História A Garota Do Calendário: Janeiro (Camren) - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren
Exibições 200
Palavras 2.313
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção Científica, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oiiee, tudo bem? Espero que gostem. Em breve as duas se encontrarão! Tchauuu

Capítulo 2 - Capítulo 2


— Camila! Minha querida — minha tia falou, enquanto envolvia os braços finos ao meu redor, me esmagando contra o peito. Para uma mulher franzina, ela era muito forte. Seu cabelo preto estava preso num coque francês elegante. Ela usava uma blusa branca, suave como seda (provavelmente porque era de seda), por dentro de uma saia lápis justa, de couro, e salto agulha altíssimo com solado vermelho. Li maravilhas a respeito daquele sapato quando passei os olhos na última Vogue. Ela estava linda. Mais que isso, ela parecia cara.

— Tia Millie! É tão bom rever você — comecei a falar quando dois dedos, com unhas muito compridas pintadas de vermelho-sangue, me silenciaram.

Ela estalou a língua.

— Aqui você vai me chamar de sra. Milan. — Revirei os olhos dramaticamente. Ela estreitou os seus. — Boneca, em primeiro lugar, não revire os olhos. Isso é grosseiro e nada feminino. Ela apertou os lábios.

— Em segundo lugar... — Caminhou ao meu redor, me avaliando como se eu fosse uma obra de arte, uma estátua. Algo frio e impenetrável. Talvez eu fosse. Enquanto me avaliava, abria e fechava um leque preto de renda, batendo-o ocasionalmente na palma da mão. — ... nunca me chame de Millie. Essa mulher se foi há muito tempo. Morreu quando o primeiro homem em quem eu confiei fez picadinho do meu coração e deu para os cachorros comerem.

A imagem era feia, mas tia Millie era extremamente honesta.

— Cabeça para cima. — Bateu na parte de baixo do meu queixo, me obrigando a erguê-lo de imediato. Então repetiu o gesto na base da minha coluna, onde a camiseta justa com estampa de banda não cobria o cós do jeans desbotado que eu adorava, deixando um pouco de pele à mostra.

Instantaneamente endireitei a postura, forçando os peitos para a frente. Seu sorriso de lábios vermelhos se ampliou, exibindo dentes brancos, perfeitamente alinhados. Eram os mais bonitos que o dinheiro podia comprar e uma despesa regular para as mulheres ricas de Los Angeles. Eu não conseguia andar um metro e meio sem encontrar alguém que ia mais ao dentista do que é medicamente necessário, ou ao dermatologista para aplicações mensais de botox. Tia Millie era, obviamente, uma cliente assídua desse tipo de tratamento. Ainda assim, mesmo beirando os cinquenta anos, ela estava, definitivamente, com tudo em cima.

— Bem, você é muito bonita. Mas vai ficar ainda melhor depois que a colocarmos em algo mais apresentável e fizermos o ensaio fotográfico. — Seu rosto se contorceu em uma careta quando ela olhou para minha roupa de motociclista.

Dei um passo para trás e bati numa cadeira de couro logo atrás de mim.

— Ainda não concordei com nada.

Os olhos de Millie se estreitaram novamente.

— Você não disse que precisava de muito dinheiro, e rápido? Por causa do imprestável do meu cunhado, que estava no hospital? Com problemas? — Ela se sentou delicadamente, cruzou as pernas e apoiou os braços, com leveza, no couro branco da cadeira. Tia Millie nunca gostou do meu pai. O que era uma pena, pois ele fez o melhor que pôde como pai solteiro, especialmente quando a irmã dela — minha mãe — abandonou as duas filhas. Eu tinha dez anos na época. Sofia tinha cinco e, desde então, não tem lembrança nenhuma da nossa mãe.

Mordi o lábio e olhei em seus olhos castanhos. Éramos tão parecidas. Tirando todas as cirurgias plásticas que ela tinha feito, era como olhar em um espelho, vinte e cinco anos à frente. Seus olhos tinham o mesmo tom de castanho, quase preto, que as pessoas passaram a minha vida toda elogiando. Castanho-escurecido, diziam. Como olhar para uma jóia rara. Nosso cabelo tinha o mesmo tom de preto, tão escuro que, quando exposto à luz, você podia jurar que era azulado.

Ajeitando os ombros contra a desconfortável cadeira, respirei fundo.

— Sim, dessa vez o meu pai se meteu num grande problema com o Blaine. — Millie fechou os olhos e balançou a cabeça. Mordi o lábio, lembrando do meu pai, pálido e magro, com hematomas cobrindo cada centímetro de seu corpo enquanto ele jazia sem vida no hospital. — Ele está em coma. Foi duramente espancado há quatro semanas. Ainda não acordou. Os médicos acham que pode ser devido ao trauma no cérebro, mas ainda vai demorar para saber. Muitos ossos foram quebrados. Ele está com o corpo todo engessado — terminei.

— Jesus Cristo. Selvagens — ela sussurrou e deslizou a mão pelo cabelo, colocando um fio atrás da orelha e se recompondo silenciosamente. Eu já a tinha visto fazer aquilo. Millie era mestra em manipulação e podia controlar suas emoções melhor do que qualquer pessoa que já conheci. Eu cobiçava esse talento. Precisava disso.

— É. E na semana passada, quando eu estava de vigília ao lado da cama dele, um dos capangas do Blaine veio me ver. Disse que era o fim da linha para o meu pai. Se não receberem o dinheiro com juros, vão matá-lo. Depois vão vir atrás de mim e da Sofia. Eles chamaram de “dívida herdada”. Seja lá o que isso signifique. De qualquer forma, preciso juntar um milhão de dólares, e rápido.

Tia Millie apertou os lábios e bateu a unha do indicador contra o polegar várias vezes. O tique-taque incessante quase me deixou louca. Como ela podia estar tão calma, tão indiferente? A vida de um homem, a minha e a da minha irmã mais nova estavam em risco. Ela não ligava para o meu pai, mas sempre teve um fraco por mim e minha irmã.

Seus olhos encararam os meus, ferozes e brilhantes, com uma emoção desconhecida.

— Podemos conseguir em um ano. Você acha que eles lhe dariam esse tempo para pagar parcelado? — Sua sobrancelha se arqueou enquanto ela concentrava toda a atenção em mim.

Os pelos dos meus braços se arrepiaram e eu joguei os ombros para trás, em defesa. Balancei a cabeça.

— Não sei. Tenho certeza de que o Blaine quer o dinheiro, e, como tivemos um lance um tempo atrás, posso tentar pedir. Aquele filho da puta sádico sempre gostou de me ver de joelhos, implorando.

— Guarde as suas aventuras sexuais para você, boneca. — Ela sorriu maliciosamente. — Parece que vamos ter que colocá-la para trabalhar imediatamente. Só as melhores contas. Temos que adiantar tudo. Preciso de você aqui amanhã de manhã para a sessão de fotos. Vai durar o dia inteiro. Vamos tirar algumas fotos, fazer vídeos etc. Vou pedir aos meus rapazes que subam o material para o site seguro no dia seguinte.

Tudo estava acontecendo muito rápido. As palavras “podemos conseguir” soaram em meus ouvidos como uma tábua de salvação, um bote em mar aberto cercado de tubarões, porém ainda flutuando.

— Mas eu vou ter que dormir com eles? Quer dizer, eu sei que existem diferentes tipos de acompanhantes. — Fechei os olhos esperando pela resposta, até que senti algo quente apertar minhas mãos. Ela as estava segurando.

— Boneca, você não tem que fazer nada que não queira. Mas, para conseguir todo esse dinheiro, precisa considerar a possibilidade. Meus clientes e eu temos um acordo verbal, por assim dizer. Minhas meninas dormem com eles, e eles acrescentam vinte por cento à comissão. Esse percentual é deixado em dinheiro, num envelope, no quarto da garota. Nada disso é pago para mim ou para minha empresa, já que a prostituição é ilegal na Califórnia. — Millie tocou o próprio queixo com o indicador. — Mas as minhas meninas devem ganhar mais pela conveniência, você não acha? — Ela piscou.

Assenti num gesto de cabeça, sem jeito, sem saber o que pensar, mas concordando mesmo assim.

— Vou agendar você por mês. Essa é a única maneira de conseguirmos um cheque mensal de seis dígitos. — Seus olhos castanhos-escuros estavam brilhantes. Tanto que eu quase acreditei que poderia ser fácil se eu tivesse a mente aberta. — Você vai ser enviada para onde o homem ou a mulher estiver e ser tudo o que ele ou ela precisar durante o mês. Mas eu não vendo sexo. Se você dormir com eles ou elas, vai ser uma decisão sua. Entretanto, quando der uma olhada nos homens e nas mulheres que eu tenho na lista de espera, você vai pensar duas vezes sobre não ir para a cama com eles ou elas. Isso sem falar no pagamento extra. — Ela sorriu e depois se levantou. Caminhou ao redor da mesa de vidro, sentou-se e, em seguida, virou-se para o computador, me dispensando silenciosamente. Senti que estava presa à cadeira de couro, incapaz de me mover. Pensamentos de como é que eu ia dar conta desse trabalho rodeavam minha mente feito abutres ferozes, caçando e bicando minha moral, um a um, como se ela fosse uma presa disponível.

— Vou fazer isso — ouvi-me sussurrar.

— Claro que vai. — Ela olhou para mim por cima do computador. Seus lábios se abriram em um sorriso torto. — Você não tem outra opção se quiser salvar o seu pai.

     No Dia Seguinte:     

O dia seguinte foi um turbilhão de atividades. Eu me senti como a personagem de Sandra Bullock em Miss simpatia. Fui cutucada, esfregada, depilada e massageada em cada centímetro do meu corpo. Era como se eu fosse uma almofada de alfinetes humana, e quase acabei espetando a consultora de beleza que Millie contratou para “me consertar”. Palavras dela, não minhas. Eu não tive como negar; contra fatos não há argumentos. Quando me olhei no espelho, quase não reconheci a mulher refletida ali. Meu cabelo preto e comprido estava mais brilhante do que nunca, caindo em ondas perfeitas sobre as costas e os ombros. Em qualquer ponto em que a luz tocava minha pele, um efeito de brilho cintilava de volta. O visual bronzeado que levei semanas para conseguir sob o sol da Califórnia agora reluzia como mel, destacando meus melhores atributos. O vestido que ela me fez usar era lilás, confortável e justo. Encaixou perfeitamente em cada curva arredondada e nos músculos tonificados do meu corpo, dando o efeito desejado. Sexy e elegante. Eu parecia um anjo negro quando o fotógrafo me colocou num banco frio de mármore branco. Ele me arrumou em algumas posições, e em pouco tempo peguei o jeito de fazer um bico sensual e olhar fixamente ao longe, desprovida de emoção. Era disso que eu precisava naquele momento. Não ter emoções.

Assim que terminamos e eu pude recolocar minhas roupas, que consistiam em calça jeans e camiseta justa, voltei para Millie, ou melhor, para o escritório da sra. Milan.

— Boneca, as fotos ficaram magníficas! Eu sempre soube que você seria perfeita como modelo. — Ela clicou em seu computador enquanto eu caminhava pela sala, então olhei para o que ela estava vendo. Perdi o fôlego quando vi minha própria imagem retratada pelo fotógrafo.

— Incrível. — Fiquei sem palavras por um momento. — Não posso acreditar que sou eu. — Balancei a cabeça enquanto uma foto após a outra apareciam no site da Exquisite Acompanhantes de Luxo. Se não tivesse passado por aquilo tudo, eu jamais acreditaria que era eu.

 Um lento sorriso surgiu nos lábios da minha tia.

— Você é muito bonita. — Seus olhos claros se fixaram em mim. — Se parece tanto com...

— Que seja. — Balancei a cabeça e encostei o quadril em sua mesa de vidro, sem querer ouvir quanto ela achava que eu me parecia com minha mãe. — E agora? — perguntei, cruzando os braços sobre o peito, sentindo um estranho desejo de me proteger do que ia acontecer a seguir.

Ela se recostou na cadeira de couro preto, com os olhos brilhando.

— Quer ver a sua primeira missão?

Uma lenta sensação de medo subiu pela minha coluna, mas enrijeci os ombros e olhei para ela com uma expressão branda.

— Manda ver.

Millie riu e, em seguida, clicou algumas vezes no navegador, trazendo a imagem de uma das mulheres mais insuportavelmente lindas que eu já vir. Não havia nada que pudesse comprometer sua excelente aparência. Mesmo em uma foto de currículo corporativo, o cabelo marrom-escuro, os olhos verdes e o queixo esculpido eram de admirar. Seu cabelo era longo, cortado em camadas e com aquele jeito meio bagunçado mas perfeitamente arrumado que estava tão na moda. Mas algo ali não encaixava. A moça não devia ter mais de trinta anos. Além disso, não era o tipo de mulher que precisaria contratar uma acompanhante. Parecia mais o tipo de mulher por quem as mulheres ficam loucas, perdidas de desejo.

— Não entendo. Por que ela... — Apontei para o sorriso do monumento na foto. — ... precisaria contratar uma acompanhante?

Minha tia inclinou-se para trás, apoiou as mãos no colo e sorriu.

— Ela escolheu você.

Sei que devo ter parecido confusa, porque ela apressadamente continuou:

— Eu mesma enviei as primeiras fotos do seu ensaio para ela e a mãe. Trabalho muito com ela. Enfim, ela concordou com o encontro. Vai mandar um carro buscá-la amanhã de manhã. Ela é daqui da região, mas, ainda assim, você vai precisar ficar na casa dela pelos próximos vinte e quatro dias.

Senti como se minha cabeça tivesse sido atingida, em um golpe rápido, por um taco de beisebol imaginário.

Vinte e quatro dias? Você está louca? Como é que eu vou conseguir trabalhos ou participar de audições? — Minha carreira de atriz não era grande coisa, mas eu tinha um agente que cobrava barato e me conseguia um contrato ou outro. E ainda tinha o restaurante onde eu dava expediente à noite.

Millie me olhou como se uma segunda cabeça tivesse crescido em mim. Seus lábios estavam apertados em uma linha fina, e seu nariz, franzido de uma forma nada atraente.

— Camila, você vai deixar todos os seus outros trabalhos por pelo menos um ano. Agora você é uma funcionária da Exquisite Acompanhantes de Luxo. Suas tarefas serão executadas no período de um a vinte e quatro dias, dependendo das necessidades do cliente. Já que você precisa ganhar muito dinheiro num curto espaço de tempo, precisa pegar trabalhos maiores.


Notas Finais


Desculpa pelo capítulo grande, é para adiantar o encontro das duas, ok? Espero que tenham gostado! ☺☺☺😀❤❤


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