História A História de Nós Dois - Capítulo 26


Escrita por: ~

Postado
Categorias Saint Seiya
Personagens Afrodite de Peixes, Camus de Aquário, Hyoga de Cisne, Julian Solo, Kanon de Gêmeos, Krest de Koh-í-noor, Miro de Escorpião, Pandora, Personagens Originais
Exibições 112
Palavras 5.307
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Steampunk, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá leitoras queridas de História

Sejam bem vindos ao novo capítulo, estamos entrando na reta final do terceiro e último arco, ou seja, o final da história está próximo.

Este capítulo reserva muitos feels, vai ter pedido de perdão, reencontro e a volta de uma personagem que havia ficado lá atrás.

Ah eu não esqueci dos pais do Camus não, viu? Mas vamos desatar um nó de cada vez. Estou adorando ver como a redenção do Richard Bloedorn está pegando a galera de surpresa, acho que poucos leitores esperavam por isso. Estou trabalhando essa parte agora, mas não esqueci da familia do ruivo, eles terão seu momento.

Um agradecimento especial as novas leitoras que estão chegando agora e as que estão comigo desde o começo. Um super obrigada

Boa leitura!

Capítulo 26 - Um Pedido de Perdão


Fanfic / Fanfiction A História de Nós Dois - Capítulo 26 - Um Pedido de Perdão


Cap 26 - Um Pedido de Perdão

 

 

Camus empurrou a pesada porta de madeira, por detrás dela se revelou um ambiente que lhe trouxe boas lembranças. Havia acabado de descobrir a biblioteca da mansão. Estantes com livros á perder de vista, muitos deles sobre administração, como era de se esperar. Em outra estante, uma réplica de um navio da Royal Navy e uma engenhoca que mais parecia a miniatura de algum tipo de maquinário. Certamente uma versão pequenina de alguma das muitas máquinas usadas na fábrica da familia Bloedorn. Talvez a primeira delas. Devia ser a réplica de uma máquina importante, pois estava em local destacado e bem iluminado com lamparinas de óleo bem próximas a ela.

O ruivo aspirou aquele ambiente, ousou folhear um dos livros, o contato com eles lhe era irresistível. Mas não passaram muitos minutos até que ele estivesse totalmente distraído, a ponto de esquecer-se por algum momento de vigiar Hyoga.

Finalmente livre da vigilância atenta de seu pai, o pequeno Hyoga se viu livre para finalmente explorar aqueles corredores como bem desejava. Sentia-se imponente e importante desfilando pelos amplos corredores de Greenford sozinho. Chegava a estufar o peito e ensaiava dar algumas ordens aos empregados.

Uma porta!

Eis uma bela porta bem talhada, pesada e imponente, deve sair em algum lugar ainda mais intrigante. Que bela aventura para aquele pequenino desbravador. Empurrou-a com certa dificuldade, era pesada. Fez uma careta divertida e mais força.
Pronto, estava aberta. Entrou no comodo com pouca luz, mas o suficiente para vislumbrar a enorme cama com dossel. Os móveis em volta não eram muitos, mas eram suntuosos. Na cama, alguém descansava.

Quem seria?
Hyoga aproximou-se mais para ver, foi quando seus olhinhos pousaram sobre o idoso que ali dormitava. Seus cabelos bem branquinhos e sua pele já muito enrugada denunciavam que aquele só podia ser o pai de seu pai. Seu avo? Assim o chamaria? Não seria muito atrevimento?

Por um momento sentiu medo e quando pensou em se virar para sair fora dali bem rápido, viu os olhos do anciâo se abrirem. Hyoga colou ao chão, estático, não tinha forças para fugir tamanho seu apavoramento. Era agora que iria ser transformado em sabão, como a tia Pandy contava que acontecia com os meninos maus, com os que faziam coisas erradas.

- Milo....Milo filho...

A voz do mais velho saiu fraca, mas audível o suficiente para Hyoga perceber que estava sendo chamado pelo nome de seu pai. Mas porque? O mais velho o olhava emocionado, as lágrimas já vertiam pelos envelhecidos olhos azuis que ainda continham algum brilho

- Milo...

Richard podia jurar que estava vendo seu filho novamente com a idade de uma criança. Se perguntava se teria voltado no tempo por algum acidente em sua morte, teria voltado no tempo em lugar de morrer? Ou viagens temporais faziam parte da morte? O que Milo fazia outra vez na forma de uma criança? 
Era ele, era todo ele. Os mesmos fios loirinhos caindo sobre os olhos azuis sapecas e vivos.

O mais velho insistia em chamar Hyoga de Milo, deixando o menino ainda mais confuso. Então, corajoso como um herói das muitas histórias que escutava, o pequeno encarou o mais velho e lhe disse com o máximo de clareza possível

- Não sou Milo. Milo é o meu pai. Eu sou Hyoga.

Então finalmente o nome correto saiu da boca do mais velho

- Hyoga, então és o meu neto. És tão lindo

É claro, o filho que Milo disse que havia tido, o seu neto. Havia pensado tanto nele e agora ali estava. Vendo que era bem aceito, o medo passou e Hyoga aproximou-se mais da cama. Richard pegou a mãozinha pequena do garoto e envolveu nas suas geladas e enrugadas. O encontro da mais antiga com a mais nova geração, havia acontecido assim, quase que por acidente.

Já haviam passado muitos minutos quando Camus notou a ausência do filho e saiu desesperado da biblioteca atrás dele. Chamava pelo nome de Hyoga pelos corredores até que deparou-se com a porta entreaberta.

O coração de Camus falhou uma batida ao ver a cena que seus olhos fotografaram, incrédulos. Uma cena que ele jamais iria esquecer:
Hyoga sentado á borda da cama, acariciava os cabelos brancos de Richard. A fisionomia serena e carinhosa do idoso demostravam o quanto ele estava apreciando as carícias de seu neto.

Até que os pequenos olhos de Hyoga encontraram os de Camus espreitando-os, assustado e ainda hipnotizado com a cena que via. Nem que duzentas pessoas lhe relatassem tal cena com riqueza de detalhes, jamais acreditaria. Só acreditava pois estava, ele mesmo, vendo.

- Papai, vovô Richard - gritou inocente e feliz

A fala de Hyoga atraiu a atenção de Richard para Camus. A primeira reação do ruivo foi fechar o semblante, era sua defesa natural. Camus ficou sério, muito sério e repreendeu o garoto

- O que faz aí Hyoga? Não lhe dei ordens para entrar nos aposentos de ninguém, onde está sua educação? - brigou, com certa austeridade
O menino murchou com medo da bronca do pai, mas Richard interveio, fazendo Camus ficar quase sem ar com aquele chamado

- Camus...voce está mesmo aí? Camus, por favor, venha até aqui...

Camus tremeu levemente, não de medo, mas a contar pelos último encontros dele com o pai de Milo, não havia motivos para achar que um dia Richard lhe seria cordial ou algo parecido. Camus o via como um ditador frio e desprovido de sentimentos, afinal, foi o que ele sempre demostrou ser.

O ruivo então deu alguns passos para dentro do quarto, a medida que entrou, a cena de Hyoga tendo o avo práticamente nos braços se tornava mais clara e ainda mais surreal. Finalmente chegou bem perto, podendo ver o atual estado do mais velho. Camus sentiu uma mistura de piedade e perplexidade com a figura decadente do que um dia foi um homem tão forte e poderoso que intimidou seu próprio pai, o Almirante debaixo de seu teto.

- Senhor Bloedorn...

- Camus, filho...eu quero pedir-te perdão

Richard abriu uma de suas mãos e esticou-a levemente, como se pedisse de Camus a dele. Camus entendeu e aceitou o contato, tocando levemente a mão do mais velho

- Estás debilitado, por favor, não se esforce

Camus se ateve a saúde de Richard, como se qualquer outra coisa fora disso não tivesse importância. Mas para Richard, tinha. E muita.

- Não, eu preciso falar. Eu preciso do seu perdão, meu filho. Do perdão seu e do meu Milo. Eu não aceitei este amor, eu não fui capaz de entender...

- Senhor Richard, está tudo bem...

Camus se aproximou mais, tentando acalmá-lo, realmente não desejava que ele se esforçasse demais e algo grave ocorresse. Naquele momento este era o receio de Camus, que Richard piorasse. Milo estava na fábrica, Camus não queria que algo acontecesse a Richard logo agora

- Será que...eu ainda posso ser o seu sogro? Será que ainda poderia ser meu genro?

O pedido feito com emoção entrou pelos ouvidos de Camus indo direto ao coração, entrando como uma bala, rasgando tudo e explodindo numa emoção incontida

- É claro que pode, senhor Richard. É claro que pode - respondeu emocionado

Logo as lágrimas verteram mornas em ambos os rostos, com Camus dobrando-se sobre a cama, sobre o corpo do sogro e o abraçando.

- Camus, filho...escreva ao seu pai, ao meu amigo Gerrard. Diga que nosso sonho se realizou: nossas familias se uniram em um casamento lindo, uma união forte e já temos até nosso primeiro netinho. Diga á ele. Diga que a poderosa familia Garret-Bloedorn já começou!

Camus sorriu, concordando com a cabeça e vendo em seguida Richard cair outra vez em sono profundo. Saiu do quarto levando Hyoga pelas mãos e do lado de fora, abaixou-se abraçando seu pequeno, ainda emocionado.

- Vamos ficar nessa casa, papai? Vamos morar aqui?

- Non sei, petit. Non sei...non me faça perguntas difíceis agora, está bem? 


**


Após se inteirar dos muitos contratos e do atual funcionamento de todas as industrias, Milo finalmente parou para sentar-se por alguns minutos. Do outro lado de sua mesa, observava Kanon servir uma dose de wisky no bar e estender o copo á ele

- Aceite uma dose de boa bebida, presidente. Em sua homenagem

- Presidente...pare com isso - resmungou, pegando o copo e tomando um gole do líquido servido puro  - me chame de Milo, afinal, somos primos. Eu estou cansado Kanon, acho que podemos encerrar por hoje, preciso ver meu pai.

- Claro, eu entendo. Já passa mesmo da hora, continuaremos amanhã. Ah, uma coisa - ergueu uma sobrancelha, como se lembrasse de algo que estava esquecendo - você e o Camus vão querer alguma coisa do que está naquele casebre?

- O que? O que tem o casebre?

- Milo... - Kanon levou uma das mãos á boca, coçou o queixo buscando as palavras e prosseguiu - não pode mais morar na vila de operários. Agora és o dono de tudo isso, incluindo aquela vilinha mal cheirosa e suja. Não pode voltar pra lá. Você agora é um homem rico, meu primo. Muito rico.

Milo quase riu daquele atrevimento, mas manteve-se sério. Kanon era um homem muito bonito, imponente, mas algo em sua postura aristocrata e superior o incomodava

- Escute Kanon, aquela vilinha mal cheirosa e suja tem muita gente trabalhadora e digna. Gente que pode não ter dinheiro, mas tem mais nobreza que a maioria dos aristocratas dessa cidade. Aliás, já que agora sou o dono de tudo, providencie uma reforma nas casas da vila, quero todas novas, e sem nenhum custo para os moradores - ordenou, decidido

- Reformas naquelas casas? - agora era Kanon quem quase ria - vai reformar as casas daqueles mortos de fome? - perguntou em tom jocoso, desdenhando claramente dos moradores da vila

- Sim, é uma ordem - rebateu seco, autoritário

- Está certo - suspirou - acho que posso entender, já que até poucas horas você era um deles, não é mesmo?

Milo não respondeu, apenas levantou-se indo na direção da saída. Sua ordem estava dada. Kanon por sua vez repreendeu a si mesmo internamente. Estava insatisfeito por Milo ter assumido os negócios do pai, julgava a si mesmo muito mais merecedor de ocupar a cadeira de presidente, uma vez que trabalhou duro por anos para aquilo, enquanto Milo, segundo ele, brincava de casinha com seu amante. Agora o filho pródigo estava de volta para tomar o que lhe era de direito. Para Kanon, um pobre coitado que apenas teve sorte de nascer no seio de uma familia abastada.

Ao chegar na entrada da fabrica um cocheiro com uma carruagem imponente guiada por dois belos cavalos de raça o esperavam. O cocheiro abriu a porta da carruagem para que Milo entrasse e o levasse para a mansão em Greenford.

**

- Viver aqui? Está falando em nos mudarmos para cá?

Milo e Camus conversavam frente á frente e a sós. Mayura estava distraindo Hyoga e esperava que o casal terminasse sua reunião para servir o jantar. Trancados no escritório, os dois se falavam sob a luz de lamparinas e da parca luz da lua que podia ser vista pelas janelas de vidro, naquela noite raramente clara. 

Milo havia escolhido as palavras com cautela para dizer á Camus que eles agora poderiam habitar a mansão em Greenford e não mais o velho casebre, reproduzindo para o ruivo a conversa que tivera com Kanon

- Eu sei que é um pedido inusitado, meu amor. E sei também que talvez eu esteja exigindo demais de você. Mas por outro lado, porque não darmos ao Oga uma vida mais confortável? 

- Eu entendo que pense no petit, Milo. Eu também penso. Mas essa casa me dá arrepios, eu não me sinto á vontade aqui.

Milo baixou a cabeça, depois de escutar que Camus havia se entendido com seu velho pai e que até mesmo Hyoga já era aceito como neto, achou que o convite para ficar na mansão poderia ser melhor recebido por Camus. Mas o ruivo parecia inseguro e pouco á vontade com aquela ideia. O fato é que Milo havia resolvido sua vida de certa forma, estava novamente no seio de sua familia, mas não Camus.
Sua relação com seu pai ainda estava rompida e Milo era novamente um ricaço, não ele.

- Você fala como se não fossemos mais um só. Achei que o que fosse bom para mim, pudesse ser também para você. Mas se não quer, tudo bem, só vamos voltar para o casebre. Voltamos agora mesmo, meu amor.

Milo já ia levantar-se para dar ordens aos cocheiros para que preparassem a saída deles, mas foi seguro por Camus pelo braço

- Espere, ange. Não é assim, eu não quis dizer isso. Não estou rejeitando a ideia de ficar, eu apenas peço que tenha um pouco de paciência comigo. Foi tudo muito rápido e eu ainda me belisco pra ter certeza que ouvi do seu pai as coisas que realmente ouvi. O homem que um dia me apontou uma arma agora me chama de genro, eu estou digerindo tudo isso ainda. Por favor, me entenda.

Milo sorriu e acariciou a face alva de Camus, que fechou levemente os olhos para receber a carícia do amado

- Acho que nós dois precisaremos de tempo pra digerir tudo isso, meu dia também não foi fácil...

Batidas na porta, Milo abriu e do outro lado Mayura perguntava se poderia mandar servir o jantar. O loiro concordou com a cabeça, já ia saindo quando Camus novamente o parou, impedido sua passagem o segurando pelo braço

- Milo, eu moraria com você até no inferno, você sabe disso. Em qualquer lugar em que estivermos os três juntos, eu estarei feliz.

O loiro sorriu e foi impossível não segurar o rosto de Camus e tomar seus lábios para si em um beijo intenso. O casal se beijou longamente, abraçados de pé próximos á porta, aquele beijo era urgente e dissipou qualquer nuvem de insegurança que pudesse surgir entre eles. Separaram um pouco os lábios em busca de ar, voltando a colá-los outra vez, estalando os beijos e misturando a saliva. Todo o fogo daquele amor intenso estava ali, intacto. Se deliciavam com a boca um do outro, esquecendo-se por alguns minutos de todas as inseguranças e deixando aquele amor falar mais alto.

Aquele amor, que era o responsável por absolutamente tudo o que acontecera em suas vidas.

Milo, Camus e Hyoga jantaram na suntuosa mesa que ficava na sala de jantar, onde suportes de mármore sustentavam vasos chineses e velas iluminavam o ambiente em um grande lustre suspenso exatamente acima do centro da mesa. Sobre ela assados, legumes, tortas, pães, queijos e um banquete que mal sabiam por onde começar a comer. Para acompanhar cálices de vinho foram servidos para os dois homens.

Depois do jantar, Milo ficou um tempo com Richard, mas o pai estava em sono profundo e certamente só acordaria no dia seguinte. Milo beijou-lhe as mãos enrugadas e saiu, não sem antes dizer o quanto o amava e estava feliz com as boas notícias que tivera.

Camus e Milo levaram Hyoga para o quarto que fora de Milo na infância, ainda com alguns brinquedos que foram dele. O pequeno se deliciou com os brinquedos e o conforto de uma bela caminha com dossel, confortável e quentinha com uma lareira acesa deixando tudo mais aconchegante. Camus lhe contou ima história, enquanto Milo lhe massageava os pézinhos e assim, com o carinho dos seus dois pais, o loirinho adormeceu.

Depois de fazer Hyoga dormir, Milo e Camus foram para os aposentos reservados á eles, onde havia uma bela cama de casal e um mobiliário completo incluindo banheira, água quente e lareira. Os dois não resistiram e tomaram um banho relaxante juntinhos, massageando um ao outro enquanto dividiam mais uma garrafa de vinho tinto. 

Limpos e relaxados, ambos fizeram amor, variando posições, satisfazendo um ao outro de forma plena. 

A lareira crepitava com o fogo, na cama, dois corpos nus pareciam uma pintura impressionista, a cama parecia uma tela cujo um pintor havia retratado dois corpos perfeitos, com seus musculos delgados e bem definidos, expostos á luz das chamas que desenhavam sombras neles. Longos cabelos loiros e vermelhos emolduravam a obra de arte.


**


O dia seguinte amanheceu com sua temperatura ainda mais fria, prenuncio do inverno que em algumas semanas estaria de volta. Não havia chuva, mas uma neblina insistente embranquecia o dia e deixava o ar mais úmido.
Todos já haviam feito seu desjejum, Milo e Camus observavam Richard que comia uma espécie de mingau que Mayura lhe dava a colheradas lentas

- Como se sente hoje, pai?- Milo perguntou, posando a mão sobre a testa do mais velho que aceitou o afago

- Um tanto melhor, não se preocupe comigo, filho. E como está se saindo com Kanon na fábrica?

Milo trocou olhares com Camus antes de responder

- Estamos nos entendendo, vai ficar tudo bem...

Richard sorriu satisfeito antes de abrir a boca para mais uma colherada de mingau. 

Já do lado de fora do quarto, Milo vestiu o sobretudo e preparou-se para iniciar mais um dia de trabalho. Hyoga surgiu correndo de um dos corredores e pulou no colo dos pais, ambos o beijaram e Milo abaixou-se para ter com o filho

- Irei passar o dia na fábrica, quero que seja obediente e cuide de seu pai pra mim - pediu, olhando para Camus que trocou com ele um olhar cúmplice

- Sim, papai. Não se preocupe!

- Eu irei dar aulas á Pandora hoje e levarei Oga comigo - esclareceu Camus

- Oba, vamos visitara tia Pandy!

- Vamos sim, agora vá se trocar para sairmos - ordenou o ruivo, vendo Hyoga sair correndo para o quarto

- Peça a um dos cocheiros para os levarem de carruagem, é mais confortável

- Não precisa, ange. Vamos á cavalo...

- Por favor, será melhor ir de carruagem com o menino - pediu Milo outra vez, beijando-o com ternura, roçando os lábios com leveza

- Está certo, mas volte aqui. Não me beije como se fossemos casados há trinta anos, Milo

A bronca de Camus tinha uma razão e Milo entendeu imediatamente, tomando o amado nos braços e colando os lábios em um beijo agora intenso, urgente. As línguas bailavam aflitas e gemidos de ambos os lados denunciavam o prazer que sentiam

- Me perdoe, meu amor -pediu Milo, quando pararam para retomar o ar - depois da noite maravilhosa que tivemos, eu estou sendo um péssimo amante. Me perdoe....

- Está perdoado - disse, roubando mais um chupão do lábio inferior carnudo do loiro - desde que continue a me amar como nesta noite e a me beijar como fez agora. Eu quero você louco por mim, mon ange...louco por mim, como eu sou louco por você.

Milo estremeceu ante a sensualidade de Camus, o ruivo sabia ser irresistível quando bem desejava e isso ocorria nas horas menos esperadas. Teve vontade de roubar Camus e trancar-se no quarto com ele para passar o dia cultuando aquela pele macia, aqueles fios rubros e aquele cheiro delicioso de perfume francês misturado ao cheiro másculo de seu corpo. Passar o dia desfrutando de sua musculatura perfeita e ouvindo sua voz grave e sensual, falada em um francês que deixava tudo ainda mais sexy e irresistível. Mas não podia sucumbir aquela tentação ruiva, precisava trabalhar e já estava atrasado

- Mais tarde nos vemos ruivo, e te mostrarei o que um marido dedicado é capaz de fazer

Camus mordeu os lábios de desejo ante aquela promessa, estar com Milo era tão maravilhoso que ele também desejava apenas trancar-se como ele e passar horas fazendo amor, se aproveitando da força selvagem e calorosa que seu loiro possuía.

Trocaram um sorriso e saíram, cada um para um lado. 

**


Milo surpreendeu-se ao entrar na sua sala e encontrar lá dentro Kanon na companhia de um outro senhor, que pelos cálculos deveria ter pouco mais de quarenta anos e estava bem vestido. Ele tinha nas mãos um maleta e estava sentado em uma das cadeiras, enquanto Kanon estava sentado em uma poltrona de frente para a mesa do presidente, até então vazia.

- Bom dia...

- Bom dia primo, como passou a noite? - perguntou Kanon, levantando-se

- Muito bem, obrigado

Ao responder, Milo voltou seus olhos para o homem mais velho e depois novamente a Kanon, como se perguntasse apenas com o olhar de quem se tratava

- Ah, eu tomei a liberdade de chamar-lhe um alfaiate. Ele veio tirar suas medidas para lhe fazer novas casacas, calças, camisas...

- Alfaiate? Não julgo ser necessário, eu já tenho muitas roupas

- Sim, puídas e velhas. Oh por favor, Milo. Agora és o presidente de uma empresa, a maior de todas. Precisa vestir-se a altura.

Milo encarou Kanon e depois o tal alfaiate que o olhava como quem ansiava uma oportunidade. Talvez o pagamento por novas roupas fosse realmente necessário para a sobrevivência do pobre homem, que apesar de bem vestido, fazia um trabalho humilde.
- Está certo, está certo...mas isso pode ficar para uma outra hora? Eu preciso conversar com você sobre trabalho agora, mais tarde pensaremos em roupas.
Kanon concordou, pediu ao alfaiate que se retirasse e retornasse mais tarde. Os dois trancaram-se para tratar de negócios pelas próximas horas.

**

Camus observava Hyoga correndo pelo pátio externo da mansão enquanto esperavam o cocheiro ajeitar a carruagem. O ruivo achava aquilo tudo bastante desnecessário, poderia perfeitamente subir em um cavalo com o petit e cavalgar até a vila de operários tranquilamente. Não daria mais do que meia hora até lá. Mas ao notar a friagem que a cada hora parecia piorar, acabou por ceder e aceitar a oferta de irem mesmo em uma carruagem, protegidos do frio.

Enquanto aguardava, observava Hyoga correr, o lago com o chafariz no centro e alguns cisnes que nadavam nas águas geladas. Em volta, nos jardins, estátuas em meio ás esculturas de topiária lembravam pessoas perdidas na neblina.

Foi quando ouviu que outra carruagem se aproximava, mais ao longe, vindo dos portões de entrada que ficavam mais á frente. Camus forçou a vista e viu surgir da neblina outra carruagem, que parou a poucos metros dele. Parecia trazer alguém. Milo teria voltado?

O cocheiro desceu para abrir a porta e Camus observou sair de dentro da carruagem uma noviça. A figura religiosa vestia o típico hábito negro, longo até os pés, com a cabeça coberta pelo capelo branco, deixando á mostra apenas o rosto e nada mais. No pescoço um crucifixo completavam a veste clerical da jovem.

Era Natassia e Camus mal podia crer no que seus olhos fitavam. Ele apenas ficou estático, olhando-a. Ela também o observou, seu olhar era doce e calmo

- Camus! Como é bom vê-lo aqui - disse, terminando de descer da carruagem que a trouxera

Ela se aproximou, agora se viam bem de perto e Natassia se encantou em perceber que o ruivo nada havia mudado. Era o mesmo e lindo jovem que fora seu noivo

- Natassia...há quanto tempo, é bom ve-la também

Ele foi cordial e beijou-lhe as mãos, educadamente. Não tinha um sorriso, mas um olhar surpreso, certamente por não saber bem o que esperar da jovem

- Eu vim assim que pude, precisava ver o papai e meu irmão, mas realmente não esperava ver você aqui - ela também estava assustada
E logo Camus percebeu que Natassia sabia muito pouco de tudo o que havia acontecido naquele tempo. Trancada no convento, interna todo este tempo, a noviça não sabia de tudo o que havia se passado naqueles anos, desde que Milo e ele fugiram em um trem

- Aconteceram muitas coisas. Milo está na fábrica e seu pai está lá dentro, mas está mal. Richard adoeceu. - ele disse, pesaroso

- Oh meu Deus...pobre papai...

Natassia interrompeu a si mesma ao notar a presença do pequeno Hyoga que correu para o pai, abraçando-lhe as pernas, como sempre fazia quando via alguém que não conhecia

- Hyoga, esta é Natássia. Cumprimente-a como um cavalheiro deve fazer, eu já lhe ensinei...

O pequeno então tocou levemente a mão da noviça, que se derreteu com a doçura do menino

- Olá pequeno Hyoga, é um prazer - ela disse simpática, para na sequencia concluir, olhando para Camus - você está aqui em Greenford, Milo também está e tem um menino lindo...ohh por Deus, então vocês...

Ela não pode concluir, levando as mãos á boca, maravilhada ao constatar que Milo e Camus haviam vencido suas dificuldades e estavam juntos

- Sim, eu e seu irmão permanecemos unidos e assim estamos até hoje. Mas aconteceram muitas coisas, nem sempre estivemos aqui. Na realidade estamos há apenas dois dias vivendo na mansão. É uma longa história.

Natassia sorriu, desejava ouvir tudo o que havia acontecido e ver seu pai. Para isso entrou em casa com a ajuda de Camus, que acabou por desistir de ir dar aulas naquele dia. A jovem noviça não pode conter a emoção ao ver seu velho pai, que confundiu a filha com sua falecida esposa. Richard gritava aos quatro cantos que Catherine havia virado um anjo e estava voltando para buscá-lo. Precisou ser acalmado por Camus e Mayura que lhe deram chá e o confortaram até que dormisse outra vez.

Camus explicou á Natassia detalhadamente o estado de saúde de Richard, informou que o médico vinha todos os dias, mas que não havia um diagnóstico exato para o mal que acometia seu pai, apenas o que se sabia é que a doença evoluía rápidamente, causando-lhe lápsos de memória, provocando muitos delírios mesclados a momentos de lucidez plena. Muita falta de ar e ataques cardíacos, que quase sempre culminavam em convulsões e desmaios.

**

Sentados á mesa, na companhia de chá preto e toda sorte de bolinhos e doces que Mayura trazia da cozinha sem parar, Camus e Natassia passaram horas conversando amigávelmente. Enquanto Hyoga brincava aos pés do pai, Camus relatava á Natássia todas as dificuldades pelo qual ele e Milo passaram. 

Sua ex noiva ouvia a tudo atenta e assustada com a quantidade de intempéries que ouvia Camus relatar, como fome, frio, doenças e outros males que o casal encarou na pobreza de seu casebre. Na mesma proporção em que Camus relatava as agruras sofridas, mais e mais guloseimas saíam da cozinha da mansão

- Por Deus, Mayura, assim vamos explodir de tanto comer  - reclamou Camus, sem perder a educação, mas sendo um tanto mais incisivo quando a governanta surgiu com mais uma bandeja de pãezinhos açucarados com creme

- Oh, me perdoe sr. Camus, é que é uma alegria ver esta casa outra vez cheia de vida, de pessoas felizes - disse a governanta, satisfeita
Alheio a bronca do pai, Hyoga esticava a mãozinha em busca de mais uma guloseima. O menino comia de se fartar, coisa que Camus não gostava muito que ele fizesse.

- Mayura está certa, Camus. Você e Milo merecem, por tudo o que passaram e pelo que fazem agora pelo papai. Depois de tudo o que ele fez vocês sofreram, vocês agora o tratam com tanto amor

Natassia estava de fato agradecida e feliz pelo gesto de Camus, ela mesma viu como ele e Richard agora tinham uma relação próxima de genro e sogro, carinhosos um com o outro, com Camus cuidando dele e o mais velho sendo grato e doce em agradecimento 

- Milo vai ficar muito feliz em te ver aqui - disse, mudando propositalmente o foco do assunto, Camus não gostava de receber elogios - ele não deve tardar, mandei um mensageiro avisá-lo que está aqui

Alguns minutos depois Milo chegou á mansão e todos puderam presenciar o reencontro dos irmãos. Milo e Natassia se abraçaram forte e a jovem noviça não conteve as lágrimas ao ver o irmão que tanto amava, agora sim, um amor fraternal e puro

- Milo...você está lindo! Oh Deus, que saudades

- Como é bom ver você minha irmã, fico feliz que tenha vindo

Milo ficou satisfeito em ver que sua irmã, outrora frágil e delicada ao extremo, agora se convertia em uma mulher forte, decidida pela sua vocação. Uma mulher que havia se encontrado.

Camus assistia feliz o reencontro dos irmãos, mas seu sorriso se fechou quando viu entrar no salão em que estavam, logo após Milo, seu primo Kanon. Natassia não se lembrava mais dele, era muito menina da última vez que o viu, mas ambos foram cordiais se cumprimentando

- Oh, deixa eu olhar para vocês.. - Natassia fitava Milo, Camus e Hyoga que agora estavam juntos - oh que linda familia, por Deus, como são lindos! Papai deve estar tão feliz, vocês são realmente lindos, um casal lindo!

Natassia estava impressionada com a força da união e do amor que Milo e Camus demostravam, ao mesmo tempo, Kanon apenas observava o casal e encarava especialmente Camus. Kanon não sorria, nem fechava o semblante, apenas tentava demostrar uma indiferença com o que, no fundo, o incomodava. E Camus havia percebido isso.

- Bom, eu vou deixá-los agora, vim apenas acompanhar nosso primo querido...tenham um bom dia - despediu-se Kanon, saindo em seguida.

Camus o encarou uma última vez, até que o loiro sumisse totalmente de suas vistas. Depois disso, voltou seus olhos para Milo e assustou-se ao achar os olhos do amado pregados nele, com uma cara não muito boa

- Eu irei ficar um pouco mais com o papai, vem comigo Oguinha? - chamou a noviça, tendo o convite aceito pelo garoto e se retirando os dois

Agora a sós, Camus arrastou Milo para a biblioteca, pressentindo que o namorado não havia gostado de sua troca de olhares com Kanon

- Eu sei o que está pensando - disparou Camus - e não é nada disso. Eu encaro seu primo porque ele me incomoda. Desculpe ange, mas ele é desagradável e invejoso. Tome cuidado com o Kanon

- Está bem Camus, mas não fique encarando-o assim na minha frente, eu não gosto. Isso me irrita - disse se desfazendo do sobretudo e das luvas que usava, tentando demostrar alguma indiferença com o ocorrido.

- Ciumes? - perguntou sorrindo e enlaçando o amado pela cintura

- Sim, eu sinto ciumes...muito. Eu te amo ruivo - balbuciou, roubando um beijo, estalando os lábios 

- Je t'aime aussi, ange...e eu deveria ter mais motivos para estar ciumento, afinal vocês passam o dia todo juntos. Seu primo cobiça o seu poder, a sua vida, a sua posição e o nosso amor também. 

Camus estava certo. Kanon de fato cobiçava ter tudo o que Milo tinha e isso incluia o amor que existia entre os dois. Quando viu o belo ruivo, Kanon percebeu que seu primo tinha algo mais especial do que o amor de uma bela mulher, pois nunca havia visto em lugar algum uma mulher que tivesse a beleza e o encanto que aquele ruivo tinha. Um amor como aquele, valia mais do que qualquer fortuna, era uma dádiva que a vida só oferecia uma única vez.

- MILOOOOOOOOOO!

O grito desesperado ecoou na mansão, interrompendo os beijos que o casal trocava, fazendo ambos correrem desesperados pelos corredores até o quarto de Richard, de onde vinha o grito.
Era a voz de Natassia.

Milo apenas se jogou aos pés daquela cama, sua irmã já em um pranto desesperado tomava nos braços o corpo agora sem vida de seu pai.
As lágrimas mornas rolaram pelo rosto do primogenito, sentindo as mãos de Camus o confortando, o amado segurava-o pelos ombros. Sua visão periférica fitou Mayura levando Hyoga rápido para fora, para que o menino não presenciasse a cena.

Milo sentiu o chão se abrir debaixo de si e uma tristeza lancinante o sufocar.

Richard Bloedorn havia acabado de falecer...


Notas Finais


Gente, eu amo o Kanon, mas acho que ele não é dos mais bonzinhos aqui na nossa história não. E exatamente por isso eu escolhi o Kanon: porque ele no original tem aquela treta com o Milo e tem uma vilania no personagem, afinal, a mente malígna por trás de Saga sempre foi o irmão malvadinho, o gemeo sob a estrela do mal. Por isso tudo eu o escolhi para ser este vilão na nossa reta final, pra dar mais emoção.

E antes que fique a dúvida: ele não está afim do Camyu. O que o Kanon deseja é poder, é grana e é ter o que seu primo tem, e isso inclui amor também. É aquela característica da pessoa que inveja a vida de outra e deseja ter as coisas que a outra pessoa tem, por se julgar mais merecedora. É algo mesmo bem complexo, não é um sentimento muito óbvio e é dificil trabalhar este tema, espero conseguir passar isso da melhor forma pra voces.

Espero que tenham curtido a volta da Natassia ^^


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