História A eternidade do seu olhar sem estrelas - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drogas, Oneshot, Palhaço
Exibições 3
Palavras 1.920
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção
Avisos: Drogas, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capítulo único


Fanfic / Fanfiction A eternidade do seu olhar sem estrelas - Capítulo 1 - Capítulo único

  A chuva cai fazendo tocar uma sintonia melancolia. Dentro da tenda o silêncio reinava. Todos já haviam ide embora. Os sorrisos,  o encanto, o brilhar  dos olhos ao ver o espetáculo. Tudo havia ido embora. E agora, o silêncio reinava.
  Seus olhos mantinham-se paralisados, incapazes de mover-se fosse lá para qual fosse o lado. Imóveis. Seguindo o ponteiro rodar no relógio quebrado ao chão.
  Sua respiração não se ouvia. Nada se ouvia apenas a chuva.
  A grande bola vermelha havia caído de seu nariz e ecoou por toda a tenda vazia,  e se foi para algum lugar que não fazia nenhuma diferença. 
  Suas pálpebras fecharam-se. Estavam pesadas. Como se carregasse ali muitas vidas; talvez carregasse... Voltou a abrir os olhos, focando no chão escuro a sua frente.
  A chuva deixava a trilha sonora totalmente mórbida. Não tinha ninguém na enorme tenda. Além dele e de seus rabiscos Já não sábia à quanto tempo estava ali, parado naquela mesma posição, com os olhos focados no chão. Desde o último espetáculo talvez, mas, quando tinha sido o último espetáculo?  Ele ao menos se lembrava?
                                                   *******

  Do lado de fora, a chuva não dava trégua, os pingos de chuva caiam como navalhas cortando tudo que se encontrava em sua frente e Marina sentia isso muito bem. Ela estava sem blusa de frio, completamente encharcada e completamente perdida.  Tinha saído de uma festa algumas horas antes e por conta da chuva tinha decido no ponto errado, e não sabia como voltar para casa. 
  Não se encontrava uma alma na rua à quem ela pudesse pedir alguma informação,  e também não havia um só comércio aberto à qual ela pudesse se abrigar até a chuva passar. Ela não sabia que horas eram, mas sabia que estava tarde e que já deveria estar em casa. A garota continuou andando na esperança de encontrar alguém ou algum lugar. Ela quase não conseguia enxergar um palmo à sua frente e para completar,  tinha começado a trovejar. 
  Definitivamente ela não sabia o que fazer. Não podia ficar parada, mas se continuasse andando iria cada vez mais ficar longe de casa. 
  Marina cerrou os olhos e viu em meio à neblina e água uma enorme tenda preta. Não conseguia ver detalhes, mas era óbvio que se tratava de um circo. Mas além disso, se tratava de algum lugar que ela poderia se refugiar. 
  A garota foi andando até a tenda ficar maior, e tornando possível distinguir seus detalhes- que eram poucos- o circo era totalmente preto e opaco. O único toque de cor que havia era a bandeira no topo da tenda, com uma silhueta de palhaço no fundo azul marinho. 
  A bandeira se agitava para lá e para cá, desenfreada por conta do vento que fazia. No lugar de uma porta,  existia uma enorme cortina de aproximadamente dois metros de altura, também preta, que, vista de longe, mal poderia ser distinguida do restante da tenda. 
  Marina estava tremendo, batendo os dentes, saia fumaça de sua boca e ela fungava. Seus longos cabelos pretos estavam colados nas suas costas completamente molhados. Ela ficou alguns minutos olhando para aquele enorme local, como se, ela estivesse hipnotizada, mas quando o trovão rasgou o céu, a menina foi tirada de seu transe e entrou no local sem muita cerimonia. 
   Para sua surpresa, o local estava completamente vazio, exceto por um homem e um relógio. A garota franziu a testa e passou a mão pelo rosto tirando a água que encomendava sua visão. Ela foi andando à passos lentos, ouvindo os pingos de água caindo de seu cabelo ecoando por todo o local. Seu coração estava acelerado, por algum motivo ela estava tensa e em cada passo seu corpo sentia um baque, que fazia sua respiração ficar mais curta. O lugar tinha um clima pesado, mas,  ao mesmo tempo, uma tranquilidade. Quase como um sonífero.  
   Apesar do barulho dos pingos caindo do cabelo misturado com os passos úmidos, o homem não se moveu. Não houve se quer uma pequena inclinação com sua cabeça para ver quem havia chego. Para ele, aparentemente não fez nenhuma diferença. 
   Ela parou a alguns passos em frente e o fitou. Ele ainda vestia a roupa de palhaço,  e,  apesar de sua cabeça estar baixa,  ela conseguia ver a maquiagem branca escorrendo. Era só isso que ela conseguia ver daquele rosto. 
   Ela reparou que o relógio não tinha números. Os ponteiros giravam em todas as direções. Não parecia ter nenhum sentido. Pelo menos, nenhum aparente.
 A garota notou que sua boca estava aberta, procurando o ar que não estava passando pelo seu nariz. Ela fazia força para respirar, o que fazia o buraco do esófago em sua garganta ficar visível.
  Outro trovão rasgou o céu.
   Por algum motivo, agora, Marina ouvia o Tic-Tac típico dos relógios. O que ela podia jurar que não havia quando ela entrou na tenda. Ela tinha total certeza de que o lugar estava silencioso. 
  Seus olhos estavam inquietos, à procura de alguma coisa amigável, à procura de algo que à tranquilizasse. As pupilas moviam-se como os ponteiros do relógio. 
  Marina sentia uma necessidade de sair daquele local, mas, os trovões lá fora, deixavam claro que a chuva ainda reinava. Ela queria sair, mas não podia. Pelo seu bem, ela não podia. 
  Decidiu então falar algo, tentar desfazer aquele clima que a estava deixando tensa. 
  Limpou a garganta e ensaiou dizer algo. Sua voz não obedeceu seu comando. O palhaço à sua frente,  ainda não tinha demostrado nenhum interesse em saber quem estava ali, o que queria ou qualquer outra coisa. 
   Marina fechou o olhos inalou a maior quantidade de ar que conseguiu e começou a falar.
—Você... Bem... Você poderia me dizer aonde eu estou? 
   Não houve resposta imediata. Mas houve um trovão, que iluminou a sombria noite do lado de fora, fazendo a tenda encher-se de sombras por alguns segundos. 
  Assobio. 
  Foi isso o que o palhaço começou a fazer. Ele assobiava uma melodia mórbida,  triste, quase fúnebre. Ainda olhando para baixo. Ainda sem querer saber quem tinha falado. 
 Ele parou de assobiar, deixando a última nota sair de seus lábios e flutuar por toda a tenda, até se transformar em passado. 
 —Você deveria estar aqui? 
    A voz rouca, dura e gélida respondeu Marina, deixando-a com o coração acelerado. A voz do palhaço era límpida,  mas algo nela; algo nela fazia Marina sentir medo e tranquilidade ao mesmo tempo. Os sentimentos mudavam em fração de segundos. 
   Ela deveria estar ali? 
  Outro trovão. Outro arrepio. 
 — Eu estou perdida...
 —Ah, com certeza você está. O espetáculo já acabou. Você chegou tarde de mais.
  —Eu..- ela limpou a garganta novamente antes de continuar a frase- Eu não vim para ver o espetáculo senhor. Só queria uma informação.
  —O espetáculo já acabou. Você chegou tarde de mais. 
    O palhaço repetiu a frase. Com a voz baixa, gélido e rouca. Apesar de falar, ele ainda não tinha se movido. Seus olhos ainda se mantinham fixos no relógio, no chão.
 —Senhor, por favor. Eu preciso voltar para casa.
  Aquela altura, Marina estava cogitando voltar para a chuva. Seu coração saltava em seu peito, e todo seu corpo suava, misturando com a água da chuva.
   —Precisa? Que pena...
  Aquela resposta fez Marina se desesperar. A garota começou a andar para trás,  franzindo a testa. Virou seu corpo para sair dali o mais rápido possível, mas para sua surpresa, a abertura pela qual ela havia entrado, não mais existia. Ela virou-se novamente, passando o olho por todo o local, tentando achar uma saída. Não encontrou. 
  O desespero começou a crescer dentro de si. Ela não sabia onde estava,  não sabia como sair dali, e estava sozinha com um completo desconhecido. 
  Marina levou as mãos a cabeça, tentando colocar suas ideias em ordem. Talvez aquilo tudo fosse um sonho. Talvez já estivesse em casa, dormindo. Ou talvez, seja apenas efeito de algo que havia tomado na festa. Oh,  céus,  ela não estava entendendo nada.
—Não acha engraçado; Marina? 
—Como você sabe meu nome? – O desespero era indiscutível, indisfarçável 
—Normalmente,  eu vou até as pessoas, mas hoje você veio até mim.
—QUEM É VOCÊ?! 
—Normalmente,  a única classe que vem até mim são aquelas que não tem mais nada por que lutar, por que respirar. Aquela classe que já não tem mais porque...
—QUEM É VOCÊ?  Q-quem é você? 
—Chamam esse tipo de pessoas de suicidas...
  Marina agora chorava. Quem era aquele homem? Como ele sabia seu nome? Do que ele estava falando?  Ela Nunca tivera medo de palhaços,  mas aquele... Aquele não era um palhaço qualquer... Aquele não era um palhaço qualquer.
 —O que você vai fazer comigo? 
—Você é uma suicida? Oh não. Eu sei que não. Ou talvez sim? Você está aqui. Veio até mim. Você sorri na frente de seus amigos. Mas e em casa? Você sorri? Quando está sozinha?  
  A voz rouca ecoava por toda a tenda, e Marina tinha a impressão, que aquilo ecoava por todo o mundo.
  E pela primeira vez; pela primeira vez o palhaço se moveu. Ele se levantou, e ainda com a cabeça baixa, virou-se para Marina. 
  A garota,  viu um pequeno sorriso se formar no rosto do palhaço. Um sorriso pequeno,  mas simbólico, o típico sorriso que se direciona a alguém quando você não sabe o que dizer. E com esse sorriso, a cabeça dele foi erguendo. Tão lentamente,  que naquele instante, qualquer um poderia jurar que o tempo estava andando mais lentamente. 
 A cabeça dele estava alinhada. Marina pode ver, pela primeira vez,  a face andrógina daquele palhaço. Traços tão delicados e mesmo assim tão fortes
  A garota,  pousou seus olhos junto com os dele. E, a única coisa que se via; era a escuridão. Seus olhos completamente pretos, sem nenhum sinal de luz. Sem nenhum sinal de vida. 
  Apesar da visão assustadora de Marina estava vendo em sua frente, ela não sentiu medo. Não!  Ela se sentiu acolhida, queria abraçar aquela entidade... E foi isso que fez. 
 O palhaço à abraçou de volta. 
—Você terá paz, minha pequena. O seu espetáculo acabou. Não há mais o que ver. Mesmo que você queria o espetáculo da vida acabou para você. 
   A voz rouca pronunciou as últimas palavras que chegariam aos ouvidos de Marina. 
 A garota,  viu, no chão,  os ponteiros do relógio se alinharem e por fim, pararem de rodar. Eles haviam encontrado o descanso. Talvez ela também. 
  Naquele momento,  o palhaço, pensava em como ele chegava sempre ao fim do espetáculo.  Recolhia cada um, ao fim do mais belo espetáculo protagonizado por um ser vivo: A vida. 
  Ele chegava após os sorrisos, o brilho no olhar, o encanto.... 
  Com esse pensamento, o palhaço, desgrudou a garota de seu corpo. Olhou em seus olhos e desejou em sua testa, o gracioso, belo e eterno beijo da Morte. 
  Marina, olhou nos olhos do palhaço e fechou os olhos pela última vez, com o vislumbre da eternidade de seu olhar sem estrelas.

                                                                  *********
  
  Marina  Marques de Andrade foi encontrada morta,  em seu quarto após chegar de uma festa na casa de seus amigos. 
  A autópsia deixou claro a ingestão de remédios tarja preta e uma dose letal de heroína injetada em seu corpo. O suicídio tinha sido óbvio.
  Na cama da garota, seu irmão mais velho encontrou um bilhete no qual estava escrito algumas poucas frases. 
  “A morte me acolherá. Me fará descansar.
    Eu amo todos vocês.  Não se culpem
    Eu estou melhor assim. Não irei mais regar as flores da minha dor” 
  
 E com isso, Marina deixou à todos o seu eterno Adeus.

  

 
  


  



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