História A Escolha - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Gina Weasley, Harry Potter
Tags Gina, Ginny, Harry, Mistério, Potter, Romance, Weasley
Exibições 30
Palavras 3.804
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Ecchi, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi gente,
Espero que vocês gostem do capítulo!
Deem uma olhada nas notas finais, tem recadinhos lá :)

Agora vamos ao que interessa...

Capítulo 11 - A Honestidade


— Toma seu filho da puta hipócrita! – eu berrei, comemorando a linda defesa do meu irmão contra o ex-namorado sem graça da minha amiga.

— Ginny! – Hermione ralhou comigo, embora estivesse rindo com Luna.

— Tem que aproveitar que agora ele não tá ouvindo direito, Mione – eu me justifiquei, dissimulada. Se dependesse de mim eu gritava isso no ouvido do Krum.

O primeiro tempo do jogo começou e terminou acalorado. O dia encontrava-se ensolarado e bastante fresco, como se pedisse por uma partida de futebol. Ron e Harry jogavam pelo mesmo time. A competição estava bem acirrada. Eu expliquei as meninas, que achavam-se um pouco perdidas, que a equipe adversária era muito boa no ataque, embora os meninos estivessem se virando bem na zaga.

— Você e a Angel ainda estão jogando nos fim de semana? – Luna indagou, se sentando de um lado de Hermione.

— Desde quando a gente entrou na SeMz ficou complicado manter os jogos semanais – eu me expliquei, sentando na arquibancada, do outro lado – Acho que tem uns seis meses que a gente não se reúne.

— Eu sei que eu não entendo nada de futebol – Mione passou um braço pelo meu ombro e me apertou levemente – Mas pra mim você deveria ter virado jogadora profissional. Embora também seja uma ótima aspirante a engenheira química também.

— Engraçado, Ron já me disse a mesma coisa – eu comentei, relembrando os momentos que o meu irmão havia me incentivado.

— É, às vezes o seu irmão sabe o que dizer... – Mione voltou à posição inicial e sorriu de canto, olhando para cima, perdida em pensamentos.

Observei a expressão da minha amiga por alguns segundos, sem entender. A partida teve inicio mais uma vez. Os meninos levaram um gol logo de cara, por vacilo de um dos jogadores. Eu estava nervosa assistindo o jogo. Eu sempre ficava agitada com essas coisas. Para a minha felicidade, alguns minutos depois Harry fez um gol, empatando o jogo. Luna, Hermione e eu comemorávamos feito três desesperadas. A partida foi chegando ao final e, para o azar dos rapazes, Cedrico, um grande amigo nosso que estava jogando no outro time, sofreu uma falta dentro da pequena área, o que resultou em um pênalti. Viktor bateu e Ron defendeu, porém Cedrico pegou o rebote e marcou o gol que encerrou a partida. Eles haviam ganhado.

Assim que a parte interna do ginásio esvaziou, Luna seguiu para encontrar um amigo do estágio. Eu e Hermione descemos para a porta do vestiário masculino. Harry conversava alguma coisa com Krum. Devido à insistência de Harry eu acabei deixando a minha amiga sozinha com o ex-namorado e segui para longe da porta do banheiro.

— Gin, a gente não pode ficar interferindo na vida da Mione – ele falou, segurando a minha mão enquanto nós subíamos a escada.

— Por que não? – debati, encarando-o.

— Porque ela já é grande o bastante pra decidir o que vai fazer – Harry respondeu, óbvio.

Eu rolei os olhos, entediada. Conhecia bem aquele discurso. Ele me ajudou a passar pela mureta dos fundos do ginásio.

— Não sabia que você agora era defensor do Viktor... – o provoquei.

— Não sou – ele replicou, dando de ombros. Nós sentamos em um banquinho de concreto – Mas é Hermione que tem que entender o que ela quer, não a gente.

     Entender o que ela quer...?

— O que você sabe que eu não sei, Harry? – eu cruzei os braços e o fitei, decidida.

— Muitas coisas... – ele respondeu sorrindo, mexendo no celular – Mas eu já te falei pra perguntar a ela, porque eu não vou te dizer nada.

— Argh, te odeio... – fiz cara feia e ele me abraçou pelos ombros, largando o celular no meu colo.

— Odeia nada... – ele mordeu o meu pescoço, devagar.

— Odeio sim – insisti, fazendo manha – Sai daqui...

— Não saio – Harry continuou a beijar a minha pele, insistentemente.

Acabei cedendo aos toquei dele e me perdi naqueles lábios. Nós permanecemos nos provocando por algum tempo, distraídos, até que eu senti o celular vibrar no meu colo. Harry estava recendo uma ligação. Ele pegou rapidamente o aparelho e se afastou um pouco, apreensivo.

Ainda sentada, eu o observei gesticular freneticamente ao telefone. A cada minuto que passava, Harry se agitava mais, andando de um lado para o outro, como se discutisse com alguém. Eu comecei a ficar preocupada, nunca o tinha visto descontrolado naquele estado. Nessa brincadeira foram mais de quinze minutos até que a ligação terminasse. Ele desligou o celular e quase jogou o aparelho no chão. Pensei em me levantar e ir até lá, mas tinha medo da reação dele. Harry passou a mão pelos cabelos negros e tirou os óculos, esfregando dos olhos, tentando se acalmar. Quando Harry retornou ao meu lado, ele estava com o semblante mais contido, mas no fundo eu percebi que o nervosismo ainda estava presente ali.

— Quem era? – indaguei, curiosa.

— Ninguém importante... – ele respondeu, sorrindo amarelo.

— E você tá com essa cara?

— O que tem de errado com a minha cara?

— Nada – levantei uma das sobrancelhas, sarcástica – Só parece que você comeu alguma coisa muito ruim ou ouviu algo que não gostou.

— E daí? Talvez eu não tenha escutado... – Harry retrucou, desviando o olhar – Tem algum problema nisso?

Ele se curvou, apoiando o corpo nos cotovelos e encarando o chão.

— Harry, quem era? – voltei a perguntar, dessa vez mais consistente.

— Já disse... Ninguém importante – ele respondeu, encolerizado.

— E porque você não quer contar?!

— Porra, Ginny! – Harry praticamente gritou comigo – Porque isso é assunto meu!

— E é exatamente por ser assunto seu é que eu quero saber! – rebati, no mesmo tom.

— Só que isso não te diz respeito! – ele cuspiu as palavras, raivoso. Estava distante de ser o Harry que eu conhecia – Qual a sua dificuldade de entender isso? A sua insistência me sufoca!

Ele se levantou do banco mais uma vez e eu fiz o mesmo. Nós dois assumimos uma postura defensiva.

— Eu devo ser muito estúpida mesmo, por me preocupar com você! – eu senti uma lágrima cair do meu olho esquerdo – Harry Potter, o senhor da indiferença! Aquele que está acima de todos os sentimentos! Eu sou mesmo uma idiota por achar que você se importa com qualquer coisa que não seja o seu umbigo!

O nosso bate-boca continuou e com o tempo eu percebi que ao nosso redor, um grupo de curiosos começou a se formar, interessado na nossa discussão. Em outras ocasiões eu teria dado meia volta e saído daquele lugar, mas o meu sangue estava fervendo.

— Você quer que agora eu faça o quê, hein? Anda, me diz! Você me conheceu assim, Ginny! – Harry estava vermelho. Uma veia pulsava latente em seu pescoço – Não diga que isso é novidade para você, por que não-é!!

— Eu queria que você deixasse de ser esse filho da puta egoísta! – bradei em resposta – Era isso que eu queria! Mas pelo visto você não tem essa capacidade!

Harry encheu o peito para me dar uma resposta, no entanto Ron o pegou pelo braço. Ao mesmo tempo, Mione e Luna apareceram, me arrastando para longe dos dois.

— Me solta! Ele vai ter que me ouvir, me solta! – me debati, mas Hermione foi mais rápida, me puxando de volta.

— Amiga, por favor, se acalme! – ouvi Luna pedir, ao meu lado.

— Como, Luna?! Como eu vou me acalmar! É sempre o Harry, sempre!

Eu me deixei jogar nos ombros de Lu, já sem resistir.

— Ginny, vamos embora. Na sua casa a gente conversa melhor... – Mione tomou a chave do meu carro. Para ela querer dirigir é porque a minha situação deveria estar bem feia, visto que a minha amiga odiava tocar em qualquer volante.

As meninas permaneceram comigo durante toda à tarde, me ouvindo e me dando conselhos. No início da noite, eu acabei tomando um remédio para dor de cabeça e peguei no sono deitada no sofá. Acordei bem depois da hora do jantar. Luna conversava à soleira da porta com Ron, que finalmente havia voltado para casa.

— Ela tá bem? – ouvi o meu irmão perguntar.

— Tá um pouco melhor. Tem algumas horas que ela tá dormindo– Luna respondeu, suspirando – Ronald, você sabe o que aconteceu?

— Sei... Quer dizer, não sei... – Ron parecia preocupado – Pelo que eu entendi é alguma coisa complicada sobre o Harry.

— Eles nunca brigaram dessa forma. Pelo menos não que eu soubesse antes.

— Esses dois vão ter muito que resolver...

— Imagino... – ela concordou – Bom, eu tenho que ir agora. Só tava esperando você chegar.

— Cadê a Hermione? – o meu irmão indagou, interessado.

— Já foi pra casa – Lu explicou – Ela me falou alguma coisa sobre dar uma olhada no trabalho de vocês, sobre o rio.

Eu resolvi me levantar do sofá. Esfreguei um pouco o meu rosto e andei na direção dos dois.

— Ei, Polegarzinha... – Ron me puxou pelos ombros e deu um beijo na minha testa. Era reconfortante ter o meu irmão ali comigo.

— Como você tá? – Luna afagou o meu rosto amavelmente – A dor de cabeça passou?

— Passou sim, amiga... – eu a tranquilizei, tentando sorrir – Muito obrigada por ter ficado aqui comigo.

— Não há de quê. Sempre que você precisar de mim, eu estarei aqui.

Abracei Luna, comovida. Ela me apertou de volta, carinhosa. Nós nos despedimos por mais um tempo e a minha amiga seguiu para casa. Ron fechou a porta e me guiou de volta para o sofá. Ele sentou do meu lado e ofereceu o colo para que eu me deitasse. Aceitei sem nem pestanejar. Eu estava precisando de mimos e não iria esconder isso do meu irmão.

— Você já jantou? – ele perguntou, afagando os meus cabelos.

— Não... – respondi, fechando os olhos – Mas eu não tô com fome. Não precisa se preocupar.

— Claro que eu vou me preocupar, Ginny. Olha o seu estado...

— Eu vou ficar bem.

— Eu sei que vai – encarei o meu irmão e ele me analisava sorrindo de canto – Você sempre fica. Lembra quando você tinha, sei lá, dez anos e Fred e Jorge ficaram com inveja e destruíram aquela sua bicicleta lilás inteira?

Eu sorri.

— Lembro. Foi horrível... – continuei sorrindo, perdida nas lembranças – Papai não tinha dinheiro, e aí eu tinha sido a única a ganhar presente de natal naquele ano. Eu amava tanto a minha bicicletinha...

— Pois é, admito que até eu fiquei ressentido com a exclusão... – ele continuou, fazendo cara feia – Mas o que você fez logo em seguida?

— Peguei todo o dinheiro da caixinha que os gêmeos escondiam no quintal e comprei uma bicicleta nova pra mim – respondi, orgulhosa – Eles quase me mataram.

Ron soltou uma gargalhada.

— Eles quase me mataram, isso sim – ele falou, balançando a cabeça, divertido – Era uma merda ficar entre vocês três porque sempre sobrava pra mim.

Eu caí na risada, acompanhando-o. Aos poucos fui me sentindo mais leve.

— Então... qual a moral da história? – questionei, me levantando um pouco para encara-lo.

— Não tem moral.

— Como assim?

Eu não estava acreditando que ele tinha relembrado tudo isso para nada.

— Eu só queria te distrair um pouco – Ron prendeu o riso. Eu belisquei a barriga dele de leve, inconformada – Ai, para porra! Você tava com uma cara triste e eu não sabia o que te dizer!

— Que tal um conselho de irmão?! – me levantei do colo de e joguei uma almofada na sua direção, também rindo – Tipo “você é forte, Ginny” ou “eu sei que vocês vão se resolver?”.

— Nah, todo mundo já diz isso... – ele se defendeu. Ron jogou a almofada em mim de volta e acertou o meu rosto em cheio. Ele levantou do sofá rapidamente – Pra que eu vou repetir?

— Isso doeu! – me armei com outra almofada maior – Volte aqui!

Ron correra em direção ao quarto dele e eu fui atrás. Continuamos a nossa brincadeira como se fossemos crianças novamente. Quinze minutos depois nos jogamos no chão do corredor, completamente cansados.

— Tô ficando velho... – Ron reclamou ofegante, com a mão no peito.

— Tá mesmo – concordei também exaurida.

Ele me deu um tapa na perna e eu descontei a ação. Antes que aquilo virasse um loop infinito de tabefes, o meu irmão me puxou para um abraço apertado. Eu retribuí na mesma intensidade.

— Eu vou mesmo ficar bem? – indaguei, levantando a cabeça para olha-lo.

— Vai... – os olhos azuis de Ron me miraram de volta, bondosos – Você vai sim.

Permanecemos ali juntos, cúmplices.

A semana começou agitada. A fórmula que Justino entregara na segunda-feira era muito extensa e complicada. Mais uma vez, eu e a minha equipe nos vimos perdidos em uma tonelada de processos químicos para resolver. Por sorte, no fim da manhã da quinta-feira, Sam sinalizou o erro nas questões, e, Angel e eu demos um jeito de adiantar o nosso trabalho e recuperar o tempo perdido.

— Eu não aguentava mais – Angel comentou, finalizando o requerimento – Achei que a gente não ia conseguir dar conta.

— Eu também... – concordei vagamente, enquanto arrumava minhas coisas.

— Ai Gin... – Angel girou a cadeira na minha direção – Eu odeio te ver assim, sabia? Não sei mais o que fazer pra te animar.

— Ninguém pode fazer nada, amiga. Nem eu mesma – lamentei depois de um longo suspiro.

— O Harry não veio falar com você ainda?

— Não. Nem eu sei se quero que ele venha.

— Vocês vão se acertar, Ginny.

— Pra quê? – me recostei na cadeira, largando um pouco a bolsa de lado – Pra brigar de novo depois? Prefiro deixar como tá. Vai ver é assim que tinha que ser.

Angel rolou os olhos e balançou a cabeça em negação. Ela esticou a mão para pegar o papel que saia da impressora.

— Sabe o que vocês são? Dois malucos. Isso sim – Angelina pôs o papel na pasta – Tá vendo que não tem cabimento essas brigas sem motivos. Por esse e outros motivos que eu não namoro.

— O pior que nem meu namorado ele teve coragem de ser... – proferi, um pouco ressentida – Todo um estresse por nada.

De fato, eu realmente sentia que havia me estressado por nada. Por uma ilusão, na verdade. Há mais de um ano eu justificava a minha paciência pela intensidade do que eu sentia pelo Harry. Só que a minha serenidade tinha ido por água abaixo. Eu nunca fui de aceitar mentiras ou omissões e ele havia passado dos limites. Ginevra Weasley nunca teve predisposição para sofrer e aquilo já passara do limite há muito tempo. Para mim só havia duas opções: ou Harry se entregava por inteiro comigo ou ele iria ficar sozinho de verdade, porque para mim não iria ter volta. Eu já estava cansada de metades.

— Gin, já tá quase na hora do almoço. Você vem? – Angel me perguntou, me despertando das minhas reflexões.

— Vou sim – fechei a bolsa e me levantei da cadeira, apressada.

— Certo, então a gente passa logo na coordenação de pesquisa e depois seguimos direto pra faculdade – ela comunicou assim que nós trancamos o laboratório.

— Coordenação de pesquisa? – franzi o cenho, sem entender o que iriamos fazer lá – Pra quê?

— Você tá mesmo avoadinha essa semana, né? – Angel sorriu. Nós entramos no elevador – Justino disse que se nós entregássemos o requerimento até hoje, não precisava aparecer aqui amanhã de manhã.

— Jura? Eu realmente não prestei atenção nisso... – eu comentei, surpresa. Acabei me ligando em um detalhe – Ué, mas cadê o requerimento?

Angel olhou para as mãos e fechou os olhos, se controlando.

— Que-caralho! – ela exclamou, pondo a mão na testa – Vou voltar pra buscar.

Eu ri.

— Depois eu que tô estabanada. Vou com você...

— Não, vá pra sala do Justino e peça pra ele me esperar. Aí a gente não dá viagem à toa.

Eu balancei a cabeça, concordando. O elevador abriu e eu desci, seguindo direto para a sala do meu chefe. Assim que eu dobrei o corredor e entrei no departamento, percebi que a recepção estava vazia. A secretária deveria ter saído para o almoço. Aquele não era um horário de muito movimento. Atravessei a entrada e segui para o lugar onde Justino costumava ficar. A porta estava meio aberta. Eu quase entrei sem avisar. Recuei apressadamente quando escutei outra voz conhecida.

— Aqui está, Fletchley. A quantia que nós combinamos.

Olhei pela fresta da porta. Lúcio Malfoy entregava um envelope branco e volumoso ao meu chefe.

— Obrigado, senhor – Justino agradeceu, sorrindo amarelo.

— Nunca se esqueça, meu caro, bons trabalhos sempre serão recompensados – Malfoy deu alguns tapinhas no ombro do meu chefe – Principalmente quando são feitos pra mim.

— Pode deixar. Não me esquecerei – Justino balançou a cabeça, em concordância.

Os homens trocaram um aperto de mão e Lúcio andou em direção a saída. Eu corri até a recepção e me sentei em uma das cadeiras disponíveis, como se esperasse para ser atendida. Lúcio me cumprimentou assim que me viu.

— Srta. Weasley! – ele saudou, se aproximou de mim – É sempre um prazer encontra-la pela empresa.

— Igualmente, senhor... – eu respondi, com um sorriso dissimulado.

— Procurando o Sr. Fletchley? – eu confirmei com a cabeça – Ele está na sala dele.

— Ah, posso ir até lá? – indaguei, totalmente fingida.

     Como sempre ridícula, Ginevra.

Prendi o riso.

— Claro, fique à vontade – ele autorizou, abrindo espaço para que eu passasse – Até mais ver.

— Até... – retribuí o aceno e andei até onde estava o meu chefe.

Dessa vez entrei de vez na sala. Justino sobressaltou-se. Ele jogou o envelope que estava em cima da mesa dentro da gaveta e trancou rapidamente.

— Ginny?! O que faz aqui? – Justino perguntou, cruzando as mãos em frente ao corpo – Eu estava de saída pra o almoço...

— Vim trazer o requerimento – respondi.

— Ah, claro... A autorização – ele pegou a caneta, pronto para assinar – Onde está?

— A Angelina foi buscar – expliquei, me encostando a parede – Ela me pediu para vir na frente.

— Vamos esperar então.

Mexi no cabelo, fingindo distração.

— Encontrei com o Lúcio na entrada – toquei no assunto, como quem não queria nada – Aconteceu alguma coisa?

Justino engoliu seco, se ajeitando na cadeira.

— Não, tá tudo na maior paz – ele sorriu para mim, mas eu sabia que não era verdadeiro – Ele só veio comentar algumas questões administrativas.

— Aaah... – eu sorri de volta – Não sabia que ele se envolvia pessoalmente nessas coisas...

— Depende da importância do assunto – Justino olhou de relance para a gaveta. Eu fingi que não percebi.

Ouvimos algumas batidinhas na porta. Angel pediu permissão para entrar.

— Desculpe a demora – ela se justificou, sentando na cadeira de frente a mesa do nosso chefe. Angel entregou a pasta com o requerimento – Eu tive que esperar o elevador ir lá em cima e voltar.

— Só perdoo porque é você... – Justino piscou para a minha amiga e ela rolou os olhos.

Ele leu superficialmente, como em todas as outras vezes, prendendo a atenção apenas nas partes mais importantes. Justino assinou o papel rapidamente e fez menção de joga-lo dentro da sua pasta de couro. Eu me adiantei, me oferecendo para entregar o papel na administração. Tanto ele, quanto Angel, franziu a testa, sem entender.

— Eu não tenho nada pra fazer agora... – argumentei. Apontei para o meu chefe – Você disse que tava indo almoçar, não seria bom você chegar ao restaurante muito tarde. Os lugares costumam encher bem rápido a essa hora.

— Verdade... – ele meneou a cabeça, ponderando – Mas não precisa se preocupar tanto assim com a entrega, Ginny. Amanhã eu posso passar para a Marie.

— Imagina, não me custa nada.

— Tem certeza? – Angelina questionou, desconfiada.

— Tenho sim, amiga. Pode ir também, pra você não se atrasar – eu insisti – Minha aula só é no segundo horário. Eu tenho esse tempinho livre.

Ambos enfim concordaram com o meu pedido. Justino me passou o requerimento e seguiu com Angel para o elevador. Eu me despedi dos dois, depois de acompanhá-los até uma das cabines. Entrei no elevador ao lado, quando o ascensorista avisou que estava subindo.  Assim que me identifiquei na recepção da ala administrativa, a secretária liberou a minha entrada. Pus a credencial de identificação no pescoço e segui até o escritório já conhecido. Bati na porta, mas não houve resposta. Girei a maçaneta e percebi que estava aberta. Acabei entrando na sala mesmo assim. O lugar continuava pomposo como sempre. As paredes mantinham a mesma cor, brancas, e a superfície lustrosa dos móveis de mogno reluzia com a claridade que entrava pela abertura da persiana. Uma cadeira preta, extremamente acolchoada e ainda maior do que a que eu tinha reparado da última vez que estivera ali, dava destaque ao ambiente. Uma quantidade considerável de prêmios na estante dos fundos dava um toque final à decoração.

— Exagerado como sempre... – comentei para mim mesma, sorrindo de canto e olhando ao redor.

— Discordo, Weasley. Não há exageros quando falamos de sofisticação.

Rolei os olhos e dei meia volta. Draco me observava parado, encostado na porta.

— Se você diz... – rebati, sarcástica. Ele sorriu.

— A que devo a honra da visita? – Draco perguntou, me encarando – Confesso que já estava perdendo as esperanças de ter alguma resposta sua...

— Não me diga que o grande Draco Malfoy também sente medo – o provoquei, encostando-me à mesa. Abaixei o tom de voz antes de continuar – Achei que esses sentimentos fossem apenas para os meros mortais, sabe?

— Pra você ver como nem tudo é o que parece, Weasley... – ele respondeu, se aproximando lentamente – Você sabe que surpresas é o meu nome do meio.

Por um instante os meus olhos bateram em um porta-retratos da estante dos prêmios. Acabei sorrindo involuntariamente.

— Pelo que eu me lembre, aquela fotografia não ficava ali... – apontei na direção da imagem.

— Certa caloura não aprovava quando ele ficava em cima da mesa – Draco esclareceu, sorrindo também. Deixei ele chegar um pouco mais perto.

— Caloura esperta.

— Bastante...

Quando o loiro estava a menos de três passos de mim, eu levantei o requerimento, impedindo que ele andasse mais.

— Eu vi trazer isso aqui pra você – estendi a mão com o papel e ele pegou, aceitando.

— Trabalhos e mais trabalhos... – Draco reclamou enquanto lia superficialmente o documento, visivelmente entediado – Pensou sobre a minha proposta?

— Pensei... – confirmei enquanto ele desviava o caminho até o outro lado da mesa.

Draco sentou-se em sua cadeira e me encarou.

— E então? – ele questionou, levantando as sobrancelhas.

— Eu aceito – respondi, firme.

— Bom, Weasley...  – o loiro deu algumas batidinhas animadas na mesa, com a ponta dos dedos – Muito bom...

Malfoy sorriu abertamente com o meu retorno positivo. Ele indicou a cadeira a minha frente e eu sentei. Draco guardou o requerimento dentro de uma pasta, antes de voltar sua atenção para mim novamente.

— Posso perguntar o que te levou a tomar essa decisão?

— Você me disse que precisava da minha honestidade. Eu percebi que tem muita gente mentindo nessa cidade.

— E você tem noção dos riscos? – ele semicerrou os olhos na minha direção.

— Completamente... – confirmei, fitando-o de volta.

— De todos?

— Cada um.

— Posso mesmo contar com você, Ginny? – Draco parecia estar buscando total segurança na minha afirmação.

Eu estendi a mão direita para ele. O loiro imitou o meu gesto, apertando a minha mão com firmeza. Um sorriso satisfeito brotou nos lábios de Draco.

— Dê boas vindas a sua mais nova aliada, Malfoy – eu disse, determinada – Será um prazer destruir um império com você.


Notas Finais


Então, meus amores. O que vocês acharam do capítulo?
Deixem aqui embaixo os lindos comentários de vocês.

Pra quem quiser acompanhar o outro lado da história, esse capítulo faz ligação com outro lá d'A Troca. Então:
==> Se vocês desejam saber como foi a conversa da Ginny com a Mione e com a Luna, é só dar uma olhada no capítulo 12 - "A Briga".

Beijos, até domingo!


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