História A Essência do ser - Capítulo 23


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Ficção, Mistério, Romance Gay, Suspense, Yaoi
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Palavras 2.736
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Luta, Mistério, Sci-Fi, Shonen-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Pretendo terminar a historia mesmo sem visualizações. Estou escrevendo por mim por que amo escrever...

Capítulo 23 - Tudo minha culpa


                       Andávamos pelo corredor quando ouvimos o barulho repetido de uma sirene.

— Devem ter percebido antes demais que pegamos ele. — Diz Lion.

— Ou a sirene foi ativada depois da rebelião que Zack combinou no plano.

 

— A cantina tem essas paredes de vidro reforçado que protege as pessoas lá dentro, porém se roubarmos uma das pistolas dos guardas, poderíamos fazer os cozinheiros de reféns. — Zack argumenta — E quem vai ficar responsável por essa etapa do plano são Peter, Audrey e Ícaro, os três que possuem marte no sangue.

— Protesto, sou de marte mas vim de um habitat que não me prepara para fazer essas coisas. — Ícaro refuta.

— Ninguém aqui sabe, Ícaro. — Audrey arfa —  Acha que no habitat de Marte somos ensinados a fazer reféns?

— Não precisa falar nesse tom.

— Bem, você poderia pensar um pouco mais antes de sair ofendendo os habitats.

Os dois se calam e olham para direções opostas, o que acho estranho pois parecia que iriam se atacar. Audrey retira o cabelo espesso da frente do rosto e inquire:

— E ai, depois fazemos o que?

— Os reféns são a maneira como irão sair daqui. Precisam ameaça-los enquanto sobem o elevador principal até o último andar onde vamos todos nos encontrar. — Zack termina.

 

Dylan não conseguia andar direito, precisávamos carregá-lo com mais força embora ele parecesse bem magro e leve. Lion lidera o caminho do corredor quase que saltitante, onde parecia estar feliz com tudo o que estava ocorrendo. Contudo, um forte barulho tange quando Lion é jogado contra a parede por um guarda que aparece abruptamente. Ele é trajado com um uniforme mais volumoso que com certeza o garante uma proteção maior. Lion cospe sangue a cada soco que o guarda acerta no pobre rosto dele, confesso que senti um pequeno alívio até a coisa começar a ficar séria. Lion é jogado ao chão e chutado, fazendo Eliot tomar alguma atitude.

Eliot coloca o peso de Dylan todo sobre mim ao se retirar como apoio dele. Corre atrás do guarda e com um pulo o agarra pelas costas, envolvendo o braço pelo pescoço do mesmo. O guarda que mais parecia um gigante, se rebate de um lado ao outro tentando se soltar de Eliot.

Com sucesso, Eliot é lançado contra uma das paredes do corredor e em seguida sem tempo algum de revidar, o guarda o pega pelo pescoço e o arrasta na parede para o alto. Eliot agarra o braço o homem e se contorce, imobilizado.

 O que eu posso fazer? O que eu devo fazer? Droga, droga! Isso não era parte do plano. Paralisado, vejo a face de Eliot adquirir uma cor vermelha e seus olhos se fecharem lentamente. Deixo Dylan no chão e corro para cima do gigante. Sei que é estupido, mas preciso achar uma fraqueza, todos nós temos. O guarda estava ocupado demais deliciando o sofrimento de Eliot quando o chuto com toda a minha força contra a parte de trás do joelho. Ele dobra a perna atingida, mas logo se vira para mim e alcança minha garganta com a mão livre, me levanta ao alto também e me aperta com toda sua forca. Seu rosto é tapado pelo capacete, porém consigo sentir seus olhos sádicos aspirando nosso sofrimento. O sufoco no começo não ultrapassa a dor que cobre meu pescoço, mas depois de alguns segundos sinto todo o ar de mim se esvair como se eu tivesse murchando aos poucos. Tento olhar para Eliot, só que sua expressão facial já perdera a vida, deixando somente um rosto em um tom quase roxo. Ele está morrendo, e eu preciso fazer algo!

— É nisso que dá se rebeliar contra o sistema, crianças... tenham uma boa noite. — Diz o guarda com uma voz grossa e sádica.

Lion recobra a consciência e nos fita com indisposição. Ele se levanta, olha dentro de meus olhos, gratificante e sai correndo pelo corredor.

 

— O plano para o rapto de Eddam precisa ser incorporado por mentes brilhantes. Bianca, Pietro e Nate são encarregados dessa parte. Os passos são simples e livres para acréscimos criativos. Vocês precisam distrair ou apagar os dois guardas que protegem o escritório do nosso “Drácula” e adentrar o local com agressividade. Precisam demonstrar poder e dominância sobre a revolta. Achem alguma espécie de arma e saiam com ele sob sua custódia. — Diz Zack — Mas lembrem-se que essa parte do plano só deve ser executada depois que os reféns na cantina forem pegos. O restante é com vocês, tendo o rei em mãos, o cheque mate é garantido, certo?

— Não vai ser tão simples assim. — Bianca se mostra negativa.

— Concordo. — Diz Pietro.

— Vocês do habitat Urano são brilhantes, mas precisam se desapegar dessa negatividade. — Diz Nate.

— Estamos só sendo realista, levando em conta que Pietro cresceu em um habitat cheio de mimados e Nate nem lutar deve saber. — Bianca deduz com um leve tom de maldade.

— E você, sabe lutar? — Pietro pergunta, concordando inconscientemente com a dedução de Bianca.

— Claro que sei! — Ela diz com astúcia. — Vim do habitat lunar, aprendi artes marciais para a projeção astral, paz interior e todas as bobeiras que eles inventam.

— Eu posso ser útil de outros modos. — Nate tenta ver o lado positivo da situação.

— Bem como disseram, Filhos de sol possuem músculos somente pela beleza. — Diz Blair enquanto aperta o braço forte de Pietro.

— Você está muito engraçadinha para alguém de mercúrio. — Pietro retruca.

 

O oxigênio em meu cérebro fica escasso, dificultando meu raciocínio e minha visão que fica embasada. Será que vou morrer aqui? Logo quando acho meu irmão? As imagens de meus pais passam pela minha cabeça e todos os momentos que vivi são como flashes, e a culpa por deixar Eliot nesse estado só me atordoava. Eu não posso morrer, não aqui! Faço um esforço considerável para focar meus olhos no corpo dele e pensar em algo, mas é como se eu tivesse tonto demais e agora não conseguisse enxergar um palmo a minha frente.

Quando uma ideia vem a minha cabeça, minhas esperanças voltam em um piscar de olhos. Alcanço a cintura de Eliot e agarro uma das seringas que ele colocou lá, levo até a boca e retiro com os dentes a tampa que protegia a agulha.

— Você está ferrado! — Finco a ponta da agulha contra o braço que segura meu pescoço e aperto o botão que despeja todo o líquido no organismo do brutamonte.

                O efeito é imediato, ele solta nossos pescoços e cambaleia para trás para tirar a seringa e averiguar o que havia dentro dela. Volto a respirar, ofegante. Eliot, no entanto, cai ao chão com a mesma expressão mórbida.

— O que você injetou em mim? — O guarda começa a ter alucinações, falando coisas sem nexo e batendo contra sua própria cabeça. Ele olha para mim e como um touro furioso e corre na minha direção. Coloco um pé na sua frente e o derrubo facilmente, chutando sua barriga por inúmeras vezes e o xingando.

Corro ao socorro de Eliot no chão. Coloco meu ouvido contra seu peito e não sinto sua respiração.

— Eliot? Eliot! — Sacudo seus ombros. — Droga Eliot! — Apalmo com minhas duas mãos no seu peito e pressiono para baixo como aprendi em uma aula sobre primeiros socorros — Idiota! Você não pode morrer! — Desesperado e sem resultados positivos, prendo seu nariz e levanto seu queixo, selo nossos lábios e começo assoprar. Alterno entre os dois únicos métodos que conheço para tentar salvá-lo.

Após 5 minutos minha desistência se expressa através do desespero embutido em lagrimas. Sento escorado na parede olhando para o corpo de Eliot na minha frente enquanto imagino o quão inútil sou. Estou arrastando todos para essa merda de revolução e não consigo ao menos protege-los. Não consegui evitar que Dylan fosse sequestrado, ou que Alice morresse, nem mesmo impedir que todas essas pessoas caíssem em uma grande armadilha junto comigo. E agora Eliot...

A droga da sirene continua zumbindo nos meus ouvidos, perco o controle não conseguindo recompor meus pensamentos para bolar uma estratégia. Eu desisto. Não consigo lidar com tudo, não sei por que estava tentando... sou um inútil infortunado de ter nascido como o rosto de uma revolução.

Escondo minha cabeça atrás dos braços apoiados no joelho. Cabisbaixo, ouço um engasgo seguido por tosse que me faz levantar os olhos acima do braço, vendo Eliot tentar se levantar com certa dificuldade.

— Eliot! — Clamo-o com um tom empolgado que eu não usar faz algum tempo.

— Como o guard... foi parar no chão? — Ele dá um sorriso sarcástico e tenta falar, mas suas palavras eram cortadas pela falha em sua voz.

— Idiota, eu o derrubei. — Percebo que minha voz também se mostra um pouco rouca depois do incidente. Minha garganta dói cada vez que tento falar ou respirar fundo.

                — Bem, voc... não foi tão rui... afinal. — Ele se levanta, tosse forte e vai ao encontro de Dylan.  — Vai vi... ou não!

                — Estou indo. — Me levanto também e ajudo-o a levantar Dylan que estava desmaiado.

                — Você estav... choran...? — Ele pergunta, surpreso.

                — Claro que não, por que eu iria chorar? — Enxugo os olhos com a palma da mão livre.               

                — Não precis... esconder, todo mun... precisa chorar, até você que parec.. não ter coração.

                — Olha quem fala.

                Ele sorrir e olha em volta como se procurasse alguém.

                — Cadê o Lion?

                — Ele fugiu...

 

— Gael, Ametista e Charlie, seguem a garota de plutão pela a passagem secreta que leva até o segundo andar, onde irão tentar apagar o máximo de guardas possíveis com a droga que pegamos na enfermaria e depois subirão para o terraço. Você está com as seringas, Ametista?

—Sim, sim.

— Ótimo! Lembrem-se de se colocarem em prioridade, caso não consigam derrubar algum guarda, subam para o terraço mesmo assim. Alguma objeção?

— E se formos pegos? — Lion questiona.

— Se um de nós for pego, iremos fazer o possível para resgatá-lo... mesmo tendo que reformular todo o plano. Então... tentem não serem capturados.

— O possível? — Lion gargalha, sarcástico. — Quer dizer que se precisassem deixar alguém para trás, deixariam?

— Isso não vai acontecer. — Digo, convicto.

— E toda essa certeza vem de onde plutoniano? — Ele move os olhos debochados para mim —Você já está garantido? Porque... — Ele dá outro sorriso sarcástico — você sabe que eles não deixariam o garoto de plutão para trás, ou acha?

— Pois se for para o bem de todos, desejo que deixem esse lugar mesmo sem mim. — Meu tom antes neutro, passa a adquirir uma certa mudança. Lion sempre me tira do sério.

— Vocês ouviram a majestade? — Lion urra e levanta os braços.

— Não grite Lion, vai chamar a atenção dos guardas. — Blair o repreende — Pare de ser problemático

—  Ah, eu sempre sou o problema, certo?

— Não seja dramático Filho do sol, temos assuntos mais importantes para lidar. — Diz Eliot, ríspido.

— Chega! Queria que vocês agissem com maturidade ao menos uma vez. — Zack quase grita. Todos se calam e começam a olhá-lo — Continuando o plano... Blair e eu iremos para a sala de controle, assim podemos dificultar a comunicação entre eles e facilitarmos a saída de vocês.

— Por que eu? — Ela parece retrucar.

— Porque você parece ser uma garota esperta. — Ele diz com um sorriso familiar.

Olho para Peter de relance e percebo que ele já estava me olhando.

 

Seguimos o corredor torcendo para não encontrarmos outro guarda. Lidero o caminho virando na direção que decorei depois que olhei o mapa. Enfim, achamos o elevador bem quando a sirene para de soar.

— Meus ouvidos agradecem. — Diz Eliot.

— Zack já deve ter entrado na sala de controle. — Levo a mão até o botão do elevador e observo os botões que indicavam os andares. Já que estávamos no térreo, aperto o botão numerado em 2. Entramos na caixa de vidro e subimos.

                A visão ao redor por alguns segundos é tomada por um interminável cinza, até que subitamente, o elevador enaltece como uma águia levantando voo. Abaixo de nós, um chão branco com vários moveis brancos transmitindo interfaces no ar como feixes de luzes. As pessoas nos olham com um certo desespero no rosto, porém, não surpresas.

— Outros estão subindo. — Grita algum homem.

Os guardas ficam perplexos e desorientados enquanto olhavam a caixa de vidro no meio da estrutura subir rapidamente. Finalmente o elevador chega até o terraço. A porta se abre e carregamos Dylan para fora da caixa de vidro.

— Não, não, não, segurem a porta! — Pietro grita.

 

                Peter se acomoda na cadeira e volta a olhar a própria mão, cabisbaixo.

— Prestem atenção, cada um recebeu um mapa desse andar, certo? Percebem que cada um de nós vamos ter um elevador mais próximo para usarmos... — Zack se interrompe quando vê um dos guardas se aproximar — Quando chegarem ao terraço, segurem o elevador e travem a porta dele com algo, assim ele não irá descer e ser usado pelos guardas para acompanhar vocês.

— Mas não vi um elevador perto da sala de segurança. — Diz Blair.

— É por que iremos fazer um outro caminho. — Zack dá um sorriso malicioso.

— Vocês aí, circulando. — Grita o guarda.

 

Pietro e Audrey correm para alcançar a porta, mas ela desce antes deles chegarem lá.

— Ótimo, agora não temos menos tempo. — Pietro resmunga.

Avisto todos, menos Zack e Blair. Até mesmo Eddam ajoelhado na frente de Lyana que segurava uma faca contra o pescoço dele.

O local também é todo branco, possuindo teto somente nos primeiros metros que sucedem o elevador, mais para frente, parece ser somente a extensão de um piso branco com algumas poltronas e torre de vigilância aos cantos.

Depois de poucos minutos sobem 6 guardas armados pelo elevador. Eles ameaçam a atirar, mas Lyana grita: "Mais um movimento e eu corto a garganta dele!".

— Tudo bem, não atirem. — Eddam grita em desespero.

— Como se sente agora? Depois que foi movido do instituto para cá ficou todo animado com esse seu novo reinado e agora padeceu tão fácil. — Lyana tinha um tom de voz ameaçador — Os habitantes solares são tão entediantes, sempre correndo atrás do poder.

— Lyana...

— Calado! — Ela aperta mais a faca contra o pescoço dele — Me trancou aqui como se eu fosse algum tipo de animal! Você não tem noção, não é mesmo? — Ela ergue o queixo de Eddam o fazendo olhar nos olhos dela. — Lembra dele? Quando o matou?

— Sabe que eu precisava... fui obrigado. Arrisquei minha vida mantendo você viva no lugar dele. Então não seja ingrata!

— Ah, ingrata? — Ela sorri ironicamente perigosa. — Quer dizer que eu tenho que agradecer por isso tudo? Você é um imbecil!

Depois dos longos minutos uma nave surge atrás de nós, sobrevoando no nosso mesmo nível. A porta de entrada se abre e a voz de Zack ecoa:

— Entrem!

Entrego Dylan para Zack e subo em seguida. Junto com Zack, ajudo todos a entrar na nave de modo pacífico.

— Você quer que eu agradeça? — Lyana movimenta a faca silenciosamente, cortando a garganta de Eddam e fazendo jorrar sangue feito uma cachoeira.

Um tiroteio desbandado começa logo em seguida, Zack pega uma das armas para se defender e também procede tiros contra os guardas. Depois de ajudar Pietro e Gael a entrar na nave, Peter me puxa para longe da porta da nave.

— Você quer morrer? Fique longe da porta!

— Sei cuidar de mim mesmo.

Blair que estava dirigindo, gira a nave para a direção contrária dos guardas e acelera a máquina para o horizonte. Passo o olho ao redor da nave que parece com a dos uranianos só que com uma decoração toda branca. Todos estão bem abalados e surpresos com o que acabaram de passar.

— Gael! Gael! — Pietro grita com o garoto nos braços.

                Corro ao encontro deles e pergunto o que aconteceu.

— Não sei. — Pietro responde, grosseiro.

Pietro coloca Gael no chão e se ajoelha do lado dele. Ele está usando uma jaqueta que provavelmente pegara de algum dos guardas.

— E essa jaqueta? — Indago.

— Peguei de um dos guardas por que Gael parecia estar com febre. Deve que a situação se agravou. — Pietro ia respondendo minhas perguntas como um cão de guarda responde um cachorro.

— Não... não deve ser isso. — Me agacho também e coloco a mão em sua jaqueta. Gael respirava pesado.

— O que está fazendo? — Pietro olha com aversão para minha mão.

— Só vou tirar a jaqueta.

                A camisa branca que ele vestia está ensopada de um liquido vermelho. Toco sua barriga e sinto o cheiro de ferro junto da sensação morna contra meus dedos.

                — É... sangue... — Digo, incrédulo. — Rasgo sua camisa com um movimento só e vejo o ferimento causado de uma das balas do tiroteio.


Notas Finais


Boa leitura galera, até o próximo capitulo
Está chegando ao desfecho viu rsrs


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