História A Floresta do Medo - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 8
Palavras 2.132
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Canibalismo, Estupro, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Desculpa por ter dito que tinha acabado a história. Atualizei. Boa leitura!

Capítulo 2 - Esqueça de Tudo


Fanfic / Fanfiction A Floresta do Medo - Capítulo 2 - Esqueça de Tudo

 

O Sol ofuscou meu rosto. Logo de manhã cedo, abri as janelas ouvindo o silencio absoluto da floresta e o ronco que Francis emitia no sofá. Numa floresta normal, pássaros cantam e voam entre as árvores, mas naquela hora tudo ficara quieto. Caminhei até minha mochila que Francis trouxe ontem e abri despejando os objetos no sofá.

Tinha de arrumar aquilo e ir embora. Mesmo com London morto, eu ainda tinha Marjorie para cuidar lá em Sopot. Se ela estivesse sobrevivido à floresta. Coloquei uma toalha branca de linho na bolsa e mantimentos, além de alguns frascos de água. Enfiei tudo na bolsa e abri a porta. 

            - Vai para onde? – perguntou Francis surgindo na porta do quarto.

Virei-me envergonhada, mas depois assumi uma feição dura.

            - Tenho uma irmã que precisa de mim. – falei. – Preciso ir, obrigada por tudo, Francis.

Ele continuou me olhando. Nós pensávamos a mesma coisa.

            - Você não vai durar até o poço. Aqui dentro você está pelo menos um pouco segura. – informou Francis de forma positiva.

Suspirei. Desci os degraus do lado de fora.

            - Emillie! – gritou Francis de lá de dentro. – Se sobreviver e não sair daqui estou com os braços abertos.

Olhei para ele. Então voltei para a floresta. Francis era tudo que eu tinha de segurança, pareceu falta de educação abandonar tudo aquilo, afinal, ele me salvou. Eu devia um para ele. Continuei a caminhada pela floresta.

Atravessei uma correnteza por uma árvore e segui em direção à Sopot. Tentei usar a bússola, mas ela rodopiava sem parar: a floresta era esquisita e do mal. Tinha esperanças de encontrar London ainda vivo jogado em algum canto talvez, entretanto ficou só no meu pensamento.

Um crânio estava jogado ao lado de um tronco caído. Em alguns lugares pude avistar corpos presos em árvores por galhos. Aquilo tudo me assustou. A floresta tinha algo misterioso, não assustador, mas talvez relaxante... Sentia calma finalmente. Era um lugar com muita dor, mas na verdade tinha muita beleza escondida.

Isso pode parecer confuso. Pra mim foi na hora, mas depois que refletimos sobre certas coisas na vida, percebemos que alguns males vêm para o bem. Por isso sentimos falta depois da experiência.

Desviei de uma árvore e me agachei para atravessar um tronco quando os vi. Na verdade eu os ouvi. Eles tinham cachorros enormes em coleiras de ferro e usavam uma capa para se protegerem da chuva. Conversavam entre si em alemão, então não entendi a conversa. A guerra nos deixou ciente de uma coisa: não importa se estão rindo, eles estão falando de nós.

Escondi-me atrás de uma árvore e olhei por entre os galhos baixos. Os cães farejaram o ar, como se sentissem minha presença.

                - Es muss sehr schnell sein als auch zu entkommen! – disse um.

O outro fez um gesto para deixar para lá.

            - Wir müssen vorsichtig sein. – respondeu.

O primeiro assentiu e depois parou. Então encostei a cabeça na parede rezando. Um dos cães latiram na minha direção e eles correram. Comecei a fugir, atravessando fios de água, desviando de árvores e pulando rochas enormes no caminho. Merda! Porque saí da casa de Francis?

Uma arma desparou. Senti um estrondo antigir a árvore ao meu lado e me abaichei, mas continuei correndo após a surdez momentânea. Olhei para trás e vi que eles corriam velozmente com as armas em punho e os cães babando como se quisessem me devorar. Então virei-me para frente e dei de cara com uma árvore.

Caí no chão instantaneamente. Pontos pretos dançavam na minha frente e a floresta toda virou um espiral delirante. Não conseguia me mover, já que a dor impedia qualquer pensamento. Joguei os braços para o lado e vi dois vultos se aproximando e babando. Os alemães me chutaram, socaram-me e jogaram pedras em mim, mas nada me afastava da dor na cabeça que sentia.

            - Por favor... – tentei balbuciar, mas desisti rapidamente. Mesmo que entendessem, jamais iriam parar.

Então senti o tremor nas minhas costas. Algo se levantava da terra ao meu lado: a grama marrom e verde se erguia ao estrondo de milhares de raízes se partindo. Então uma figura humanoide do tamanho de um homem adulto surgiu em pé ao meu lado.

Os alemães ficaram chocados com a presença. O ser estava de cabeça baixa e respirando pesadamente. Folhas se prendiam ao seu corpo feito de terra escura e fértil. Então os guardas assustados começaram a atirar. Imediatamente o ser se desintegrou e sua essência voou pelos ares com a terra num tornado. Os homens ficaram atônitos.

Quando comecei a sair de seu campo de visão, me assombrei. Um dos guardas olhou para trás e a terra que girava num tornado o atravessou, fazendo com que sangue e tripas saíssem pelo outro lado de seu corpo. O corpo imóvel e morto caiu de costas. O seu amigo alemão atirou na terra negra que subia em uma bagunça de folhas. Entretanto nada parava a terra. Dessa forma, uma árvore ao meu lado se moveu grotescamente e raízes grossas amarraram o pobre homem pela cintura, o espremendo como suco de laranja. Que na verdade virou um suco de tomate!

O pânico cresceu em mim. A terra negra voadora desceu no chão e foi criando novamente a figura humanoide que andava incompleto na minha direção. Arrastei-me lentamente, a dor ainda me atingindo e a perna, antes normal, agora pulsando no tornozelo.

            - Me deixe em paz... – murmurei chorando.

O humanoide pisou em minhas costas e se ajoelhou. Então a sua voz perpetuou de toda a floresta.

            - Você não sairá daqui! – ele resmungou. – Sua irmã morreu, assim como seu amigo!

Então o ser me puxou pelo cabelo levantando meu rosto para uma imagem repugnante. London e Marjorie estavam espetados por um galho presos no alto de uma árvore. Meu Deus! Pensei.

            - Marjorie! London! – eu soluçava. A dor foi diminuindo conforme o sentimento de culpa crescia em mim.

            - Você a deixou vim. Você quem trouxe ele para morrer aqui. – sussurrou a voz do homem de terra. – E agora está pondo em risco sua vida.

Soltei um grito gutural.

            - Por favor, me deixe ir! – implorei.

Assim ouvi o som de uma moto-serra sendo ligada. Olhei para o lado e um homem com a metade do rosto desfigurada andava em minha direção com o aparelho molhado de sangue. Seu rosto ria inocentemente, nada de mal tinha seu olho bom, mas ele ainda queria me matar, como se fosse legal.

Agitei-me no chão.

            - Prepare-se menina. – rasgou a voz. O humanoide me puxou ainda mais pelo cabelo, levantando meu rosto. – Você não morreu pelos alemães, mas morrerá por algo muito pior... Prio virá decepar! 

Assim o ser de terra evaporou me deixando no chão com um cara morto chamado Prio para me decepar. Eu ia ficar ali deitada sem forças. Mas então uma lembrança surgiu à tona: a figura distante de um lampião entrando na floresta. Marjorie se distanciava e, já distante, olhou para trás sorrindo. Eles estão aqui, Emillie! Contou ela. 

Olhei para o cara com o rosto desfigurado que se aproximava.

            - Você não vai me matar, Prio!

Levantei-me. Mancando, caminhava me apoiando nas árvores com o som da moto-serra aumentando atrás de mim. O terror veio novamente à minha cabeça. Mas eu ia conseguir. Eu tinha de conseguir. Atravessei um tronco caído no chão e olhei para outro crânio vendo o meu rosto esculpido no osso.

Então uma dor rasgou por meu tronco. Prio estava atrás de mim, atingindo meu corpo com a moto-serra lentamente. Caí de joelhos esperando minha morte. Ele virou-se na minha frente e ergueu o aparelho. Sangue escorria por minha costa.

Então fechei os olhos. De repente uma voz surgiu atrás de mim.

            - CROATOAN! – gritou.

Uma corrente de vento dominou o lugar. Prio dissolveu-se em pó. Uma mão apalpou o lugar do sangramento que, por fim, não foi toda minha coluna e me segurou quando caí. Então vi quem era: Francis me olhava de forma angelical e preocupada. Fechei os olhos.

 

Lembro-me de ter acordado novamente em sua casa. O sofá tinha um jeito delicado de me acolher. A lareira estava acesa, como sempre, e o ar fora invadido pelo cheiro de sopa. Tomate, batata, alho... Cheiros extraordinários! Tentei me sentar, mas não consegui. Soltei um gemido e uma tampa fechou na cozinha.

Rapidamente Francis surge no meu campo de visão. 

            - Ei, não se mova. – ele falou de forma calma. Sua barba mostrava que ele não fazia, mas também não deixava crescer muito. Lembrei-me depois da palavra há muito tempo não escutada: aparar.

            - Bem... – disse por fim.

Ele manteve a boca calada e me acomodou no sofá, colocando um travesseiro na minha cabeça. Então se sentou na poltrona.

            - Quase que morri. – falei por fim. – Obrigada novamente.

Ele sorriu.

            - Você me deve duas agora. – ele disse. – Você não pode sair daqui, Emy. – não sei de onde ele tirou esse apelido, mas London me chamava assim. O flashe dele na árvore voltou. – Meus pêsames sobre sua irmã e seu amigo. Foi uma cena horrível.

Assenti lentamente. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e eu limpei fungando.

            - O que foi aquilo? Aquele cara de terra; o Prio; a árvore? – perguntei.

Francis olhou para o teto.

            - Monstros. Seres nascidos e criados aqui, menos o Prio. Ele era um bom rapaz. – explicou Francis. – Nem tanto na verdade. 

Floresta do Medo, 1905

 

Prio era de uma ilha no Caribe. Prio Nugoy, esse era seu nome. Ele se mudara para cá após uma promoção de emprego, segundo seu diário. Ele resolveu criar essa cabana para morar aqui, no meio da mata, longe de qualquer litoral ou pessoas. Ele era um homem bonito: forte, olhar sério e pele clara. Mas não sabia que ia se ferrar.

Ele entrou na mata após entrar na Polônia e, de uma forma estranha, construiu esse lugar sem nenhum impedimento da floresta. Então ele viveu bem por dois meses, até que um dia foi morto nas redondezas.

Prio saiu no meio da noite. Escrevera no seu diário, como de costume, que tinha esquecido o lampião lá fora. O diário era uma forma de não entrar na solidão. O homem partiu com apenas uma faca e uma calça.

Brandindo sua tocha, encontrou sua moto-serra e o lampião encostados numa árvore. Ele ainda podia ver as luzes da casa à distância, por isso não se preocupou com nenhum invasor. Até que algo pior que um invasor aconteceu.

Prio caiu no chão após ser empurrado por uma força invisível. O homem ergueu a tocha e levantou as mãos em direção à floresta. CROATOAN! Lembro-me do que ele falou antes de ser acertado por um maçarico. Incendiaram seu rosto e depois um espeto enorme se fincou no seu peito. 

 

- Como assim você se lembra? – ele disse que tinha 23 anos, mas como assim ele viu aquilo em 1905?

Francis me encarou.

            - Esse lugar é infinito. Não te contei minha história toda. – seus lábios se moviam numa frequência assustadora, mas sexy.

Então ele se empertigou e apalpou minhas costas. Senti o calor médico de sua mão subir. Ele olhou por baixo do meu corpo e depois cravou os olhos em mim. Sentia seu hálito naquela distância curta entre nossos rostos. Lembrei-me de tudo que ele tinha feito para mim: nunca tinha sentido um carinho tão grande após a perda de meus pais.

Francis cuidou de mim. Foi ele quem me salvou na primeira e segunda vez. Talvez fosse os cachos de seu cabelo, ou o sorriso doce e simples que ele tinha que me fizeram sentir um pontinho desconhecido no meu peito. Eu era eterna estando naquele lugar, se eu entendi. Ele também era.

            - Então quer dizer que somos eternos? – perguntei.

Ele me analisou sério. Olhou para meu queixo e foi subindo. Poucos centímetros nos separavam.

            - Sim...

Fechei os olhos e depois segurei seu rosto.

            - Então me faça sentir a eternidade. – sussurrei no seu ouvido, ouvindo o som de seus lábios abrindo num sorriso.

Sua boca acertou a minha. Lentamente ele subiu com cuidado por cima de mim. Senti suas mãos pesadas e seus lábios carnudos, quentes e macios. Ele estava retribuindo. De repente ele parou e me olhou.

            - Emillie... Você tem de saber sobre mim... Minha história, meu passado...

Pus um dedo nos seus lábios, calando-o.

            - Pelo menos uma vez na vida, esqueça de tudo e vá ser feliz. – disse.

Assim ele voltou à me beijar. Poucos minutos depois, senti-o dentro de mim: o movimento era calmo e suave. Eu sorria e ele delirava com a loucura que fazíamos. Uma vez na vida éramos um só. Flashes de London, Marjorie e meus ex-amigos surgiram na minha frente, mas ignorei. Uma vez na vida esqueci de tudo e fui ser feliz. 

 

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...