História A Lenda de Kay - Capítulo 11


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Categorias Avatar: A Lenda de Aang, Avatar: A Lenda de Korra
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Memórias de Malik - Parte 1


Algumas ruas de barro que se cruzavam. Casas feitas de madeira e palha amontoadas desordenadamente umas em cima das outras. E um poço de água central completamente seco.

Fei Chu era uma dessas vilas comuns do Reino da Terra nessa época: pobre e desolada. A vila se assentava em uma terra perdregosa e árida no meio de um extenso deserto.

Apenas em uma zona a uns 1000 metros do centro da cidade se via algo anômalo. Era um território muito verde com árvores frondosas exóticas importadas de algum lugar distante cercado por muros altos de pedras reluzentes com um magnífico palácio ao centro. O Oásis no meio do deserto era a propriedade do Marquês de Baojun, um aristocrata que comandava aquela região.

Um garoto de apenas 10 anos caminhava exausto com um vaso de barro do seu tamanho equilibrado em sua cabeça. Era magro, moreno e tinha correntes presas nos pés. Trazia aquele vaso cheio de água desde um poço a 2 km ao sul de Fei Chu. Era um poço exclusivo do Marquês e a água seria usada para regar a grama e árvores de sua propriedade. O pequeno Malik era o escravo-jardineiro do Marquês de Baojun.

O garoto já tinha atravessado quase toda a rua central de Fei Chu quando sentiu alguém puxar fracamente sua camisa surrada.

– Por favor, nos dê um pouco de água – pedia uma criança menor que ele com uma tigela de latão.

Malik olhou para os lados, descansou o vaso no chão e com a tigela do menino agarrou um pouco de água. Uma flecha em alta velocidade atingiu a tigela, Malik retirou a mão com o susto fazendo-a cair. O menino sedento saiu correndo.

– Garoto! Quem você pensa que é??

Malik sentiu aquela sensação de desespero que sempre lhe causava quando era ameaçado pelos capangas do Marquês. Órfão de pai e mãe, foi capturado pelos homens de Baojun desde muito pequeno e eles o escravizaram. Foi adestrado pelo medo para satisfazer àquelas pessoas. E não estava sozinho, mais da metade de Fei Chu estava formada pelos escravos de Baojun.

– Essa água é propriedade do Marquês! - gritou o arqueiro retirando um chicote de couro preso em seu cinto – você vai ter o que merece pequeno verme!

O homem rodopiou o chicote duas vezes no ar e deu um forte aceno em sua direção. Do vaso de barro cheio de água ao lado de Malik, se ergueu uma pequena tira de água que serpenteava no ar com velocidade. Envolveu subitamente o garoto como um chicote de água dançando em espiral. O chicote de couro do algoz foi completamente bloqueado pelos fios de água giratórios. Uma das extremidades do chicote de água foi parar diretamente na mão de um vulto encapuzado com um manto azul escuro. Malik apenas o vislumbrava assustado.

– Um Dominador de Água!! - gritou o arqueiro. Os moradores permaneciam acuados em suas casas, mas homens vestidos de elegantes trajes verde-escuro chegavam montando cavalos-avestruz. Eram mais capangas.

O vulto sacou seu capuz junto com o manto. Então Malik pôde ver o rosto pálido e compassivo de uma mulher lhe encarando. Usava vestes leves azul-claras da tribo da água. Tinha um olhar débil, aparentemente cansado. Cabelos opacos e negros lhe desciam nos ombros, usava sandálias de couro e Malik pôde perceber nas suas pernas várias cicatrizes e marcas negras.

– Essa é uma maneira abjeta de tratar crianças... - disse a a mulher ainda encarando o garoto atordoado. Caminhou em sua direção e tocou carinhosamente uma de suas bochechas – não se preocupe querido...

– Aquí, rápido! -gritou outra vez o arqueiro.

Os homens de verde escuro chegaram saltando de suas montarias. Um deles lançou diretamente um ataque subterrâneo que se transmitia como uma onda de impacto pela superfície. Vinha em direção à mulher e ao garoto levantando poeira desértica para os lados.

– !!!

A Dominadora de Água fez um movimento ondulatório harmonioso sacando o resto de água de dentro do vaso. Com um volume de líquido envolveu Malik em uma bolha e o lançou alguns metros longe. Quando o garoto caiu na terra o choque foi amortecido por um monte de neve que foi transfigurado a partir da água que o envolvia.

Quando a onda subterrânea chegou até a mulher, duas tábuas irromperam do piso contra seu corpo. Esmagavam seus músculos e a paralisava.

– O que uma dominadora de água faz no meio desse deserto tão longe de sua terra?

A mulher mirava placidamente ao piso como se não escutasse.

– Muito bem, você deve pagar por sua ousadia.

O arqueiro com o chicote foi para trás dela e começou a golpeá-la impiedosamente com a arma de couro. Mas a mulher mantinha o semblante alheio. Movia ligeiramente o corpo com cada golpe e seguia com aquele olhar distante, seu corpo estava ali, mas sua mente em outro lugar. Depois de alguns minutos, sangue já escorria por debaixo da sua roupa azul. Malik observava boquiaberto com os olhos lacrimejando.

– Tofune, espere. Não a mate. Devemos perguntar ao chefe o que fazer com ela - disse um dos capangas de verde interceptando o último golpe de chicote.

Os homens partiram levando a mulher acorrentada. Malik também foi amarrado em um cavalo-avestruz e levado embora. Enquanto isso, um absoluto silêncio na pequena vila de Fei Chu. Os homens partiam e uma bola de poeira passava pela via principal. Dentro de suas casas, os aldeões estavam escandalizados, haviam aprendido mais uma lição.

– Ora, ora, uma dominadora de água hein?

Um homem gordo falava de seu trono. Era bem vestido e exalava um perfume forte. Sinalizou para que se aproximassem com a mulher.

– Vossa Graça, Marquês de Baojun, essa mulher nos atacou na vila. Aparentemente ela estava tentando salvar esse garoto de sua punição...

– Quem? Malik? HA HA HA. Não me faça rir.

O Marquês se levantou do trono e olhou para o garoto.

– Talvez se eu o enterrasse vivo no meu jardim ele faria um melhor trabalho nutrindo minhas plantas - o homem encarava Malik com um semblante obscuro, o garoto tremia - enquanto você, mulher insolente, vou convertê-la em uma linda escrava, uma dominadora de água seria muito útil para desviar os rios subterrâneos para superfície. Imagine o que falarão de mim em Ba Sing Se quando eu conseguir fazer algo produtivo nesse deserto.

O Palácio era amplo com pilares e pisos de mármore nobre. Seus móveis eram de madeira adornada com seda e as cortinas eram como véus esmeralda. Malik e a mulher eram conduzidos pelos seus corredores por alguns capangas de Baojun. Desceram uma escada para os subterrâneos da mansão onde estavam as celas. Era uma escavação enorme com várias covas tapadas com barras de metal.

No fundo embaixo havia uma grande mina onde os presos faziam trabalho forçado. Ali era o verdadeiro ganha-pão do marquês porque era onde se extraiam os finos cristais que ele vendia para a capital. Os dois foram empurrados violentamente para uma das celas e a mulher desmaiou subitamente.

– Você está bem? - perguntou Malik assustado cutucando a moça.

Algumas horas haviam se passado e ela acordou. Deu um breve aceno ao garoto confimando que estava bem.

– Moça, desculpe por fazer você passar por tudo isso. Graças a mim você perdeu sua liberdade... - dizia o garoto apertando a testa.

A moça tossiu um pouco de sangue e sorriu.

– Não se preocupe querido, não há nada capaz de nos prender quando lutamos uns pelos outros. Nós estamos juntos nessa, não? - perguntou a mulher, Malik apenas a fitava confuso - Bem, se você quer saber, somos muito mais livres do que aquele homem mesquinho lá em cima, o espírito pequeno é uma prisão muito mais difícil de ser vencida.

– Não fale assim do Marquês, por favor, ou podemos entrar em sérios problemas! - disse o garoto com um tom histérico e olhos esbugalhados.

A mulher se levantou e foi até as barras de metal da cela. Colocou a cabeça entre as grades estudando bem o ambiente exterior.

– Quantos Dominadores de Terra vocês têm por aqui?

– O quê? Nós não temos dominadores de terra em Fei Chu. Todos os dominadores são soldados do exército enviados ao marquês.

– O Marquês tem no máximo 20 soldados. A vila deve ter aproximadamente umas 500 pessoas, todos cidadãos do reino, é impossível que vocês não tenham dominadores que os superem numericamente.

– Moça, você não é daqui. Eu suplico que não desafie o marquês outra vez. Não há dominadores de terra em Fei Chu que possam lhe ajudar - disse o garoto exasperado. A mulher o olhou criticamente.

– O medo bloqueia a dominação de terra...

– O quê?

– Pelo que parece é o medo que os prende aqui com esse homem. Mais até que essas grades... Deixe-me te dizer uma coisa, pequeno Malik - disse a mulher se aproximando da parede - Para a Dominação de Terra é fundamental que se tenha coragem, mesmo que isso signifique cair de cabeça contra uma rocha - a mulher moveu bruscamente o pescoço e mergulhou a cabeça na parede a sua frente com toda a força. Um rombo se fez na superfície e o rosto da mulher entrou completamente naquela estrutura rochosa, expelindo poeira e fazendo grandes rachaduras. Ela apoiou as mãos nos lados e tirou sua cabeça de volta, enxugando a poeira e fazendo um movimento que estalou seu pescoço.

– Não pode ser...

– Para mover a pedra, você precisa ser mais duro que ela - disse séria fazendo um movimento reto com a mão. A parede desintegrada voltou ao estado normal.

– Você é...

– Meu nome é Sarah, eu sou a Avatar - disse sorrindo.

O garoto escutava perplexo. Foi até às barras ver se alguém tinha ouvido algo. Deu vários tapas na própria cabeça enquanto andava em círculos.

– Porque você não usou isso antes quando eles te prenderam com as tábuas de terra?!

– Outra virtude importante dos Dominadores de Terra é a paciência. Aprendemos a esperar firmes e estáticos como uma pedra até encontrar o momento exato para atacar com toda audácia. Essa filosofia é chamada Jing Neutro. Certamente eu me safaria daquilo facilmente, mas esperando mais até o momento certo eu posso alcançar melhores resultados...

O garoto se lembrou de como a mulher resistiu a todas as chicotadas calmamente. "Dura como uma pedra, é?" Se perguntou intrigado.

– Que resultados? Quanto tempo mais você estar disposta a esperar?

A mulher apenas sorriu reflexivamente.

– Já disse. Não se preocupe. Vou nos tirar daqui...



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