História A Guerra das Pedras - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS), VIXX
Tags Bts, Drama, Guerra, Hongbin, Hyuk, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Ken, Leo, Longfic, Namjoon, Suga, Vixx
Exibições 36
Palavras 3.965
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Magia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Me desculpe pela demora, eu machuquei feio o meu pulso e fiquei sem poder escrever por alguns dias.
Já está tudo bem e voltarei a escrever normalmente. ^^

Capítulo 8 - O Irmão



Um morrerá; o outro viverá.
Um conhecerá a dor; o outro, a paz.
Um será infeliz; o outro perderá sentimentos.
Um será enterrado e o outro cobrirá com o véu.

 


O médico vestia uma grande capa em roxo escuro quase negro, cobrindo-lhe todo o corpo, o capuz era grande o bastante para cobrir-lhe até o nariz, deixando à mostra somente a boca que sorria mostrando seus dentes.
    - Cha Hakyeon! Há quanto tempo! - O médico se aproximou e o abraçou fortemente.
    - É bom saber que tenha vindo. Você leu minha carta, não é mesmo? Ah. Por favor, venha, sente-se no banco. - apontou para o banco em que Jimin estava deitado. - Eu pegarei uma água para que se refresque.
    - Não é preciso! Haha. - o médico sentou. Tirando o capuz e passando a mão sobre o cabelo alaranjado. - Precisamos conversar antes.
    - Sim. - Hakyeon se sentou, sorrindo abobado por conseguir achar a cura para o seu Príncipe e o General.
    Os dois começaram a conversar. Primeiro de tudo, trocaram informações e lembranças. Riam até sentirem suas bochechas doeram. O médico viajante era conhecido por ser muito alegre, divertido e brincalhão, mas sabia quando ser sério. Ele tinha medo de ninguém, todos até mesmo os reis o reverenciavam. Jung Hoseok era o seu nome. Um nome lembrado por todos como o mais divino. Este médico tinha poderes incríveis. Foi o mestre do anjo Seokjin.
    - Eu preciso que você veja os pacientes, há dias em que eles estão doentes. Jimin é o mais resistente, conseguindo andar por exemplo, mas Wonshik não saiu da cama há 3 dias.
    - Certo... Bom, então vamos ver primeiro o General, ele parece ser o mais grave.
    - Tudo bem, por favor, me siga.
    Hakyeon o levou até o quartel, enquanto andavam, Hoseok ficou observando cada detalhe do Palácio de Sangue. A decoração era em vermelho, dourado e laranja, havia muitas esculturas feitas de ouro e rubi espalhadas pelo alpendre em que caminhavam. O quartel ficava aos fundos do Palácio, bem atrás da sala de reunião. Tinha que descer do alpendre, andar na areia para então chegar ao quartel, que era grande, de três andares e muito bem estruturado. Ao lado tinha o estábulo e o treinamento da cavalaria.
    Os dois entraram no quartel, que por dentro tinham várias armas postadas em cada canto. Subiram dois lances de escada, que davam diretamente para o quarto do General, e o quarto do segundo andar, era dos outros guerreiros e soldados. O médico viajante se aproximou do doente, Hakyeon pegou um banquinho e colocou atrás do médico, indicando-lhe para sentar. Hakyeon ficou de cócoras e Hoseok se sentou no banquinho. General Wonshik estava tremendo e suando frio, acordou com os olhos cerrados, disse com dificuldade:
    - Conselheiro... Quem é este?
    - Este é o médico viajante, ele irá tratá-lo de sua doença.
    - Prazer, General Kim Wonshik. Meu nome é Jung Hoseok. Assim que soube que está doente, vim correndo para o Palácio.
    - Médico? Então você pode me curar? - começou a se levantar.
    - Não levante. Fique deitado. Você precisa descansar. - colocou as mãos sobre os ombros do General, que voltou a deitar. - Eu quero primeiro saber quais são seus sintomas, onde sente dor e o que sente em seu corpo.
    Cha Hakyeon apenas observava. Um dos empregados do palácio entrou correndo no quarto do General, e sussurrou algumas palavras no ouvido do Conselheiro. Ficou olhando para cada um deles e ordenou que o empregado voltasse ao palácio. O médico balançou a cabeça ao Conselheiro, indicando para que pudesse ir, dali em diante ele iria tomar conta. Hakyeon saiu do quartel em direção ao seu dever.
    Gemendo, Wonshik respondeu ao médico:
    - Estou sentindo fortes dores no corpo, principalmente no meu peito e abdômen. - tossiu - Minha cabeça dói. Algumas vezes eu cuspo sangue, e eu sempre estou... cof... quente.
    Hoseok suspirou, e disse pousando sua mão no pulso do General:
    - O Conselheiro não lhe disse, com certeza era para a sua segurança psicológica. Será difícil curá-lo, pode demorar horas e horas, e quero que você seja forte. - deu uma pequena pausa, cruzou as pernas e recolheu a mão. - Você foi envenenado. Taehyung banhou as garras dos tigres com o veneno de sua serpente boomslang. Este veneno é mortal. Mata a presa de dentro para fora, queimando os órgãos internos e gerando uma hemorragia até a morte. Por sorte, você ainda está vivo. General Wonshik é muito forte. - sorriu.
    - Eu fui... envenenad- cof cof... Mas eu serei curado, não serei?
    - Sim.
    - Faça o que for preciso, eu aguentarei.
    - Você sentirá muitas dores, mais do que agora, pois irei tirar o veneno de seu sangue.
    - Tudo bem. - Wonshik respirava fundo. Havia sangue em sua boca, tornando seus dentes vermelhos.
    O médico rasgou a camisa preta de Wonshik, revelando o peitoral ensanguentado. Provavelmente os seus pulmões já estavam com sangue, por isso o homem respirava tão fundo. Seu abdômen também estava ensanguentado. A queimadura de dentro para fora fez com que alguns furos na pele aparecessem, e com isso o sangue fluía por eles. Ao lado da cama havia um grande barril de água, provavelmente usavam para limpar a pele do General. Com um movimento delicado das mãos, moveu a água e fez com que ela ficasse parada por cima do General, umidificando o ambiente. Com mais um pouco de água do barril, envolveu suas mãos como se fossem bolhas d'água e começou a passar por cima do homem, iniciando pela cabeça. Wonshik começou a gemer alto, a dor que ele sentia era como se tirasse dele todo o sangue que tinha no corpo. Sentia-se seco. As bolhas d'água passaram a ter a cor avermelhada e um pouco amarelada. O médico jogou o líquido em um balde vazio que também estava ao lado, pegou mais um pouco de água do barril e fez o mesmo processo, agora nos ombros.
    - Quando eu chegar em seu peito, até o abdômen, quero que seja forte e se mantenha acordado. A dor pode ser muito maior. - disse friamente.
    Wonshik se limitou a gemer de dor. O que não imaginaria, era que ele teria que passar por isso por horas. Quando o médico chegar em seu peito e em seu abdômen, onde é mais concentrado o veneno, demorará e doerá mais. Só queria que aquilo acabasse logo.

    O Conselheiro Hakyeon foi até à sala do Príncipe, vendo-o sentado na cadeira desenhando com uma pena e tinta negra algumas posições de seu gato, que estava deitado na ponta da mesa preguiçosamente, parecendo um modelo. O Conselheiro estava ofegante, reverenciou e de frente ao Príncipe, alertou:
    - Meu... Príncipe... A distribuição de carnes foi cortada. Teremos de voltar a caçar, assim como antes de negociarmos com o reino de Panna.
    Príncipe Jimin parou no mesmo instante, engolindo em seco e olhando para o seu Conselheiro, que se mostrava preocupado, mas mantendo a postura firme e confiante.
    - É provável que ele tenha feito isto após resgatarmos o anjo. Já fez uma semana desde o acontecido e ele não revidou. Parece que agora ele está agindo. - continuou o Conselheiro. - Nós já pagamos a eles o valor que viria, mas hoje que chegaria a carga, já não chegará mais. Apenas um breve correio nos foi entregue com a notícia.
    - Ele quer que morremos de fome.
    - Ssssim, Meu Príncipe. Esta deve ser a intenção dele.
    - Meu primo quer guerra, meu amigo. Ele quer guerra. - refletiu e se levantou, devagar, com a mão em cima do abdômen.
    - Fique sentado, Meu Príncipe. O médico viajante já está aqui em Panna, assim que terminar de tratar o General, ele virá ao seu encontro!
    - Está tudo bem. Na verdade queria lhe pedir um favor. - se aproximou do Conselheiro, pousou sua mão livre no ombro dele e disse baixo, quase um sussurro: - Por favor, chame o meu primo Yoongi para vir aqui. Eu gostaria de ir até lá, mas infelizmente não acho que eu esteja em condições para fazer isso. - começou a andar a caminho de seu quarto, iria descansar até que o médico viajante chegasse. - Ele precisa pagar a recompensa! Quando ele chegar, peça a ele o que quiser, depois mande-o vir me ver, que pedirei o que eu quero.
    - E o que você quer, Meu Príncipe?
    - Só ele pode me dar.
    - Mas...
    Príncipe Jimin desapareceu da vista do Conselheiro, acompanhado de enfermeiras que lhe auxiliavam para andar pelo palácio, pois estava muito fraco para andar sozinho. Hakyeon se perguntou o que exatamente poderia ser, já que quando os dois Príncipes estavam conversando em Saphir, em particular, não conseguia ouvir, mesmo quase atravessando a porta de madeira do quarto de Yoongi.

    Aquilo o irritava. Estava andando em círculos em sua sala. O Príncipe Jimin não aceitaria isso facilmente. Deve ser o veneno, só pode. A ave de rapina, de olhos escuros o observava atentamente, como quem quisesse entender a inquietação do Conselheiro.
    - Hey, você! - Hakyeon chamou-o a atenção, o gavião estufou o peito e esticou o pescoço, atento. - Não me olhe assim! Estou apenas... tentando buscar a resposta... Argh! Deixa para lá.
    O Conselheiro deixou para lá os pensamentos nas palavras de Jimin, e achou que era melhor inspecionar um pouco o que o médico viajante estava fazendo. Já se passara mais ou menos duas constelações do céu. A noite estava fria e a Lua estava cheia. Em passos largos e apressados, foi até o quartel onde o Wonshik estava recebendo o tratamento. Entrando lá, não esperava o que veria e se surpreendeu:
    - O que está acontecendo?
    O médico viajante estava com as mãos amareladas e um pouco avermelhadas, escorria suor de sua testa, seu cabelo estava um pouco molhado nas pontas em contato com a pele e estava ofegante. O General respirava fraco, com muito sangue espalhado em seu corpo e na cama. A água que estava no barril ao lado, já acabara. O Conselheiro continuou, espantando:
    - O que você fez? - pousou dois dedos em cima do pulso do General, sentindo que a frequência estava fraca demais, mais do que o normal. - Ele está... morrendo?
    O médico nada dizia, apenas respirava profundamente. Hakyeon se irritou, puxando o médico para perto de si pela gola de sua capa, cara a cara, olhando fixamente nos olhos castanhos dele.
    - Me diga que você o curou, ou eu te mato!
    - Ele... ele ficará... bem. - soltou um sorriso entreaberto. - Me solte. Eu preciso descansar um pouco.
    - Se ele ficará bem, porque ele está assim? - balançou o médico pela gola.
    - Ele- ele... também está cansado. Espere até o amanhecer. Depois disso... - colocou suas mãos sobre as mãos de Hakyeon, puxando-as para frente - dê água a ele, muita água. A água cura.
    Hakyeon o soltou, mas seu olhar não o tirava do campo de visão. O médico ajeitou suas vestes, e saiu do local para tomar um ar fresco. O Conselheiro se sentou ao lado do General, que parecia inconsciente. Aquela cena o assustou a ponto de seu coração acelerar e ele se sentir mal e preocupado. Refletiu por um momento, e pensou que aquilo também aconteceria com o seu Príncipe. Se levantou e correu atrás do médico, que estava se limpando.
    - Ei! Médico!
    O médico se virou, franzindo a testa:
    - Sim, o que foi?
    - Acontecerá o mesmo com o Príncipe? Ele ficará tão mal quanto?
    - Depende da pessoa.
    - C-como assim... depende da pessoa? - se aproximou mais.
    - O General foi o mais ferido. Eu vi em seu corte. Havia muito veneno em seu corte, e foi muito difícil de tirá-lo. Eu facilmente consigo drenar o veneno do sangue, mas o caso dele foi muito difícil. A concentração do veneno é mais densa do que o normal. O General acabou perdendo muito sangue no processo, mas logo ele irá se recuperar. Faça-o com que descanse bastante agora que ele esteja forte o bastante para poder voltar às suas atividades. Enquanto ele sentir desconforto, não o deixe trabalhar! - o Médico viajante tirou sua capa, revelando sua camisa branca com poucos detalhes em preto, a calça preta de couro e um sapato de ponta fina da mesma cor que a capa. Passou a mão no cabelo várias vezes, revelando a testa suada.
    - Eu farei com que ele descanse. Por favor, Médico, poderia ver o Príncipe agora? Parece que o Senhor está melhor.
    - Ah, sim. Eu vejo sim. - se virou, deu três passos e voltou a olhar para Hakyeon, com o dedo indicador apontando para cima e balançando a mão, disse: - Me chame pelo meu nome mesmo. Assim me sentirei mais confortável.
    Hakyeon ficou parado enquanto via o Médico se afastar e ir em direção ao quarto do Príncipe, carregando a sua grande capa roxa escura no braço. Nada podia fazer e por mais que ainda se sentisse irritado, o Médico era a única esperança dele e deveria acreditar nele. Ele queria entender como era o processo de cura, então seguiu o médico, alcançando-o e entrando no quarto do Príncipe Jimin.

    Após a sessão de cura sobre o Jimin, fazendo o mesmo processo que Wonshik, o Médico agora se sentia mais cansado ainda. Curar Jimin foi fácil, porém teve que usar muito de sua agilidade para curar todo o corpo, já que o veneno estava se espalhando mais rapidamente, provavelmente por conta da temperatura naturalmente alta do corpo do garoto. Bufando de cansaço, e sentado ao lado do Príncipe, disse para Hakyeon:
    - A recuperação dele será mais rápida. Mais do que o General. - passou a mão na testa, soltando um largo sorriso. - Este garoto foi muito forte. Por sorte não houve hemorragia interna, o veneno apenas se espalhou pelo corpo dele.
    O Conselheiro nada dizia, parecia que se sentia mais despreocupado.
    De repente uma ave entrou voando no quarto do Príncipe. O Médico se levantou prontamente, com o forte vento repentino batendo em seu rosto. O gato-do-deserto, num salto veloz, ficou em cima do peito do Príncipe, não tirando os olhos da coruja branca que adentrava o quarto. A ave apenas pousou em uma pequena mesa que havia no quarto, fazendo ruídos por conta do impacto de suas garras na madeira da mesa. Hakyeon se aproximou dela, mas ela abriu as asas e as bateu contra ele, soltando várias piados curtos e agudos.
    - Aish... Não precisa fazer escândalo.
    Hoseok se aproximou da ave, que esta até mesmo abaixou a sua cabeça, pedindo carinho. Soltou piados, quase como um sussurro, como se estivesse falando alguma coisa ao Médico. Ele pareceu entender. O Conselheiro, confuso, não estava entendendo. Mas o Médico ficou na frente dela, se agachando e assentindo com a cabeça.
    - O-o que é? O que ela está... está... está dizendo?
    - Shh... - Hoseok estendeu a mão na direção do Conselheiro, indicando para que ele se calasse.
    A ave branca continuava a piar. Seus piados era curtos, agudos e baixos. Como se quisesse mostrar algo, algumas vezes ela balançava a cabeça para baixo e para cima, outras vezes erguia suas asas brancas e também rodopiava na mesa. Até que por fim, ela parou, ereta e esticando seu pescoço enquanto estufou seu peito, esperando alguma resposta do Médico.
    - Eu preciso... de papel e tinta.
    Sem postergar, Hakyeon pegou um pequeno pedaço de papel, pena de gavião e tinta negra. O Médico começou a escrever, se apoiando na mesa. Escrevia no papel: Aguardem minha visita no próximo Pôr-do-Sol. Curioso e sem entender o que estava ocorrendo, Hakyeon perguntou:
    - Eu sei que a ave é de Saphir, o que ela te disse? E o que você... Você vai ao reino de Saphir? - exaltou um pouco a voz, assustando o Médico.
    - Fale um pouco mais baixo, temos um paciente que precisa de descanso aqui no quarto! - se virou para o Príncipe, indicando que era ele o paciente, enquanto o gato estava com o olhar fixo na ave e estava sentado em cima do peito dele. - Eles precisam de mim lá. O meu discípulo precisa de mim.
    - Mas precisa para o quê?
    - Para ajudá-lo. O anjo Seokjin é meu discípulo! - dobrou várias vezes o papel e deu à ave, que colocou a carta nas penas de sua asa. A ave voou para fora do quarto.
    - O Se-Seokjin... é... seu...?
    - Sim. E amanhã ao final da tarde estarei lá. Vou me banhar e dormir, você cuide dos garotos. - se retirou com passos apressados do quarto.
    - Mas... o... Seokjin é velho. Quer dizer, não que ele seja idoso, mas é imortal e ele já está vivo há decadas e... o Médico viajante é novo. Como poderia...? Aish! - bagunçou o seu cabelo, estava entendendo mais nada.
    Daquilo, ele não sabia.
 

~*~*~*~


Estava ansioso e não conseguia dormir. Rolando em sua cama quente e confortável, ficou olhando para o lado de fora da janela. Já estava amanhacendo e Seokjin não dormira nem um pouco. Novamente veria o seu mestre, um senhor idoso que adorava contar histórias com uma moral no final delas e também alegrava a todos. Poderia fazer muitas perguntas a ele e também pediria ajuda para a cura do Príncipe de Saphir.
    Se levantou, tão animado que poderia sair correndo por aí afora. Fez um chá de maça vermelha com canela e sentou-se em uma almofada, pegando um de seus livros onde havia a descrição para a cura da maldição do gelo, apoiado na mesa. Mesmo que lêsse várias vezes, não conseguia entender o que estava escrito, as instruções eram complicadas e haviam muitas coisas que ele ainda não sabiam que estava lá. Se sentia confuso e não sabia nem por onde começar. Pousou a xícara de chá na mesa e apoiou sua cabeça nas duas mãos, enfiando os dedos em seu cabelo rosado.
    - Mesmo que eu tente estudar, nunca saberei o que está escrito aqui. Tudo o que está nas intruções, são coisas que eu nunca aprendi. - suspirou - não será fácil.
    Sabia de cor todos os livros que tinha ganhado de seu mestre. Sempre foi muito estudioso e lia os livros todos os dias. Então, saberia em qual livro estaria se um daqueles passos na cura da maldição já tivesse visto antes, mas nunca vira. Então era difícil para ele.
    Já era hora de almoçar e mesmo relendo quase todos os seus livros mais grossos, não conseguia achar nada semelhante do que estava nas instruções. Estava ficando cada vez mais difícil. Não queria passar de burro na frente do mestre, mas desta vez tinha de ser maduro e humilde e encarar seu mestre e fazer as perguntas certas.
    Sentiu um frio passando por sua pele, e tudo ficou mais escurecido. Uma presença estava atrás de si, mas não se atreveu a se virar. Uma voz disse sussurrando:
    - O seu Príncipe logo virá até mim.
    - Ele não irá. - já sabia quem era.
    - Só se você curá-lo. Mas isso não será fácil.
    - Parece que você sabe como curá-lo.
    - É claro que eu sei. Assim como lhes dou a vida desses seres ambiciosos e insignificantes, eu também lhes tiro a vida.
    - Se sabe, então me diga como!!! - se levantou e se virou para trás, mas nada mais estava ali.
    Novamente sentiu algo atrás de si. A voz continuou:
    - Se eu lhe disser, acabará a graça.
    - Você deveria me ajudar...
    - Por quê? Só por que somos irmãos, Jinnie?
    - Eu te ajudei... - foi interrompido.
    - Ah! Mas isso foi há décadas. Quando você ainda podia voar.
    Seokjin se virou novamente, buscando pelo dono da voz. Mas nada encontrou, o dono da voz apenas ficava atrás do anjo branco.
    - Logo o Médico virá. E você será surpreendido. O Príncipe já está curado, assim como também o seu General. Logo eles estarão prontos para a guerra que está por vir.
    - Saphir não entrará na guerra.
    - Ah, se entrará. O seu Príncipe tem planos bobos demais para deter o Príncipe maldoso. Aquela criança não pode ser detida com algo tão simples.
    - E por um acaso você quer a alma do Príncipe Taehyung?
    - Não. A alma daquele pobre coitado é muito fraca. A sua beleza já se foi, e não tem mais luz emanando dela.
    - Você com certeza veio até aqui à procura de alguma alma que possa te servir como alimento, novamente.
    - Hum... bem que adivinhou isso! Mas na verdade quero mais do que isso. Algo que me fará tão forte quanto nosso pai.
    - Ele não é meu pai.
    - Mas é claro que é! Entenda, ele te mandou para este mundo chamado Kenkyo apenas para que você se torne mais maduro.
    - Não vou me tornar alguém tão ruim quanto você.
    A presença forte e escura se afastou, aos poucos sua voz foi sumindo.
    - Logo você entenderá. Haha! Nos vemos em breve, meu irmão Jinnie.
    Seokjin não respondeu. Até que toda aquela presença forte e que lhe tirava o ar, se manteve forte e de pé. Quando tudo voltou ao normal, caiu no chão, com as mãos no pescoço, buscando por ar. Parecia que seus pulmões estavam se atrofiando. A dor que sentia sempre que seu irmão se aproximava era insuportável. Doía tanto que muitas vezes ficava inconsciente. Para a sua sorte, o seu melhor amigo Yoongi apareceu, socorrendo e lhe dando água. Depois de um tempo se recuperou, mas cansado para que pudesse falar qualquer coisa.
    - Eu... eu vou descansar um pouco, estou me sentindo um pouco tonto. - se sentou em uma almofada, voltou para a mesa e apoiou sua cabeça em uma das mãos, respirando devagar para se acalmar. - Por que você veio?
    - Isso não importa. O que aconteceu? Não é normal você se sentir mal. - se sentou ao lado de Seokjin.
    - É nada.
    - Como nada? Aconteceu algo, sim. Eu te vi em transe, você não estava dentro de si e depois caiu. O que aconteceu?
    - É nada, Yoongi! Apenas me deixe descansar por um momento! - se sentiu irritado com tanta pergunta do Príncipe.
    Yoongi nada disse. Passou a mão nas costas do anjo e ficou observando-o. Seokjin parecia sentir dor, mas não era como se fosse uma dor física. Aquilo o preocupava.
    O anjo ficou repetindo as falas de seu irmão em sua cabeça. A presença dele em Kenkyo era sinal de morte. A última vez em que ele apareceu, os três reis morreram, um atrás do outro, em guerra. Nesta era aconteceria a mesma coisa e isso o deixava triste. Pensar que seu Príncipe entraria em uma guerra em um futuro próximo o preocupava e o entristecia. Ficou se perguntando o que é que o seu irmão queria desta vez. Se não era uma alma que ele queria, então seria o quê? Não conseguia imaginar o que seria, o que o satisfaria. O seu pai o fizera assim: sedento por almas cheias de felicidade e memórias que aceleram o coração, mas ele nunca absorveu isso, era apenas apetitoso mas nunca lhe fez bem de verdade. Enquanto isso, Seokjin fora feito para dar às almas tudo o que havia de bom. Ou seja, um trazia a felicidade e o outro roubava. Um trazia o amor, e o outro tirava. A limitação de Seokjin era a cura, enquanto seu irmão podia até mesmo ressuscitar mortos.
    Começar a rezar para si mesmo que nada de ruim aconteceria ao seu Príncipe e a ele. Os dois estariam a salvo, custe o que custasse.
 


Notas Finais


Este capítulo ficou mais curto, mas ok né.

O mapa, caso queira ver: http://i.imgur.com/kKROIlv.jpg


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