerrado. Voltem para os seus afazeres! – Ordenou, saltando de sua alta cadeira.

- Salvo pelo gongo. – Pisquei para o ieti, que riu debochado, correndo para fora antes que Ariel o alcançasse.

 Após a turbulenta refeição fui escovar os dentes e arrumar o cabelo, coloquei minha melhor blusa de frio e até passei um pouco de pó de arroz. Hoje era um dia especial, a primeira vez que eu sairia da área do esconderijo, subiria no balão e atravessaria para o outro lado da montanha, até o famoso Desfiladeiro das Nuvens, a morada dos escolhidos.

  A primeira vez que ouvi sobre o lugar foi quando me perdi na montanha e fui parar no bar do João Ogro, lá conheci uma adorável garçonete gnoma chamada Audny, mais conhecida como Any, ela me informou que a cidade era encantada, um lugar quente onde o sol se punha somente à meia noite e apenas os descendentes de dragões azuis tinham acesso.

  Eu era a filha única do grande rei Sheridan, então não haveria barreiras para entrar na cidade não é mesmo? O problema é que eu não posso revelar minha verdadeira identidade e Ariel fez questão de elencar os motivos enquanto estávamos no balão.

- A maior parte dos protegidos da montanha acha que seu pai está morto, somente os escolhidos o consideram rei e governador, mas a maioria não o conhece, Sheridan é muito reservado e não dá o ar de sua presença no desfiladeiro há anos.

- Eu acho que ele não curte muito se enturmar. – Sorri me lembrando dos encontros que tivera com o grande dragão azul, onde ele exigia que somente eu estivesse presente e evitava até seus leais agentes gnomos.

- Os escolhidos não são descendentes de Sheridan e sim do seu falecido irmão, o príncipe Ajerf, morto pelo pai, o falecido rei Kefee.

- Porque ele tentou usurpar o trono do meu avô. – Ainda me lembrava da história, registrada no livro de bolso escrito pelo gnomo Fatuo Juno, o qual fora babá e guardião do meu pai por mais de um século.

- Acho bom não falar sobre isso no colégio senão quiser arrumar inimizades. – Ariel alertou enquanto ajeitava sua peruca loira Chanel. – Os descendentes de Ajerf ainda são um pouco sensíveis com este assunto, acreditam que o príncipe primeiro só estava exigindo um direito seu. – Também colocou luvas, escondendo suas palmas da mão coloridas.

- Então por que ficam bajulando Sheridan, enviando comidas e presentes para o seu castelo? – Meu pai havia comentado que recebia dezenas de agrados todas as semanas, até me deu uma cesta de pães que ganhara dizendo que não dava conta de comer tudo sozinho.

- Porque eles desejam poder e atenção. Um rei necessita de herdeiros, os escolhidos acreditam que em algum momento serão chamados, seja para que Sheridan eleja uma reprodutora ou designe alguém para lhe ajudar a comandar.

- O que você quer dizer com reprodutora?

- Uma reprodutora é responsável por gerar um filho, ela nunca será uma rainha e também não criará a criança, isso é responsabilidade dos gnomos babás.

- E qual graça há nisso se ela não vai ter nem ao menos uma coroa?

- Mas sua família se tornaria prestigiada, de qualquer forma ela seria mãe dos descendentes do rei, um destaque entre os escolhidos, para isso deve ser bonita e prendada, dai as aulas de boas maneiras e sedução.

- Mas Sheridan me disse que nunca se envolveu com nenhuma fada.

- Isso não impede que elas se preparem, acaso o rei mude de ideia.

- Duvido. – Bufei. Nem pensar que meu pai aceitaria uma meio fada metida qualquer, não depois de ter conhecido a dona Edna. – Elas não chegam aos pés da minha mãe.

- Sua mãe não está mais envolvida com o rei ou está?

- Não, isso é algo do passado. – Depois do curto relacionamento que tiveram há quase dezessete anos meus pais nunca mais se falaram, nem mesmo quando eu vim para montanha. – O que eu quis dizer é que minha mãe é meiga, doce e trabalhadora, um tipo diferente para o qual essas pobres meio fadas estão sendo treinadas.

- Mas elas não compreendem, nunca conheceram o rei, não sabem a respeito de sua mãe e queremos que continue assim. Para todos os efeitos você é Aimil Lamont Marc. – Me Entregou uma identidade falsa. – Filha de um humano com uma meio fada descendente de Ajerf.

- Zoé Lamont... – Li o nome da minha mãe no registro. – Não acha que eles vão desconfiar?

- Duvido, quando Sheridan se isolou no castelo os Lamont se revoltaram, algum tempo depois pegaram seu ouro e se foram da montanha escondidos, ninguém nunca mais ouviu falar deles, nossos agentes acreditam que toda a família faleceu em um acidente de navio há anos.

- Isso é realmente triste... Espere ai, se essa tal família Lamont fugiu, eles não são considerados desertores?

- Sim, na época foram acusados de traição e, caso fossem encontrados, seriam mortos.

- Então vocês querem que eu seja a filha de uma traidora? – Coloquei as mãos no pescoço já imaginando a guilhotina. – O Sheridan enlouqueceu?

- Há cerca de um ano sua responsável mãe, que na época era somente um bebê e não tinha o poder da escolha, resolveu entrar em contato com o rei e pedir perdão. Ela deseja que sua família possa voltar ao desfiladeiro, infelizmente, por ter se casado com um humano, não é mais considerada uma escolhida, diferente de sua filha, uma talentosa adolescente, que recentemente demonstrou uma forte predisposição para áurea azul e foi aceita no colégio E.E.M.A.B.

- E Sheridan, com o seu generoso coração, perdoou a família?

- Duvida do contrário? – Ariel piscou.

- O que não entendi foi a parte de me arrumar um pai humano.

- É o único modo de explicar suas orelhas redondas e pele opaca. De início pensei em maquiagem, mas daria muito trabalho ter que refazê-la todos os dias.

  Eu poderia me sentir ofendida com o comentário de Ariel, mas ela estava sendo sincera. Os escolhidos eram muito semelhantes a fadas, com orelhas pontudas e pele brilhante, tal como se usassem purpurina, pelo menos essa foi a explicação de Olvir, o gnomo também me disse que a maioria tinha olhos coloridos e asas que podiam se retrair quando eles bem quisessem.

- Então eu não terei asas ou pele brilhante e serei um quarto dragão.

- Na verdade seria um dezesseis avos dragão, seu bisavô é que era descendente de Ajerf.

- Quer dizer que eu não seria nem cinquenta por cento fada. Tem certeza que eu realmente vou ser bem aceita nesse colégio? Eles nem se misturam com o resto dos protegidos.

- Fique tranquila, contanto que tenha a áurea azul, ninguém vai lhe importunar.

- Sei... – Começava a sentir falta do colégio Lestyn.

- A fofoca sobre sua mãe de mentira ter sido perdoada e de você ser uma jovem prodígio já foi espalhada, isso atraiu comentários positivos, a família Lamont era muito rica antes de partir da Montanha de Prata.

- Então eu atrai um bando de interesseiros. – Suspirei voltando minha atenção para o céu.

 Já não podia enxergar nada, apenas nuvens, tão densas que dificultavam minha respiração, quando pensei que ia sufocar em meio aquele nevoeiro branco o tempo se tornou iluminado, o ar ficou mais quente e a paisagem convidativa.

  O desfiladeiro das Nuvens era um circulo perfeito dentro da montanha, uma pequena cidade de telhados coloridos, banhada por um rio e envolta pela neve. O balão pousou próximo à entrada, mal chegamos ao chão e já fomos recebidos por um meio fada com cara de poucos amigos.

- Identifiquem-se. – Exigiu colocando a mão na cintura onde havia uma adaga.

- Essa é a senhorita Lamont e eu sou sua dama de companhia. – Ariel falou com um sotaque engraçado, mostrando alguns documentos ao fada. – Viemos comprar uniformes e itens para o colégio.

- Muito bem. – Leu os papéis com extrema atenção. – É um prazer recebê-la senhorita Lamont. – Tirou a mão da arma. – Seja bem vinda ao Desfiladeiro das Nuvens, o lugar mais mágico de toda a Montanha de Prata.

  Agradeci com um aceno de cabeça, meus pensamentos ainda estavam fixados naquela adaga. Ariel pegou minha mão tentando me confortar.

- Não se preocupe, ele é apenas um soldado, vistoria de rotina.

  O imenso portão de ferro foi aberto, mal entramos e já senti o ar se aquecer, parecia estar em um dia de primavera, com àrvores floridas e muita luz, não havia vento ou neve. As ruas eram de pedra e as casas de madeira, algumas muito pequenas e outras parecidas com mansões. Chegamos a uma rua de comércio, estava lotada de fadinhas voando e gnomos carregando pacotes, todos muito apressados.

- Pensei que aqui só vivessem descendentes de dragões azuis.

- E quem faria o trabalho pesado? – Ariel sorriu. – Não se esqueça de que eles também são casados com fadas. Aqui também vive um grupo seleto de ninfas.

- Nenhum humano? – Engoli em seco ao ver como alguns gnomos e fadas me olhavam com curiosidade.

- Não que eu saiba. Deve estar feliz por ser a primeira.

- Claro, estou radiante. – Bufei sarcástica.

  Entramos em uma pequena loja de porta vermelha, a sineta na passagem denunciou nossa presença e uma gnoma veio correndo nos atender. Lembrei-me da joalheria do se senhor Bodolf, dois dias após a minha chegada ele voltou para cidade de Ouro, disse que agora eu estava segura e ele precisava trabalhar, mas que manteria contato, me ajudando em tudo que fosse possível.

- Em que posso ajuda-las? – A atendente sorriu simpática.

- Necessito de uniformes. – Ariel entregou uma lista para gnoma. – O jogo completo.

- Pois não. Sigam-me. – Indicou o caminho dos provadores.

  Penso que me fizeram provar todos os uniformes da loja. Saias, blusas, camisas, camisetas, macacões, aventais para aula de pintura, uniforme para a educação física, havia uma meia dúzia de sapatos, uma para cada ocasião, até as meias tinham o emblema do colégio: Uma espada cinza envolta por um dragão azul.

- Desejam mais alguma coisa? – A fada no caixa perguntou nos entregando uma dúzia de sacolas.

- Apenas isso. Obrigada. – Ariel guardou seu cartão dourado.

- Qual o limite desse cartão? – Perguntei com os olhos brilhando.

- O suficiente para atender as necessidades de uma menina rica. – Piscou.

  A missão seguinte foi comprar os materiais escolares, Ariel contratou um carregador, assim tive que assumir o papel de Aimil Lamont pelo resto do caminho. Compramos mochila, cadernos, quites para aulas de química, apetrechos para arco e flecha, gastamos uma verdadeira fortuna, nunca me senti tão mimada.

- Agora só falta a canetas tinteiro para suas aulas de caligrafia.

- Qual o problema com as canetas comuns?

- A caneta tinteiro exige delicadeza ao escrever, te possibilitará aperfeiçoar a caligrafia.

  Entramos em outra loja, Ariel foi direto ao setor de canetas, exigiu suas marcas favoritas, torceu o nariz para as de ouro e quis testar as mais leves, resolvi passear pelas vitrines, tentando descansar minha mente.

  Confesso, não estava sendo fácil assimilar tanta coisa ao mesmo tempo, a parte das compras até era divertida, mas o pensamento de ir para um colégio onde eu seria a única humana me deixava com os nervos em frangalhos.

  Distraída, trombei em algo, ou ainda pior, em alguém.

- Auch. – A voz fina protestou ao cair no chão, derrubando suas sacolas.

- Nossa, me desculpe. – Ofereci a mão para que levantasse.

  Era uma mão pequena, não como a de um gnomo, mas do tamanho de uma criança de seis anos, inicialmente pensei ter trombado com uma menina, mas quando ela se levantou pude distinguir traços mais velhos. Era uma adolescente, media em torno de um metro e trinta, tinha o cabelo rosa preso em um coque, destacando suas orelhas pontudas e pele brilhante, com certeza era uma escolhida, mas fiquei confusa, porque seu rosto me lembrava dos gnomos, com bochechas altas e nariz pronunciado.

- Não foi sua culpa. – Sorriu, destacando seus olhos rosados. – Eu costumo ser desastrada. – Abaixou-se para recolher os pacotes que havia derrubado.

- E eu sou um imã para problemas. – Peguei a bolsa que ela também havia derrubado e lhe entreguei.

- Obrigada. Veio comprar material escolar?

- Sim, minha dama de companhia está entretida com as canetas tinteiro.

- Dama de companhia? – Franziu a testa. – Você é uma ninfa?

- Não, sou descendente de dragão azul. – Falei um pouco desconfortável. Era a primeira vez que falava sobre a minha origem usando um tom casual.

- Uma escolhida? Nunca te vi por aqui.

- Sou nova na cidade.

- Não me diga que é a parente perdida da família Lamont?

- Parece que as noticias correm. Sou Aimil Lace, quer dizer Lamont, me chamo Aimil Lamont.

- É um prazer conhecê-la Aimil, eu me chamo...

- Lynete! – Uma voz autoritária gritou.

  Era uma escolhida, tinha a minha altura, passaria como uma humana, senão fossem por sua pele brilhante, cabelos azuis e enormes olhos lilás, devia ter a idade da minha mãe e era uma meio fada muito bonita, mas tinha um ar arrogante.

- O que faz ai parada Lynete? – Entregou um pesado pacote a garota de cabelo rosa. – Não temos o dia todo.

- Eu ainda tenho que ir ao cabeleireiro e fazer as unhas. – Uma adolescente com as mesmas características da mulher, com exceção de que seu cabelo era de um rosa igual ao tom do de Lynete, surgiu, entregando outra sacola para a pequenina.

- Desculpe Ailish. – Lynete voltou sua atenção para jovem. - É que eu cai e...

- Sempre desastrada. Como vai se formar dessa maneira? Agora ande logo, combinei de jantar com o Brayan e pretendo estar linda até lá.

- Você já é naturalmente linda filha. – A mais velha, parecendo orgulhosa, acariciou os cabelos da tal de Ailish. As duas deram os braços e saíram da loja, sem esperar por Lynete ou ao menos fingir que notaram minha presença.

  Olhei para pequena jovem com uma ponta de pena, mas ela não parecia abatida. Ajeitou as sacolas em seus bracinhos e sorriu.

- Bem, agora você já sabe o meu nome.

- Lynete. – Sorri amigável.

- Preciso ir antes que minha madrasta enlouqueça, mas nos vemos no Blue.

- Blue?

- Sim, Escola de Ensino Médio para Alunos Brilhantes é um nome muito complexo, quem estuda lá o chama de colégio Blue.

- Blue? Gostei.

- E tomara que continue assim novata. – Riu correndo para fora.

- Tomara. – Tentei acalmar a mim mesma.

- Vejo que já fez amizades. – Ariel surgiu com uma pequena sacola.

- Tinha que conversar com alguém já que você demorou quase uma hora para escolher canetas.

- Não exagere. – Olhou no relógio. – Ainda temos tempo para um café ou você vai comer com o seu pai?

- Com o meu pai? – Perguntei confusa, mas logo me lembrei. – Eu marquei um encontro com ele às cinco da tarde!

- Ainda falta uma hora, mas acho bom partirmos. – Abaixou-se, sussurrando a ùltima frase em meu ouvido. – Não queremos deixar o grande Sheridan esperando não é?

 

 

  


Notas Finais


No próximo capítulo vamos matar as saudades de nosso grande dragão azul 0/


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