História A Herança - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas da Autora


Mais um capítulo para vocês. Espero que gostem...

Capítulo 8 - De volta a realidade.




                 Reino da Babilônia

Kassaia sentia um misto de sensações. Sentia vontade de chorar, mas não o fez, inicialmente. O choro era para os inocentes, e ela não era mais inocente, não depois do que havia se permitido. Ainda estava deitada, em silêncio, havia dormido por algumas horas, mas havia acordado e a culpa a dominou.  Ela foi egoísta, não deveria se permitido, em troca de um tempo tão limitado. Apenas uma noite? E como ia esquecê-lo depois de tudo o que aconteceu? Não merecia o amor de Joaquim. Terminou de se vestir rapidamente, e saiu depressa dali, antes que Joaquim acordasse.

Cerca de meia hora depois, foi quando o príncipe despertou. Havia esfriado, a lareira precisava de mais lenha. Foi então que percebeu a ausência da princesa. Teria sido apenas um sonho? Não, não era. Joaquim já tinha até imaginava os dois juntos daquela maneira, e que Deus o perdoasse, ele imaginava, às vezes. Porém a realidade foi mais maravilhoso que qualquer sonho, foi melhor que cada pensamento seu. Sempre sonhou que Kassaia seria sua, e depois de tudo, ela mais do que nunca, sua. Sempre foi.

Mas agora, onde estava sua princesa? Ela não estava por ali. Preocupado, Joaquim terminou de se vestir,  sabendo que teria que ir atrás dela. Colocou sua coroa, e saiu.

O dia amanhecia, e não chovia mais, mas ainda estava frio. Caminhou um pouco, e a encontrou na beira de uma margem do rio Cobar.

— Kassaia. O que aconteceu, minha princesa?

Ela virou, e olhou para Joaquim, seus olhos estava umedecidos.

— Você está chorando...

Por ser inexperiente, e nunca ter estado com uma mulher, antes dela,  acreditou que tivesse a ver com ele, que tivesse a machucado; foi a  primeira vez dos dois. Só o pensamento o fez se sentir mal. Queria que tivesse sido bom para ela, também, tão bom como havia sido para ele. Preocupado, Joaquim perguntou:

— Eu te machuquei? É isso?

— Não, não é isso, Joaquim...

Aquela pergunta só fiz ela se sentir ainda pior. Ver que ele estava preocupado, Joaquim não merecia,  queria dizer a ele, o quanto foi especial o momento entre eles, o quanto amou se entregar para ele, que independente do futuro que teriam, juntos ou não,  ela nunca, jamais se esqueceria do que aconteceu horas antes, naquela tenda. Estaria para sempre em seu coração, mas fez o contrário:

— Devemos esquecer o que aconteceu, Joaquim.

Joaquim ficou surpreso com as palavras da princesa. Sabia que era impossível. Resolveu desabafar:

— Acha que isso é possível? Fazem anos que eu te amo. Como acha que vou esquecer nosso momento, juntos? Você pertence à mim, Kassaia. Mais do que nunca, agora.

— Eu te disse, te avisei que seria apenas um momento. Nada além disso.

— Não posso esquecer. Não posso te esquecer, é impossível.

— Você não pode vir com cobranças, sabia que seria assim. — ela rebateu. Evitava olhar nos olhos dele, enquanto falava.

— Kassaia... Não vou aguentar ver você casada com outro. Se eu ainda pudesse ir embora da Babilônia, mas eu estou preso nesse reino, e nesse amor que sinto por você. Sou prisioneiro do rei, e também seu prisoneiro. Prisioneiro do amor que sinto por você.

Kassaia nunca tinha ouvido palavras tão bonitas assim, como as que Joaquim dizia para ela. Joaquim a amava, ela o amava. E talvez tivesse uma chance para eles.

— E se a gente fugir? Ir embora da Babilônia? — ela perguntou.

A própria princesa se surpreendeu de suas palavras, ela falou sem pensar. Joaquim ainda mais, ele então exibiu o sorriso lindo que fazia o coração dela, bater mais forte.

O príncipe de Judá, mal pode acreditar nas palavras de Kassaia, quis uma confirmação:

— Você iria mesmo? Deixaria tudo isso, toda riqueza, todo luxo, para ficar comigo? Fugiria comigo?

— Sim, eu deixaria tudo, toda nobreza. Porque eu sei que ao seu lado eu serei feliz.

Joaquim a abraçou, e sussurrou:

— Minha princesa, eu te amo, tanto. Por isso, não posso fazer com que perca tudo, que abra mão de tudo o que tem... E eu não posso te expôr a tanto perigo. É muito arriscado, se nos encontrarem depois de uma fuga.

Só a ideia, a fez estrecemer,  não se perdoaria se algum mal acontecesse com Joaquim por sua causa. E ainda tinha sua família, ela os amava, não conseguiria deixá-los.

— Ainda mais arriscado para você. — a princesa o interrompeu se dando conta da gravidade de uma fuga. — Então, é melhor esquecermos de uma vez por todas, essa noite. Vamos voltar para onde a comitiva acampou. Já está amanhecendo...

Enquanto voltavam para o acampamento em Nipur, Kassaia sabia que passariam anos e anos, e ela se lembraria para sempre do que aconteceu naquele lugar.

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Algumas horas depois, mas ainda pela manhã, a rainha Amitis foi até a tenda de Kassaia, se preocupou ao notar a ausência da filha, no desjejum real na tenda do rei. A dama da princesa, parecia nervosa, percebeu a rainha, assim que entrou na tenda.

— Kassaia ainda está dormindo. — estranhou Amitis, e voltou-se para dama da princesa. — Gadise, não me esconda nada. Que horas Kassaia saiu ontem?

— A princesa saiu ontem à tarde com o príncipe de Judá. — revelou Gadise,  baixinho.

— Ontem à tarde? 

Nesse instante, Kassaia despertou, e empalideceu ao ver a rainha por ali. Assim que chegou ao acampamento pediu descrição de sua dama, Gadise. Pediu que ela não contasse a ninguém que havia passado a noite fora. E dormiu um pouco mais, até que sua mãe chegou...

— Mãe... — as palavras faltaram.

— Nos deixe à sós com minha filha, Gadise.

— Sim, soberana.

A dama fez uma reverência e se retirou.

— Aonde esteve ontem, Kassaia?

— Em Tel Abibe, as margens do rio Cobar. Estive na colônia dos judeus. — começou. — Joaquim convidou a mim, e Evil para acompanhá-lo em uma visita ao profeta Ezequiel.

— E você teve coragem de ir sozinha com o príncipe de Judá? Porque Evil não foi, ele ficou aqui. Estava indisposto.

Kassaia não respondeu. Não tinha palavras.

— Você está com olheiras, dormindo até agora... Dormiu pouco? Que horas voltou dessa tal colônia, Kassaia?

Kassaia não gostava de mentir, prezava a verdade, mas não contaria a ninguém, sobre aquela noite, nem mesmo para sua mãe. Foi firme em  sua resposta.

— Ontem à noite, mesmo. Mas não consegui dormir direito. — ela mentiu, novamente. Se sentia mal, por isso.

— Minha princesa, será que você ainda não entendeu que não deve estar próxima de Joaquim. Se afaste desse príncipe. Evil tudo bem, é homem. Mas você, filha é mulher, e ainda por cima está noiva.  Não é certo andar por aí sozinha com outro rapaz.

— Ou será é porque Joaquim é judeu? Por que a senhora não gosta dos judeus, minha mãe?

— Não tenho nada contra os judeus. Apenas acho uma loucura. Você é a princesa da Babilônia, filha do rei. Jamais poderia se esposa de um simples...  Prisioneiro de luxo.

— Prisioneiro do luxo!? — Kassaia repetiu as palavras, contrariada.

— Sim, é isso que Joaquim, é. — a rainha disse. — Seu pai jamais permitiria que se casasse com um príncipe cativo, porque pensa no futuro do reino. Ele teme uma conspiração vinda de um próprio neto.

—Então a senhora nem meu pai precisam se preocupar.  Afinal não vou me casar com ele.


— Sinto-me ótimo, hoje. — O príncipe Evil, disse a Joaquim. — Como foi na colônia, ontem?

— Fico feliz que esteja melhor, meu amigo. Estive com Ezequiel. Ele um homem sábio, e auxilia os exilados com suas palavras de sabedoria.

— Você foi sozinho? — perguntou Evil.

— Não,Kassaia, me acampanhou...

Joaquim ficou nervoso, Evil confiava tanto nele, se soubesse que ele tinha desonrado sua irmã... Talvez não o perdoasse nunca.

— O que foi, meu amigo, está tudo bem!?

— Está sim.

Olhou para Kassaia, que conversava com Nitócris, não muito longe dali, e por um instante, seus olhares se cruzaram. Seria difícil fingir que aquela noite não tinha acontecido.

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Nesse mesmo dia, a comitiva real, retornou a Babilônia, Nipur era perto de capital, uma viagem rápida.

No entanto, Kassaia, praticamente se trancou em seu quarto. Não queria ver Joaquim. E nem ninguém.

Alguns dias se passaram, até que Joaquim finalmente a encontrou, sozinha.

— Chega de fugir de mim, a gente precisa conversar, Kassaia.

Kassaia concordou, e foi para um corredor mais discreto.

— Tudo bem, mas fale logo. Ninguém pode nos ver.

— Eu sei, mas é que... Esse sentimento, me faz esquecer de tudo, até dos riscos.

— Mas os riscos existem, são reais. E eu não quero que aconteça nada de ruim com você, Joaquim.

— Naquela noite, você disse que me amava. Só quero saber se era mesmo verdade.

Sabendo que os dois nunca poderiam ficar juntos, ela não conseguiu dizer que o amava mais uma vez. Longe de todos, só os dois era muito mais fácil declarar seus sentimentos. Mas dentro do palácio, não. Voltar para o palácio, fez toda a realidade vir a tona. 

— Porque isso agora?

— Só responde o que eu perguntei.

Kassaia não respondeu.

— Deve se casar, Joaquim. Aceite uma pretendente que sua mãe escolher. E assim irá me esquecer.

— Será mesmo? Você também vai me esquecer? Naquela noite você disse que me amava. Era mentira?

— Se você que tanto saber, sim era mentira. Eu... Eu não amo você.

—  Não, você está mentindo agora. Chega de mentiras, Kassaia. Você está se enganando... Mas você vai se lembrar de mim. De nós.

A princesa não conseguiu evitar as lágrimas, que caíram.

De longe, a sacerdotisa Sammu-Ramat observava os dois conversando, desconfiada. Descobriria o que era. Kassaia se casaria com Nebuzaradã, e ela precisava de alguma coisa para chantageá-la, e tirá-la de seu caminho. Sempre amou o chefe da guarda, e não seria a estúpida filhinha do rei que seria feliz com ele... Sorriu ao perceber que Kassaia tinha seus segredos, a forma como o judeu falava com ela, as palavras sussurradas, prestes a beijá-la a surpreendeu.

— Princesa Kassaia e Príncipe Joaquim!? Interessante... — falou com curiosidade.

Sorriu ao perceber que  provavelmente poderia descobrir algo que seria importante no futuro, que poderia ser usado a seu favor.


Notas Finais


E como se não bastasse todo sofrimento, Sammu-Ramat está prestes a descobrir que o OTP se ama 💔


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