História A Guerra do Coração - Capítulo 21


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lu Han, Sehun
Tags Chanbaek, Hunhan, Kaisoo, Lemon, Mpreg
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Palavras 7.590
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


ATENÇÃO! BOMBA NO FINAL DO CAPITULO. PREPARA O CORAÇÃO!

Desculpem a demora pessoal, mas justamente por essa grande revelação no final do capitulo, eu tive um bloqueio terrível pra finalizar ele, e não está do jeito que eu queria. Mas eu tinha que postar, pois já fiz vocês esperarem demais.

Beijinhos e abraços para as minhas gatinhas que comentaram no capitulo passado:
~Baconooo
~baekcoxas
~EncantadaEXO-L
~w3
~keikeuoh
~OhSehunnie_Soo
~t_a_y_s_s_j
~JudeSeKai
~CBCrazy
~ParkMinHae
~Xiumines
~Konkushina
~hinauzumaki552
~Ana_kin
~Exolvida
~CerejaForever
~PCYcopata__
~winovaes10
~Rubi_Tholy
~anaeanevoa
~nekodochim

Obrigada minhas lindas ><
Boa leitura!

Capítulo 21 - O preço do sangue


Olhei amedrontado para as pessoas que andavam pelas ruas e senti um frio na espinha.

Brian estava me seguindo de perto e Luhan e Solji estavam ao meu lado, mas mesmo assim, eu não conseguia deixar de sentir medo. Eu temia que Helene e Jisung aparecessem e me levassem a força para a casa deles, me obrigando a reviver todo o inferno que eu passara com eles.

Respirei fundo e continuei andando lentamente, rumo ao armarinhos da cidade. Segundo Solji, nós íamos comprar lã e linhas para a confecção das primeiras roupinhas e sapatinhos do meu bebê. Eu estava super empolgado, embora não fizesse a menor ideia de como eu ia manusear agulhas de tricô ou de bordado. Eu não era muito prendado, devido a motivos óbvios, mas eu tinha a sorte de contar com o talento e disposição de meus cunhados e de minha sogra. Até Emma, que cuidava dos serviços domésticos da mansão, se propusera a ajudar e Kyungsoo não via a hora de começar o bordado.

Entramos na loja e eu fingi que não percebi a forma hostil como as atendentes me olharam. Eu não me importava de fato, pois nenhum olhar mal humorado ou palavras ofensivas mudariam o fato de que eu era casado com Chanyeol. Meu desejo era de que todas essas pessoas que me odiavam e invejavam meu casamento, se explodissem.

Meu humor vinha sofrendo muitas oscilações ultimamente, e se eu fosse elas, não ficaria no meu caminho, pois às vezes, minha fúria era perigosa.

Chanyeol que o diga.

De uns dias para cá, eu percebia certo receio em lidar comigo por parte do meu marido, pois por nada, eu me debulhava em lágrimas e gritava como um louco. Minha sorte era poder culpar a gravidez por meus surtos psicóticos.

Suspirei e acompanhei minha sogra e cunhado até a prateleira de lãs. Era tudo tão fofo, que só a imagem do meu bebê vestido com algo feito com aquelas lãs, me causava uma forte emoção.

- Essa é toda a lã que temos, Senhora Park.- A atendente falou e Solji assentiu, colocando alguns novelos em sua cesta.- Se me dizer para o que é, posso ajudá-­la a escolher...- A moça ofereceu e minha sogra me olhou, sorrindo orgulhosa.

- É para meu neto. Meu genro, Baekhyun, está grávido e vamos começar a preparar o enxoval.- Solji falou contente e a atendente deu um sorriso falso, me olhando por longos minutos.

- Quem bom! Parabéns pelo acréscimo na família. Tenho certeza que o capitão Park está muito satisfeito.- Ela comentou e eu a encarei com o olhar faiscante.

O que ela sabia sobre a satisfação do meu marido?

E que intimidade era essa ao falar de Chanyeol?

A atendente me deu um sorriso irônico, certamente percebendo o efeito que suas palavras tiveram sobre mim.

Bufei e me virei, indo em direção à porta.

Solji e Luhan seriam perfeitamente capazes de escolher as lãs e todo o material necessário para o meu enxoval.

Minha vontade era de arrastar aquela nojenta pelo chão da loja, mas eu não faria isso, pois não queria agir como uma selvagem perto de Solji.

Não agora que ela aprendera a me respeitar e a gostar de mim.

Então, o melhor era me manter a uma distância segura daquela vadia.

Brian, que me observava de longe, sorriu ao me ver indo em sua direção.

- Algum problema?- Ele perguntou e eu neguei com um gesto de cabeça.

- Não... O de sempre: algumas vadias me odiando por eu ser o esposo do meu marido.- Falei emburrado e ele riu.

- É... Acho que não deve ser nada fácil ser esposo do capitão mais desejado de Washington.- Ele comentou e eu revirei os olhos.

- Acho que eu nunca serei aceito pela tal alta sociedade. Serei sempre o caipira achado na guerra, que tomou o lugar e a chance de muitos tornarem­se o novo membro da família Park.- Falei amargo e Brian suspirou.

- Não liga para essas coisas, Baekhyun. O importante é que você é o esposo do capitão. Ninguém jamais vai mudar esse fato. A propósito: a sua barriga já está aparecendo bastante.- Brian falou, apontando para meu umbigo e eu sorri.

Ele tinha razão.

Segundo o médico e minhas contas, eu devia estar grávido de aproximadamente quatro meses e minha barriga já era perfeitamente visível.

Eu ficava encantado com cada centímetro aumentado, embora tivesse um pouco de receio que Chanyeol não ficasse contente com minhas formas desproporcionais.

De qualquer forma, eu estava aproveitando bastante minha gravidez, mesmo estando rodeado de tantos problemas.

- Você sabe para quando é o bebê?- Brian perguntou e eu voltei a prestar atenção em suas palavras.

- Maio. Pelo menos é o que o médico espera. Mas, é claro, que se tratando de bebês, nada é previsível.- Falei com a voz suave, acariciando minha barriga e imaginando como seria quando meu bebê estivesse pronto para nascer.

Chanyeol ainda tinha medo de que algo acontecesse comigo e por mais que eu o tranquilizasse, não podia garantir que tudo sairia como o esperado.

Bebês eram imprevisíveis.

A vida era imprevisível.

Só me restava torcer para que nada de ruim acontecesse, pois meu capitão não suportaria mais golpes em sua vida.

Eu percebia que ele tinha muitos receios em se entregar completamente a nossa relação, pois não queria sofrer caso algo viesse a acontecer comigo. Eu esperava ansioso pelo dia de sua declaração, para que assim, eu pudesse me abrir com ele também, e dizer­lhe o quanto eu o amava.

Mas tinha plena consciência que esse dia só chegaria depois do nascimento do nosso filho.

Antes disso, Chanyeol continuaria protegido pelo casulo resistente, criado por ele, depois da morte de Minhyuk.

Ouvi som de passos e percebi, graças a Deus, que Luhan e Solji haviam concluído as compras.

- Vamos? O que acham de passarmos pela confeitaria para tomarmos capuchinos e comermos algumas guloseimas?- Solji perguntou, depois de pagar pela compra e vestir seu casaco e eu tive certeza que meus olhos brilharam.

Confeitaria. Capuchino. Doces... Essas eram, sem dúvida alguma, minhas palavras preferidas.

Andamos pelas ruas geladas apressadamente, tentando fugir dos inconvenientes flocos de neve que caiam sobre nossas cabeças.

Olhei ao redor e fiquei encantado com os enfeites de natal, chegando à conclusão que eu nunca vira nada tão lindo.

Estava empolgado com a proximidade das datas festivas e, às vezes, me sentia uma verdadeira criança, esperando ansioso pela chegada do Papai Noel.

É claro que eu não acreditava mais nessas lendas, mas o fato de este ser o primeiro natal normal da minha vida me deixava na expectativa de como seria a ceia, a troca de presentes, a roupa que eu usaria, a decoração...

Faltavam poucos dias para a data e eu precisava me conter, pois minha ansiedade não faria bem ao meu bebê.

Entramos no ambiente acolhedor da confeitaria e escolhemos uma mesa afastada da porta, para nos escondermos do vento frio.

Brian ficou parado na porta, sem tirar os olhos de mim nem por um minuto sequer, e eu agradeci seu cuidado excessivo.

No começo, sua escolta me incomodara um pouco, mas agora eu já me acostumara e até gostava de sua companhia.

Eu me sentia seguro tendo-­o por perto, pois sabia que ele daria a própria vida para me proteger.

Olhei ao redor e percebi que, de uma forma ou de outra, todos prestavam atenção à nossa mesa.

Tentei ignorar os olhares e aguardei impaciente pela vinda dos nossos pedidos.

- Eu gostaria de levar alguns doces para Hyejin. Se ela souber que viemos aqui e não levamos nada para ela, certamente ficará chateada.- Falei e Solji assentiu.

- Eu concordo. Quando formos pagar a conta, você escolhe os doces, pois sabe melhor quais são as preferências dela.- Minha sogra respondeu, e eu assenti.

Logo nossos pedidos chegaram e eu me deliciei com os cookies e rosquinhas que eu tanto gostava.

Sempre que podia, Chanyeol levava doces para mim e confesso que sua atenção e cuidados mexiam bastante comigo.

Ainda me lembrava do dia em que ele me dera leite para beber, quando estávamos na guerra. Eu sabia que mesmo sendo capitão, ele tinha dificuldades para conseguir algumas coisas, mas se algo me fizesse bem, ele movia céus e terras para levar o que fosse até mim.

E isso não mudara.

Bastava eu pedir qualquer coisa, para que ele me desse, independente do que fosse.

Suspirei apaixonado, pensando na perfeição do meu capitão e Luhan me olhou divertido.

- Pensando no meu irmão, Baek?- Ele perguntou e eu corei, baixando os olhos.

- Deixe de ser indiscreto, Luhan. Onde já se viu ficar perguntando para as pessoas o que elas pensam. Tenha modos, por Deus!- Solji o repreendeu e eu sorri ao vê-­lo revirar os olhos e bufar.

Luhan jamais seria domesticado e por isso, vivia sendo repreendido pelos pais.

Eu tinha a impressão que seu futuro marido sofreria bastante em suas mãos, já que ele via no casamento uma forma de libertar-­se da opressão dos pais.

Embora, tendo conhecido seu noivo, eu temia que ele fosse ainda mais oprimido.

Suspirei, concentrando­-me no meu prato e de repente, Brian veio parar ao meu lado, fazendo meu coração gelar.

Atitudes como essa que ele acabara de ter, indicavam que eu estava em perigo e, se isso estivesse acontecendo, era porque Helene ou alguém relacionado a ela estava por perto.

Levantei meu olhar e olhei para porta, vendo SeYeon me encarando friamente.

Respirei fundo me sentindo um pouco aliviado por não ser Helene e senti a mão de alguém sobre a minha. Era Solji, tentando, certamente, me pedir calma.

Mas, eu estava tranquilo, pois sabia que a ex­-noiva de Chanyeol não tinha nenhuma relação com minha madrasta.

SeYeon andou lentamente até uma mesa e sentou­-se, sendo rapidamente atendida.

Eu sabia perfeitamente que ela me odiava por eu ter me casado com Chanyeol, mas não imaginava que tipo de mal ela poderia fazer a mim.

Ela era uma moça de família rica e certamente não sujaria as mãos armando uma vingança ridícula contra o esposo do seu ex­pretendente.

Pelo menos era o que eu esperava.

- Vamos?- Solji nos chamou, assim que terminamos de comer e eu senti Brian respirar, aliviado.

Eu também estava aliviado, pois apesar de acreditar que eu não corria perigo, não gostava de ficar no mesmo ambiente que a ex­noiva do meu marido.

O ódio que ela não fazia questão de esconder que sentia por mim, me fazia mal.

Levantei­-me lentamente, já sentindo certa dificuldade por causa da gravidez, e segui minha sogra até ao caixa, percebendo todos os olhares sobre nós.

Fiz o pedido dos doces que levaria para Hyejin e Solji pagou nossa conta, segurando meu cotovelo de leve e me levando para fora.

Luhan e Brian nos seguiam de perto, mas antes que alcançássemos a porta, ouvimos a voz mordaz de SeYeon.

- Vejo que se bandeou para o lado do inimigo, Solji. Pensei que não quisesse um morto de fome como genro.- Ela falou e Solji respirou fundo, virando­-se em direção a mesa de SeYeon.

- Boa tarde, SeYeon. Saiba que eu não me bandeei para lado nenhum. Eu apenas me dispus a conhecer melhor o rapaz encantador que Chanyeol tomou como esposo. Meu filho está feliz e, portanto, eu também estou. Sinto muito se isso a desagrada, mas não há nada que eu possa fazer.- Solji falou com educação e SeYeon se levantou irritada, deixando sua postura de dama elegante e educada de lado.

- Ah... Ele está feliz? Quem bom para ele, não é? Realmente deve ser fácil conseguir a felicidade quando não é preciso se reerguer de um abandono humilhante.- Ela falou amarga e eu senti meus pelos arrepiados com seu tom de voz.-Vejo que seu genro querido está grávido... Verificaram se esse filho é mesmo de Chanyeol? Porque do buraco de onde ele veio devia existir homens e um desses pode ser o verdadeiro pai dessa criança que ele carrega. E, mais uma vez, o capitão Park será responsabilizado por uma criança bastarda, sem sangue nobre e sem futuro... Seus filhos, definitivamente, precisam escolher melhor os esposos, Solji. O mais velho se casou com um prostituto e o outro, depois de ser feito de idiota pelo primeiro esposo, casou­se com um bastardo vindo do fim do mundo... Por Deus! A nobreza dos Estados Unidos está virando um lixo.- SeYeon falou com desprezo e eu senti uma raiva borbulhante tomar meu corpo.

Ela podia dizer o que quisesse sobre mim, que eu não me importaria, mas jamais permitiria que ela ofendesse Hyejin ou o filho que eu carregava.

Isso nunca!

Tirei Solji e Brian do meu caminho e me aproximei de SeYeon, olhando bem dentro dos seus olhos, para que minhas palavras invadissem seu cérebro de forma clara e eficiente.

A raiva que eu sentia nesse momento, fazia com que eu não sentisse o menor medo de enfrentá-­la. Pelo contrário. Tudo o que eu queria nesse momento era arranhar seu rosto bonito, para que ela tivesse uma lembrança ainda mais tangível de mim.

- Eu não preciso provar nada para você ou para quem quer que seja. Posso ter vindo de um buraco, como gosta de afirmar, mas tenho honra e respeito meu marido. O filho que eu espero é dele, e disso eu não tenho a menor dúvida. E lhe garanto que nem ele. Lave a boca para falar dos meus filhos ou de qualquer membro da família Park. Chanyeol e Jongin podem até ter escolhido mal os esposos, mas pelo menos, nenhum de nós tem a língua grande e venenosa como a sua. Preocupe-­se com sua vida e tenho certeza que será muito mais feliz quando esquecer esse ódio que sente por mim. Suas palavras não me abalam, por mais ofensivas que sejam. Mas, elas abalam você, deixando­a amarga e fria e se continuar agindo assim, vai acabar a vida solteira e sozinha.- Falei calmamente, embora minha grande vontade fosse agredir sua carinha bonita.- E se eu a ouvir falando do meu bebê, ou de Hyejin outra vez, tenha certeza que seu rostinho lindo sofrerá grandes danos, pois do lugar de onde eu vim, a gente resolve as coisas com violência e acredite: eu sei dar uma surra como ninguém. Lembre-­se disso e tenha uma boa tarde.- Falei, voltando para o lado de Solji e deixando SeYeon refletir sobre minhas palavras.

Eu jamais admitiria que alguém ofendesse o bebê que estava em meu ventre ou chamasse Hyejin de bastarda outra vez.

Minha princesa era uma Park, mesmo que não fosse o sangue deles que corresse em suas veias.

E eu estava falando muito sério quanto à surra.

Se ela não mantivesse a boca fechada, conheceria intimamente minha falta de classe.

Devido aos muitos perigos vividos durante minha infância e adolescência, eu aprendera a me defender, e não teria a menor clemência caso ela não aprendesse a respeitar meus filhos.

Sempre tive receio de usar minha força, mas a partir de hoje, não deixaria que ninguém me ofendesse ou me desrespeitasse.

- Você é um ordinário, Baekhyun. Mas, o que é seu está guardado. Pode esperar.- Ela falou, saindo da confeitaria e esbarrando em meu ombro.

Respirei fundo e levei a mão até minha têmpora.

Minha vida era um tumulto e isso, às vezes, me trazia sérias dores de cabeça.

- Está se sentindo bem, Baek?- Brian perguntou, preocupado e eu assenti.

- Vamos logo para casa. Andar por Washington não está muito seguro, ultimamente.- Solji falou, me conduzindo para fora e, milagrosamente, o carro da família nos esperava, estacionado em frente à confeitaria.

Agradeci mentalmente e me aconcheguei aos bancos macios, fechando os olhos e deixando que o nervosismo me abandonasse.

“O que é seu está guardado.”

As palavras de SeYeon ressoavam em minha mente e eu temi por minha segurança e pelo bem estar do meu bebê, mesmo sabendo perfeitamente me defender de suas loucuras.

Aquela mulher alimentava um ódio mortal por mim, e não sossegaria enquanto não conseguisse se vingar.

Mas, eu estaria preparada para enfrentá-­la, pois desde que Hyejin entrara em minha vida e eu soubera da existência do bebê em meu ventre, eu sabia o que era ser mãe e faria qualquer coisa para garantir a segurança dos meus filhos.

 

 

*****

 

Pov. Chanyeol

 

- O que?!? Você só pode estar de brincadeira, pai...- Falei irritado, jogando tudo que estava sobre minha mesa no chão.

- O pior é que não estou, filho. Allan terá que passar o natal conosco. São ordens superiores que não podem ser desobedecidas.- Meu pai falou com a voz mansa e eu fechei os olhos, suspirando.

Tinha dias que eu, simplesmente, odiava ser eu.

- Isso é um absurdo! Não me importo com as ordens. Não vou levar esse desgraçado para perto da minha família, pai. Nunca.- Falei decidido e foi a vez de meu pai suspirar.

- Chanyeol, não há nada que você possa fazer. Allan não vai voltar para New York e não pode ficar na base sozinho. Você é o tutor dele e é sua responsabilidade mantê-­lo seguro e longe de problemas durante as festas... Portanto, não há meios de se negar a fazer isso. Allan irá passar o natal conosco e pronto.

Passei as mãos pelos cabelos, frustrado e irritado.

Como, diabos, eu ia levar aquele monstro para perto de Baekhyun?

Até o momento, eu tinha conseguido mantê-­lo afastado, mas diante dessa ordem, eu realmente não tinha o que fazer.

- Por que eles não o liberam, para que Allan volte para New York? Até agora, ele teve um bom comportamento. Já está na hora desse castigo ridículo acabar. É um absurdo eu ser obrigada a receber esse soldado em minha casa. Um absurdo.

- Absurdo ou não, só nos resta aceitar. Mas, fique tranquilo. Duvido que ele faça algum mal para Baekhyun. Estaremos todos presentes, inclusive Brian, que cuidará de sua segurança. Fique calmo, pois não deixaremos que nada de ruim aconteça.- Meu pai falou e eu bufei, me sentindo impotente e vencido.

Eu não tinha nada a fazer ao não ser aceitar essa imposição maluca.

Mas, se algo de ruim acontecesse ao meu menino, eu teria a quem culpar.

Sehun pagaria com a própria vida, por me fazer passar por tudo isso.

Essa situação era culpa dele e de sua brilhante ideia de me fazer tutorar Allan, e eu não permitiria que ele saísse impune caso algo desse errado.

 

*****

 

Cheguei em casa após o jantar, e dispensei Brian, que estava de plantão em frente a porta de entrada.

Ele esperava por minha chegada todos os dias e só depois, retirava­se para descansar.

Brian estava me saindo um ótimo segurança e eu lhe seria eternamente grato por manter meu pequeno seguro, quando eu não podia fazer isso.

Eu me sentia culpado por deixá-­lo tanto tempo sozinho, mas não havia meios de mudar minha rotina de trabalho na base militar.

No entanto, hoje, eu demorara de propósito.

Eu precisava esfriar a cabeça, pois não podia, de forma alguma, descontar meu ódio e minhas frustrações em Baekhyun.

Ele não tinha culpa dos meus problemas e deveria ser mantido de fora, para que não ficasse ansioso ou irritado, já que isso não fazia bem à gravidez.

Pendurei meu casaco no hall de entrada e me dirigi para sala, encontrando o mesmo sentado confortavelmente sobre o sofá, tentando manusear agulhas de tricô.

Ele estava tão concentrado na tarefa que não me viu entrar e eu fiquei observando-­o durante alguns minutos.

Baekhyun parecia disposto a aprender tricotar e bordar, pois queria ajudar na confecção do enxoval para nosso bebê, mas ele, definitivamente, não levava jeito para prendas domésticas.

Ele segurava as agulhas de forma engraçada e pelo jeito ainda não conseguira sair do primeiro nó, enquanto minha mãe e Luhan já tinham quase acabado de tricotar o que parecia ser um casaquinho cada uma. Kyungsoo estava com um bordado nas mãos e parecia satisfeito realizando o trabalho, não se dando conta das dificuldades enfrentadas por Baekhyun. Até Emma entrara na dança e estava tricotando um sapatinho, enquanto tentava instruir meu pequeno.

Hyejin estava sentada entre as almofadas, perto da lareira, enquanto brincava com Hana, que não parava de mexer os bracinhos e fazer barulhinhos com a boca.

Meu pai e Jongin estavam entretidos em um jogo de xadrez e eu me senti acolhido pela harmonia silenciosa e agradável da minha casa.

Depois de um dia de trabalho duro e de notícias nada animadoras, tudo o que eu queria era um pouco de paz.

Respirei fundo e andei lentamente até onde Baekhyun estava, abaixando-­me e dando-­lhe um beijo no rosto.

Baekhyun virou­-se para mim com um sorriso e pareceu aliviado em deixar a lã e as agulhas de lado.

- Oi.- Ele falou contente, e rodeou o sofá para me abraçar.

Segurei seu corpo pequeno e o apertei contra mim, tendo nosso contato já um pouco limitado, devido ao tamanho de sua barriga.

Beijei seus cabelos e fechei os olhos, inalando seu cheiro doce e me dando conta do quanto eu sentira sua falta nesse tempo em que passava trabalhando.

Suspirei, apertando-­o mais contra mim e olhei ao redor, percebendo que todos, inclusive meu pai, nos encaravam com um sorriso idiota nos lábios.

Revirei os olhos e abaixei meu rosto para meu pequeno, que me fitava com os olhos brilhantes.

- Como foi seu dia?- Perguntei suavemente, acariciando suas bochechas e ele suspirou, recostando sua cabeça contra meu peito.

- Foi bom. Sua mãe, Luhan e eu fomos até a cidade para comprarmos lã e depois passamos pela confeitaria.- Ela falou simplesmente e eu assenti, aliviado por saber que seu dia fora tranquilo.

- Tivemos um pequeno desentendimento com SeYeon na confeitaria.- Luhan falou e eu senti meu sangue gelar nas veias.

Baekhyun virou­-se e olhou para meu irmão de cara feia.

Eu imaginava que ele não me contaria sobre esse encontro, certamente não querendo me preocupar, mas eu precisava saber de tudo o que acontecia, para que só assim eu pudesse garantir sua segurança.

SeYeon, de alguma forma, estava envolvida com Helene, e saber que ela estivera próxima de Baekhyun me causava uma fúria cega.

Eu tinha certeza que a família de SeYeon, movida pelo ódio e despeito que sentiam por mim, unira­-se a Helene para fazer mal a Baekhyun e a minha família.

Eu colocara um advogado e amigo de confiança investigando-­os, mas até agora ele não descobrira nada e, portanto, tudo o que eu podia fazer, era manter Baekhyun  longe deles.

De todos eles, mas principalmente de SeYeon.

- Ela lhe fez alguma coisa?- Perguntei preocupado e Baekhyun negou com um gesto de cabeça.

- SeYeon nem chegou perto dele, Chanyeol. Primeiro: porque Brian não deixou. Segundo: porque acho que ela ficou com medo de Baekhyun e de sua língua ferina. E terceiro: porque se ela brigasse com seu esposo, certamente seria muito humilhada, já que Baek demonstrou uma força e coragem inacreditáveis.- Luhan falou sorrindo e eu encarei Baekhyun, que tinha o rosto vermelho e mantinha os olhos baixos.

- O que realmente aconteceu?- Perguntei curioso e minha menina deu de ombros.

- Ela ofendeu Hyejin e meu bebê.- Baekhyun falou baixinho e eu encarei minha mãe, que nos observava com um sorriso orgulhoso no rosto.

- Baekhyun defendeu seus filhos e sua família. Apenas isso. SeYeon não lhe fez mal algum, até porque Brian, Luhan e eu jamais permitiríamos isso. Foi Baekhyun quem deu uma lição em sua ex-­noiva, deixando todos na confeitaria embasbacados. E, eu tenho que lhe confessar que acho excelente o fato de você não ter se casado com SeYeon, meu filho. Ela não me parece ter um caráter muito confiável, além de ser, claramente, desequilibrada.- Minha mãe falou e eu não pude deixar de sorrir, embora ainda estivesse apreensivo por saber desse encontro.

- Baek arrasou! É só isso que eu tenho a declarar.- Luhan falou e eu apertei Baekhyun contra mim, beijando seus cabelos.

Eu já vira Baekhyun irritado algumas vezes e por um momento, senti pena de SeYeon por ter sido alvo do lado negro do meu menino.

Baekhyun era doce e tímido, mas quando estava irritado, era capaz de enfrentar soldados em guerra, e eu sabia bem disso.

Ri baixinho e beijei sua testa, deixando­-o ainda mais constrangido.

- Você não vai jantar?- Baekhyun perguntou baixinho, quando chegamos ao pé da escada e eu suspirei, me dando conta que estava realmente com fome.

- Coloque Hyejin na cama, enquanto eu como e vá para nosso quarto.- Falei, beijando seu rosto e ele assentiu, indo até nossa filha, que continuava sentada em frente à lareira.

Fui para a cozinha, onde meu prato me esperava sobre o fogão e comi rapidamente, ansioso por ficar sozinho com Baekhyun.

Assim que terminei minha refeição, lavei meu prato, um hábito aprendido no exército, e fui para o andar de cima, dando boa noite a todos quando passei pela sala.

Passei pelo quarto de Hyejin, que já dormia e dei-­lhe um beijo de boa noite.

Fui ao encontro de Baekhyun e estranhei ao encontrar o quarto vazio.

Onde ele estava?

Tirei minha farda e fui até o banheiro, quando escutei um barulho de água corrente e lá estava ele. Preparando a água na banheira para o meu banho.

Baek era sempre muito atencioso e eu adorava. Seus cuidados acalentavam meu coração e o tornava a cada dia mais especial para mim.

- Eu sei que teve um dia difícil. Um banho vai ajudá-­lo a relaxar.- Ele falou suavemente e eu sorri, descalçando minhas botas e tirando minha calça.

Baekhyun ficou me observando atentamente, sem desviar os olhos nem por um minuto do meu corpo, mesmo quando eu fiquei completamente nu.

Andei lentamente até ele e entrei na banheira, puxando-o para meu colo.

Ele não fez objeções e recostou-­se no meu peito.

Estiquei meu braço e alcancei a esponja que ficava em uma bancada ao lado da banheira. Entreguei o objeto a ele e vi seus olhos brilharem.

Já havíamos feito isso antes e eu sabia que ele apreciava os momentos que passávamos dentro da banheira, assim como eu, que aproveitava cada segundo para fazê-­lo completamente meu.

- Me lave. Tire de mim toda a tensão, a irritação e o estresse do dia a dia. Faça-­me esquecer do meu posto de capitão e me mostre o quanto é bom pertencer a você.- Falei baixinho, beijando seu ouvido e ele se arrepiou, colocando as pernas, uma de cada lado da minha cintura, e espremendo sabonete na esponja.

Ele passou suavemente a esponja ensaboada pelo meu pescoço, descendo pelo meu torso e eu suspirei.

Fechei os olhos e me deixei levar pelo seu toque delicado, realmente esquecendo-­me de todos os problemas que nos rodeava.

Eu desejava esquecer que sua família queria tirá-­lo de mim, que SeYeon se unira a Helene para fazer-­lhe mal, que eu teria que aturar Allan no natal, que daqui a alguns meses, ele entraria em trabalho de parto e poderia morrer, me deixando sozinho e acabado...

Eu precisava esquecer-­me de tudo ao meu redor, e apenas seus toques e seus beijos eram capazes de me trazer essa amnésia momentânea tão desejada. Sua presença anulava qualquer outra coisa a minha volta e eu adorava me perder em seus braços.

Espalmei minhas mãos em sua barriga dilatada e me senti completo, como se tudo o que eu precisasse para ser feliz estivesse ali, ao toque das minhas mãos.

Baekhyun escorregou pelas minhas pernas, fugindo do meu toque e esfregando minha barriga.

Meu membro já estava duro de desejo por ele e, assim que percebeu minha animação, ele me encarou corado, mordendo o lábio inferior e respirando com dificuldade.

Baekhyun inclinou-­se sobre meu corpo, e com as mãos cheias de espuma, segurou meu membro, movimentando a pele que o envolvia de uma forma que só ele sabia fazer, me enlouquecendo e me fazendo gemer baixinho.

- Baek...- Sussurrei e ele intensificou o movimento que fazia com as mãos.

Meu pequeno ainda era bastante tímido, mas conseguia usar de uma ousadia sobrenatural quando fazíamos amor. Ele se entregava de uma forma única e completa e sempre parecia disposto a me agradar, usando seus lábios e mãos para me enlouquecer.

Todas as vezes que fazíamos algo mais ousado, ele insistia em dizer que íamos para o inferno, mas nunca se negava aos meus pedidos ou as minhas vontades, deixando se levar pelo próprio desejo.

Baekhyun  se inclinou sobre mim e beijou meus lábios, enquanto ainda me acariciava com as mãos pequenas.

Eu coloquei novamente minhas mãos em sua cintura, para aproximá-­lo mais do meu corpo e aproveitar esse contato íntimo que me fazia tão bem.

Levei uma de minhas mãos até sua entrada e a penetrei com um dedo, ouvindo-­o gemer e sentindo-­o apertar mais meu membro em suas mãos.

Ultimamente, ele estava bem mais sensível as minhas carícias do que antes e eu adorava provocá-­lo e senti-­lo responder aos meus estímulos.

Baekhyun guiou meu membro até sua entrada e sem esperar por mais nada, sentou de uma vez em mim, arrancando um gemido de prazer de nós dois.

- Meu Deus, Baek...- Sussurrei transtornado e ele começou a se movimentar sobre meu corpo, me fazendo perder o pouco controle que me restava.

Baekhyun deitou a cabeça em meu ombro e eu rodeei seu corpo com os braços, a fim de firmar seus movimentos.

Beijei, lambi e mordisquei seu pescoço, tomando cuidado para não deixar marcas, já que ele sempre se irritava quando isso acontecia.

Senti seus lábios em meu ombro e seu gemido rouco em meu ouvido, me levando a um nível extremo de excitação.

Puxei seu rosto para o meu e invadi sua boca, beijando­o com sofreguidão e tentando abafar nossos gemidos e suspiros, pois ainda havia gente acordada na casa.

Nossos corpos se movimentavam desesperadamente e eu notei que tínhamos derrubado quase toda a água da banheira.

Quando precisei de ar, afastei nossos lábios e enterrei meu rosto em seu cabelo.

Baekhyun ofegava bastante e eu comecei a sentir medo que ele tivesse algum tipo de ataque.

Mas eu sabia que seus ruídos eram indícios do prazer imenso e maravilhoso que sentíamos nos braços um do outro e isso, jamais nos mataria, pois era bom e certo.

- Vem Baek... Goza pra mim, meu pequeno... Meu menino...- Sussurrei em seu ouvido, quando percebi que ele estava prestes a perder o controle e em poucos segundos senti os espasmos involuntários de seu corpo, que sempre incentivavam o meu próprio êxtase, e depois de mais algumas estocadas, senti meu corpo se derramar dentro dele, marcando-­o mais uma vez como meu.

-Chanyeol...- Ele gritou, abafando seus gemidos contra a pele do meu pescoço e eu fiz o mesmo, salpicando beijos suaves em seu rosto, pescoço e ombros, vendo­-o se acalmar aos poucos.

- Adoro tomar banho com você...- Falei baixinho contra seus cabelos e ele sorriu, me olhando com a expressão cansada.

Eu precisava me lembrar que, devido à gravidez, ele não tinha a mesma disposição de antes, me obrigando a ser mais cuidadoso.

- Tudo bem?- Perguntei preocupado e ele assentiu, beijando meu peito suavemente.

- Tudo ótimo... A propósito: obrigado por me resgatar da sessão de tricô. Eu, definitivamente, não nasci para fazer aquilo...- Ele sussurrou e eu ri.

- De nada. Eu percebi sua falta de jeito com as agulhas. Mas, não se preocupe. Minha mãe, Luhan, Kyungsoo e Emma darão conta do seu enxoval.- Falei, na intenção de tranquilizá-­lo e o ouvi suspirar.

- Graças a Deus!- Ele exclamou e eu sorri, me sentindo feliz.

Ficamos ali abraçados por um tempo, até que comecei a sentir frio.

Levantei da banheira e ajudei Baek a fazer o mesmo, nos embrulhando em uma grande toalha e nos conduzindo para o quarto.

Notei com diversão que, praticamente toda a água da banheira havia sido derramada e Baekhyun fez uma careta adorável para a bagunça no chão do cômodo, me fazendo rir de sua expressão.

Voltamos para o quarto e nos deitamos juntos, em posição de concha.

Dormir agarrado ao seu corpo era maravilhoso e eu já não podia ficar longe dele por nem uma noite sequer.

Beijei seus cabelos e deixei que seu cheiro suave e seu corpo macio embalassem meu sono e me fizessem esquecer, mais uma vez, de todos os nossos problemas.

Eu necessitava desses momentos de calmaria ao seu lado, pois, do contrário não conseguiria suportar tantas dificuldades e obstáculos a nossa volta.

Espalmei minha mão em sua barriga e senti suas mãos pequenas sobre as minhas, acariciando­-as e, certamente, me agradecendo por estar ao seu lado mesmo sentindo tanto medo de perdê-­lo para morte. Eu ainda tinha esse temor, mas estaria ao seu lado por todo o tempo, amparando-­o e protegendo-­o, até que tudo ficasse realmente bem.

Gostaria de me declarar, mas ainda não conseguia fazer isso.

Por enquanto, eu o amaria em silêncio, mostrando com gestos e atitudes o que eu queria e deveria dizer-­lhe em palavras.

E, teria que bastar. Pelo menos até eu deixar de ser um covarde e me abrir com ele.

Fechei os olhos e me entreguei ao sono e à certeza de que meu menino estava ali, comigo, mesmo com todo meu temor, defeitos e hesitação.

E ele ficaria comigo para sempre, pois eu dependia dessa certeza para continuar vivendo.

 

*****

 

Pov. Baekhyun

 

Duas semanas depois.

 

Natal. Presentes. Ceia. Comida. Fartura.

Coisas que nunca fizeram parte da minha realidade, mas que nesse momento estavam me fazendo muito feliz, principalmente porque eu tinha Chanyeol e Hyejin ao meu lado e meu bebê crescendo em meu ventre.

Olhei a minha volta e a harmonia que percebi entre todos ao meu redor, me fez muito bem.

Segundo Luhan, a ceia de natal da família Park era a mais famosa e frequentada de Washington, mas, devido a tudo o que acontecera desde a ida de Chanyeol para a guerra, eles preferiram manter a festa deste ano apenas para os familiares.

Eu sabia que isso também tinha haver com o fato de Helene e meu pai estarem movendo aquele processo contra Chanyeol, querendo anular nosso casamento. Todos ali queriam evitar que minha família se aproximasse de mim e do meu bebê.

Eu me sentia muito seguro ao lado deles, mas sabia que nenhuma proteção seria suficiente para afastar meu pai e minha madrasta de mim.

Mais cedo ou mais tarde eu teria que enfrentá-­los.

Passei a mão por meu ventre protuberante e suspirei.

Só esperava que quando esse confronto chegasse, meu filho já estivesse seguro, fora do meu corpo e sendo protegido pelo poder impressionante da família Park, pois nada de mal poderia acontecer a ele.

Mesmo tento um medo enorme de meu pai e Helene, eu os enfrentaria, se isso fosse necessário para mantê­los afastados do meu bebê.

Ou bebês.

Sorri abobalhado e espalmei a mão pelo meu ventre.

Podia parecer estranho, mas eu tinha quase certeza que eu esperava dois bebês.

Os sonhos com aquelas duas crianças desconhecidas eram cada vez mais frequentes e o amor incondicional que eu sentia por eles, era um indício de que eu poderia estar grávido de gêmeos.

Um menino e uma menina.

Sem contar que, Solji dissera que minha barriga estava muito grande para minha primeira gravidez e o médico também dissera algo parecido.

Pedi para que nenhum deles falasse de suas desconfianças com Chanyeol, pois não queria vê-­lo mais preocupado com meu estado de saúde na hora do parto.

Mas, o fato era que, a possibilidade de estar gerando dois filhos me deixava muito contente, mesmo que para isso, eu tivesse que morrer para dá-­los a luz.

Respirei fundo, tentando afastar esses pensamentos e olhei para a grande árvore de natal ao canto da sala, sorrindo encantado.

Eu precisava deixar de lado minhas preocupações, pois queria que essa noite fosse perfeita.

Busquei Chanyeol com o olhar e o encontrei entretido em uma conversa com Jongin e Ji-Hoon, parecendo estar um pouco irritado.

Ele andava muito estranho nos últimos dias, recebendo a visita de um advogado e ficando a cada dia mais aborrecido, embora não deixasse, jamais, de ser carinhoso e cuidadoso comigo.

Com a proximidade das festas de fim de ano, que eram muito tradicionais nos Estados Unidos, Chanyeol ficava mais em casa, o que estava me deixando muito feliz. Ele estava sempre por perto, atendendo as minhas necessidades e as de Hyejin e só ia até a base para tutorar o soldado Allan e verificar se tudo estava em ordem.

Estremeci ao pensar naquele homem e balancei a cabeça de leve.

Hoje era um dia especial e eu só deveria pensar em coisas boas.

Aquele monstro jamais se aproximaria de mim, pois eu tinha certeza que Chanyeol jamais permitiria.

Ele estava longe e é lá, nas profundezas da minha memória, em um lugar onde tudo deveria ser descartado, que ele deveria ficar.

Fui até a grande mesa e belisquei uma uva, pois já estava começando a sentir um pouco de fome.

Só esperava que ninguém visse minha pequena travessura, pois não queria parecer indelicado.

- Eu vi o que acabou de fazer, Baek...- Ouvi a voz baixa de Brian e pulei de susto, me virando em sua direção e sorrindo envergonhado.

- Eu estou grávido, Brian. Acho que tenho permissão para beliscar algumas coisas, já que preciso me alimentar em dobro.- Falei em minha defesa e ele sorriu.

- Certo. Acho bom, na hora da ceia, alguém lhe segurar longe da mesa por alguns instantes. Se não, não sobrará comida para os outros convidados.- Ele falou debochado e eu lhe dei um tapa no braço, rindo de suas gracinhas.

Era incrível como essa história de guarda costas havia nos aproximado.

E o melhor era, que agora, Chanyeol já não se mordia de ciúmes sempre que Brian falava comigo. Meu capitão tratava nossa amizade com naturalidade, me deixando muito feliz e satisfeito.

Olhei ao redor e notei que Hwanhee, um primo de Chanyeol que viera de Seul para o natal, não parava de olhar para o soldado a minha frente.

Ele era filho do irmão mais velho de Solji. Hwanhee tinha dezoito anos e acabara de sair do colégio, estando pronto para ser apresentado para sociedade e conseguir um noivo, já que a família sabia de sua opção sexual.

Mas, ao que parecia, ele já havia escolhido o candidato.

Sorri com malícia e cutuquei o braço de Brian, fazendo-­o olhar em direção ao rapaz, que não parava de encará-­lo.

- Ele gostou de você. Porque não vai até lá e conversa com ele?- Falei baixinho e Brian ficou vermelho na hora, desviando o olhar do menino.

- Baekhyun... Ele é filho de pessoas ricas. Jamais irá olhar para um simples soldado e filho de um caseiro.- Brian falou e eu o encarei, sério.

- Brian, meu marido é um rico capitão do exército americano e se casou comigo, um bastardo, analfabeto e  pobre. Não vejo qual o problema dessa mistura de classes. Você é um cara legal, bonito, tem caráter e princípios... Tenho certeza que possui capacidade de sobra para fazer qualquer um, seja rico ou pobre, muito feliz.

- Os pais dele jamais permitirão nossa aproximação.- Ele falou, parecendo um pouco irritado e eu revirei os olhos.

- Você jamais saberá disso se não tentar. Vai lá, Brian. Ele é muito bonito e parece bastante interessado.

Ele olhou mais uma vez para Hwanhee, que tomou coragem e se aproximou de nós.

Eu sorri radiante e senti Brian empertigar-­se ao meu lado.

- Olá...- Hwanhee falou e eu respondi, cutucando Brian com o pé para que ele cumprimentasse o garoto. Ele me olhou de cara feia e depois respondeu à Hwanhee.- Você é o esposo do meu primo, não é?- Ele me perguntou a mim e eu assenti.- E esse moço é seu amigo?- Hwanhee questionou, referindo-­se a Brian e eu sorri triunfante, dando um passo à frente para poder apresentá-­los.

- Hwanhee, esse é Brian, soldado combatente do Exército dos Estados Unidos da América. Ele é meu amigo e guarda costas. O conheci na guerra, na mesma época em que conheci meu marido.- Falei docemente e Hwanhee sorriu para Brian, que continuava parado como uma estátua.- Brian, esse é Hwanhee, primo de Chanyeol que veio de Seul para o natal.

- Prazer, Senhor Brian. Meu currículo não é tão bom quanto o seu, mas posso lhe garantir que sou um bom garoto.- Ele falou, estendendo-­lhe a mão e Brian aceitou o cumprimento hesitante e eu sorri largamente, dando alguns passos para trás, pronto para deixá-­los a sós.

- Bem... Vocês já foram devidamente apresentados. Vou circular um pouquinho para ver como Hyejin está se comportando e vou à procura de Chanyeol. Divirtam­-se.- Falei alegre, ignorando o olhar fulminante que Brian me lançava e saí rapidamente em busca da minha princesinha.

Ela brincava animadamente com a irmã mais nova de Hwanhee, e parecia muito contente por ter encontrado uma amiguinha.

Apesar de tudo, Hyejin ainda era uma garotinha muito solitária, e vê-­la se divertir com outras crianças, me deixava muito feliz.

Senti braços ao meu redor e sorri, virando-­me e dando um beijo doce em Chanyeol.

- Olá... - Falei alegre e ele beijou meu rosto.

- Olá... Eu o vi em ação agora pouco e achei a cena muito interessante. Como se sentiu no papel de cupido?- Ele me perguntou e eu ri, me virando de frente para ele.

- Ora... Me senti muito bem. Eu notei que seu primo ficou interessado em Brian e resolvi ajudá-­lo, já que seu soldado é muito lerdo em relação a romance.

- Fico muito feliz que ele seja um lerdo. Caso contrário, eu não estaria casado.- Ele falou sério e eu revirei os olhos, beijando de leve os seus lábios.

- Não seja bobo, Chanyeol. Para mim não existe outro homem, se não você.- Eu falei baixinho e ele sorriu.

- Que bom, pois eu não hesitaria em matar o desgraçado que resolvesse atravessar meu caminho para tirá-­lo de mim.- Ele falou e eu senti meu coração baquear, tamanha a intensidade de suas palavras.

E eu sabia que ele não estava falando apenas de outros homens. Chanyeol se referia também a meu pai e Helene

Eu já vira meu capitão em ação e, se fosse eles, desistiria da ideia maluca de nos separar.

Isso jamais ia acontecer, pois nem Chanyeol e nem eu permitiríamos.

Ouvi o sino da porta e senti uma tensão estranha tomar o corpo do meu marido.

Ele encarou a porta de entrada e, quando segui seu olhar, para meu total desespero, vi o soldado Allan entrar por ela.

O que diabos aquele monstro estava fazendo ali?

Apertei-­me contra Chanyeol, sentindo meu corpo começar a tremer e Chanyeol enlaçou minha cintura, olhando sério para o estranho convidado.

- Sinto muito, meu anjo. Eu não pude evitar que ele comparecesse ao natal, mas prometo que nada de mal vai lhe acontecer.- Chanyeol falou baixinho e eu assenti, engolindo o medo e a apreensão que tomava conta de mim.

Allan estava sorridente e cumprimentava a todos com simpatia, parecendo alheio à tensão que tomou conta do lugar com sua chegada.

Ele me olhou de longe e, assim que nossos olhares se cruzaram, senti um arrepio intenso passar por meu corpo.

Aquele homem era o mesmo que tentara fazer tanto mal a mim e eu sempre teria medo dele, pois sabia o quanto ele era cruel.

Respirei fundo e quebrei nosso contato visual, buscando Hyejin com o olhar.

Eu não queria que ela ficasse sozinha no mesmo ambiente que aquele desgraçado.

Minha pequena precisava da proteção dos pais.

Quando a encontrei, chamei-­a com um gesto de mão e ela veio sorridente em minha direção e, ao observá­la melhor, senti o ar me faltar.

O seu sorriso era tão incrivelmente parecido com o de Allan, que a semelhança chega a ser chocante.

Seus olhos eram da cor exata dos olhos deles e seus cabelos tinham o mesmo tom dourado.

Mas, isso não era possível... Ou era?

- Sempre julguei que ela deve se parecer com o pai dela.

Lembrei­-me das palavras de Chanyeol, quando eu disse que sua filha não se parecia com ele e mais uma vez olhei atentamente para Allan e depois para Hyejin.

- Hyejin pode não ser minha filha, de fato. Na verdade, eu tenho quase certeza que ela não é. Minhyuk teve um caso com um homem quando eu fui para o Caribe e, aparentemente, ficou grávido dele. Como ele morreu no parto, jamais tive certeza desse fato.

Deus!

Minha princesinha era tão parecida com Allan.

Será que era possível que ele fosse o amante de Minhyuk e o pai de Hyejin?

--...Allan me odeia por motivos que eu sinceramente desconheço e não perde a oportunidade de me provocar...

Mais uma vez, me lembrei das palavras de Chanyeol e respirei fundo.

Sim. Isso era absolutamente possível.

E talvez explicasse o ódio que ele sentia por meu marido.

Chanyeol casara-­se com quem ele desejava.

Duas vezes.

Primeiro com Minhyuk, depois comigo.

Embora comigo, Allan quisesse apenas se divertir.

Hyejin chegou até nós e eu a abracei pelos ombros, erguendo os olhos e notando que Allan observava a nós três com uma expressão de ódio.

Desviei o olhar e encontrei Luhan encarando o soldado com o rosto pálido e a expressão assustada.

Ele olhou para mim, parecendo apavorado e nesse momento eu tive uma única certeza:

Allan era o verdadeiro pai de Hyejin e Luhan sabia disso.

Agora, só me restava confrontá-­lo e torcer para que Chanyeol jamais soubesse deste fato, pois aí, nossos problemas certamente aumentariam.


Notas Finais


Eu sei, joguei a bomba e saí correndo, quero muitos comentários nesse capitulo que eu posto mais um no sábado. E gente, eu não ia deixar o Brian terminar sozinho não é, afinal ele é um personagem queridinho pra mim, ele é bonzinho e merece ter um final feliz também. E eu queria muito o Hwanhee na fanfic, então dei um jeito de fazer ele aparecer.

Alguém esperava esse final aí? Me contem ok. Quero saber tudo que vocês acharam.

SOBRE O COMEBACK DO EXO:

To viciada em The Eve. Sério, eu amei demais a musica, e What U Do também, são minhas duas favoritas, sem contar Forever, Ko ko Bop e por aí vai...

TEM FANFIC NOVA!! - https://spiritfanfics.com/historia/uma-nova-chance-9853062 - Chanbaek também. Espero vocês lá também.

Bjos e até a próxima!


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