História A Garota Que Ninguém Reparou - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Exibições 10
Palavras 2.496
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oi, pessoal!
Tem recado importantíssimo nas notas finais!
Boa leitura!
~agirlwithscars.

Capítulo 13 - I love her.


Fanfic / Fanfiction A Garota Que Ninguém Reparou - Capítulo 13 - I love her.

- Amélia! – Angel exclamou, impaciente. – Terra chamando Amélia!

Abri e fechei minha boca diversas vezes, mas nenhuma palavra era solta no ar.

Angel levantou o copo com leite, determinada a tomar mais um gole, mas parou no meio do caminho e observou-me.

- O que você está fazendo com o roupão do Jesse? – ela colocou o copo na mesa e fechou a cara.

Passei a mão em meus cabelos recém cortados e respirei fundo. Eu não poderia ficar calada por mais tempo. Eu precisava de uma boa mentira, e rápido.

- Estava chovendo. – comecei, entrelaçando os dedos das mãos para conter o nervosismo. – E estava perdida. Liguei para Jesse e ele me trouxe para cá. Aproveitei e tomei um banho para me esquentar.

Ela pareceu ter acreditado na mentira, pois seus ombros relaxaram.

- Meu irmão sempre me avisa quando vai trazer alguém para casa.

- Pelo jeito ele acabou se esquecendo.

Sua feição suavizou-se e ela permitiu um breve sorriso passar por seu rosto.

- O que houve com o seu cabelo? – perguntou.

Toquei as pontas ainda úmidas do meu cabelo e repeti mentalmente inúmeras vezes que tudo aquilo era necessário.

- Cortei. Mudar é bom.

- Eu gostei! – Angel murmurou. – Combinou com você.

- Obrigada.

Ela empurrou um pires com algumas bolachas em minha direção.

- Coma! São uma delícia.

- Eu agradeço, Angel, mas preciso ir para casa...

- Como assim? Você não pode ir para casa!

- E-eu gostaria de saber se você pode me emprestar algumas roupas.

- Não! – ela gritou, jogando as mãos para o alto. – Não posso permitir que isso aconteça de novo!

Ela deitou o rosto entre as mãos e começou a soluçar. Sentei-me no banco de madeira ao seu lado e acariciei seu braço coberto por um pijama de algodão de ursinhos.

- Angel, o que houve?

- Ele não te contou, não é?

Ela aceitou meu silêncio como resposta e prosseguiu:

- Jesse não tem a idade que aparenta ter. Ele completou 19 anos a poucos meses. – meus olhos saltaram e Angel riu. – Sim. E ele já esteve noivo.

- Noivo?! – exclamei, totalmente surpresa. – Você quer mesmo que eu acredite nisso, Angel?

Angel saltou do banco e remexeu em uma caixa de madeira que estava embaixo da pia, retirou uma foto da caixa e colocou-a sobre a mesa.

- Veja com seus próprios olhos.

Na foto, Jesse estava abraçando uma mulher esbelta, com longos e lisos cabelos loiros – ela até lembrava-me um pouco de Bárbara – e a mesma apontava para a sua mão, onde via-se um enorme anel de diamantes.

- Uau. – sussurrei. – Quem é ela?

- Essa é a Tessa. – disse Angel, apontando para a mulher loira da foto. – Ela traiu Jesse com o padrinho na véspera do casamento.

Eu estava absurdamente chocada. Surpresa não chegava nem aos pés de como eu sentia-me naquele exato momento. A cada dia que passava eu notava ainda mais que Jesse era uma caixinha de surpresas, e que toda essa pinta de bad boy poderia muito bem ser fachada.

- E o que houve depois? – perguntei.

- Jesse enlouqueceu. Tessa foi seu primeiro amor e sua primeira namorada. Ele começou a beber, arrumar briga por onde passava, ficava com várias garotas e não ia ao colégio. Foi assim o ano todo e ele repetiu.

Meu coração pulsava descompassado em meu peito. Eu estava lutando internamente contra a vontade de subir as escadas, jogar-me nos braços de Jesse e nunca mais sair de lá.

- E como ele voltou aos eixos?

- Você.

- Eu?

- Escondemos a moto dele porque ele andava muito alterado por conta do álcool, então ele começou a andar de metrô. Até que ele encontrou você. Ele me contou o que houve. Ele não estava indo para o colégio, Amélia. Ele estava indo para o centro da cidade, beber. Mas você o salvou. E eu a agradeço arduamente por isso. – ela pegou em minha mão e apertou-a de leve. – Obrigada, Amélia.

Belisquei meu ombro direito para comprovar fisicamente que eu não estava sonhando. Era como se uma nova porta abrisse e uma única vez em minha vida, eu tivesse alguma chance de escolher. Durante todo esse tempo, Jesse compartilhava dos mesmos sentimentos que eu, essa absurda vontade de deixar de existir, mas o traiçoeiro destino traçou uma linha contínua entre as nossas vidas e nos juntou naquele metrô. Desde pequena eu sempre acreditei que tudo na vida havia um porquê. Por que o céu é azul? Por que o sol é quente? Mas nunca havia achado uma resposta para justificar tudo que Christopher fazia comigo. Agora estava tudo nítido. Se Christopher ainda continuasse sendo o pai bom, responsável e carinhoso que aparentava ser anos atrás, Daniel nunca chamaria a polícia e não o levariam preso por agressão à menor e à mulher. Se Christopher não tivesse sido preso, Daniel e eu não moraríamos com mamãe e eu nunca iria cogitar a ideia de ir para o colégio de metrô. Eu estava começando a sentir sentimentos nunca conhecidos antes, sentimentos que eu mal sabia que era capaz de sentir.

Mas eu precisava seguir adiante. Agora, ainda mais que antes, eu deveria protege-lo, mesmo que custasse minha própria vida.

- Angel... Eu não sei como falar isso para você. Mas, apesar de eu querer muito ficar, eu tenho que ir.

- Você não pode ir sem mais nem menos! – ela esbravejou. – Ao menos me dê uma boa razão.

Lágrimas caiam dos meus olhos quando eu lhe disse:

- Você e Jesse correm grande perigo.

Angel ficou sem reação por um tempo, olhando para o vazio, e logo depois começou a rir.

- Você vai mentir para mim, Amélia? Depois de tudo que eu contei a você?

- Angel, por favor. – supliquei. – Olhe para mim. – coloquei seu rosto entre as minhas mãos. – Vocês correm perigo e só eu posso salvá-los.

- Parece ruim.

- É bem ruim.

- Tem algo que eu possa fazer para ajudar?

- Você poderia me emprestar algumas roupas, para eu não sair por aí usando o roupão do Jesse. – eu disse, e sorri, a ideia soava tentadora apesar de tudo. – E deve prometer-me que não vai contar a Jesse. Não vai contar a ninguém.

- Se eu não contar para ele, como ele vai salvar você?

- Oh, querida. – acariciei seus perfeitos cachos loiros e a abracei. – Ninguém irá me salvar. – sussurrei contra seu cabelo, para que não me ouvisse.

**

Terminei de vestir a roupa que Angel me emprestara: uma calça jeans escura, uma blusa de manga comprida preta e um moletom cinza com capuz. Tomei um gole de café preto e comi uma torrada. Conferi o relógio e ele mostrava que ainda eram 4 horas da manhã. Dei um beijo na testa de Angel e a abracei demoradamente, aproveitando cada segundo daquele caloroso abraço.

- Angel, eu gostaria que você transmitisse um recado ao seu irmão. – ela assentiu, enquanto enxugava as lágrimas com a costas da mão. – Diga à ele que eu não me arrependo de absolutamente nada e, que se eu tivesse a oportunidade de escolher, eu o escolheria um milhão de vezes.

Ela assentiu mais uma vez e retribuiu o abraço apertado, deixando uma pequena mancha de lágrimas no moletom que eu vestia. Segui meu caminho, decidida a passar no hospital uma última vez para ver Daniel e depois salvar minha mãe.

**

O hospital estava deserto – pelo fato de serem só 4:30min da manhã – e a mulher que estava tomando conta da sala de espera estava roncando em cima do teclado do computador. Baseei-me nas últimas vezes que estive aqui para encontrar o quarto de Daniel e depois de andar em círculos três vezes, decidi ir para Ala da Pediatria procurar por Violet, talvez ela soubesse me levar até Daniel. Entrei na Ala da Pediatria e deparei-me com a mãe de Violet ajoelhada no chão, chorando e soluçando. Corri até ela e afaguei seu braço.

- Senhora Röth? Está tudo bem?

- Violet! – ela gritou.

Senti meus olhos marejarem e a abracei. Eu não gostaria de ouvir isso em voz alta, mas tive de perguntar:

- O que houve com ela, senhora Röth?

- Ela morreu!

Eu estava passando tanto tempo preocupando-me em deixar Christopher o mais longe possível das pessoas que eu amava que nem parei para perceber o quanto Violet significava pra mim, e que ela era a única pessoa que Christopher não machucaria.

- Sinto muito. – sussurrei contra seu cabelo e a apertei ainda mais. – Ela está em um lugar melhor agora, senhora Röth.

- Me chame de Anne. – ela disse, levantando o rosto e deixando a mostra o rosto cansado e inchado por conta das lágrimas. – Você foi uma ótima companhia para ela, Amélia.

- Ela que foi uma ótima companhia para mim.

Levantei-me e estendi a mão para ajudá-la a levantar-se e ela encarou minha mão, então percebi o que ela olhava: o anel que Violet me emprestara para me passar como noiva de Daniel.

- Violet me emprestou isso. – disse, enquanto tentava retirar a aliança do dedo.

- Não. – Anne murmurou. – Fique com isso.

- Obrigada. – coloquei o anel de volta em seu lugar e ajudei Anne a levantar-se. – Anne, você sabe onde fica a Ala do Trauma?

**

Só percebi o quanto eu estava tensa, perdida e desamparada quando cheguei a porta do quarto de Daniel. Se ele estivesse acordado, ele iria fazer de tudo para me impedir de ir até Christopher. Peguei seu celular em meu bolso e mandei uma mensagem endereçada a Bárbara.

“Ei, problemas. Hospital Central. Ala do Trauma. Quarto 212.

Danny.”

Desliguei o celular e o coloquei no chão, encostado na porta. Assim que Bárbara entrasse no quarto, o celular cairia para dentro do quarto e Daniel o guardaria.

**

Enquanto eu andava pelas ruas escuras do centro à caminho do subúrbio, – onde o endereço do cartão de Christopher informava que ele estaria – uma chuva fina começou a cair. Puxei o capuz para cima, cobrindo boa parte do meu rosto e senti que estava sendo seguida. Virei minha cabeça levemente e percebi uma figura vestida totalmente de preto a menos de 3 metros de distância. Apertei o passo e a figura fez o mesmo, entrei em um beco para despistá-lo, mas ele seguiu-me novamente e no fim do beco eu me dei conta: estava fodida. Girei meus calcanhares e a figura aproximou-se, encurralando-me, levantou o capuz deixando seu rosto a mostra e disse:

- Olá, doçura. Nos encontramos de novo.

**

POINT OF VIEW: JESSE FOUTAINE.

Tessa e eu nos casaremos na manhã seguinte. Uma cerimônia familiar e ao ar livre – como Tess queria que fosse. Eu estava me sentindo uma garotinha adolescente, me mexendo de um lado para o outro na cama, sem pensar em outra coisa a não ser o que Tess estaria fazendo nesse exato momento. Por escolha dela, combinamos ficar uma semana longe um do outro, para deixar a noite de núpcias ainda melhor. Mas não era só por causa do sexo que eu havia escolhido casar com Tessa, assim que me dei conta de que estava amando-a, eu não conseguia ficar nem um segundo sequer longe dela, precisava abraçá-la e dizer quanto a amava toda hora. Portanto, essa semana inteira eu estava em pedaços, sentindo-me como quem acabara de doar um órgão e arrependeu-se. Levantei-me da cama, coloquei um casaco e fui à procura do quarto de Tess. Cheguei a porta e pensei em bater, acabei dando de ombros e abrindo-a mesmo assim, afinal, em poucas horas, seríamos marido e mulher. Abri a porta do quarto e me arrependi instantaneamente. Tessa estava nua, gemendo enquanto subia e descia no membro de Steve – meu padrinho de casamento.

- Uau, Tess, você é uma puta fodida mesmo, não é? – gritei.

**

Acordei com o cheiro de Amélia impregnado nos meus lençóis e só de pensar na noite passada, abri um sorriso. Amélia é uma garota diferente, reservada, na dela. É estranho acreditar que até noite passada ela ainda era virgem. Uma garota tão linda, tão encantadora e maravilhosa. Amélia não é o tipo de garota que o cara fica uma noite só para aliviar a vontade de transar e depois esquece, Amélia é o tipo de garota que Tessa nunca foi, o tipo de garota que todo cara ficaria louco para chamar de sua. Amélia é a garota que eu quero para mim.

Coloquei minha calça de moletom e desci as escadas até a cozinha. Angel estava dormindo no sofá com o rosto inchado de quem chorou a noite toda. Agachei-me próximo ao sofá e afaguei seus cabelos.

- Angel?

Ela resmungou alguma coisa sobre eu tê-la acordado de um sonho com anjos e unicórnios.

- Você sabe onde a Amélia está, meu amor?

Seus olhos abriram-se em um pulo, o que fez-me levar um susto. Ela contorceu seu rosto em uma careta e logo começou a chorar.

- Eu tentei fazê-la ficar. – ela disse, entre um soluço e outro. – Mas ela disse que corremos perigo.

Sentei-me no sofá, coloquei-a em meu colo e abracei-a.

- Perigo? Não estamos em perigo. Você sabe que eu posso proteger você.

- Eu sei! Mas, Amélia disse que só ela poderia fazer isso.

- Eu não entendo. – murmurei, e eu realmente não entendia. – Ela só disse isso?

- Ela também disse que não se arrepende de nada e que se tivesse a oportunidade de escolher, ela o escolheria um milhão de vezes.

Um sorriso triste fez-se em meu rosto e uma lágrima solitária percorreu minha bochecha.

- Precisamos ir atrás dela. Ela precisa me contar toda a verdade.

Angel levantou-se abruptamente, cruzou os braços e fez um bico.

- Não! – retrucou. – Não vou permitir que você corra perigo.

- Meu amor... – disse, acariciando seu rosto. – Eu sei cuidar de mim.

Ela negou com a cabeça na tentativa falha de engolir as lágrimas.

- Não vou perder você também.

- Angel, estava na hora do papai ir...

- Não! – ela gritou. – Você é tudo que eu tenho, Jesse!

- Angel. – eu disse, sério. – Se eu achar Amélia e ela se abrir comigo... Vou pedi-la em casamento.

Ela arregalou os olhos e depois riu.

- O quê? – esbravejou. – Você ficou louco, Jesse? Eu lembro como você ficou da última vez que pediu alguém em casamento.

Entrei em um bar – pela primeira vez na minha vida – e pedi ao barman o que ele tivesse de mais forte na prateleira. Ele colocou a garrafa na minha frente e um copo de dose pequena no balcão.

- Você pode me dar um copo maior? – perguntei.

O barman olhou-me como se eu fosse fraco demais para essa quantidade de bebida e ele estava absolutamente certo, mas deve ter sentido – com o sexto sentido masculino – que estava tudo fodido e eu precisava tomar um porre.

Não me lembro como fui parar na casa dos meus pais no dia seguinte.

- Angel, Amélia é diferente. – murmurei. – Pode me chamar de louco, mas eu a amo.


Notas Finais


Como vocês estão? Bem? Espero que sim!
Primeiramente gostaria de me desculpar por não estar postando em um dia certo.
E, agora, talvez eu fique um tempo sem postar por conta das provas e do meu estágio que vai começar (e só tenho férias para o Natal, POIS É!) então vou ficar com um tempo bem apertado. Mas, prometo que, sempre que puder, postarei para vocês! Espero que entendam e estejam gostando da história.
Até outro dia,
~agirlwithscars.


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