História A Escolhida - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Eliane Giardini
Tags Eliane Giardini, Werner Schunemann
Visualizações 81
Palavras 4.199
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Mistério, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa noite Galera!
Antes de mais nada preciso avisar que a partir desse momento a Clarisse começará a passar por momentos difíceis, sendo assim espero realmente que vocês tenham paciência e não desistam da história!
Boa Leitura...

Capítulo 13 - A Festa - Parte 2 - O Espetáculo Horrendo


Fanfic / Fanfiction A Escolhida - Capítulo 13 - A Festa - Parte 2 - O Espetáculo Horrendo

 

Uma onda de tremores invadiu meu corpo assim que avistei minha irmã. Ela olhava alternadamente de mim para Eduardino, que apalpava o abdome, provavelmente sentindo ainda os efeitos da agressão sofrida. – Eu só posso ter me enganado... Eu não ouvi isso... – Luíza olhou sofregamente para Edgar. Ele abaixou o rosto e andou para um canto da sala, enquanto penteava os próprios cabelos com a mão. Eu já sabia que esse era um dos gestos que ele fazia quando estava tentando controlar sua fúria. A atitude dele acabou sanando a dúvida dela. – Clarisse? Você não foi capaz de fazer isso comigo... Não, eu não posso acreditar nisso... – Eu me esforçava para olhar em seus olhos, mas não conseguia. A vergonha e a culpa me impediam de encará-la. – Meu Deus! Eu fui traída pela minha própria irmã? – Seu rosto começou a ser banhado por lágrimas e a expressão de dor dela e sua voz sôfrega, eram como um punhal em meu peito. – Não, Luíza... Você sabe que eu jamais faria isso com você... Jamais! – Tentei argumentar e as lágrimas agora desciam quentes por meu rosto. – Foi ele quem me agarrou... Me beijou a força... – Tentei me defender e meu cunhado me interrompeu. – Não seja cínica, Clarisse! Você vem me seduzindo há bastante tempo... – Ele falou sério tentando contornar a situação e me tornar a mentirosa da história. – Eu nunca tentei te seduzir! Você que sempre me assediou! Eu fingia que não percebia, por amor a minha irmã! – Comecei a gritar descontrolada e apontei o dedo indicador para ele. – Amor? Como você tem coragem de falar em amor? Você tentou me seduzir, mesmo sabendo que eu era casado com sua irmã! – Desgraçado... – Perdi a cabeça e tentei ir pra cima dele, mas ele segurou meu braço me impedindo e me empurrou. – Você estava tão distante ultimamente... Era por isso... Você esta apaixonado pela minha irmã! – Ela gritou enfurecida a última frase e começou a repuxar seus próprios cabelos em um surto. Me desesperei e tentei segurar seus braços, mas ela me impediu. Eduardinopareceu assustado e também tentou contê-la, também sem sucesso. Ela se enfureceu ainda mais e começou a socar o peito dele. – Não me toque! Como você pôde fazer isso comigo? Como? Eu te amo tanto... – Os gritos de pranto dela agora ecoavam pela sala e Edgar rapidamente a segurou por trás para impedi-la de continuar a agressão. – Me solta! – Gritou e Edgar a soltou se afastando. Coloquei a mão em minha boca para abafar um soluço de choro ao ver Luíza naquele estado. E eu era a culpada. – Você vai me pagar por essa humilhação! – Ela apontou o dedo para o marido e sua expressão era de revolta. Ela tirou os próprios sapatos e os atirou longe e saiu em disparada da sala. Entreolhamo-nos em desespero, sem entender o que ela queria e Eduardino foi o primeiro a tomar uma atitude e saiu correndo da sala. Eu e Edgar fizemos o mesmo. Quando chegamos ao final do corredor vi de longe quando meu cunhado a alcançou a puxando pelo braço, mas ela o empurrou e começou a descer as escadas correndo. Quando eu e Edgar chegamos ao final da escadaria, só tivemos tempo de ver o vulto de meu cunhado, adentrando ao Salão de Festas. Edgar se precipitou antes que eu e quando finalmente adentrei ao local vi a cena deprimente de minha irmã no meio da sala. Ela estava descomposta, sem sapatos, os cabelos que antes estavam delicadamente presos em um lindo penteado, agora estavam totalmente desalinhados. Ela sorria como uma débil e diante da cena, a música alegre cessou imediatamente. Os convidados todos observavam tudo desacreditados. – Senhoras e Senhores! Povo de Estradina! – Ela começou a gritar e as pessoas todas ficaram em silêncio absoluto. Meu corpo estava totalmente trêmulo e meu coração disparado. –Estão vendo essa desgraçada aqui? – Ela apontou para si mesma, sorrindo como uma desequilibrada. – Essa infeliz aqui, acaba de descobrir que o marido esta apaixonado pela sua própria irmã! – Ela batia contra o próprio peito. As pessoas todas começaram a cochichar espantadas. Muitos olhavam para mim. Eduardino correu até o centro do salão e segurou minha irmã pelos braços. – Para com isso! Você esta louca? – Ele tentou falar um pouco mais baixo, mas os que estavam mais próximos, como eu, puderam ouvir. – Me larga! Eu vou dizer pra todos aqui! A cidade inteira vai saber o canalha que você é! – Ela gritava e o empurrou mais uma vez. – Esse homem aqui! Estava há poucos minutos atrás aos beijos com minha própria irmã! – As lágrimas escorriam por meu rosto involuntariamente e a única coisa que eu mais desejava naquele momento era sumir dali. Edgar ainda estava visivelmente abalado e nem olhava para mim. – Quantas outras vezes isso poderá ter acontecido? Em quais lugares? No meu quarto? Na minha cama? – Ela gritava e as lágrimas escorriam por seu rosto que estava rubro. – Não! Nunca aconteceu nada! Eu juro a você! Jamais faria algo assim com você... – Me aproximei desesperada e ela deu passos para trás, na tentativa de ficar longe de mim. – Eu queria tanto acreditar em você... – Seu pranto de dor, ecoava pela sala. E as pessoas a olhavam com pena. – Tanto... – Completou, mas a palavra quase não saiu, pois um gemido entrecortou sua voz. – Acredite em mim! Eu nunca quis nada com o seu marido! Era ele quem me assediava, me importunava! – Argumentei, enquanto ela escondia o rosto entre as mãos. – Ah era eu? Então porque você correspondia a cada beijo? A cada carícia? – Ele me interrogou e não encontrei palavras para argumentar. Não era verdade que me sentira atraída por ele? Não é verdade que me deixei levar pelos beijos e carícias por alguns momentos? – Todos aqui sabem como você vive uma vida boêmia, Clarisse! Nunca agiu como uma moça de família! Sempre se envolveu com vários homens, sem o menor pudor! – Começou a falar e sentia o ódio eclodir dentro de mim. – Você é um canalha! – Esbravejei e ele continuou,ignorando meu insulto. – Quem é você para falar qualquer coisa de mim, Clarisse Butterfly? Você quis sim me seduzir e destruir a minha família! Assim como você tentou fazer a muitos anos atrás com outra pessoa! – Senti uma brisa que adentrou por uma das janelas e um arrepio me invadiu da cabeça aos pés. Ele não ia fazer isso! Ele não seria covarde ao ponto de revelar essa história ali, na frente de todas aquelas pessoas. Luíza afastou as mãos do rosto e olhou para o marido procurando respostas para o que ele começara a falar. – Como assim? Do que esta falando? – Ela o interrogou e depois voltou seu olhar para mim, me analisando de cima a baixo. – Eu estou falando Luíza que eu não sou o primeiro que sua irmãzinha tentou seduzir e destruir o casamento... – Senti meus pés falharem por alguns segundos, e meus joelhos flexionaram, mas o Dr. Libertini me amparou rapidamente.– Ela tinha uns dezesseis ou dezessete anos... Nós já éramos noivos. Eu estava de viagem, em Belo Horizonte. Quando cheguei ao hotel que ficaria hospedado, a avistei acompanhada de um homem no saguão. Eles não me viram e observei eles pegarem uma chave de quarto. – Ele começou a narrativa e senti minha boca amargar. O maior segredo de minha vida estava prestes a ser revelado diante de muitas pessoas e eu não era capaz de dar um único passo para impedi-lo de fazer tal barbárie. O segredo que eu escondia e do qual não me orgulhava... – Consegui identificar o número do quarto na chave, quando a recepcionista entregou a eles. Fiquei preocupado, porque não sabia o que a irmã mais nova de minha noiva estava fazendo àquela hora da noite, se hospedando em um quarto de hotel em Belo Horizonte com aquele homem. Justamente com aquele homem... – Ele me encarou por segundos e prosseguiu na narrativa. – O gerente do hotel era meu amigo pessoal, então depois de algum tempo consegui uma cópia da chave do quarto deles. Eu precisava saber o que estava acontecendo, afinal... Ela era menor de idade. Se acontecesse alguma coisa, eu me sentiria culpado depois. – O silêncio reinava no salão e olhei para as pessoas. Vi que as catorze pretendentes e ex-pretendentes me olhavam. Heloísa me fitava com um olhar de pena. Apertei meus olhos e mais lágrimas escorreram por meu rosto. Tudo que eu desejava naquele momento era desaparecer. – Quando eu cheguei à suíte deles, abri a porta com cuidado e desde a entrada, já pude ouvir gemidos vindos do quarto. – Edgar imediatamente olhou para mim. Outra onda de burburinhos invadiu o ambiente e as pessoas agora cochichavam e olhavam diretamente para mim. – Quando cheguei perto da porta que estava aberta, pude ver nitidamente que a garota, que para mim ainda era inocente, estava completamente nua em cima do tal homem e gemia descontroladamente como uma vagabunda qualquer! – Eu não consegui mais me conter e me soltei do Dr. Libertini, avançando sobre Eduardino. – Seu covarde, desgraçado! – Distribui tapas em seu peito e consegui acertar um em seu rosto. – Eu te odeio! Seu maldito! – Gritei e fui contida por dois homens que me seguraram fazendo com que eu me afastasse dele. Infelizmente a agressão não o impediu de continuar. – A cena era repugnante, porque era uma garota com um homem muitos anos mais velho, tinha idade para ser pai dela... Eu poderia narrar como vi minha cunhadinha dar prazer àquele homem, mas vou poupar-lhes dos detalhes sórdidos, pois sabemos que existem senhoras de respeito neste salão. – Eu estava muito envergonhada e já não conseguia encarar mais ninguém. Mantive meus olhos no chão. – Quem era o homem? – Luíza questionou aturdida com toda a história e levantei o rosto rapidamente com medo da revelação. Eduardino me olhou novamente e sorriu friamente. – Não... não... – Balbuciei em meio às lágrimas. – Renato Alighieri...  – Ele disse enfim o nome do homem que havia me causado tanto sofrimento no passado. – Renato... Alighieri... – Luíza repetiu as palavrasem choque e olhou para mim. – Clarisse... ele era o melhor amigo do papai! Nós crescemos com a Mariana... a filha dele... Dona Rafaela, a esposa, sempre nos tratou como filhas... Meu Deus! Você era amante do melhor amigo do nosso pai? – Ela gritou perplexa com a revelação e o público que nos assistia começou a conversar entre si, novamente. Não consegui conter os soluços e me sentia um verdadeiro lixo. A humilhação era tanta que talvez não pudesse olhar para todas aquelas pessoas nunca mais. –Como podem ver senhores... Esta mulher já esta acostumada a destruir lares! – Eduardino falou ainda mais alto para se fazer ser ouvido pelo público. Escondi meu rosto entre as mãos. Eu nunca havia sido tão humilhada em toda minha vida. – Luíza... eu sou a grande vítima dessa história... Se você tivesse ideia do quanto ela me provocava... Eu sou homem! Apesar de tudo... Qual homem resistiria à uma mulher como ela? – Levantei os olhos para assistir mais uma vez o teatro que meu cunhado fazia, mas eu estava tão destruída que não tinha forças para protestar ou tentar me defender. Ele se aproximou de Luíza, mas ele o repeliu imediatamente. – Eu vou embora agora! Não fico mais um minuto aqui! – Saiu desorientada do local e Eduardino foi atrás.

O silêncio no local era esmagador. Eu via as expressões de cada pessoa ali para mim. Umas me olhavam com ares de revolta, outras com pena, com superioridade e outras com desprezo. Recuei e quando pensei em sair dali, alguém me abraçou pelos ombros. Olhei para o lado e vi que era Heloisa. Ela me ajudou e me conduziu para fora. Dei uma última olhada e vi Edgar cabisbaixo e muito abatido.

Chorei o caminho todo até meu quarto. Me sentei em minha cama e olhei para o nada. Minha cabeça estava àmilhão. Heloísa puxou uma cadeira e se sentou de frente para mim. Me puxou pelos braços e me aconchegou em um abraço reconfortante. Desabei e não controlava mais os soluços. – Vai ficar tudo bem, querida... – Ela falava para me consolar. Depois de algum tempo, Bernadete apareceu e as duas me ajudaram a tomar um banho e me deitar. Elas permaneceram no quarto em silêncio e agradeci internamente pela solidariedade que elas estavam demonstrando a mim. Me encolhi na cama em posição fetal, como se assim pudesse me proteger do mundo ao meu redor. Mesmo que eu tentasse esquecer, tudo voltava a minha cabeça e eu parecia estar revivendo aquele pesadelo novamente. Até que em um momento me lembrei de Júlia e me desesperei ao pensar que ela devia ter assistido a aquele espetáculo horrendo. Sentei-me na cama com muita rapidez e as duas se assustaram. – Júlia... minha sobrinha... Ela deve estar tão assustada... – Ameacei me levantar da cama, mas Bernadete me impediu. – Calma Clarisse... Ela não viu nada! Alguns minutos antes, a Srta. Montanhez mandou que todas as crianças fossem retiradas da festa para irem se deitar. Provavelmente não sabe de nada! – Respirei fundo com a notícia. – Bernadete... porfavor... Arrume uma maneira da Júlia ficar aqui. Não deixe em hipótese alguma que ela volte para Estradina com minha irmã. Eu não quero que ela seja exposta a nada. Ela só sai dessa casa comigo, pelo menos por enquanto! – Bernadete assentiu e saiu do quarto para providenciar o que pedi. – Me recostei na cabeceira da cama e abracei meus próprios joelhos. Eu nunca havia me sentido tão desprotegida. – Você quer conversar um pouco? Desabafar? – Heloísa perguntou paciente e se sentou na cama. Sentia muita confiança nela. Há dois meses eu não poderia imaginar que estaria em uma situação como essa com ela. Onde ela seria a minha ouvinte e não o contrário.– Eu não menti Heloísa... Eu realmente nunca tive nada com meu cunhado. Ele que sempre me assediou... – Ela deslizou uma das mãos em meu braço. – Eu sei Clarisse... – Tudo começou quando ele me flagrou naquela situação com aquele homem... – Respirei fundo e decidi contar tudo a ela. Precisava desabafar com alguém e me aliviar um pouco do peso de carregar esse segredo. – Eu era muito jovem. O Ricardo era o melhor amigo do meu pai. Viu eu e Luíza crescermos. Nós tínhamos amizade com a filha dele, que tinha a mesma faixa etária de idade que nós. Eu o admirava... Ele era inteligente, bonito, educado. Com o tempo percebi que a admiração estava virando alguma outra coisa... – Pausei as palavras e soltei um suspiro. – E ele? Era recíproco? – Ela me questionou demonstrando estar atenta a história. – Não, pelo menos não inicialmente. Eu era apenas uma criança Heloísa! – Me endireitei na cama, entrelaçando minhas pernas e continuei a narrativa. – Eu fui crescendo e quando tinha meus dezesseis anos, já era uma moça. Foi aí que ele começou a me enxergar como mulher... – Fiz uma pequena pausa e as lembranças que eu por tanto tempo havia tentado esquecer, voltavam jorrando em minha cabeça. –Eu não sei bem como começou tudo, mas o fato é que me vi completamente apaixonada. Ele foi o primeiro homem da minha vida. Me entreguei totalmente a ele e sonhava com o dia que pudéssemos ficar juntos sem precisar nos esconder. – Heloísa me escutava atentamente e senti vontade de chorar ao me lembrar do quanto eu havia sofrido por aquele homem. – Eu me tornei amante dele e o nosso refúgio se tornou aquele hotel em Belo Horizonte. Eu viajava para lá com a desculpa de tomar algumas aulas de piano e me encontrava com ele. – Respirei fundo engolindo as lágrimas que teimavam em cair e prosseguiem minha fala. – Ele me fazia promessas... Dizia que me amava... Eu fui uma idiota! – Embarguei as palavras e Heloísa segurou minha mão atenciosamente. – Você apenas acreditou no homem que amava! – Ela exclamou e continuei a falar. – Bom... foi aí que Eduardino nos viu juntos naquele dia e me flagrou com ele naquele quarto. Ricardo ficou apavorado com a possibilidade de alguém mais saber de nosso envolvimento. Em uma discussão horrível que tivemos ele me humilhou e fez questão deenfatizar que eu servia apenas para diversão... Que como eu ele poderia encontrar aos montes pelos bordéis... – Novamente minha voz falhou e tive que pausar minha fala novamente para não chorar. – Eu sinto muito, Clarisse! – Heloísa falou solidariamente. – Eduardino começou a me chantagear com isso. Cada vez que eu tocava no assunto com meus pais, de ir para a capital para estudar medicina, que era um sonho pra mim, ele ameaçava contar tudo aeles. – E depois? Quando eles faleceram? – Ela questionou-me. – Depois ele começou a ameaçar contar para minha irmã. Foi assim que ele conseguiu me manter por perto durante anos. Foi aí que comecei a desconfiar das intenções dele, por que até então ele argumentava que queria me manter sob controle para que a imagem dele não fosse manchada, em razão de sua intenção em concorrer a um cargo político. Com o tempo isso piorou, depois que eu menti sobre uma viagem e fiquei alguns poucos meses como voluntária da Cruz Vermelha, durante a Primeira Grande Guerra. Quando ele soube, ficou furioso e me proibiu de fazer viagens sozinha. – Heloísa se levantou por um instante e me fez deitar, me cobrindo com o lençol. – E aí começaram os olhares cada vez mais ousados, as frases com sentido duplo, as tentativas de proximidade. Até que ele começou a ser mais direto nas investidas. – Me lembreiprontamente de nosso primeiro beijo, depois do jantar na casa do Sr. Vicente, oferecido a Edgar. – E eu comecei a me sentir atraída por ele... Depois de alguns beijos roubados e carícias forçadas, eu estava me sentindo dividida entre o amor e o respeito pela minha irmã e a atração física por ele. – Então você realmente correspondia? – Ela perguntou um pouco confusa. – Sim, mas eu nunca permiti que fosse além. Eu nunca dei nenhuma esperança para ele ou dei a entender que teríamos um caso! Ao contrário, fugia para não ceder! – Heloísa voltou a se sentar na mesma cadeira de antes, de frente para minha cama. – E depois do Edgar, todo aquele sentimento fugaz que sentia pelo meu cunhado desapareceu. O único homem que ocupa todo e qualquer espaço dentro de mim é o Edgar! – Ela sorriu levemente ao me ouvir. – Você o ama? – A pergunta soou mais como uma afirmação. – Amo... Muito... Ele fez com que eu abrisse novamente meu coração. Mas agora, ele não vai mais querer olhar para minha cara! Eu o perdi, Heloísa! – Meu coração doía só de pensar que poderia não o ter maisperto de mim. Que poderia nunca mais sentir sua pele, suas mãos em meu corpo, seus braços fortes me envolvendo. – As coisas vão se resolver... Você vai ver! – Ela disse carinhosamente, tentando me encorajar. Sequei uma lágrima que escorria em meu rosto. – E o tal homem? O Ricardo... O que houve com ele? – Ela voltou ao assunto de antes. – Quando Eduardino descobriu sobre nós, ele se mudou com a família às pressas para o Rio de Janeiro. Foi tudo tão rápido que ninguém entendeu nada. Ele nem ao menos se despediu de meus pais. Provavelmente para não ter que cruzar comigo novamente. – Suspirei aliviada por ter conseguido contar a alguém toda a história. – E você nunca mais voltou a vê-lo? – Não... Nunca mais o vi... – Me acomodei melhor na cama e apoiei minha cabeça em um de meus braços. – Eu sofri tanto que acabei me fechando totalmente para o amor. Passei a me envolver com muitos homens, mas nunca a ponto de me apaixonar. Meu prazer passou a ser vê-los se rastejar aos meus pés. Queria todos na palma de minhas mãos, como fantoches, com os quais eu me divertia. Eu havia decidido que nunca mais permitiria que outro homem me tratasse daquela maneira novamente. E eu pensei que conseguiria terminar minha vida sem voltar a amar, mas eu me enganei... – Pensei em Edgar, em suas palavras, seus carinhos, em seus lindos olhos que me fascinavam. – Eu queria tanto poder voltar no tempo e consertar todos os erros que cometi, se isso me garantisse que eu não o perderia.... – Minha voz embargou novamente e respirei fundo para não chorar mais. Heloísa me fitava e quando ia dizer algo, foi interrompida por Bernadete que adentrou ao quarto novamente. – Então Bernadete? Conseguiu o que pedi? – Me sentei na cama imediatamente aflita com a resposta dela. – Sim! A menina ficará na mansão. Eu nem precisei falar com sua irmã. Ela mesma estava a minha procura e pediu para cuidar da pequena, pois ela não teria condições de leva-la com ela. – Assenti com a cabeça aliviada. – Será se o Edgar vai se incomodar? – Perguntei olhando para as duas e Bernadete me respondeu prontamente. – Não! A senhora sua irmã me avisou que ela própria havia feito o pedido ao Sr. Morgan e ele concordou de imediato! – Me deitei novamente e me encolhi na cama. Pelo menos Julia estaria longe de toda essa confusão por enquanto. – Obrigada Bernadete, Heloísa... Obrigada pelo que estão fazendo por mim. Sinceramente não sei como poderia recompensa-las por tudo. – Falei tocada pela dedicação delas. Tinha certeza agora que elas eram verdadeiramente minhas amigas. – Não precisa agradecer Clarisse! Apenas descanse agora! Você precisa tentar dormir. – Heloísa falou e aproximou sua cadeira da minha cama, começando a acariciar meus cabelos para que eu dormisse mais facilmente.

 

**

 

Aquela certamente foi a noite mais longa da minha vida. Apenas cochilei alguns poucos minutos e quando percebi que Heloísa e Bernadete estavam cochilando sentadas, insisti para que elas se recolhessem para dormir. Cada momento daquela noite repassava em minha cabeça e eu não conseguia fechar os olhos por um único segundo sem que revisse aquelas cenas bestiais.

Quando vi os primeiros raios de sol adentrarem ao quarto me levantei de imediato e me aprontei. Havia passado a noite inteira pensando e decidi que precisava falar com Edgar o quanto antes. Precisava me explicar e tentar fazê-lo entender que tudo havia sido um terrível engano. Assim como Lívia havia me dito em nossa conversa dias antes, eu estava disposta a lutar por ele de todas as maneiraspossíveis. Ao finalizar a maquiagem, Bernadete adentrou ao quarto e se surpreendeu a me ver de pé. – Clarisse, eu pensei que... – Não terminou a frase e se aproximou mais. – Eu preciso falar com Edgar! Ele já esta acordado? – Ignorei o olhar de espanto dela e perguntei a única coisa que me importava no momento. – Já, mas... O café foi servido um pouco mais cedo que o habitual. Já estão todos a mesa. – Me respondeu ainda me olhando com incredulidade. – Droga! Não queria ver ninguém... Vou espera-lo terminar e converso com ele depois... – Ela mordeu o lábio inferior e percebi que ela queria dizer alguma coisa mais. – O que foi Bernadete? O que aconteceu? – Perguntei preocupada e ela suspirou vencida e resolveu falar. – Eu não sei, mas parece que ele vai anunciar alguma coisa aos convidados... – Meu coração disparou e uma intuição me dizia que precisava descer para aquela sala de jantar naquele exato momento. Saí do quarto imediatamente, sem dar nenhuma resposta a Bernadete. Andei o mais rápido que pude e quando finalmente cheguei a enorme sala, avistei todos sentados à mesa. Dei alguns passos adentrando a sala e o eco feito pelo salto de meus sapatos contra o mármore, fez com que todos voltassem sua atenção para mim. A grande maioria me olhavam surpresos. Quando Edgar me viu, pensei em recuar. Sentia tanta vergonha ainda por tudo o que havia acontecido, mas tentei manter minha cabeça erguida, e caminhei até um assento vago, no final da extensa mesa.Edgar me acompanhou com o olhar e vi que seus olhos transmitiam uma frieza que eu jamais havia visto neles antes. A mesa ficou em absoluto silêncio com minha presença e eu não tinha coragem de olhar para ninguém. – Bom dia a todos! – Edgar falou alto, depois de se colocar de pé em seu lugar. – Os senhores bem sabem sobre a competição que estava sendo feita e que apenas quatromulheres restaram nela. – A mesa permanecia em silêncio e apenas a voz de Edgar ecoava no salão. – Eu teria ainda mais dois meses, conforme o que foi acordado com as famílias das moças, para me decidir sobre aquela que se tornaria ao final minha esposa. Mas resolvi antecipar a decisão e trouxe todos para cá na intenção de anunciar finalmente quem é a mulher que eu escolho para minha companheira. – Levantei imediatamente meus olhos para fita-lo ao ouvir a última frase. Ele havia escolhido? Como havia escolhido? Eu estava com muito medo do que ouviria. Todos a mesa se entreolhavam completamente aturdidos com a informação. – Eu pensei muito durante todos esses dias que tive a companhia de cada uma dessas mulheres. E enxerguei qualidades magníficas em cada uma delas, porém apenas uma delas conseguiu me tocar de maneira diferente... – Ele me olhou ao dizer a última frase, porém desviou os olhos em seguida e os repousou sobre Lívia. Ele estendeu uma das mãos a ela, que estava sentada a seu lado e ela a tomou se levantando. – Lívia Rodrigues... Você é essa mulher! Aceita se casar comigo?– Eu não seria capaz de expressar a dor que senti ao ouvir essas palavras. Senti que imediatamente algo morreu dentro de mim. Meus olhos embaçaram com as lágrimas que não consegui conter. Eu o havia perdido para sempre...


Notas Finais


Deixem a opinião de você para eu saber o que vocês estão achando!😉
Até mais!😘


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...