História A Marca de um Alfa - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), IKON
Personagens Bobby, Chanwoo, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Abo, Bobby Alfa, Chanbobby, Chanwoo Beta, Hoseok Alfa, Jikook, Namjin, Namjoon Alfa, Seokjin Ômega, Taehyung Ômega, Vhope, Yoongi, Yoongi Alfa
Visualizações 2.810
Palavras 5.356
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Luta, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Capítulo tá grande, espero que gostem, perdoem meus erros (eu preciso parar de escrever de madrugada :')

Boa leitura ♡

Capítulo 17 - A Troca de Herdeiro


Fanfic / Fanfiction A Marca de um Alfa - Capítulo 17 - A Troca de Herdeiro

A grossa camada de neve nas ruas não seria um empecilho para toda a aldeia se reunir naquela manhã. Por sorte, o vento fraco deixava o clima mais agradável, assim, os casacos e mantas eram suficientes para aquecer os ômegas ansiosos na espera dos alfas.

Jimin levantou a contragosto, sabia que seu humor não condizia com aquele dia, afinal, o Park deveria estar entusiasmado com  o retorno dos caçadores. Contudo, o ômega se sentia amedrontado com a possibilidade de não encontrar quem tanto esperou. O cheiro do mais novo nos lençóis não era suficiente para diminuir o aperto em seu coração.

Desde o pequeno desmaio do dia anterior Jimin tentava sentir a presença do alfa, no entanto, a ligação entre eles parecia não ter mudado. Isso significava um bom sinal, porém, o ômega continuava preocupado. Mesmo que Jungkook estivesse vivo, em hipótese alguma Jimin queria imaginá-lo gravemente ferido.

 

A entrada da aldeia estava decorada, apesar do cenário esbranquiçado, as bandeiras coloriam os muros da fronteira. Do lado de fora dos portões, muitas famílias faziam pequenas fogueiras para se aquecer, enquanto esperavam seus filho, maridos e irmãos.

— Nós devíamos ter vindo mais tarde, aqueles desgraçados passaram bem ali, vocês viram? — Comentou Seokjin, o ômega mais velho se mexia constantemente indo de um lado para o outro, olhando constantemente na direção  dos guardas.

— Sempre chegamos na mesma hora, sei que está cedo, mas não tem perigo. Todos da aldeia estão aqui agora, não vai acontecer nada. — Taehyung rebateu enquanto empilhava alguns galhos na fogueira.

Jimin ao contrário dos amigos continuava em silêncio, sem desviar os olhos do caminho entre as árvores por onde os caçadores chegariam. Não era a primeira vez que os três participavam daquela celebração, há alguns anos o Park esteve ali com sua mãe, assim como Taehyung e Seokjin já haviam ganhado peles dos seus alfas nos anos anteriores.

Todos sabiam que alguns caçadores não retornavam nos primeiros dias, principalmente os novatos, chegavam dois ou três dias depois do previsto. Esse ano não seria diferente, embora Jimin desejasse desesperadamente que seu alfa não fosse um dos atrasados.

Os pais dos três ômegas estavam presentes na celebração sentados próximos aos anciãos, os moradores mais velhos da aldeia que se voluntariavam a costurar as peles que os caçadores trariam. Apesar da saudade, os mais velhos não interferiam nas suas vidas depois de casados, o Park ainda não se acostumou com a distância da mãe, mas sabia que a senhora Park estava se esforçando para deixar o filho seguir o próprio caminho, como um filhote de lobo que desgruda da mãe para explorar o mundo além da montanha.

Jimin tinha que esperar sua nova família, essa que por enquanto era formada somente por ele e Jungkook.

 

Os olhares curiosos acompanharam o momento que o Líder Jeon passou pelos portões, cercado de guardas com a esposa em seu encalço. Desde o incêndio no armazém, o Jeon virou o assunto principal na boca do povo, contudo o Park e os outros somente ignoraram a presença do alfa.

Perto dos portões um grupo de músicos iniciou um ritmo animado, incentivando o povo a seguir o som dos instrumentos nas palmas. A família do Líder Kim distribuía sopa e bebidas quentes para o povo, enquanto as crianças corriam por todo o lugar.

Chanwoo chegou minutos depois trazendo mais cobertores para os ômegas se protegerem do frio, e fugiu antes que Taehyung o obrigasse a dançar consigo. O som das flautas e tambores parecia ficar cada vez mais alto com animação do povo, um grande círculo de ômegas se formou dançando no meio da clareira, porém, Seokjin e Jimin tentavam não demonstrar o desconforto que sentiam na espera interminável pelos alfas.

           

No alto da entrada principal, o grande relógio marcava dezesseis horas em ponto, e agora, até mesmo Taehyung esperava ansiosamente. A cantoria se prolongava um pouco mais, quando os primeiros caçadores apareceram no horizonte.

Os aldeões vibraram com gritos e aplausos recepcionando os alfas.

As famílias os aguardavam nas fogueiras, alguns felizes com peles de pequenos animais, outros um tanto quanto cabisbaixos por não ter encontrado uma presa decente. Assim, os primeiros alfas se aconchegaram com seus parentes, alguns recebendo curativos nos pequenos machucados.

Seokjin observava cada um dos rostos que chegava, mas logo se frustrou ao não encontrar nenhum sinal do loiro.

— O guia não deveria ser o primeiro a chegar? — Perguntou para quem quer que estivesse ao seu lado.

— Isso acontece em todos os anos, muitos alfas não esperam o amanhecer e saem da floresta à noite, por isso chegam mais cedo. — Disse Chanwoo tentando tranquilizar o ômega. — O seu alfa deve estar chegando com o bando, o guia sempre espera um número maior de caçadores antes de voltar. 

Ah, você tem razão. Eu não tinha pensado nisso. — O mais velho suspirou pesado.

 

Vinte minutos se passaram, era a primeira vez que Seokjin se sentia daquela maneira aflita na espera do alfa. Era a terceira caçada de Namjoon desde que se conheceram, porém, o ômega nunca se sentiu  dessa forma. Angustiado, preocupado, estressado.

Poderia culpar os hormônios da gravidez? Talvez ainda não fosse possível associar seu humor com uma gestação tão recente.

Contudo, a pequena vida que se formava dentro de si parecia implorar pela presença do pai, assim como, o lobo do ômega desejava seu alfa consigo, tinha algo errado com o loiro. Jin não conseguia mais esconder as lagrimas que se formavam no canto dos olhos, quando outra gritaria da aldeia se iniciou.

O ômega se antecipou na frente de todos, Namjoon era um dos maiores alfas do bando, seria fácil o ver e finalmente cessar sua agonia. Mas, não foi o que aconteceu.

O loiro não estava em lugar nenhum.

Taehyung sorriu largo vendo seu alfa na frente dos caçadores, porém, sua alegria foi se esvaindo quando notou o que acontecia mais atrás. Os alfas usavam suas jaquetas e camisetas amarradas em uma espécie de maca improvisada, carregando o corpo de Namjoon na direção da aldeia.

Jimin estaria tão chocado quanto os outros ao ver a situação do amigo, se seus olhos não estivessem ocupados na busca desesperada por aquela inconfundível cabeleira escura.

 

Taehyung foi o primeiro a alcançar o Jung, sem saber o que dizer. Notando o desespero do loirinho, o alfa abraçou o Kim brevemente.

— Não se preocupe. — Hoseok sussurrou segurando-o pela mão e indo na direção de Seokjin, esse que continuava parado no mesmo lugar sentindo um nó na garganta. — Ele vai ficar bem, o ferimento está quase todo cicatrizado.

O ômega mais velho soltou todo o ar de uma vez cobrindo o rosto com as mãos, Hoseok o conhecia há mais tempo que os outros, e sabia que Jin não era alguém que chorava fácil, e talvez aquela fosse a primeira vez que o Jung via o castanho aos prantos.

Seokjin correu para junto do loiro, acompanhando as pessoas que o carregavam para dentro da aldeia.

Taehyung envolveu o alfa em seus braços, e esse afundou seu rosto no pescoço do ômega, se sentindo aliviado por sentir o cheiro adocicado do outro.

— O que aconteceu? — Questionou nervosamente.

— Não vamos falar disso agora, Tae. — Respondeu abafado.

— Não vou deixar você voltar para aquela floresta, nunca mais, entendeu? — O Kim respirou fundo, e Hoseok por pouco não sorriu com o comentário do mais novo, entretanto, a realidade o atingiu. A voz falha que o chamou era a tudo que o alfa desejou não ouvir.

Hy-hyung... — Os olhos do Park estavam avermelhados demais, Hoseok não queria o encarar, mas foi inevitável.

— Sinto muito, Jiminie. — Era tudo que o mais velho conseguiria dizer sem desmoronar na frente de todos. — Eu... não sei como te contar isso...

Taehyung o fitou tentando entender do que o alfa falava, mas antes que o Jung explicasse, os olhos do ômega repousaram no primo, Jiwon, que carregava em ambas as mãos duas presas, notando que Jungkook não estava com os alfas. Apesar de serem somente filhotes, se tratava de ursos, o que já os faziam maior do que outros animais da floresta.

— Hoseok, vocês prometeram que não subiriam a montanha. — Disse sério. — Por que trouxeram ursos? O que houve?

— Tae, por favor. — O alfa respondeu cabisbaixo. — Aconteceu...

— Eu sei que ele vai chegar. — Jimin o interrompeu. — Ele só está atrasado.

O ômega suspirou baixinho, sorrindo sem humor, enquanto Hoseok o encarava sem reação. O menor continuou ali, com o olhar preso na estrada vazia.

— Jimin-ssi...

— O Gukkie não me deixaria sozinho, eu vou esperá-lo o inverno inteiro se for preciso.

Os joelhos do Park cederam, e mesmo que tentasse evitar, as lágrimas salgadas escorriam em seu rosto corado molhando a neve.

 

O resto da aldeia olhou para o centro da clareira onde o Líder Jinyoung se aproximava.

— Bem-vindos. Vejo que quase todos retornaram em segurança, como em todos os anos sempre tem alguns atrasados. — Falou em tom de zombaria. Hoseok cerrou os dentes reprimindo que um rosnado o escapasse, Jinyoung os encarou com sarcasmo enquanto o povo se entreolhou com desconfiança. — Talvez, os alfas que não chegaram precisem de mais dias para caçar algo decente. Não vamos esperá-los a noite toda nesse frio, certo? Ah, o encerramento deste ano será memorável. Acho que os dias na floresta são pouco...

— Onde quer chegar com essa conversa fiada? — Jiwon gritou ríspido.

O Jeon o fitou prepotente, o sorriso vitorioso não saía do seu rosto.

— Aos caçadores que não conseguiram trazer uma simples presa, aproveitem que já estão do lado de fora dos muros e deem meia volta.

— O quê? — Chanwoo falou alarmado.

— Jinyoung, não devemos fazer isso. — O Líder Kim se pronunciou se aproximando do outro.

— Lembre-se, Donghyun. — Jeon apontou para o peito do homem. — As leis da caçada ainda são minhas, eu escolho o que pode ou não ser feito. Eu sou o Líder e mando em todos vocês, quando aprenderem a ser caçadores de verdade um dia deixarei que retornem, pois, na minha aldeia não permitirei lobos domesticados.

— Eu não obedeço as suas ordens. — Hoseok respondeu firme. — Se nos quer fora daqui, terá que tirar cada um dos alfas a força.

— Acha que não farei isso? Vocês não conseguem caçar um mísero animal, acham que podem desafiar o Líder? — O Jeon gargalhou.

— Pare com essa besteira, ninguém vai obedecer essa ordem maluca. — Jiwon se pronunciou mais uma vez incentivando os protestos do povo.

— Não adianta argumentar, você não devia se preocupar com isso, já desperdiçou seu tempo caçando para um beta. — Os olhos do mais velho foram de encontro as presas nas mãos do Kim, estranhando ao notar do que se tratava os animais.

Como aqueles garotos conseguiram pegar filhotes de urso?

O Kim fez menção a avançar no Líder, com ódio nos olhos, mas Chanwoo foi rápido em o impedir. Jinyoung procurou ao redor por um momento buscando a presença do filho, contudo, nenhum sinal do herdeiro em canto algum.

Apesar da dúvida que surgiu na mente do Jeon, esse fingiu não se abalar.

— Por que pararam a música? Vamos celebrar, considerem como uma segunda despedida. — Debochou.

— Não vai conseguir expulsar todos esses alfas, velhote. — Hoseok rosnou. — Eu não deixarei.

— Você e qual exército, Jung?

O Líder Jeon girou nos próprios pés vendo os rostos derrotados do povo, os alfas que pegaram suas presas temiam o desafiar, e os poucos que não conseguiram consolava suas famílias sem opções para lutar contra as ordens do mais velho. 

Jinyoung mais uma vez se sentia realizado ao ver mais um dos seus planos dando certo. 

O velho sorriu do pobre Park longe de todos olhando para a estrada vazia na espera do alfa.

 

Contudo, os alto falantes da fronteira emitiram um ruído ensurdecedor por estarem sem uso há muito tempo. O som ecoou fazendo todos os lobos levarem as mãos aos ouvidos tentando bloquear o barulho agudo.

Uma penca de homens surgiu das árvores, assustando o povo ao bloquearem a entrada da aldeia. Os guardas do Líder foram detidos, muitos alfas protegiam suas famílias prontos para um confronto, enquanto Jinyoung observava confuso a movimentação dos homens desconhecidos.

As caixinhas de som velhas ainda funcionavam em quase toda a extensão dos muros, muitas delas estavam estragadas, no entanto, na frente do grande portão principal, as caixas de som soaram perfeitamente para que todos ouvissem.

— Esperem um pouco! Eu ainda estou ajustando os microfones. Estão me ouvindo bem? — A voz do alfa perguntou retoricamente para o povo confuso, Jinyoung o encarou incrédulo de ver aquele rosto presunçoso novamente. — Desculpem por todo esse barulho. Aqui é alto demais para que você alcançar, velhote? Sinto muito, acabar com as suas comemorações, mas todo mundo está cansado das suas ordens. Continuem ouvindo, eu preparei um som especial para essa festa.

“Que se dane o povo, o que importa é o dinheiro. O líder Jung era um idiota, sempre alimentando esses inúteis, e o que eles fizeram? Deixem todos morrer de fome, saíam das cabanas e cacem alimento se quiserem sobreviver”.

Todos os olhares se voltaram espantados para o Líder. A voz de Jinyoung era inconfundível depois de todos aqueles anos na liderança da aldeia, não havia dúvidas de quem era aquela confissão.

“Mandei matar metade daqueles lobos, e outros eu mesmo cuidei e larguei cada corpo na floresta. O Líder Kim é outro idiota que me rende um bom dinheiro”.

— O que estão esperando? — Berrou na direção dos guardas. — Desliguem esse maldito som.

“É só fingir deixar o Kim liderar um pouco, enquanto uso a fortuna dele para pagar minhas contas. Os lobos são burros, domesticados, e merecem ficar sem cada centavo que eu tiro das doações”.

Alguns guardas ainda fiéis ao Jeon, fizeram menção a subir, porém, a entrada da estreita escada estava bloqueada pelos alfas aliados do Min.

— Isso é mentira! — Jinyoung se voltou ao povo. — Estão armando um golpe contra mim, todos eles são traidores!

As pessoas se entreolharam, embora ninguém acreditasse na inocência do homem, todos estavam irritados, os alfas rosnaram e miraram o Líder de forma ameaçadora.

— Como se sente provando do seu próprio veneno, Líder? — Jinyoung grunhiu irritado fuzilando o outro alfa com os olhos.

— Você, garoto idiota! — Esbravejou. — É um traidor. Está tentando colocar todos contra mim. Não acreditem nele, foi esse alfa  que incendiou meu armazém, vocês confiam em alguém assim?

— Suas acusações de traição não parecem ter a mesma credibilidade de antes, velhote! Todos conhecemos essa sua voz irritante.

— Pare, mentiroso ingrato! — Jeon olhou em volta. — Eu cuidei de tudo aqui, durante anos dediquei meu tempo para atender os pedidos de vocês. Deixei essas crianças nojentas viverem aqui, depois de tudo… — Cuspiu na direção dos Jung. — Ficaram contra mim?

— Cale a boca, Jeon! — O Líder Kim ordenou. — Eu deveria acabar com a sua vida aqui mesmo, seu rato imundo.

Jinyoung sorriu presunçoso ao encarar o Kim.

— E você, acha que é alguém digno para mandar em mim? Sua família estúpida se multiplicam como coelhos, se espalhando por toda a minha aldeia. — Jeon enfatizou convicto que o lugar lhe pertencia. — Os Kim não passam de lobos mestiços. Não existe nada de lúpus no seu sangue, sabe porquê? Porque vocês se misturam com qualquer um...

A voz do alfa foi cortada quando o Líder Donghyun se aproximou o socando.

Jeon cambaleou sorrindo, mesmo com o canto da boca agora cortado. Estava pronto para revidar o golpe do Kim, quando o rebuliço da aldeia desviou a atenção de todos na direção da estrada.

Jinyoung levantou-se esquecendo de tudo ao seu redor. Até mesmo o outro Líder Donghyun não acreditava no que estava vendo.

— Maldito seja. — Jeon rosnou alto.

Yoongi deixou o microfone cair, pois, nem mesmo o vidente conseguiu prever aquele momento. As pessoas se entreolharam perguntando umas às outras se o que estavam presenciando seria uma miragem. Hoseok pela primeira vez desacreditava no que sua visão aguçada estava enxergando, porém, não deixou de sorrir contente ao ver quem chegava.

 

O alfa havia levado uma grande pancada, pois, não era todos os dias que ele costumava se jogar de uma montanha a baixo. O ombro se curava lentamente depois de uma fratura exposta, afinal, alguma consequência ele sofreria depois de um salto para a morte.

Apesar das suas pernas parecerem mais firmes, seu tronco era segurado pelo outro para não cair caso fraquejasse. Durante o caminho, o rapaz imaginou se não estaria fazendo algum tipo de passagem para o além, de tanto caminhar sem chegar a canto algum resmungando com o irmão mais velho vez ou outra.

Seus olhos mais uma vez confusos procuravam reconhecer o local, porém, tudo continuava esbranquiçado demais, os galhos secos, o vento frio. Jungkook finalmente se convenceu que estava morto, seus pés descalços afundando no meio de tanto branco eram sem dúvidas o céu, pois, o anjo mais bonito que poderia existir corria desenfreado em sua direção.

Jeon sorriu abobado.

Apesar dos seus atos corajosos, ele não se considerava um herói para ser recepcionado por um baixinho de moletom azulado e cabelo rosinha um pouco desbotado. Se soubesse que no céu os anjos pareceriam com Jimin, com certeza Jeon teria morrido mais cedo.

Se bem que, a dor que sentiu ao ser apertado pelo menor parecia real demais para uma alma penada. A voz embargada que não parava de repetir seu nome também não parecia ser normal, pois, anjinhos não deveriam chorar daquela forma.

Jungkook despertou notando que o anjo sem asas era real, era o seu Park Jimin em carne e osso. Jeon estava vivo, e conseguiu voltar para o lugar mais importante em sua vida, voltou para os braços do seu ômega.

O lobo do Park estava tão feliz que podia correr pela floresta como um louco. Jungkook estava ali, inteiro ao alcance das suas mãos, respirando e retribuindo seu abraço.

— Acho que isso é seu. — A voz rouca do outro alfa chamou a atenção de Jimin.

Se todos na aldeia olhavam espantado para o animal desde que os alfas apontaram no horizonte, Jimin só notara aquela pele gigantesca agora. Estava tão alvoroçado para alcançar seu alfa, que não percebeu o urso que os dois carregavam.

O menor olhou assustado, reconhecendo o rosto familiar de JunHoe, irmão mais velho de Jungkook, que largou o animal abatido ao lado do ômega.

— O-o que? — Balbuciou confuso. — O que é isso?

— Essa é a pele que o seu alfa trouxe para você. — Jimin o olhou incrédulo ouvindo a barulhada da multidão atrás de si.

JunHoe abriu um largo sorriso vendo a expressão desacreditada do menor.

Jungkook repousou a cabeça do ombro do ômega, o lobo do Park se sentia honrado, porém, sua consciência humana queria bater em Jeon por ser tão irresponsável. Era a primeira vez que Jimin via um urso de verdade, e ele não era o único, a maior parte da aldeia estava perplexa.

 

Uma voz mais alta se fez presente entre o povo.

— Você, como ousa retornar para essa aldeia? — Jinyoung rosnou seco para o filho. — Você deveria estar morto.

JunHoe não perdeu o sorriso do rosto fitando o mais velho ao dizer.

— Vim deixar meu irmão em casa, papai.

— Veio me desafiar, moleque? Lembre-se que foi você que abandonou seu lugar de herdeiro, não o terá de volta mesmo que tente.

— Essa luta não é minha, não vim aqui resolver as coisas na força. 

— Talvez o seu irmãozinho querido possa me desafiar. — Provocou.

Jungkook mesmo cansado, se afastou minimamente dos braços do Park, encarando o mais velho.

— Desafiando um alfa machucado? — Hoseok riu sobrado, alto suficiente para que todos ouvissem. — Onde está a sua honra? Que tipo de Líder faz algo assim?

— Claro, como pude esquecer. — Jinyoung se voltou para fitar o Jung. — Você deve entender muito bem sobre o assunto, afinal, é filho de um líder fraco.

— Nossa família não nasceu para liderar a aldeia, não nessa geração. — Disse JunHoe. — Pare de agir feito louco e admita a verdade.

— A verdade que vocês dois são filhos inúteis, jogando fora todo o meu esforço, eu lutei por uma vida melhor. E o que vocês fizeram? Se atracaram com os Park. — Jeon segurou o braço da esposa, essa que continuava ao seu lado de cabeça baixa. — Eu deveria te matar, mulher estúpida, você os criou assim, como menininhas. Filhos alfas não me serviram para nada! Preferia que você fosse uma ômega infértil, só assim eu teria te trocado antes dessa decepção. — Disse se referindo aos filhos.

— Deixe a mamãe em paz. — JunHoe se intrometeu.

— Vá embora da minha aldeia. — Jinyoung arrastou a mulher. — Todos vocês, fiquem fora da minha aldeia.

— Largue a minha mãe! — JunHoe correu na direção do pai fazendo-o soltar a mulher. O moreno protegeu a senhora atrás do seu corpo.

Jeon se afastou dos filhos, e sorriu com deboche.

— Eu deveria entregar meu lugar para esse menino? — Apontou para Hoseok. — O que estão olhando? — Gritou assustando o povo ao redor. — Lobos nojentos, eu vou matar todos vocês, o primeiro será você, Min Yoongi! — O alfa berrou na direção dos muros para o outro, esse que apenas acenou de volta sem se importar, assistindo ao show de cima.

— Pare de fazer escândalo. — O Líder Kim finalmente resolveu intervir.

— Pare de tentar mandar em mim, Donghyun.

— Não o queremos aqui. — A voz de Taehyung chamou a atenção de todos. — Você é um monstro, não precisamos da sua liderança.

Jinyoung gargalhou em descrença.

— Seu ômega petulante. — Rosnou, fazendo o loiro se encolher.

— Não rosne para ele. — Avisou Hoseok entredentes.

— Venha aqui Jungkook, me desafie. — Provocou ignorando os comentários ao seu redor. — Se acha invencível agora?

— Espero que entenda o quanto meu ômega vale para mim. — Jungkook o respondeu ríspido. Os olhos do Líder avaliaram o animal morto no chão, e fitaram o Park em seguida. Jinyoung engoliu as palavras, pois, não tinha como ofendê-lo. Era inacreditável, toda a sua armação para atrapalhar o filho terminou com o garoto trazendo o maior troféu da caçada.

Jimin se sentiu acanhado com todos os olhares direcionados para si, contudo, era a maior honra que o ômega poderia receber. Jungkook o segurou, envolvendo-o em seus braços. O Park deixou alguns sons manhosos escaparem dos lábios, sem se importar com toda a aldeia os assistindo.

Jinyoung rosnou enraivecido, pisando firme na direção do filho mais novo. Porém, antes que um dos alfas interviesse, Taehyung surgiu na sua frente do alfa, o impedindo de passar.

— Onde pensa que vai? Acha que vamos acreditar nas suas mentiras novamente, sua opinião não fale mais nada aqui. Fique longe do Jimin, suma das nossas vidas, velho maluco.

— Saía do meu caminho, vadia. — Jinyoung rosnou acertando um tapa na cara do Kim.

 

O silêncio que se formou no local deixou todos paralisados.

O rosto de Taehyung permaneceu virado, sem forças para voltar a olhar na cara do homem, esse que permanecia com a mão levantada depois de desferir um tapa no rosto do ômega.

Toda a lateral do rosto do Kim estava avermelhada, os olhos marejados não eram por causa da forte ardência, mas sim por conta do seu orgulho.

Chanwoo olhou para o irmão, segurando o braço de Jiwon por impulso. A tensão tomou conta do lugar, Chanwoo sabia que ninguém poderia impedir o que estava prestes a acontecer. JunHoe engoliu em seco se afastando com a mãe em seus braços, enquanto Jungkook se pôs na frente de Jimin, como se o protegesse do perigo.

Muitos lobos se perguntavam o que estava acontecendo, até mesmo o Líder Jeon virou-se com cautela perdendo qualquer vestígio de arrogância que ainda existia em seu rosto ao fitar a pessoa para quem todos olhavam espantados.

Taehyung estremeceu levando as mãos ao local atingido. O orgulho do ômega estava ferido, e Hoseok sentia o lobo do outro constrangido.

Por mais independentes e fortes que fossem ômegas como Taehyung, em hipótese alguma, estes deixariam ser tocados por outro alfa ou beta que não fosse o seu companheiro. O próprio Líder Jeon sabia que o que fizera foi errado, embora o alfa não se importasse com seus atos sujos, ninguém esperava ver aqueles olhos.

Os olhos azuis pareciam brilhar ainda mais em puro ódio.

A presença de Hoseok estava deixando até mesmo outros alfas intimidados. O cheiro se espalhou rapidamente fazendo todos fraquejarem. Era uma essência ameaçadora que, querendo ou não, deixavam os lobos acuados diante de si.

Ninguém… — Seu timbre parecia ter duplicado o que fez todos os ômegas se encolherem. — Ninguém toca no meu ômega.

Taehyung correu na direção do alfa se encolhendo em suas costas como uma criança indefesa. As narinas do alfa inflavam a cada respiração. Hoseok estava perdendo o controle sobre seu lobo interior.

Jimin correu puxando Taehyung consigo.

— O que foi? Ficou com raiva, Jung? — Jinyoung disse tentando soar superior.

— Se transforme. — Hoseok ordenou dando um passo na direção do homem.

O povo se afastou assustado, alguns correram na direção do portão de uma única vez e o tumulto se iniciou. JunHoe levou a mãe na direção do irmão, os dois se afastaram com os ômegas, porém, continuaram encarando a cena de longe.

 

— O que está acontecendo, hyung? — Jungkook questionou olhando para JunHoe. — Nunca vi ele assim.

— Seu amigo é um lúpus, Gukkie-ah. — Os dois se entreolharam e JunHoe não precisou explicar o motivo de tanto espanto, pois, Jungkook sabia que o aquilo não acabaria bem.

 

Hoseok se transformou, assim como o Jinyoung. Os olhos azuis do alfa mais novo cintilavam de fúria.

Yoongi surgiu correndo ao lado de Jungkook, o mais novo o olhou preocupado, porém, o Min apesar o disse para esperar. Todos temiam que o Jung subestimar as habilidades do Líder, pois, apesar de tudo Jinyoung era o melhor guerreiro da aldeia.

Hoseok o estava desafiando formalmente na frente de todos, não era por liderança que o Jung lutaria, mas assim ele poderia revidar a marca de dedos deixadas no rosto do seu ômega.

Jinyoung rodeou o Jung, esse que não desviava os olhos dos movimentos do adversário.

O Líder atacou Hoseok com agilidade, fazendo com que o alfa moreno se mantivesse na defensoria. O mais velho iniciou uma sequência de golpes com as garras afiadas, obrigando Hoseok a se esquivar todo o tempo.

Jinyoung agia de forma desesperada, tentando acertar a todo custo um ataque certeiro, porém, a estratégia não parecia estar funcionando como gostaria.

No último golpe, o mais novo se movimentou um pouco mais rápido, girando o pescoço para morder a pata do Líder.

O grunhido do Jeon escapou alto, se afastando subitamente. Os lobos circularam a clareira antes de correrem um contra o outro, em uma luta corpo a corpo. Cada um tentava se morder e fincar as garras na pele do outro.

A diferença de idade não era desvantagem para o Líder, embora Hoseok possuísse mais força, Jinyoung conseguia se desvencilhar rapidamente das investidas. Contudo, começava a ficar complicado  para o Jeon aguentar os golpes pesados do Jung.

Hoseok não era um guerreiro experiente, era notável a falta de precisão em seus ataques, entretanto, ele naturalmente possuía mais força, o que em um confronto como aquele não favorecia para o Líder continuar atacando com a mesma intensidade de antes.

Assim, quando o Jeon fez menção a se afastar, Hoseok insistiu em manter aquela disputa no chão, onde sua vantagem surtia efeito.

Jinyoung ofegou começando a demonstrar cansaço, precisava levantar e tentar um ataque eficaz com o auxílio da sua agilidade, porém, a confiança do Jung estava aumentando e o Líder ficava mais lento.

O velho girou no ar se chocando contra uma das árvores, o povo correu quando a madeira caiu para o lado dos muros e o corpo do Líder para o outro.

Jinyoung perdeu sua forma lupina caído atordoado.

O grande lodo de pelagem escura caminhou até uma manta esquecida no chão, com o focinho Hoseok jogou o tecido sobre o corpo, voltando a sua forma humana.

— O que está esperando? — Jinyoung cuspiu seco, gargalhou presunçoso sem se abalar com as fortes dores. Hoseok se agachou erguendo a cabeça do mais velho pelos cabelos.

— Você sempre gostou de humilhar as pessoas, como se sente sendo humilhado agora? Acha que eu vou matá-lo? — Questionou vendo o sorriso do outro sumir.

— O quê?

— Seria fácil demais acabar com você. — Jinyoung o encarou irritado. O homem estava se rastejando como uma barata, capenga depois da surra, enquanto Hoseok sequer parecia ter se arranhado, nem mesmo os cabelos do Jung saíram do lugar, ao contrário do Jeon jogado na lama.

— Não tem coragem de matar, como quer ser um Líder, moleque?

— Seu lobo está se retorcendo de raiva, não é mesmo? — Hoseok questionou sorrindo largo. — Quer morrer como um guerreiro orgulhoso, mas eu não vou te dar essa honra.

Hoseok arrastou o homem para o centro da clareira onde todos os olhavam. Jeon grunhiu tentando se soltar, mas o Jung apenas o largou no chão.

— Me mate! Eu ordeno, acabe logo com isso e se vingue de uma vez por todas... — O Jung o calou com um tapa, Jinyoung sentia as marcas dos dedos latejando em seu rosto.

 

— O que ele está fazendo? — Chanwoo questionou confuso como muitos estavam. — Por que ele não o mata?

— O Líder vai ser humilhado na frente de todos. — Explicou Jiwon. — Qualquer um preferiria morrer depois de uma luta como essa, não existe desonra maior para um alfa do que ser poupado por um inimigo.

           

O Líder Jeon segurou a perna de Hoseok, esse que o afastou sem muito esforço.

— Termine isso de uma vez, moleque. — Rosnou. — Me mate agora!

— Por quê? Não gosta de ver o povo aos seus pés, acha mesmo que eu deixaria você morrer assim? — Hoseok o chutou. — Rasteje diante de mim, Líder, ou devo chamá-lo de Líder exilado.

Jeon grunhiu em indignação esmurrando o chão.

— Pare!

Hoseok segurou o rosto do homem o fazendo encarar a multidão.

— Quero que viva para ver todos que você machucou felizes, quero que veja o meu pai voltando para o seu lugar de direito, de onde ele nunca deveria ter saído.

Hoseok o colocou de joelhos e cravou as presas no pescoço do Líder.

Muitos alfas baixaram o olhar, mesmo que JunHoe e Jungkook carregassem mágoa do homem, não poderiam ver seu pai ser marcado. Era uma cena horrível para os alfas orgulhosos.

Há muitos anos os lobos não viam uma cena como aquela, pois, uma briga por lideranças não acontecia desde os tempos de guerra. Diferente da ligação entre ômega e alfa, Hoseok não estava se ligando ao outro, ele estava dilacerando qualquer vestígio do lobo mais velho.

Os únicos capazes de marca outro alfa  daquela maneira eram os lúpus.

Ao sentir a marca do Jung em si, os olhos de Jinyoung se esbranquiçaram brevemente, toda a sua essência lupina parecia ter deixado seu corpo, e de fato o deixou. O lobo interior do Líder perdeu toda a força se acuando abruptamente.

O velho Jeon nunca mais se transformaria, se sentiria inválido como se sua alma tivesse sido arrancada de dentro de si, por não conseguir mais sentir seu lobo.

Jinyoung caiu de cara no chão quando os caninos do lúpus o abandonaram, seu corpo parecia ter sucumbido, no entanto, ele continuava vivo com os olhos vidrados sentindo todo o seu interior vazio.

Hoseok cuspiu no chão ao lado do homem, extravasando tudo o que sentia com um forte grito.

Taehyung correu até o Jung, segurando o rosto do alfa entre as mãos. Os olhos de Hoseok pareciam atordoados, e sua respiração pesada foi se normalizando aos poucos ao fitar o ômega.

Com os olhos castanhos de volta o alfa observou o Kim por um longo momento, assimilando tudo o que aconteceu.

Estava acabado. Depois de todos esses anos se esquivando das suas origens, mentindo sobre quem ele era, escondendo sua capacidade para não prejudicar a vida de quem ele mais amava, seu irmão Chanwoo, seu ômega, seus amigos.

Com os olhos marejados e o leve sorriso que surgia no canto dos lábios, o Jung sentia ter se livrado de um grande peso.

Hoseok nunca planejou tomar seu lugar por direito, sonhava em ver seu pai de volta a aldeia sendo reverenciado por todos novamente, contudo, mesmo que não fosse seu pai ali, o sonho parecia ainda mais incrível.

— Saúdem o novo Líder, Jung Hoseok. — A voz de Yoongi o despertou, ecoando na clareira.

 

E toda a aldeia se ajoelhou diante do alfa.

 


Notas Finais


TCHAU LÍDER JEON, JÁ FOI TARDE!

(1) Jungkook já pode entrar na lista dos atrasados para o ENEM.
(2) Todo mundo achou que o irmão do Kookie ia tomar o lugar do pai, mas na verdade ele era paz e amor, quem lutou foi o Hobi mozão!!
(3) Jiwon, é aquele amigo que coloca mais lenha na fogueira. Todo mundo calado e ele "GRITA AI PESSOAL"
(4) Algumas pessoas comentaram do urso, e agora eu posso dizer que eu pensei no urso desde o começo KKKK
(5) Namjoon vai ficar bem, sinto muito pelo susto, muita gente preocupada, mas a partir de agora só alegria.

Eu sei que muita gente queria que o Líder morresse (todo mundo torcendo contra), mas eu achei que ele merecia um final diferente, depois de fazer tanta gente sofrer, ele precisa pagar por tudo.
A Marca de um Alfa, ganhou um novo significado agora, antes a marca do Jungkook salvou a vida do Jimin, e agora a marca do Hoseok condenou o Líder Jeon.
Cheio de marcas essas história, kkkkkkkjjk enfim, demorei porque eu queria colocar um ponto final nessa parte dramática da história, e caminhar para o desfecho... pois é, não fiquem tristes ainda, mas a o fim está próximo :')

Até o próximo! Saranghae ♡


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