História A Filha do Tempo - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Mitologia Grega
Personagens Personagens Originais
Tags A Filha Do Tempo, Deuses, Etherion, Mitologia
Exibições 5
Palavras 2.600
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Fantasia, Luta, Magia, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 5 - Os gêmeos da Grécia


DEB

NO DIA SEGUINTE, ACORDEI NOVAMENTE COM A CARA DA PRI EM CIMA DA MINHA.

- O que raios você está fazendo aqui?

Ela estava sorrindo como louca e seus olhos estavam arregalados, quase saltando pra fora, como ficam sempre que ela acorda. Parecia minha cachorrinha Xuxa quando brinca de pegar a bolinha.

- Vamos, o Bela Adormecida. O Pai ligou falando se você quiser faltar você pode, mas você quem sabe.

Depois de ontem, eu precisava ir pra escola. Tinha algumas respostas pra dar para um certo alguém.

- Vou sim. Vou só tomar um banho e já desco.

- Tá bom. Eu vou comprar pão, e o André está fazendo o café.

Fiz uma careta e levantei. O André era péssimo fazendo café. Mas, melhor que nada. Fui pro banho e tomei uma boa ducha. Sai rápido, porque já estava em cima da hora. Fui pro quarto, me sequei e coloquei o uniforme do Juarez. Coloquei o celular no bolso, peguei a mochila e desci.

A Pri já tinha voltado e o André estava acabando de passar o café. Sentamos e começamos a comer. No meio da correria, notei que o André estava meio bicudo.

- Que foi Gão? Porque você está com essa cara amarrada?

Ele me olhou feio, com o peito estufado. Lá vinha.

- Que horas que aquele moleque saiu daqui ontem?

- O moleque - disse a Pri, - é cinco anos mais velho que você, André. Para de bancar o crianção.

- É que eu e o pai achamos que...

Ele parou, por que eu e a Pri tivemos um ataque de riso. Sempre que o André tentava dar uma de irmão responsável, protetor e etc, era uma piada. Ele ficou tão bravo que nem esperou a gente. Saiu com a metade do pão que faltava na boca, pegou a mochila e foi embora pra escola.

Acabou que a "demonstração de macho alfa" do meu irmão quase fez a gente perder o ônibus, por que ficamos um bom tempo rindo. Quando vi a hora, faltava dois minutos pro busão passar. A Pri e eu saímos correndo, quando chegamos na esquina o ônibus já estava vindo. Sorte que o motorista é bonzinho, e esperou a gente chegar.

Sentamos na frente, nos últimos dois lugares disponíveis. Levantei e olhei pra trás pra ver onde o Rod estava, e pra minha tristeza ele não estava em lugar nenhum. Meu bolso vibrou e sentei pra ler a mensagem.

"Oi. Não se assuste se não me vir no ônibus. Vou chegar na segunda aula. Tenho uns amigos que podem ajudar na questão que conversamos, a primeira questão. A outra resolvemos nós dois, rs.

Estarei o período da manhã na biblioteca pesquisando algumas coisas, então, se puder dar uma mão com os professores...

Esperando ancioso nossa conversa.

Rod"

Agora sim eu estava mais tranquila. Mas o que será que ele quis dizer com"amigos que podem ajudar". A não ser que ele tivesse algum amigo especialista em captura de monstros reptilianos, não sei como a pesquisa dele fosse ajudar.

Mas o importante é que ele estará na escola, e poderemos conversar. Quando o ônibus chegou, desci e fui direto com a Pri para a sala. Acho que ela estranhou o Rod não vir e eu não falar nada, porque antes de sentarmos ela perguntou.

- Ué... o Rod não vem hoje?

Olhei pros lados, pra ver se os fofoqueiros de plantão não estavam à escuta. Quando vi que a barra tava limpa, respondi pra ela.

- Ele me mandou uma mensagem. Ele tá na biblioteca, pesquisando sei lá o que pra uns amigos.

- Ah... mas ele vai perder todas as aulas.

Era verdade. Nem tinha me tocado disso. Os professores iriam dar falta pra ele. Abri meu caderno e olhei meu horário, na última folha. Dei um sorriso de alívio.

- As três primeiras aulas são com o sr. Drumon.

A Pri abriu um sorriso também. O sr. Drumon era um professor baixinho, gordinho, cauvo e de nariz rechunchudo. Era moreno e tinha os olhos castanhos. Ele era professor de história, e só fazia chamada no primeiro dia do mês. Os alunos que estavam presentes, ficavam com presença o mês inteiro. Os que faltavam, só tinham que ir até ele depois e falar com ele, que ele colocava presença.

Quando ele entrou na sala, cumprimentou os alunos e pediu pra fechar as persianas e apagar a luz. Enquanto ele ligava o data show, recebi uma mensagem no celular. Quando li, vi que era da Pri.

"Ótima aula pra dar uma dormidinha... rs"

Sorri discretamente, olhei pra Pri e pisquei. Ela já se preparava pra dormir, assim como outros alunos da sala.

Acho que você deve estar um pouco confuso. Vou explicar sobre a aula do sr. Drumon, que era uma das minhas preferidas. O ambiente que ele proporciona para que os alunos possam dormir tranquilamente é simplesmente magnífico.

Ta, eu sei que agora você que é um aluno que ama História deve estar pensando:"como ela pode dormir em uma aula tão legal?"; mas sinto lhe informar que você faz parte da minoria. História não é legal.

Sei também que existem aqueles"defensores da moral e dos bons costumes", que devem estar pensando:"isto não está certo... meu Deus, como alguém pode dormir na sala de aula... mesmo que a aula não seja tão interessante, devemos prestar atenção e anotar tudo!"; você que pensa assim, faz parte de um percentual mínimo nas salas de aula.

E claro, tem a maioria. As pessoas normais, que devem estar pensando:"cara, que inveja... ha! se eu pudesse dormir nas aulas chatas"; pra você meu amigo, existe solução. Basta indicar o sr. Drumon como professor de história na sua escola e, lógico, torcer pra ele ser contratado.

Vou ser sincera, eu até que gosto de história. Sei lá por que. Os mapas, as datas históricas, os movimentos revolucionários, as guerras, as construções de grandes cidades... Tudo relacionado à história, seja do Brasil ou de outros países, eu gosto. Acho que por isso eu sou a melhor aluna da sala em história.

Em outras aulas, eu estaria ouvindo Building 429, Sweet Foot, Oficina G3, que ajudam bastante quando você quer se desligar e dormir na sala. Mas o sr. Drumon, pra completar, coloca música clássica de fundo, o que, somando com o ambiente e a voz grave e baixa dele no microfone, é a solução ideal para alunos como a Pri e eu, que gostamos de dar uma dormidinha pra repor as energias.

Acho que era mais ou menos umas 8:45hs quando acordamos com o barulho da porta. Uma vovó entrou dentro da sala e, pelo jeito que o sr. Drumon a comprimentou, tinha que ser a tal de Dulcinéia, a "nova - velha"diretora. Ela era a expressão ideal de uma vovó do mal. Usava um vestido branco com flores azuis e óculos pretos de aro de tartaruga. Se você chegasse perto, veria na cara enrugada olhos pretos e uma pequena pinta no canto direito do nariz (nojentamente) cabeludo.

Infelizmente era possível sentir de longe o poderoso "bafo de jacarandá" da velhinha. A cara dela era uma carranca só, como se nunca sorrisse na vida.

Atrás dela entraram um garoto e uma garota. Eles tinham que ser gêmeos, por que eram muito parecidos. Ambos eram loiros, com olhos azuis e mais ou menos um metro e setenta de altura, por volta dos quinze anos. O garoto tinha os cabelos lisos até a altura dos ombros. Estava com a calça do uniforme da escola, de tectel preto, e usava uma camiseta com uma harpa dourada no meio de chamas, também preta. Era uma camiseta dessas bandas de heavy metal, e o nome da banda era Harpas Flamejantes.

A menina também usava a calça do uniforme, mas sua camiseta era branca, com a estampa de um arco em forma da lua minguante, com as palavras "Temporada de caça aos Manticores - 2012". Seus cabelos eram ondulados até o meio das costas,perfeitamente penteados.

Ambos olhavam para a turma, como se procurassem algo. Quando os olhos da menina cairam em mim, ela parou e abriu a boca, como se visse um fantasma. Ela cutucou o menino e apontou pra mim com a cabeça e, quando ele me viu, ficou de olhos arregalados por uns dez segundos. Depois disso, eles desviaram o olhar e não olharam mais para o meu lado da sala. A Pri, que senta atrás de mim, sussurrou no meu ouvido.

- Eles estavam olhando pra cá?

- Eu acho que sim - respondi.

- Estranho...

Realmente, estranho é uma definição pobre para o que aconteceu. Parecia até que eles me conheciam, o que era impossível. Eu lembraria de um menino tão bonito assim, com uma irmã idêntica a ele.

A "diretora" olhou para a sala por um tempo, como que medindo os alunos. Seus olhos se estreitaram quando olhou para mim e para a cadeira vazia à minha frente, vazia por que o Rod estava na biblioteca. Se virando para o professor, ela disse.

- Com licença professor Drumon. Preciso falar com a turma.

Antes que sr. Drumon pudesse ao menos responder, a vovó do mal já estava falando com a sala.

- Bom dia a alunos do 1º A.

Alguns alunos resmungaram "bom dia", e eu tenho certeza que alguns dos meninos do fundo disse "a vaca mia". Ignorando totalmente nossa falta de entusiasmo, a diretora continuou seu discurso enfadonho.

- Quero lhes apresentar seus novos colegas de classe. Esses são Apolo Augurios Optimus e Diana Artemian Opitmus. Vieram de uma escola conveniada com a Embraer, na Grécia. Apesar disso, seus pais são brasileiros, então eles falam português fluentemente, embora com um sotaque um pouco acentuado. E blá, blá, blá...

Ela continuou falando um monte de asneiras sobre coleguismo, romper barreiras intercontinentais e etc. Os gêmos olhavam pra todos na sala, mas percebi que evitavam olhar para o meu lado.

- Bom - continuou a diretora -, creio que os únicos lugares vagos são ali, nas primeiras fileiras.

Cara, que droga. Só faltava a véia colocar um deles sentado no lugar do Rod. Por que aquele moleque tinha que faltar justo hoje?

Por sorte, não era só eu que lembrava que o Rod sentava ali.

- Na verdade - interrompeu o professor Drumon -, a primeira carteira da segunda fileira está ocupada. Nosso aluno só não está no momento.

Os olhos da diretora Dulcinéia quase brilharam de raiva. O professor salvou o dia. Ou quase.

- Mas onde está o aluno que senta ali?

Atrás de mim, a Pri murmurou "é agora que a porca torce o rabo". Mas dessa vez, quem salvou o jogo nos 47 do segundo tempo foi o garoto novo, Apolo.

- Srta. Dulcinéia?

A diretora piscou, estranhando ser interrompida por um aluno.

- Se não for do seu incômodo, eu e minha irmã sentaremos na primeira fileira.

Era estranho, mas não parecia que ele estava pedindo permissão. Parecia que estava apenas comunicando o que tinha decidido. Pela arrogância da velha, pensei que ele já iria tomar uma advertência ali mesmo, antes de começar as aulas na escola nova. Mas para surpresa de toda a sala, ela apenas acenou positivamente.

- Certo. Então está resolvido. Podem sentar-se, vocês dois. Drumon?

- Sim?

- Providencie um ou dois alunos para ajudar os nossos colegas a conhecer a escola e colocá-los a par do andamento das matérias.

- Farei isso, srta. Dulcinéia.

A diretora olhou para os gêmos enquanto eles se sentavam ao nosso lado. Depois, olhou uma última vez para mim foi embora pela porta. Meu pensamento foi colocado em palavras por um outro murmúrio da Pri.

- Sinistro, ae.

Todos olhavam curiosos para os gêmeos, inclusive o sr. Drumon. Assim que a diretora saiu, ele se dirigiu aos recem chegados.

- Bem vindos ao Juarez Wanderlei, Apolo e Diana.

Diana falou pela primeira vez, em nome dos dois. Sua voz era firme, mas ao mesmo tempo melodiosa, quase como uma sinfonia.

- Acho que falo pelo meu irmão e por mim, professor, quando digo que estávamos muito ansiosos para começar as aulas aqui.

Enquanto falava, Diana dava algumas olhadas para mim, o que achei chato e irritante. O olhar dela era um pouco debochado, como se estivesse me avaliando e eu fosse muito menos do que parecia ser a princípio. Estava começando a pegar birra dessa fedelha.

- Eu sou professor de história antiga. Meu nome é Drumon e, se precisarem de alguma coisa que eu possa ajudar, estou a disposição - disse o professor, fazendo uma pequena mesura, o que achei bem bobo e desnecessário.

- Eu estava lecionando sobre a Segunda Guerra - continuou o sr. Drumon -, mas aproveitando a chegada de vocês, pulemos o que eu estava falando e falemos um pouco de história mais antiga - dirigindo-se a sala, ele perguntou. - Turma, vocês sabem qual o país onde os nomes Apolo e Diana foram importantes?

Ninguém sabia, ou se importava em dizer se souvesse. Se o Rod estivesse aqui, ele com certeza falaria. Pensando bem, eu mesmo me lembrava, por causa do filme do Percy Jackson e o Ladrão de Raios que o Rod e a Pri me fizeram assistir. Lembro que dormi o filme inteiro e acordei no final, com o Rod e o André rindo porque o Apolo do filme era negro, e o Rod disse que o verdadeiro Apolo era loiro de olhos azuis. Depois os dois começaram a falar sobre mitologia grega e romana, a diferença dos deuses em cada povo e etc. Chato. Voltei a dormir.

Estranho... O garoto novo, Apolo, também era loiro de olhos azuis. Bom, coincidência boba. Credo! Estou me sentindo super nerd.

Olhei para o Apolo e ele estava visivelmente irritado. Acho que ele deve ter passado por todo tipo de trocadilhos e piadas idiotas por causa do seu chará greco-romano.

Quando o professor percebeu que ninguém respondeu, virou-se para os gêmeos.

- Bem... Acho que vocês conhecem a história dos seus charas, não é mesmo?

Tadinho do sr. Drumon. Ele estava tão empolgado que eu até sentia pena dele. Quando eu estava quase criando coragem para responder o que sabia, Apolo suspirou e respondeu.

- Apolo e Diana são divindades da mitologia romana. Apolo era o deus dos oráculos, da medicina e da música, senhor do sol, que viajava o mundo em uma carruagem guiada por cavalos de fogo. Seu equivalente grego era o deus Febo, nome herdado de sua avó, a titânide da beleza, mistérios e profecias, Febe.

Algumas meninas nerds suspiraram, enquanto outras murmuravam coisas como "tão inteligente e tão bonito", "que sonho de homem" entre outras. Como se tivessem ensaiado para dizerem isso, Diana começou de onde o irmão parou.

- Diana era uma das deusas virgens, assim como Atena e Héstia, sendo assim, era uma das protetoras das meninas virgens. Era deusa da caça e senhora da lua. Sua equivalente grega era Artêmis, também irmã gêmea de Apolo. Ambos eram filhos do deus dos céus, raios e trovões Zeus, rei dos deuses; e da deusa titânide do anoitecer e oráculo da luz, Leto.

Foi a vez dos garotos nerds viajarem. Entre eles, o professor Drumon. Esqueceu totalmente o assunto anterior (que eu não me lembro por estar dormindo) e começou a discursar sobre as diferenças e semelhanças nas personalidades dos deuses gregos e romanos.

Como já tinha acabado o alvoroço e o clima da sala voltou ao adequado (luz apagada, música erudita e etc), a Pri e eu voltamos a dormir. Porém, tive um sonho foi super esquisito. O mais esquisito até o momento.



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