História A Esperança é a Penúltima que Morre - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Xiumin
Tags Chanbaek, Exo, Hunhan, Sulay
Exibições 46
Palavras 4.973
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Aloha!!!
Sim, eu sei. Demorei para caramba dessa vez e peço mil desculpas por isso, mas para vocês terem uma ideia, tive que estudar até no feriado e.e
Muito obrigada a todos os favoritos e comentários! Vocês são ótimos <3
Bem, sem mais enrolações, porque afinal, vocês querem ler, né? ^_^
Desculpe qualquer erro e boa leitura!

Capítulo 11 - A Esperança é a Penúltima que morre - 2


Fanfic / Fanfiction A Esperança é a Penúltima que Morre - Capítulo 11 - A Esperança é a Penúltima que morre - 2

- Me desculpe, Baekkie. – ouço a voz embargada de Chanyeol ao meu lado.

Está tudo fora de foco.

Não sei onde estou ou se é dia ou se é noite. Queria esticar minha mão e apertar o rosto do mais alto e falar que estava tudo bem, mas não consigo me mexer, tampouco falar.

- Você estava certo. Eu me deixei levar pelo medo, tentando evitar que você se machucasse, mas tudo o que fiz foi piorar tudo.

Você não fez nada. Está tudo bem, Channie. Eu estou aqui.

Sinto um toque em meu rosto, provavelmente a mão de Chanyeol alisando-o.

- Baekkie, eu tenho tanto medo. Tanto medo de perder você... – sua voz está trêmula e consigo ouvir alguns soluços baixos.

Não precisa ficar com medo. Você não me perdeu. Não haja dessa maneira.

Não...

Haja...

***

 

Abro os olhos e a claridade transparecendo pelas cortinas brancas os queima como fogo. Sinto-me dolorido, como se alguma carga de duzentas toneladas me esmagasse.

Contemplo ao redor. As paredes eram brancas e existiam duas poltronas cinzas no canto direito, à frente das janelas que anunciavam o dia, deixando espaço para que os raios solares entrassem.

Sorrio ao me virar para o lado esquerdo, deparando-me com balões coloridos com escritos de “Fique bem!” e “Fighting!”. Há também um ursinho de pelúcia abraçando um coração, algumas caixas de marcas de chocolate que eu estava ansioso para poder provar, flores e um caderninho de espiral, que mais parecia um bloco de notas, me deixando curioso para ver se havia algo escrito ali.

Tento levantar minha coluna, de modo que ficasse sentado na cama de lençóis brancos e azuis, mas paro rapidamente no meio do caminho, pois sinto uma pontada em minhas costas e uma dor infernal preenche meu corpo inteiro, me fazendo gemer.

Grito à medida que tento me deitar novamente de uma maneira confortável, mas sentindo mais dor ainda.

- Oh, meu Deus! – era uma mulher loira, vestida com roupas verdes e que usava uma máscara no rosto – Bem que o doutor avisou que você ficaria com dor quando acordasse!

Ela rapidamente pega uma seringa e coloca em tubo, próximo aos aparelhos que deveriam monitorar seja lá o que estava acontecendo comigo.

Abro a boca para questionar sobre o que havia se passado, mas logo sinto meus olhos ficarem pesados e meu corpo perder as forças. Fecho os olhos e minha mente começa a divagar novamente...

***

 

- Baekkie, eu juro que se você acordar logo eu não encho mais o seu saco por um ano inteiro.

Consigo distinguir um borrão vermelho alaranjado em meio à visão desfocada e confirmo ao ouvir a voz que era o cabelo de Luhan.

- Não faz isso comigo. Você é meu melhor amigo, lembra? – ele suspira – É bom você acordar logo para assistir Hannibal comigo! Não pense que você me deixará na mão, ouviu?! Nós temos muitas coisas para fazer até ficarmos velhinhos e contarmos tudo o que passamos para os nossos netos!

E-eu estou dormindo? Será que isso é um sonho? Ou quem sabe... Será que aquelas coisas de pacientes desacordados saberem de tudo o que acontece em sua volta é verdade mesmo, então?

 - Eu e o Lay precisamos de você. Eu preciso de você, Baekkie. Acorda logo.

Lu... Não fique preocupado comigo! Eu estou bem e não irei te deixar na mão! Eu prometo!

- Eu te amo.

Eu também te amo...

 

 

***

 

 

- Eu voltei, Baekkie. – meu coração pulou de alegria ao perceber a voz de Chanyeol adentrar meus ouvidos. – Eu trouxe um presente para você. É um caderninho que eu deixei aqui para as pessoas escreverem o que estão sentindo quando vêm te visitar e aí você poderá ver o quanto a gente se importa contigo!

 Sorri mentalmente. Então o caderninho foi trazido pelo Chanyeol! Esse negócio de sonhos é um tanto estranho! Se eles forem mesmo verdade, então são uma espécie de flashback ou algo do tipo. Agora fiquei curioso de novo, poxa. Quer acordar logo para ler o que todo mundo escreveu, principalmente você...

- E-eu fiquei muito mal quando te vi desacordado. Eu tive vontade de... fazer muitas coisas. A primeira era de matar meu pai, mas acho que ele finalmente está tendo o que merece, porque alguns vizinhos seus perceberam o que havia acontecido e ligaram para a polícia. Ele está preso agora e pelo visto, vai ficar por um longo tempo. – acho graça no jeito em que ele pronuncia o “longo” – A Yura é maior de idade, então não vamos ter problemas. A única coisa que me afligiu mais foi você desse jeito. Ah, Baekkie, me desculpa por não te escutar. Me desculpe.

Eu já disse que não precisa, Channie.

- Depois, eu quis... Fazer aquelas coisas, mas eu pensei melhor e não quis quebrar a nossa promessa. No começo eu estava com medo, mas o médico disse que você vai acordar logo. Bem, eu espero que sim.

Percebo meu corpo estremecer ao sentir os lábios macios do mais alto deixarem um beijo em minha testa.

- Eu preciso ir. Tem muita gente querendo te visitar! Você é muito amado, sabia?

Não vá. Por favor.

- Mas antes vou escrever no seu caderninho, ok? A primeira mensagem vai ser minha!

Escuto um barulho de lápis riscando uma folha de papel. Ah, mas que coisa! Eu quero ler!

- Tchau, Baekkie...

Não...

 

***

 

- Baekkie, acredita que até o cara de peixe morto quis saber como você tava? Pois é! O mundo dá voltas mesmo! – a voz divertida de Lay me envolve em um novo flashback.

Cara de peixe morto perguntando sobre mim? Quem diria!

Por quanto tempo será que eu estou desacordado mesmo? Queria saber. Quer dizer, é legal ver essas lembranças e tudo mais, mas eu quero me comunicar, poxa! Não estou conseguindo fazer nada. Isso é tão chato!

- Eu comprei um ursinho para você, Baekkie! Vou deixar aqui do lado! Oxe, que é isso aqui? É um caderno! Vamos ver o que tem aqui! – ouço o barulho dos dedos de Lay virando as páginas - Gente, você tem que ver esse caderninho aqui! Tá hilário! Tem umas mensagens tão nada a ver! Gostei! Vou deixar a minha também!

Solto uma risada mental, se é que isso é possível. Lay não muda nunca!

 

***

 

- Ah, Baekhyun! Eu sempre tive medo que algo desse tipo acontecesse com você, filho. – pude sentir a mão de minha mãe acariciando meus cabelos. – Por que você foi envolver com esse tipo de gente? Aquele Chanyeol parece ser tão problemático!

Mãe, pare de falar assim! Você nem o conhece!

- Acorda logo, meu amor. Eu sinto tanto sua falta. Sinto tanto! Você não sabe o quanto está sendo difícil para mim e para seu pai. Acorda logo, meu bebê. – ela começa a soluçar, me fazendo ficar com vontade de chorar também.

Queria levar meu braço até seu rosto e limpar as lágrimas que saíam de suas órbitas, acariciar seus cabelos e lhe dizer que estava tudo bem. Uma chama de esperança enche meu peito quando sinto meu corpo estremecer um pouco. O borrão da silhueta de minha mãe se afasta devido ao susto.

Meu corpo começa a tremer mais ainda. O que está acontecendo? Por que você tá fazendo isso, seu corpo idiota?! Está assustando as pessoas! Pare de fazer isso!

Ouço vozes ao meu redor. Sem eu perceber entraram novas silhuetas no recinto.

- Tire ela daqui!

- Ele está tendo um ataque cardíaco!

Ah, não.

O que está acontecendo comigo?

 

 

***

 

Um novo flashback aparece em minha mente.

Alguém está com a cabeça apoiada em meu peito. O tecido da camisola azul que cobre meu corpo está levemente molhado.

- Baekkie, me perdoa, por favor. Não me deixe. Eu preciso de você. O que vai ser de mim sem você?

Não chore, Channie. Por favor, não chora. Vai ficar tudo bem.

Não é sua culpa. Pare de se culpar.

- O que esse garoto está fazendo aqui?! – mãe?! – Eu já disse que ele não poderia entrar!

Chanyeol levantou a cabeça de meu peito.

- Senhora Byun...

- Saia daqui agora! Saiu uma nova tomografia e por sua culpa, meu Baekhyun está com uma lesão grave e pode nunca mais acordar!

Não! Não! Parem!

Meu corpo começa a tremer como da última vez. Uma nova multidão de vozes preenche meu ouvido. Sinto meus olhos pesarem e então tudo fica escuro.

 

***

 

Acordo assustado, suando. Meu peito subindo e descendo rapidamente. Coloco a mão em meu coração e percebo que está muito acelerado. Olho em volta. O ambiente está sendo iluminado pela luz do sol. Não mudou muita coisa desde a última vez que eu realmente parecia estar consciente. Há mais algumas flores e novos bichinhos de pelúcia.

Tento me sentar e dessa vez consigo sem dor alguma. Pego o caderninho, ansioso por respostas. Estava com medo.

Medo de Chanyeol pensar que era culpado. Medo de pensar que eu não o perdoaria, sendo que nem havia algo para ser perdoado.

Channie...

Na capa do caderno estava escrito: “Memórias de uma Bela Adormecida, quer dizer, Baekhyun adormecido”. Achei graça e o abri, revelando a primeira página.

“Quando você acordar, esteja preparado para organizar nossa viagem até o Monte Fuji. Mas antes eu vou te beijar muito, então esteja preparado para isso também. Você é muito especial para mim. Muitos beijos, Chanyeol”

Não pude deixar de sorrir ao ler aquilo. Eu queria tanto encontrá-lo agora e abraçá-lo bem forte! Não iria deixar Chanyeol se livrar de mim nunca mais!

Virei a página e lá estava outra mensagem, com a data de 06/04:

“Você faz umas caretas estranhas quando está dormindo. Tirei muitas fotos! Vou postar tudo no seu aniversário! Há,há! PS: Sehun me pediu em namoro! Acorde logo para comemorar comigo! Do seu querido amiguinho e futura Drag Queen, Luhan.”

Ah, que ótimo! Nem acordei e já meio que me ferrei! Como podem deixar uma criatura como o Luhan entrar no meu quarto com um celular?! E a fiscalização, gente?! Bem, pelo menos ele está feliz com o Sehun e isso é ótimo!

Passei para a outra folha do caderno e lá estava uma mensagem dos meus pais:

“Querido Baekhyun, estamos aqui ao seu lado sempre! Acorde logo, meu filho! Estamos quase chamando o Chanyeol para dar um beijo igual ao que o príncipe deu na Bela Adormecida, apesar de a mamãe odiá-lo. A equipe daqui é bem atenciosa, principalmente a enfermeira que te atende. Te amamos, papai e mamãe.”

Tenho que ter uma conversa séria com minha mãe quando sair dessa joça desse hospital! O Chanyeol não deve ser penalizado pelas ações de seu pai! Isso é injusto.

Continuei a revirar as páginas do caderninho e encontrei uma mensagem nova de Luhan, rindo alto com a mesma: “Ao contrário do que seus pais pensam, a enfermeira tá de olho em você. Mal sabe ela... HIHIHI”

Pois é!

A próxima mensagem era de Lay:

Amor da minha vida, sai de Marte e vem para Terra. Precisamos de você! Acorde logo para fazermos um encontro de casais triplo! Eu e Luhan fizemos um esses dias. Dá pra acreditar, Bakkie? Eu também estou namorando! E meu namorado não me chama de louco. Tãaao fofo! Prometo que se você acordar logo faremos o que você quiser por um mês. Ou talvez um dia, mas o importante é que precisamos de você! PS: A enfermeira quis saber seu número. Você tinha que ver a cara de decepção dela quando falei que você gostava de outra fruta. Baekhyun, seu destruidor de corações! PS2: O ursinho é meu!”

Eu odeio encontro de casais!

Pobre enfermeira!

Passo para a próxima página e topo com um novo recado de meus pais, explicando que eu havia tido um ataque cardíaco. Logo me lembro do flashback. Minha mãe queria matar Chanyeol sem motivos. A preocupação me preenche novamente. Continuei a ler as mensagens, pois essas seriam o meu alívio ou quem sabe, o meu desespero. Bastava passar os olhos sobre as palavras. Encontro então uma mensagem de Chanyeol, a dor expressada em cada frase. Ele se sentia tão culpado e minha mãe não ajudava nem um pouco.

O próximo recado era de 20/04, por Luhan e Lay, informando-me que eu havia tido um novo ataque cardíaco e minha mãe havia proibido Chanyeol de entrar no quarto. “Estamos dando todas as notícias que chegam a ele, mas ele ainda está mal e faltando da escola. Acorde Baekkie, estamos com muitas saudades da pessoa maravilhosa que você é. Nós te amamos muito! Até o Cara de Peixe Morto disse que te ama e passou por aqui para dar uma olhada em você!”

Continuei a folhear o caderno e de repente as mensagens acabaram, revelando folhas brancas. Voltei à última página escrita e acabei descobrindo que aquela na verdade era a penúltima e que as folhas estavam grudadas.

O último recado era de 03/05. Eu estava desacordado há aproximadamente um mês. Era de Chanyeol.

“Ninguém pode saber que estou aqui. Ninguém me deixa entrar, mas não consegui ficar parado. Já faz mais de um mês Baekkie. Eu preciso de você. O médico disse que talvez você possa nunca mais acordar, mas seus pais dizem que a esperança é a última que morre e vão esperar pacientemente. Luhan e Lay me contaram que você deve ter pegado esse ditado deles. Mas sabe, essas palavras nunca se aplicariam a mim. Sinto que sou um caso perdido não de agora, mas do momento em que aquilo aconteceu. E eu havia prometido a mim mesmo que nunca aconteceria de novo, mas eu, que sempre levo minhas promessas a sério, acabei quebrando-a. Quero que saiba que não era essa minha intenção, Baekkie. Achei que se nos afastássemos seria melhor para você, mas acabei não percebendo que seria melhor ter ficado ao seu lado para te proteger de uma maneira mais eficaz.

O fato é que a vida é tão irônica. Eu sempre quis proteger você, mas era eu quem sempre acabava sendo protegido, porque estar contigo era como estar em uma barreira de proteção. Todas as bobagens e pensamentos monstruosos da minha cabeça se dissipavam quando ficávamos juntos. Olhar para ti já deixava minha vida feliz. Falar contigo me dava vontade de viver, uma vontade que havia desaparecido há séculos. Algumas pessoas podem achar que eu estou reclamando de barriga cheia: eu tenho comida, água e tudo o que preciso para sobreviver, ao contrário de muita gente que passa necessidade por aí.

Mas sobreviver é viver, Baekkie? O que é a vida senão um conjunto de momentos e sonhos para serem alcançados? Sobreviver é fácil, viver não. Para viver há a necessidade de um objetivo, um motivo, um sonho para ser alcançado. Para muitas pessoas esse sonho é ser feliz, entretanto ser feliz é uma coisa relativa. Para mim, ser feliz hoje é estar com você, é olhar para ti e ver seu lindo sorriso. É ouví-lo cantar, vê-lo fazer caretas contra o espelho. É beijá-lo, é sentí-lo, é amá-lo. Eu amo você, Baekhyun e eu quero que saiba que eu sempre irei te amar, não importa o que aconteça. Você é tudo para mim, mas se não consigo ao menos vê-lo, porque viver é importante?

Esse ditado está completamente errado, Baekkie. A esperança, na verdade, é a penúltima que morre, pois meu coração está morrendo aos poucos. Sinto como se inúmeros alfinetes estivessem penetrando em meu peito. Eu não quero quebrar minha promessa, Baekkie.

Estou me esforçando para não quebrá-la....”

 

Limpei as lágrimas que escorriam em meu rosto e senti a preocupação apertar meu peito. Chanyeol tinha que se manter forte! Eu havia acordado! 

Olhei em volta do quarto, procurando um calendário para ver que dia era hoje, entretanto, não havia um, mas existia um botãozinho vermelho, onde se podia ler “campainha”. Presumi que se o apertasse, algum médico ou enfermeiro viesse ao meu encontro.

Não demorou muito para que um homem de cabelos escuros que devia ter uns trinta anos, provavelmente o médico, acompanhado por minha mãe abrisse a porta do quarto após ter ouvido a campainha.

- Baekhyun, filho! Você acordou meu bebê! – meu rosto recebeu uma chuva de beijos e meu corpo foi abraçado calorosamente e quase me esqueci do por que eu havia apertado aquela campainha.

- Oi, mãe! É bom te ver, mas eu preciso de duas coisas: saber que dia é hoje e do meu celular. Você pode, por favor, trazê-lo para mim?

A decepção preencheu o rosto de minha mãe. É claro que ela esperava muito mais, entretanto eu precisava saber se meu poste estava bem.

- Bem, hoje é dia quatro de maio. – quatro de maio. Fazia um dia que Channie havia escrito aquela mensagem. - Você está desacordado por um pouco mais de um mês, Baekkie. Tudo porque você se meteu com aquele garoto! Você tem que tomar mais cuidado com quem se relaciona e...

- Senhora Byun, temo que falar sobre esse assunto com seu filho nesse momento não irá ajudá-lo. Ele não pode passar nervoso. – nunca agradeci tanto pela a existência de um médico na vida! Ouvir minha mãe falar mal do poste era a última coisa que eu precisava. – Faça o seguinte, senhora Byun: pegue o celular de Baekhyun e, enquanto isso, irei examiná-lo, ok?

Minha mãe assentiu e meu deu um beijo na testa antes de passar pela porta do quarto.

 

***

 

- Acho que terminamos por aqui, garoto. Você está ótimo e logo, logo pode ter alta. Só precisa se acostumar a se alimentar sem sonda e estará novinho em folha!

Ouvi o médico dizer as palavras, enquanto observava o sorriso no rosto de minha mãe que acabava de adentrar a sala, o celular na mão.

- Obrigado por tudo. – respondi.

- Imagina, esse é o meu dever, não é mesmo? – e assim se levantou rumo à porta, a fim de sair do recinto.

Mamãe se sentou na ponta da cama, me estendendo o aparelho telefônico.

- Você irá ligar para ele, não é filho? – a expressão em sua face não era das melhores.

- Sim. – tentei esconder meu desespero. Ela provavelmente não havia lido o caderno.

Disquei o número de Chanyeol e esperei pacientemente todos os toques, todavia, a chamada foi para a caixa postal. Engoli em seco e tentei novamente: mais uma, duas, três... Dez vezes! Porém, nenhuma delas havia sido atendida.

- Viu só? Ele nem quer falar com você, Baekhyun! Eu falo que amor é só de pai e mãe, não falo? O pai dele quase te matou e ele não está nem aí para você!

Senti o sangue ferver à medida que cada palavra saia da boca de minha mãe.

- PARE COM ISSO! – gritei – Você não o conhece, não sabe o que ele passou na vida! Você não tem que julgá-lo como está fazendo, porque ele não tem culpa de nada! DE NADA! Eu o amo e eu tenho certeza que ele também me ama! Se ele não me atende é porque algo está acontecendo e eu preciso saber o que é! Mãe, eu preciso vê-lo!

- Você não sabe o que está dizendo, Baekhyun! Você tem dezesseis anos, não faz a mínima ideia do que é amar! Você não vai sair dessa cama até o médico disser que você pode!

- Não existe idade para amar e... – subitamente meu corpo estremece e assim uma tosse forte acaba tomando conta de mim.

- Baekhyun! – sinto os braços dela querendo me envolver, entretanto me afasto.

- E-eu preciso ir ao banheiro... Sozinho, por favor.

- C-certo. Eu irei esperá-lo aqui.

Andei devagar até o banheiro. Meu corpo pesava. Era como se eu arrastasse vinte quilos a cada passo, sem contar minha breve tontura, provavelmente por estar deitado há um mês. Fechei a porta atrás de mim e tranquei a fechadura. Era um típico banheiro de hospital: paredes e chão de piso branco, com um espelho, vaso sanitário e chuveiro.

Eu precisava de um jeito para sair do hospital e ir até a casa de Chanyeol, entretanto eles não me deixariam sair do quarto. Olhei ao redor: havia uma janela não tão alta no banheiro. Bastava subir no vaso sanitário e seria possível ver o que se passava lá fora. Assim que o fiz, pude ver que estava provavelmente no segundo andar do hospital e que existia uma escada de emergência, igual aquela dos filmes, na parede do prédio. Estudei meu plano de fuga: seria possível passar pelo buraco da janela sem problemas? Até que eu havia emagrecido. Eu que sempre fui magro estava praticamente um palito no momento, só o osso. Se emagrecesse mais acho que desapareceria.  

Tudo o que eu precisava fazer era quebrar o vidro e estaria quase livre. Só existia um meio de quebrá-lo na situação atual. Olhei para meu punho fechado e tentei reunir o máximo de força existente em meu corpo.

O barulho de vidro se trincando preencheu o recinto. A janela estava com uma marca circular, talvez com mais um soco fosse possível atravessá-la.

- Querido, está tudo bem aí?

Ignorei a voz preocupada de minha mãe e olhei para meu punho, agora ferido por alguns estilhaços do vidro, sangrando levemente. Afastei a dor e me preparei novamente.

O barulho agora havia sido bem mais alto, proporcional à força do golpe, este que havia liberado a passagem. Dirigi meu olhar da janela ao punho machucado, o sangue pingando no chão de ladrilho branco do banheiro. Sorri e me enfiei por entre os cacos de vidro que ainda restavam, ignorando a dor e as batidas insistentes de mamãe na porta. Logo ela provavelmente chamaria um médico ou enfermeiro e esses abririam a fechadura, descobrindo então que eu desaparecera.

Estimulado por meus pensamentos, empurrei meu corpo e cai de cabeça para baixo no chão da escada de emergência, batendo minhas costas fortemente.

Gemi de dor ao sentir cada estilhaço perfurando meu corpo ainda mais.

- Ignore, Baekhyun. Isso não é importante. Você precisa descobrir se o Channie está bem.

Comecei a descer as escadas, o mais rápido que podia, lutando contra a dor, o cansaço e a tontura que me atrapalhavam a cada degrau.

Após uns dez minutos cheguei ao estacionamento do hospital. Me escondi atrás dos arbustos, a fim de chegar até a rua despercebido. Se alguém me pegasse, adeus plano de fuga.

Estiquei meu pescoço para estudar uma maneira de chegar até a rua e subitamente senti um toque em meu ombro. Estremeci dos pés a cabeça ao ouvir uma voz bem conhecida.

- Baekhyun?!

Me virei e pude ver a cara de peixe estampada em sua face: era Kyungsoo.

- K-kyungsoo! – logo minha mente se ilumina. Quem sabe Cara de Peixe Morto não seria a solução para meus problemas? – K-kyungsoo! Eu preciso da sua ajuda, por favor! Eu te imploro!

Ele me olha preocupado, examinando-me.

- Baekhyun, você acordou! Baekkie, você está machucado. Meu Deus, o que aconteceu contigo? – deposita suas mãos em meus ombros.

- Isso não é importante Kyungsoo! Eu preciso da sua ajuda! Preciso que me leve até a casa de Chanyeol. É caso de vida ou morte!

Cara de Peixe Morto hesita.

- Baekhyun, olha o seu estado! Não posso te deixar sair daqui assim!

Coloquei minhas mãos por cima das dele.

- Kyungsoo, por favor. Faça isso como uma reconciliação entre nós. Se você me ajudar eu te perdoo por tudo que me fez e seremos amigos novamente. – lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto, indicando meu desespero. – Vamos esquecer tudo e salvar o Chanyeol, por favor!

- O Chanyeol? Mas o que ele tem?

- Não importa! O que importa é que temos que ir para lá!

Ele tira suas mãos de meus ombros e pega a mochila que carregava nas costas, abre-a e pega um casaco preto e grande lá de dentro.

- Eu venho aqui quase todo dia de bicicleta, desde que minha vó foi internada. Sempre trago um casaco caso esfrie. Vista-o. Se as pessoas na rua te virem de roupas hospitalares vão achar estranho. – ele me estende a roupa – Eu vou pegar minha bike. Já volto.

Pego o casaco, agradecendo-o.

Quem diria, após tanta coisa, lá estava eu, pedindo ajuda para o Cara de Peixe Morto. Só esperava que pudesse confiar no mesmo, pois estava com receio de ele ter ido até a recepção para avisar que eu havia fugido.

Entretanto, ele logo voltou, afirmando sua lealdade.

- Eu gosto do Chanyeol, Baek. Ele é um cara legal. Se ele está em perigo, devo ajudá-lo.

- Q-que bom que acha isso, fico feliz.

Kyungsoo me ajudou a subir na bicicleta azul, pois minha tontura se intensificava.

- Então, qual é o endereço?

 

***

- É aqui?

Após vinte minutos chegamos a um bairro de casas modestas, em frente a uma praça repleta de árvores. A casa de Chanyeol era verde, com um portão branco.

- S-si...S-sim. – a tontura aumentava a cada minuto, devido ao sangue que escorria de meu punho, principalmente, dificultando minha fala.

Ele ajeitou a bicicleta na parede e me ajudou a descer. Toquei a campainha por uns dez minutos e ninguém respondeu. Minha mente começou a se encher de possibilidades: quem sabe ele não está mal e sim, deve ter saído e esquecido o celular ou a bateria deve estar descarregada.

Entretanto, eu sabia que não era isso. É o que chamam de sexto sentido: quando você pressente que algo está acontecendo e esse sentimento preenchia meu peito fortemente. O frio na barriga se intensificando.

- Eu posso tentar abrir o portão com a ajuda de um grampo. Sou muito habilidoso com fechaduras.

Por que ele não estava no quarto do hospital para me ajudar, senhor?

- V-você... Não a-acha que... Irão achar e-es-estranho?

- Tem outra alternativa?

É, realmente não tinha mesmo. Balancei a cabeça e fiz um sinal para que o mesmo tentasse. Se fôssemos pegos, iria tomar toda a responsabilidade, afinal, Cara de Peixe Morto estava apenas me ajudando.

Ele começou a ajeitar os grampos na fechadura, movimentando-os de um lado para o outro e...

- O que vocês estão fazendo?!

Nos viramos e demos de cara com uma jovem mulher morena, na faixa de seus vinte e poucos anos, vestida com uma blusa branca e calças jeans.

- O-oi! V-vo...cê por um acaso é... P-park...Y-yu...ra?

- Sim, sou eu mesma. O que vocês dois pensam que estão fazendo?

Antes de me deixar falar, Kyungsoo se pronunciou, afinal minha voz falhava cada vez mais.

- Eu sou Kyungsoo e esse é Baekhyun. Nós somos amigos do Chanyeol e achamos que há algo de errado com ele lá dentro. O Baekhyun ligou uma série de vezes para o celular do seu irmão, mas ele não atendeu. Ele está preocupado que algo tenha acontecido.

Yura dirigiu seu olhar para mim.

- V-você sabe o que aconteceu com meu irmão, digo, a história dele?

Balancei a cabeça afirmativamente.

Yura nos afastou da fechadura e introduziu sua chave na mesma, abrindo o portão.

- Chanyeol! – gritou. – Chanyeol-ah!!!

Ninguém respondeu.

Yura nos conduziu até a porta do quarto de Chanyeol, minha respiração ficando cada vez mais forte, meu corpo tremendo. A mesma estava trancada, entretanto, a irmã do castanho tinha uma chave reserva, pois sabia de seus problemas e tendências.

Yura girou a chave e abriu a porta, soltando um grito.

Passei pela entrada e levei minha mão à boca, as lágrimas escorrendo em meu rosto. Chanyeol estava sentado, as costas apoiadas na parede.  Seus olhos estavam fechados e sua face, pálida. Seu cabelo estava mais bagunçado do que nunca, usava uma camiseta preta de manga curta e uma calça jeans clara machada de...

Sangue.

Dirigi meu olhar a seus pulsos, o sangue escorrendo por entre os cortes.

- Channie! – gritei e corri a seu encontro, liberando forças que eu nem sabia que existiam dentro de mim. – Channie! Acorda, por favor! Acorda!

Solucei mais alto, acompanhado por Yura.

- Chanyeol-ah! Não me deixa, por favor. – levei minha mão esquerda até seu rosto e a outra depositei em cima de sua mão direita, tocando em uma lâmina que estava na mesma. – Eu te amo Chanyeol.

Amar é compreender.

Eu finalmente compreendo Park Chanyeol, talvez não por completo, mas o compreendo. Afinal, o importante não é entender tudo, mas sim, se esforçar para entender.

Eu entendia o que mais alto passara porque nesse momento estava passando pelo mesmo. Chanyeol sentia medo de me perder e agora eu também estava com esse medo.

Nós precisamos um do outro, porque sabemos que nos entendemos.

Porque sabemos que sempre iremos nos proteger.

Porque sabemos que sempre estaremos um ao lado do outro, até quando for praticamente impossível fazê-lo.

Porque nossos corações disparam quando nos vemos e nada mais importa.

Porque quando nos beijamos e nos tocamos, o restante do mundo não existe.

Porque nos amamos.

E o que será de mim sem você, Park Chanyeol?

O que será do mundo sem você?

Abracei o mesmo, sentindo o fraco calor que emanava de seu corpo.

- C-Channie... Eu.Te…A-amo. – lutei para pronunciar as palavras.

Senti meu corpo se esvair e minha visão se escurecer. Eu havia me esforçado tanto para um dia.

Estava tão cansado.

Tão...

Cansado...

.

.

.

Mas não importa, Channie.

Você sabe que eu irei te amar para sempre...

 

What’s gonna be left of the world if you’re not in it?

(O que restará do mundo se você não está nele?)

What’s gonna be left of the world, oh?

(O que restará do mundo?)

 

Every minute and every hour

( A cada minuto, a cada hora)

I miss you, I miss you, I miss you more!

(Eu sinto, eu sinto, mais saudades de você!)

Every stumble and each misfire

(A cada tropeço, a cada tiro perdido)

I miss you, I miss you, I miss you more!

(Eu sinto, eu sinto, mais saudades de você!)

 

“Good Grief”, Bastille.


Notas Finais


Será que Baekhyun e Chanyeol irão se recuperar?
Iremos ver no último capítulo de "A Esperança é a Penúltima que morre"
Gostaria que você aproveitassem essa reta final para me contarem o que vocês acham da fic, críticas e etc ^^
A música Good Grief: https://youtu.be/zhwgfERYuRo?list=PL2-CinWJFqVlvpN1eHdcmC2p2LdIC4iUp
Também vou aproveitar para fazer propaganda da minha outra fanfic, que é mais um texto reflexivo chamada "Imperfeição Perfeita": https://spiritfanfics.com/historia/imperfeicao-perfeita-6571449
Muito obrigada por lerem e até a próxima!
Bjos <3


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