História A garota da ponte - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Categorias Amor Doce
Personagens Alexy, Ambre, Armin, Castiel, Iris, Kentin, Kim, Leigh, Lysandre, Melody, Nathaniel, Nina, Personagens Originais, Rosalya, Senhora Shermansky
Tags Amor, Amor Doce, Astrologia, Castiel, Comedia, Lobo, Lysandre, Magia, Mistério, Monarquia, Rainhas, Reis, Romance, Sobrenatural, Universitário, Universo Paralelo
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Palavras 2.599
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi! Aqui estou eu postando capítulo quase 1h hauahaua pois é, fui acabar ele só agora porque fiquei reescrevendo o finalzinho mil vezes até que eu achasse que conseguiria fazer vocês ficarem sorrindo igual bobos.

Aproveitem e leiam as notas finais dps ! Ah, e me contem o que acharam nos comentários, por favor ❤️

A música de hoje é Open your eyes — Snow Patrol (vou deixar o link nas notas finais)

Capítulo 16 - Mosaico


Cora —Annecy, França

Depois que Cora mostrou a sua pintura de Eara para os rapazes, Castiel surtou e chamou Lysandre de canto. No fim eles preferiram descer e conversar no saguão, longe das paredes finas do apartamento e, principalmente, de Cora, que não fez questão de conter sua frustração com a decisão dos dois. Afinal estavam naquela situação juntos: ela era tão parte daquilo quanto eles! Fora que ela odiava ser o motivo da fofoca dos dois.

E assim Cora se quedou sozinha em seu apartamento, destinada a ficar esparramada no sofá de sua sala, só apreciando como o local de repente pareceu imenso e triste sem a presença dos dois amigos. Amigos... Será que podia chamá-los assim? Ou será que ainda eram apenas colegas, que, por mera casualidade, acabaram embarcando no mesmo barco? Além da situação já ser complicada por si só, os dois também esbanjavam complexidade, o que tornava as relações pessoais um tanto quanto nubladas demais.

Quem dera se eles fossem iguais a Rosa. Apesar de todas suas exorbitâncias, ela era alguém com quem Cora sabia como lidar, já que não fazia a mínima questão de esconder como se sentia em relação a alguém. Rosa era, admiravelmente, a transparência em pessoa e, graças a isso, Cora podia se afundar em seu conformismo e deixar que a amiga sempre desse o primeiro passo.

Tudo se tratava disso, então, comodismo. Se Cora tivesse tomado uma iniciativa e saído da sua zona de conforto, talvez pudesse ter se tornado próxima dos dois e então estar participando daquela reuniãozinha secreta no saguão que agora acontecia. Mas a garota nunca fez questão, sempre preferiu manter seu espaço pessoal intocado ao invés de tentar puxar mais conversas com Lysandre, ou ser mais gentil com Castiel.

Sacudiu a cabeça, tentando dispersar aquela linha de pensamento auto depreciativa. Precisava de um banho, um banho bem quente no qual pudesse relaxar todos os músculos de seu corpo e levar todos os pensamentos negativos embora.

                 (...)

Acordou com o barulho da campainha e só então se deu conta de que ainda estava dentro do box. Havia dormido ali mesmo, sentada no chão, com o chuveiro ligado sobre sua cabeça. Quanto tempo havia se passado, ela não sabia, mas a julgar pela aparência enrrugada de seus dedos, estava ali há bastante tempo.

A campainha tocou mais uma vez, e Cora desligou o chuveiro e se enrolou no roupão rapidamente. Não costumava receber visitas, então quem quer que fosse, deveria ser importante.

Atendeu a porta, mas já não havia ninguém ali. Escondeu o corpo dentro do apartamento e esticou o pescoço para ver o corredor, na esperança do seu visitante ainda estar por ali.

—Lys? —Perguntou, surpresa, ao ver o rapaz esperando o elevador — Achei que você e o Castiel já tivessem ido embora...

— Ah, sim, o Castiel já foi — respondeu, cordial como sempre — Mas eu achei que seria muito indelicado ir embora sem me despedir.

"Típico de Castiel", Cora pensou, retirando forças do seu ínfimo para não revirar os olhos. Justo quando estava quase se convencendo que, talvez, ele não fosse todo aquele ogro que aparentava, ele se mostrava cada vez mais grosseiro. Tão diferente era Lysandre, que era sempre delicado e preocupado...Ainda não entendia como aqueles dois extremos podiam ser melhores amigos.

— Você é muito fofo, não é à toa que a Rosa te deu aquele apelido — Cora sorriu com a delicadeza do feiticeiro — Não prefere entrar? É melhor do que conversarmos no corredor.

Lysandre acenou com a cabeça, aceitando o convite. Tudo o que não queria naquele momento era ficar sozinho e ter de lidar com os próprios pensamentos, não depois do que fizera com aqueles guardas... Ele sabia exatamente o que havia se tornado, mas lhe faltava coragem para admitir o novo adjetivo. O garoto sentia que, ultimamente, sua vida havia se tornado uma montanha russa que só o levava à queda e nunca a uma subida.

Entrou no apartamento da garota, que abriu passagem para ele. Quando a viu com os cabelos encharcados e o roupão felpudo enrolado no corpo, pensou que talvez não tivesse sido uma boa idéia ter voltado, devia ter feito como Castiel e ido embora. Claramente estava invadindo a privacidade da garota. Certamente não era para ele presenciar algo tão... Íntimo.

— Eu acho melhor eu ir — disse, olhando para qualquer ponto que não fosse Cora — Não quero atrapalhar.

— Atrapalhar o quê? Esse apartamento é sempre tão vazio... Fico feliz que esteja aqui.

Lysandre assentiu. Em uma situação normal, teria se desculpado e ido embora do mesmo jeito, seus modos com certeza falariam mais alto. Mas dessa vez não queria ir... Da mesma forma que não queria ficar sozinho nem desestabilizar ainda mais a relação de Rosa e Leigh com seus problemas. E Castiel, pela forma como estava nervoso e abalado, com certeza já estava buscando auxílio nas curvas de alguma moça. Não seria justo Lysandre estragar seu momento, por mais que não o achasse sadio.

— Eu vou ali secar meu cabelo antes que eu faça um lago na minha casa — indicou com o dedão um outro cômodo, que Lysandre julgou sendo o quarto da garota — Fica à vontade, eu já volto. Acho que também devo por uma roupa...

A sala da garota era clara, com móveis que, provavelmente, seriam iguais aos dos demais quartos daquele hotel. A diferença estava nos pequenos detalhes: as fotos penduradas com fita adesiva na parede, as pegadas e espirros de tinta acidentais no assoalho, pequenas anotações escritas a lápis nas paredes, os livros empilhados em diversos cantos... Ela era tão bagunçada quanto Castiel, mas também diferente, pois havia, de alguma forma, ordem naquele caos. Lysandre sorriu ao pensar em como aqueles dois pareciam cão e gato, sempre reclamando um do outro e trocando alfinetadas. Talvez um dia percebessem que, com suas devidas excessões, eles eram bastante semelhantes.

Passou os olhos pelas fotografias que na maioria eram de árvores e flores, mas havia de Cora abraçada com um casal. O homem, que tinha o braço de Cora em seu pescoço, tinha os mesmos olhos verdes da garota e a mesma expressão serena. Os seus cabelos eram bagunçados, o que concebia um ar divertido e despreocupado, extremamente diferente da postura da mulher que abraçava Cora e o homem. Sua expressão transmitia de imediato poder e altivez, mas Lysandre não podia negar que em em seus olhos haviam pura ternura.

— São meus pais — Cora surgiu de repente ao seu lado.

— Eu havia imaginado — respondeu, ainda analisando a foto — Vocês têm os mesmos olhos — apontou para Cora e o homem ao seu lado.

Cora sorriu com o comentário. Todos diziam aquilo e, sempre que escutava, o coração da garota afundava um pouco mais. A saudade que sentia do pai não podia ser representada em palavras, apenas em dor... Dor essa que a fez não querer ver o próprio reflexo por quase um ano.

Lysandre, quando não recebeu resposta, passou a observar a expressão da garota, que parecia travar uma guerra dentro de si. Havia um vazio e um brilho triste naqueles olhos cabisbaixos, algo que sabia reconhecer de longe, já que ele mesmo muitas vezes tinha aquele olhar. Já havia suposto o que a atormentava, mas preferiu não dizer nada e não aumentar a ferida. Ao invés disso, levou as costas da mão à bochecha da garota e enxugou a lágrima solitária que havia escapado de seus olhos, verdes como o do pai e tenros como o da mãe.

Quando Cora voltou o rosto para cima, Lysandre percebeu que não era o único afogando em um mar hostil. Por mais que Cora transparecesse serenidade, ela tinha o interior tão caótico quanto o seu... Naquele momento, olhando para aqueles vastos campo verdes que eram seus olhos, havia criado compaixão por ela.

— Obrigada — disse quase sussurrando.

— Pelo que, exatamente? — Perguntou, com a confusão pairando em seu olhar.

— Você sabe — deu um meio sorriso — Salvar nossas vidas e tudo mais...

Lysandre sentiu seus cacos sendo ainda mais estraçalhados. Já não bastava Castiel ter lhe agradecido, agora Cora também. O que havia com o mundo, afinal? Desde quando os valores se inverteram tanto a ponto de uma atrocidade como aquela ser vista com bons olhos?

— Está me agradecendo por ser um assassino...

Admitir o que era havia doído mais do que esperava. Todas suas crenças, todas as suas certezas, todos seus princípios e valores mais importantes esmagados por uma atitude mesquinha. Sim, mesquinha, pois havia condenado todas aquelas pessoas ao pior dos destinos, para que a vida de seu melhor amigo e de uma garota que mal conhecia fossem poupadas.

— Não, estou te agradecendo por passar por cima de quem você é para salvar nossas vidas.

Não conseguia dizer nada. Ela estava certa, havia rasgado quase tudo o que ele era naquele momento, e não sabia se o mínimo que lhe sobrara ainda servia para alguma coisa. O pior de tudo era pensar que, se tivesse de fazer tudo de novo para proteger inocentes, com certeza não hesitaria... Isso o assustava mais que tudo. "Uma vida não vale mais do que outra, Lysandre, não importa o quão ruim ela seja" repetiu para si mesmo.

—Você não entende — negou, cabisbaixo

Quando Cora levantou o rosto dele com a ponta dos dedos, encarou aqueles olhos marejados, afogados no repúdio que sentia de si mesmo. Sabia que ele estava tentando tirar forças de algo que não existia para não deixar as lágrimas rolarem. No fundo, Lysandre tinha medo de deixar escapar a primeira lágrima e não conseguir conter a torrente que viria em seguida.

—Eu nunca faria algo assim...

—Eu sei que não, Lys — moveu os dedos até que pudesse segurar o rosto do garoto entre suas mãos — Eu consigo ver isso nos seus olhos... Mas se teve algo que eu consegui compreender da vida durante esses anos, é que nunca podemos dizer nunca. A vida é uma caixinha de surpresas — suspirou — e infelizmente, nem sempre elas são boas.

O feiticeiro se surpreendeu quando sentiu um aperto ao redor de si, quente e agradável, como uma tarde de verão. Então era assim um abraço, não era? Pareciam anos desde que sentira um desses pela última vez e, de fato, faziam. A cabeça de Cora encostou em seu peito, facilitando a embriaguez de Lysandre com o cheiro de seus cabelos, o que tornava tudo ainda mais deprimente. Ele não era merecedor daquele carinho, não era merecedor de nada bom, não mais... Tinha certeza que a garota podia ouvir seu coração se partindo, cacos se tornando pó. Dessa vez não conseguiu conter as lágrimas que corriam uma mais rápido que a outra, como se apostasem qual sairia mais depressa de si.

— Agora sou eu quem devo agradecer— respondeu, após finalmente soltar a garota.

— Disponha — sorriu, de canto, com as bochechas mais rosadas do que o comum — Mas eaê, o que acha da gente ver um filme?

                 (...)

Por fim, optaram por assistir Titanic, aparentemente, o único filme disponível naquela imensidão de canais da tv a cabo. Queriam algo divertido, que levasse embora o clima pesado, mas Cora pensou que o filme poderia servir como uma desculpa para um chororô, afinal até ela precisava liberar tudo o que estava sentindo. No fim das contas, o tiro saiu pela culatra e os dois acabaram gargalhando de várias cenas.

— Lys, nem vem. Eu tenho certeza que ele só afundou porque, de alguma forma, descobriu a velhinha assustadora que a Rose iria se tornar.

—E como ele saberia que ela iria se tornar uma velhinha assustadora? — Lysandre a encarou com um olhar desafiador

— Bom, dizem que quando você está prestes a morrer, tem um flash back da sua vida... E se algumas pessoas tiverem o contrário? Um flash do futuro?

— Você está levando as coisas para um outro nível, minha cara Cora. E estragando toda a poesia do filme.

Cora revirou os olhos.

— Blá, Blá, Blá — Debochou — Tenho certeza de que você achou minha teoria o máximo, só não quer admitir.

Lysandre sorriu um de seus melhores sorrisos, um que Cora ainda não conhecia, tão leve e divertido que fazia o coração dela quase pular para fora. Parecia que haviam abduzido o Lysandre original e o substituído por um imensamente mais leve, sem o peso do mundo em suas costas. Então aquele era o feiticeiro brincalhão... Uma das suas facetas mais maravilhosas, de acordo com a garota, mas que, infelizmente, pouco era revelada. Presenciar aquele momento fez Cora perceber o quanto queria ver mais daquele garoto despreocupado que estava o tempo todo escondido atrás de toda dor e mistério.

— Não sei do que está falando — respondeu, enquanto olhava o relógio de corda que pendia de seu bolso — Minha nossa, já é quase madrugada. Tem certeza de que assistimos apenas um filme?

— Tenho certeza de que foram as pausas para as comidinhas que atrasaram nosso cronograma — apontou para a mesa cheia de guloseimas e aproveitou para mordiscar o último dos docinhos.

— Tenho certeza que sim — riu, enquanto abria um portal no grande espelho pendurado atrás da porta de entrada — Ah, se importa? — perguntou, se referindo ao portal que abrira em sua casa.

Cora sorriu. Mesmo aquele Lysandre, leve e divertido, fazia questão de ser o cúmulo da educação.

— Sem problemas — Deu de ombros.

— Então, minha caríssima, devo dizer que desfrutar de sua companhia não foi nada menos que revigorante — curvou-se e, com toda delicadeza e cavalheirismo que eram possíveis à uma pessoa, tomou a mão da garota e depositou um beijo ali — Boa noite, Cora

Assim que Lysandre soltou sua mão e virou de costas para entrar no portal, a jovem tinha certeza de que ele estava levando embora seu coração junto. Claro, sabia que a partida de Lysandre era inevitável, mas não esperava sentir o que estava sentindo. Por que ele tinha de olhá-la, sorrir e tocar sua mão daquela forma? Era cruel demais ele ser tão amável e Cora não poder ter tudo aquilo para ela. Observou enquanto Lysandre colocava o pé direito dentro do portal, e só então percebeu que ela poderia sim. Poderia finalmente dar aquele passo que faltava, sair do comodismo e se lançar no escuro.

— Lys, espera! — Gritou, correndo até o portal.

O rapaz, que já estava com mais da metade do corpo dentro do espelho, voltou o rosto para Cora, intrigado.

— Sim? Esqueci algo aqui? — Perguntou, se referindo ao seu bloco de notas.

— Esqueceu sim — disse, segurando o rosto do feiticeiro com as mãos — Isso.

Quando Lysandre finalmente entendeu o que a garota estava dizendo, já era tarde demais: Cora havia selado seus lábios nos dele, em um beijo carinhoso e quente. Não havia línguas, toques ousados nem nada do tipo, apenas sua boca, docemente encaixada na dele e suas mãos mornas contra suas bochechas. Assim que Cora desencostou seus lábios, Lysandre abriu os olhos e encarou o rosto da garota, que estava apenas a alguns centímetros distantes do seu, encarando-o graciosamente.

— Boa noite — Cora finalmente respondeu, dando um leve empurrãozinho no rapaz, para que voltasse ao portal.

Lysandre sabia que aquele empurrãozinho estava sendo leve demais para que de fato ela quisesse que ele fosse embora... Mas o jovem feiticeiro estava surpreso demais para fazer qualquer coisa que não fosse se deixar levar e voltar para sua casa.


Notas Finais


CASTIETES, NÃO PONHAM MINHA CABEÇA A PRÊMIO AINDA, CALMA!
Confiem em mim, vai dar tudo certo pra todo mundo e ainda tem muuuuita história pra ser contada.

Agora, Lysandretes, como vcs estão se sentindo? Hehehe Tudo beleza?

https://m.youtube.com/playlist?list=PLSNQf3hN8EqBsxmSWX690r7-2DEDPAU5T

Vocês entenderam porque o capítulo chama mosaico? A arte do mosaico se trata de pegar varios caquinhos e transformar em algo bonito e com um significado... E meio que foi isso que aconteceu aqui hauaaha

Comentem o que acharam do capítulo, ta? A resposta de vcs é muito importante pra mim ❤️


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