História A loira do vestido - Capítulo 1


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Categorias A Garota da Capa Vermelha
Tags Amor, Ódio, Romance, Romance Policial, Suspense, Violencia
Exibições 4
Palavras 1.335
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction A loira do vestido - Capítulo 1 - Prólogo

Faltava muito para chegar na metade do livro e já era de se notar a familiaridade que tinha entre o personagem da trama e eu. Um homem sem jeito, desengonçado, alto e magro, mas a igualdade não estava nem sequer propositalmente nos traços, mas nas ações que tomava. Hesitante em momentos importantes, sempre deixou o medo fazer escapar suas chances na vida. Droga, como é estranho falar de alguém que não existe por alguém que existe estranhamente. Eu poderia ter sido um homem bem sucedido que sempre apareceu em capas de revistas famosas dando entrevistas sobre como me tornei bem sucedido, se não fosse por um detalhe: eu não levava o menor jeito. Minha saudosa professora Diana sempre dizia, no final de cada aula, que para ser bem sucedido bastava copiar os melhores. E eu sempre achei que meu pai era o melhor, até ele ser preso por estelionato, falsificação de documentos e apropriação indébita. Passou 8 anos na cadeia por ter praticado venda de terreno de outras famílias como se ele fosse o proprietário. Não me pergunte como fazia isso porque eu nunca entendi esse lance, mas ele fez, e nessa época o dinheiro entrava em casa como formigas entram no formigueiro. Eu tinha 9 anos quando tudo aconteceu. Vendemos a nossa antiga casa de dois quartos em Bela Vista e compramos uma maior, numa rua de bairros residenciais de classe média alta. A nova casa era um sonho para todos nós, não possuía muros, apenas cercas baixas que delimitavam o entorno. Composta por dois andares, 3 quartos, um jardim enorme, uma lareira para dias frios. Tudo estava indo tudo tão bem até que a polícia bateu à nossa porta e perguntou sobre o meu pai. Lembro-me de cada detalhe. Era verão, dia do meu aniversário de 13 anos. O bolo confeitado na mesa em meio a docinhos e copos coloridos de plásticos esperava a hora do parabéns para ser partido. Meu pai estava perto da porta traseira que dava acesso ao quintal de grama viva. Era tão verde. Era tudo tão claro e bonito como num dia ensolarado, ou como em um filme cheio de adolescentes em um carro na estrada curtindo suas férias no litoral. Eu corri para atender a campainha que tocava, esperando que fosse o primeiro convidado da festa. Descrevo esse momento quase que em câmera lenta, devido a minha tamanha radiação em ser o primeiro a abrir a porta. Eu queria estar lá para receber os meus amigos. Quando abri, fiquei confuso, sem ação ao ver um homem alto, de pele clara com um colete a prova de balas sobre uma camisa preta sem detalhes. Ele me olhou e percebeu que eu estava assustado, ele foi direto ao ponto e me perguntou se meu pai estava em casa. Se eu soubesse que seria para prendê-lo eu diria que ele não estava e dava um jeito de avisá-lo para que pudesse fugir. Não que eu concordasse com o que ele fez, mas acho que ninguém gostaria que seu pai fosse preso, ali eu sabia que muita coisa iria mudar, e mudou. Depois da prisão de meu pai, quase perdemos a casa. Eu confesso que nem sei como conseguimos nos manter diante de todo o acontecimento. Minha mãe havia conseguido um dos melhores advogados do estado, acho que foi isso que nos salvou de perder a casa. Mesmo assim perdemos muitas coisas, mas o principal foi nossa dignidade. Eu passei a ter vergonha de chegar sequer na calçada, parecia que o mundo inteiro me via como um criminoso. Era quase isso. Eu era o filho. E por mais que o tempo pudesse apagar a raiva que eu tinha de meu pai, eu ainda sentia saudade, ele era um herói para mim, até ser preso por agir de forma errada. Meu pai não matou ninguém, não assassinou nenhuma velhinha, não praticou pedofilia, não atirou em nenhum pobre coitado, ele fraudou. Mas não existe pecado menor ou maior. Eu estava pensando nisso quando algo me chamou a atenção no livro que lia. Eu já tinha chegado na página 80, e o personagem do livro havia recebido uma missão misteriosa que o fazia virar um detetive de quinta categoria. Ele recebia cartas que desvendavam seus próximos passos. O personagem nada carismático achava isso o máximo porque nada se tinha para fazer naquela vidinha medíocre que levava. Até que na página 42 a terceira carta havia chegado manchada de vermelho, a cor era tão vibrante e viva que não cabiam dúvidas de que era sangue. Ele ficou intrigado com aquilo e o medo o fez guardar a carta em uma gaveta empoeirada do seu quarto. Eu apenas pensava “agora sim, a história vai ficar boa!”, mas não cheguei a ler uma página inteira e cai no sono. No dia seguinte fiquei pensando na carta suja de sangue e imaginei o quanto seria legal se existisse um mistério para desvendar num lugar tão pacato como esse, no meio tempo em que meu pai ficou na prisão a única forma de nos mantermos vivos foi arrumarmos trabalhos. Minha mãe decidiu trabalhar em um escritório de uma amiga que lhe deu a oportunidade mesmo sabendo do caso de seu marido e eu consegui um emprego no único cinema de rua do bairro, todos os outros haviam virado Igrejas. Com a ajuda do meu tio, irmão de minha mãe, pudemos complementar a renda enquanto todos os nossos bens permaneciam bloqueados. Foi uma fase difícil, mas se não fosse a prisão de meu pai eu não teria conseguido o emprego no cinema, e se não fosse esse trabalho eu jamais poderia pensar em sair daquele lugar chamado “vila Velha”, que o próprio nome já dizia, não havia nada de novo, até surgir um ator famoso que passava para divulgar o seu novo filme de romance. A fila para conseguir um autógrafo percorria pela calçada em frente ao cinema, eu não queria um pedaço de papel com a letra de uma pessoa, o que eu iria fazer com aquilo? Eu não tinha papel, sequer caneta, a única coisa que eu queria era que todos fossem embora para que eu pudesse trocar uma das lâmpadas que estava queimada do filme em cartaz. Do meu lado uma jovem loira de cabelos escorridos segurava uma caneta e um papel e olhava o tempo inteiro para o tumulto que se formava em frente ao cinema. Pensei em como nunca havia visto aquela bela mulher pelo bairro e notei que ela estava triste, provavelmente porque não conseguia se aproximar perto do ator para pedir um autógrafo. Eu pensei em lhe dizer algo como “Nossa, quanta gente não é mesmo?”, mas preferi ficar ali, olhando-a vestir uma peça de roupa dos anos 60. Verdade que a moda ia e voltava, mas nunca vi uma roupa tão típica como aquela que ela vestia. Fui notando o anel, a presilha do cabelo, a sapatilha azul que usava, a sobrancelha desenhada, as unhas feitas, e então preferi parar por ali, porque algo dentro de mim parecia querer entender porque eu estava ofegante se nem sequer fiz força para colocar uma lâmpada, e quanto mais eu desviava o olhar mais de soslaio eu a via, e ela era linda. Mas o personagem do livro que eu lia jamais cometeria essa falha, porque não se pode falar com uma mulher tão linda a ponto de comentar algo tão banal sobre a quantidade de gente que havia no local, isso porque ele não falaria nada. Mas para minha própria surpresa eu falei, e percebi que não precisava ser o “cara do livro”, que aquilo de se parecer com um personagem fictício era besteira, e foi a partir daí que eu parei de ler aquele livro idiota e comecei a escrever o primeiro capítulo da minha própria história. O meu único problema é que eu nunca havia escrito uma e nem tão pouco sabia por onde começar, mas diferente do livro que lia, eu não queria mais saber de nenhuma carta suja de sangue.


Notas Finais


Se gostou, basta dizer que eu continuo a escrever...
Peço sua ajuda também para conduzir essa história, vamos juntos? Ate o 3° capítulo é comigo, o restante quero sua opinião. Até!


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