História A Essência do ser - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Ficção, Mistério, Romance Gay, Suspense, Yaoi
Exibições 41
Palavras 1.755
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Luta, Mistério, Sci-Fi, Shonen-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura habitantes.

Capítulo 9 - Ametista, como a pedra?


Peter trancafia a porta após entrarmos. Checa por todos os lados se a colega de quarto dele não estava.  
— Tina? — Ele chama.  
  Ninguém o responde. 
— Ok, podemos conversar agora.  
— Que bom, por que tenho muitas perguntas. — Me sento na cama dele. — À quais habitats você pertence? 
— Vênus, Urano e Marte.  
— E como o teste só apontou para vênus?  
— O cara que aplicava os testes era um amigo, ele facilitou o resultado para mim. — Peter vai até um mini frigobar e pega uma garrafa de vidro.  
— Isso tem álcool?  
— Sim, quer? — Ele estende a garrafa para mim. 
— Como pretende esconder seu disfarce, tendo bebida alcoólica em pleno bloco venusiano.  
— Não fode Matt, posso falar que esse custume veio de Marte. Você também não possui traços de seu lar Saturno? — Ele procede alguns goles na bebida. 
— Eu... Creio que não. Não marcantes. 
— Esconde o que sente, esconde quando precisa de ajuda, leva tudo muito a sério, as vezes acaba sendo insensível, entre outros.
  Desvio meu olhar para a janela. Essa análise prática que resulta em uma opinião certeira é uma habilidade uraniana. Sei disso pois Bianca costuma apresentar tal critério quando advinha coisas que prefiro esconder.
— Opa, opa. Se acha que eu vou contar tudo sem obter alguns de seus segredos... Está enganado. — Ele fala se aproximando demais. 
— Ah, você quer saber meus segredos? — Soa de forma irônica. — Está bem então. Sabe por que andei te tratando mal? Tentaram me assassinar, e eu desconfiei que havia sido você pois dei um soco na cara do assassino e você estava com um hematoma no dia seguinte.
  Após meu desabafo, Peter se afasta com uma expressão assustada estampada na cara. 
— Ual, você é bem durão... Desconfiar de um filho venusiano.
— Cala a boca. 
— O que? — Ele rir, mas para ao ver minha expressão nada paciente. — OK, e eu briguei com um garoto no prédio destruído.
— Daquele prédio acabado, que ninguém está autorizado a entrar?
— Esse mesmo.
— E você entrou?  
— Qual é Matt. Acha que ordem de restrição impedem certos alunos?  
— Não, mas segundo sua encenação, você deveria ficar longe desses lugares. Digo, qual é Peter? Você está pelo menos tentando se encaixar? Você sabe para onde levam pessoas indefinidas?  
— Claro que sei. Fazem experimentos nelas e depois as matam...  
— Espera, de onde tirou essa ideia? Meus pais me contaram que eram levados para uma espécie de ambiente próprio, com tratamento especial.  
— Matt, você acredita nisso mesmo? — Ele se deita na cama, rindo.  
— Porquê escolheu vênus se não consegue se conter? Por que não marte ou Urano? 
— Vem cá. — Ele se senta novamente, se escorando na parede. 
  Me aproximo, esperando ouvir a resposta, ele me puxa pela camisa e tenta me beijar, mas eu o empurrou.
— Já falei que você tem lábios muito lindos?  
— Aff. Você é assim mesmo ou só quando bebe isso? — Me afasto e saio do quarto.
  Está choviscando e o tempo muito frio. Coloco o capuz e enfio minhas mãos nos bolsos do suéter. Enquanto Ando cabisbaixo até o bloco de Netuno esbarro em Gael descendo a escada, junto de toda a turma 
— Onde você estava? — Gael me abraça, mas me afasto.  
— Estou molhado. — Dou-lhe uma desculpa para minha apatia.
— Estamos indo para uma aula na biblioteca, passei no seu dormitório só que você não estava. Você está bem?  
  Aceno que sim com a cabeca. 
— Já alcanço vocês, só vou trocar de roupa. — Subo as escadas, entro no quarto e tomo um rápido banho.  
  Ainda contínuo pensando na conversa com Peter. Algo me incomoda, me perturba. Está faltando peças nesse quebra cabeça. Quem tentou me assassinar? O que peter quer no habitat de Vênus? Aquele é o verdadeiro Peter? As vezes saber a verdade é algo assustador, mas não saber ela é bem mais horripilante.  
  Me observo pelo único espelho do quarto, vejo meus olhos fundos e vermelhos. Visto uma roupa e desço. 
  Entro na biblioteca e caminho até Gael. 
— Hey. — Enfio as mãos nos buracos do moletom e me sento.  
  Estou cansado demais para observar os detalhes de uma estrutura da qual nunca entrei. Porém ainda sim, corro o olho pelo local. Pelas grandes estantes cheias de livros que quase formam um labirinto nos envolvendo. Pelas cadeiras no centro do globo. E pelo teto também em formato circular. 
— Ah, Oi. — Gael me entrega um livro.  
— "As aventuras literárias?"  
— Eu sei, meio tosco. Mas é importante para quem quer aprofundar nessa área de escritores. — Gael susurra enquanto algum instrutor discursa.  
— Ah, estou bem com isso. — Dou baixos risos. — Confie em mim, sou horrível em escrever dramas, principalmente aqueles que retratam um universo mais complexo e único. — Respiro fundo enquanto folheio o livro. 
— É fã de livros? — Gael sorri. 
— Sempre fui, lá no habitat de Saturno não temos muitas opções de diversão, então livros viraram meio que um refúgio para mim. 
— Psiu! — O instrutor nos interrompe. Ele surge em meio às prateleiras. Só então reconheço que era o mesmo homem da reunião de mais cedo. O cara de olhos fundos, cabelo bagunçado e um moletom de animais fofos. Aliás ele não havia mudado nada até então. — Não te vi entrando Matt, chegou agora? 
— Sim, me atrasei um pouco. — Não me admira que ele conheça meu nome, quem não conhece? 
— Ótimo! Vamos prosseguir. — Ele pigarreia. — Como eu dizia, na página 45 o autor mostra um complexo desdobramento de personalidade, quando coloca o personagem principal no centro de suas alucinações...  
  Abro o livro na página declarada e encontro um papel. Pego e busco ler a única frase escrita.  
"Acha que um soco na cara irá me parar?." 
  Amasso o papel bruscamente. Olho de imediato para Gael, suspeitando dele por ter me entregado o livro. Após perceber que eu estava o fitando, ele se vira e sorrir.  
— O que? — Ele indaga. 
— Nada. — Disfarço e escondo o papel amassado dentro do moletom. 
  Olho freneticamente para os lados. Ninguém suspeito... Quem mandou abrir o livro na página 45 fora o instrutor. Será que... Analiso o instrutor. Ele me devolve rápidos olhares, assim como para o resto da turma. 
— "A revolução é só um passo para uma nova sociedade que um dia também terá suas revoltas. É um ciclo sem fim." Neste trecho podemos ver sua capacidade de digerir assuntos
5 / 6
sociólogos e imprensa-los em uma frase filosófica de um de seus personagens. — Ele me olha no momento na explicação.  
  Meu deus, estou ficando louco com isso? Estou suando. Sinto minha respiração pesar.  
— Matt. — Gael toca em meu ombro, me assustando. — Você está mesmo bem? Está ofegante.  
  Ele leva a outra mão até minha testa. 
— Está quente... 
— Tô bem. — Me levanto e vou até o banheiro da biblioteca. 
  Entro no banheiro e vou direto para pia, lavo meu rosto e segundos depois Gael também adentra o local.  
— Matt. — Ele me clama, preocupado. 
— Estou bem Gael, acho que é só uma gripe.  
— Gripe? — Ele se aproxima, me prensando contra a pedra de mármore da pia.   
  Fico sem reação. Ele coloca sua testa contra a minha.  
— Você está com febre, quer que eu te acompanhe até seu dormitório?  
— Eh... Ah... Eu... D-dou conta de ir sozinho. — Escapo da situação, e sigo até a saída da biblioteca. 
  Olho para trás todo momento, para ter certeza que ninguém estava me seguindo. OK, admito que tudo isso pode parecer paranóia... Mas como já dizia meu pai, aqueles que estão em risco, são os que sabem demais. Neste momento, não me sinto sábio, muito pelo contrario, mas sei que tenho bastante conhecimento para algo de ruim acontecer comigo. Quem será que está atrás de mim? O conselho? A sociedade quer me deletar?  
  Quando menos percebo, me vejo rodopiando após bater meu ombro contra algo.  
— Ai! — Ouço um gemido. 
— Me desculpa. — Vejo que derrubei uma garota, junto dos livros dela. 
— Tudo bem. — Ela se levanta e pega seu caderno molhado, sem ao menos olhar em meus olhos para aceitar minhas desculpas.
6 / 6
— Eu posso te dar outro caderno. — Seguro seu braço antes que ela praticamente corra. 
— Tudo bem. — Desta vez ela me lança um olhar rápido, buscando esconder seu semblante tímido. 
— Você é do Habitat lunar, certo? 
  Ela concorda com a cabeça.  
— Qual seu nome?  
— Ametista.  
— Como a pedra? — Sorrio. 
— Sim... — Ela puxa o braço. — Preciso ir agora.  
— Eu te levo um caderno novo depois.  
  Ela prossegue sem se virar. Olho para o chão novamente, para checar se ela não havia esquecido outra coisa. Encontro uma folha dobrada e encharcada por ter caído numa poça de água.  
— Droga, Hey! — Grito ela, mas não consigo vê-lá.  
  A chuva começa a engrossar. Enfio o papel dobrado no bolso da calça e corro até o meu dormitório.
   Entro no quarto, retiro o moletom molhado e me lanço contra a cama. Fico ali, olhando para o forro por alguns minutos. Pego meu fone de ouvido e meu aparelho de som que ganhei de meus pais no meu aniversário de 14 anos. Lembro que tive que implorar por eles já que dona Norma e senhor Edgar não compram nada que achem ser inútil. Azaz de meu irmão que vivia a mercê de suas invenções com os materiais da própria casa, para sua diversão. Uma vez ele me fez um boneco com a madeira de um dos pés da cadeira. Mamãe ficou furiosa... Deixou trancado no quarto por alguns dias como castigo, eu o visitava sempre quando podia, pelos tubos de ar. Eram nosso meio divertido de andar pela casa, o único que eles não conheciam.
    Ao som de uma música antiga, fico nostalgiado e começo a me torturar com memorias de meu irmão.
— Droga. — Murmurro. 
   Para esvaziar minha mente, procuro desviar o foco das lembranças. Enfio minha mão no bolso da calça e retiro o papel que ametista havia derrubado. E então leio em voz baixa.
— "Necessitamos de uma revolução. Estamos caminhando cada vez mais para uma sociedade sem diferenças, sem problemas, sem uma própria essência... — Sei que o que comecei fazer foi errado, ler algo de outra pessoa... Mas depois que comecei, não consegui me conter. — ... Sem um próprio rumo a seguir. Fomos todos igualados ao ser colocado em habitats. Digo, o que pode me distinguir de uma outra cidadã lunar? Ainda temos sim nossas diferenças, mas pesquisas indicam que estamos ficando cada vez mais parecidos... Meu avô me contou sob que é uma teoria de Lamarck ... Um cientista de outro tempo, um tempo antes da guerra, dizia que o garfanhoto só é verde, pois ele vive na grama... Na grama verde. 
   Estou próxima dessa revolução... Já possuo meus alia..."
   O resto estava borrado por causa da água.

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...