História A Essência do ser - Capítulo 16


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Categorias Originais
Tags Ficção, Mistério, Romance Gay, Suspense, Yaoi
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Palavras 3.058
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Luta, Mistério, Sci-Fi, Shonen-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Experimentei colocar uma forma de narração diferente nesse capítulo especial, mas não é algo definitivo. Tive que dá uma variada, pra vocês saírem um pouco da mente desgastante de Matthew kkk

Capítulo 16 - A revolução em olhos importantes


O espelho ressalta meus olhos incrivelmente azuis, que se destacam mais ainda com meu cabelo penteado para frente, onde no final faz uma curva em caracol. Esse produto que me indicaram é super funcional, deixa meus fios louros em seus perfeitos lugares. Ao sair do banheiro, minha irmã que infortunamente divide o quarto comigo, já havia saído para o café da manhã. Visto uma blusa de frio branca de tecido fino, coloco uma jaqueta jeans azul, sem mangas, dou mais uma checada no cabelo e sorrio para o espelho, reafirmando minha beleza. Abro a porta e saio de meu quarto, seguindo até o refeitório que já de longe vejo estar lotado tão cedo. 

— Hey Lion. — Ouço a voz de Rick, clamando meu nome. Me viro para trás e o cumprimento como sempre: balançando minha cabeça. — Advinha só... — Ele diz ao acompanhar meus passos. 

— O que? Você se desculpa por ter tirado o meu sucesso no jogo? — Zombo dele.

— Ah, qual é cara? Só você pode fazer pontos importantes no placar? 

— Você me inferiorizou ontem, assim como aquele garoto de plutão... — Tento lembrar o nome. — Matthew? —  Me viro para ele e demonstro a importância do assunto em meu tom de voz. 

— Pensei que seria um pouco diferente do restante de seu habitat. — Ele fala com indiferença, virando sua face para o outro lado. 

— O que quis dizer com isso? 

— Não sei... Menos egocêntrico e obcessivo por atenção.

— Eu sou bem diferente do restante de meu habitat. Eu sou único. — Esbravejo.

— Claro, é o que todos os filhos do sol pensam, ser únicos e diferentes mas acontece que são todos iguais... Por isso estão no mesmo habitat.

    Rick me faz ficar pensativo quanto a questão. Sou igual a todos eles? Mas como a característica de sermos excêntricos é aplicada? Esse sistema está tirando a minha essência ao afirmar que todos do meu habitat são únicos. 

— Voltando ao assunto, ela está afim de você... 

— Ela? — Me viro para ele. 

— Não se faça de idiota, a minha Geise! — Ele sorrir, sarcástico, e escondendo uma raiva por trás dos olhos fulminantes. — Você pode continuar com todo esse ego, por que estou fora... Arranje amigos que suportam ver as coisas serem tiradas deles e naturalmemte atraídas para você como um imã. — Ele apressa seu caminhar, botando sua ira em cada passo. 

_________

— Sem chances, prefiro correr o risco de cair e ficar presa em uma daquelas armadilhas subterrâneas, do que passar minha vez para você Ícaro. 

— Audrey, hoje você perde para mim. — Ele rir, mostrando seus dentes alinhados perfeitamente em uma cor límpida e reluzente. Aqueles sorriso me fazia sentir uma insegurança que eu nunca sentira em toda a minha vida.

— Então é uma aposta? — Sorrio de volta, e me abaixo para pegar meu colar, que caíra no chão. 

— Depois do café da manha, vou correr tão rápido que as armadilhas nem sentirão minha presença. — Ele se aproxima de um casaco marrom e o veste. — Melhor nos apresarmos.

— Espera um segundo. — Levo as duas pontas do colar para trás do pescoço e tendo junta-las, mas meu volumoso cabelo atrapalha minha tarefa.

— Deixe eu ajudar. — Ícaro se aproxima. 

— Olha, sei que cresceu em Netuno e lá as pessoas são bem chatas na questão do "Deixe me ajuda-lo", mas aqui em marte ninguém gosta de se sentir dependente de outra pessoa. — Nego sua ajuda, com rispidez enrustida em risos.

— Ah, tudo bem, senhorita independente... Só fui ensinado à ajudar todos que estivessem precisando de uma mãozinha, principalmente as mulheres. — Ele volta a sorrir, dando mais vida para seus olhos verdes. 

— Ah, isso é machismo, do qual sempre presenciei nesse habitat, filhos de marte inferiorizando as mulheres para trabalhos menos brutais... Mas mesmo assim resistimos e lutamos por nossos direitos iguais.

   Ícaro me rodeia.

— Oh Audrey... — Ele toca em minhas mãos que tentavam freneticamente encaixar os dois lados do colar. — Mulheres são bem mais fortes que homens, possuímos medo de que vocês tomem nossos lugares algum dia e por isso nos defendemos com acusações de vocês serem mais frágeis. — Ele quase susurra em meu ouvido. 

    Meu coração bate mais forte, e não por que Ícaro se aproxima com delicadeza de mim, mas sim pelo seu modo de pensar. Neste momento ele consegue fazer com que eu distancie minhas mãos e deixe ele afastar meu cabelo ondulado para o lado. Então ele engancha os dois lados do colar que cai cintilante ao meu peito. Sinto sua mão gelada tocar meu pescoço, o que me assusta e me faz tomar uma atitude impulsiva, me viro e...

— Aí, por que me socou? — Ele se afasta com a mão no ombro. 

— Por que seu discurso não vai amolecer meu coração, seu bobo. Não é atoa que os garotos daqui pegam pesado com você, te chamando de garotinha. — Abro um sorriso pequeno no rosto. — Ainda vou ganhar de você na aposta depois da refeição. 

— Isso ainda veremos. 

   Gargalhamos por aquele instante.

— Ícaro...

 — Oi. 

— Não deixe esse habitat lhe retirar essa sua delicadeza.

   Ele faz que sim com a cabeça.

— Pode deixar, senhorita independente. — Ele pisca um dos olhos e sorri. 

   Saímos do quarto, caminhando para fora de nosso bloco. O refeitório está bem cheio, o que dificulta meus olhos encontrarem Peter. Ele havia me pedido para encontra-lo hoje em um banco mais ao sudoeste para falar algo importante, mas estão todos ocupados, duvido eu conseguir sentar por lá. 

_________

    De prontidão, à frente da porta de Alice, espero ela aparecer após eu ter procedido três batidas sequenciadas contra a mesma. Ouço um "Espere um minuto, já estou indo", mas no entanto fico ali por mais tempo. Arregaço as mangas do moletom e reforço meu penteado, jogando-o para a direita, enquanto ando de um lado para o outro do corredor.

— Estou pronta. — Ela aparece com uma calça um pouco mais larga e uma camisa bem longa, tampada pela metade por uma pequena jaqueta preta. Seu cabelo permanece da mesma forma, enrolado e armado em centenas de cachos. — Vamos? — Ela suspira ao fechar a porta. 

— Mais um dia, han? — Acompanho ela, enquanto passo meus dedos pelo papel de parede áspero do corredor. 

— Sim, mais um dia previsível. 

— Previsível...?

— Sim, fazemos as mesmas coisas todos os dias. 

— E por que não busca variar? 

   Não sei desde quando Alice e eu viramos tão amigas, viemos do mesmo habitat mas nunca tivemos tal conexão. Claro que a morte de Dylan favoreceu muito esse momento, mas seria bem indelicado afirmar isso. 

— Não sei... Eu só...

 — Esta afetada ainda com... 

— Dylan? Claro que sinto falta dele, mas não é como se estivéssemos uma ligação forte. 

— Então você não estava apaixonada por ele? — Indago, surpresa. 

— Bianca, as pessoas precisam de um tempo maior para... Criar algo mais intenso. 

— Entendo. — Respiro fundo e finalmente tento me calar. Posso ver em seu semblante, o quão tristonha ela ficou após o diálogo. — Desculpa... Tocar nesse assunto e tudo mais. — A tradução para meu habitat se chama insensibilidade. 

— Tudo bem. — Ela se abraça, ao passarmos da porta para o patio aberto, em um vento frio que nos atinge.

_________

    Acordo após um sonho ruim: em que eu estava preso em uma casa sendo obrigado a fazer as mesmas coisas todos os dias, não podendo sair. Um sonho bem peculiar, mas li em algum artigo que esses sonhos podem transcrever sentimentos que temos no cotidiano mas não expressamos para ninguém, ou nem mesmo reconhecemos ter. Minha visão já melhor, analisa o longo pescoço que emana um cheiro similar ao dos cobertores e do perfume natural do ambiente. Meu braço, traçado pela barriga lisa e limpa de músculos definidos, abraça o corpo sonolento à minha frente, me fazendo sentir sua costa quente contra meu peitoral. 

— Hummmmm — Acordo Gael, que solta um murmurro despertador. 

— Acho que estamos atrasados. — Susurro, abrindo um sorriso. 

— Para o que? — Ouço ele respirar pesado. — Ninguém liga para aquele café da manhã mesmo. — Ele rola sobre a cama e se vira para mim, onde desta vez o trago para mais perto com minha mão em suas costas. 

— Hoje é dia de discurso, é importante irmos para o refeitório. — Fico a observar seus olhos ainda fechados e sua boca em um sorriso bem pequeno. 

   Ele abre suas pálpebras vagarosamente, e junto desta ação vai formando pequenas rugas em volta de seus olhos, espremidos por um sorriso maior. 

— Bom dia? — Ele pergunta. 

   Deixo escapar uma risada breve. 

— Bom dia Gael. — Levo meus dedos à seu rosto, e o aliso enquanto trocamos olhares. 

   Mas percebo seu olhar fraquejar, desviado para baixo como quem estivesse incomodado com algo. 

— Está tudo bem? — Aproximo meus lábios à sua testa, e o beijo. 

— Estou... É que... Eu preciso conversar com você à sério. 

— Tudo bem, mais tarde então, depois do café da manhã, do qual precisamos levantar primeiro. — Faço cócegas em sua cintura, ele se contorce até cair da cama.

— Aaaau! Pietro! 

   Vejo ele largado ao chão, segurando a cabeça com uma das mãos. Não aguento segurar a risada, o que faz ele se levantar irritado. 

— Não tem graça. — Ele fecha a cara e tenta ficar bravo, mas somente consegue ficar mais fofo. 

— Já falei que você fica bem...

— Não vem falar sobre minha expressão facial quando fico com raiva, sabe que isso me irrita mais. 

   Ele entra no banheiro e me deixa dando risadas sobre a cama, sozinho. 

   Após nos arrumarmos, saímos do quarto e caminhamos até nos esbarrarmos em Matthew e Peter no corredor. 

— Matt... — Gael demonstra preocupação em seu tom de voz.

— Ah... Oi Gael. — A entonação discreta e distanciada na voz do garoto, sempre me irritou. 

— Olha quem encontramos aqui, pensei que você havia saído do instituto, por nunca mais tê-lo visto. — O que estava bem demais, até agora. 

— Bom, eu ainda estou aqui. — Ele me desafia com o olhar.

    Gael dá um abraço forte em Matthew, e continha olha-lo com aquela expressão de preocupado e empático. Meu ciúme alarma e fico inquieto observando tudo aquilo. 

— Você está bem? — Gael insiste em prestar sua atenção para o garoto que nem ao menos o valoriza. 

— Estou sim, melhor... 

— Isso é bom.

— Melhor irmos, para não nos atrasarmos. — Peter diz, com um tom frívolo e os olhos fugazes. Algo sobre sua fala me incomodou. 

— Verdade, nos vemos então daqui a pouco. — Matthew diz com uma certeza desconfortante. 

— Claro, espero te ver depois. — Gael se despede, inocente da situação estranha.

_________

   Lá estou eu, sentada de frente ao Ícaro, encarando seus olhos da cor de marte que  parecem me atrair como grandes imãs. Ele fala o tempo todo, despercebido de tempo ou qualquer outro fator de preocupação, e é isso que difere ele dos outros garotos rudes de meu habitat. Ele possuí algumas características base para marte, como a competitividade e audácia em suas atitudes, mas ele possui uma doçura em seu olhar e em suas palavras que provavelmente foram formadas com fortes influências no habitat em que cresceu.  

— Já leu? — Ele faz uma pergunta, que me retira dos pensamentos longes da realidade. 

— Anh? O que? 

— O livro, que eu estava falando agora pouco... Você me ouviu? — Ele fica irritado por eu não ter dado ouvidos à ele (como todo filho de marte, gosta de atenção), mas tenta disfarçar com um sorriso.

— Livros? Não costumamos ler muito isso em nosso habitat. — Sejo curta.

— Uau, está bem. — Ele então se cala e procura olhar para as outras mesas. 

   Percebo que ele ficou chateado por eu ter cortado seu assunto. 

— Ícaro... — Hesito em pedir desculpas pela indelicadeza. Me desculpar é como retirar minha pele bem devagar. — Sinto muito pela...

   Um sinal ensurdecedor soa pelo refeitório, e em seguida a voz de alguém pelas caixas de som: "Gases tóxicos foram liberados por falhas na segurança, o instituto está oferecendo riscos à saúde de vocês, por favor mantenham a calma e se dirijam com organização para a saída do mesmo". A voz se repete várias e várias vezes, fazendo todos os alunos se tumultuarem para a saída. Me levanto em desespero e olho para Ícaro que também está tão perdido quanto eu. 

— Preciso achar o Peter. — Subo em cima da mesa para ver se acho meu irmão no meio da multidão. 

_________

— O que está acontecendo? Isso é sério? — Bianca indaga, incrédula do anúncio. 

— Mal sentamos... — Digo, esperando ter tido pelo menos uma refeição antes. 

— Precisamos ir até a saída então. 

— Calma, e Matt? 

— Alice, ele também ouviu, vai ir para o mesmo local que a gente... A saída. — Ela me puxa pelo braço e se enfia no meio da multidão.

    Esbarrando em muita gente, sinto a mão dela soltar a minha. 

— Bianca? Bianca! — Tento reencontrá-lá, mas muita gente se enfia em minha frente, então só me resta a opção de gria-la.  — Bianca! 

   Tropeço em alguém e caio por cima de outra pessoa. 

— Alice? — Vejo Gael me segurando. — Você está bem? 

— Sim, estou. Mas Bianca... Perdi ela.

— Calma, lá de fora procuramos ela... Fique com a gente. — Olho para a outra pessoa que o acompanhava, para ver quem é "a gente". 

_________

    Quando menos percebo, sou levado pela multidão com facilidade. Não consigo ver ninguém que eu conheça, nem para onde aquele tumulto está me levando, detesto admitir mas tudo o que eu estava pensando era na segurança de minha irmã, Charlie. E a droga da mensagem continuava a se repetir pelas caixas de todo o instituto, apavorando mais ainda as pessoas. O caminho de pavio estreito é aglomerado por uma quantidade insuportável de pessoas, algumas andam até pelas bordas do gramado não ocupado por construções e edifícios.

_________

       Algumas horas antes...

   Me afasto do abraço de Peter, e procuro olhar novamente para a armadilha, desta vez uma observação de canto, procurando não demonstrar interesse naquele cubo de metal. 

— Precisamos ser cuidadosos na hora de voltarmos. — Ametista comenta.

— Os desgraçados dos marcianos colocaram isso para que? Vivem inventando essas merdas. — Nate chuta a terra enquanto fala, bravo.

— Com todo esse barulho, alguém pode ter ouvido, precisamos ser rápidos. — Eliot, ainda mantendo sua postura equilibrada que parece ser inabalável. Cruza os braços e segue andando. 

— Eliot! — Ametista sussurra forte. —O que está fazendo? 

— Estou voltando pelo mesmo caminho do qual viemos. 

— Como ele decorou por onde passamos? — Peter inquire, retoricamente

    E então seguimos o misterioso Eliot, que nos guia com segurança para o outro lado do gramado. Depois disso seguimos para o quarto de ametista, onde todo o resto do grupo se encontrava, anciosos, nos esperando. 

— E ai? Conseguiram? — Blair, estava roendo as unhas quando chegamos. 

— Sucesso. — Nate a responde.

— Vamos para a última parte do plano então. — Blair diz, aliviada. — Zack entrou no comunicador de todos àqueles que vocês se importam e querem trazer com a gente, e conseguiu ativar o sistema de rastreiamento, assim vocês acharão-os facilmente na multidão, apenas tocando no ícone amarelado. 

   Todos nós, checamos nossos comunicadores. 

— A lista de pessoas que irão é essa. — Ela estende um cartas escrito nos nomes, "Gael, Lion, Bianca e Audrey"

 — Consigo ver Bianca, mas não Alice na lista. — Digo.

— Alice? — Ela espremas as sombrancelhas, em uma dúvida. 

— É uma amiga nossa. — Peter responde por mim. — Ela é de Mercúrio... 

— Quero ouvir os porquês de estarem levando seus amigos, novamente. — Jack interrompe Peter.

— Vou levar meu irmão, por que ele me seguiria em qualquer lugar. — Charlie se afasta da parede em que estava escorada e fala.

— Eu não tenho ninguém para levar mesmo. — Diz ametista, com um ar solitário.

   Eliot permanece em silêncio, de prontidão para a grande vidraça.

 — Vou levar minha irmã, pois não iriamos nos separar também. — Peter continua. 

— Está bem. Matt, Peter e Charlie possuem certeza de que seus irmãos não irão hesitar ao convite de irem conosco, o que não será um problema para nosso plano.

— Alice viria com a gente, posso garantir certeza...

   Jack me olha com ternura e compaixão em seus olhos brilhantes. 

— Está bem, se você diz.

— Peguem o comunicador de vocês agora e falem "Ponto principal." — Fala Quentin, animado com algo.

— Ponto principal. — Digo, junto dos outros na sala, não de forma coordenada como esperado. O comunicador abre uma interface de um mapa que mostra o caminho para um local, marcado por um ponto azul

— Neste ponto, vai ser o local em que vamos nos encontar, após a liberação do gás às 8 horas, vocês terão trinta minutos para chegar nesse ponto. 

— Não acha pouco? A multidão pode nos atrasar. — Charlie tira uma mexa de cabelo que caía à sua frente, colocando-a atrás da orelha. 

— Não podemos esperar muito, talvez podemos dar mais cinco minutos de tolerância. — Quentin explica. 

— Quero ressaltar que quando vocês chegarem no habitat de Urano, tudo pode ser um pouco estranho e difícil de se adaptar para alguns. Mantenham a calma e procurem a companhia do grupo para discutir assuntos mais privados. 

— O que quer dizer com difícil adaptação? — Pergunto.

— Está dizendo que os uranianos podem ser difíceis de se lidar. — Blair responde como sempre, com um ar superior. 

— Nao achei Bianca tão insuportável assim.

— É por que era só ela, e não um ambiente lotado de filhos de Urano. 

   O silencio profana por alguns segundos, deixando somente a brisa que entra pela janela em que Eliot está, preencher o local com um som soprado. Naquele momento, senti que todos do grupo fossem um só, ligados pelo mesmo objetivo, que é mudar essa sociedade farsante de uma paz próspera. Nunca imaginei lá atrás, nos momentos primórdios de minha infância, que eu participaria de um movimento contra tudo o que eu fui ensinado a acredidar. Claro que sempre pude ver as injustiças do sistema habitacional, como deixar as pessoas das quais me importam se elas forem de um habitat diferente, ou viver à beira de ser igualado à todo o resto do habitat, não tendo mais identidade ou algo que me distingue dos outros. Claro que não queremos que uma guerra se inicie, mas para viver nesse sistema que alega extinguir toda discussão e impactos de diferentes idéias, teríamos que deixar tudo o que somo, tudo o que queremos ser, para nos tornar fantoches colocados e divididos em prateleiras. 

   Precisamos lutar, mesmo que com uma ação menos impactante, menos letal para o sistema habitacional. E se tem uma coisa em que todos os humanos tem como igual, é a vontade por liberdade... Da qual o sistema não pode retirar de nós e a única razão que nos unirá. 

— Então que comece a revolução. — Quentin diz, heroicamente, com uma grande pausa dramática ao final.


Notas Finais


Obrigado por ler <3, e terá uma segunda parte desse capítulo, nessa mesma forma de narração
Comentem o que acharam... Se foi confuso demais ou algo assim.


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