História A Filha Do Meu Melhor Amigo. - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber
Personagens Jaxon Bieber, Justin Bieber, Ryan Butler
Tags Jayley
Exibições 237
Palavras 2.104
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Hentai, Orange, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


PESSOAS, olá.
- Jaxon é filho da Pattie, não esqueçam.
Não tenho tópicos, mas amo essa fase da história.
Somewhere Only We Know é uma boa música pra essa fase.
Amo vocês.
Espero que gostem <3

Capítulo 6 - Apontamento Cinco.


 

— O que aconteceu depois?

 

Hayley me deixou saber o que a levou até Ryan. Nós estávamos tentando empilhar os livros de Charles na estante do escritório quando ela suspirou e sentou na mesa com as pernas cruzadas.

“Eu sinto que nós deveríamos conversar.” Ela resmungou. “Moramos na mesma casa agora.”

A primeira coisa que me veio à cabeça foi o porquê de ter decidido vir para o Canadá se seu próprio pai não sabia de sua existência. A Islândia é... aparentemente incrível e tem montanhas e é pequena e... certo.

Acontece que Konan a teve dois dias antes de completar quinze anos — e seis meses depois de Ryan voltar para casa — e nem tinha um pai para a menina, então acabou sendo despachada do convívio de seus familiares e amigos e saiu correndo para a cidade vizinha para ser acolhida por uma senhora simpática e com três abortos nas costas. Elas não viveram muito bem — cidade pequena é terrível e aquele país é caro — e, aos dezesseis, Konan precisou trabalhar feito uma condenada para poder dar um pouco mais de conforto à filha de pele escura no meio de um bando de ruivos.

Ela fez o possível, e se descobriu com câncer aos trinta anos. Hayley disse que foi um puta trauma e que ainda lembrava claramente dos cabelos loiros dela caindo em suas mãos e da perda de peso rápido e agonizante, mas que tentava não pensar mais naquilo. A mulher morreu antes da garota completar vinte e entender que o mundo era muito mais fodido do que pensava, e ela decidiu que ia caçar o pai, que passou a vida ouvindo estar morto, até o inferno.

“Desde sempre, tudo foi tão difícil e de repente eu estou morando com alguém que não deixa eu me preocupar se vou comer essa noite, porque haverá o que comer.”

Também descobri que, depois de toda a desgraça, o momento mais árduo foi olhar para Ryan e dizer que era sua filha — isso porque ela nem sabia que aquilo era o que ele menos queria. Ela pensava que ele a empurraria para longe, mas, mesmo que eu só tenha o conhecido meia década depois do fatídico namoro, era claro para mim que ele ainda lembrava muito dela e ter um pedaço da loira em sua vida era... incrível.

Você sabe. As pessoas costumam ficar bobas quando se apaixonam e Konan foi “a garota da vida dele”.

Contei isso a Hayley. Quando meus pais se divorciaram, ver as fotos e vídeos dos dois juntos na adolescência, ouvir minha avó contar a mesma história nos fins de semana e lembrar dos bons momentos que presenciei era a melhor maneira de me fazer esquecer que tudo estava acabado. Talvez a fizesse se sentir melhor em relação aos anos que perdeu da vida dele e dos sorrisos que não os viu darem juntos. E funcionou.

“Mamãe costumava que ele era incrível para se ter por perto.” Eu poderia ter concordado e falado dos últimos (doze) sete anos, mas soaria estranho demais. “Não é como se eu sentisse que posso saber disso.”

“Intimidade é isso: você demora para construir e depois se torna um mar de rosas, lembrando dos espinhos.”

Ela franziu a testa como se eu tivesse dado um nó na sua mente, então suspirou e deitou no sofá com as pernas apoiadas na mesinha de centro. Meu caderno de desenhos estava lá, intocado por dias. Penso que poderia tê-la desenhado naquele momento, mas não  teria mesmo acontecido.

"De alguma forma... Eu me sinto pertencente a isso daqui." Ela ergueu os ombros, tímida. Até hoje não sei por que se sentiu confortável em minha presença se nós não nos engolíamos. "Nós conversamos e... Brigamos e nos divertimos e... Eu não sou um número a mais que atrapalha a equação."

Ela não se entregava às pessoas, e eu teria perguntado o porquê daquilo, só que, como já disse, nós não nos aturávamos muito e me enfiar na vida da garota não era uma boa ideia. Era como se, confiando nas pessoas, ela não fosse conseguir juntas os pedacinhos que se degradavam.

“Você já sentiu como se ninguém se importasse com você?”

“Oh. O tempo todo.” Hayley ergueu as sobrancelhas para mim e se apoiou nos cotovelos para que pudesse me enxergar.  Ela pareceu um pouco impressionada com aquilo. “Eu sou o amigo que anda atrás na calçada estreita.”

“Eu também!” Gritou. “Quero dizer, eu nunca tive muitos amigos — na verdade, nenhum —, mas as pessoas corriam para longe quando descobriam que eu sou bissexual.”

“Qual a doença de uma pessoa que gosta de homens?” Ela riu pela primeira vez comigo, puxando o maço de cigarros do bolso. Fumava tanto que já a imaginava com um câncer de pulmão, mas não queria rogar praga. “Engraçado saber que as pessoas ainda se afastam das outras por coisas tão banais. Por que diabos elas se importam com quem você dorme?”

“Em cidade pequena é tudo pequeno, menos a língua do povo.”

“Faz sentido.”

Eu lembro de como ela se encolheu no sofá depois do meu comentário, esquecendo que ainda tínhamos duas caixas de livros para arrumar e que a noite já estava chegando e ninguém queria Charles surtando pela bagunça. Ela parecia... arrependida de ter me dito sua sexualidade, se é que isso é possível, os cabelos cacheados cobrindo o rosto.

Eu me senti encarando um espelho, como todas as vezes que me sentia acuado e envergonhado quando os garotos da escola perguntavam quantas vezes por dia Ryan fodia minha bunda. Agora me pergunto por que diabos as pessoas têm vergonha ou medo do que gostam.

“Você não precisa se sentir mal por ter me contado.”

Hayley apenas sorriu para mim e saltou para fora do sofá, chutando a caixa de papelão para a esquerda para empurrar o resto dos livros na prateleira. Ela manteve-se calada por uns bons minutos até voltar para a cozinha e me deixar para esperar as duas madames sozinho. É muito estúpido pensar que aquele dia realmente terminaria em paz. É a minha vida, cara, nada termina em paz nessa porra.
 

— Por quê nada terminou em paz?
 

Porque no lugar de aparecerem duas madames no jardim, apareceram três. E a terceira era meu irmão caçula.
 

— O que você sentiu ao vê-lo?
 

Eu quis... chorar, se isso não parecer muito imaturo para você. Não via Jaxon pessoalmente por anos e magicamente ele estava na porta da minha casa, com os cabelos loiros chegando no peito e os olhos castanhos inchados, provavelmente por uma noite mal dormida ou... então né.

Ele me abraçou sem que eu o fizesse de volta, a mochila atirada no tapete e o olhar pesaroso de Ryan sobre nós dois como se estivéssemos frios e acabados. Acho que nunca recebi um abraço tão recheado de desespero como aquele e não quero outro, muito obrigado.

Hayley botou a cabeça para dentro da sala e gritou um “olá” simpático demais para o sangue dos Butler (ela não tinha esse sobrenome, mas a ligação era a mesma), meio que sem perceber que tinha um menino de quinze anos praticamente chorando no meu peito enquanto eu só sabia cutucar a franja dele como se ela fosse a coisa mais interessante do mundo.
 

— O que tinha acontecido?
 

Nataniel, como sempre. Ele descobriu algo sobre que Jaxon tentava esconder sobre si a todo custo e as coisas meio que foderam daí.

Precisei ouvir sobre como Patrícia a sentou-se no sofá da sala com Norman em seu colo enquanto observava seu marido cuspir todo tipo de asneira para o outro sem o mínimo direito. Não foi necessariamente uma expulsão, como foi comigo, mas quando seu responsável diz que não quer mais “olhar na sua cara de escroto”, sua única alternativa é manda-lo de foder e sair de casa, porque você não é bobo de achar que aquela loucura vai mudar alguma hora. E meu irmão decidiu que sairia do extremo norte do país para o extremo sul com apenas uma mochila pequena nas costas e alguns argumentos pesados para poder ficar na “minha” casa.

Assim que ele adormeceu na minha cama depois de uma crise de meia hora de choro e soluços, liguei para Patrícia escondido no escritório. Eu lembro de gritar para caralho e chama-la de estúpida por ter deixado aquilo acontecer a um menino de quinze anos. Ela rebateu dizendo que Jaxon decidiu ir por si só e disse que Nataniel estava certo em gritá-lo e tentar ajustá-lo pela desgraça que fez — só que ninguém lembrou que ele não é a porra do pai do garoto e que não tinha direito algum de elevar o tom para ele (poderia dizer o mesmo sobre mim, mas eu sou um fodido, então nem adiantaria tentar).

Desliguei o telefone antes de perder completamente a paciência e xingá-la de algo mais. Mesmo que só falasse com Jaxon duas vezes por ano por telefone, ele era a porra do meu irmão mais novo e um otário qualquer não podia fazer aquele tipo de coisa com ele. Ele... ele era... ele é uma criança e...
 

— Sentiu falta dele, não foi?
 

Eu não tenho certeza disso. Jaxon e eu nunca fomos muito próximos porque ele estava ocupado demais roubando meu melhor amigo para me notar, e não sei dizer se foi necessariamente por saudades ou apenas porque era ridículo pensar que a história estava se repetindo, só que daquela vez com alguém que nem sabia andar de ônibus direito.

E ele só acordou no dia seguinte, quando Charles foi me chamar e o encontrou enrolado no meu cobertor e resmungando sobre unicórnios cor-de-rosa. Meu amigo parou da porta, trêmulo, e era óbvio que ele estava trancando a respiração na garganta para não soltar nenhuma farpa. Fazia anos que eles não se viam e digamos que a despedida não foi a coisa mais amigável do mundo.

Jaxon apenas colocou a cabeça para fora do cobertor, mas não ousou sair da cama, encarando o outro com os olhos escuros arregalados. Não fiquei para ver o que aconteceu depois — vai que eles se explodissem e me levassem junto —, porque precisava convencer Ryan a acolher mais um adolescente em sua casa sem deixa-lo pensar que aquilo havia se tornado uma creche.

Ele esticou as pernas no sofá e perguntou se tinha escolha, recebendo um sonoro “não” da filha, que passeava pelo corredor. Nós conversamos sobre deixa-lo estudar a distância e reformar o sótão para que ficasse lá, coberto da privacidade que não teve dividindo o quarto com Norman e ursos de pelúcia que eu sabia que gostava. Só de pensar em voltar a morar com meu irmão, minha cabeça já começava a rodar. Eu mais parecia um adolescente.

Jaxon sentou ao meu lado na mesa do café para longe de Charles e só topou começar a comer quando Hayley gritou para ele que iria ao shopping center e perguntou se não queria acompanha-la. Foi uma jogada de sorte — se enfiar em lojas e vestir roupas aleatórias sempre foi o passatempo favorito dele —, porque ele sorriu para ela e disse que adoraria e então eu não teria de ser babá de nenhum dos dois.

Era a minha esperança, inicialmente: eu poderia ficar em casa e fumar alguma coisa e assistir a Stranger Things em paz e harmonia, mas acabei tendo de dirigir para os dois até o outro lado da cidade (e nem gosto de fazer isso). Jaxon olhava pela janela com um sorriso — nós viemos de um lugar mui frio, então praia é tipo ganhar na loteria — enquanto Hayley quase pulava no banco ao meu lado, tagarelando sobre o seu povoado estilo medieval. Acho que nunca me senti tão desesperado segurando um volante.

Eles correram através do shopping até as lojas de roupas “femininas” e se enfiaram numa pelo que pareceu uma eternidade. Lembro de ficar esperando num café qualquer me perguntando por que odeio tanto celulares e de encontrar meu irmão vestindo uma saia preta e um chapéu circular que o deixava uma menina de costa. É engraçado pensar nisso agora, porque ele parecia livre daquela maneira, como sei que jamais poderia ser com Patrícia e Nataniel.
 

— Como você sabe disso?
 

Porque comigo foi assim, diga-se de passagem. O que eu fazia... o que eu faço (porque não parei nem vou parar) é “mais leve”, porque ainda tenho a chance de “tomar vergonha na cara” e cair para o lado normativamente correto, mas Jaxon não...  ele não está no meio termo de ouro e posso te dizer que está muito bem com isso.
 

— E o que você pensa sobre isso?
 

Nada. Eu só... me sinto compreendido.
 

— Algum comentário?
 

Não. Nenhum.


Notas Finais


Qualquer dúvida, podem perguntar aqui embaixo.


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