História A Maldição de Levítico - Capítulo 33


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Fanatismo, Preconceito, Religião, Romance, Tragedia, Violencia
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Palavras 1.175
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 33 - Minha nova casa


Dante

Me lembrei de pegar o saquinho de doce de leite debaixo do travesseiro antes de sair, pois era a única coisa que eu tinha que iria me remeter a ele, a única coisa que tinha o poder de me mostrar que o que tivemos havia sido real e não uma ilusão da minha imaginação fértil.

Coloquei-o no bolso sem que meu pai visse e deixei que me arrastasse até o carro, onde fiquei bem quietinho e sem provocar som algum durante todo o percurso.

Para a minha surpresa, fomos parar no prédio gigantesco e blindado de Christian Leal, o maior prédio de toda a ilha. Confesso que fiquei um pouco intimidado e até mesmo confuso, já que eu estava esperando no mínimo um hospital, onde se tinham médicos, e não a sede do cara mais importante do país.

 Passamos pelo portão repleto de seguranças e um deles nos acompanhou, sem nem questionar o estado deplorável no qual eu me encontrava.

Estava frio lá e eu só usava uma camiseta fina, os óculos tortos estavam com as lentes embaçadas e meu braço continuava colado ao corpo envolto com o pano branco que estava meio sujo de sangue. Pensei na dor que seria quando o lençol fosse tirado, pois eu podia sentir as feridas abertas grudando nele e isso só me deixou ainda mais enjoado.

Por dentro, o grande prédio era uma empresa normal, com pessoas normais. Uma bancada gigantesca com atendentes e seguranças espalhados por todos os lados e seguindo todos que entravam ali. Aquele não era o tipo de lugar para alguém como eu, não tinha nada de hospitalar ou reconfortante ali, era tudo frio e nada agradável.

Meu pai trocou algumas palavras com o segurança, mas me mantive calado por não ter entendido absolutamente nada do que disseram, só sei que depois estávamos indo para um elevador e ficamos uns bons minutos fitando as paredes metálicas e sufocantes dali.

Ele pressionou o botão do subsolo. O cara era gigante e não era de falar muito, usava óculos escuros como naqueles filmes de espionagem e um terno tão impecável que me senti um mendigo ao seu lado.

Olhei para o meu pai de soslaio, o pomo de adão fazia um volume quase absurdo em sua garganta, como se quisesse muito engolir em seco, mas tivesse um bolo intragável impedindo tal feito. Sua testa suava e ele olhava para todos os lugares menos para mim, embora parecesse ter total conhecimento do peso do meu olhar sobre ele.

  — Pai — tentei, quase o fazendo pular para o outro lado. — Talvez isso não seja necessário, quer dizer, a gente ainda pode dar um jeito. Não vou ficar com o Ângelo — acredite, doeu muito falar aquilo. — Posso ir para uma escola bem longe daqui, virar padre e ser um orgulho para você.

Meu discurso não soou tão convincente, porque ele nem moveu um músculo sequer, apenas permaneceu estático e imóvel ao meu lado, tão expressivo quanto uma estátua.

— Por favor — choraminguei, sentindo as lágrimas querendo escapar. — Eu só quero voltar para casa.

— Você não tem mais casa, Dante — cuspiu, entredentes. — Acho melhor você ficar calado, não tem o direito de falar, de dirigir essas palavras podres e repletas de pecado a mim. Você está doente, o mal que há em você não pode continuar exposto na nossa sociedade, o seu lugar é aqui, se tratando. Essa é a sua nova casa.

— A sede do presidente? É aqui que vou morar agora? — Não fazia o menor sentido para mim, porém, antes que ele pudesse responder, as portas de metal de abriram, revelando um ambiente completamente diferente do andar de cima.

Era um corredor longo e mal iluminado, as paredes eram esburacadas e o cheiro de urina e fezes me fazia querer vomitar, embora eu não tivesse quase nada no estômago para que pudesse fazer isso.

Ao longe, pude ouvir gritos que fizeram eu me encolher e tocar o braço do meu pai, que me deu um empurrão nada amigável em resposta. Era ainda mais frio, parecia uma caverna horripilante, nada parecido com lençóis brancos, médicos andando para lá e para cá com um bisturi e uma máscara. Não, eram apenas gritos de agonia e celas de metal compondo o corredor.

As barras das celas eram as únicas coisas novas e cada uma tinha um número cravado numa plaquinha ao lado dela. Olhando bem mais atentamente, forçando a minha visão míope, consegui ver pessoas bem encolhidas atrás das grades, como prisioneiras.

Será que eu estava sendo preso?

Meu pânico aumentou e ficou difícil continuar respirando. Apertei os lábios, tentando controlar a minha vontade de chorar, porque eu não queria ficar ali.

Eram homens assim como eu, encolhidos, uns berrando e batendo nas grades, outros com camisas de força andando de um lado para o outro como se tivesse um tique nervoso. Era uma mistura de prisão e manicômio e fiquei ainda mais apavorado.

O corredor era bem longo e ficamos andando por tanto tempo, que meus pés começaram a doer. Fiquei tonto com o cheiro que passou a ficar impregnado em minhas narinas. Não sei, mas parecia ainda mais forte conforme avançávamos.

Quando finalmente chegamos, demos de cara com várias portas brancas espalhadas em um quadrado perfeito, onde uma porta de vidro separava aqueles dois ambientes distintos. Era um espaço completamente diferente da caverna inabitável, havia um bebedouro, uma planta de plástico e algumas cadeiras dobráveis. Além disso, também tinha um balcão, porém, ao contrário do andar de cima, não havia ninguém atrás dele.

— Onde está Christian? — Meu pai finalmente se manifestou assim que o segurança nos conduziu para dentro e fiquei feliz pelo odor terrível da caverna estranha ter ficado para trás, o ar era bem mais agradável diante das portas esquisitas.

— O Sr. Leal está em reunião.

— Preciso falar com ele — De fato, eles ignoravam minha existência, era como se eu nem ao menos estivesse entre eles.

— Tem hora marcada? — O segurança estava inexpressivo, usando um tom formal e monótono.

— Não preciso marcar hora — Samuel o fitou, unindo as mãos enquanto endireitava a postura, como se quisesse parecer mais empoderado ou mandão. — Avise ao Christian que estou aqui, ele irá me atender. Tenho negócios a tratar com ele.

— Sobre o doente? — Algo me dizia que ele se referiu a mim e o desprezo com o qual falou, fez com que eu me sentisse bem mal, tanto que acabei me retraindo, querendo sumir.

— É — falou, sem dar mais detalhes.

Cada porta tinha o nome de um doutor e o segurança me encarou atentamente por trás dos óculos escuros, quase me devorando com o olhar antes de escolher uma das portas.

— O braço desse menino vai precisar de cuidados — disse, com a voz pausada e formal.

— Faça o que tiver que ser feito — respondeu meu pai, carrancudo e já sem paciência nenhuma.

O homem assentiu, batendo em uma das portas que dizia em letras garrafais:

DR. ROGER — SALA DE CIRURGIAS

Quando a porta se abriu, senti todo o sangue do meu corpo se dispersar, me deixando mais assustado do que nunca.

 

 

 

 

 

 



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