História A Linguagem das Flores - Capítulo 1


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Ecchi, Fantasia, Festa, Ficção, Hentai, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 1 - O Festival da Primavera


Fanfic / Fanfiction A Linguagem das Flores - Capítulo 1 - O Festival da Primavera

Rodrick pov

Aquela era uma noite festiva no Acampamento Meio-Sangue. Ao redor da fogueira no pavilhão do refeitório os sátiros tocavam músicas boas em suas flautas de bambu (pra variar), flores cresciam magicamente de forma quase irritante por todo o lugar, ninfas cantavam e dançavam alegremente enquanto distribuíam comida para os campistas e frequentemente por pura felicidade, beijavam os sátiros na boca, deixando a música os bodes apaixonados ainda melhor.

 

Mas ninguém conseguia ficar mais eufórico naquela ocasião do que os campistas do chalé de Deméter. Eles exibiam sorrisos bobos encantadores como o de uma criança que acabou de ganhar doce enquanto cantavam e dançavam de mãos dadas em volta da fogueira.

Partes de seus corpos estavam desenhados com manchas de terra feita a dedo, as suas roupas estavam enfeitadas com flores e não se passava nem cinco segundos sem que algum deles jogasse grãos de cereais ou as flores que cresciam magicamente dentro da fogueira.

O motivo de tanta alegria? Muito simples: aquela era a noite do dia vinte de março, o dia do equinócio de primavera.

Na manhã daquele mesmo dia, do outro lado do país em algum lugar de Los Angeles, Perséfone, a Rainha do Mundo Inferior, emergiu da terra e deixou temporariamente esse título, voltando a ser apenas a deusa da primavera e retornando mais uma vez para os braços da sua mãe Deméter, a deusa da agricultura.

Isso acontecia todo ano. Na primavera e verão Perséfone ficava com sua mãe e no outono e inverno ficava com seu marido Hades, o deus dos mortos, causando assim as estações do ano.

Quando a primavera começava e Deméter finalmente reencontrava sua filha, sua felicidade era tão grande que no primeiro dia contagiava todos os espíritos da natureza – como sátiros e ninfas – e seus filhos semideuses.

O Festival da Primavera foi criado na Grécia Antiga para os espíritos da natureza e semideuses de Deméter comemorarem o retorno de Perséfone e liberarem toda a alegria emprestada que estavam sentindo.

E é aí que eu entro.

Eu sou filho de Deméter? Não.

Eu sou Rodrick Rockwell, filho de Ares, o deus da guerra. Eu tenho 19 anos, sou alto e musculoso como qualquer filho de Ares, cabelos pretos curtos, olhos castanhos escuros, pele clara e segundo um grande amigo meu, um jeito briguento e um olhar malvado como nenhum dos filhos de Ares tinha. Naquela noite eu estava vestindo uma camiseta branca, jaqueta e calça de couro estilo motoqueiro e sapatos pretos.

Mesmo que o Festival da Primavera fosse feito para filhos de Deméter e espíritos da natureza, todos do Acampamento participavam porque era uma ocasião animada e também por causa de algo a ver com a "linguagem das flores". Nem sei o que é isso.

Eu não estava lá por causa de nem um nem outro. Eu estava lá porque a minha namorada, a garota mais linda do mundo, ficava ainda mais linda dançando perto de uma fogueira com o rosto pintado de terra e com enfeites floridos espalhados pelo corpo.

Serena Mackean, filha de Deméter. Ela tinha 17 anos, mas era um pouco baixinha pra idade e tinha um corpo muito delicado. Cabelos castanhos lisos, olhos castanhos claro, pele morena e seios médios. Era raro ver ela se soltar como fazia no Festival porque na maior parte do tempo ela era tímida e fechada.

Ela estava vestindo uma saia longa hippie colorida, uma camiseta regata marrom escrita “make love, not war”, além de uma argola florida na testa e outros assessórios com flores.

Enquanto a Serena dançava em fiquei só a observando de pé apoiado em uma árvore bebendo uma Coca Cola (Pois é, as ninfas não serviam bebidas alcoólicas nem para maiores de dezoito).

Ela estava sorrindo radiantemente ao lado dos seus meio-irmãos, até que... caramba... um buquê de flores brancas com centro amarelo simplesmente brotou sob os pés dela.

O sorriso dela morreu ali.

Ela olhou para as flores com uma expressão melancólica como se aquelas fossem as que seriam usadas no seu funeral. Eu fiquei preocupado e já desencostei da árvore pra ir até ela, mas uma mão feminina segurou meu braço.

– Rodrick, querido, espere um pouco. – ela disse.

– Não me chame de ”querido”. O que você quer?! – Eu rosnei.

Era Heather Milford, filha de Afrodite, a deusa do amor. E minha ex-namorada. Ela tinha longos cabelos loiros, pele clara, olhos azuis brilhantes e seios grandes. Estava toda maquiada, usando joias e salto alto, vestindo um tipo de vestido de gala vermelho cheio de decotes, como se festa fosse em homenagem à ela e não à Perséfone.

 – Eu quero te impedir de passar vexame. Olhe só. – Heather apontou pra Serena, que arrancou o buquê pela raiz e jogou na fogueira. E então voltou a sorrir cantar e dançar com seus meio-irmãos como se nada tivesse acontecido. – Se desligue do Mundo Serena Mackean só por um segundo e olhe a sua volta. Estão todos fazendo o mesmo.

Eu olhei para os outros campistas. Eu pensei que as flores mágicas estavam crescendo aleatoriamente no chão, mas não, estavam crescendo aos pés das pessoas.

Toda vez que isso acontecia a pessoa puxava alguém de Deméter ou Afrodite e apontava para as flores – esse alguém dizia umas palavras e algumas pessoas ficavam felizes, outras surpresas, e outras irritadas, teve até um casal que se beijou apaixonadamente quando um filho de Deméter disse alguma coisa pra eles olhando para suas flores e outro em que a namorada deu um tapa na cara do namorado e correu para os chalés desabando em lágrimas.

Quase todos que ouviam os que os filhos de Deméter ou Afrodite diziam arrancavam suas flores pela raiz e as jogavam na fogueira.

 – Mas que merda é essa? – Eu perguntei.

Ela soltou uma risada malvada que eu me lembrava bem. Era a risada que ela costumava dar quando eu afundava a cabeça de um filho de Dionísio indefeso na privada.

– Sua namorada agricultora não te contou? Essa é uma das bênçãos do Festival da Primavera: a linguagem das flores. Na primeira noite do equinócio, Perséfone lê os sentimentos e personalidades dos campistas e envia flores que dizem exatamente o que as pessoas estão sentindo.

 – Que besteira! Flores não falam.

Eu comecei a andar pra longe da Heather, mas ela ficou me seguindo com dificuldade porque a esperta estava usando salto num chão de terra.

– Ah meu querido Rodrick, isso não é verdade. Flores falam sim – elas têm significados. – ela explicou – Eu sei falar a linguagem das flores. Violetas; modéstia. Lótus; mistério. Gencianas; dor. Quer saber o que o buquê da sua nova namorada significa?

Eu parei de andar e olhei pra Heather. Ela deu um sorriso maldoso, talvez por conseguir minha atenção.

– Eram margaridas. - Ela disse. - Significam pureza, virgindade ou inocência. – Ela deu uma risadinha. – Isso é sério, Rodrick? Quanto tempo faz que você me largou pra ficar com aquela garota do arado? Já fazem três anos e a interpretação dela ainda é "virgindade"?

– Pelos deuses... você não muda.

Eu voltei a andar rápido e ela voltou a me seguir, jogando seu veneno.

– Quer saber? Eu não a culpo por ter medo. Aquele corpinho de menina do campo quebraria depois de uma noite com a sua brutalidade de filho do deus da guerra. Eu sei porque já senti sua selvageria. Lembra de quando namorávamos? Nós transávamos na praia, no anfiteatro, no lago, na floresta, na enfermaria, nos estábulos, no meu apartamento, no seu. Lembra daquela vez atrás do Chalé de Atena?

– O que é que você quer?! - Eu rosnei já me irritando irritado. Alguns segundos com aquela garota me tiravam do sério.

Ela quase quebrou seu salto batendo o pé no chão, como se a resposta fosse óbvia.

 – Eu quero você de volta. Eu te amo. Você sabe que ela nunca vai ser como eu. Sabe que nunca vai fazer com ela o que já fez comigo. Nunca vai ser tão feliz com ela quanto foi comigo

Eu parei de andar mais uma vez e olhei pra ela com a maior expressão de raiva que eu consegui. Por um segundo eu senti meus olhos queimarem. Eu ouvia as pessoas dizerem que os meus olhos literalmente pagavam fogo quando eu me irritava, puxei do meu pai.

Eu pude ver uma pontada de medo surgir no rosto dela - eu gostei daquilo.

– Escuta aqui, sua barbie vadia! Acha que eu não sei que você foi deposta do cargo de conselheira do seu chalé por causa do nosso término. Seus meio-irmãos acharam que a imagem do Chalé de Afrodite seria manchada se sua conselheira fosse uma garota que foi trocada por uma "menina do campo".

A verdade dói, e pelo visto mostra o que as pessoas são de verdade.

Enquanto meus olhos se apagavam sete flores amarelas emergiram da terra e se abriram aos pés da Heather. Eram narcisos. Ela pareceu irritada com a revelação.

– Acho que não é preciso saber falar a linguagem das flores pra saber o que isso significa. Você não me ama, nunca me amou. Só se importa com sigo mesma. Eu nunca vou voltar pra você! Nunca vou voltar a ser o que eu era quando estava como você! É a Serena quem eu amo! Eu tenho nojo de você!

Minha vez.

Um buquê de pequenas flores roxas se abriram aos meus pés. Nunca as vi nem sabia o que significavam, mas a Heather devia saber. Ela franziu o nariz olhando pra elas e então olhou pra mim com o mesmo desgosto.

 – Você não sabe o que diz, mas tudo bem, eu te perdoo. Quando você perceber que aquela fazendeira não é pra você, pode voltar pra mim. Eu vou te receber de braços abertos e com uma grande dose de "eu te avisei".

Ela pisou nos seus narcisos e saiu bufando pelo festival até desaparecer do meu campo de visão.

 

– Pegou pesado... - Alguém disse do meu lado.

Eu me assustei, peguei minha adaga de bronze celestial no bolso da minha jaqueta e ataquei. Eu parei a adaga à um centímetro da garganta pintada de terra de Tom Heffley, filho de Deméter.

– Eu vou acabar te matando um dia desses, Heffley. - Eu disse guardando a adaga.

– Mas é claro que vai... - Ele analisou as flores no meu pé enquanto comia uma barra de cereais. – Eu também ficaria ofendido se fosse ela. São hortênsias. Significam desprezo e frieza. Você acabou de demonstrar os dois agora.

Eu bufei.

– Eu disse o que ela merecia ouvir. E você estava ouvindo?

– Eu ouvi a conversa toda na verdade. Bem legal da sua parte da sua parte rejeitar a sua ex super gostosa pela minha irmã.

– Não é a primeira vez que eu tenho que fazer isso, e pra mim, a sua irmã é super gostosa.

Nós dois rimos juntos.

Do lugar onde eu estava ainda dava pra ver a Serena. Ela dançava de costas pra mim ao lado da fogueira e jogava grãos de cereais dentro dela.

– A propósito, Rodrick, eu já terminei o que você me pediu.

Eu arregalei os olhos para o Tom.

– Sério? Tão rápido? Faz só vinte minutos que eu te pedi. Você construiu tudo sozinho?

– Mas é claro que sim. Se fosse um dia normal levaria algumas horas pra ficar pronto, mas no equinócio de primavera, com a minha mãe feliz, o meu poder triplica.

Nota mental: Nunca puxar briga com os filhos de Deméter no equinócio de primavera.

– Obrigado cara! Eu nem sei como te agradecer...

– Não precisa. Eu fiz porque somos amigos, e também fiz pela Serena. Ela é uma boa pessoa.

– Ela é mesmo. E você colocou o que eu te dei onde eu te pedi?

– Coloquei. Agora só falta ela.

– Ok! Então eu vou chama-la...

 O Tom arrancou as minhas hortênsias e os narcisos da Heather pela raiz. "Devem ser sacrificadas à Perséfone.", ele disse.

Eu respirei fundo e caminhei lentamente até o amor da minha vida.

Chegar perto de uma existência pura e inocente como a Serena me deixava um pouco constrangido.

Mas apesar de ela ser boa demais pra mim eu a amava muito - ela me ajudou a melhorar.

Quando ela chegou no Acampamento eu era o típico filho de Ares: Briguento, esquentado, viciado em brigas, era egoísta, cruel e humilhava os outros por puro prazer.

Depois de três anos namorando ela, eu continuava briguento, esquentado e viciado em brigas, mas me importava mais com as pessoas ao meu redor.

Eu sabia muito bem que essas coisas ruins faziam parte da minha natureza como filho de Ares, nunca mudariam, mas antigamente namorar com a Heather também não ajudava muito. Ela era venenosa e manipuladora, e eu estava ficando igual a ela.

Se a Serena não tivesse entrado na minha vida, teriam narcisos crescendo aos meus pés agora.

– Ah é, e antes que eu me esqueça - falou Tom. - A Heather não estava sendo totalmente honesta sobre as margaridas da Serena. Elas também significam paz, bondade e afeto se você quer saber.

Eu não pude evitar de esboçar um sorriso.

– Idiota, eu não preciso de uma flor pra saber disso.


Notas Finais




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