História A impotência do seu amor - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Victor Nikiforov, Yuri Katsuki
Tags Victuuri, Viktor, Viktuuri, Yaoi, Yuuri
Visualizações 241
Palavras 1.015
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Musical (Songfic), Slash
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Música: Birth de 30 seconds to mars

Capítulo 1 - Capítulo Único


— Estou com você, Yuuri... — Viktor sorriu carinhoso, mas não menos preocupado.

Yuuri tinha errado parte do programa, mas a nota, ainda assim, havia sido alta. Contudo, em vez de comemorar, como Viktor achou que ele faria, Yuuri se trancou no quarto do hotel e, se Viktor não tivesse uma cópia da chave, teria chorado a noite inteira sozinho.

Assim que abriu a porta do quarto, Viktor encontrou Yuuri sentado sobre a cama, abraçado ao travesseiro e chorando enquanto tentava, sem sucesso, desligar o celular que não parava de tocar. Os olhos castanhos se arregalaram ao perceber sua presença, e Yuuri tentou limpar o rosto nas mangas do casaco da seleção japonesa enquanto corria para o banheiro.

Felizmente, Viktor foi mais rápido. A mão se fechou em volta do braço de Yuuri com firmeza, e Yuuri quase caiu pelo tranco que o corpo recebeu. Viktor o amparou, aproveitando-se do momento para o virar para si e o abraçar.

 

I will save

You from yourself
 

Já sabia lidar, minimamente, com a ansiedade e a insegurança de Yuuri. Não bastavam palavras falas, promessas de um futuro incerto, não seria um passeio pela cidade que o distrairia, não adiantava comprar comidas ou qualquer outra coisa; para Yuuri, Viktor sabia que o silêncio era mais reconfortante. Era suficiente que ficasse ao lado dele, em silêncio ou falando sobre coisas triviais, e, assim, aos poucos, Yuuri se acalmaria. Com sorte, talvez até falasse de seus medos...

Daquela vez, Yuuri desabou em seus braços... as mãos dele seguraram firmemente seu casaco, o rosto se escondeu em seu peito enquanto as lágrimas molhavam o tecido, os soluços sacudiam os ombros dele e a respiração até mesmo se cortava pela dificuldade de levar o ar aos pulmões.

Viktor engoliu em seco. Era horrível ver Yuuri daquela forma, machucava-lhe da verdade ser tão impotente naquela situação. Se pudesse, se estivesse ao seu alcance, seria uma bolha, uma perfeita!, que envolveria Yuuri por completo e o impediria de sofrer com a crueldade do mundo. Porque, para Viktor, o mundo era o culpado... Yuuri era como um pássaro frágil e machucado a quem a realidade insistia em cortar-lhe as asas, cada vez de uma forma diferente, como se tivesse prazer em assisti-lo em mais uma queda.

Foi talvez na primeira vez que viu Yuuri tendo uma crise de ansiedade que se percebeu apaixonado por ele. Não, não foi romântico... Naquele estacionamento, antes da apresentação de Yuuri, quando ele tirou os fones e cedeu aos sentimentos confusos e aos pensamentos de autossabotagem, Viktor sentiu seu ar faltar. O sangue gelou, o coração parou de bater por um segundo antes de voltar, desesperadamente, abrindo feridas novas a cada lágrima que Yuuri deixava cair naquele piso frio.

Sentiu-se miserável enquanto Yuuri gritava e chorava, tão miserável que a constatação de estar apaixonado não o animou, apenas o fez se sentir pior por saber que havia sido ele a causar tal sofrimento.

 

Time will change

Everything about this hell

 

— Vitya... — A voz de Yuuri, embargada pelo choro, chamou a atenção de Viktor à realidade. — Vitya...

Sentado no chão do banheiro, sob o chuveiro de água morna, com as costas apoiadas nos azulejos frios, Viktor ainda sentia Yuuri tremer. As palavras dele se embolavam, recusando-se a formar uma frase completa. As roupas estavam coladas aos corpos, ensopadas, mas nenhum dos dois se importava com aquilo. Yuuri estava ajoelhado no meio de suas pernas, com a cabeça na curva de seu pescoço, e tudo o que podia fazer era continuar a passar levemente a mão pelas costas e pelos cabelos dele.

Os olhos azuis chegavam a lacrimejar, e Viktor sorria ao olhar para o chuveiro, ciente de que a água encobriria os rastros de suas lágrimas. Não podia ceder, não podia deixar que Yuuri o visse lamentar sua angústia. Mas doía... Por Deus, como doía! Era um desespero com que Viktor não estava acostumado, era diferente da depressão de que Yuuri o salvara, era diferente da solidão de que Yuuri o resgatara! Era dor, profunda e cruel, era o assistir ao definhar de quem se ama com a certeza de que se é inútil!

 

Are you lost?

Can't find yourself

 

Engoliu em seco e sorriu, fraco, forçando-se a fingir que a pouca saliva que desceu pelo esôfago tinha carregado seu sofrimento junto. Acomodou melhor Yuuri em seus braços e, a cada movimento, viu o desespero dele em garantir que não o afastasse. Girou-o com cuidado, sem que Yuuri soltasse seu casaco, e o sentou entre suas pernas, de lado.

Já havia se passado mais de quinze minutos. Yuuri tinha diminuído os soluços, mas os olhos atentos de Viktor ainda eram capazes de notas as lágrimas silenciosas. Malditas sorrateiras... Elas eram as piores! Quando Yuuri parava de chorar audivelmente, as lágrimas que caíam discretas eram como cobras a espalhar seu veneno pela pele dele, alimentando os pensamentos mais tóxicos que ele possuía. O silêncio antes reconfortante se tornava um combustível maligno, ideias como abandonar a patinação, deixar Viktor para trás, dentre muitos outros se manifestavam como chamas na presença de uma sala repleta de oxigênio, e Viktor jurava que podia ler cada ideia absurda que se passava na cabeça de Yuuri somente de olhá-lo. Ele estava desnorteado...

 

You're north of heaven

Maybe somewhere

West of hell

 

As pontas dos dedos secavam as lágrimas nefastas carinhosamente, Viktor aproximava os rostos e deixava que as respirações se mesclassem no desejo de inspirar para si e roubar de Yuuri toda e qualquer insegurança que o fizesse refém. Às vezes, beijava-lhe o topo da cabeça, a bochecha, os lábios machucados de tanto que Yuuri os mordia durante as crises; às vezes entrelaçava os dedos e beijava cada um deles antes de colocar a palma da mão de Yuuri contra seu rosto enquanto mergulhava nos olhos dele; e, às vezes, como último recurso, repetia a única coisa que podia garantir a quem tanto amava:

— Estou aqui, Yuuri, vou sempre estar aqui...

 

I will save

You from yourself

Time will change

Everything about this hell

Are you lost?

Can't find yourself

You're north of heaven

Maybe somewhere

West of hell


Notas Finais


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