História A filha de Severo Snape - Capítulo 73


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Categorias Harry Potter
Tags Harry Potter
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Palavras 12.097
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção
Avisos: Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 73 - Capítulo 73


Violett sentiu que caía chapada no chão, seu rosto comprimiu a grama, cujo cheiro invadiu suas narinas. Ela fechara os olhos enquanto a Chave do Portal a transportava, e os mantinha fechados até aquele momento. Não se mexeu.

Todo o ar parecia ter sido expulso dos seus pulmões, sua cabeça rodava tanto que ela sentia o chão balançar sob seu corpo como se fosse o convés de um navio.

Para se firmar, apertou com mais força as duas coisas que continuava a segurar, a asa lisa e fria da Taça Tribruxo e o corpo de Cedrico. Tinha a sensação de que ia deslizar para a escuridão que se formava na periferia do seu cérebro se largasse qualquer das duas.

O choque e a exaustão a mantiveram no chão, inspirando o cheiro de grama, esperando… Esperando que alguém fizesse alguma coisa… Que alguma coisa acontecesse…

Uma enxurrada de sons a ensurdeceu e confundiu, havia vozes por toda parte, passos, gritos… Ela continuou onde estava, o rosto contraído contra o barulho, como se aquilo fosse um pesadelo que ia passar…

Então duas mãos a agarraram com uma certa violência e o viraram de barriga para cima.

"Harry! Violett!"

A garota abriu os olhos.

Estava olhando para o céu estrelado e Alvo Dumbledore se debruçava sobre ela. As sombras escuras das pessoas que se aglomeravam ao seu redor se aproximavam, Violett sentiu o chão sob sua cabeça vibrar com a aproximação dos seus passos.

Ela voltara ao exterior do labirinto. Via as arquibancadas no alto, os vultos das pessoas que se movimentavam nelas, as estrelas no céu. Violett largou a Taça, mas segurou Cedrico mais junto dela e com mais força e soube que Harry fizera o mesmo.

"Ele voltou...", sussurrou o garoto. "Ele voltou... Voldemort..."

"Que está acontecendo? Que está acontecendo?"

O rosto de Cornélio Fudge apareceu invertido sobre Violett; parecia pálido e perplexo.

"Meu Deus, Diggory!", murmurou. "Dumbledore, ele está morto!"

Essas palavras foram repetidas, as sombras que se comprimiam ao redor deles as exclamaram para as mais próximas… Depois outras as gritaram, guincharam para a noite: "Ele está morto!"

"Ele está morto!"

"Cedrico Diggory! Morto!"

"Harry... Violett... Soltem-o.", ela ouviu Fudge dizer, e sentiu dedos que tentavam forçar os seus a se abrirem para soltar o corpo inerte de Cedrico, mas Violett resistiu.

Então o rosto de Dumbledore, que continuava borrado e difuso, se aproximou.

"Vocês não podem mais ajudá-lo. Terminou. Soltem-o."

"Ele queria que nós o trouxessemos de volta.", murmurou Harry

"Ele queria que nós o trouxessemos de volta para os pais…", falou Violett.

"Certo… Agora soltem-o…"

Dumbledore se curvou e, com uma força extraordinária para um homem tão velho e magro, ergueu Harry do chão e o pôs de pé. Depois ergueu Violett e também a pôs de pé. A cabeça da menina latejava.

As pessoas aglomeradas ao redor se acotovelavam, tentando chegar mais próximo, empurrando sombriamente.

"Que foi que houve?"

"Que aconteceu com ele?"

"Diggory está morto!"

"Eles precisam ir para a ala hospitalar!", dizia Fudge em voz alta. "Eles estão mal, estão feridos, Dumbledore, os pais de Diggory estão aqui, estão nas arquibancadas…"

"Eu levo os, Dumbledore, eu os levo…"

"Não, eu prefiro… Que deve lhe contar… Antes que ele veja…?"

"Dumbledore, Amos Diggory está correndo… Está vindo para cá. Harry, Violett fiquem aqui…"

Garotas gritavam, soluçavam, histéricas… A cena lampejava estranhamente diante dos olhos de Violett…

"Está tudo bem, estou com vocês… Vamos… Ala hospitalar…"

"Dumbledore disse pra gente ficar...", disse Harry com a fala pastosa.

"Vocês precisam se deitar… Vamos, agora…"

Alguém maior e mais forte do que ela, meio que a puxou, meio que a carregou entre os espectadores assustados, Violett ouvia as pessoas exclamarem, gritarem e berrarem à medida que o homem que a segurava abria caminho por elas, levando a garota para o castelo. Atravessaram o gramado, passaram o lago e o navio de Durmstrang, Violett não ouvia nada, exceto a respiração ruidosa do homem que a ajudava a caminhar e a de Harry, meio ofegante.

"Que aconteceu?", perguntou o homem finalmente, erguendo-a para galgar os degraus de pedra da entrada. Toque. Toque. Toque. Era Olho-Tonto Moody.

"A Taça era uma Chave de Portal...", disse Harry ao atravessarem o saguão de entrada.

"Nos levou para um cemitério…", falou Violett.

"E Voldemort estava lá… Lord Voldemort…"

Toque. Toque. Toque. Escadaria de mármore acima…

"O Lord das Trevas estava lá? Que aconteceu depois?"

"Matou Cedrico… Mataram Cedrico…", falou Violett.

"E então?"

Toque. Toque. Toque. Pelo corredor…

"Preparou uma poção… Recuperou o corpo dele…", explicou Harry.

"O Lord das Trevas recuperou o corpo? Ele voltou?"

"E os Comensais da Morte vieram…"

"Me pediu... Me pediu para ser Comensal...", ofegou Violett.

" Pediu?"

"Depois nós duelamos…", falou Harry.

"Vocês duelaram com o Lord das Trevas?"

"Escapamos… Minha varinha… Fez uma coisa engraçada… Vi meu pai e minha mãe… Eles saíram da varinha dele…"

"Aqui dentro… Aqui dentro, e sentem-se… Vocês vão ficar bons agora… Bebam isso…"

Violett ouviu uma chave girar na fechadura e sentiu que empurravam um copo em suas mãos.

"Bebam isso… Vocês vão se sentir melhores… Vamos, preciso saber exatamente o que aconteceu…"

Moody ajudou a virar a poção na boca de Harry depois na de Violett; a garota tossiu, um gosto apimentado queimou sua garganta. A sala de Moody entrou em foco, bem como o próprio Moody e Harry sentado ao seu lado… Moody parecia tão pálido quanto Fudge, e seus dois olhos estavam fixos, sem piscar, nos rostos de Harry e Violett.

"Voldemort voltou? Vocês têm certeza de que voltou? Como foi que ele fez isso?"

"Ele apanhou uma coisa no túmulo do pai dele, depois do Rabicho e de mim.", disse Harry.

A cabeça de Violett estava clareando, agora conseguia ver o rosto de Moody nitidamente, embora a sala estivesse escura.

Ainda se ouviam berros e gritos vindos do distante campo de Quadribol.

"Que foi que o Lord das Trevas tirou de você?", perguntou Moody, agora tinha olhando somente para Harry.

"Sangue.", respondeu o garoto erguendo o braço. A manga estava rasgada no lugar em que o punhal de Rabicho a cortara. Moody deixou escapar um assobio longo e baixo.

"E os Comensais da Morte? Voltaram?"

"Voltaram. Montes deles…", falou Violett.

" Você disse que ele te pediu para ser Comensal, oque disse?"

"Disse não."

"Suspeitei...", murmurou Moody, mais para si mesmo do que para qualquer um dos dois. " Lhe disse isso... Nova demais... Mas ele queria testá-lo...", o homem balançou a cabeça. "Como foi que ele os tratou? Os Comensais...", perguntou Moody baixinho. "Ele lhes perdoou?"

"Tem um Comensal da Morte em Hogwarts!", exclamou Harry. "Tem um Comensal da Morte aqui, ele pôs os nossos nomes no Cálice de Fogo, certificou-se de que nós chegássemos até o fim…"

Harry tentou se levantar, mas Moody o obrigou a sentar-se outra vez.

"Eu sei quem é o Comensal da Morte.", disse ele em voz baixa.

"Karkaroff?", disse Violett agitada. "Onde é que ele está? O senhor o pegou? Ele está preso?"

"Karkaroff?", disse Moody com uma risada estranha. "Karkaroff fugiu esta noite, quando sentiu a Marca Negra arder no braço. Ele traiu um número grande demais de seguidores fiéis do Lord das Trevas para querer reencontrá-los… Mas duvido que chegue muito longe. O Lord das Trevas tem maneiras de seguir seus inimigos."

"Karkaroff foi embora? Fugiu? Mas então… Ele não pôs nossos nomes no Cálice de Fogo?"

"Não.", disse Moody lentamente. "Não, não pôs. Fui eu quem pôs."

Violett ouviu, mas não acreditou.

"Não, o senhor não pôs. O senhor não fez isso… Não pode ter feito…", falou Harry.

"Garanto a você que fiz.", disse Moody e seu olho mágico deu uma volta completa e se fixou na porta, e Violett percebeu que ele estava se certificando de que não havia ninguém do lado de fora. Ao mesmo tempo, Moody puxou a varinha e apontou-a para Harry e depois para Violett.

"E ele lhes perdoou, então? Os Comensais da Morte continuaram livres? Os que escaparam de Azkaban?"

"Quê?", exclamou Harry.

Violett olhou a varinha que Moody apontava para ela e depois Harry, para ela de novo. Aquilo era uma piada de mau gosto, tinha que ser.

"Eu lhes perguntei,", disse Moody calmamente. "se ele perdoou a ralé que jamais foi procurá-lo. Aqueles traidores covardes que sequer arriscaram ser mandados para Azkaban por ele. Os porcos desleais e imprestáveis que tiveram coragem suficiente para desfilar de máscaras na Copa Mundial de Quadribol, mas fugiram ao ver a Marca Negra quando eu a projetei no céu."

"O senhor projetou… Do que é que o senhor está falando…?", Violett balançou a cabeça. Aquilo não era verdade.

"Eu já lhes disse... Eu já lhes disse. Se tem uma coisa que eu detesto mais no mundo é um Comensal da Morte que foi absolvido. Viraram as costas ao meu amo quando ele mais precisava deles. Eu esperei que ele os castigasse. Esperei que ele os torturasse. Me digam que ele os machucou…", o rosto de Moody se iluminou de repente com um sorriso demente. "Me digam que ele disse a todos que eu, somente eu, permaneci fiel… Preparado para arriscar tudo para entregar em suas mãos o que ele mais queria… Você.", ele voltou a apontar a varinha para Harry.

"O senhor não fez… Isso, não pode ser o senhor…"

"Quem pôs o seus nomes no Cálice de Fogo com o nome de duas escolas diferentes? Fui eu, sim. Quem afugentou cada pessoa que julguei que poderia machucá-los ou impedir que vocês chegassem à Taça? Fui eu, sim. Quem encorajou Hagrid a lhes mostrar os dragões? Fui eu, sim. Quem fez você, Harry, ver a única maneira de vencer o dragão? Fui eu, sim. Com a nossa querida Srta. Snape não foi preciso, observei-a na biblioteca, procurando o Feitiço da Desilusão."

O olho mágico de Moody se desviou então da porta. Fixou-se em Harry e depois em Violett, voava de um para o outro. Sua boca torta ria mais desdenhosa e abertamente que nunca.

"Não foi fácil, Harry, orientá-lo durante aquelas tarefas sem despertar suspeitas, confesso que ajudei mas a você do que à Violett, achei desnecessário que ela fosse ao cemitério também, mas se meu amo insistia... Tive de usar cada grama de astúcia que possuo para não deixar transparecer o meu dedo no sucesso de vocês. Dumbledore teria ficado desconfiadíssimo se vocês conseguisse tudo com muita facilidade. Desde que vocês entrassem no labirinto, de preferência com uma boa dianteira, então, eu sabia que teria uma chance de me livrar dos outros campeões e deixar seus caminhos desimpedidos. Mas tive também de lutar contra a sua burrice. A segunda tarefa… Foi a que tive mais medo que você fracassasse, Potter. Eu fiquei vigiando-o, vigiando-os, na verdade, mas a Snape aqui conseguiu sozinha. Mas eu sabia que você, Potter, não tinha decifrado a pista do ovo, por isso tive que lhe dar mais uma sugestão…

"O senhor não deu.", disse Harry rouco. "Cedrico me deu a pista…"

"Quem disse a Cedrico para abrir o ovo dentro da água? Fui eu. Confiei que ele passaria a informação a você. Gente decente é tão fácil de manipular, Potter. Eu tinha certeza de que Cedrico iria querer retribuir o favor de tê-lo informado sobre os dragões, e foi o que ele fez. Mas, mesmo assim, Potter, parecia que você ia fracassar. Fiquei vigiando-o o tempo todo… Todas àquelas horas na biblioteca. Você não percebeu que o livro de que precisava estava no seu dormitório o tempo todo? Eu o coloquei lá mais cedo, dei-o ao garoto Longbottom, não se lembra? Plantas Mediterrâneas e Suas Propriedades Mágicas. Ele teria lhe informado tudo que você precisava saber sobre o guelricho. Eu esperava que você pedisse ajuda a qualquer um e a todos. Longbottom teria lhe dito na mesma hora. Mas você não pediu… Você não pediu… Você tem um traço de orgulho e independência que poderia ter estragado tudo. Então o que é que eu podia fazer? Mandar-lhe a informação por intermédio de outra fonte inocente. Você me contou no Baile de Inverno que um elfo doméstico, chamado Dobby, lhe dera um presente de Natal. Eu chamei o elfo à sala dos professores para apanhar umas vestes para lavar. Encenei uma conversa em voz alta com a professora McGonagall sobre os reféns que seriam usados na tarefa e se Potter pensaria em comer guelricho. E o seu amiguinho elfo correu direto para o armário de Snape e foi depressa procurar você…"

A varinha de Moody continuava apontada diretamente para o coração de Harry, as vezes indi para o de Violett. Por cima do ombro do professor, sombras indistintas se moviam num espelhos pendurado na parede.

"Vocês ficaram tanto tempo no lago, que eu pensei que tinham se afogado. Mas, por sorte, Dumbledore tomou a burrice de vocês por nobreza e lhes deu uma nota alta. Eu respirei mais uma vez aliviado. Esta noite, vocês tiveram uma tarefa mais fácil no labirinto do que deveriam, é claro,", disse Moody. "Isto foi porque eu estava patrulhando do lado de fora, e podia ver as sebes mais externas, e pude destruir muitos obstáculos em seus caminhos. Eu estuporei Fleur Delacour quando ela passou. Lancei a Maldição Imperius em Krum para ele acabar com Diggory e deixar o seu caminho livre até a Taça."

"Mas, se estava tentando nos ajudar, porque fez Krum lançar a Maldição Cruciatus em mim?", perguntou Violett.

"Ora, porque como disse, eu não via utilidade em levá-la para o cemitério, acha desnecessário torná-la Comensal, então, quando notei que você estava apavorada naquele labirinto, pensei que depois que fosse atacada lançaria as fagulhas vermelhas, mas Potter te ajudou e você, mesmo apavorada, se mostrou corajosa, mais corajosa do que eu gostaria."

Violett encarava Moody. Não conseguia entender como podia ser aquilo… O amigo de Dumbledore, o famoso auror… Aquele que capturara tantos Comensais da Morte… Não fazia sentido… Nem um pingo…

As sombras no espelho se acentuavam, se tornando mais nítidas. Violett via, por cima do ombro de Moody, o contorno de três pessoas, que se aproximavam cada vez mais. Mas o professor não as vigiava. Seu olho mágico estava fixo nela e em Harry.

"O Lord das Trevas não conseguiu matá-lo, Potter, e ele queria tanto!", sussurrou Moody. "Imagine a recompensa que me dará, quando descobrir que fiz isso por ele e ainda por cima matei ela também.", a varinha de Moody apontou para o coração de Violett e a garota sentiu-o pular uma batida. "Entreguei-o a ele, a coisa de que ele mais precisava para se regenerar, e depois matei-o para ele e ainda com um brindezinho. Vou receber mais honrarias do que todos os outros Comensais da Morte. Serei seu seguidor mais querido, mais chegado… Mais próximo do que um filho…"

O olho normal de Moody estava esbugalhado, o olho mágico indo de Violett para Harry.

A porta continuava trancada e Violett sabia que jamais pegaria a própria varinha a tempo…

"O Lord das Trevas e eu", disse Moody, e agora parecia completamente enlouquecido, agigantando-se sobre os dois adolescentes, olhando-os com desdém. " temos muito em comum. Nós dois, por exemplo, tivemos pais que nos desapontaram muito… Muito mesmo. Nós dois sofremos a indignidade de receber o nome desses pais. E nós dois tivemos o prazer… O imenso prazer… De matar nossos pais para garantir a ascensão contínua da Ordem das Trevas!"

"O senhor enlouqueceu...", disse Harry. " O senhor enlouqueceu!"

"Enlouqueci, eu?", a voz de Moody se alteou descontrolada. "Veremos! Veremos quem enlouqueceu, agora que o Lord das Trevas voltou, comigo ao seu lado! Ele voltou, vocês não o derrotaram, e agora, eu derroto vocês!"

Moody ergueu a varinha, abriu a boca, Violett mergulhou a mão nas vestes e viu Harry imitá-la pelo canto do olho.

"Estupefaça!", houve um lampejo ofuscante de luz vermelha, e, com grande fragor de madeira estilhaçada, a porta da sala de Moody rachou ao meio…

Moody foi atirado de costas ao chão. Violett, ainda fitando o lugar em que estivera o rosto de Moody, viu Dumbledore, Severo e a professora McGonagall mirando-a do curioso espelho na sala.

A garota virou-se para os lados e viu os três parados à porta, o diretor à frente, a varinha em punho. Naquele momento, Violett compreendeu totalmente, pela primeira vez, por que as pessoas diziam que Dumbledore era o único bruxo que Voldemort temia. A expressão no rosto dele quando olhou para a forma inconsciente de Olho-Tonto Moody era mais terrível do que Violett poderia jamais imaginar.

Não havia sorriso bondoso no rosto do diretor, não havia cintilação nos olhos atrás dos óculos. Havia uma fúria gelada em cada ruga daquele rosto velho, ele irradiava uma aura de poder como se Dumbledore desprendesse um calor de brasas vivas.

O diretor entrou na sala, enfiou um pé sob o corpo inconsciente de Moody e virou-o de barriga para cima, de modo que seu rosto ficasse visível.

Severo entrou em seguida, parecia que correra muito para chegar até ali, ele tinha uma expressão de fúria no rosto

"Se aquele cretino, encostou um dedo na minha filha, eu sou capaz de..."

"Acalme-se, Severo, ela está bem ali e parece muito bem.", falou a professora McGonagall.

" Violett...", Severo se abaixou para ficar da altura de Violett que estava sentada passou a mão no cabelo da garota, se contendo para não abraçá-la ali mesmo.

"Vamos, Potter, Snape...", sussurrou a professora McGonagall. A linha fina de seus lábios tremia como se ela estivesse à beira das lágrimas. "Vamos… Ala hospitalar…"

"Não.", disse Dumbledore energicamente.

"Dumbledore, eles precisam, olhe só para eles, já sofreram bastante esta noite…"

"Eles ficam Minerva, porque precisam compreender.", respondeu o diretor secamente. "Compreender é o primeiro passo para aceitar, e somente aceitando eles podem se recuperar. Precisam saber o que os fez passar pela provação desta noite e o porquê."

"Moody...", disse Violett. Ela continuava num estado da mais completa descrença, nem ligava para a mão de Severo em seu cabelo.

"Como pode ter sido Moody?", perguntou Harry.

"Este não é Alastor Moody.", disse Dumbledore em voz baixa. "Vocês jamais conheceram Alastor Moody. O verdadeiro Moody não teria retirado vocês das minhas vistas depois do que aconteceu hoje à noite. No instante em que ele os levou, eu compreendi, e o segui."

Dumbledore se curvou para a forma inerte de Moody e meteu a mão nas vestes do bruxo. Tirou o frasco de bolso de Moody e uma penca de chaves numa argola. Depois se voltou para a professora McGonagall e Severo.

"Severo, por favor, vá buscar a Poção da Verdade mais forte que você tiver, depois vá à cozinha e me traga aqui o elfo doméstico chamado Winky. Minerva, por favor, desça à casa de Hagrid, onde você encontrará um enorme cão preto sentado no canteiro de abóboras. Leve o cão ao meu escritório, diga-lhe que irei vê-lo daqui a pouco, depois volte aqui."

Se Severo ou Minerva acharam essas instruções estranhas, eles ocultaram sua confusão. Os dois se viraram na mesma hora e saíram da sala. Dumbledore aproximou-se do malão com as sete fechaduras, enfiou a primeira chave na fechadura e abriu-o. O malão continha uma profusão de livros de feitiços. Em seguida o diretor fechou-o, enfiou a segunda chave na segunda fechadura e tornou a abrir o malão.

Os livros de feitiços haviam desaparecido, desta vez o malão continha uma variedade de bisbilhoscópios, algumas folhas de pergaminho e penas, e algo que lembrava uma Capa da Invisibilidade.

Violett observou, espantada, Dumbledore enfiar a terceira, quarta, quinta e sexta chaves nas fechaduras e reabrir o malão que, a cada vez, revelava conteúdos diferentes. Por fim, enfiou a sétima chave na fechadura, escancarou a tampa e Violett deixou escapar um grito de assombro.

A garota se deparou com uma espécie de poço, uma sala subterrânea e, deitado no chão, bem um metro abaixo, aparentemente em sono profundo, magro e de aparência faminta, encontrava-se o verdadeiro Olho-Tonto Moody. Faltava-lhe a perna de pau, e a órbita em que deveria estar o olho mágico parecia vazia sob a pálpebra e lhe faltavam chumaços de cabelos grisalhos. Violett correu os olhos arregalados e perplexos do Moody que dormia no malão para o Moody inconsciente caído no chão da sala.

Dumbledore entrou no malão, desceu o corpo e caiu de leve no chão ao lado do Moody adormecido. Curvou-se para ele.

"Estuporado, controlado pela Maldição Imperius, muito fraco.", disse. "Naturalmente, precisariam mantê-lo vivo. Harry me atire a capa do impostor, Alastor está congelando. Madame Pomfrey precisara examiná-lo, mas ele não parece correr perigo imediato."

Harry fez o que o diretor lhe pediu, Dumbledore cobriu Moody com a capa, prendeu-a em volta do corpo do bruxo e tornou a sair do malão. Em seguida apanhou o frasco de bolso que estava sobre a escrivaninha, tirou a tampa e virou-o.

Um líquido espesso e viscoso se espalhou pelo chão da sala.

"Poção Polissuco. Vêem a simplicidade e a genialidade da coisa? Porque Moody jamais bebe nada a não ser do frasco de bolso, todo mundo sabe disso. O impostor precisou, é claro, manter o verdadeiro Moody por perto para poder continuar a preparar a poção. Estão vendo os cabelos dele…", Dumbledore olhou para o Moody no malão. "O impostor andou cortando-os o ano inteiro, estão vendo as falhas? Mas acho que, na excitação de hoje à noite, o falso Moody talvez tenha esquecido de tomar a poção com a necessária freqüência… Na hora certa… A cada hora… Veremos."

Dumbledore puxou a cadeira atrás da escrivaninha e se sentou, os olhos fixos no Moody inconsciente no chão. Harry e Violett também ficara. olhando. Os minutos se passaram em silêncio…

Então, diante dos olhos dos três, o rosto do homem no chão começou a mudar. As cicatrizes foram desaparecendo, a pele foi se tornando lisa, o nariz mutilado ficou inteiro e começou a diminuir de tamanho. A longa juba de cabelos grisalhos foi se retraindo para o couro cabeludo e se alourando. De repente, com um forte baque, a perna de pau caiu e uma perna normal apareceu em seu lugar; no momento seguinte, o olho mágico saltou do rosto do homem e um olho verdadeiro o substituiu, o olho mágico saiu rolando pelo chão e continuou a girar em todas as direções.

Violett viu caído à sua frente um homem de pele muito clara, ligeiramente sardento, com cabelos bastos e louros. A garota sabia quem era. Vira-o na Penseira de Dumbledore, assistira a ele ser retirado do tribunal pelos dementadores, tentando convencer o Sr. Crouch de que era inocente… Mas agora tinha rugas em torno dos olhos, e parecia bem mais velho…

Ouviram-se passos apressados no corredor. Severo retornava com Winky em seus calcanhares. A professora McGonagall vinha logo atrás.

"Crouch!", exclamou Severo, parando de chofre à porta. " Bartô Crouch!"

"Nossa!", exclamou a professora McGonagall, parando de chofre ao ver o homem no chão. Imunda, descabelada, Winky espiou por entre as pernas de Severo. Ela abriu uma boca enorme e deixou escapar um grito esganiçado.

"Menino Bartô, menino Bartô, que é que o senhor está fazendo aqui?"

Ela se atirou ao peito do rapaz.

"Vocês mataram ele! Vocês mataram ele! Vocês mataram o filho do meu amo!"

"Ele está apenas estuporado, Winky.", disse Dumbledore. "Afaste-se, por favor. Severo, trouxe a poção?"

Severo entregou a Dumbledore um pequeno frasco com um líquido muito transparente, o Veritaserum que Violett já vira seu pai usar em Fred em seu segundo ano.

Dumbledore se levantou, se debruçou sobre o homem e o aprumou contra a parede sob o espelho, no qual as imagens de Dumbledore, Severo e McGonagall continuavam a observar tudo. Winky permaneceu de joelhos, tremendo, as mãos cobrindo o rosto. Dumbledore abriu a boca do homem à força e despejou nela três gotas da poção. Depois, apontou a varinha para o peito do homem e disse:

"Enervate!"

O filho de Crouch abriu os olhos. Seu rosto estava flácido, seu olhar desfocado. Dumbledore se ajoelhou diante dele, de modo que seus rostos ficassem no mesmo plano.

"Você está me ouvindo?", perguntou o diretor em voz baixa.

Os olhos do homem piscaram.

"Estou.", murmurou.

"Gostaria que nos dissesse,", pediu Dumbledore. "como veio parar aqui. Como fugiu de Azkaban?"

Crouch inspirou profundamente, estremecendo, e em seguida começou a falar numa voz sem inflexões nem emoção.

"Minha mãe me salvou. Ela sabia que estava morrendo. Convenceu meu pai a me tirar de lá como um último favor. Ele a amava como nunca me amara. E concordou. Os dois foram me visitar. Me deram uma dose da Poção Polissuco, contendo um fio de cabelo de minha mãe. Ela tomou uma dose da poção, contendo um fio de cabelo meu. Assumimos a forma um do outro."

Winky balançava a cabeça, tremendo.

"Não diga mais nada Menino Bartô, não diga mais nada, você está metendo seu pai em confusão!"

Mas Crouch inspirou mais uma vez profundamente e continuou com a mesma voz sem emoção.

"Os dementadores são cegos. Eles perceberam uma pessoa saudável e uma pessoa doente entrando em Azkaban. Depois, perceberam uma pessoa saudável e uma pessoa doente deixando a prisão. Meu pai me contrabandeou para fora, disfarçado de minha mãe, para o caso de algum prisioneiro estar observando da cela."

"Minha mãe morreu pouco depois em Azkaban. Teve o cuidado de beber a Poção Polissuco até o fim. Foi enterrada com o meu nome e a minha aparência. Todos acreditaram que ela era eu."

As pálpebras do homem piscaram.

"E o que foi que seu pai fez com você, quando chegaram em casa?", perguntou Dumbledore.

"Encenou a morte de minha mãe. Um enterro discreto e íntimo. Aquele túmulo está vazio. O elfo doméstico cuidou de mim até eu ficar bom. Depois tive que ser escondido. Tive que ser controlado. Meu pai teve que usar vários feitiços para me dominar. Quando recuperei a saúde, só pensei em encontrar o meu amo… Em voltar para o seu serviço."

"Como foi que seu pai o dominou?", perguntou Dumbledore.

"A Maldição Imperius. Fiquei sob o domínio do meu pai. Fui forçado a usar uma Capa da Invisibilidade dia e noite. Sempre em companhia do elfo doméstico. Era ela quem me cuidava e guardava. Tinha pena de mim. Convenceu meu pai a me dar regalias ocasionais. Prêmios pelo meu bom comportamento."

"Menino Bartô, menino Bartô...", soluçou Winky entre os dedos. "Você não devia contar a eles, está nos metendo em apuros…"

"Alguém descobriu que você continuava vivo?", perguntou Dumbledore brandamente. "Alguém sabia disso, além do seu pai e do elfo doméstico?"

"Sabia.", suas pálpebras tornaram a piscar. "Uma bruxa do escritório do meu pai, Berta Jorkins. Ela veio um dia em casa trazer papéis para o meu pai assinar. Ele não estava. Winky mandou-a entrar e voltou para a cozinha, para mim. Mas Berta Jorkins ouviu o elfo conversando comigo. Foi investigar. Ouviu o suficiente para adivinhar que eu estava escondido sob uma Capa da Invisibilidade. Meu pai chegou em casa. Ela o confrontou. Ele lançou nela um Feitiço da Memória fortíssimo para fazê-la esquecer o que descobrira. Forte demais. Ele disse que danificou permanentemente a memória dela."

"Por que ela foi bisbilhotar os negócios particulares do meu amo?", soluçou Winky. "Por que não deixou a gente em paz?"

"Fale-me sobre a Copa Mundial de Quadribol.", ordenou Dumbledore.

"Winky convenceu meu pai.", disse Crouch, ainda com a mesma voz monótona. "Passou meses persuadindo-o. Eu não saía de casa havia anos. Eu adorava Quadribol. Deixe o rapaz ir, dizia ela. Ele vai usar a Capa da Invisibilidade. Ele pode assistir. Deixe ele tomar um pouco de ar fresco uma vez. Ela disse que minha mãe teria gostado disso. Disse ao meu pai que minha mãe morrera para me devolver a liberdade. Não me salvara para viver preso. No fim ele concordou. Foi tudo cuidadosamente planejado. Meu pai subiu comigo e Winky ao camarote de honra mais cedo no dia do jogo. Winky devia dizer que estava guardando o lugar para o meu pai. Eu devia ficar sentado ali, invisível. Quando todos tivessem deixado o camarote, nós sairíamos. Winky iria parecer que estava sozinha. Ninguém jamais saberia. Mas Winky não sabia que eu estava bem mais forte. Estava começando a resistir à Maldição Imperius lançada por meu pai. Havia horas em que eu quase voltava a ser eu mesmo. Havia breves lapsos em que eu parecia me libertar do controle dele. Isto aconteceu lá, no camarote de honra. Foi como se eu estivesse saindo de um longo sono. Eu me vi em público, no meio de um jogo, e vi uma varinha saindo do bolso de um garoto na minha frente. Eu não tinha licença de usar uma varinha desde antes de Azkaban. Eu a roubei. Winky não viu. Ela tem medo de alturas. Ficou com o rosto tampado."

"Menino Bartô, que menino danado!", sussurrou Winky, as lágrimas escorrendo entre seus dedos.

"Então você se apoderou da varinha,", disse Dumbledore. "e o que foi que fez com ela?"

"Voltamos à barraca. Então ouvimos os gritos. Ouvimos os Comensais da Morte. Os que nunca tinham ido para Azkaban. Os que nunca tinham sofrido pelo meu amo. Os que tinham lhe virado as costas. Não estavam presos como eu. Estavam livres para ir procurá-lo, mas não fizeram isso. Estavam simplesmente se divertindo com os trouxas. As vozes deles me acordaram. Minha mente estava mais clara do que estivera em anos. Senti raiva. Tinha a varinha. Queria atacá-los pela deslealdade que fizeram ao meu amo. Meu pai saíra da barraca, tinha ido libertar os trouxas. Winky teve medo quando me viu tão furioso. Usou seu próprio tipo de mágica para me prender a ela. Me tirou da barraca, me levou para a floresta, para longe dos Comensais da Morte. Eu tentei impedi-la. Queria voltar para o acampamento. Queria mostrar àqueles Comensais da Morte o que significava lealdade ao Lord das Trevas, e puni-los por não a terem. Usei a varinha roubada para projetar a Marca Negra no céu. Os bruxos do Ministério chegaram. Lançaram Feitiços Estuporantes para todo lado. Um dos feitiços atravessou as árvores até onde eu e Winky estávamos. O vínculo que nos unia se partiu. Nós dois caímos estuporados. Quando descobriram Winky, meu pai entendeu que eu devia estar por perto. Me procurou no mato em que ela fora encontrada e me descobriu caído no chão. Ele esperou até os outros funcionários do Ministério deixarem a floresta. Tornou a me sujeitar com a Maldição Imperius, e me levou para casa. Despediu Winky. Traíra a confiança dele. Me deixara arranjar uma varinha. Quase me deixara fugir."

Winky deixou escapar um grito de desespero.

"Agora havia apenas meu pai e eu, sozinhos em casa. E, então…", a cabeça de Crouch girou molemente e um sorriso demente se espalhou por seu rosto. "Meu amo veio me buscar. Apareceu lá em casa tarde da noite, nos braços do servo dele, Rabicho. Meu amo descobrira que eu continuava vivo. Tinha capturado Berta Jorkins na Albânia. Torturou-a. Ela lhe contou muita coisa. Contou sobre o Torneio Tribruxo. Contou que o antigo auror Moody ia ensinar em Hogwarts. Ele a torturou até conseguir romper o Feitiço da Memória que meu pai lançara nela. Berta contou que eu fugira de Azkaban. Contou que meu pai me mantinha prisioneiro para me impedir de procurar meu amo. Então meu amo soube que eu continuava a ser um servo fiel, talvez o mais fiel de todos. Meu amo concebeu um plano baseado nas informações que Berta lhe dera. Precisava de mim. Chegou em nossa casa por volta da meia-noite. Meu pai atendeu a porta."

O sorriso no rosto de Crouch se alargou, como se ele recordasse o momento mais doce de sua vida. Os olhos castanhos e vidrados de Winky eram visíveis entre seus dedos. Ela parecia assombrada demais para falar.

"Foi muito rápido. Meu amo colocou meu pai sob a Maldição Imperius. Agora meu pai era o prisioneiro, o controlado. Meu amo o forçou a continuar a vida como sempre, a agir como se não houvesse nada errado. E eu fui libertado. Acordei. Voltei a ser eu mesmo, vivo, como não me sentia havia anos."

"E o que foi que Lord Voldemort lhe pediu para fazer?", perguntou Dumbledore.

"Ele me perguntou se eu estava disposto a arriscar tudo por ele. Eu estava. Era o meu sonho, minha maior ambição, servi-lo, me pôr à prova. Ele me disse que precisava colocar um servo fiel em Hogwarts. Um servo que orientasse Harry Potter e Violett Snape durante o Torneio Tribruxo sem parecer que estava fazendo isso. Um servo que vigiasse Harry Potter e Violett Snape. Que garantisse que os dois chegassem à Taça Tribruxo. Que transformasse a Taça em uma Chave de Portal, que tivesse certeza de que os dois a toacariam. Mas primeiro…

"Você precisava de Alastor Moody.", disse Dumbledore. Seus olhos azuis faiscando, embora sua voz permanecesse calma.

"Rabicho e eu fizemos isso. Preparamos antes uma Poção Polissuco. Viajamos até a casa do auror. Moody resistiu. Houve uma grande confusão. Conseguimos dominá-lo a tempo. Nós o enfiamos à força no malão mágico. Tiramos alguns fios de cabelo e acrescentamos à poção. Eu a bebi e me transformei no duplo de Moody. Apanhei sua perna e seu olho. Estava pronto para enfrentar Arthur Weasley quando ele viesse resolver o caso com os trouxas que ouviram o estardalhaço. Espalhei as latas de lixo pelo quintal. Contei a Arthur Weasley que tinha ouvido intrusos em volta da casa, e que pusera as latas de lixo em movimento. Então reuni as roupas e os detectores das trevas de Moody, guardei tudo no malão e parti para Hogwarts. Conservei-o vivo, dominado pela Maldição Imperius. Queria poder interrogá-lo. Descobrir o passado dele, aprender seus hábitos, de modo a enganar Dumbledore. Precisava também do cabelo dele para a Poção Polissuco. Os outros ingredientes foram fáceis de encontrar. Roubei pele de ararambóia das masmorras. Quando o Professor de Poções me encontrou na sala dele, eu disse que tinha ordens para revistá-la."

"E o que aconteceu com Rabicho depois que vocês atacaram Moody?"

"Rabicho voltou para cuidar do meu amo, lá em casa, e para vigiar meu pai."

"Mas o seu pai fugiu.", disse Dumbledore.

"Fugiu. Depois de algum tempo ele começou a resistir à Maldição Imperius, exatamente como eu tinha feito. Havia períodos em que ele sabia o que estava acontecendo. Meu amo achou que não era mais seguro o meu pai sair de casa. Forçou-o, então, a mandar cartas para o Ministério. Fez meu pai escrever dizendo que estava doente. Mas Rabicho não cumpriu seus deveres direito. Não o vigiou o bastante. Meu pai fugiu. Meu amo adivinhou que ele estaria vindo para Hogwarts. Ia admitir que me contrabandeara para fora de Azkaban."

"Meu amo mandou me avisar da fuga do meu pai. Mandou que eu o detivesse a qualquer custo. Então esperei e fiquei vigiando. Usei o mapa que pedira emprestado a Harry Potter. O mapa que quase pusera tudo a perder."

"Mapa?", perguntou Dumbledore imediatamente. "Que mapa é esse?"

"O mapa que Potter tem de Hogwarts. Potter me viu nele. Potter me viu roubando ingredientes para a Poção Polissuco da sala de Snape certa noite. Achou que eu era meu pai porque temos o mesmo nome. Apanhei o mapa de Potter naquela mesma noite. Disse a ele que meu pai odiava bruxos das trevas. Potter acreditou que eu estava atrás de Snape. Durante uma semana esperei meu pai aparecer em Hogwarts. Finalmente, uma noite, o mapa me indicou que ele estava entrando na propriedade. Vesti a minha Capa da Invisibilidade e desci ao encontro dele. Ele estava andando pela orla da Floresta. Então chegaram Potter e Krum. Esperei. Não podia machucar Potter, meu amo precisava dele. Potter foi correndo buscar Dumbledore. Eu estuporei Krum. Matei meu pai."

"Nããão!", gritou Winky. "Menino Bartô, menino Bartô, o que é que você está dizendo?"

"Você matou seu pai.", repetiu Dumbledore, no mesmo tom brando. "Que foi que você fez com o corpo?"

"Levei-o para a Floresta. Cobri-o com a Capa da Invisibilidade. Tinha o mapa comigo. Acompanhei Potter entrar correndo no castelo. Ele encontrou Snape. Dumbledore se juntou aos dois. Acompanhei Potter deixar o castelo com Dumbledore. Saí da Floresta, dei a volta por trás deles e fui reencontrá-los. Disse a Dumbledore que Snape me informara aonde vir. Dumbledore me mandou ir procurar meu pai. Voltei para onde deixara o corpo dele. Fiquei observando o mapa. Quando todos tinham ido embora, transformei o corpo do meu pai. Transformei-o em osso… E, sempre vestindo a Capa da Invisibilidade, eu o enterrei na terra fofa diante da cabana de Hagrid."

Fez-se um silêncio profundo, exceto pelos soluços contínuos de Winky. Então Dumbledore falou:

"E hoje à noite…"

"Eu me ofereci para levar a Taça Tribruxo para o labirinto antes do jantar.", sussurrou Bartô Crouch. "Transformei-a em uma Chave de Portal. O plano do meu amo deu resultado. Ele voltou ao poder e eu vou receber honrarias que ultrapassam os sonhos de qualquer bruxo."

O sorriso demente iluminou mais uma vez suas feições e sua cabeça pendeu para o ombro, enquanto Winky continuava a se lamentar e a soluçar ao seu lado.

Dumbledore ficou em pé. Contemplou Bartô Crouch por um momento com uma expressão de desgosto. Então ergueu sua varinha mais uma vez e dela voaram cordas, cordas que se prenderam em torno do bruxo, amarrando-o apertado. Ele se dirigiu, então, à professora McGonagall.

"Minerva, posso pedir a você que fique de guarda aqui enquanto levo Harry e Violett para cima?"

"Naturalmente.", ela parecia ligeiramente nauseada, como se tivesse acabado de ver alguém vomitar. Contudo, quando puxou a varinha e a apontou para Bartô Crouch, sua mão estava bem firme.

"Severo,", virou-se Dumbledore para o homem. "por favor, peça a madame Pomfrey para vir até aqui. Precisamos levar Alastor Moody para a ala hospitalar. Depois desça aos jardins, procure Cornélio Fudge e traga-o para esta sala. Com certeza ele vai querer interrogar Crouch pessoalmente. Diga-lhe que estarei na ala hospitalar dentro de meia hora, caso precise de mim."

Severo concordou silenciosamente com um aceno de cabeça e saiu da sala, não sem antes lançar um último olhar para a filha.

"Harry? Violett?", chamou Dumbledore gentilmente.

Harry se levantou e cambaleou; o garoto também estava tremendo.

Dumbledore segurou-o por um braço e Violett pelo outro.

"Quero que venham primeiro ao meu escritório.", disse o diretor baixinho, enquanto seguiam pelo corredor. "Sirius está nos esperando lá."

Violett concordou com a cabeça. Não estava prestando muita atenção, não queria ter que pensar em nada que acontecera desde que pusera a mão, pela primeira vez, na Taça Tribruxo. Não queria ter que examinar as lembranças, frescas e nítidas como fotografias, que não paravam de lampejar em sua mente.

Olho-Tonto Moody dentro do malão, Rabicho caído no chão, aninhando o toco do braço. Voldemort ressurgindo do caldeirão fumegante. Cedrico… Morto…

Cedrico pedindo para ela e Harry levarem seu corpo para os pais...

"Professor,", Harry murmurou a pergunta que Violett também se fazia. "onde estão o Sr. e a Sra. Diggory?"

"Estão com a Professora Sprout.", a voz de Dumbledore que estivera tão calma durante o interrogatório de Bartô Crouch tremeu levemente pela primeira vez. "Ela é a diretora da Casa de Cedrico e o conhecia melhor."

Tinham chegado à gárgula de pedra. Dumbledore disse a senha, ela saltou para o lado, e o diretor, Violett e Harry subiram a escada rolante circular até a porta de carvalho. Dumbledore abriu-a. Sirius estava parado ali. Seu rosto branco e ossudo como estivera quando fugira de Azkaban. Num átimo, ele atravessou a sala.

"Harry, você está bem? Eu sabia… Eu sabia que uma coisa assim… Que aconteceu?"

As mãos dele tremiam ao ajudar Harry a se sentar em uma cadeira diante da escrivaninha. Ele ajudou Violett também, mesmo a garota insistindo que estava bem.

"Que aconteceu?", perguntou mais pressuroso.

Dumbledore começou a contar a Sirius tudo que Bartô Crouch dissera.

Violett ouvia apenas com metade de sua atenção. Tão cansada que cada osso do seu corpo doía, ela só tinha vontade de ficar sentada ali, sossegada, durante horas e horas, até adormecer e não precisar mais pensar nem sentir nada. Ouviu-se um leve rumorejo de asas. Fawkes, a fênix, deixara o poleiro, voara pela sala e pousara no joelho de Harry.

"Alô, Fawkes.", disse o garoto de mansinho. E alisou a bela plumagem vermelha e dourada da ave. Fawkes piscou sem medo para ele.

Dumbledore parara de falar. Sentou-se diante de Harry e Violett, à escrivaninha.

Encarou o dois, Violett teve certeza de que Dumbledore ia interrogá-los

Ia fazer os dois desabafarem tudo.

"Preciso saber o que foi que aconteceu depois que vocês tocaram a Chave de Portal no labirinto.", disse o diretor.

"Podemos esperar até de manhã para isso, não Dumbledore?", disse Sirius com aspereza. Ele pousou uma mão no ombro de Harry e outra no de Violett. "Deixe os dois dormirem. Deixe-os descansar."

Violett sentiu um assomo de gratidão com relação à Sirius, mas Dumbledore não deu atenção às palavras deale. Curvou-se para Harry e Violett. A garota ergueu a cabeça e encarou aqueles olhos azuis.

"Se eu achasse que poderia ajudá-los", disse Dumbledore brandamente. "mergulhar vocês em um sono encantado e permitir que adiassem o momento em que terão de pensar no que aconteceu esta noite, eu faria isso. Mas sei que não posso. Amortecer a dor por algum tempo apenas a tornará pior quando vocês finalmente a sentirem. Vocês demonstraram uma coragem acima da que eu poderia ter esperado. Estou pedindo que a demonstrem mais uma vez. Estou pedindo que nos contem o que aconteceu."

A fênix deixou escapar uma nota branda e trêmula. A nota estremeceu no ar, e Violett sentiu como se uma gota de líquido morno tivesse descido por sua garganta até o estômago, aquecendo-a e lhe dando forças.

Ela inspirou profundamente e, junto com Harry, começou a contar oque acontecera. Enquanto falavam, visões de tudo que se passara àquela noite pareciam desfilar diante de seus olhos, ela viu a superfície borbulhante da poção que revivera Voldemort, viu os Comensais da Morte aparatando entre os túmulos em volta deles, viu o corpo de Cedrico, caído no chão ao lado da Taça.

Uma ou duas vezes, Sirius emitiu um som como se fosse falar alguma coisa, sua mão ainda apertando os ombros de Harry e de Violett, mas Dumbledore ergueu a mão para fazê-lo calar, e Violett se sentiu grata por isso, porque era mais fácil continuar agora que já começara. Era até um alívio, a garota teve a sensação de que alguma coisa venenosa estava sendo extraída dela, custava-lhe toda a determinação que possuía continuar falando, contudo, ela percebia que uma vez que tivesse terminado, iria se sentir melhor.

Quando Harry contou que Rabicho espetara seu braço com o punhal, porém, Sirius deixou escapar uma exclamação veemente e Dumbledore se levantou tão depressa que Violett se assustou. O diretor deu a volta à escrivaninha e pediu a Harry que esticasse o braço. O garoto mostrou aos três o lugar em que suas vestes estavam rasgadas e o corte sob as mesmas.

"Ele falou que o meu sangue o tornaria mais forte do que se usasse o de outro.", disse Harry a Dumbledore. "Falou que a proteção que minha… Minha mãe tinha deixado em mim, seria dele, também. E estava certo, ele pôde me tocar sem se machucar, ele tocou o meu rosto."

Por um instante fugaz, Violett viu um brilho que lembrava triunfo nos olhos do diretor. Mas no segundo seguinte teve certeza de que imaginara, porque quando Dumbledore voltou à cadeira atrás da escrivaninha, pareceu velho e cansado como a garota jamais o vira.

"Muito bem.", disse ao se sentar. "Voldemort superou esta barreira. Continuem, por favor."

Harry e Violett prosseguiram, explicaram como Voldemort emergira do caldeirão, e repetiram para eles tudo que conseguiu se lembrar do discurso do lorde aos Comensais da Morte, falaram sobre a oferta de Voldemort à Violett e a garota sentiu Sirius apertar seu ombro com um pouco mais de força. Então contaram como Voldemort desamarrara Harry, devolvera sua varinha e se preparara para duelar com ele e Violett.

Mas quando chegou à parte do raio de luz dourada que ligara a varinha de Harry à de Voldemort, Violett descobriu que o garoto tinha uma certa dificuldade para falar. Harry tentou continuar falando, mas não conseguia.

Até Violett ficou feliz quando Sirius rompeu o silêncio.

"As varinhas se ligaram?", perguntou ele, olhando de Harry e Violett para Dumbledore. "Por quê?"

Violett tornou a erguer os olhos para Dumbledore, em cujo rosto havia uma expressão tensa.

"Priori Incantatem.", murmurou.

"A reversão do feitiço?", perguntou Sirius alerta.

"Exatamente.", disse Dumbledore. "A varinha de Harry e a de Voldemort têm o mesmo cerne. Cada uma contém uma pena da cauda da mesma fênix. Com efeito, desta fênix.", acrescentou ele, apontando para a ave vermelha e dourada, empoleirada tranqüilamente no joelho de Harry.

"A pena da minha varinha veio de Fawkes?", perguntou Harry, admirado.

"Veio.", disse Dumbledore. "O Sr. Olivaras me escreveu dizendo que você comprara a segunda varinha, no instante em que você saiu da loja dele, há quatro anos."

"E porque eu fui jogada para trás?", perguntou Violett.

"Porque a sua varinha é diferente, não tem o mesmo núcleo, por isso as varinhas de Harry e de Voldemort te repeliram.", respondeu Dumbledore.

"Então o que acontece quando uma varinha encontra sua irmã?", perguntou Sirius.

"Elas não funcionam bem uma contra a outra. Se, no entanto, o dono de uma das varinhas forçar uma luta entre as varinhas… Produzirá um efeito muito raro. Uma das varinhas forçará a outra a regurgitar os feitiços que realizou, na ordem inversa. O mais recente primeiro… Depois os que o antecederam…"

O diretor olhou interrogativamente para Harry e o garoto confirmou com a cabeça.

"O que significa,", disse Dumbledore lentamente, seus olhos no rosto de Harry. "que alguma forma de Cedrico deve ter reaparecido."

Harry tornou a confirmar.

"Diggory voltou à vida?", perguntou Sirius abruptamente.

"Nenhum feitiço pode ressuscitar os mortos.", disse Dumbledore em tom sentencioso. "Só o que pode ocorrer é uma espécie de eco inverso. Uma sombra do Cedrico vivente teria emergido da varinha… Estou certo, Harry?"

"Ele falou comigo.", disse Harry. "O… O fantasma de Cedrico, ou o que seja, falou."

"É, comigo também, ele pediu para que eu ajudasse o Harry.", falou Violett.

"Aquilo era um eco. Um eco", disse Dumbledore. "que reteve a aparência e o caráter de Cedrico. Imagino que outras formas semelhantes tenham aparecido… Vítimas menos recentes da varinha de Voldemort…"

"Um velho,", respondeu Harry, com um aperto na garganta. "Berta Jorkins. E…"

"Seus pais?", perguntou Dumbledore calmamente.

"Foi."

As mãos de Sirius no ombros de Harry e Violett agora os apertavam com tanta força que chegava a doer.

"As últimas mortes executadas pela varinha.", confirmou Dumbledore com um aceno de cabeça. "Na ordem inversa. Mais teriam aparecido, é claro, se vocês continuassem a manter a ligação. Muito bem, esses ecos, essas sombras… Que foi que elas fizeram?"

Harry e Violett descreveram como as figuras que haviam saído da varinha tinham ficado rondando o interior da teia dourada, como Voldemort pareceu temê-las, como a sombra do pai de Harry lhe disse o que fazer, como a de Cedrico fizera um último pedido.

"E... A mãe de Harry... Ela... Ela me pediu para falar com meu pai."

"Pediu?", perguntou Dumbledore, interessado.

" É, ela falou que o perdoava, seja lá oque ele tenha feito. E o pai do Harry... Ele me pediu para pedir desculpas pro meu pai por ele, falou que mandava lembranças.", Violett teve a impressão de que Sirius esboçou um sorriso, mas não teve certeza.

Fawkes deixou o joelho de Harry e voou para o chão. Ela descansou a bela cabeça na perna machucada do menino, grossas lágrimas peroladas caíram dos seus olhos sobre a ferida feita pela aranha. A perna de Harry ficou boa.

"Vou repetir mais uma vez.", disse Dumbledore, quando a fênix levantou vôo e tornou a se acomodar em seu poleiro junto à porta. "Esta noite vocês revelaram uma bravura que ultrapassou o que eu teria esperado de vocês. Revelaram uma bravura igual à daqueles que morreram combatendo Voldemort no auge do seu poder. Vocês carregaram o fardo de um bruxo adulto e estiveram à altura dele, e vocês agora nos deram tudo o que temos direito a esperar. Vocês vão me acompanhar à Ala Hospitalar. Não quero que voltem para os dormitórios esta noite. Uma Poção do Sono e algum sossego… Sirius, você gostaria de ficar com Harry?

Sirius confirmou com a cabeça e se levantou. Tornou a se transformar no enorme cachorro preto e saiu com Harry, Violett e Dumbledore do escritório, acompanhando-os por um lance de escadas até a Ala Hospitalar.

Quando o diretor empurrou a porta, Violett viu a Sra. Weasley, Gui, Fred, Jorge, Rony e Hermione reunidos em torno de uma atarantada Madame Pomfrey. Pareciam estar exigindo saber onde estava ela e Harry e o que lhes acontecera.

Todos se viraram rapidamente quando Harry, Violett, Dumbledore e o cachorro preto entraram, e a Sra. Weasley deixou escapar um grito abafado:

"Harry! Violett!"

Ela fez menção de correr para os dois, mas Dumbledore se colocou entre os três.

"Molly,", disse ele, erguendo a mão. "por favor, ouça-me um momento. Harry e Violett passaram uma provação terrível esta noite. Acabaram de desabafá-la comigo. Do que eles precisam agora é de sono, paz e silêncio. Se eles quiser que vocês todos fiquem com eles,", acrescentou o diretor, abrangendo com o olhar Fred, Jorge, Rony, Hermione e Gui. "vocês podem ficar. Mas não quero que lhes façam perguntas até que eles estejam prontos para respondê-las e, certamente, não será hoje à noite."

A Sra. Weasley concordou com a cabeça. Estava muito pálida. Ela se virou para Fred, Jorge, Rony, Hermione e Gui, como se eles estivessem fazendo barulho, e sibilou:

"Vocês ouviram? Eles precisam de silêncio!"

"Diretor,", disse Madame Pomfrey, encarando o cachorro preto que era Sirius. "posso perguntar o que…"

"Este cachorro vai ficar com Harry por algum tempo.", disse Dumbledore com simplicidade. "Posso lhe assegurar que ele é muitíssimo bem treinado. Harry, Violett, vou esperar até vocês se deitarem."

Violett sentiu uma inexprimível gratidão a Dumbledore por pedir aos outros que não lhe fizessem perguntas. Não é que não os quisesse ali, mas a idéia de explicar tudo mais uma vez, de reviver tudo mais uma vez, era mais do que ela poderia suportar.

"Voltarei para vê-los assim que estiver com Fudge.", disse Dumbledore. " Gostaria que vocês ficassem aqui amanhã também, até eu me dirigir à escola.", e saiu.

Quando Madame Pomfrey levou Harry e Violett a duas camas próximas, a garota avistou o verdadeiro Moody deitado imóvel em uma cama no fundo da enfermaria. Sua perna de pau e o olho mágico estavam pousados na mesa-de-cabeceira.

"Ele está bem?", perguntou Harry, lendo os pensamentos de Violett.

"Ele vai ficar bom.", respondeu Madame Pomfrey, entregando pijamas aos dois e colocando biombos em volta deles. Violett despiu as vestes, pôs o pijama e entrou na cama. Madame Pomfrey retirou os biombos que separavam as camas de Harry e de Violett depois de se certificar que os dois já estavam de pijamas e Fred, Jorge, Rony, Hermione, Gui, a Sra. Weasley e o cachorro preto se sentaram em cadeiras dos lados das camas. Fred segurou a mão de Violett e lhe deu um sorrisinho.

" Você é impossível.", ele sussurrou.

"E é por isso que você gosta de mim.", falou a garota.

Os olhos da Sra. Weasley se encheram de lágrimas quando alisou as cobertas da cama de Harry sem a menor necessidade e depois passou pela cama de Violett, observando a garota e os gêmeos.

Madame Pomfrey, que acabara de sair apressada de sua sala, voltou segurando duas taças e um frasquinho contendo uma poção púrpura.

"Vocês vão precisar beber tudo isso. É uma poção para dormir sem sonhar."

A garota tomou o cálice e bebeu alguns goles. Sentiu-se sonolenta na mesma hora. Tudo ao seu redor ficou enevoado, ela teve a sensação de que seu corpo afundava cada vez mais no calor do edredom de penas. Antes que pudesse terminar a poção, antes que pudesse dizer mais alguma coisa, sua exaustão a adormeceu.

...

Violett acordou, tão quentinha, tão sonolenta, que nem abriu os olhos, sentindo vontade de adormecer outra vez. A enfermaria continuava fracamente iluminada, acreditava que ainda era noite e tinha a impressão de que não poderia ter dormido muito tempo. Então ouviu cochichos à sua volta.

"Vão acordá-los se não calarem a boca!"

"Por que é que estão gritando? Não pode ter acontecido mais nada ou pode?"

Violett abriu os olhos. Viu a Sra. Weasley e Gui ali perto. A bruxa estava em pé.

"É a voz de Fudge.", sussurrou ela. "E a outra é da Minerva McGonagall, não é? Mas por que estão discutindo?"

Agora Violett os ouvia também, gente gritando e correndo em direção à ala hospitalar.

"Lamentável, mas mesmo assim, Minerva…", dizia o ministro em voz alta.

"O senhor nunca deveria tê-lo trazido para o interior do castelo!", berrou a professora. "Quando Dumbledore descobrir…"

Violett viu as portas da enfermaria se escancararem. Sem as pessoas ao redor de sua cama notarem, pois todos tinham o olhar fixo na porta, Violett se sentou.

Fudge entrou em grandes passadas pela enfermaria. A professora McGonagall e seu pai vinham em seus calcanhares.

"Onde está Dumbledore?", Fudge interpelou a Sra. Weasley.

"Não está aqui.", disse a senhora zangada. "Isto é uma enfermaria, ministro, o senhor não acha que faria melhor…"

Mas a porta se abriu e Dumbledore entrou decidido.

"Que aconteceu?", perguntou energicamente, olhando de Fudge para McGonagall.

"Por que estão incomodando estas pessoas? Minerva, você me surpreende, eu lhe pedi para ficar vigiando Bartô Crouch…"

"Não há necessidade de vigiá-lo mais, Dumbledore!", gritou ela. "O ministro já providenciou isso!"

Violett nunca vira a professora se descontrolar daquele jeito.

Havia manchas vermelhas de raiva em seu rosto, as mãos estavam fechadas em punhos, ela tremia de fúria.

"Quando informei ao Sr. Fudge que tínhamos apanhado o Comensal da Morte responsável pelos acontecimentos desta noite,", disse Severo, em voz baixa. "parece que ele achou que sua segurança pessoal estava ameaçada. Insistiu em chamar um dementador para acompanhá-lo até o castelo. Levou-o para a sala em que Bartô Crouch…"

"Avisei a ele que você não concordaria, Dumbledore!", vociferou a professora McGonagall. "Avisei a ele que você não permitiria que dementadores entrassem no castelo, mas…"

"Minha cara senhora!", rugiu Fudge, que parecia igualmente mais zangado do que Violett jamais o vira. "Como Ministro da Magia, sou eu quem decide se quero trazer uma proteção pessoal quando vou entrevistar alguém possivelmente perigoso…"

Mas a voz da professora McGonagall abafou a de Fudge.

"No momento em que aquela… Aquela coisa entrou na sala,", berrou ela, apontando para Fudge, o corpo todo tremendo. "o dementador avançou para Crouch e… E…"

Violett sentiu um frio no estômago, enquanto a professora procurava encontrar palavras para descrever o que acontecera. A garota não precisou que ela terminasse a frase. Sabia o que o dementador devia ter feito. Aplicara o beijo fatal em Bartô Crouch. Sugara a alma do rapaz pela boca. Ele estava pior do que morto.

"Pelo que todos dizem, não se perdeu nada!", vociferou Fudge. "Ele parece ter sido responsável por várias mortes!"

"Mas ele agora não pode prestar depoimento, Cornélio.", disse Dumbledore, encarando Fudge com insistência, como se o visse direito pela primeira vez. "Ele não pode testemunhar por que matou essas pessoas."

"Por que ele as matou? Ora, isso não é mistério, é?", esbravejou o ministro. "Ele é doido de pedra! Pelo que Severo e Minerva me disseram, ele parecia pensar que tinha feito tudo isso seguindo instruções de Você-Sabe-Quem!"

"É, ele estava seguindo instruções de Lord Voldemort, Cornélio.", respondeu Dumbledore. "A morte dessas pessoas foi apenas um produto secundário do plano para restaurar as forças de Voldemort. O plano foi bem sucedido. Voldemort recuperou seu corpo."

Fudge parecia ter levado uma pancada violenta no rosto. Atordoado e piscando, ele olhou para Dumbledore como se não conseguisse acreditar no que acabara de ouvir. Começou a balbuciar, ainda de olhos arregalados para o diretor.

"Você-Sabe-Quem… Retornou? Absurdo. Ora, vamos, Dumbledore…"

"Conforme Minerva e Severo sem dúvida lhe contaram, ouvimos Bartô Crouch confessar. Sob a influência do Veritaserum, ele nos disse como foi contrabandeado para fora de Azkaban e como Voldemort, tendo sabido por Berta Jorkins que ele continuava vivo, foi libertá-lo da guarda do pai, e usou-o para capturar Harry e Violett. O plano funcionou, posso lhe garantir. Crouch ajudou Voldemort a retornar."

"Olhe aqui, Dumbledore,", disse Fudge, e Violett ficou espantada de ver o sorrisinho que apareceu no rosto do ministro. "você… Você não acredita seriamente nisso. Você-Sabe-Quem voltou? Ora, vamos, ora vamos… Com certeza Crouch deve ter acreditado que estava agindo sob as ordens de Você-Sabe-Quem, mas aceitar a palavra de um doido daqueles, Dumbledore…"

"Quando Harry e Violett tocaram na Taça Tribruxo esta noite, eles foram transportados diretamente até Voldemort.", disse Dumbledore com firmeza. "Eles presenciaram o renascimento de Lord Voldemort. Explicarei tudo a você se quiser vir ao meu escritório."

Dumbledore olhou para Harry e Violett e viu que o dois estava acordados, mas sacudiu a cabeça e disse:

"Receio que não possa permitir que você interrogue mem Harry nem Violett hoje."

O curioso sorriso de Fudge perdurou. Ele também olhou para Harry e Violett, depois se voltou para Dumbledore:

"Você está… Hum… Disposto a aceitar a palavra deles neste caso, Dumbledore?"

Houve um momento de silêncio, interrompido por um rosnado de Sirius. Tinha os pêlos do pescoço em pé e seus dentes se arreganharam para Fudge.

"Certamente que acredito neles.", disse Dumbledore. Seus olhos brilharam de fúria. "Ouvi a confissão de Crouch e ouvi o relato de Harry e Violett sobre o que aconteceu quando eles tocaram a Taça Tribruxo, as duas histórias fazem sentido, explicam tudo que tem acontecido desde que Berta Jorkins desapareceu no verão passado."

Fudge ainda conservava aquele sorriso estranho no rosto. Olhou mais uma vez para Harry e então para Violett antes de responder.

"Você está disposto a acreditar que Lord Voldemort voltou, porque assim dizem um assassino louco e dois adolescentes, sendo que um… Bem…" Fudge lançou a Harry mais um olhar.

"O senhor tem andado lendo Rita Skeeter, Sr. Fudge.", disse ele calmamente.

Fred, Jorge, Rony, Hermione, a Sra. Weasley e Gui, todos se assustaram. Nenhum deles percebera que Harry estava acordado, olharam para Violett e constataram que a garota também estava acordada. Fudge corou ligeiramente, mas surgiu em seu rosto uma expressão de desafio e obstinação.

"E se tiver?", perguntou, fitando Dumbledore. "E se descobri que você me tem ocultado certos fatos sobre o garoto? Ofidioglota, é? E tem desmaios esquisitos a toda hora?…"

"Presumo que você esteja se referindo às dores que Harry tem sentido na cicatriz?", perguntou Dumbledore friamente.

"Você admite que ele tem tido dores, então?", perguntou Fudge depressa. "Dores de cabeça? Pesadelos? Possivelmente… Alucinações?"

"Escute aqui, Cornélio.", disse Dumbledore dando um passo para perto de Fudge, e mais uma vez parecendo irradiar aquela indefinível aura de poder.

"Harry é tão mentalmente são quanto eu ou você. Aquela cicatriz na testa não afetou o cérebro dele. Acredito que doa quando Lord Voldemort está por perto ou experimente sentimentos assassinos."

Fudge se afastara meio passo de Dumbledore, mas não parecia menos obstinado.

"Você vai me perdoar, Dumbledore, mas ouvi falar em uma cicatriz deixada por um feitiço funcionar como uma campainha de alarme antes…"

"Olhe, eu vi Voldemort ressurgir!", gritou Harry. Ele tentou novamente se levantar da cama, mas a Sra. Weasley forçou-o a deitar. " Eu e Violett! Vimos os Comensais da Morte! Podemos dar os nomes, não?", Violett concordou. "Lúcio Malfoy…"

Severo fez um movimento repentino, mas quando Violett se virou, o olhar de seu pai retornara a Fudge.

"Malfoy foi inocentado!", disse Fudge visivelmente afrontado. "Uma família muito antiga, doações para causas excelentes…"

"Mcnair!", falou Violett

"Também inocentado! Agora trabalha para o Ministério!"

"Avery, Nott..."

"Crabbe, Goyle."

"Vocês estão apenas repetindo os nomes dos que foram absolvidos da acusação de serem Comensais da Morte há treze anos!", disse Fudge zangado. "Poderiam ter achado esses nomes em relatórios antigos sobre os julgamentos! Pelo amor de Deus, Dumbledore, os garotos estiveram com a cabeça cheia de histórias malucas no fim do ano passado, também, as invencionices deles estão cada vez mais mirabolantes, e você continua a engoli-las, o garoto é capaz de falar com cobras, Dumbledore, e você ainda acha que ele merece confiança?"

"Seu tolo!", exclamou a professora McGonagall. "Cedrico Diggory! O Sr. Crouch! Estas mortes não foram o trabalho aleatório de um doido!"

"Não vejo nenhuma evidência em contrário!" gritou Fudge, agora equiparando sua raiva à da professora, o rosto roxo. "Parece-me que vocês estão decididos a começar uma onda de pânico que irá desestabilizar tudo pelo que trabalhamos nesses últimos treze anos!"

Violett não conseguiu acreditar no que estava ouvindo. Sempre pensara em Fudge como uma pessoa bondosa, um pouco espalhafatosa, um pouco pomposa, mas de índole essencialmente boa. Mas agora via à sua frente um bruxo baixo e furioso, que se recusava terminantemente a aceitar a perspectiva de um esfacelamento do seu mundo confortável e ordeiro, a acreditar que Voldemort pudesse ter ressurgido.

"Voldemort me pediu para ser Comensal!", falou a garota, explodindo.

" Ora, você é menor de idade, ele não pediria, até porque ele não retornou!"

"Voldemort retornou.", repetiu Dumbledore. "Se você aceitar imediatamente este fato, Fudge, e tomar as medidas necessárias, talvez ainda possamos salvar a situação. O primeiro passo, e o mais essencial, é retirar Azkaban do controle dos dementadores…"

"Que despropósito!", gritou outra vez Fudge. "Retirar os dementadores! Eu seria chutado do Ministério se sugerisse uma coisa dessas! Metade da população só se sente segura quando se deita à noite porque sabe que os dementadores estão guardando Azkaban!"

"A outra metade não dorme tão bem, Cornélio, porque sabe que você deixou os seguidores mais perigosos de Lord Voldemort aos cuidados de criaturas que irão se juntar a ele no momento em que ele pedir!", retorquiu Dumbledore. "Eles não irão permanecer leais a você, Fudge! Voldemort pode oferecer um espaço muito maior para os poderes e prazeres deles do que você! Com os dementadores a apoiá-lo, e a volta dos seus antigos seguidores, você vai ter muita dificuldade para impedi-lo de reconquistar o poder que tinha há treze anos!"

Fudge abria e fechava a boca como se não tivesse palavras para expressar sua indignação.

"A segunda medida que você precisa tomar, e imediatamente,", continuou Dumbledore. "é mandar enviados aos gigantes."

"Enviados aos gigantes!", gritou o ministro em tom agudo, afinal recuperando a fala. "Que loucura é essa?"

"Estenda-lhes a mão da amizade, agora, antes que seja tarde demais ou Voldemort irá persuadi-los, como já fez antes, que somente ele entre os bruxos concederá aos gigantes direitos e liberdade!"

"Você… Você não pode estar falando sério!", exclamou Fudge, sacudindo a cabeça e se afastando um pouco mais de Dumbledore. "Se a comunidade mágica ouvir falar que eu procurei os gigantes, as pessoas os odeiam, Dumbledore… A minha carreira termina…"

"Você está cego de amor", disse Dumbledore, sua voz elevando-se agora, a aura de poder palpável ao seu redor, seus olhos mais uma vez em brasas. "pelo cargo que ocupa Cornélio! Você atribui demasiada importância, como sempre fez, à chamada pureza do sangue! Você não consegue reconhecer que não faz diferença quem a pessoa é ao nascer, mas o que ela vai ser ao crescer! O seu dementador acabou de destruir o último membro de uma família de sangue puro tão antiga quanto a de outros, e veja em que foi que ele transformou a própria vida! Digo-lhe agora, tome as medidas que sugeri e você será lembrado, no cargo ou fora dele, como um dos Ministros da Magia mais corajosos e sábios que já conhecemos. Não faça nada, e a história irá lembrá-lo como o homem que se omitiu e permitiu que Voldemort tivesse uma segunda oportunidade de destruir o mundo que tentamos reconstruir!"

"Está demente...", sussurrou Fudge, ainda se afastando. "Enlouqueceu…"

E então, todos se calaram. Madame Pomfrey estava postada, imóvel aos pés da cama de Violett, as mãos cobrindo a boca. A Sra. Weasley continuava curvada para Harry, a mão no ombro do garoto para impedi-lo de se levantar. Gui, Fred, Jorge, Rony e Hermione tinham os olhos arregalados para Fudge.

"Se a sua determinação de fechar os olhos levou você a esse ponto, Cornélio,", disse Dumbledore. "chegou o momento em que os nossos caminhos se separam. Você fará o que acha que deve. E eu agirei como acho que devo."

A voz de Dumbledore não continha sequer uma sugestão de ameaça, parecia fazer uma simples constatação, mas Fudge se encrespou como se Dumbledore estivesse avançando para ele com a varinha em punho.

"Agora, escute aqui Dumbledore.", disse sacudindo o dedo na cara do diretor. "Eu sempre o deixei agir livremente. Tenho muito respeito por você. Posso não ter concordado com algumas de suas decisões, mas fiquei calado. Não existe muita gente que deixaria você contratar lobisomens ou manter Hagrid ou decidir o que ensinar aos seus alunos, sem consultar o Ministério. Mas se você vai trabalhar contra mim…"

"A única pessoa contra quem pretendo trabalhar é Lord Voldemort. Se você é contra ele, então continuamos, Cornélio, do mesmo lado."

Aparentemente Fudge não conseguiu pensar que resposta dar a Dumbledore. Balançou-se para frente e para trás sobre os pés diminutos por um momento, girando o chapéu-coco nas mãos. Finalmente, disse, com um quê de súplica na voz:

"Ele não pode estar de volta, Dumbledore, simplesmente não pode…"

Severo se adiantou, passou por Dumbledore, ao mesmo tempo em que levantava a manga esquerda de suas vestes. Esticou o braço e mostrou-o a Fudge, que se retraiu.

"Olhe.", disse Severo asperamente. "Olhe. A Marca Negra. Não está tão nítida quanto estava há pouco mais de uma hora, quando ficou realmente negra, mas o senhor ainda pode vê-la. O Lord das Trevas marcou com este sinal todos os Comensais da Morte. Era uma maneira de nos reconhecermos e um meio de nos convocar à presença dele. Quando ele tocava a Marca de qualquer comensal, devíamos desapararar e apararar instantaneamente ao seu lado. A Marca se tornou mais nítida durante esse ano. A de Karkaroff também. Por que o senhor acha que o professor fugiu esta noite? Nós dois sentimos a Marca queimar. Nós dois sabíamos que ele havia voltado. Karkaroff teme a vingança do Lord das Trevas. Ele traiu muitos companheiros comensais para ter ilusões de ser bem recebido no seio do rebanho."

Fudge recuou para longe de Severo, também. Sacudiu a cabeça. Não parecia ter absorvido uma única palavra do que Severo era dissera. Olhava, aparentemente repugnado, para a feia Marca no braço de Severo, depois ergueu os olhos para Dumbledore e murmurou:

"Não sei do que você e seus professores estão brincando, Dumbledore, mas já ouvi o bastante. Não tenho nada a acrescentar. Entro em contato com você amanhã para discutirmos a administração da escola. Preciso voltar ao Ministério."

Já chegara quase à porta quando parou. Virou-se, voltou para a enfermaria e se deteve entre as camas de Harry e de Violett.

"Decidam quem fica com o prêmio.", disse, tirando uma grande bolsa de ouro do bolso e largando-a na meda de cabeceira de Harry. "Mil galeões. Deveria ter havido uma cerimônia de premiação, mas nas circunstâncias…"

E enfiando seu chapéu-coco na cabeça, ele saiu da enfermaria, batendo a porta ao passar. No instante em que desapareceu, Dumbledore se voltou para o grupo ao redor das camas de Harry e de Violett.

"Temos trabalho a fazer.", disse. "Molly… Estou certo em pensar que posso contar com você e Arthur?"

"Claro que pode.", disse a Sra. Weasley. Estava pálida até nos lábios, mas parecia decidida. "Ele sabe quem Fudge é. É a afeição de Arthur por trouxas que o tem mantido no Ministério todos esses anos. O ministro acha que falta a ele o orgulho que espera de um bruxo."

"Então preciso mandar uma mensagem a ele.", disse Dumbledore. "Todos os que pudermos persuadir da verdade devem ser avisados imediatamente, e Arthur está bem colocado para entrar em contato com as pessoas no Ministério que não sejam tão míopes quanto o Cornélio."

"Vou procurar papai.", disse Gui, levantando-se. "Vou agora."

"Excelente.", exclamou Dumbledore. "Diga-lhe o que aconteceu. Diga-lhe que entrarei em contato com ele em breve. Mas que ele precisa ser discreto. Se Fudge achar que estou interferindo no Ministério…"

"Pode deixar comigo.", disse Gui.

O rapaz deu uma palmadinha no ombro de Harry, acenou para Violett, beijou a mãe no rosto, vestiu a capa e saiu rapidamente da enfermaria.

"Minerva,", disse Dumbledore virando-se para a Professora McGonagall. "quero ver Hagrid no meu escritório o mais depressa possível. E também, se ela concordar em vir, Madame Maxime."

A professora aquiesceu com um aceno de cabeça e saiu sem dizer nada.

"Papoula,", disse Dumbledore a Madame Pomfrey. "será que você me faria a gentileza de ir à sala do Professor Moody, onde acho que encontrará lá um elfo doméstico chamado Winky em grande sofrimento? Faça o que puder por ela e leve-a de volta à cozinha. Acho que Dobby cuidará dela para nós."

"Claro… Claro que sim.", respondeu a enfermeira parecendo espantada, e ela também saiu.

Dumbledore certificou-se de que a porta estava trancada e que o ruído dos passos de Madame Pomfrey tinha morrido na distância, antes de tornar a falar.

"E agora,", disse ele. "está na hora de duas pessoas deste grupo se reconhecerem pelo que são. Sirius… Se puder retomar sua forma habitual."

O cachorrão preto ergueu a cabeça para o diretor, depois, num segundo, voltou a ser homem. A Sra. Weasley gritou e se afastou da cama.

"Sirius Black!", tornou a gritar ela com voz aguda, apontando para o bruxo.

"Mamãe, cala a boca!", berrou Rony. "Está tudo bem!"

"É, Sra. Weasley, ele é legal.", falou Violett, piscando para Fred e Jorge.

Severo não gritara nem saltara para trás, mas a expressão do seu rosto era uma mescla de fúria e horror.

"Ele!", rosnou Severo, arregalando os olhos para Sirius, cujo rosto exprimia igual desagrado. "Que é que ele está fazendo aqui?"

"Está aqui a meu convite,", disse Dumbledore, olhando para ambos. "como você, Severo. Confio nos dois. Está na hora de porem de lado as velhas diferenças e confiarem um no outro."

Violett achou que Dumbledore estava pedindo quase um milagre. Sirius e seu pai se entreolhavam com a maior repugnância.

"Aceitarei, a curto prazo,", disse Dumbledore, com uma certa impaciência na voz. "que suspendam as hostilidades ostensivas. Os dois apertem as mãos. Estão do mesmo lado agora. O tempo é curto e, a não ser que os poucos de nós que conhecem a verdade se mantenham unidos, não haverá esperança para ninguém."

Muito devagar, mas ainda se olhando feio como se não desejassem um ao outro se não o mal, Sirius e Severo se aproximaram e apertaram as mãos. Mas as soltaram bem rápido.

"Já é o bastante para começar.", disse o diretor se interpondo aos dois homens mais uma vez. "Agora tenho trabalho para cada um de vocês. A atitude de Fudge, embora não seja inesperada, muda tudo, Sirius. Preciso que você comece imediatamente. Alerte Remo Lupin, Arabella Figg, Mundungo Fletcher, a turma antiga. Fique escondido com Lupin por enquanto, entrarei em contato com você lá."

"Mas…", começou Harry.

"Você voltará a me ver em breve, Harry.", disse Sirius, virando-se para o afilhado. "Prometo. Mas preciso fazer o que posso, você compreende, não?"

"Claro. Claro… Que sim."

Sirius apertou a mão de Harry brevemente, se despediu de Dumbledore com um aceno da cabeça, voltou a se transformar em cachorro preto e correu para a porta, cuja maçaneta abriu com a pata. Então desapareceu.

"Severo,", disse Dumbledore, voltando-se para Severo. "você sabe o que preciso lhe pedir para fazer. Se estiver disposto… Se estiver preparado…"

"Estou.", disse Severo.

O homem parecia um pouco mais pálido do que o habitual, e seus olhos frios e negros brilharam estranhamente.

"Então, boa sorte."

"Diretor.", falou Violett, chamando a atenção de todos para si.

" Sim?"

"Hum... Eu... Posso falar com meu pai? Antes dele sair pra fazer seja lá oque ela vai fazer. Posso?"

Severo pareceu um tanto esperançoso quando olhou para a filha.

"Pode sim. Bem, creio que você terá que esperar para sair, Severo."

"Claro."

"Preciso ir lá embaixo.", disse finalmente. "Preciso ver os Diggory. Verei todos vocês mais tarde."

Dumbledore então saiu, deixando todos em completo silêncio por um tempo.

"Podem dar licença?", perguntou Violett para os gêmeos que rodeavam sua cama. Eles concordaram e Violett ficou um tempo olhando para Severo.

" Oque foi?", ele perguntou, chegando mais perto da cama da filha.

"Duas pessoas pediram para eu te passar um recado."

"Fale então.", Violett suspirou.

"A mãe do Harry me falou que te perdoa, seja lá oque você tenha feito. Provavelmente ela não sabia que você é Comensal.", Severo estava em choque. Como Violett falar com Lilian? " E o segundo e do pai do Harry, ele te pediu desculpas e mandou lembranças, ele é simpático... ", Severo cerrou os punhos.

"Como você falou com eles?"

"Fale com o Dumbledore, eu não entendi a história muito bem, alguma coisa de Priori Incantatem... Bom, era isso que eles pediram para falar, mas agora eu quero te falar uma coisa."

"Sim?", perguntou Severo, erguendo uma das sombrancelhas. Violett notou que ele ainda tinha um pouco de esperança. Ela ficou séria

"Não espere que eu te perdoe, porque eu não vou, se eu tive que entrar naquela labirinto foi por sua culpa. Por você ser... Isso.", ela olhou para o braço esquerdo de Severo e então ergueu seus olhos para os dele. "Não vamos nos ver no verão, pelo menos eu acho que não."

"E porque não iríamos? Moramos na mesma casa, Violett, e sou seu pai, mesmo que não goste disso.", Severo parecia irritado.

"Não te interessa, só não vamos."

"Você não iria embora, não pode."

"Espere para ver, professor.", falou Violett em tom de desafio.

Severo suspirou.

" Tenho que ir, se era só isso que tinha para falar."

"Era, pode ir para os seus amiguinhos, talvez seu amo precise de você."

Severo se virou para ir embora, se sentindo derrotado, falaria com Violett depois, mas uma coisa lhe ocorreu antes dele sequer se afastar da cama da filha e ele se virou.

"Você disse que o Lord das Trevas te pediu para ser Comensal, oque você respondeu?"

"Que seria me rebaixar ao máximo se aceitasse."

Severo olhou para Violett como se aquilo lhe doesse muito, como se deixá-la fosse doloroso demais, mas ele foi, Severo saiu da Ala Hospitalar, sentindo-se rebaixado ao máximo.

Assim que Severo saiu, Harry se manifestou.

"Pode ficar com o dinheiro, Violett, não o quero."

"Nem eu, não quero um dinheiro que custou a vida de alguém."

E então, pegando o cálice com o resto da Pocao do Sono, bebeu-a em um só gole. O efeito foi instantâneo. Ondas pesadas e irresistíveis de sono sem sonhos a envolveram, ela tombou sobre os travesseiros e não pensou mais, a última coisa que sentiu foi Fred pegando sua mão novamente.


Notas Finais


Eu juro solenemente que não vou fazer nada de bom!
Cap meio grande mas é que acabei juntando várias partes e deu nisso, espero que gostem.
Acho que depois de amanhã ou amanhã mesmo se eu postar dois caps hoje, já começa a parte da Ordem da Fênix, então, deixem suas sugestões para oque querem ver no último ano da Violett.
Malfeito Feito!


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