Hist√≥ria A Marquesa ūüĎĎ - Cap√≠tulo 17


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Fugaku Uchiha, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Juugo, Kabuto, Kakashi Hatake, Karin, Konohamaru, Madara Uchiha, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Orochimaru, Rock Lee, Sai, Sakura Haruno, Samui, Sasuke Uchiha, Shion, Shizune, Suigetsu Hozuki, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Exibi√ß√Ķes 105
Palavras 3.144
Terminada N√£o
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
G√™neros: Drama (Tragédia), Festa, Hentai, Mistério, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 17 - Uma boa ação



Na manhã seguinte, depois do desjejum, Sasuke trouxe uma lista dos principais eventos intelectuais que teriam lugar nas semanas seguintes.

Haveria palestras, uma mostra de esculturas da Renascença, além de uma aula sobre migração dos pássaros. Também seriam apresentadas atrações  literárias e musicais.

— Eu poderia atuar como uma patronesse de artes — Sakura comentou.

— Se quiser... — Sasuke não demonstrava nenhum sinal de que teria passado a noite em programas de libertinagem. — Poderíamos caminhar até a residência dos Uzumaki. Não é longe daqui, e o dia está agradável.

No trajeto, ambos se mantiveram em silêncio, sem assunto.

— Estou ansiosa por mais notícias do conflito.

— Os boatos são péssimos, minha cara. As informações datam de quatro ou cinco dias. Dizem que os aliados receberam ordem de marcha. E que Hanzõ foi  morto por seus homens. Tudo negado pelo Ministério da Guerra.

— Será possível evitar uma grande guerra?

— Não, a menos que alguém mate o corso. Parece uma loucura que a ambição de um homem possa causar tanta destruição e a perda de um sem número de vidas... Nosso grupo conserva a amizade desde os tempos de escola. Naruto, Neji, Juugo , Sui, Shikamaru... Éramos doze. Apenas dez estão vivos. Sui perdeu o braço. E tudo graças ao maldito corso.

— Sui foi ferido no País do Trovão, e não por causa de Hanzõ . Aliás, os homens não precisam de muitas desculpas para fazer guerra.

Sasuke  irritou-se, mas depois riu.

— Não vou me prender a uma discussão desse tipo agora. Estou contente que tenha sugerido a visita aos Uzumaki. Gostará muito de Hinata, embora ela não seja uma intelectual. E Naruto quase nunca sai perdendo em uma discussão.

— Por acaso ele é algum gênio?

— Não sei bem o que é. Nunca frequentou uma faculdade. Naruto gostava muito de viajar, e esteve nos lugares mais inóspitos. Sua cultura é abrangente, e qualquer conversa com ele pode atingir níveis imprevisíveis. Uma vez o vi reduzir um pároco à incoerência. Nem mesmo sei se é cristão.

— Santo Deus!

— Será que a assustei, minha querida? Não sabia que tinha mente estreita.

Sakura, atônita, admitiu que ela e tia Tsunade jamais haviam questionado a cristandade.

— Não se trata disso. Mas o que Naruto é, afinal? Sasuke não respondeu. Após alguns minutos, chegaram a uma casa grande com um jardim muito bem cuidado, e o marquês bateu na porta. Um mordomo muito alto e forte veio atender.

— Seja bem-vindo, milorde. Os patrões se encontram.

— Ótimo. Minha querida, este é  Hideo, apreseto-lhe minha esposa, lady Sakura.

— Prazer em conhecê-la, milady. — O mordomo fez uma reverência respeitosa.

 Sasuke levou Sakura até uma grande sala de estar que parecia mais o salão da escola da srta. Senju. A maioria dos presentes eram homens.

Nauto Uzumaki, sentado no chão ao lado de dois rapazes, um ruivo Gaara e outro de óculos escuros Shino, pareciam brincar com um soldado de madeira. Um homem com um cachorro encontrava-se junto a uma mesa Kiba, escrevendo. Sui, Hinata e uma moça grávida Temari divertiam-se com um bebê  lindo. Um cavalheiro moreno tocava piano Iruka. Este, ao ver os recém-chegados, tocou uma imitação de fanfarras.

No mesmo instante, todos se viraram para eles e correram a abraçá-los. Uma grande e estranha família.

Hinata arrebatou Sakura do grupo.

— Não se preocupe, não lembrará mesmo quem é quem. Venha conhecer Himawari. Ela é muito mais educada que a maioria — disse.

Sakura  sentou-se no sofá, ao lado de  Suigetsu, que lhe sorriu.

— Está com ótima aparência, Sakura. Senti muito não comparecer ao, casamento. Foi devido a problemas em minha propriedade.

Sakura sabia que se tratava de uma desculpa. Talvez por estar casada, Sui não expressou nenhuma intenção de flerte.

—Sentimos sua falta, sr. Suigetsu.

 —Pelo amor de Deus, trate-me por Sui! 

Sakura achou graça da expressão de fingida zanga dele. 

—Olá. Sou Temari,—a moça que segurava a criança se apresentou. — Esta é Himawari. Eu gosto de segurá-la. Tenho esperança de que ela ensine um pouco de decoro a meu bebê. Meu marido é Shikamaru, ele está no comando de um batalhão , ele faz parte da inteligência .

Sakura observou a barriga de Temari, e percebeu que apesar do marido está na guerra sentiu segurança nas palavras dela e não sofrimento .

— O que eles estão fazendo?

A explicação coube a Hinata

— Gaara, o rapaz ruivo, você  ja o conhece, trouxe   aquela coisa de presente para Himawari. É inadequado para uma menina, mas Naruto afirmou que Hima poderia muito vir a ser um soldado, no futuro. Veja que horror! O brinquedo caiu da mesa e quebrou o mosquete. Agora fica restrito ao solo.

Alguém soltou a corda, e o granadeiro saiu para a frente e em segundos caiu de nariz para baixo. Himawari deu um gritinho, engatinhou para pegar o brinquedo e foi contida pelo pai.

— Nada disso, doçura. Não se deixe levar por soldados feridos. Eles têm sido a ruína de muitas jovens. — Naruto sorriu para Sui, com naturalidade, e depois para Sakura, por cima da cabeça da filha. — Seja bem-vinda. Qual forma de insanidade mais lhe agrada? Estamos aqui para satisfazer a todas.

— Nem sei. Acho que gosto da sanidade. Naruto entregou-lhe Himawari.

— Fale com ela. É a única normal aqui dentro.

Sakura nunca segurara uma criança no colo, e a menina acomodou-se de imediato.

— Ela é adorável, Hinata.

— Himawari foi um presente divino, Sakura. Mas deve estar com fome e com sono. Se quiser subir, poderemos tomar chá de maneira civilizada, enquanto minha nenê  se alimenta.

Sakura e Temari concordaram ao mesmo tempo.

Hinata tomou a filha no colo e levou-a até Naruto, que a beijou.

— Durma bem, doçura.

Himawari sorriu sem entusiasmo e voltou-se para a mãe. Na certa, a fome apertava.

Sakura não tinha nenhuma experiência familiar, e jamais imaginara um pai amoroso como Naruto Uzumaki.

— Aprenda como tratar de crianças — Sasuke recomendou, com malícia. — Quero uma tão encantadora e bem-educada como Himawari.

— Pensei que quisesse um herdeiro .

— Essa é a ideia do duque. Eu espero uma porção de meninas iguais a Himawari. Depois, um herdeiro para os Uchiha.

— É uma lástima que os homens não possam carregar e dar à luz os filhos. Assim, dividiríamos os encargos. — Sakura aproveitou as gargalhadas para subir, ao lado de Temari e Hinata.

— Uma boa resposta — Hinata elogiou-a. 

— Os homens acham que gerar filhos é tão simples como fazer pão. — Dirigiu-se ao mordomo, que entrara. — Hideo, leve chá a meu quarto e depois veja o que os cavalheiros desejam.

— Atenção, cavalheiros — Naruto falou, depois que as damas saíram da sala.

Os seis voltaram-se para ele.

— Hina Chan odeia falar de Orochimaru e não gosta que eu mexa de novo no vespeiro. Mesmo assim, não podemos deixar esse miserável sem uma lição. Todas as evidências deixam claro que ele voltou mais rico. Acredito que deve ter roubado de Koyuki Kazahana  a maior parte da fortuna conseguida de maneira fraudulenta. O que não deixa de alegrar-me, mas não me agradou vê-lo enriquecer. Orochimaru  é do tipo que usa o dinheiro para o mal.

— O que poderíamos fazer? — lorde Iruka, o pianista, perguntou.

— Não sei, Iruka. Pelo que pude descobrir, Orochimaru  não deixou nada em nenhum banco, nem fez investimentos. Acredito que deve ter transformado tudo em ouro, que guarda em sua casa.

— Vamos roubar tudo?

— Claro que não, Sui. Somos homens respeitáveis e temos aqui um membro do Parlamento. Kiba voltou a seus papéis.

— Sou surdo e mudo.

— E então, Naruto? — Sui indagou.

— Orochimaru contratou uma equipe de trabalhadores braçais assim que voltou para o Som. Eles o protegem muito bem. Seria tentador roubar tudo, mas isso só serviria de pretexto para Orochimaru levar-me a julgamento. Tenho de usar de meios mais sutis.

— Há rumores de que ele pretende usar parte da fortuna para comprar uma noiva.

— Mais um motivo para deixá-lo sem um centavo, Gaara — Naruto insistiu. — Os gostos dele são dispensáveis até para as prostitutas decadentes.

Kiba, o membro do Parlamento, recuperou as faculdades auditivas.— Há poucos meses, o crápula esteve envolvido na morte de uma jovem. Ela foi torturada. Recém-chegada do campo, era tão inocente quanto uma criança. Contudo, nada foi provado contra Orochimaru .

— O dinheiro deve ter rolado em quantidade — Sasuke comentou, irado. — Orochimaru é mesmo da pior espécie!

— Daremos um jeito nele. — Naruto meneou a cabeça. — Sem pressa.

Ele consertou o soldado. Com um zumbido, o pequeno granadeiro começou a marchar, virando a cabeça para a direita e para a esquerda. Todos aplaudiram. Em segundos, a corda rompeu-se e o brinquedo parou.

— Esperemos que isso não seja um presságio...



Alguns dias se passaram, e Sakura, embora se concentrasse muito no problema de Samui, não conseguia encontrar uma solução.

Se tivesse dinheiro, poderia oferecê-lo para família da ex aluna como dote. De nada adiantaria, entretanto. Eles não queriam casar a filha, mas sim a taxa oferecida por Orochimaru. Se fossem pagos para desistir desse genro, encontrariam outro semelhante.

Sakura tinha os poucos ienes que a srta. Senju  lhe dera e algum dinheiro miúdo fornecido por Sasuke. As despesas da casa, de roupas e outras semelhantes eram feitas pelos homens de negócios dos Uchiha.

Ela só poderia ajudar Samui a voltar para o colégio, mas aquele seria o primeiro lugar onde os pais iriam procurá-la. E tia Tsunade, como diretora da escola, não poderia escondê-la deles.

Sasuke bateu na porta do quarto e entrou. A surpresa de Sakura não lhe permitiu aproveitar a ocasião em causa própria.

— Eu lhe contei que uma das garotas da escola da srta Senju veio visitar-me na semana passada? Samui e os pais pretendem vendê-la a um homem horrível. Ela está esperando o anúncio qualquer dia desses.

— Com ansiedade?

— Não. Com pavor.

— Pois deveria rejeitar o candidato, a menos que valorize mais o dinheiro.

— São os pais dela que insistem.

— Ouvi dizer que a família  estão endividados. Sakura refletiu no porquê da visita não habitual.

— É um absurdo sacrificar uma jovem em prol da família.

— E talvez dela mesma. Se os recursos dos pais acabarem, e a moça tiver sorte, terminará os dias como preceptora. É preferível um casamento.

A afirmação não deixava de ser verdadeira e irritou Sakura.

— Deveria haver outro modo. É inadmissível que uma mulher seja forçada...

Sasuke levantou-se, irado.

— Imagino por que está se condoendo por uma tola qualquer. Sinto muito, milady, não pretendo ser usado como bode expiatório.

Sem mais comentários, ele saiu.

Sasuke pensava que ela o culpava pelo casamento?, Sakura admirou-se. Certo que nunca se sentiria confortável por ter sido forçada a agir contra a vontade, mas já não incriminava o marido por isso há meses.

Admitiu que suas atitudes distanciadas poderiam estar levando o marquês ao leito da amante. Não podia convencer-se de estar agindo de maneira lógica, o que era exasperante para alguém que se orgulhava do próprio intelecto. Olhando para o caso com objetividade, o marido vinha sendo bondoso e agia com consideração. Não se poderia culpá-lo se não a amava.

Foi forçada a concordar que sua frieza se devia a um motivo simples: ciúme. E isso porque amizade ou bondade não a satisfaziam.

Amava Sasuke, e por isso queria amor. E era uma idiotice pensar em retribuição.

Se tivesse liberdade para agir, fugiria do marquês. Que outro recurso restaria a uma mulher apaixonada por um homem que a achava apenas suportável?

Um caminho seria lutar por seu amor. E o primeiro passo para conquistar o marido era a consumação do casamento. A vida fictícia que levavam, a própria ansiedade e os desejos pendiam como a espada de Dâmocles sobre sua cabeça.

Como uma mulher provida de cérebro, resolveu escrever. Teria de ter cautela, pois a mensagem poderia vir a ser lida por outros.

E como começar? Milorde? Marquês? Sasuke?

Meu caro marido.

Gostaria de falar-lhe sobre um tema importante, de preferência em meus aposentos. Adiar os assuntos com a esperança de resolvê-los parece-me o caminho do fracasso. Talvez fosse melhor eliminarmos a ansiedade.

Pareceu-lhe claro o suficiente. Assinou "Sakura", dobrou e lacrou a carta com a cera do brasão dos leques Uchiha.

Resistiu à vontade de picar o papel em mil pedaços. Não seria covarde a esse ponto. Deixou a missiva sobre a mesa de barbear do marido. Mais tarde foi informada de que ele não viria jantar devido a compromissos com os amigos.

Quais? Sakura lutou consigo mesma e ganhou a batalha do ciúme que a consumia. Sasuke devia estar com os Uzumaki. Sakura declarou-se cansada e cancelou os próprios compromissos. Queria estar em casa quando o marido lesse a nota.

Sasuke demorou-se mais do que o previsível. Assim mesmo, ela se preparou com esmero. Gostaria de perguntar a Kabuto  se o marido chegara.

Se adormecesse, Sasuke iria embora?

Afinal, o sono a venceu e Sakura não soube se ele viera a sua procura.


Acordou na manhã seguinte, vítima de grande ansiedade. Como passar mais um dia à espera? Sasuke viria para discutir o problema à luz do dia? Seria de uma insensibilidade a toda prova, no momento em que ela pretendia retomar a paixão que conhecera de forma tão breve?

Sakura tomou o desjejum no quarto, esperando por uma batida na porta. Ao meio-dia, descobriu que Sasuke retornara de madrugada, dormira, tomara o desjejum e saíra. Bem, pelo menos, lera a mensagem.

Qual teria sido sua reação e o que se poderia deduzir por Sasuke não ter vindo procurá-la? Não teria dado importância ao apelo?

Sakura precisava respirar ar puro, e saiu para um passeio, acompanhada da criada pessoal. Tentou entabular uma conversa, mas Chiyo, embora gostasse muito de sua lady, procurava manter-se em seu lugar e nunca encorajava familiaridades.

Já estavam perto da mansão, quando um rapaz veio correndo.

— Milady!

Chiyo adiantou-se para afastá-lo, mas Sakura reconheceu Samui vestida de homem e impediu o gesto da criada.

— O que houve?

— Eu... preciso falar-lhe — Samui sussurrou. — Fugi de casa.

— Oh, Senhor!

Samui estava tão desnorteada que seria impossível abandoná-la. O único jeito seria confidenciar tudo a Chiyo e pedir-lhe segredo.

— Nunca, milady! Não é o certo!

— Seja como for, pretendo ajudar Samui! — Sakura foi incisiva.

Relutante,  Chiyo teve de assentir.

— Chiyo, como poderemos levar a srta. Samui para dentro da mansão sem que seja vista? Os pais dela logo levantarão um clamor público.

— Há uma porta lateral, milady, para as entregas de carvão, e uma escada nos fundos. Se estiver destrancada, poderemos chegar a seus aposentos sem que ninguém nos veja.

— Está bem, vamos.

As três se apressaram e atravessaram a passagem apertada lateral, onde encontraram a porta destrancada. Venceram com cuidado o hall cheio de fuligem e subiram a escada de madeira. Uma porta coberta de feltro deu-lhes acesso à opulência do corredor que conduzia aos quartos.

Nos aposentos de Sakura, Samui arrancou o velho chapéu de três pontas.

A jovem estava à beira da histeria.

— Lorde Orochimaru veio hoje para pedir-me em casamento!

— Samui, não lhe ocorreu fingir que concordava? Ainda não tive tempo de elaborar nenhum plano.

— Foi o que eu fiz. — A garota rompeu em lágrimas, puxou a gravata e enxugou com ela os olhos. — Então minha mãe saiu e... ele me beijou!

Sakura não pôde deixar de compadecer-se.

— Atirei meu prato de ovos com bacon em cima dele.

— Não acredito! —Sakura começou a rir. — E depois?

— Todos ficaram muito zangados. Mamãe tentou explicar que eu não me sentia bem, mas o lorde me olhou de maneira terrível. — Samui retorcia a gravata molhada. — Quando ele foi embora, levei uma surra de minha mãe e depois fui trancada no quarto de meu irmão, pois o meu não tem chave.

— Jesus!

— Mamãe disse que a sova seria pior se eu tornasse a agir daquela forma. A boca de lorde Orochimaru tinha gosto de esterco! Tenho medo dele!

Sakura abraçou a ex-aluna.

— E como escapou? Seu irmão a ajudou?

— Meu irmão  está no País do Rio, mas mesmo que estivesse em casa não tomaria meu partido. Peguei algumas de suas roupas velhas e saí pela janela.

— Poderia ter despencado!

Samui deu de ombros e largou-se em uma poltrona.

— Era no primeiro andar, e perto da vidraça existe um muro alto. Caminhei por ele até um telheiro e dali pulei até o solo. Mas não teria conseguido fazer isso de saia.

Ficou evidente que vestir-se como menino era a pior parte da história para Samui.

— Venha se trocar, meu bem.

Sakura levou-a até o quarto de vestir. Chiyo encontrou um camisão e um dos vestidos  de Sakura. Samui ficou feliz, apesar do comprimento exagerado da saia.

— Agora está melhor. Nem pode imaginar minha aflição na rua, esperando por miiady. Tive certeza de que todos sabiam que eu era mulher e olhavam para minhas pernas.

— O que faremos agora? Seus pais sairão a procurá-la. Devem estar preocupados.

— Se estiverem é com o dinheiro de Orochimaru .

— Não posso deixá-la aqui. Os servos acabarão por descobrir. Tem alguma amiga que possa escondê-la?

Samui fez que não, arregalando os olhos.

— Vai mandar-me embora? Sakura tornou a abraçá-la.

— De jeito nenhum. Mas talvez não possa impedir que seus pais a levem.

— A casa é tão grande, e só sua criada sabe de minha presença.

— Bem, talvez por enquanto. — Sakura não teve alternativa.

A empregada continuava com o semblante carregado.

— Chiyo, onde a srta. Samui poderia esconder-se, sem que os servos a encontrem?

— Não é certo, milady.

— Não importa. Onde? No sótão? No porão?

— Os quartos dos criados ficam sob o telhado e as paredes são finas. Qualquer movimento poderá ser ouvido. Os estoques ficam nos porões. Há gente entrando e saindo de lá a cada momento.

— Tem de haver algum lugar! — Sakura insistiu. Chiyo  apertou os lábios, mas acabou cedendo.

— Ela terá de ficar em um dos aposentos desocupados. O contíguo a seu quarto está vazio.

— Está bem. — Sakura levou Samui até o quarto onde estava o vestido de gala.

Samui engasgou ao vê-lo.

— É fabuloso!

— Pode ser, mas não estou nem um pouco entusiasmada para usá-lo.

— Não fui apresentada. — Samui suspirou.

— Gosta mesmo dessas coisas, não é?

— Não tenho alma espartana como a sua, Sakura. Aprecio roupas finas, festas e flertar com jovens bonitos. Adoro fogos de artifício, iluminação e bailes de máscaras. Porém, agora... só posso desejar ser uma governanta ou professora. Odeio lorde Orochimaru! Foi tudo culpa dele!

Na realidade, o culpado era seu pai, que gostava de jogar.

Sakura deixou Samui com o autodomínio para passar o tempo e instruiu-a para não fazer o menor ruído. Voltou a seus aposentos, refletindo que a moça deveria ser a filha do duque, e não ela.

Ora, mas que idiotice! Jamais voltaria para a escola de tia Tsunade! Morreria sem Sasuke,

Entrou no quarto de vestir e recolheu as roupas deixadas por Samui.

— O que faremos com isto, Chiyo?

— Dê-me — a criada resignou-se. — Eu as esconderei embaixo da escada. Não sei o que o marquês dirá quando descobrir.

— Prometeu não dizer nada.

— Sei disso, mas será melhor a senhora mesma contar, milady. O marquês não pode acolher um fugitivo na casa de seu pai sem ter conhecimento do fato.

Chiyo saiu com o pacote debaixo da capa. Ninguém se lembrou do chapéu de três pontas e da gravata amassada que ficaram no quarto.

                   👔🎩


Notas Finais


Comentários
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