História A Fera - AGDV - Capítulo 30


Escrita por: ~

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Categorias Justin Bieber
Personagens Justin Bieber, Personagens Originais
Tags A Garota De Vermelho, Assassinatos, Justin Bieber, Segunda Temporada, Suspense, Tortura
Exibições 538
Palavras 7.691
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi pessoal :)
Peço desculpas pela demora, não foi minha intenção demorar tanto, mas eu tive um pequeno bloqueio com esta fic, mas vocês tiveram sorte porque ontem choveu e estava frio, e isso me inspira euheuheu (porém fiquei sem internet, então só pude postar hoje)

ATENÇÃO!
Gostaria de dizer algo importante sobre o capítulo: Ali pelo meio contém uma cena de estupro seguido de um assassinato, eu sei que muitas não gostam e sempre pulam essas partes, por isso sempre aviso, no entanto, esse capítulo está extremamente informativo, e para melhor entendimento de alguns fatos, receio que vocês devam ler a cena também, eu tentei não fazer nada muito pesado por conta disso.
Prestem atenção no capítulo, ele responde a perguntas importantes, e não está de difícil entendimento, basta vocês prestarem bem atenção. Sei que o capítulo está meio grande, e talvez achem meio chato, mas dividam ele, leiam em pequenas partes se for o caso, só não deixem de ler, porque depois vocês ficam sem entender. Ok?

Obrigada pela atenção.
Vou dedicar este capítulo a todas as beldades que comentaram no anterior e que fizeram minha vida mais feliz <3
"Festa do Chá" <3 <3
Boa Leitura!!

Capítulo 30 - Tea Party


Fanfic / Fanfiction A Fera - AGDV - Capítulo 30 - Tea Party

Emily manteve os olhos fixos à sua frente, enxergando algo e nada ao mesmo tempo. Enxergando, na verdade, o ódio que tomara forma física.

Inclinando-se para frente, ela tirou Justin de dentro dela e então se virou, empurrando-o para longe. Por nenhum momento sequer ela se importou em estar nua em sua frente, e não se importou que ele também estivesse. Estava tomada pelo ódio e pelo ciúme - mesmo que esse detalhe ainda lhe passasse batido.

- Do que me chamou? - rosnou ela. Mesmo que soubesse a resposta, queria ver se ele tinha a coragem de pronunciar aquele nome duas vezes, para que assim ela pudesse acabar com a raça dele.

E para sua surpresa, ele tinha coragem.

- Alicia - não havia expressão alguma em sua face, só havia vazio. Era como se ele estivesse imerso em pensamentos. E uma vez que Emily o encarava perplexa, ele voltou a falar: - Eu chamei você de Alicia.

Emily travou a mandíbula, cerrando as mãos em punhos, sem deixar de perceber a provocação por parte dele. Justin deu um passo em sua direção, e ela deu um passo para trás, batendo a bunda na madeira da mesa.

- Quem é Alicia? O que ela foi para você? - perguntou Emily, sentindo um gosto amargo em sua boca. Gosto esse que se devia ao ciúme que estava sentindo, ciúme que a consumia cada segundo mais. Quando Justin não respondeu, e deu um passo à frente, ela lhe deferiu um tapa na cara, fazendo-o virar o rosto. - Me diga quem é ela! - berrou, partindo para cima de Justin e o empurrando.

Tudo o que ele fez foi rir da cara dela levando a mão ao local em sua bochecha onde Emily havia acertado o tapa.

O fato de ele estar debochando dela só a fez ficar com ainda mais raiva e partir para cima dele novamente, distribuindo tapas e socos em qualquer lugar de seu corpo que conseguisse acertar. E Justin só fazia rir dela, enfurecendo-a ao extremo. Emily só conseguiu pensar em uma maneira de tirar aquele sorriso sarcástico do rosto dele, e a pôs em prática no instante seguinte, chutando-lhe no meio das pernas. E uma vez que a onda de dor invadiu Justin, ele tirou, definitivamente, o sorrisinho do rosto, fazendo uma careta ao curvar-se de dor.

Foi a vez de Emily sorrir triunfante.

- Quem está rindo agora, cretino de merda? - cuspiu ela.

Justin olhou para cima, mantendo as mãos sobre suas bolas agora doloridas, e lançou um olhar glacial na direção de Emily que por fim arregalou os olhos, arrepiando-se com a fúria que viu por trás da face dele. Dando um passo para trás ao mesmo tempo em que ele ameaçou partir para cima dela, no desespero para se defender, Emily pegou a primeira coisa móvel que sua mão encontrou e que era pesada o suficiente, e levou-a de encontro ao rosto de Justin, acertando-lhe a cabeça. Ele foi ao chão no mesmo instante, caindo como um saco de batatas, com o corte que de onde Emily estava, lhe pareceu ser bem profundo, e que agora sangrava.

Ela olhou horrorizada para a pequena estatueta de algum anjo feita em bronze e, dando-se conta de que ainda a segurava, jogou-a longe, olhando uma última vez para o corpo imóvel de Justin no chão antes de sair correndo da biblioteca sem ter coragem para checar se ele ainda estava vivo. Emily correu até seu quarto, trancando a porta e, para se assegurar de que um Justin furioso não irrompesse porta adentro quando acordasse - se acordasse -, Emily empurrou o pequeno armário encostado na parede da porta, trancando a única passagem do quarto - a menos que Justin fosse bom em escalada.

Emily olhou ao seu redor, respirando com dificuldade. Foi até a cama e se deitou, encolhendo-se sobre as cobertas mais uma vez, encarando fixamente o armário em frente à porta, esperando que a qualquer momento Justin berrasse do outro lado, ordenando que ela abrisse.

Seu corpo tremia, e a cada relâmpago que irrompia do céu, era como se pudesse ver a figura grande e furiosa dele à sua frente, pronta para estrangula-la. Emily levou a mão ao pescoço instintivamente. Não, ele não faria isso. Pensou ela. Ele não me mataria. Por algum... Por ela, ele não me mataria.

E então Emily teve certeza de que, quem quer que ela fosse, Alicia tinha mais a ver com essa obsessão de Justin do que uma vingança contra seu pai. O fato de tê-la chamado de Alicia novamente só deixava ainda mais claro que algo em Emily o fazia lembrar da garota. Ou talvez não fosse só alguma coisa, talvez fosse, simplesmente, tudo.

Não era Emily, era Alicia.

Emily se deu conta disso e não poderia ter ficado mais possessa. Algo dentro de si estava afogando-a. Por um instante ela chegou a pensar que morreria sem poder conseguir respirar e saltou da cama, correndo até a janela e abrindo-a.

Uma rajada de vento e chuva veio de encontro a ela, e por mais que estivesse tremendo de frio, sentia que podia respirar novamente, então fechou os olhos e se permitiu desfrutar daquela preciosidade.

As gotículas de chuva que batiam contra seu corpo a fizeram sorrir por conta das cócegas que causavam. Era uma sensação inexplicavelmente boa, por mais insignificante que fosse, mas não era exatamente por isso que Emily estava sorrindo, era porque achava que nunca mais seria capaz de fazê-lo.

Ela havia perdido as contas de quanto tempo fazia desde que não sorria verdadeiramente por qualquer coisa. Desde que Justin havia entrado em sua vida, mais especificamente. Ele havia arrancando a felicidade e os propósitos dela, só trouxera sofrimento e um incômodo constante dentro dela. Nada mais. Nada, nunca mais, seria como antes. Ela nunca mais seria aquela Emily que morou em uma pacata cidadezinha. Mais precisamente em um vilarejo perto de uma cidadezinha, chamada Louvtown. Um lugar que com certeza não era um ponto de visitas, e não era o sonho para o futuro de nenhum dos jovens que lá moravam, mas era o suficiente para Emily. Ela estava começando uma nova carreira como enfermeira após sair da faculdade, e havia encontrado a pessoa perfeita para passar a vida com ela. Ela tinha uma casa e sua família estava sempre por perto – com exceção daqueles que não queriam fazer parte da família. Mas de uma hora para outra tudo isso mudou. Emily não tinha mais uma casa e uma profissão. Sua família estava longe e aquele que ela pensou ser a pessoa perfeita, na verdade era um traidor e agora estava morto.

Morto por suas próprias mãos.

Ela fechou os olhos. De repente tirando o sorriso do rosto.

Primeiro foram todas aquelas mortes de que ela participou, encobrindo o assassino. Depois ela mesma se tornou a assassina, matando o policial, depois Adam, e ainda participando da morte de Ebony. E mentindo descaradamente logo em seguida. Ela já não era mais a mesma. Nem de longe. Mas queria que fosse. Queria que nada daquilo estivesse acontecendo. Queria ter sua casa e seu emprego. Sua família e seu marido fiel de volta.

Dentro dela, Emily tinha certeza que Adam nunca a traíra antes. Eles podiam ter sido felizes com a vida que tinham construído em Louvtown. Eles podiam ter sido felizes e podiam ter concretizado todos os seus planos, inclusive o de ter tido a própria família...

Emily abriu os olhos e com um movimento rápido fechou a janela, cortando ao meio o vento frio que congelava seu corpo. Olhando para trás, viu sua bolsa pendurada aos pés da cama e correu até ela, abrindo-a e espalhando todos os seus pertences sobre a cama, achando a caixa que havia comprado no dia anterior, e da qual havia se esquecido até então.

- Como pude...? – ela balançou a cabeça, agarrando a caixa e indo até o banheiro, onde se sentou sobre a privada, abrindo a embalagem e tirando de lá seu teste de gravidez. Emily o colocou entre as pernas e aguardou por vários momentos, sem conseguir colocar nada para fora. – Vamos, merda! – murmurou, tentando ao máximo se concentrar, e por fim conseguindo urinar um pouco. – Espero que seja o suficiente – ela tirou, chacoalhando-o para tirar o excesso de líquido e então levou em frente ao rosto, esperando.

Aqueles minutos pareceram uma eternidade antes que Emily tivesse sua aguardada resposta:

Positivo.

 

Justin Bieber Narrando:

Estava escuro à minha volta. Pisquei repetidas vezes tentando enxergar algo, mas não conseguia. Até que finalmente fachos de luz irradiaram por meio dos vãos naquilo que só então percebi serem paredes de madeira. O cheiro que impregnava o ar me era desgostosamente familiar. Eu reconhecia o cheiro de sangue e podridão de longe. Mas eu não estava muito longe. Estava perto. Perto até demais. Estava outra vez no maldito casebre. Estava amarrado em um pilar e me sentia fraco. O cheiro do meu próprio vômito me causava náusea. Minhas mãos estavam presas às laterais do pilar atrás de mim, meus pulsos estavam doloridos, e as pontas dos meus dedos sentiam constantemente o frio do pilar, mas então sentiram um calor. Calor humano. O calor de Alicia.

- Alicia? É você? - minha voz estava irreconhecível. Girei a cabeça para o lado afim de escutar qualquer mero suspiro que fosse. - Alicia...

- Sou eu, Justin - sua voz estava mais baixa e sem forças. Ela estava cansada assim como eu, senão mais.

- Você está bem? - por mais que eu soubesse que aquela era uma pergunta tola, ainda sim precisava perguntar e ouvir sua resposta.

Na verdade, acho que eu precisava ouvir qualquer coisa que saísse de sua boca.

- Não.

Engoli em seco, sentindo meu corpo se retesar. Eu sabia que ouviria aquela resposta, mas não estava preparado para ela. Meu coração começou a bater mais forte à medida que ouvia sua respiração acelerar.

- Me perdoe, Alicia.

- O que você fez, Justin? - ela estava chorando.

O ar começou a faltar em meus pulmões.

- Alicia... - a voz se perdeu no meio do caminho. Meus pulmões começavam a arder.

- Por que você fez isso comigo?

- Alicia... - e então um grito estridente irrompeu o ar.

De repente chamas foram acesas, iluminando a terrível cena do esquartejamento de Alicia. E seus gritos irrompiam como raios no céu, enfiando farpas em mim a cada som agudo. Por fim, seu último grito, o pior de todos, o mais agudo e medonho grito que era o próprio som do diabo...

Meus olhos se abriram em um só momento, momento exato em que um raio riscava o céu, iluminando rapidamente a biblioteca. E então o estrondo. Pisquei, sentindo minha cabeça latejar fortemente, e quando ergui as sobrancelhas, percebi que havia algo seco em meu rosto que limitava minhas expressões faciais. Levei a mão à têmpora, sentindo algo úmido em um ponto doloroso. Quando retornei com a mão em frente ao rosto vi as pontas de meus dedos manchadas de vermelho, e com um flash recordei-me de como havia ganhado aquele ferimento.

- Desgraçada - rugi, virando-me de lado e tentando levantar, mas fracassando e caindo no chão novamente quando uma tontura me enfraqueceu.

Tudo girava.

E doía.

Maldita seja, Burton.

Pisquei repetidas vezes, tentando focar em algo até sentir que a tontura já havia passado. E quando passou, olhei ao meu redor sem ver nem um sinal dela.

- Ainda a mesma ratinha fujona – soltei um riso de escárnio. – Espero que tenha se escondido bem, Burton. Porque quando eu a encontrar...

- Aaaaaaah!

Levei as mãos aos ouvidos, sentindo-me atordoado e tendo de me segurar na poltrona para não ir ao chão novamente. Maldição! Fechei os olhos, esperando me recompor antes de abri-los de novo, e então esperei que os gritos voltassem, mas durante vários minutos só houve o silêncio.

Empertiguei-me, olhando para porta sem conseguir segurar um sorriso diabólico.

- Espero que esteja pronta, Burton, porque aí vou eu.

Atravessei o corredor e a sala principal, subindo os primeiros degraus da escada, imaginando que a ratinha fujona e burra havia se escondido no brilhante lugar de seu quarto. Porque eu nunca a acharia lá.

- Assim você facilita demais, Bur...

- Aaaaaaaaaaaaaaaaah!

Curvei-me sobre os degraus, ajoelhando-me e tapando os ouvidos instintivamente.

- Meta nela!

- Aaaaaaaaaaaaaaaaah!

- Meta nela seu fedelho de merda!

- Ela tem uma bocetinha deliciosa. Assim como a vadia da sua mãe.

- Por que você fez isso comigo, Justin?

- Meta nela!

- Aaaaaaaaaaaaaaaaah!

- Filho... Isso é tudo culpa sua...

- Socorro! Justin, socorro! Aaaaaaah!

Apertei meus ouvidos com ainda mais força, sentindo que vomitaria, sentindo que explodiria.

- Nunca vou perdoar você, Justin.

- Socorro!

- Aaaaaaaaaaaah!

- Você podia ter me salvado, filho...

- Justin, socorro!

- ... mas apenas ficou me olhando morrer...

- Socorro!

- Parem... – soquei o degrau da escada, tentando canalizar toda a dor, mas não ajudou em nada.

Nunca ajuda.

Maldição.

- Aaaaaaaaaaaaaaah!

Levantei-me, atordoado e cambaleando escada abaixo em direção a porta de entrada. Saí da casa, caminhando sob a chuva em passos rápidos, depois começando a correr em direção a estrada que me levaria para a rodovia. Cada vez mais rápido, sem me importar com o fato de que meu corpo estava congelando e minha perna machucada estava me matando de dor, mas eu a forçaria a correr. Eu precisava...

- Você não está olhando, fedelho...

- Por que você fez isso comigo, Justin?

- Observe enquanto arrancamos membro por membro da sua namoradinha...

- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

- Por que, Justin?

Mais rápido. Mais rápido. Mais rápido.

- Veja todo aquele sangue...

- Socorro!

- Veja como ele escorre de cada parte do corpo dela...

- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Mais rápido! Mais...

- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Um som estrondoso se misturou aos gritos, deixando-me ainda mais atordoado. Quando pisquei, uma luz forte me cegou e fui jogado para o acostamento, às margens da floresta. Tudo parou por um momento enquanto eu tentava entender o que havia acontecido.

- Ah, meu Deus! Ah, meu Deus! – eram gritos sobre o forte barulho da chuva. – Me desculpe! Ah, meu Deus! – levantei a cabeça, olhando para cima e vendo que uma mulher de aproximadamente trinta anos vinha em minha direção, abaixando-se perto de mim e tocando meu ombro. – Você está bem? Consegue me ouvir?

Fiz que sim com a cabeça.

Ela era exatamente do que eu precisava.

- O que... O que aconteceu? – minha voz estava grogue, e isso não era fingimento, mas é claro que eu sabia que essa cadela maldita havia me atropelado.

- Ah, meu Deus! – eu estava prestes a arrancar a língua dela fora se não parasse de repetir isso. – Me desculpe... E-e-eu não vi você... Você entrou tão de repente no meu caminho... Me desculpe eu... – e então ela olhou para o restante do meu corpo, arregalando os olhos e levando a mão em frente a boca como se nunca tivesse visto um homem pelado antes. Talvez não no meio da rua e debaixo de chuva, mas enfim... – Ah, meu Deus, o que aconteceu com você?

Pisquei repetidas vezes, tentando me levantar e recebendo a caridosa ajuda dela, que obviamente não deixou de dar uma olhada no meu pau quando teve a oportunidade.

- Eu não sei, eu... – olhei ao meu redor, como se estivesse verdadeiramente confuso. – Eu estava indo para casa e... Acho que fui assaltado...

- Aaaaaaaaaaaaaaaaah!

- Por que, Justin?

Curvei-me, levando as mãos aos ouvidos. Sentindo minha cabeça latejar.

- Ah, meu Deus! – ela colocou as mãos nas minhas costas. – Precisamos ir para um hospital!

- Não, eu estou bem – eu disse, me recompondo, e então me concentrando. – Só preciso ir para casa. Por favor, você pode me ajudar?

- Claro, claro – ela piscou várias vezes seguidas, levantando-se e me ajudando a levantar também. – Aonde você mora?

- Eu acho... – olhei novamente para os lados. – Você veio da cidade? – perguntei, apontando para trás enquanto ela me guiava até seu carro parado no acostamento.

- Sim, sim. Eu vim da cidade, daquela direção.

- Então é para lá – apontei à frente, e ela assentiu, abrindo a porta do passageiro para mim.

Mulher tola.

Existem motivos para que os pais falem para os filhos não conversarem com estranhos. Por que a regra mudaria para dar carona para estranhos? Ninguém, por mais crescido que esteja, está livre de encontrar por aí um cara louco por ver um pouco de sangue escorrer.

Mas é por isso que faço o que faço, porque algumas pessoas facilitam e muito.

- Tome – a mulher puxou um casaco do banco de trás e estendeu em minha direção. – Se cubra com isto.

Eu sabia que ela não estava nada constrangida por ter meu pau exposto, mas mesmo assim peguei o casaco e me cobri.

- Obrigado.

- Tudo bem, é o mínimo que eu poderia fazer depois de ter atropelado você.

- A culpa foi minha. Eu estava correndo no meio da estrada e...

- Por que, Justin?

- Aaaaaaaaaaaaaaaaah!

- Eu acho mesmo que deveria levar você a um hospital – ela falou, e quando tirei as mãos dos ouvidos e a encarei percebi que me olhava com preocupação.

Idiota.

- Sério, estou bem. Só preciso ir para casa.

- Aonde você mora?

- Moro na... Ah! – levei as mãos à cabeça, e ela desviou o carro para o acostamento, inclinando-se em minha direção.

- Ah, meu Deus! Você está bem?

- Eu só... – e quando ela se inclinou o suficiente, joguei o casaco ao redor do pescoço dela, apertando-o.

- Ah! – ela deu um grito sufocado, agarrando o tecido ao redor de seu pescoço e tentando, em vão, afastá-lo.

Apertei o suficiente para que ela perdesse a consciência, mas não o suficiente para matá-la. Joguei-a no banco de trás e tomei a direção, percorrendo um longo caminho para fora da cidade antes de encontrar uma brecha entre a floresta e entrar com o carro ali.

Me desloquei até o banco de trás, pisando sobre um monte de sacolas que estavam no chão. Abri algumas delas vendo garrafas de bebida, cigarro, ingredientes para aquilo que teria sido um jantar quando ela chegasse em casa, e um celular ainda dentro da caixa.

Olhei para minha vítima ainda inconsciente, pensando em como poderíamos nos divertir. Tirei sua roupa molhada e usei algumas de suas peças para amarrá-la e amordaça-la.

Até que ela não era de todo mal...

- Aaaaaaaaaaaaah!

- Veja todo esse sangue escorrendo dela, fedelho.

- Por que você fez isso comigo, Justin?

- Aaaaaaaaaaaaaah!

- Maldição! Parem de gritar! – berrei, sendo ouvido por ninguém exatamente.

- Aaaaaaaaaaaaaah!

- Por que, Justin?

- Você poderia ter me salvado, filho...

Enfiei meu pau dentro dela, metendo com o máximo de força que eu conseguia, até ver sangue escorrendo por entre suas pernas. E então coloquei mais e mais força. Sentindo a raiva me consumir.

- Aaaaaaaaaaaaaaah!

Maldição!

- Por que, Justin?

- Parem de gritar! – berrei novamente, dessa vez distribuindo socos no rosto de minha vítima inconsciente, vendo, a cada golpe, seu rosto se deformar e minha mão ficar cada vez mais vermelha e inchada, mas não parei até ver seu sangue jorrar, e mesmo quando aconteceu eu não parei, e depois disso, peguei o pequeno extintor debaixo do acento e o arremessei diversas vezes contra diferentes partes de seu corpo. Ouvindo cada pequeno estalo de ossos se partindo, e vendo cada parte de seu corpo se afundando com os golpes do extintor.

E então eu parei. Vendo a obra de arte que havia esculpido no corpo daquela mulher. Eu estava ofegante, e sentindo dores, dores que me faziam relaxar. E nada mais era ouvido que o som da chuva e da minha respiração. Nada mais.

Ao meu lado havia uma sacola com bebidas e cigarros. Onde há cigarros, há um isqueiro. Fogo e álcool serviriam para apagar todo e qualquer vestígio.

Nada podia estar melhor.

[...]

A casa estava no mesmo silêncio de quando eu havia partido. Nem sinal de Burton, apesar de eu saber muito bem onde ela estava.

Deixei o casaco no chão, ao lado da porta de entrada e segui em direção as escadas, seguindo para o segundo andar, direto para o quarto de Burton. Para minha surpresa, quando cheguei, a porta estava entreaberta. Espiei para dentro e nem sinal dela ali, então entrei, deixando a caixa que tinha em mãos em cima de sua cama, junto com uma bagunça que ela havia feito ali. A porta do banheiro também estava entreaberta, e havia uma luz acesa. Fui até lá, nem um pouco preocupado em pegá-la em um momento íntimo. Mas quando abri a porta, nem sinal dela.

Eu teria dado as costas e saído dali... se meus olhos não tivessem captado algo em cima da pia. Franzindo a testa, aproximei-me, pegando o objeto de plástico em mãos, reconhecendo-o assim que vi a caixa jogada no chão. Recolhi e li as instruções, então conferi e...

- Vadia maldita.

 

Narrador:

Depois de muito tempo trancada em seu quarto, apenas refletindo sobre o que seria dela dali para frente, Emily foi obrigada a sair pela fome, mesmo que estivesse apavorada com a possibilidade de encontrar Justin pelo caminho, ela precisava.

Agora ela não estava sozinha. Não comia só por si... Agora havia um bebê também.

Mas uma vez que não encontrou Justin em parte alguma, se deu conta de que ele não estava na casa. Ela podia ter corrido para fora dali, enfrentado a chuva e tudo mais e ter dado o fora sem que ele ao menos tivesse a chance de pegá-la, mas ela não o fez. Ao invés disso se via enfurnada no quarto dele em busca de qualquer pista sobre seu misterioso passado, inclusive sobre Alicia.

Porém, tudo o que encontrara, foi o grande boneco idiota dele.

Emily riu sarcasticamente, pegando Joe em mãos e o levando em frente ao rosto, analisando-o.

- E então, tem algo a dizer? – perguntou com deboche, virando o boneco de ponta cabeça. – Acho que não.

- Procurando por algo?

Emily deixou Joe cair no chão quando se virou bruscamente em direção à porta, deparando-se com Justin parado ali. De boca aberta, ela o encarou de cima abaixo. Ele estava nu e molhado, e sujo de sangue. Mas estava nu.

Era uma imagem do pecado e tanto.

Justin arqueou uma sobrancelha quando ela não respondeu.

- Espero que você recolha Joe do chão e se desculpe por sua grosseria – ele disse, calmamente, apenas observando enquanto Emily processava suas palavras e arqueava as sobrancelhas, abaixando-se rapidamente e pegando Joe, colocando-o onde havia encontrado. – E então?

- Desculpe – ela soltou de uma única vez, afobada, então arregalou ainda mais os olhos enquanto Justin sorria. – Muito bem, e o que mais?

- O que mais o quê? – ela franziu a testa, agarrando a poltrona ao seu lado.

- Você não respondeu minha pergunta – Justin a desafiou dando um passo à frente.

Emily nem ao menos se mexeu, apenas o olhou espantada.

- Que pergunta?

Ele inclinou a cabeça para o lado, como se perguntando “oh, você não sabe mesmo?”, mas então sorriu e voltou a repetir:

- Procurando por algo?

Emily engoliu em seco repetidas vezes, apertando o couro da poltrona até ranger.

- Você saiu? – foi o que ela disse por fim, fazendo Justin balançar a cabeça em negação.

- Vou dar outra chance a você, querida.

Ela voltou a engolir em seco, trocando o peso do corpo para a outra perna. E vendo-se sem saída, foi obrigada a confessar a verdade:

- Estava procurando algo sobre Alicia.

Justin arqueou uma sobrancelha, desafiando-a.

- É mesmo?

- Se você não quer responder às minhas perguntas sobre ela, eu mesma acho as respostas – Emily empinou o nariz em um ato destemido.

Justin abriu os braços, rindo.

- Boa sorte para você, então – Emily apenas o encarou. – Eu a conheci por cinco minutos, não tive tempo para colecionar lembrancinhas.

Ela ergueu as sobrancelhas, primeiro surpresa por ele ter dito algo sobre ela, segundo pela intrigante informação de que eles mal se conheceram.

- Cinco minutos? – ela não pôde deixar de perguntar, realmente intrigada com aquilo.

Justin fez uma careta de pensativo, mais uma vez, gozando da cara de Emily.

- Talvez um pouco mais que isso. Mas não muito.

- Isso faz muito tempo? – tentou ela, querendo arrancar algo mais dele enquanto ele se dispunha a falar.

Justin sorriu e caminhou na direção dela, parando há alguns metros de distância ainda.

- Você não acha que isso é assunto para um chá? – então ele fingiu pensar. – Eu acho que é. Não só esse, mas outros assuntos mais – Emily o encarou, desconfiada. – Por que não fazemos isso depois que eu tomar um banho? Enquanto isso você pode ir até seu quarto e ver o presente que deixei em cima da sua cama.

- Que presente?

- Surpresa – ele lhe lançou um falso sorriso. – Agora vá.

Mas Emily ficou parada, apenas o encarando com os olhos estreitados. Analisando-o novamente e chegando a algumas percepções.

- Por que você não está bravo?

- Por você ter chutado minhas bolas, - ele ergueu o dedo indicador – não pela primeira vez, e por ter me acertado com uma estátua? Ah, eu estava furioso.

- E por que não está mais?

Ela não precisava daquela resposta de verdade. Já podia tirar suas próprias conclusões a partir do sorrisinho dele e pelas manchas de sangue em seu corpo.

- Você matou alguém.

- Que perceptiva você – ele caminhou até o banheiro, parando na porta quando ouviu a voz de Emily novamente.

- Quem você matou?

- Alguém que não você, querida – ele a encarou. – Agradeça a pobre alma que pagou o castigo por você – e então fechou a porta na cara dela.

Emily ficou ali, atordoada, por um tempo que nem conseguiu contar, só pensando em quem teria sido a vítima de Justin daquela vez. E não podia deixar de pensar também que, quem quer tivesse sido, era culpa dela também. Emily acabara de ganhar mais um corpo à sua lista. Lista essa que parecia não acabar nunca.

Mas agora ela era dominada pela curiosidade de saber o que Justin havia deixado para ela em seu quarto. Correndo até lá, ela parou em frente a porta, pensando no último presente que ele havia lhe deixado. Um corpo. E se ele tivesse trazido o corpo de sua vítima desta noite? Emily só saberia abrindo a porta, e foi o que ela fez, cautelosamente, espiando para dentro do quarto e vendo apenas sua bagunça de mais cedo em cima da cama, com o acréscimo de uma caixinha que não estava ali quando ela saiu.

Aproximando-se rapidamente da cama, Emily pegou a caixa em mãos, abrindo-a de uma vez. Era um celular. Emily arqueou as sobrancelhas, surpresa com o que via diante de seus olhos. Ela disse a Justin que precisava falar com sua família, e ele lhe conseguira um celular. Apesar de que Emily suspeitava que Justin não havia comprado isso, e tinha um pressentimento de que havia conseguido ele com sua vítima, quem quer que fosse. Mas a questão era que ela havia pedido algo a ele, e ele acatou.

Emily sentiu um formigamento estranho no corpo, mas ignorou isso e se sentou sobre a cama, ligando o celular.

Ela discou um número que lhe era muito familiar, e quando ouviu a voz de sua mãe do outro lado da linha, foi como se o tempo não tivesse passado. Como se nada tivesse mudado.

- Alô?

Emily não pôde deixar de sorrir, sentindo seus olhos arderem. Ela precisava e muito do colo de Helena. Mais do que já precisara em toda sua vida. Queria poder dizer tudo o que estava acontecendo em sua vida agora, e queria poder pedir que a mãe viesse busca-la, mas ela sabia que não podia fazê-lo, e por vários motivos. O mais importante deles, era porque ela já havia se perdido, e ninguém, nem mesmo a mulher que lhe trouxera ao mundo e que melhor lhe conhecia, conseguiria trazê-la de volta.

- Oi, mãe – Emily tentou ao máximo não deixar se levar pelas emoções. Tudo de que menos precisava era que a mãe pensasse que havia algo de errado com sua única filha e que quisesse ir visita-la.

­- Oi, meu bem – sua voz carinhosa e maternal encheu o coração de Emily, fazendo com que ela tivesse ainda mais vontade de chorar. - Como você está? Faz tempo que não liga.

- Sinto muito por isso, tenho estado muito ocupada, mas estou bem, não se preocupe – por um momento Emily pensou em contar que estava grávida, mas então decidiu que não era uma boa ideia, pelo menos por enquanto. – E vocês como estão?

- Bem – esse “bem” veio acompanhado de um longo suspiro que Emily conhecia como: problemas. Dessa vez ela não precisou nem perguntar o que havia acontecido, Helena começou por conta própria. – Seu pai não tem passado muito bem. Ele anda estressado demais com essa coisa do Bieber – Emily sentiu um gosto amargo subir à boca. – Richard não consegue parar de pensar nisso, ele está obcecado. Não sei mais o que fazer.

- Isso não está mais ao alcance dele – foi tudo o que Emily conseguiu dizer, apesar de querer que fosse muito mais. Se ao menos ela pudesse fazer ou dizer algo que livrasse seus pais de toda essa angústia... – Não quero que vocês passem por isso por minha causa. Eu estou bem, mãe. Isso já passou. Precisamos seguir nossas vidas.

- Eu sei, querida. Mas seu pai parece não saber – Helena pareceu muito mais aflita do que nas outras vezes em que conversou com a filha pelo telefone. – Tento convencê-lo de que tudo isso já acabou, que você está bem e seguindo sua vida, mas nada parece adiantar.

- Diga a ele que isso está me fazendo mal também – tentou ela, mais pelo jogo emocional do que por qualquer outra coisa, mas sem deixar de ter alguma verdade. – Tenho certeza de que não é isso o que ele quer. Eu só vou conseguir seguir em frente de verdade quando souber que ele também o fez. Que vocês dois fizeram.

- Acha que eu já não disse isso a ele, Emy? Você conhece seu pai. Sabe o que acontece quando alguém mexe com a nossa família. Richard fica obcecado por justiça, principalmente a partir do momento que envolveu você.

- Tenho certeza de que a justiça será feita – ela não tinha mais tanta. – Com certeza não mais pelas mãos dele, mas ainda assim.

- Também acredito nisso, Emy. Acho que você está certa em seguir sua vida adiante, pois ficar presa nessa tragédia só a levaria para o fundo do poço.

O fundo do poço, pensou Emily, quanta ironia.

- De fato, foi a escolha mais acertada – disse Emily, monotonamente.

­- E como andam as coisas? Como está o trabalho? Adam... Como você está de verdade, querida?

Emily queria suspirar de frustração, mas não o fez, pensando que a mãe a ouviria e saberia no mesmo instante que havia algo errado, então apenas fechou os olhos e engoliu em seco.

- Está tudo bem, mãe, mesmo. O trabalho, minha vida, Adam... – ela quase deslizou nessa última parte.

- Fico feliz em saber disso. Se você está feliz, seu pai e eu também estamos.

- Mãe... Você não acha que talvez devesse procurar um profissional para ajudar o papai com essa obsessão que ele tem pelo trabalho? – Emily ouviu a mãe suspirar do outro lado da linha. – Não é de hoje que isso acontece, acho que essa decisão já deveria ter sido tomada há tempos. A senhora sabe que ele não pode sofrer tanto estresse. Sabe disso.

- Eu sei, meu bem, eu sei – e Emily acreditava que de fato ela sabia.

Não era de hoje que Richard se empenhava ao máximo em seu trabalho, fazendo da caça aos bandidos algo pessoal. Ele nunca se permitiu perder para um criminoso, e nunca aceitou que fizessem mal àqueles que ama, e quando isso acontecia, era uma caçada de vida ou morte para ele. Emily se lembrava perfeitamente de como o pai ficava em situações como essa, mas Helena dizia que isso vinha desde quando ele entrou para a polícia. No começo parecia algo normal, mas depois começou a tomar proporções absurdas, e agora poderia mata-lo. Ambas tinham esse fato fixado na cabeça.

- Você está certa, talvez eu deva... Não. Eu vou levar seu pai a um psicólogo. Sei que não vai ser fácil convencer aquele cabeça dura, mas...

- Se precisar de uma mão pode contar comigo. Me ligue e eu falarei com ele.

- Obrigada, querida.

- Você não tem que me agradecer, mãe. Sabe que eu amo você e o papai, não sabe?

- Sei sim. E nós também amamos você, e queremos que venha nos visitar quando puder, estamos com muita saudade.

Emily sentiu um nó na garganta, e novamente seus olhos começaram a arder, mas ela se conteve.

- Também estou com saudades, mas por agora não vai ser possível. Estou cobrindo uma colega no hospital, e isso têm me custado alguns plantões, então...

Helena deu uma risadinha, mas Emily percebeu que ela também estava emocionada.

- Eu entendo, meu bem. Não se preocupe. Mas saiba que estaremos sempre esperando você e Adam de braços abertos.

- Eu sei disso, mãe – Emily pausou por alguns segundos, segurando as emoções. – Preciso desligar. Diga ao papai que mandei um beijo. Amo vocês.

- Nós também amamos você, querida.

Emily desligou e colocou o celular de lado, permitindo-se chorar, perguntando-se se voltaria a ver os pais novamente agora que era uma fugitiva. Não exatamente uma fugitiva, já que ninguém a estava procurando, ainda. De qualquer forma, perguntou-se como seriam os próximos dias de sua vida. Ficou imaginando quando a polícia descobriria o que ela havia feito, e quando começariam as buscas por ela e por Justin.

Quando desceu para a biblioteca, Emily tinha enumeradas na cabeça todas as perguntas que queria que Justin respondesse. E ele teria de responder a todas elas. Ela precisava disso. Ele devia isso a ela.

- Bem na hora - Justin disse, colocando a bandeja com chá e biscoitos em cima da mesinha de centro antes de se sentar em um dos sofás.

- Não sabia que você fazia a linha dona de casa - ela comentou, não se contendo em provocar.

Tudo o que Justin fez foi rir enquanto servia o chá para Emily e depois para si.

- Você se surpreenderia comigo, querida - ele arqueou uma sobrancelha desafiadoramente, indicando a xícara de chá à Emily. - Beba, vai fazer bem a você.

- Não fui eu que resolvi me aventurar na chuva esta noite. Acho que quem realmente está precisando de uma xícara de chá é você.

Ele balançou a cabeça, inclinando-se e pegando sua xícara.

- Você está certa - ele disse, pegando Emily de surpresa.

- Como está a sua perna? - ela perguntou, bebericando de seu chá, então fazendo uma careta. Era amargo demais. - Percebi mais cedo que você estava mancando. As dores voltaram?

Ela resolveu que começar uma conversa cordialmente talvez fosse sua melhor chance de conseguir algo de Justin, já que ele parecia estar de excelente humor.

- Digamos que não estávamos acostumados a uma caminhada tão longa quanto fizemos. Mas não se preocupe, para seu desagrado, vou sobreviver - Justin piscou para ela, bebericando do chá. - E então? Gostou do meu presente?

Emily passou a língua entre os lábios, assentindo.

- Obrigada. Já liguei para minha mãe até - comentou, recendo um olhar intrigado da parte dele.

- Ah, é mesmo? - Emily assentiu. - E sobre o que conversaram?

- Sobre você, é claro - ela disse, prevendo a reação ameaçadora dele antes que o fizesse. Emily sentiu vontade de rir, mas se conteve, apenas arqueando uma sobrancelha antes de levar a xícara a boca. - Minha mãe disse que meu pai está obcecado por encontrar você. Ele anda muito estressado por conta disso e nós estamos preocupadas com a saúde dele.

- Então quer dizer que o velho Richard corre o risco de bater as botas? Que interessante - Justin se recostou no sofá com um sorriso no rosto.

Emily sentiu seu estômago revirar ao pensar em tal possibilidade e pelo fato de Justin ser tão frio que as vezes dava medo.

- Não fale assim, por favor - ela pediu, ainda mantendo o tom cordial da conversa, mesmo querendo mandar que ele calasse a boca e que nunca mais falasse de tal forma de seu pai, queria também insultar novamente os pais mortos dele para que ele visse como é bom, mas tudo o que ela disse foi isso. Manteando-se controlada.

Para sua surpresa, Justin também parecia querer manter uma conversa civilizada.

- Certo - foi o que ele disse. - Mas você deveria dizer a ele que é melhor desistir. Ele nunca me achará. E se depender de mim, nunca mais achará você também.

Emily franziu a testa.

- O que quer dizer?

Justin apenas sorriu, inclinando-se para frente e colocando sua xícara sobre a mesa, pegando o bule em mãos.

- Mais chá? - ofereceu a Emily que hesitou por um breve momento, mas então estendeu a xícara para que ele lhe servisse mais da bebida, e então bebericou um pouco do chá logo em seguida. - O que eu quero dizer - começou Justin, satisfeito ao vê-la beber constantemente seu chá -, é que você não verá mais sua família.

- Você não pode estar falando sério - Emily largou a xícara de chá sobre a mesa e se levantou abruptamente. - Não pode estar!

Justin a encarou por um longo tempo, levando a xícara até a boca e bebericando de seu chá antes de entortar os lábios em um breve sorriso.

- Sente-se e tome seu chá - ele disse calmamente, apesar de haver uma ordem implícita na fala.

- Não...

- Sente-se e tome seu chá - repetiu, interrompendo Emily, lhe mostrando que aquilo não era um simples pedido, deixando ainda mais clara sua ordem.

Emily pensou em relutar. Pensou em mandá-lo para o quinto dos infernos, mas sabia que se o fizesse estaria arruinando toda e qualquer chance de ter uma conversa civilizada com ele e de conseguir respostas, e talvez até um acordo sobre visitar seus pais. Então ela se sentou, pegando a xícara e bebendo o resto do chá ali.

- Mais? - Justin ergueu o bule, oferecendo.

Ela balançou a cabeça.

- Não, obrigada.

- Ora, vamos lá, querida, mais um pouco de chá para mantermos a conversa.

Isso foi o suficiente para fazer Emily estender a xícara em sua direção.

- Muito bem - ele disse, recostando-se novamente no sofá. - Você verá que tenho razão, uma hora ou outra. Manter contato com seus pais é arriscado. Não só para você, mas para eles também. Não que eu me oporia se isso prejudicasse somente a eles - fez questão de pontuar. - De qualquer forma, é melhor que você vá cortando relações aos poucos, começando por telefone. Com o tempo vai se tornar mais fácil, você vai ver.

- Eles estão passando por momentos difíceis. Estou preocupada com eles. Eles precisam de mim.

- Mesmo que precisem, vão precisar menos com o passar do tempo.

- Justin... Por favor - havia um tom perceptível de desespero na voz dela.

- Sem discussões, Burton. Uma hora você vai entender que essa é a coisa certa a se fazer. Quanto mais longe daquela família você ficar, melhor será para você - ele disse, inclinando-se para frente, ameaçador.

- Mas é a minha família.

- Uma família maldita - então ele se recostou bruscamente. - Você tem sorte por eu não me importar tanto assim com sua árvore genealógica, porque a essa hora você estaria debaixo da terra servindo de comida para os insetos.

- O que minha família fez de tão terrível para você? - ela perguntou, exasperada. Aquela pergunta não seguia a ordem cronológica que ela havia planejado, mas a ordem fora para o espaço, assim como toda sua paciência. - Fora é claro, o fato de você achar que meu pai “roubou” a sua "liberdade" - ela fez questão de usar aspas com os dedos, então ela riu com desdém. - Sabe, isso aqui não é uma historinha, você meio que está encenando A Bela e a Fera aqui, sabia?

- Interessante escolha de palavras - disse Justin, pegando o bule. - Mais chá?

Emily se viu prestes a explodir e jogar todo aquele chá quente em cima de Justin.

- Não, eu não quero mais a droga do chá! - gritou. - Quero que me diga o que tem contra minha família!

Justin não disse nada, apenas ergueu um pouco mais o bule em um oferecimento silencioso. Emily soltou um suspiro frustrado e ergueu a xícara. Justin esperou que ela bebericasse uma grande quantidade antes de voltar a falar.

- Fora seu pai enxerido, seu tio psicopata, sua avó mentirosa e sua prima vadia? - ele deu de ombros. - Nada.

Emily estava boquiaberta. Ela largou a xícara de chá sobre a mesa, mas assim que viu o olhar de Justin sobre ela, pegou-a de volta e bebericou um pouco mais, espiando Justin por cima da borda da xícara e percebendo que ele sorria.

- Quando é que você vai me contar o que aconteceu?

- Vai por mim, querida, você não vai querer saber - Justin passou o dedo indicador sobre o lábio inferior, analisando Emily de forma estranha, percebeu ela.

- Você não fala por mim - respondeu ela, asperamente. - Eu quero saber o que aconteceu. É da minha família que estamos falando.

- Acredite, você sentiria vergonha de adjetiva-la de tal forma se soubesse.

- Não me importa, eu quero saber.

- Acho que com exceção da sua mãe - continuou ele, como se Emily não tivesse dito nada anteriormente. - Sorte dela que eu não descobri nenhum podre, mas não duvido que ela tenha.

- Chega! - gritou Emily, fazendo com que Justin a encarasse com uma sobrancelha erguida. - Eu quero saber o que aconteceu no passado entre minha família e você. E quero saber sobre Alicia também.

Justin esboçou um mero sorriso, mas Emily pôde perceber que era puramente falso. Falar sobre Alicia não lhe parecia muito agradável e isso só atiçava ainda mais a curiosidade dela.

- Está meio obcecada por ela, não?

- Não, é você quem está, e eu só quero saber o porquê.

- Mas se é comigo então não lhe diz respeito.

- Diz quando isso me atinge. E não diga que não, porque você sabe que não foi a primeira vez que me chamou pelo nome dela. Eu me pareço com ela?

Justin sorriu.

- Por que não bebe mais um pouco de chá?

- Mas que diabos! Eu não quero essa droga de chá! - ela soltou a xícara na mesa, espalhando um pouco de seu conteúdo. - Por que você fica me empurrando essa coisa, é horrível e... AI! - Emily gritou, curvando-se de dor, levando a mão instantemente em volta da barriga que doía. - Ah, meu Deus, o que está acontecendo? - disse ela, desesperada e contorcendo-se sobre o sofá.

Emily estava concentrada demais na própria dor para perceber que o sorriso diabólico de Justin aumentava a cada instante.

- Tudo bem, não precisa tomar mais se não quiser - ele disse, fazendo com ela o encarasse, e em seguida olhasse de olhos arregalados para a xícara de chá.

- O que você fez? - perguntou ela, com lágrimas nos olhos. - Ai! Ah! - Emily curvou-se.

- Sabe o que ouvi dizer? - Justin tinha um tom de voz extremamente calmo e despreocupado. - Que mulheres grávidas deviam tomar cuidado com chás. Há algumas ervas que podem ser fatais - e então ele sacou o teste de gravidez que ela havia feito mais cedo, jogando-o em cima da mesa, sob o olhar aterrorizado de Emily.

- Você me envenenou?

Justin deu de ombros, recostando-se e abrindo um sorrisinho.

- Não se preocupe, Burton, você vai sobreviver - ela gritou de dor. - Mas não essa coisa dentro de você.

 - O que você fez? – ela choramingou, deitando-se no sofá e apertando a barriga que doía. Era uma dor dilacerante, algo que ela nunca havia sentido antes. – O que você fez com meu bebê? – as lágrimas rolavam por seu rosto, molhando o sofá.

Justin se levantou e caminhou até Emily, sentando-se sobre a mesinha de centro e ficando cara a cara com Emily.

- É assim que você chama isso?

- O que você fez?! – berrou.

Justin passou o indicador na testa dela, tirando uma mecha de cabelo caída em frente ao seu rosto.

- Um favor a você, querida – sua voz saía calma em meio a todo o desespero de Emily que se contorcia de dor. – Sei que você pode estar com raiva de mim agora, mas você vai acabar se dando conta de que eu fiz o melhor para você.

- O melhor? – gritou ela. – Você não sabe o que é o melhor! Você não sabe de nada! Você matou o meu bebê! – Emily se engasgou com o choro, tossindo compulsivamente.

- Pense em como seria quando ele nascesse. Você não conseguiria olhar para essa coisa sem deixar de pensar que matou o pai dela. Você viveria eternamente com essa culpa.

- Ah! – ela gritou, apertando cada vez mais forte os braços em torno da barriga. – Por que dói tanto? – ela gritou, para ninguém em especial.

Justin podia ver o sangue manchando a roupa dela, e sabia que seu objetivo havia se concretizado.

- Vai passar, querida – ele disse, riscando a pele da bochecha dela com a ponta do indicador. – Não deve demorar muito mais.

- Para quê? Para que eu morra? – Emily gritou na cara dele, contorcendo-se.

- Não, para que você desmaie.

Justin mal teve tempo de pronunciar o restante das palavras, Emily já estava inconsciente.


Notas Finais


Era a isso que eu me referia no capítulo passado. Estava falando das iludidas que achavam que a Emy não estava grávida. Bem ela estava, mas para a felicidade de algumas (sim, eu sei que tem gente perturbada aí que ficou muito feliz com isso U.u não mintam para mim) ela não está mais, então é vida que segue uehueheuheu
Muitíssimo obrigada a quem comentou no capítulo passado, fico muito feliz que estejam gostando <3
Nos vemos no próximo!!
Bjks <3


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