História A Guerra dos Miseráveis - Capítulo 3


Escrita por: ~

Exibições 3
Palavras 2.005
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Mais um capítulo quentinho, direto do forno. Uff, eu ralei para escrever esse capítulo, que personagem mais complicado. Mas como vocês não estão aqui para me ouvir falar: BOA LEITURA :)

Capítulo 3 - Vlad


 Morgana era como uma luz na sombria imortalidade, uma diversão perante ao tédio que a vida eterna poderia causar. Morgana era a criatura mais bela, doce, e cruel que existia, sua beleza era capaz de ofuscar até o mais belo diamante que poderia existir, ninguém prestaria atenção em joias tendo Morgana por perto. Morgana, razão de uma vida, morrer poderia ser ruim, viver sem tê-la por perto era pior do que qualquer morte. Vlad sempre cuspiu baboseiras românticas como essa para tê-la por perto, afinal Morgana era como sua estrela da sorte, um tesouro, e faria de tudo para que ela ficasse junto a ele. Morgana era a manipuladora sendo manipulada.

 Lembrava-se do dia em que a conhecerá, era somente um nobre querendo brincar de puta em Versalhes. Encantou-se por sua forma de agir, seu jeito depravado era algo único que a destacava diante de todas as outras mulheres, sua forma depravada gerou um desejo dentro dele, um desejo possessivo. Ele a queria, ele a teria, dito e feito, em uma noite lá estava ela, Morgana em seus braços, entregue completamente a ele.

 Poderia ter largando-a após se satisfazer, como fizera com todas as outras damas que despertaram sua curiosidade. No entanto Morgana se mostrou diferente, não havia morrido como todas as outras, estava viva, eternamente viva, e tão apaixonada quanto viva. Era diferente, mais forte do qualquer primeiro poderia ser, poderia leva-lo a ser grande, bastava apenas ser manipulada com cautela.

 O amor. O sentimento mais demente demonstrado pelos mortais, e foi essa demência que Vlad usou como desculpa, para faze-la supor que estava no comando, sem suspeitar de que era a verdadeira manipulada. Desde então Morgana havia se tornado a razão de sua existência, e todo aquele jogo começou.

 Estavam em um hotel luxuoso, um dos mais caros de Vegas. Dessa vez eram um casal rico de jovens, recém-casados, querendo esbanjar todo o dinheiro que a vida poderia os oferecer, no dia seguinte teriam que inventar outras histórias. Ao lado de fora as gotas de chuva enfeitavam a noite, noite eterna a qual estavam condenados. Morgana tocava Mozart ao piano, sempre fora talentosa com as mãos, embora o piano não fosse sua verdadeira especialidade. Vlad tinha os olhos fixos ao piano, fingia apreciar a melodia, ambos tinham a mente longe daquele luxuoso quarto.

 “Miser coepit bellum, et pretium” foi o que ele disse antes de morrer, em um latim puro, qual somente os povos mais antigos seriam capazes de entender. Poucas palavras quais fizeram Vlad ter uma sensação estranha de que algo daria errado. Durante anos sonhou com aquele momento, os mínimos detalhes foram planejados, tudo seguia conforme o meticuloso plano, se as coisas iam dessa forma, por que aquela sensação (de que algo sairia errado) não iria embora? Era como se uma voz, mórbida e insistente, continuasse dizendo em sua cabeça: “A sua hora está próxima”, gostaria de afugenta-la.

 A melodia tocada no piano mudou. Não era Mozart, Voltaire, Beethoven, ou qualquer outro cujo nome poderia ser reconhecido de longe. Era uma melodia fúnebre, sombria, e pesada, que parecia ser tocada pela própria morte. Ouvir aquela melodia era como confirmar as vozes em sua mente, como um aviso de algo que estava próximo, era como se aquele primeiro voltasse a repetir: “A guerra dos miseráveis começou”, em latim, um latim tão antigo que somente os mais sábios seriam capazes de entender. Aquela melodia atormentava seus ouvidos, deixava-o inquieto. Ouvirá de seu mestre que jamais deveria hesitar em provocar a morte, porém aquela melodia precisava parar.

— Morgana, pare com esse barulho agora! — Gritou, batendo com força nas teclas do piano, ato que já foi o suficiente para finalizar a música.

— Há muitas pessoas em Versalhes hoje. — Mozart estava de volta.

 Três dias. Este era o tempo no qual haviam ficado dentro do hotel. No primeiro dia ela parecia assustada, nada fez além de derramar lágrimas, sujando até mesmo o seu vestido com sangue. Ao segundo dia nada disse, somente tocou ao piano todas as músicas da qual tinha conhecimento, das velhas valsas ao belo rock and roll. Aquele era o terceiro dia, a primeira vez na qual lhe dirigia a palavra.

 Em Versalhes a infanta Maria Antonieta passou dias sem dirigir a palavra a Madame Du Barry, quando as disse foram palavras vazias, sem sentido, porém de grande significado, feriram a honra da rainha, e do país. Morgana utilizava as mesmas palavras. Como tais palavras poderiam ser interpretadas?

— O que isso significa? — Perguntou. Não tinha paciência para os jogos infantis da garota, muito menos para decifrar enigmas bobos.

— Nada, são palavras vazias, somente para lhe dar a graça de minhas palavras. — Ela respondeu enquanto martelava as teclas do piano com facilidade — Jamais teve tempo para meus enigmas, correto? Pergunto-me se não tem tempo, ou se não gosta deles por não saber reponde-los. Também não tem muito tempo para minhas perguntas. De onde é? De onde vem? Todas sem resposta. Não é francês, percebi desde o momento no qual colocou os pés em Versalhes que era um estrangeiro. Se não é francês por que continua a me incomodar com este sotaque barato?

 Cada vez mais perguntas, era preocupante. Vlad sempre entregava as mesmas respostas, todavia agora as mesmas respostas não pareciam ser o suficiente para contenta-la, sempre era preciso de mais e mais, caso essa situação continuasse seria capaz de descobrir tudo, simples perguntas poderiam colocar tudo a perder. Até quando aquilo poderia durar?

— Cherrie, sabe que sou tão francês quanto você. — Respondeu, passando os braços ao redor da garota — Por que me enche com essas perguntas das quais não sei a resposta? Celui qui sait, voit tout, pourvu qu’elle soit inexistante. Faz-me sofrer, não poderia contentar-se somente com a graça que a imortalidade tem a oferecer? Esqueça essas perguntas vazias, considere isso um favor a mim, escravo de seu amor.

— Não, você não é francês. — Ela respondeu com uma expressão neutra, indecifrável, porém logo um sorriso se formou em seu rosto — Depois da Terceira Revolução Industrial somos todos americanos legítimos.

— Tens razão, sweetheath. Hail America! — Respondeu em tom de gozação.

 Green Day sendo tocado ao piano demonstrava a contentamento com resposta, mas o sorriso no rosto de Morgana demonstrava a inquietação para ter a verdade, o que era algo perigoso. As coisas haviam chegado em um ponto crítico, no qual nada deveria ser arriscado, entrega-la a verdade seria como traçar a própria morte. Morgana possuía poder, mais poder do que qualquer um, o que não possuía era o conhecimento desse fato.

— Tenho sede. — Mais uma reclamação foi feita, provando que ela ainda não havia desistido.         

  A melodia mórbida voltou, sendo tocada agora com facilidade, entretanto não era isso que o incomodava. A criança (somente uma criança, talvez no início da puberdade, se comparada com Vlad) possuía um sorriso no rosto, mostrando que havia percebido sua inquietação diante daquela melodia. Então logo começou a cantar, revelando uma letra completamente horrenda, que parecia revelar todos os demônios do inferno, mostrar os gritos de todas as almas do purgatório, era repugnante. Não deveria ousar perder Morgana, porém não foi capaz de se conter, era como se cada célula de seu ser abominasse aquela terrível música, temendo-a, mostrando a quão perturbadora era.

 Depositou um tapa no rosto da garota, que ao virar novamente o rosto possuía um olhar de ódio, como se aquele simples gesto fosse capaz de causar algo além de um pequeno incomodo, parecia ter tido o orgulho ferido.

— Já está amanhecendo. — Foi tudo o que disse antes de ir ao caixão, desde o acidente Morgana não pronunciará uma única palavra, até aquela fatídica noite, na qual Vlad foi acordado por um grito de pânico.

 Lá estava ele, completamente nu. Seu rosto, antes tão belo quanto o de todos os vampiros, estava deformado. A pele fora queimada, não havia local que tivesse sido poupado. Os lábios foram arrancados, era possível perceber a marca da adaga. Mesmo que seu rosto tivesse completamente deformado, quem o fez teve a cautela de deixar que a expressão de pânico pudesse ser reconhecida. Aquele vampiro pode ser reconhecido somente pelo broche fincado em sua pele, era o brasão dos superiores, a rosa de sangue.

— La marionnette. — Morgana pareceu surpresa ao reconhecer a vítima.

 A garota se agarrou em seu braço, escondendo o rosto para que não fosse possível observar tal cena. Nenhum dos dois teve alguma afeição pelo menino, no entanto o horror daquela cena era capaz de deixar qualquer miserável espantado, afinal aquilo não havia sido feito por um imortal, fora feito com as mãos de um humano. O que estava acontecendo?

 Joe estava morto, o que era de se esperar. Entretanto não esperava que as coisas corressem tão rapidamente, muito menos que houvesse a interrupção de um humano em seus planos, os caçadores juraram não encostar nos superiores, com a intensão de manter a paz. Lembrou-se do novato, o qual Morgana o convenceu de manter a vida, da adaga implantada no primeiro, não havia dúvidas de que agora buscava por uma vingança.

— Luz de minha vida, feche seus olhos, livrar-me-ei do corpo, seus belos olhos não devem se incomodar com uma visão tão grotesca.

 Poderia ter sido um gesto movido pelo pavor, Morgana fechou os olhos sem hesitar, confiando completamente em suas palavras. Isso mostrava que de certa forma a criança havia estabelecido certa confiança nele com o passar dos anos, o que seria uma vantagem diante de toda a situação.

 O corpo havia sido deixado quando o caixão foi aberto, caindo sobre os pés do casal. Vlad removeu-o com suas próprias mãos, jogando-o na lareira do hotel, Joe queimou um pouco lá, e um pouco no inferno, de qualquer forma não era necessário. Pode sentir a respiração do humano, estava longe, corria, Vlad conseguiria alcança-lo facilmente, mas não o fez.

 Humanos eram criaturas insignificantes, tolas, que viviam buscando um sentido para o que faziam, sem ao menos perceber que sua busca era o verdadeiro sentido. Criaturas tolas, recheadas de demências, que podiam ser resumidas em sentimentos. Não tinham serventia alguma além de alimento, ás vezes poderiam ser divertidos, belos, ou engraçados, mas nunca seriam nada além de humanos, seres insignificantes dentro da existência magnifica dos miseráveis. Deixar um simples humano interferir em seus planos era algo que não deveria ser considerado, contudo aquele caso poderia ser uma exceção.

— Vlad, o que está acontecendo? Por favo, eu lhe imploro! Conte-me! — Morgana disse em um choro desesperado.

 Vlad abraçou-a secando suas lágrimas. As coisas pareciam estar se encaixando facilmente, aquele acaso do destino pareceu apressar as coisas ainda mais para que ele pudesse ter o poder que tanto almejou durante tantos anos de sua vida. A Guerra dos Miseráveis havia acabado de começar, ele não mediria esforços para tudo o que planejou desse certo, caso o contrário poderia se considerar morto.

— Não se preocupe, meu doce. — Tentou acalmar a garota — Vamos parar com todo o seu sofrimento de uma vez por toda, vamos para casa. Tudo vai ficar bem, a Guerra dos Miseráveis começou, e não precisará gastar seu esplendor ao se perguntar se sairemos vitoriosos.

 Haviam dois peões no jogo qual Vlad jogava, uma rainha, e um rei. Os peões eram Joe, que já havia sido capturado pelo segundo peão, este era David, um caçador qualquer que fez um serviço útil de graça, porém isso não significava que em breve não seria capturado. A rainha era Morgana, que embora o irritasse, ainda era uma das principais peças no tabuleiro, aquela que faria de tudo para manter o rei vivo. O rei, era Vlad, não havia descrição melhor. Ganharia esse jogo e eliminaria todas as suas peças.

 Humano idiota, estava o fazendo um favor.

 Com todos aqueles itens em mãos tudo o que faltava era ganhar a guerra, o que deveria ser fácil, mas aquela voz parecia continuar atormentando-o, repetindo em sua mente que a guerra havia acabado de começar, mas também que sua hora estava chegando, aquela mesma voz o tiraria o sono durante muitos dias. Poderia ela está certa ou seria apenas uma distorção de sua mente?



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