História A Escolhida - Capítulo 1


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Espero que gostem

Capítulo 1 - Capítulo 1


Era noite. Uma fina garoa caia do lado de fora da pequena casa. Da rua, para aqueles que passavam apenas duas luzes atavam acesas, para aqueles que moravam lá, uma. No quarto de cima, improvisado no pequeno sótão, Alexa tampava os ouvidos com o travesseiro, mas sua tentativa de abafar o som que vinha da cozinha era falha. Toda a vizinhança podia ouvir os gritos e xingamentos, mas ninguém se atrevia a interferir.

  “Se ao menos estivesse tudo limpo!”

  “Tenho que cuidar da menina e da casa! Faço sua comida, lavo suas roupas, não tenho tempo para mais nada.”

  “Você não presta nem para isso. Parece que me casei com uma mula velha!”

  “Você quem quis assim!”

  “É o mínimo que devo querer, já que aturo você e a menina, sempre chorando, sempre pedindo dinheiro e gastando com bobagens. Você limpa, é a sua função!”

  “Não sou sua criada!”

  “Você é sim, vai limpar e cozinhar até eu me cansar de ver a sua cara de mula velha!”

 Uma panela caiu no chão, quebrando a discussão em dois lados silenciosos. Por um rápido momento, Alexa achou que havia acabado e descobriu a cabeça. Sua respiração ofegante, abafada pelas lágrimas que escorriam em seu rosto era a única a se manifestar naquele breve momento de silêncio, que se manteve e manteve.

 Não era normal tal silêncio e isso deixou a garota preocupada. Toda a cena horrível que já presenciara naquela casa veio em sua cabeça. Sua mãe apanhando, chorando no canto, seu pai a ameaçando com uma faça, tudo de uma vez, e ela soube que não poderia permitir isso acontecer.

 Ela pulou da cama e foi até a porta. Ainda silêncio. A porta rangeu ao abrir, mas apenas isso. Cautelosamente, ela desceu as escadas e andou até a cozinha. Do corredor, conseguia ver seu pai inquieto, seu peito crescia e murchava com a respiração acelerada, suas mãos tremiam.

  “Pai.” –Ela chamou, mas não obteve respostas. Ele olhava fixo para um ponto no nada.

 Alexa foi até ele lentamente, uma parte de si queria ver sua mãe, mas era impedida pela outra parte com medo. Estava muito silêncio, silêncio até de mais.

  “Ela pediu por isso.” –Ele sussurrou.

 Deitada no chão da cozinha, com uma mancha de sangue ao lado da cabeça, sua mãe dormia para sempre. Seus olhos marcavam o desespero que visto antes da morte, porém, em seus lábios apenas um sorrido de alivio e paz; ela estava livre dele.

  “Por que pai?” –Alexa perguntou.

  “Vá para o seu quarto.” –Ele deus as costas ao corpo e se dirigiu a garrafa em cima da pia- “Isso não é coisa para criança.”

 Alexa se aproximou do corpo e ajoelhou-se ao lado. Se ela ao menos tivesse vindo antes, talvez pudesse socorrer a mãe e suas mãos não estariam com sangue agora.

  “Eu disse para subir.” –Seu pai repetiu.

  “Você a matou.”

  “O que disse?”

  “Você a matou!” –Ela gritou.

  “Como ousa falar assim comigo mocinha.” –Ele cambaleou até ela e a puxou pelos braços- “Vai subir agora, antes que acabe como ela.”

 Alexa olhou em seus olhos e não acreditou no que viu. Aquele não era seu pai, nunca fora, mas agora menos do que nunca. Ela já estava acostumada com aquele tratamento, os xingamentos e as surras, mas nunca achou que ele poderia matar sua mãe, a mulher que ele amava.

  “Você é um assassino papai.” –Ela choramingou- “Um assassino.”

  “Calada!” –Ele a estapeou no rosto – “E não me chame de pai. Não sou pai de uma mula como você.”

 Em um movimento rápido, ele a agarrou pelos cabelos e a levou com ele escada a cima. A garota gritava e tentava se soltar, mas os dedos estavam cravados nos fios negros de sua cabeça. Ao chegar no quarto, ele a largou no chão, fazendo-a cair de joelhos.

  “Mula, não serve para nada.” –E bateu a porta, deixando Alexa no escuro.

 E lá ela ficou, jogada no chão, sabendo que sua mãe estava morta e logo ela estaria também. Seu coração não cabia tanta tristeza, queria chorar para sempre, gritar e espernear no chão. O que fizera ela a Deus para tamanho castigo? Mas Ele não estava lá... Havia deixado aquela casa há muito tempo.

 De repente, algo dentro de si, uma pontada no peito, começou a crescer. Era um novo sentimento, mais forte e mais poderoso... Tomou conta de seu corpo indefeso.

 Ela sentou no chão e limpou o rosto com manga da camisola, e as novas lágrimas que estava se formando nos olhos, secaram. Não havia o porquê de chorar, não havia o porquê de se lamentar pelos cantos, ela não era a culpada, era apenas a vítima. E não era certo sofrer por isso. Era certo fazer o culpado sofrer.

 Ainda no escuro, andou até o criado mudo ao lado da cama e de dentro da gavetinha, tirou uma caixinha de fósforos. A chama quente ardeu em seus olhos já acostumados com a escuridão, e ela prometeu a si mesma que nunca mais ficaria no escuro. A pequena chama cresceu a ser alimentada pelo pavio da vela, que agora era carregada por Alexa pelo quarto.

 Seu pai terminava a garrafa na sala, quase dormindo por causa de embriaguez, a ponto de não notar a garota na escada. Segundos depois, seus roncos afogados sinfonizavam toda a casa em sono profundo. Alexa parou em sua frente e o olhou.

 Aquele homem havia trazido tanta mal e desgraça. Aquilo deveria acabar!



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