História A Filha de Tobias - Capítulo 1


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Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Precisamos Conversar


Fanfic / Fanfiction A Filha de Tobias - Capítulo 1 - Precisamos Conversar

— Nossa filha é linda, não é, Tobias? — Agatha, a esposa de Tobias, pergunta ao marido sorrindo docemente. Ambos estavam em sua tenda, observando de longe a jovem Mayuri, que tecia.

— Muito. Assim como a mãe. — Tobias sorri apaixonado.

— Tobias, quando contará a verdade para Mayuri? — Agatha encara o esposo.

— Já conversamos sobre isso, Agatha. Agora não é o momento certo para que Mayuri fique sabendo do passado. — Tobias desvia o olhar, incomodado.

— Não é o momento certo ou você não quer contar? — Agatha segura o rosto de Tobias com suas duas mãos, fazendo-o encará-la. Ele se afasta. — Mayuri já tem 20 anos. Ela merece saber tudo o que você aprontou anos atrás. — Sussurrou.

— Por que quer tanto que ela saiba? — Tobias pergunta.

— Não é justo que haja omissões entre nós três. — Agatha responde e Tobias fica em silêncio, olhando para o chão. — Tudo bem. Se você não quer contar, eu mesma conto. — Agatha começa a caminhar, porém Tobias a puxa para perto dele pelo braço.

— Tá bom... eu conto. — Suspirou o hebreu.

— Muito bem. Vá lá. — Agatha sorri fraco e ambos se aproximam da filha.

— Shalom, filha. — Os dois dizem em uníssono.

— Shalom, mãe. Shalom, pai. — Mayuri sorri docemente e interrompe sua tecelagem.

Um silêncio reina por alguns segundos, até que Agatha decide quebrar o gelo.

— Filha... o seu pai quer conversar com você. — A hebreia se senta em uma cadeira e Tobias em outra, ambos ficando de frente para a filha.

— Eu não fiz nada... pelo menos até agora. — Mayuri já se adianta.

— Não vamos lhe dar sermão. — Tobias sorri pacífico.

— Ainda bem. — Mayuri suspira aliviada.

— Sabe o Zaqueu? — Tobias pergunta, suspirando fundo.

— Aquele que você odeia sem nenhum motivo? — Mayuri arqueia uma sobrancelha.

— É... — Tobias responde incomodado.

— O que tem ele? Não me diga que você aprontou com ele novamente... ah, se você fez isso, eu... — Mayuri é interrompida pelo pai.

— Eu não fiz nada! — Tobias exclama. — Eu vim aqui conversar com você para esclarecer porque o odeio tanto. — Explicou.

— Vá em frente. — Mayuri suspira.

— Bem... — Tobias suspira fundo, se preparando para contar tudo. — Tudo começou quando Iru me desafiou para um duelo às margens do rio.

— O Iru?! — Mayuri fica surpresa.

— Sim. — Confirma Tobias.

— E por que aceitou? Você sabe que é muito grave um hebreu lutar contra outro hebreu, e que isso pode nos prejudicar bastante! — Alertou Mayuri.

— Sim, eu sei. Mas se eu rejeitasse, ele me chamaria de fraco, e você sabe que eu não sou de engolir desaforo dos outros. — Diz Tobias. — Mas não fui o único a duelar com ele. Iru também desafiou Elidade e Maquir para um duelo, e ambos aceitaram. Porém Rune preferiu lutar no lugar de Elidade, pai de sua esposa. No dia do duelo, fomos inesperadamente atacados por cananeus. Éramos poucos, e eles eram muitos.

— Cananeus! Estamos sendo atacados! — Quemuel grita alarmado, e os hebreus apanham suas espadas afiadas.

Tobias estava afastado dos demais, segurando sua espada, sozinho, aguardando algum inimigo se aproximar para matá-lo. Aproveitando a distração do hebreu, vários cananeus o cercaram.

Salmon, o melhor guerreiro hebreu, também se encontrava em perigo. Apesar de ser muito habilidoso, era apenas um contra os muitos inimigos que o cercavam.

— Zaqueu, me ajude! — Salmon gritou em apuros.

O arqueiro se aproxima correndo e mata os homens que colocavam a vida de Salmon em risco.

— Obrigado. — Salmon coloca sua mão sobre o ombro de Zaqueu.

Enquanto isso, Tobias era levado à força pelos cananeus que o rodeavam. Tentava se soltar deles, mas em todas as tentativas era malsucedido.

— Zaqueu! — Gritou Tobias, se debatendo. — Se eu for assassinado ou levado por esses homens, a culpa será sua! — Gritou com raiva.

Zaqueu observava Tobias ser levado pelos homens.

— Vá lá. — Sussurrou Salmon para o arqueiro, que assente e se aproxima, até que um cananeu entra na frente e Zaqueu é obrigado a guerrear com ele. Mas ninguém podia fazer mais nada, pois já era tarde. Tobias havia sido levado.

— Mesmo em pouca quantidade, os hebreus conseguiram vencer a batalha, mas infelizmente dois foram capturados pelos cananeus: eu e Uzi. — Tobias abaixa o olhar.

— Você foi levado pelos inimigos? — Mayuri estava boquiaberta.

— Fui. E eu sofri muito no caminho. — Tobias diz com a voz embargada. — Eu estava com as mãos amarradas e preso em um cavalo. O cananeu fazia questão de cavalgar mais rápido para que o cavalo me puxasse e eu caísse no chão...

— Não acredito que perdemos a batalha para aqueles imundos! — Reclama o comandante Tibar, temido por toda a Jericó.

— Mas veja o lado bom, comandante: conseguimos capturar dois deles! — Disse o oficial Kadmo entre risos.

— É verdade. — Tibar dá uma risadinha, cavalgando seu cavalo. — Está confortável aí, hebreu? — Perguntou olhando para Tobias, que estava com as mãos amarradas com uma corda que estava presa no cavalo, o arrastando pelo chão.

— Tenha piedade! — Tobias exclama se levantando, mas a única resposta que recebe é algumas risadas.

No cavalo de Kadmo, estava preso e amarrado Uzi, que também foi capturado. Estava angustiado, mas confiava em seu Deus.

— Tenha piedade, senhor! — Tobias grita entre lágrimas.

— Pare de falar, hebreu! — Tibar grita entre risos. — Aceita que você é um derrotado! — Gritou e começou a cavalgar mais rápido, para que o cavalo puxasse Tobias e o hebreu caísse no chão.

— Eu vou morrer! Eu vou morrer! — Tobias grita entre lágrimas, caindo no chão, sendo puxado pelo cavalo. O hebreu grita com agonia quando a terra começa a abrir seu rosto.

— Foi por causa disso que você tem um lado do rosto deformado? — Mayuri pergunta horrorizada com tamanha maldade.

— Sim, minha filha. — Tobias chora.

— Oh, meu marido... — Agatha passa a mão pelo ombro de Tobias, o acariciando.

— E... e quando você chegou em Jericó, pai? Como foi? — Perguntou Mayuri.

— Foi horrível. Zombavam de mim o tempo todo e me olhavam como se eu pertencesse a outro mundo. Mas, para minha sorte, encontrei um homem que me ajudou e se tornou meu melhor amigo, o Zuma. Ainda bem que ele veio para o acampamento. — Diz Tobias.

— Bem-vindo à sua cela, hebreu. — Tibar diz entre risos, jogando Tobias para dentro das masmorras de Jericó, e fecha a porta.

— Você me paga! Você me paga! — Tobias grita revoltado e começa a andar de um lado para o outro pela masmorra. 

— Ei, calma. — Um homem negro e forte se aproxima de Tobias.

— Como você quer que eu me acalme em uma situação dessas?! — Tobias continua a andar de um lado para o outro.

— Sei que é difícil. Mas descontar sua raiva em mim ou em qualquer outra pessoa não vai adiantar. — O homem diz calmo. Parecia ser doce e sereno.

— Quem é você? — Tobias o encara.

— Eu me chamo Zuma. E você? — Perguntou.

— Tobias. — Tobias responde se afastando de Zuma.

— E por que você veio parar aqui, Tobias? — Perguntou Zuma.

— Os cananeus invadiram o acampamento hebreu e me capturaram. — Tobias responde com raiva.

— Entendo. E o que aconteceu com o seu rosto? — Zuma apanhava alguns curativos.

— Fui arrastado por um cavalo, e meu rosto batia toda hora no chão. Isso o machucou e o abriu. — Disse Tobias, explicando porque um lado de sua face estava desfigurado.

— Vamos dar um jeito nisso. — Zuma disse segurando algumas coisas que ajudariam a cicatrizar as feridas de Tobias.

**

— Por que está me ajudando? Era para estar zombando da minha cara, assim como todo mundo. — Tobias pergunta.

— Zombar de você por que, se eu passei por algo pior? — Zuma perguntou e o hebreu ficou em silêncio. — Eu era rei da Núbia. — Disse, molhando um pano para passar no rosto de Tobias.

— Rei da Núbia?! — Tobias pergunta surpreso.

— Sim. — Zuma suspira fundo. — Mataram minha mulher, meus filhos, súditos... acabaram com o meu reino. Me escravizaram, vim parar nessa masmorra e me tornei gladiador do rei Marek. — Disse tristemente.

— Uau... — Tobias fica sem palavras.

— Eu luto com outros homens e tenho que matá-los diante de todos para sobreviver e entreter o rei. Já matei mais de 100 guerreiros. Eu não gosto disso, mas é a única saída que tenho para permanecer vivo. — Zuma suspira triste. — Mas eu só quero que saiba que tenho boas intenções.

— Assim como Zuma, fui obrigado a me tornar lutador do rei para entretê-lo. Eu guerreava com homens diante de todos, e era obrigado a vencer e matá-los. Porque se eu perdesse, o ganhador me mataria. Zuma e eu lutamos várias vezes, e tenho que admitir que ele é um ótimo guerreiro, em todas as lutas venceu. Mas em nenhuma delas quis me matar. Muitas vezes era maltratado pelo rei Marek por causa disso, mas ele não se importava. — Tobias passa a mão pelo rosto, enxugando as lágrimas. — Dias depois, Uzi foi levado para um sacrifício mortal...

— Viva o rei Marek e a rainha Kalesi! Viva o rei Marek e a rainha Kalesi! — Glorificavam os moradores de Jericó ao ver o sacerdote Merodaque apanhando uma adaga para sacrificar Uzi.

— Uzi! Uzi! — Tobias gritava o mais alto que podia, no meio da multidão.

— Tobias! — Exclama Uzi olhando para o amigo.

— Não se preocupe, Uzi, eu vou te tirar daí! — Tobias tenta se aproximar da mesa de sacrifício, mas um cananeu o empurra para longe.

— Se tentar se aproximar mais uma vez, também será uma oferenda aos nossos deuses. — Ameaçou o cananeu.

— Que droga! — Tobias exclama com raiva.

— Se acalme, Tobias. — Disse Zuma.

— Como vou me acalmar sabendo que um inocente vai ser morto injustamente para deuses que nem existem?! Preferia estar sendo sacrificado do que ver um amigo meu numa mesa de sacrifício! — Exclama Tobias. — Uzi é um homem tão bom, Zuma. Ele não merecia isso! Não merecia! — Tobias chora.

De repente, escuta-se um grito angustiante. Uzi morreu.

— Fui o único hebreu que restou ali. Fiquei sendo maltratado, humilhado, alvo de chacota. Uzi também foi capturado por culpa de Zaqueu, e morreu porque esse infeliz não fez nada para salvá-lo no confronto contra os cananeus! — Tobias exclama irritado.

— Pai... Zaqueu não teve culpa do rapto de Uzi. — Diz Mayuri.

— Claro que teve! E do meu também! Ele não fez nada para me ajudar, eu poderia ter sido sacrificado assim como Uzi! — Grita Tobias.

— Mas não foi! — Exclama Mayuri. — Culpar Zaqueu não vai apagar o teu passado, as marcas do teu rosto nem amenizar sua dor. Só vai te trazer mais problemas.

— Mas vai fazer ele ter consciência do que fez! Eu não vou descansar enquanto aquele infeliz não sofrer mais do que tudo o que eu sofri! — Tobias se levanta.

— Pai, pare com isso! — Mayuri levanta a voz.

— Aquele imundo ainda teve a audácia de vir falar comigo depois de tudo o que me fez. — Tobias range os dentes, de costas para a filha.

— Tobias? — Zaqueu se aproxima e deposita uma das mãos sobre o ombro do guerreiro.

— O que quer? — Tobias se vira e encara o arqueiro.

— Você não sabe o quanto fiquei amargurado com o seu rapto. — Zaqueu desabafa. — Obrigado por ter sofrido por todos nós. — O hebreu olhou nos olhos de Tobias e lhe estende uma das mãos. Tobias o encara com nojo e se retira, constrangendo Zaqueu.

— Você poderia ao menos ter apertado a mão dele, pai. Que falta de elegância da sua parte. — Mayuri diz indignada.

— Sou muito sincero, não ia fingir ser legal com ele. Principalmente depois de tudo o que ele me fez. — Diz Tobias.

— Zaqueu não te fez nada. — Esclareceu Mayuri.

— Claro que fez! Por causa dele me chamam de Monstro Hebreu! — Exclama Tobias.

— Aqui está o imundo, soberano. — Disse Tibar, segurando Tobias com força hebreu diante do rei Marek.

— Que rosto mais feio! — O rei debocha do lado deformado da face de Tobias e começa a rir. — Parece um monstro... tá aí... um monstro hebreu.

— Um dia depois da minha volta ao acampamento, fui para o treino e encontrei aquele imprestável lá. — Diz Tobias.

— Oi, Tobias. — Cumprimenta Otniel ao ver Tobias adentrando a área de treinamento.

— Tobias. — Zaqueu se aproxima. — Que bom te ver por aqui! — Ele sorri.

— Não me venha com falsidade, Zaqueu. — Tobias disse, curto e grosso.

— Que é isso, Tobias? Eu realmente estou feliz por te ter aqui. Fiquei angustiado com seu rapto. — Desabafou o arqueiro.

— Angustiado por que não aguentava sentir a culpa? — Tobias arqueia uma sobrancelha.

— Não tive culpa, Tobias. — Zaqueu suspira triste.

— Claro que teve! Quer ver o que você fez? Hein? Quer ver?! — Tobias pergunta e Zaqueu engole em seco, ficando em silêncio. Tobias tira a máscara que cobria parte de seu rosto, deixando à mostra as feridas causadas pela terra do deserto. 

— Não tive culpa, Tobias. — Insiste Zaqueu.

— Ah, se você soubesse o quanto eu quero te matar! — Tobias apanha uma espada e começa a tentar ferir Zaqueu com ela.

Zaqueu se protege com sua espada, que bloqueou a espada de Tobias.

— Eu não vou brigar com você, Tobias. — Zaqueu balança a cabeça negativamente.

— Então morre aqui mesmo, seu desgraçado! — Tobias dá um chute no estômago de Zaqueu, que se afasta assustado. Ambos começam a guerrear, e Tobias coloca sua espada no pescoço de Zaqueu. — Eu não aguento mais ter que aturar você. Continua me enchendo a paciência pra você ver! — Tobias se retira.

— Luas depois ele anunciou que se casaria com a minha Chaia. Eu não aguentei. Não podia permitir que ela se casasse com aquele infeliz. Tentei persuadi-la a mudar de ideia, mas ela gritou comigo. — Tobias engole em seco. — Não tive escolha. Tive que raptar Zaqueu minutos antes dele ir para a cerimônia. O ameacei e o torturei, mas uma mulher me deu uma flechada e enquanto fui guerrear com ela, Zaqueu fugiu. Dias depois fui julgado e condenado à vinte chicotadas na frente de todo o acampamento. Aquilo foi uma humilhação e tanto.

— Humilhação é o que você faz! Humilhação para mim, para minha mãe... para você mesmo! Me desculpe, pai. Mas eu, que sou bem mais nova, sou mais madura que você. Sabe o que você vai ganhar pisando em Zaqueu? Desgosto de todos! Inclusive o meu! — Mayuri exclama irritada e se levanta.

— Para onde você vai, filha? — Agatha pergunta assustada.

— Tentar consertar as besteiras que o meu pai faz! — Respondeu irritada e se retirou do local, caminhando até a tenda de Zaqueu.

— Zaqueu? — Chamou Mayuri.

— Shalom. Quem é você? — Perguntou Zaqueu. Não conhecia Mayuri, mas Mayuri o conhecia de vista.

— Isso não importa. — Ela responde seriamente. — Precisamos conversar agora.



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