História A Escolha - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Gina Weasley, Harry Potter
Tags Gina, Ginny, Harry, Mistério, Potter, Romance, Weasley
Exibições 71
Palavras 3.898
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Ecchi, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiê gente,

Cá estou eu com mais um capítulo. Espero que gostem.

Capítulo 2 - O Apartamento


– Satisfeito? – eu perguntei, praticamente quebrando o celular de tanto aperta-lo – Eu cancelei a porra do meu jantar por sua causa!

– Olha o modo como você fala comigo, Potter – Snape vociferou, com o dedo em riste – Você ainda está sob o meu teto.

– Meu teto, você quis dizer. Minha casa. A casa dos meus pais! – eu retruquei, com raiva, enfatizando nos pronomes possessivos – Da minha família.

– Lily deixou a casa no meu nome, juntamente com a sua guarda – ele argumentou presunçoso – Ainda que seu desprezível pai não concordasse com essa atitude na época.

O tom de provocação era claro na voz de Snape. Ele sabia que eu odiava a forma como ele se referia ao meu pai. Mesmo furioso eu me controlei.

– Diga logo o que eu você quer. Eu no tô afim de ficar aqui com você a noite toda – falei de forma mais desdenhável que eu pude – Tenho que organizar o meu apartamento já que você resolveu ficar com a minha casa.

– É exatamente sobre isso que eu quero falar com você – ele disse.

Eu franzi a testa, inquisitivo. Não havia nada sobre o meu novo lar que fosse da conta de Snape.

– Você tem certeza que quer levar isso à diante? – ele perguntou, me encarando.

– Isso o que, exatamente?

– Não se faça de idiota, Potter – ele rebateu, colérico – Você acha que eu não sei que você conseguiu o documento com o pai do Diggory?

     Merda! Ele descobriu. De novo.

– E você vai fazer o que em relação a isso? – eu o indaguei, desafiador – Vai arrumar nossas malas e me obrigar a me mudar mais uma vez? Acho que a gente já fez isso o bastante.

– Não me provoque, Potter – ele avisou, semicerrando os olhos para mim – Você sabe muito bem que eu posso dar um jeito nisso.

– Eu já sou maior de idade há muito tempo, Snape. Por isso que eu voltei pra cá – eu esfreguei as condições bem na fuça dele. Pelo menos uma vez na vida Snape teria que aceitar que não pode controlar todo mundo – Você não tem mais esse poder e eu tô cansado. Cansado de você me obrigar a fugir.

– Não teria sido necessário se você não vivesse mexendo onde não deve – ele se defendeu – Você acha que foi fácil pra mim ter que aturar sozinho uma criança insuportável de cinco anos, de um dia pra o outro? Ter que olhar pra você todos os dias e enxergar o seu maldito pai refletido. O homem que desgraçou a vida da minha irmã!

– Lave sua boca pra falar do meu pai. Você não é nem 10% do homem que ele tentou ser um dia – eu cuspi as palavras sem nenhum pesar – E minha mãe não era sua irmã. Não tente se incluir. Você nunca fez parte dessa família.

– Lílian cresceu junto comigo, ao meu lado! Eu que estive com ela quando ela mais precisou! – Snape enfatizou, como sempre fazia – Você nunca vai poder apagar isso. Nunca! Lily quis que as coisas fossem assim e elas permanecerão como estão.

– Foram dez anos até você me contar a verdade! – eu explodi – Dez anos! Você queria que eu fizesse o que depois? Que eu ficasse sentado esperando a sua boa vontade?

– Eu fiz o que o que sua mãe me pediu – ele falou. Incrivelmente ele agora estava bem mais calmo do que eu – Se dependesse somente de mim você não saberia de nada até hoje.

– Ainda bem que não depende só de você... – eu afirmei, sibilando as palavras de forma grosseira – E eu não vou desistir até conseguir. Ainda mais agora com todos os recursos disponíveis. Eu posso continuar de uma vez, sem a sua interferência.

Snape me deus as costas e andou em direção ao bar embaixo da escada principal, que dava acesso ao segundo pavimento. Ele pegou uma garrafa de conhaque e abriu lentamente. Em todos os anos que eu morei com Snape, dava para contar nos dedos o número de vezes que eu o vi beber.

– Me diga, Harry, o que você vai fazer? – Ele me perguntou enquanto despejava a bebida no copo, com um pouco de gelo. Pude sentir uma nota de deboche na voz dele – Vai gastar todo o dinheiro que o seu pai deixou? A propósito, a única coisa boa que ele pôde deixar. Você agora vai simplesmente torrar tudo por causa de um sonho infantil?

– Isso tá longe de ser um sonho, Snape – eu falei, me apoiando no encosto do sofá. Minhas mãos afundaram lentamente pelo pano acolchoado – Você sabe disso muito mais que eu.

– Eu não sei de nada, Potter – Snape permaneceu de costas, com as mãos apoiadas no balcão do bar.

Sua voz saiu impassível como sempre. Qualquer outro teria acreditado no que ele disse, porém eu sabia que ele estava mentindo. Snape era muito bom em esconder os sentimentos.

– Ah não...? Não sabe mesmo...?! – eu fomentei, sorrindo sarcástico – Então por que você não recorreu à ordem do juiz dessa vez? Por que não tentou bloquear novamente esse dinheiro que te ameaça tanto?

– Porque não vale a pena – ele se virou para mim, com o copo na mão – Durante quase dezessete anos o dinheiro do seu pai nunca me encheu os olhos. Não seria agora que essa condição mudar

– Eu também nunca liguei pra merda desse dinheiro! – eu vociferei. Uma tristeza incomum irrompeu o meu peito antes de continuar – Mas você sempre se empenhou tanto em esfregar na minha cara que eu não era capaz de fazer nada sozinho. Por isso agora eu faço questão de gastar cada centavo dessa fortuna, se necessário, só pra te provar o contrário.

O semblante de Snape saiu de vanglorioso para estranhamente sombrio. Acho que eu poderia identificar um toque de esperança ali, se ele fosse capaz de sentir isso.

– Você estaria me fazendo um favor se me provasse que eu estou errado, Potter – ele disse, me encarando – Mas, infelizmente, ninguém pode fazer isso.

– É o que veremos.

Não esperei para ouvir mais nada que Snape estivesse disposto a me dizer. Desci para a garagem e entrei no carro, batendo a porta com tudo. Descansei minha cabeça sobre o volante por alguns minutos, completamente esgotado. Minha vontade era quebrar tudo ao meu redor.

     Por que você se deixa abalar tanto, Harry?

Porque eu sou um imbecil. Eu havia conseguido estragar minha noite por completo, mais uma vez por causa de Snape. E para nada. Ginny deveria estar uma fera comigo e com razão. Era a nossa noite de comemoração e eu consegui destruir tudo, mais uma vez.

     Eu no lugar dela já teria desistido de você, Potter.

Era o que eu estava merecendo. Perder ela também era o que faltava para a minha desgraça ficar completa. Eu girei a chave do carro e saí da mansão o mais rápido que pude. Pensei em dirigir até a casa de Lupin, mas era bem possível que uma hora dessas da noite ele estivesse ocupado com o compromisso de todo o final de semana e meu humor não estava nada bom para fazer companhia. A solução seria realmente ir dormir no apartamento vazio. Era uma droga não ter alguém diferente que eu me sentisse realmente à vontade para conversar nesses momentos. Me identifiquei na portaria do condomínio e estacionei não muito depois.

– Boa noite, Sr. Potter – o porteiro que eu não lembrava o nome me cumprimentou quando eu parei no lounge do prédio para perguntar se os móveis já haviam chegado – Chegou uma parte hoje à tarde, mas eu não mandei montar logo. O senhor não me pediu urgência, nem me avisou que viria pra cá.

– Não tem problema, o erro foi meu – eu o tranquilizei – Mas eu vou subir mesmo assim pra dar uma olhada se tá tudo certo.

Me despedi e entrei no elevador. Apertei o botão do décimo oitavo andar com uma raiva incomum. Eu estava distraído olhando para o nada até que uma voz conhecida me cumprimentou, quando paramos em algum andar antes de meu.

– Oi Harry.

Olhei para o lado, subitamente desperto.

– Ah, oi Cho – minha colega de faculdade estava prostrada ao meu lado, segurando a bolsa com as mãos na frente de corpo – Eu não tinha te visto.

– É, você entrou no elevador meio distraído – ela comentou, ajeitando os longos cabelos lisos.

Um silêncio incômodo se instaurou entre nós por alguns segundos. Eu resolvi quebrar o gelo da situação.

– Você mora nesse prédio? – perguntei educadamente.

– Moro sim – Cho me respondeu, balançando a cabeça e comentando logo em seguida – Nunca tinha te visto por aqui antes...

– É que eu tô mudando agora – eu respondi, explicando – Tem muito tempo que você mora aqui?

– Mudei tem uns três anos – ela contou – A família do meu marido queria que a gente morasse pelas redondezas.

     Marido?

– Você é casada?! – eu juro que essa informação era totalmente nova para mim.

Acho que a minha indagação deve ter saído tão espantada que Cho acabou rindo da minha reação.

– Tradições familiares – ela comentou – Sabe como é...

Eu balancei a cabeça, ponderando. Era um costume oriental casar cedo mesmo. Engraçado que a Cho, mais nova do que eu, já era casada há três anos e eu nem sequer havia tido coragem de pedir Ginny em namoro de verdade. Pensar nisso acabou me deixando chateado novamente.

– Você fica em qual andar? – Cho me perguntou.

– 18º – eu respondi.

– Eu desço aqui – ela falou indicando o décimo sexto – Tchau Harry, a gente se vê por aí.

Nós nos despedimos. Eu cheguei ao meu apartamento logo depois. Assim que eu abri a porta me dei conta de aquele lugar estava bagunça. Diversas caixas de papelão descansavam empilhadas no canto da parede. As partes dos moveis, ainda embalados, também compunham o cenário. Tinha lata de tinta até em cima da pia. Uma zona completa. Para minha sorte, pelo menos eles já haviam entregado a cama e eu não iria precisar dormir no chão sujo.

Soltei um longo suspiro. Ir para aquele apartamento naquelas condições tinha sido uma péssima ideia. Comecei a organizar algumas coisas no automático, sem muita animação. Quando dei por mim já havia passado das vinte três horas. Meu estomago roncou de fome. Sentei na beirada do colchão, cansado.

     Onde você estava com a cabeça na hora de sair assim, Harry?

Tirei os óculos e esfreguei os meus olhos, pondo certa pressão nos dedos. Definitivamente eu não estava a fim de ficar ali sozinho. Levantei e dei uma última olhada no apartamento, antes de descer apressado para o estacionamento. Vinte minutos depois eu parei o carro na frente da casa de Lupin. Para a minha sorte as luzes ainda estavam acesas. Apertei a campainha e rapidamente a porta se abriu a minha frente.

– Harry? – Lupin me analisou sem entender. Ele já estava vestido no pijama e seus poucos cabelos estavam bagunçados – Não esperava você aqui hoje, uma hora dessas...

– Eu tô atrapalhando? – eu perguntei, sem jeito – Ele tá aí?

– Tá, sim – Lupin me respondeu, me dando passagem – Mas já foi dormir, tava cansado.

– Imagino – eu falei, me jogando no sofá. Remo sentou ao meu lado.

– Por que não veio mais cedo? – ele perguntou, me analisando.

– Vocês quase não têm tempo de ficar juntos e sozinhos – eu me expliquei – Não quis incomodar.

– Você sabe que a sua presença é mais do que bem vinda – Remo falou, amavelmente – E sabe também que você não precisa ficar naquele apartamento sozinho só por causa de Severo.

Eu sorri de canto com a perspicácia dele. Lupin conseguia entender o que se passava com as pessoas com uma facilidade absurda.

– Eu sei disso, mas eu quero ter minha própria experiência de gente grande – a minha resposta saiu em tom divertido e Lupin acabou rindo.

– Você que sabe – ele respondeu, levantando do sofá – Vou fazer um café pra gente, já volto.

Remo seguiu em direção à cozinha e eu permaneci sentado, observando a casa ao meu redor. Por muitos anos aquele lugar tinha sido o meu refúgio. Apoiei a chave do carro na mesinha lateral e concentrei o meu olhar na fotografia que eu estava acostumado a ver descansando no de sempre. Mecanicamente, eu peguei o porta-retratos. Na foto, meus pais, meu padrinho e Remo sorriam alegremente, vestidos no uniforme do colégio. Não sei quanto tempo levei analisando a imagem até Lupin voltar com duas xícaras na mão e um pedaço de torta. Ele sentou no sofá e estendeu um dos braços para mim.

– Por que, Remo? – eu aceitei uma das xícaras e a torta.

– Não teve um só dia na minha vida que eu não me fizesse a mesma pergunta, Harry – ele respondeu, também olhando para a fotografia.

– Eu não sei se consigo entender – bebi um gole do café antes de continuar – Muito menos perdoar. Eles já sabiam o que ia acontecer. E pra piorar, ainda me deixaram com o Snape.

– Lily e James tinham suas razões, Harry – Lupin se recostou – E Severo não fez de todo um trabalho ruim. Olhe pra você. Veja quem você se tornou. Uma pessoa honesta. Integra. Nada além do que os seus pais queriam pra você.

– Não precisava ter sido assim... – eu rebati, inconformado – Eles podiam ter dado um jeito... eles deveriam ter m...

– Harry – Lupin me cortou – Esse foi o jeito.

– Eu passei a minha vida toda acreditando em uma mentira, Remo. Tem certeza que esse foi o jeito certo?

Eu tentei me controlar, mas o tom da minha voz não saiu nada menos que exasperado. Remo sorriu, compreensivo.

– Sabe, eu acho que já passou da hora de fazermos uma visita ao Lago... – ele comentou – O que você acha de irmos lá no fim do mês?

– Achei que lá estivesse fechado – eu falei, surpreso. A ideia de ir ao Lago me agradava bastante.

– Eu consegui recuperar a chave – Lupin deu de ombros – E então, aceita?

Acho que o meu sorriso foi resposta suficiente para ele.

– Então tudo certo – ele combinou, dando tapinhas no meu ombro.

Remo recolheu o prato e as nossas xícaras vazias e levantou novamente em direção a cozinha. Pude ouvir o barulho dele depositando a louça na pia. Alguns minutos depois ele retornou, parando em frente ao corredor.

– Eu vou desmaiar de sono, Harry – Remo disse, prendendo um bocejo – Estou indo dormir. Se precisar de alguma coisa me chama lá no quarto.

– Tá tranquilo – eu falei. Já conhecia aquela casa como a palma da minha mão, então era certo que eu não precisaria de ajuda – Daqui a pouco eu vou me deitar também.

Lupin fez um sinal de positivo com a cabeça.

– Sendo assim, boa noite – ele se despediu, seguindo para um dos quartos.

Eu coloquei a fotografia onde estava antes e me deitei no sofá. Liguei a televisão e vasculhei os canais, sem muito interesse. Parei subitamente quando encontrei um desenho animado. Acabei rindo quando percebi que era o preferido da Ginny. Era incrível como ela podia transitar facilmente entre ser uma menina feliz e brincalhona, despreocupada de todos os problemas, e ser uma mulher firme e decidida, ciente de seus desejos. Estar com Ginny era ter certeza de que os meus dias nunca teriam uma rotina, eles iriam ser sempre diferentes um do outro.

Eu me peguei pensando em como eu me sentiria mal se ela um dia resolvesse sumir. Porque era exatamente isso que iria acontecer. Um dia Ginny iria embora, como todas as outras pessoas que passaram pela a minha vida. Eu tentei por muito tempo não me ligar a ela, tentei não chegar muito perto. Só que aí cada dia que passava Ginny ia se aproximando aos poucos, conquistando o seu lugar. A amizade dela com Luna e Hermione se fortaleceu, o companheirismo entre ela e Neville também. Quando eu vi, o meu ciclo de amizade já não era mais somente meu, era nosso.

E não que a presença dela me incomodasse, pelo contrário. Ginny trouxe vida as conversas. Eu passei a me ver sentado na cantina, todos os dias, esperando que aquela onda de cabelos vermelhos e olhos cor de mel aparecer e me dizer alguma coisa engraçada. O tempo foi passando e levou o meu medo de contato. Aí vieram as trocas de mensagem, as ligações. Os encontros. Até que um dia eu acordei com ela do meu lado e percebi o quão fodido eu estava, apaixonado. Daí em diante a única coisa que eu soube fazer foi estragar tudo. Mesmo assim Ginny se manteve do meu lado, ignorando todas as merdas que eu fiz e que provavelmente continuaria a fazer. Um dia paciência dela acabaria de vez. O pior de tudo é que desde que isso que acontece entre nós começou, eu deixei de saber se eu estava realmente preparado para me desligar dela algum dia.

Acabei pegando no sono ali no sofá mesmo, perdido nos meus pensamentos. Acordei algum tempo depois, com o metal dos meus óculos machucando o meu nariz. Ainda de olhos fechados, estiquei o braço e tateei a mesinha de centro, procurando o celular. Conferi as horas quando eu o achei, eram quase cinco da manhã. Na tela de mensagens pude ver que Ginny estava online. Minha cabeça pesou um pouco, não queria que ela estivesse acordada por causa do meu vacilo. Sem pensar duas vezes, resolvi me desculpar com ela. Tentei ligar, mas a linha só dava ocupada. Sem muitas opções, acabei mandando uma mensagem. Ela visualizou, mas não me respondeu. Ginny deveria estar chateada, afinal eu cancelei a comemoração de data importante, o nosso primeiro beijo. Eu sabia que Ginny dava valor a isso. Resolvi dar espaço a ela e não insistir.

Levantei do sofá com um pouco de dificuldade. Minhas costas doíam.

     Tá na hora de Lupin trocar a porra desse sofá, pelo amor de Deus!

Segui para o quarto que eu sempre estava acostumado a usar e me deitei em uma das camas. A outra, apesar de desforrada, estava vazia. Tirei os óculos e coloquei no criado mudo. Apaguei logo depois, sem nem ao menos trocar de roupa. Despertei com o barulho do celular tocando no meu ouvido.

– Harry, cadê você? – indagou do outro lado da linha, audivelmente irritada.

Eu havia esquecido totalmente o meu compromisso com ela.

– Dormindo – eu respondi enquanto levantava, bocejando.

– Dormindo?! – ela praticamente gritou do outro lado da linha. Eu acabei rindo.

– Eu já tô indo – falei, já saindo do quarto – Eu dormi aqui no Lupin. Perdi o horário.

– Se você não chegar aqui em dez minutos, Harry Potter, eu vou embora – Hermione me ameaçou e eu voltei a rir.

– Vinte, por favor – eu barganhei – Não jantei ontem a noite. Tô morrendo de fome.

– Quinze e não se fala mais nisso – Mione tentou manter a voz firme, mas eu percebi que ela estava rindo.

Me despedi e desliguei o telefone rapidamente. Era bem capaz de Hermione ir embora mesmo, caso eu não chegasse no horário estipulado. Fui até a cozinha e encontrei um recado de Remo grudado na geladeira.

“Fomos ao shopping. Voltaremos às 11h.

Se você for ficar para almoçar me mande uma mensagem.

Remo”

 

Abri o refrigerador e peguei a jarra de suco, despejando rapidamente no copo. Para a minha sorte, Lupin havia comprado uma torta grande o suficiente para poder guardar a sobra na geladeira. Eu parti um pedaço generoso e comi satisfeito. Lavei rapidamente o que eu havia sujado e corri até o carro. Quando eu cheguei à frente do meu prédio, Hermione esperava sentada na portaria pacientemente, conversando com o porteiro. Fiz sinal para os dois e me aproximei.

– Bom dia, Sr. Potter – o porteiro me cumprimentou, animado.

– Por favor, me chame de Harry. Eu odeio formalidades – eu falei, retribuindo a cordialidade.

– Eu estava conversando com a sua amiga – ele falou empolgado, indicando Hermione – Ela estuda com a minha filha, no mesmo semestre.

– Quem é ela? – eu franzi a testa, curioso. Se ela estudava com Hermione, também era minha colega. Afinal de contas nós fazíamos o mesmo curso.

– Mylie – Mione me respondeu.

 – O senhor é o pai da Mylie? – eu estava surpreso – Nossa, como o mundo é pequeno.

– Sim, a minha Romilda foi a primeira da família a entrar na universidade! – ele falou orgulhoso – O senhor.. quer dizer... você também a conhece?

– Sim, estudamos juntos – fiz um sinal com a mão indicando.

Nós continuamos a conversar por mais alguns minutos sobre a universidade até que ele me avisou que os montadores já haviam chegado mais cedo e iniciado o trabalho. Hermione e eu nos despedimos dele e subimos até o apartamento.

– Achei que fosse estar mais bagunçado – ela comentou, olhando ao redor – Pelo jeito que você havia me dito na quinta, pensei que fosse estar uma zona.

– Estava – eu falei – Mas eu passei aqui ontem de noite e comecei a dar uma adiantada na organização.

– Hmm, sei... – eu conheço esse seu tom, Hermione – Passou, foi?

– Diga logo o que você quer saber, Mione.

Ela levantou as duas sobrancelhas para mim, com um ar superior.

– Eu, Hermione, não quero saber de nada não – ela disse, analisando um dos montadores trabalhar – Mas eu acredito que a Ginny queira.

– Ela já te contou o que aconteceu? – perguntei interessado.

– Eu estava lá quando você ligou pra ela, Harry – Mione me encarou, condescendente – Eu nem deveria estar te dizendo isso, mas ela ficou bem mal. Acho que vocês deveriam conversar.

– Isso se ela quiser conversar comigo, né? – eu sinalizei.

– É, ainda tem isso...

O tom da voz de Hermione soou estranho aos meus ouvidos.

     Acho que está acontecendo alguma coisa que você não sabe, Potter.

Eu franzi a testa, sem entender. Hermione desconversou e se afastou rapidamente, indo apontar algum erro na montagem para um dos homens que estavam trabalhando. O resto dos móveis chegaram no meio da tarde. Nós ocupamos quase o dia inteiro até terminar todo o serviço de montagem e decoração. Pelo menos o resultado final ficou bastante satisfatório. O apartamento estava pronto. Bastava apenas agora limpá-lo para que eu pudesse me mudar. Mione foi para casa e eu retornei a mansão. Para a minha sorte, Snape não estava e não parecia que iria chegar tão cedo. Eu tomei um banho demorado. Logo em seguida jantei e fui dormir.

Acordei no domingo obstinado a conversar com Ginny. Me arrumei e me dirigi a casa antes mesmo das dez da manhã. Igor me recebeu amigavelmente na portaria e autorizou a minha subida sem nenhuma cerimônia. Ele já estava acostumado com a minha presença. Toquei a campainha três vezes antes de Ginny vir me receber, vestida apenas num robe preto.

– Harry... – ela estava visivelmente surpresa com a minha presença.

– Oi – eu a cumprimentei – Posso entrar...?

Antes que Ginny me respondesse um cara sorridente e sem camisa apareceu atrás dela, mexendo no celular.  Automaticamente, um nervosismo nada disfarçado cresceu em mim. O semblante de Ginny congelou totalmente ao perceber a minha expressão.

– Linda, vem ver isso aqui... – o cara comentou, ainda concentrado na tela do celular – Você não vai acred...

O homem levantou a cabeça, animado, mas a sua empolgação se esvaiu assim que ele deu de cara comigo na porta. Acho que a minha fisionomia realmente não deveria estar muito amigável, pois ele arregalou os olhos e deu alguns passos para trás, atônito. Eu engoli a seco e apoiei minhas mãos de cada lado da moldura da porta, encarando a ruiva a minha frente, antes de me manifestar novamente.

– Quem é esse aí? – indiquei com a cabeça o cara atrás dela. O tom da minha voz deixava claro o meu desagrado.

Ginny levantou as sobrancelhas antes de me responder. Seu olhar era completamente desafiador.


Notas Finais


E então....
Quem será esse carinha aí?

Me diga o que vocês acharam aqui nos comentários.

Beijos, até domingo !


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...