História A Guardiã - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags A Guardiã, Anjos, Céu, Demonios, Inferno, Maria, Os Sete Demônios, Sobrenatural
Visualizações 11
Palavras 2.519
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Gente tenho uma grande notícia para dar! Eu estarei participando de um concurso de histórias autorais patrocinado por uma editora e pela Amazon, e as histórias que usarei para concorrer são Os Sete Demônios e Céu e Inferno (claro, tem aquele fato de que a história terá que ser adaptada para livro, muitas coisas vão mudar por conta disso), mas não se preocupem pois continuarei postando histórias aqui, principalmente esta (que se for publicada no concurso irá sofrer mudanças). Me desejem sorte, pois se eu ganhar, além de ganhar um bom dinheiro terei um contrato com a editora e poderei publicar a história em livro!!!

-Nat

Capítulo 2 - Memórias, Terríveis Memórias


Maria

                Eu mal acordei do meu coma e já sou atingida com várias informações importantes, até sobre mim. Posso ter me curado, mas não foi completamente, ainda estou fraca demais para lutar e para ir atrás das chaves. Pelo menos nesse momento. Maggor me manda ficar quieta até que eu esteja em forma para a briga, mas não quero ficar parada aqui nesse lugar que nem sei onde é. E afinal, onde estou de fato?

                -Você está em Victoria, na Romênia. – Abaddon diz, me esqueci de que ele pode ler mentes.

                Pelo o que eu consigo ver do outro lado de fora estamos numa região de mata, provavelmente perto dos Alpes. Vou esperar a chuva diminuir para poder andar por esses bosques. Mas antes disso, tenho que fazer algumas coisas, e uma delas é tacar cloro na minha boca para tirar esse bafo de vermes e vômito que ficou entranhado em mim. Eu pergunto ao garoto onde fica o banheiro desse lugar ele me diz que fica no fim do corredor, mas antes de eu poder ir até lá ele me toma pelo braço e me arrasta até uma porta que tem em frente ao seu quarto. Eu olho para ele sem entender nada do que ele está fazendo, mas ele então sorri para mim e abre a porta, me mostrando o que tem atrás dele é nada menos do que um quarto. Eu nunca mais tive um quarto decente desde que minha mãe morreu, e nem na época que ela era viva eu tinha meu próprio quarto. O lugar em que vivíamos era pequeno e apertado, um cômodo com apenas um quarto, sala, cozinha e um banheiro que ainda dividia a área de serviço da casa, mas ali nós duas vivemos em paz por dez anos. O quarto aparenta ser de uma menina, todo decorado com cortinas brancas e móveis de madeira, suas paredes são roxas e em cima da cabeceira da cama tem uma cruz. Isso vai sair daqui voando pela janela, já estou avisando!

                -Esse quarto pertencia à Lilian, filha da casca de Gabriel. – Judas diz enquanto entra no quarto. – Antes de Gabriel entrar nele, o homem vivia aqui com a mulher e a filha, mas um dia, enquanto o homem viajava, um demônio jovem veio aqui e matou as duas. Salazar me contou essa história umas semanas atrás.

                -Realmente muito triste. – Digo perdida em pensamentos. – Quem era o demônio?

                -Harris, o Sexto Filho. – Judas diz e então eu me viro para ele chocada. – Ele fez isso logo após matar a mãe, que era uma atriz muito famosa em Los Angeles.

                -Não acredito que ele fez isso. – Eu falo me lembrando de que foi o Harris que me ajudou a sair do inferno.

                -Salazar contou apenas isso, mas Abaddon disse que foi uma coisa que ele fez não para impressionar Lúcifer, mas por que ele quis. – Judas diz. – A Charlotte separou algumas roupas para você não ter que usar esse trapo que está usando.

                -Você tá parecendo o Lúcifer falando assim. – Digo com medo.

                Ele percebe o meu medo e então se cala, me deixando a sós em meu novo quarto. Abro o armário e vejo roupas do meu tamanho, juntamente com botas e tênis, o que mostra que Judas e Charlotte andaram roubando bastante coisa para o caso de eu acordar do meu coma. Eu olho roupa por roupa com cautela, e então vem a minha mente o armário que ele mantinha com aqueles vestidos naquele quarto onde ele me obrigava a trocar de roupa, e um momento depois de pensar isso eu caio para trás com tudo, levando algumas mudas de roupas comigo. Olho para tudo apavorada, como se eu esperasse alguma coisa sair dali e me pegar e me levar novamente para o inferno. Rapidamente recobro o controle e recolho todas as roupas que deixei cair no chão, mas quando eu vejo uma blusa vermelha com listras pretas e deixo-a em cima da minha nova cama, pois a amei. Coloco tudo entulhado onde estava e retiro de lá uma calça jeans negra e mais um par de botas de couro, e sigo até o final do corredor, mas antes de entrar ali eu pego uma faca, pois eu quero fazer algo no meu cabelo para impedir uma coisa que foi muito corriqueira no inferno. E também para apagar certas lembranças de lá. Eu entro e logo em seguida tranco-a por dentro, não quero ser incomodada por nenhum deles. Largo as roupas em cima do vaso e vou até o espelho com a faca na mão direita, e com a mão esquerda seleciono a mecha de cabelo. Eu me encaro no espelho e me vejo pela última vez com o meu longo cabelo negro, respiro fundo e corto a primeira mecha, deixando-a cair direto para o chão. Seguindo o mesmo passo vou cortando o meu cabelo, mecha por mecha, o mais curto que eu puder deixar. Não quero ter mais nenhuma lembrança daquele lugar. É claro, vou sentir falta do meu cabelo, pois ele me acompanha desde que eu tinha doze anos e nunca cheguei a cortá-lo, mas ele está todo destruído e não há nada o que se possa fazer para salvá-lo. Corto a última mecha e vejo como ficou. Meu cabelo que antes batia na cintura está batendo no pescoço, bem no meio do pescoço. Minha franja foi à única coisa que deixei ficar, não por que eu quis, e sim por que fico estranha demais sem ela. E ele ficará desse tamanho desse dia em diante. Passo as mãos entre o emaranhado do meu cabelo para tirar os fios soltos que ficaram presos ali, e assim que termino de fazer isso começo a me despir, preciso de um banho depois de tanto tempo lá embaixo sendo forçada a viver entre a minha própria sujeira e minha loucura. Enquanto removo as roupas eu vejo que as feridas que fiz durante a minha fuga do inferno desapareceram completamente do meu corpo, nem mesmo as marcas do chicote que era usado com frequência em mim ficaram para contar a história, deixando bem claro que uma parte de mim queria que eu vivesse para dar fim aos planos de Lúcifer. Assim que termino de tirar a calcinha rasgada, graças ao maldito do Ptolomeu, eu a jogo fora e entro debaixo do chuveiro, ligando-o e deixando que a água quente bata em meu corpo, me deixando relaxada por inteira. Já tinha séculos que eu não sentia o prazer que um bom banho dava, de como era gostoso se sentir limpa depois de ficar tanto tempo suja. Tento aproveitar o máximo que eu puder desse momento, pois eu sei que ele irá acabar. Mas então o que parecia ser um momento único de descanso e paz se torna num pesadelo vivo. Eu começo a sentir uma forte dor de cabeça, igual a que eu senti quando Lúcifer invadiu a minha mente da primeira vez, e vem em minha memória os horrores que passei lá embaixo, sendo um deles a vez em que dois demônios me mergulharam em água fervente. Eu fecho os olhos e me controlo para não chorar, mas então começo a sentir muita dor, como se minha pele toda tivesse sido queimada e estivesse caindo diante de mim, e esse é estopim para eu gritar. Eu saio do chuveiro tão desesperada que acabo levando a cortina junto comigo, e por conta disso acabo tropeçando e caindo no chão, enquanto grito pelo garoto e pelos outros para me salvar. A cada minuto que se passa a dor vai se tornando cada vez mais real e mais dolorida, e então vejo minha vista começar a ficar vermelha e sinto algo escorrer pelo meu rosto, e netão me toco do que está acontecendo. Estou chorando sangue. Ouço alguém bater na porta e vejo pela fresta um par de sapatos sujos, é o garoto tentando entrar, só que eu me esqueci de que me tranquei aqui dentro. Começo a me sentir fraca e sinto meus olhos se fecharem, e então eu escuto um estrondo forte e vejo a porta abrir e Judas vir correndo até mim, e logo atrás dele vêm Abaddon e Charlotte. Sua voz é a última coisa que consigo ouvir antes de desmaiar.

*

                Parece que eu vivi uma viagem muito longa e surreal de êxtase, como se tudo o que eu vi fosse real. Abro os meus olhos e me vejo nua sobre uma cama, tendo apenas uma coberta sobre o meu corpo. Eu não sei o que aconteceu para eu estar desse jeito, não consigo me lembrar de quase nada, apenas dos meus gritos e do sangue. Eu tento me levantar, mas sou forçada a ficar de repouso por conta da forte tontura que me atinge. Vejo o quarto girar sobre mim e me sinto nauseada, mas seguro o vômito quando eu vejo que tem alguém entrando no recinto. Eu me cubro até o pescoço e ligo o abajur, e vejo que é apenas Judas entrando no quarto. Ele parece feliz em me ver acordada, mas eu sei que ele não está. No lugar onde deveria existir felicidade quem está ocupando é a preocupação. Ele deixa aporta encostada, de forma que quem passe pelo quarto veja o que estamos fazendo, e puxa a cadeira que tem na escrivaninha do outro lado do quarto, ele a arrasta e coloca bem do lado da minha cama numa distância aceitável. Ele tenta passar os dedos pelo meu rosto, mas como as lembranças do inferno ainda são recentes eu me esquivo. Eu o olho assustada, e ele tenta entender todo esse meu pavor.

                -Maria... – Ele diz e ouço-o respirar. – Precisamos falar sobre o que aconteceu no banheiro mais cedo.

                Eu sei que ele está preocupado e tudo mais, só que no momento a única coisa que eu quero é não falar sobre isso. Não me sinto a vontade para falar dos momentos de pânico que passei debaixo daquela água. Viro-me para o outro lado e encaro apenas a parede, mas ele não vai desistir por isso, então eu sinto alguém se sentar do lado desocupado da cama, viro minha cabeça e vejo-o me encarando.

                -Você está com medo de falar sobre isso né? – Ele pergunta bem baixinho, mas mesmo assim consigo entender o que ele diz. – Não precisa falar agora, se não quiser, mas isso vai voltar a acontecer mais cedo ou mais tarde.

                -Você não entenderia... – É o que eu falo para ele, enquanto vem em minha mente uma lembrança recente do Baltazar passando sua terrível mão sobre o meu corpo e da sensação de suja que me senti na hora. – Passei cinco anos presa naquele lugar horroroso, sendo torturada vinte e quatro horas por dia sem cessar.

                -Eu posso te ajudar a carregar esse fardo todo se quiser, é só você me dizer o que aconteceu. – Ele diz achando que é fácil falar das coisas horríveis que aconteceram comigo lá embaixo, mas não é! Infelizmente não é. – Só me conta o que aconteceu lá no banheiro, que até o seu cabelo estava cortado.

                -Fui eu mesma que cortei. – Digo tentando não pensar mais nas lembranças. – Eu... Eu fui muito torturada lá embaixo, o tive quase arrancado da minha cabeça por Anabel e... Eu não queria mais...

                -Anabel é sua irmã? – Ele pergunta, já que ele não sabe o nome de todos os filhos de Lúcifer.

                -Minha Quinta Irmã. Ela foi responsável por algumas sessões de tortura quando estava lá embaixo.

                -Bem, já é final de madrugada aqui, se você quiser pode dormir mais um pouco. – Quando ele diz isso eu arregalo os olhos e me levanto no susto, tendo que cobrir rapidamente os meus seios.

                -Como assim já é final de madrugada? – Eu pergunto assustada. – Quando eu entrei ali era apenas seis horas da tarde! – Eu olho para minha coberta, imaginado que tive mais um coma. – Judas eu entrei em choque de novo?

                Ele fica levemente espantado com mina pergunta, penso até que não se sentiu culpado ou ofendido. Sua única reação é me dar o casaco que usa, ele se vira para me dar um pouco de privacidade, mas então vem em minha memória a lembrança de Harris naquele banheiro quando eu lhe pedi para sair dali pra eu trocar de roupa sem ser perturbada. Tento ser forte, tento me lembrar das vezes em que Judas ficou corado em me ver de calcinha e sutiã, e então coloco rapidamente o casaco e o fecho, secando as lágrimas que escorrem dos meus olhos. Quando eu pigarreio que já estou “vestida”, Judas volta a me encarar, seu olhar de preocupação cai sobre mim como um peso.

                -Quando te encontramos você estava chorando sangue e babando muito, achávamos que você estava tendo até uma convulsão ou coisa do tipo. – Ele vai falando. – Te colocamos aqui da maneira que estava, até por que não queríamos te machucar mais do que já estava. – Ele respira bem fundo e volta a falar. – Eu imagino o que você passou lá embaixo, só queria que você me contasse pelo menos alguma coisa para eu, pelo menos, te ajudar.

                -Fui estuprada. – Essa é a única coisa que sai da minha boca, e então vejo o garoto fazer uma terrível cara de espanto. Por vergonha do que eu sinto em lhe dizer isso eu escondo o meu rosto entre meus joelhos e tento continuar a falar. – Foi Ptolomeu e Harris, logo depois que cheguei, e ninguém interferiu...

                Posso sentir sua tristeza, a indignação que Judas sente pelo o que me aconteceu. Eu não tenho coragem para lhe contar o restante da história, até por que foram muitas coisas que aconteceram comigo, coisas terríveis e indescritíveis que nenhuma pessoa de bem deveria ouvir de ninguém. A tortura me mudou.

                -Se servir de consolo, há uma semana eu degolei o Ptolomeu. – Ele diz com sua voz vacilante, eu o encaro e vejo um sorriso fraco em seu rosto.

                -Sério? – Eu pergunto desnorteada pelo o que ele acabou de me dizer, algo que pensei que seria até impossível.

                -Sim. – Ele diz sorridente. – Ele tentou me acertar, mas eu impedi com o punhal que você fez para mim, e arranquei a cabeça dele.

                -Lúcifer vai te matar pessoalmente quando souber disso. – Eu tento rir, mas dói muito quando faço tal coisa. – Judas, eu sei que você tá preocupado comigo e tudo mais, mas eu preciso muito ficar sozinha, pelo menos até eu me sentir melhor. Você se importa?

                -Não, imagina! – Ele diz e se levanta da cama. – Tenta se vestir e dormir um pouco, vai te fazer bem.

                Dormir? Isso já não me pertence mais! Eu o vejo sair e ele deixa a porta entreaberta, para o caso de eu ter outro colapso e passar mal. Eu sei que não vou voltar a dormir tão cedo em minha vida, isso vai demorar bastante até que essa ferida se cure para sempre, mas até lá terei que conviver com essa verdade cruel. Mas eu garanto que isso não vai ficar assim, vai ter volta, mais cedo ou mais tarde darei o troco no desgraçado do Lúcifer, custe o que custar!



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...