História A Lenda de Kay - Capítulo 12


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Categorias Avatar: A Lenda de Aang, Avatar: A Lenda de Korra
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Palavras 2.073
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 12 - Memórias de Malik - Parte 2


Algumas semanas se passaram e Sarah estava mais familiarizada com o local. Malik havia saído da cela e voltara a suas atividades como jardineiro, mas sempre a acompanhava no dia a dia das minas e quase toda noite conseguia achar uma brecha entre os guardas para descer até sua cela. A avatar se recusava a usar suas habilidades para o marquês e continuamente se metia em encrencas com os guardas. Já era uma figura mítica entre os prisioneiros, havia curado vários deles com sua dominação de água. Também muitos dos escravos de Fei Chu que vinham trabalhar nas minas achavam um jeito de ser atendidos por ela escondidos.

Sarah tinha duas facetas muito claras, era uma mulher doce e gentil com todos, mas perto dos guardas mostrava sua face obscura e apática. Se rebelava sempre e não hesitava em defender seus companheiros das violências. Era chamada de Lady Rivers por eles, plácida e receptiva por um lado, mas teimosa e tormentuosa, por outro, como um rio em diferentes etapas de sua trajetória. A analogia perfeita para a dominadora de água. Com muita insistência ela os ensinou algumas posturas de luta também, disse que ter a musculatura tonificada os ajudaria a resistir melhor aos ataques dos guardas. Mostrava como se fazia quando os guardas estavam distraídos e durante a noite eles treinavam em suas celas.

– Você tem razão, moça. Essas posturas me fizeram mais forte. O Marquês me deu 100 chicotadas hoje porque derrubei um jarro de jasmin e me doeu muito menos que costumava doer antes - dizia Malik com os olhos inchados. Acabava de chegar na ponta dos pés, já era madrugada.

– Ele o quê?! - exclamou Sarah indignada, sua cela tremeu um pouco, mas ela fechou os olhos e suspirou para acalmar.

– Não se preocupe. Como eu disse, não senti muito...

A avatar sacou um pouco de gelo que tinha escondido na manga e começou a curar as feridas do garoto com dobra de água.

– Quando você vai contar aos outros que é o avatar?

– Estou esperando um pouco mais... Me causa muita revolta ver como ele trata todos aqui, mas coragem é algo que deve ser construído por conta própria. Não adianta eu derrotá-lo sozinha, eventualmente, outros do reino virão, e vocês têm de estar preparados para lutar...

– Esqueça, não somos valentes como você moça.

Sarah apenas sorriu e acariciou sua cabeça.

Mais alguns dias se passaram. Uma mulher de Fei Chu chamada Anna estava com uma gravidez complicada e Sarah havia se comprometido em fazer seu parto. No dia exato combinou com Malik de levá-la desde a vila até sua cela.

– Silêncio, por favor...

Malik chegara a cela de Sarah conduzindo a mulher pelo braço. Ela se contorcia de dor e segurava seus gemidos.

– Anna... As contrações já começaram. Malik, você trouxe o que te pedi?

O garoto entregou dois cantis cheios para a mulher.

– Para esse procedimento preciso de água fresca exposta ao ar livre. Não posso contaminar o bebê com as energias negativas da água que bebemos aqui...

– Essa água do poço do marquês é a água mais pura que podemos achar em um raio de quilômetros.

– Obrigada.

Sarah transformou a água em lâmina e fez um profundo corte na barriga da mulher. Manipulava a água dos cantis desde sua posição atrás das grades. Enquanto os tentáculos de água saiam e entravam da sua barriga, Anna não sentia nada. Uma película protetora se espalhava por toda sua circuferência abdominal e brilhava com a luz espiritual característica da água regenerativa.

Sarah fez um movimento delicado subindo com as duas mãos extendidas e o bebê saiu completamente envolvido em uma bolha de água cristalina e brilhante. O cordão foi cortado e a bolha dissipada, o bebê caiu nos braços de Anna aos gritos. Todos os prisioneiros olhavam entre as grades de suas celas admirados.

– O que diabos está acontecendo aqui - um dos guardas chegou, apontava ameaçadoramente os punhos.

Um chicote de água saiu em uma trajetória curva desde a cela da avatar e atingiu diretamente a cabeça do homem fazendo com que caísse no chão desacordado. Sarah fez mais dois movimentos e mais um chicote de água golpeou as grades de sua cela cortando uma abertura. Saiu de lá e caminhou até outra cela próxima liberando um homem alto e barbudo. Era o pai da criança.

– Baatu, na minha cela, no canto da parede direita, há um túnel cavado que vai dar no estábulo do marquês. Pegue Anna e seu filho e fuja. Uma criança recém nascida não pode viver nessas condições.

– Um túnel?! Como?!

– Ande! Os guardas provavelmente escutaram o grito. Nós vamos distraí-los enquanto você foge!

Sarah golpeou o cadeado de todas as celas com seu chicote de água, mas os prisioneiros permaneciam acuados em suas acomodações.

– Gente, nós precisamos criar uma distração e...

Uma pedra grossa irrompeu do chão contra o abdômen da avatar que foi jogada vários metros pra cima até cair no amplo saguão pedregoso da mina. Rolava entre os estilhaços de pedra pontiagudos até parar em um local mais plano, onde os prisioneiros ainda não tinham cavado.

– Sarah!!! - gritava Malik.

Dois dedos gigantes de terra foram conjurados agarrando-a pelos seus braços e erguendo seu corpo no ar. Sangue escorria entre os dois pilares. Vários dominadores de terra se acumulavam no corredor das celas que ficava no topo do saguão. Miravam Sarah de cima em posição de ataque, prontos para esmagá-la a qualquer momento. O marquês de Baojun então se destacou entre eles, vinha com seu pijama colorido resmungando.

– O que essa miserável fez dessa vez?! E vocês não se atrevam de sair de suas celas seus vermes!

Sarah ainda tinha os braços erguidos pelos dois pilares, sangue escorria dos seus braços e de sua testa. Estava aparentemente desacordada. O Marquês desceu o declive de pedras tomando cuidado para não pisar em nada cortante, sacou um chicote e se pôs atrás de Sarah a golpeá-la. Ela deu um grito surdo no começo mas logo mordeu os lábios.

– Seja forte... como uma rocha... - murmurava a mulher.

– Sarah...- sussurrou Malik, lágrimas caiam de seus olhos.

– O que você está balbuciando, garota? Você se provou inútil para mim. Agora merece morrer!

O Marquês seguiu por dez minutos no fundo da Mina golpeando Sarah pelas costas, mas ela continuava resistindo franzindo todos os músculos da sua cara. Os guardas observavam dos corredores das celas em cima rindo e os prisioneiros viam pelas brechas de suas grades pasmos.

– Você dá trabalho até mesmo pra morrer não é?!

O Marquês então subiu o declive até o corredor das celas e ordenou:

– Enterrem ela de uma vez. Não quero saber se vamos desfazer todo o trabalho da Mina, esses vermes merecem cavar tudo outra vez.

Os dominadores de terra deram então um passo no chão com uma postura firme e o declive que ia até o fundo da Mina começou a desmoronar. As pedras surgiam e se acumulavam, estavam prestes a esmagar Sarah.

– NÃÃÃO!

Um grande estrondo seguiu uma explosão de poeira. Malik, com os olhos vermelhos e lacrimejantes, mas com um semblante tomado de ódio se interpôs à avalanche segurando as pedras com as duas palmas das mãos com dedos contraídos. Com os pés afundados no chão, agachado e contraindo com toda a força seus músculos da coxa, ele fez dois movimentos circulares simétricos com os braços paralelamente ao seu torso e com os punhos cerrados. Uma plataforma retangular ascendeu com ele e Sarah. Ele deu dois golpes nos pilares e a avatar caiu nos seus braços.

– Eu posso sentir a terra em ressonância com seu bravo coração, pequeno Malik... Você conseguiu... - dizia a avatar com uma voz débil. Malik olhou pros próprios pés.

– Esses movimentos que você nos ensinou...

– Eram posturas básicas de dobra de terra... - disse a avatar sorrindo.

A partir daí vários estrondos se escutaram. Os prisioneiros saiam gradativamente de suas celas. Agora seus rostos eram tomados de determinação. Eles repeliram os capangas de Baojun atirando rochas. O Marquês foi o último que sobrou. Se escondia atrás de uma pedra.

– Vocês podem dobrar terra?! Não é possível!

– Parece que o senhor se encontra em desvantagem numérica agora, Baojun - disse um dos ex-escravos.

– Para trás! Não me matem! Eu tenho dinheiro e joias, vocês podem levar com vocês e fugir daqui.

– Nós não vamos sair daqui tão cedo, Marquês. Essas terras pertencem ao povo de Fei Chu - disse Malik.

O homem então saiu correndo, mas o garoto deu dois golpes com os pés na terra e a pedra por trás da qual o Marquês se escondia se ergueu no ar. Com um mortal, Malik a atirou diretamente contra as costas do homem que rolou alguns metros até ficar inconsciente.

A população de Fei Chu tomou conta da cidade de volta recuperando tudo que lhes foi roubado pelo Marquês. Resultou que noventa por cento dos prisioneiros eram dobradores de terra que ajudaram a reconstruir a cidade. Sarah, que se recuperou muito rápido com auxílio da própria medicina, logo desviou uma corrente subterrânea de água para cidade, criando um grande poço. Dias prósperos esperavam a pequena Fei Chu.

– Kouzan, Quen!! - gritou Sarah acenando no meio de uma estrada a 100 km de Fei Chu. O pequeno Malik caminhava ao seu lado segurando uma grande mochila. Quen e Kouzan, que também tinham 10 anos, se aproximaram correndo para abraçar a avatar que deu vários rodopios enquanto agarrava eles no ar.

– Mãe, já faz um mês desde que você disse que precisava partir em uma jornada sozinha! Já estava ficando preocupado, além disso... - disse o pequeno Kouzan erguendo o queixo e cruzando os braços - nenhuma jornada espiritual vale tudo que eu tive que passar com essa daqui...

– Mestra, que bom que você chegou - disse a pequena Quen ainda abraçada a Sarah, usava o colete vermelho típico dos soldados da nação do fogo e seu cabelo negro era amarrado em um coque atravessado por um pino de ouro com o selo real - não aguentava mais conviver sozinha com os modos desse caipira - continuava a pequena princesa da nação do fogo.

– Caipira, é? Lady Dragão?

– Conheço dragões infinitamente mais elegantes que você, Kouzan...

– O objetivo das nossas viagens é conhecer os costumes e características de cada nação já que nossa organização pretende criar um futuro de paz e entendimento, mas a única coisa que vocês fazem é brigar. Até parece que estão obcecados um pelo outro - disse Sarah com a mão na testa.

– Só espero que nessas viagens nós nunca mais voltemos para aquele antro de tiranos ambiciosos que é a Nação do Fogo. Não aguentaria mais um dia dentro daquele palácio. Se você quer saber, mãe, creio que eles são os verdadeiros inimigos.

Sarah pôs a palma na cara irritada, uma ruga se fez em sua testa.

– Mestra, por favor, não pisemos mais naquele país machista e rústico com suas superstições atrasadas. Onde mulheres não são permitidas lutar! - revidou Quen.

– Rústico você diz? Nós vivemos todos juntos com nossas famílias nas mesmas condições sobrevivendo as adversidades do inverno sem distinções de classe, algo que uma princesinha mimada com você nunca entenderia, atrasado é esse país que aceita ser comandado por uma realeza que explora todos os recursos. Nós somos uma comunidade igualitária... quem é machista mesmo é a Tribo do Norte, nós do sul estamos ficando mais abertos a isso...

– Não me venha com seu Folklore, Kouzan. Sabemos muito bem que vocês saíram de lá porque os chefes não quiseram reconhecer a liderança da mestra. Machistas, supersticiosos e atrasados!

– Egoístas, colonizadores e ambiciosos!! - gritou Kouzan de volta.

– CHEEGA!! - em um breve movimento um redemoinho surgiu ao redor de Sarah e derrubou os dois garotos - vocês estão me fazendo passar vergonha. Olhem. Esse aqui é o novo companheiro de vocês, Malik. Eu vou ensiná-lo dominação de terra, ele é a terceira pétala da Lótus que eu estava buscando...

– Oi... Muito prazer... - murmurou o garoto timidamente. Os outros dois garotos então se juntaram a abraçá-lo.

– Já estamos te esperando há algum tempo!

– Espero que sejamos amigos...

– Nunca confie nessa garota aqui. Aliás, ela não é uma garota de verdade, todos sabem que ela é em realidade um pequeno dragão...

– Viu como ele é superticioso, Malik? Não se preocupe, é porque ele veio de uma pequena tribo ao sul, nós da civilização temos mais em comum...

Malik seguia a caminhada rindo enquanto Sarah rolava os olhos entendiada.



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