História A lei de Dick Grayson - Capítulo 21


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Categorias Arqueiro Verde, Asa Noturna, Batman, Exterminador "Deathstroke/Slade", Justiça Jovem, Novos Titãs (Teen Titans)
Personagens Alfred Pennyworth, Barbara Gordon, Bart Allen, Bruce Wayne (Batman), Ciborgue, Comissário James "Jim" Gordon, Coringa (Jack Napier), Deathstroke, Dick Grayson, Donna Troy (Troia), Estelar, Garth (Aqualad / Tempest), Helena Wayne, Jason Todd, Mutano, Oliver Queen (Arqueiro Verde), Personagens Originais, Ravena, Richard John "Dick" Grayson, Roy Harper (Arsenal), Terra, Timothy "Tim" Drake, Timothy "Tim" Drake (Robin), Wally West (Kid Flash)
Tags A Lei De Dick Grayson, Bat Família, Bat Family, Batman, Bbrae, Beast Boy, Bruce Wayne, Cibee, Ciborgue, Cijinx, Coringa, Cyborg, Dick Grayson, Escola, Estelar, Garfield Logan, Intercâmbio, Jason Todd, Joker, Jovens Titãs, Justiça Jovem, Kori, Kori Anders, Koriand'r, Mutano, Rachel Roth, Raven, Ravena, Red Robin, Robin, Robstar, Starfire, Teen Titans, Tim Drake, Victor Stone
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Palavras 2.374
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Atenção: O especial acontece 6 anos no futuro.

Capítulo 21 - Especial - Somebody that I used to know


ATENÇÃO: LEIAM AS NOTAS INICIAIS



"Apenas não morra, está bem?"

Damian tirou um batarang do cinto, sentindo a superfície fria entre os seus dedos um momento antes de lançar a arma num tiro certeiro que acertou o alvo à sua frente.

"Apenas não morra, está bem?"

Deu passos até o alvo e arrancou os outros batarangs lá presos, um a um, devolvendo-os ao lugar onde pertencem, o seu cinto de utilidades.

Caminhou a passadas curtas e hesitantes até o saco de pancada do outro lado da sala de treinamento.

"Apenas não morra, está bem?"

Soco atrás de soco, pontapé através de pontapé.

Ele estava dando tudo de si.

"Apenas não morra, está bem?"

Apesar do esforço, nem o treino foi capaz de apagar aquele momento da sua cabeça. Não só as palavras... Mas a cena inteira. Apenas continuava repetindo e repetindo por conta própria na cabeça de Damian e ele não sabia o porquê.

Aliás, honestamente, saber ele sabia. Uma voz bem baixinha dentro de si, insistia em dizer que existia algo de muito importante naquela cena.

Ótimo, não bastava estar desconcentrado, agora tinha de adicionar louco à lista de coisas que Damian Wayne é.

Mesmo assim Damian ignorou a voz, pois não se queria dar ao trabalho de saber o quê, preferindo deixar o que quer que fosse "o quê" guardado num baú trancado a sete chaves bem no fundinho da sua mente. De acordo com ele, "o quê" não era importante. Nada daquilo era.

E mesmo "não sendo importante" Damian sabia que Dick escondia algo.

De qualquer forma, ele fazia parte da bat-família, então o que mais poderia esperar? Manter os "porquês" e "o quês" guardados a sete ou mais chaves era parte da natureza daquela família.

Bruce era um livro fechado, que escolheria sem exitar ser esfolado vivo se isso mantesse os seus segredos pessoais a salvo.

Alfred contentava-se a manter as coisas dessa maneira.

Bárbara aprendera as maravilhas da sutileza com o seu pai, que era policial, logo deve ser um dos que mais sabe a respeito do assunto.

E Dick? Dick tinha um número razoavelmente grande de coisas acerca do seu passado, sobre as quais se recusava a falar.

No entanto, no meio de tantas pessoas, Dick foi a última pessoa que ele pensou que lhe esconderia alguma coisa.

Tudo bem, ele não era o melhor irmão mais novo do mundo, mas digamos que eram chegados e que Dick era talvez o mais perto de uma figura fraterna que Damian já tivera. Provavelmente a única.

Mesmo quando Dick mudava de assunto repentinamente, assim que a conversa tomava rumos para assuntos delicados; mesmo quando ele gaguejava e sua voz falhava, quando pronunciavam certos acontecimentos ou nomes; mesmo quando ele recusava-se a partilhar os seus pensamentos.

Mesmo quando Dick se tornava um autêntico garoto mistério, Damian nunca insistia muito. O mais provável era não querer cutucar feridas mal cicatrizadas, ou apenas não quisesse saber.

Mas ele queira saber e muito.

Principalmente porque Dick era horrível em esconder seus sentimentos, na maioria das vezes.

Mesmo quando Dick não falava sobre eles, os seus sentimentos continuavam, obviamente, ali.

"Apenas não morra, está bem?"

Então, porque Dick pareceu estar escondendo algo de seu irmão, quando disse aquilo, com uma expressão fechada que Damian nunca vira antes?

>>>¤<<<

— Quem é Jason Todd? — Damian acusou, sabendo que assim arrancaria o mal pela raiz de uma vez.

Chega de rodeios, chega de desculpas.

Ele queria ir direto ao ponto.

Dick congelou. Emoções girando no familiar carnaval de caos que ele tinha dentro de sua mente.

Bastou apenas ouvir aquela voz quieta, confusa, um pouco magoada, um pouco apreensiva, repetindo a pergunta apenas mais um pouquinho alto para o retirar de seus pensamentos.

— Quem é Jason Todd?

Dick virou-se, vendo Damian em pé na sua frente.

Ele estava prestes a afastar a pergunta com uma desculpa, mas então ele cruzou o seu olhar com os olhos verdes de Damian.

Grandes e incompreendidos. Desesperados para saber, desesperados para ser parte do mundo em que Bruce, Dick e Tim viveram.

E num piscar de olhos, Dick estava vendo outro adolescente com cabelo preto, mãos cheias de feridas e grandes sonhos. O seu irmão.

Dick estava farto das pequenas regras de Bruce.

A maneira como ele queria esconder as mortes dos heróis da mídia, para o mundo ter ideia que eram invencíveis.

Eles não eram invencíveis. Não é necessário ser invencível para ser um herói.

Wally, Artemis, Jason.

Todos eles mostraram que não precisaram de invencibilidade para salvar o mundo, ou sacrificarem-se por ele.

Pelo contrário.

Precisaram morrer para isso. Morrer para que outros vivessem.

E eles mereciam melhor do que ser transmitidos num estúpido holograma num pedaço de metal e serem esquecidos.

Jason merecia melhor que isso.

Dick desligou o computador e levantou-se da cadeira.

— Venha. — Fez um sinal para que Damian o seguisse. — Há algo que você deveria ver.

>>>¤<<<

Damian analisou o metal frio e pesado, sentindo que algo parecido com a descrição do material estava crescendo no seu estômago. Os seus olhos percorreram as palavras gravadas na placa de alumínio pela quinta vez.

Jason Todd

Filho, irmão, herói.

Damian calculou as datas abaixo das palavras, sentindo seus olhos arderem. Ele já sabia a resposta.

Quinze anos. Aquele garoto tinha uns míseros 15 anos quando morreu.

Ele finalmente teve coragem de desviar o olhar do monumento para analisar o semblante do seu irmão.

Dick fitava a face do garoto exibido no holograma, perdido em seu próprio mundinho. Pela primeira vez, o habitual homem brincalhão pareceu ter mais de 22 anos.

Damian finalmente conseguiu formar palavras, deixando que sua voz rouca soltasse um murmúrio.

— O que aconteceu?

Dick não tirou os olhos da face do irmão morto por um único momento.

— O Coringa aconteceu. — A voz do adulto soou tão gelada e vazia que Damian ficou ligeiramente assustado, mesmo que não admitisse.

— Quem foi ele? — Damian voltou a perguntar, se referindo a Jason dessa vez.

Dick limitou-se a estender o braço em direção à placa de alumínio, pregada ao pedestal de metal.

Filho, irmão, herói.

Damian leu as palavras uma sexta vez, como se fosse a primeira, sentindo-se cada vez mais triste por essa pessoa que ele não conhecera e pela família — A sua família — Que o fizera.

Damian ainda estava pensando na sua próxima questão, tentando lembrar-se de como formar palavras quando Dick o surpreendeu com uma pergunta.

— Como descobriu?

Damian desviou o olhar se sentindo culpado e idiota.

Desde quando ele se sentia culpado ou triste por alguma coisa? O que raios estava acontecendo? Ele era Damian Wayne!

— A maneira como você me olhou e me disse para não morrer no outro dia, pareceu um pouco esquisito, então eu perguntei ao Pennyworth se ele tinha algum motivo para isso... — Foi interrompido quando ouviu uma respiração afiada, quase inaudível vindo de onde Dick estava sentado.

— Ele apenas disse "Jason" e rebateu, dizendo que você tinha as suas razões.

Os olhos de Damian encontraram a placa novamente — filho, irmão, herói — lembrando-se da lágrima que viu escorrer pelo rosto do mordomo quando disse o nome. Damian ainda não estava certo, se era suposto ter ouvido.

— E bem... eu procurei nos servidores da batcaverna. O nome Jason Todd continuava vindo à tona mas eu não encontrava qualquer informação para além do nome. — Continuou. — Então eu entrei no quarto do meu pai e encontrei uma certidão de morte...

— E juntou as peças.

Damian assentiu, sem ter certeza de que Dick estava mesmo olhando para si.

O silêncio reinou pelo lugar durante um tempo, no qual Damian não se atreveu a dizer qualquer coisa.

Desde que pisara naquela sala, toda sua arrogância e confiança tinham sido sugados.

Ele estava no meio de algo profundo e doloroso, e se sentia como se estivesse titubeando pela pele do irmão sem saber se estava pisando feridas cicatrizadas ou ferimentos ainda abertos.

Houve um tímido suspiro ao seu lado. Damian não precisou olhar para Dick para saber a quantidade de angústia presa no pequeno som.

— Bruce encontrou-o quando eu ainda era o Robin, tentando roubar os pneus do bat móvel, se puder acreditar.

Damian olhou para Dick a tempo de ver um meio sorriso de partir o coração no canto de seus lábios.

— Bruce viu que ele tinha potencial, e decidiu adotá-lo e treiná-lo para que pudesse se transformar num Robin e não num vilão. Ele teve a ideia de se tornar o Red Robin, para que eu pudesse continuar como Robin normal.

Dick continuou silencioso por um bom bocado, os olhos num azul escuro cheio de memórias que Damian não podia compartilhar.

Finalmente ele atreveu-se a perguntar.

— Como era ele?

Novamente aquele sorriso triste tomou conta da cara de Dick.

— Bruce chamava-lhe impulsivo e teimoso. Eu chamava-lhe corajoso. Jason não se importava com o que precisava fazer para tirar um criminoso das ruas. Ele teria se matado doze vezes se isso fosse o que precisasse fazer. Mas às vezes... parecia que ele estav ardendo e que iria queimar se ele parasse por um momento ou tentasse viver uma vida normal.

Damian pensou no quanto ele e Dick — mesmo que Dick não o admitisse — partilhavam os poucos momentos normais que eram tão difíceis de conseguir, como membro da bat-família.

Algo na voz de Dick fê-lo imaginar se Jason não teria se importado em queimar alguém se isso tirasse um criminoso das ruas.

— Um dia, ele saiu por conta própria para uma missão em vez de esperar por reforços, coisa que ele fazia muito e deixava o Bruce maluco, mas dessa vez... dessa vez ele não estava esperando por nós à entrada com um souvenir para o Wally — Parou a explicação para direcionar um olhar ao monumento do melhor amigo. — nem com o vilão preso, carregando-o no ombro.

— Os vilões contra quem lutamos eram apenas peões, o Coringa esteve atrás de tudo, sempre. Na altura em que localizamos o Jason... — Dick deixou a voz morrer aos poucos.

Dick aproximou a mão do monitor que transmitia o holograma e carregou no botão ao lado da placa.

A figura majestosa do Robin foi substituída por uma foto onde Jason e Dick abraçavam um Tim de 8 anos, espremendo-o entre os dois corpos.

Damian não soube o que dizer. Tudo o que estava preenchendo seus pensamentos antes foi inundado por um nevoeiro.

Dick pressionou o botão outra vez.

Uma foto de Jason e Kori, no Colégio.

Outra vez.

Jason jogando vídeo game com Garfield, Veronica no fundo parecendo estar torcendo por um dos dois.

Outra vez. E outra.

Foi repetindo o ato e com o passar das fotografias as pessoas iam ficando mais crescidas.

Na primeira foto, Dick tinha 13 anos, nas que estavam passando agora ele parecia ter 16 e 17.

Mas a próxima vez foi diferente.

A imagem acertou um soco no estômago de Damian.

Jason lado a lado com Batman, como Robin.

O mais estranho é que o homem morcego sorria.

Sim, sorria.

Quer dizer, o Batman não sorri. Desde quando?

Foi nesse momento que Damian percebeu que talvez Jason fosse mais importante para o Batman do que ele pensou. Não só para o Batman. Haviam muitas fotos ali com Kori, que parecia ser sua amiga bem próxima. Drake também, sempre sorrindo.

Dick parou o dedo a milímetros do botão, deixando aquela foto na frente dos dois.

— Bruce nunca se perdoou. — Dick disse, focado na foto. — Ele chegou ao lugar onde o Coringa mantinha o Jason muito tarde. Eu cheguei muito tarde.

Ambos chegaram à mesma conclusão sem precisarem se comunicar em voz alta.

Bruce se culpou, e possivelmente ainda se culpa.

— É por isso que ele nunca me contou?

Dick pigarreou sem olhar para Damian.

— Ele não conta a ninguém. Ele nunca fala sobre o Jason ou o que aconteceu. — Dick explica sentindo a raiva invadir seu corpo. — Ele quer que a mídia pense que somos... — Dick sibilou a palavra como se sentisse nojo dela, sibilou a palavra com um desdém enorme. — Invencíveis.

Damian se remexeu no chão onde estavam sentados, imerso em pensamentos com o olhar colado na foto. Será que algum dia ele seria apenas um número para o seu pai?

"Existiu um 4° Robin, mas eu não quero falar sobe ele." Já conseguia ouvir a voz de Bruce Wayne na sua cabeça.

— Você ajudou.

— Ajudei? — Damian repetiu sem entender.

Dick pela primeira vez na noite, desviou o olhar dos hologramas e deu um pequeno sorriso olhando para o irmão.

— Bruce, seu pai. Ele começou a se importar de novo quando você veio.

Eles continuaram na lápide por um longo tempo, até a pequena janela na parede parar de transmitir luz.

A única luz na sala vinha do hologramas de Jason que emitia um tom de azul claro, iluminando minimamente as caras dos dois.

As palavras logo abaixo estavam completamente mergulhadas na escuridão, mas Damian ainda se lembrava delas.

Como esquecer? Porquê esquecer?

Filho, irmão, herói.

Irmão.

— Será que ele teria gostado de mim? — Por um momento, Damian se sentiu naqueles filmes de comédias românticas ridículos.

Mas ele não estava num filme. Nem numa comédia romântica.

E Jason não era um garoto popular e fútil, pelo qual Damian se apaixonava. O assunto era mais sério.

Ele era o irmão que Damain teria tido.

Odiado, mas ainda assim, tido.

A voz agora suave,de Dick veio do lado escuro onde ele sabia que seu irmão estava sentado.

— Ele teria odiado você — Dick susurrou sem nem reparar no rosto molhado de lágrimas. — Mas você o teria conquistado.

Os outros hologramas apagaram, deixando a sala ainda mais escura, apenas iluminada pela luz de Jason.

Malditas câmeras de segurança.

Damian passou o dedo pelas palavras que já não podia ver.

Jason Todd.

Filho, irmão, heroi.

— Quem estou querendo enganar? Eu teria gostado de você. — Damian sussurrou se dando por vencido.

Ao longe, passos soaram e Tim e Kori apareceram descendo as escadas segundos depois.

Dick sorriu para a namorada reprimindo um soluço.

Damian por sua vez nem reparara que também já estava chorando.

E então, Kori estendeu a mão a Tim que aceitou e caminharam juntos até eles com os olhos fixados na figura masculina do holograma.

Dick abriu os braços se agachando.

Soluçou cansado de reprimir os seus sentimentos.

Tim correu para seus braços, deixando as lágrimas caírem no chão ou mancharem o uniforme de Asa Noturna.

Kori se juntou ao abraço, sorrindo por lembrar de seus momentos com Jason.

Deixou um dos braços abertos para Damian.

Este hesitou, mas então sentiu como se os olhos de Jason estivessem postos nele. Perguntou-se o que o segundo Robin faria e depois de uns segundos parados....

Damian deu um passo em frente, se aconchegando nos na alienígena e sentindo um dos braços de Grayson nas suas costas.

Seis anos não mudaram a saudade que a equipa sentia dele.

Jason Todd fazia falta.

E como fazia.



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