História A Guardiã - Capítulo 2


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Categorias Naruto
Tags Naruto, Sasusaku
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Palavras 1.841
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, boa leitura ^^

Capítulo 2 - Não foi fácil demais?


Sakura POV ON

Eu estava deitada na cama do meu novo quarto. Era de casal e tinha um lençol que era feito de seda vermelha. Haviam almofadas espalhadas e travesseiros enormes. O quarto era bem maior do que toda minha casa. Ou melhor, minha antiga casa. Os reis haviam deixado bem claro que era ali no palácio que eu ficaria. Há uns minutos atrás, uma serva magra e de olhar triste me trouxera uma bandeja repleta de comida que eu nunca achei que fosse realmente provar: um pedaço de frango recheado com queijo, uma taça de vinho, torradas com molho e chocolate em pedaços.

O receio foi inevitável. A probabilidade de eles terem colocado veneno naquilo era bem alta. Independente do que o rei dissera, não muda o fato de que nobres não tem palavra.

Nem a possibilidade de ser envenenada mudou o fato de que eu estava faminta. Cheguei à conclusão de que se fosse pra morrer, pelo menos eu morreria comendo. A comida estava melhor do que eu imaginava. Devorei tudo aquilo em menos tempo do que julgava possível.

Logo que terminei, o sentimento de culpa me consumiu. As pessoas do meu vilarejo à essa altura estavam caídas de fraqueza. Quando pensei na minha família, me senti pior ainda. O que eles iriam comer essa noite? Provavelmente minha mãe faria um pequeno bolo com o que sobrara da farinha que eu consegui há uns dias atrás. Mas não era o bastante. Nunca era.

Não consegui parar de pensar nisso. Eu não poderia dormir sem saber como eles estavam. Será que sabiam o que tinha acontecido comigo? A culpa que eu senti se transformou em inquietação. Seria loucura tentar fugir do palácio. A janela do quarto era alta, mas eu já havia pulado outras bem maiores. O maior problema era os guardas. Não demoraria chegar aos ouvidos dos reis que a “Guardiã” (acho que nunca me acostumarei com esse nome) do príncipe fugira às vésperas do açoitamento. Ah, sim, serei açoitada amanhã.

Era muito arriscado. Muito. Mas eu não  tinha outra alternativa- ia acabar enlouquecendo. Resolvi passar na cozinha e pegar comida para levar para eles. Não iria fazer falta, e mesmo se fizesse, duvido que seria mais do que para nós, camponeses. Saí do quarto e olhei ao redor. O corredor estava iluminado por luminárias aromáticas. Provavelmente, todos já estavam dormindo. Quando atravessei a porta, dei de cara com um muro. Me afastei na hora e massageei a cabeça.

-Ai, isso doeu...-murmurei. Por que raios havia um muro no meio do corredor?

Não, espera. Não era um muro. Muros não usam armaduras. Era um guarda.

Ele me olhava seriamente e com uma sobrancelha arqueada.

-Ah, eu estava indo...hum, você sabe, na cozinha. Ainda estou com fome.

-A cozinha fica pro outro lado.- foi a única coisa que ele disse.

Assenti e me virei. Quando corri os olhos pelo local, pude notar a presença de outro guarda do lado da porta. Outro ao pé da escada. Mais um na entrada do saguão. Tentei ignorar a presença de cada um deles e segui para a cozinha. Não foi difícil achá-la. Assim como todo o resto do palácio, ela era enorme. Dentro do armário havia mais comida do que o necessário para alimentar todos que moravam ali. Acredito que o ego do rei o impedia de distribuí-la aos outros.

Como eu nem sabia se ia conseguir sair do local, peguei pouca coisa: apenas um pedaço generoso de carne e pães que, por algum motivo, pareciam ter acabado de sair do forno. Levei a comida para o quarto. Os guardas não disseram sequer uma palavra. Coloquei tudo em uma sacola e ajustei firmemente na cintura. Abri lentamente a janela, tentando fazer o mínimo de barulho possível, e logo senti a brisa fria da noite.

Corajosa e violentamente, ela chicoteava meu roso, desafiando-me a fazer aquilo. Calculei a altura da janela e a forma que eu precisaria aterrissar para não machucar-me. Olhei para a frente, para o jardim. Mais guardas. Mas considerando que eles estavam de costas, e a distância, seria praticamente impossível ouvir minha queda.

Um. Dois.

Não esperei o três. Apenas peguei impulso e joguei meu corpo contra a noite à fora. O vento ficou mais intenso, mas antes que eu pudesse avaliar isso, percebi a grama se aproximando. Posicionei meus pés da forma correta e esperei.

Erro de cálculo.

A janela era mais alta do que eu previra. Uma dor cortante subiu por meus tornozelos assim que cheguei ao chão. Instantaneamente olhei para os guardas que estava à metros e mais metros à frente. Nenhum deles pareceu se mover.

Massageei a região dolorida rapidamente e logo me escondi atrás de uns arbustos. Meu pai sempre dizia que todo cuidado era pouco. E num lugar que eu não conhecia, todo cuidado era pouquíssimo. Era melhor não subestimar a audição e competência dos guardas. Continuei me movendo sorrateiramente pelo jardim, agachada.

Quando você vive de mortes alheias, tem que saber a hora certa para tomar decisões certas. Quando avistei um pequeno túnel por debaixo de outros arbustos, percebi que agora era uma dessas horas. Era no formato de um arco e bem pequeno. Possuía grades que impossibilitavam a passagem. Nada que um pequeno esforço manual não resolva.

Cheguei mais perto e notei que aquilo não era um túnel comum. Ah, merda. Era uma saída de esgoto.

Nunca fui fresca, mas entrar no esgoto não era uma coisa muito legal de se fazer, ainda mais quando você está carregando comida. Porém, não havia nenhuma escolha. Não conseguiria passar pelos portões mesmo.

Desci um pequeno morro e entrei naquela água. Segurei a sacola acima da cabeça com uma mão, e com a outra forcei a grade. As barras de ferro estavam enferrujadas, então se soltaram com certa facilidade. Assim que adentrei, senti meu estômago se revirar com aquele cheiro podre.

-Vamos, Sakura, você já passou por coisas piores...-murmurei para mim mesma.

Estava bem escuro, então apenas segui em frente, tateando as paredes úmidas. Eu não fazia ideia de onde aquilo iria dar, mas com certeza seria no vilarejo. Continuei andando. A água batia um pouco acima da minha cintura, e eu tinha que andar com a cabeça abaixada.

Não sei dizer por quanto tempo meu passeio subterrâneo durou, mas quando comecei a ouvir vozes distantes e enxerguei o fim do túnel, apressei o passo. Quanto mais eu me aproximava, ia reconhecendo que lugar era aquele. Era um esgoto a céu aberto que havia do lado de uma espelunca, vulgo, bar.

Até que cheguei do outro lado. Desse, não havia grades, então apenas saí dali com a cabeça baixa, tentando chamar o mínimo de atenção possível. O que deu certo, já que as únicas pessoas que haviam na rua à essa hora eram bêbados caídos pelos cantos. Segurei a sacola firmemente, se alguém sentisse o cheiro da comida, com certeza viria atrás. Sim, já chegamos nesse nível. 

Por sorte, eu conhecia o vilarejo muito bem, então cheguei em minha casa rapidamente. As luzes ainda estavam acesas, então bati na porta e esperei. Meu pai atendeu, com a aparência cansada e olheiras, como sempre. Mas quando me viu, seus olhos se arregalaram e ele me puxou para um abraço.

-Sakura, meu Deus, é você...que cheiro é esse? Onde você estava?

À essa altura, minha mãe e Hana já estavam vindo em nossa direção.

-Ouvi dizerem na cidade que os soldados tinham te levado, é verdade? O que houve?- meu pai continuou a me bombardear com perguntas.

-Pai, calma, eu estou bem.

-Céus, minha filha!- minha mãe veio correndo e me abraçou também.- Fiquei tão preocupada quando você não apareceu hoje!

Digamos que eu tinha alguns inimigos na vila, então para não prejudicar minha família, eu morava sozinha. Só ia vê-los duas ou três vezes na semana, mas levava comida sempre que conseguia. E hoje, logo hoje, era dia de ir visitá-los.

-Explique o que aconteceu, vamos.- minha mãe se sentou no pequeno e acabado sofá que tinham. Peguei um caixote e me sentei em cima dele, com Hana pendurada no meu pescoço.

-Sim, eu fui capturada. Eles iam me condenar à morte, mas por algum motivo, o general conseguiu que me poupassem. Agora eu sou meio que a Guardiã do príncipe.

Meus pais não disfarçaram a surpresa, e nem teria por quê fazê-lo.

-Como...como assim?- meu pai perguntou.- Eles te aboliram, você sabe, de tudo?

Meus pais não eram muito fãs do meu trabalho, então era delicado falar sobre isso.

-Também não entendi direito, mas não, não me aboliram. Serei açoitada amanhã.

Minha mãe soltou um grito, horrorizada, e começou a chorar. Meu pai enterrou a cabeça nas mãos.

-O que é açoitada?- minha irmã perguntou, assustada com a reação de nossos pais.  

Acariciei seus cabelos castanhos, pensando em como responder sua pergunta. Fiquei feliz em saber que mesmo vivendo nesse mundo horrível, minha irmãzinha não sabia das coisas que a cercavam. Agora eu entendi o significado de “Inocência de uma criança” como nunca havia entendido antes. Infelizmente, alguma hora toda essa inocência iria abandoná-la, e isso me frustrou muito.

-É uma coisa ruim, muito ruim, mas eu vou ficar bem.- foi a única resposta que veio à minha cabeça. 

Mesmo ainda não sabendo exatamente do que se tratava, os pequenos olhos dela começaram a lacrimejar.

-Promete?

-Prometo.

Fiquei mais alguns minutos conversando com meus pais sobre toda essa situação, até que me dei conta do tempo. Voltei ao palácio da mesma forma que saí.

De alguma forma, consegui escalar a janela de volta. Suspirei pesadamente, me sentindo aliviada por ter conseguido. Porém, esse alívio foi-se embora quando ouvi uma voz atrás de mim:

-Se divertiu, Guardiã?

Um arrepio subiu por minha espinha antes mesmo de eu me virar. Era uma voz rouca e baixa, e eu não sabia a quem pertencia. Tentando me controlar, me virei bem devagar. O dono da voz estava sentado numa poltrona, onde só era possível ver suas pernas e parte de sua mão, devido a escuridão do quarto. Mas quando ele se levantou e caminhou em minha direção, não tive dúvidas:

Aquele era Sasuke Uchiha.

-Ah, surpresa? Não precisa ficar preocupada, não irei contar a ninguém, até porque não tenho motivos pra isso.

-Olha, eu...- tentei falar, mas as palavras sumiram nessa hora.

-Silêncio.

Com certeza.

-Eu realmente não tenho motivos para contar sobre esse seu passeio para ninguém. Afinal, foi uma gentileza nossa.

O fitei, tentando entender o que ele queria dizer.

Percebendo minha expressão, o príncipe disse:

-Ah, achou mesmo que você conseguiu sair por que está acostumada com essas coisas? Francamente, achei que fosse mais esperta. Os olhos dos Uchihas estão em toda parte. Sabíamos que não ia fugir, por isso, deixamos que saísse do palácio. Só não se acostume com isso, ouviu?

Quando ele disse essas palavras, minha fixa caiu. Não tinha como eu fugir do palácio. Não havia sido fácil demais?

-Até amanhã.- ele sorriu sarcasticamente e se virou, mas antes de girar a maçaneta, disse:

-Não se esqueça, nossos olhos estão em toda parte, Sakura.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, até o próximo!!


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