História A Mediadora - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno
Tags Fantasmas, Naruto, Romance, Sasusaku, Sobrenatural
Exibições 99
Palavras 1.496
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Luta, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 12 - Capítulo XII


Vamos para casa. Aquele “Vamos para casa” tinha um ar tão aconchegante... Só que a casa na qual ambos estávamos vivendo ainda não me parecia exatamente como se fosse um lar. E como poderia? Eu só estava vivendo lá há uns poucos dias... E por outro lado, claro, ele não tinha nada que estar vivendo lá...

Depois de toda aquela catástrofe lá na Missão, ele me acompanhou até em casa, um perfeito cavalheiro. E até insistiu em empurrar ele mesmo a bicicleta, por causa da minha ferida. Se alguém tivesse olhado pelas janelas das casas por onde íamos passando, teria pensado que estava vendo coisas: eu me arrastando com dificuldade e aquela bicicleta deslizando ao meu lado sem o menor problema – com o detalhe de que minhas mãos nem tocavam nela.

O tempo todo, enquanto voltávamos para casa, a única coisa em que eu conseguia pensar era o que havia saído errado no confronto com a Temari. Não voltei a falar do assunto. Mas era o único assunto em que eu conseguia pensar. Nunca, mas nunca mesmo, em todos aqueles meus anos como mediadora, eu havia encontrado um espírito tão violento e irracional.

Eu simplesmente não sabia o que fazer. E eu sabia que precisava encontrar uma saída, e bem depressa; faltavam só umas poucas horas para começarem as aulas e Shikamaru cair direitinho na armadilha mortal que estava sendo preparada para ele.

Não sei se o Sasuke percebeu por que eu estava tão calada, ou se ele estava pensando na Temari também... Só sei que de repente ele quebrou o silêncio.

Não há no céu fúria comparável ao amor transformado em ódio, nem há no inferno ferocidade quanto a de uma mulher desprezada.

—Está falando por experiência própria? - Ele deu um pequeno sorriso à luz da lua.

— É uma citação de William Congreve.

—Ah... Mas, como você sabe, às vezes a mulher desprezada está cheia de razões de ficar furiosa.

—E você, está falando por experiência própria? — quis saber ele. Eu dei uma risada.

—Nem de longe.

Para te desprezar, é necessário que o cara tenha gostado de você antes. Mas não falei em voz alta, eu não ia reconhecer diante dele que nunca havia tido um namorado. A gente não sai por aí dizendo coisas assim a caras gostosões como ele, mesmo que estejam mortos.

—Mas a gente não sabe o que aconteceu entre a Temari e o Shikamaru. No fundo, não sabemos. Ela podia ter muitas razões para estar ressentida.

—Ressentida com ele, acho que sim — disse Sasuke, embora parecesse relutante em admiti-lo. — Mas não com você. Ela não tinha direito de tentar machucá-la.

Ele parecia tão furioso com aquilo que achei melhor mudar de assunto. No fundo, eu é que devia ter ficado furiosa com o fato de Temari ter tentado me matar, porém sabe como é, já estou meio acostumada a lidar com gente irracional. E se há uma coisa que eu já aprendi, é que não se pode tomar as coisas pelo lado pessoal.

Enquanto estava pensando nessas matanças, acabei me perguntando por que Sasuke ficara tão indignado. Foi aí que me dei conta de que provavelmente ele tinha sido assassinado. Ou então tinha se matado. Mas não achava que ele fosse capaz de se matar. Achava que ele poderia ter morrido de alguma doença arrasadora...

Talvez não tenha sido muito delicado da minha parte, porém acabei indo em frente e perguntei, quando estávamos subindo a longa ladeira coberta de cascalho até em casa.

—Mas e você? Como foi que morreu mesmo?

Sasuke não disse nada. Provavelmente eu o tinha ofendido. Já pude notar que os fantasmas não gostam muito de falar sobre como morreram. Às vezes nem se lembram. Vítimas de acidentes de carro geralmente não têm a menor ideia do que lhes aconteceu. Sasuke ficou calado por um momento e eu achei que ele não ia me contar.

Ele estava olhando bem para a frente, na direção da casa – a casa onde tinha morrido, a casa onde haveria de ficar rondando até que... bem, até que pudesse resolver o problema que o estava retendo neste mundo.

A lua ainda estava à vista, bem alto lá no céu, e eu podia ver o rosto do Sasuke como se fosse dia. Ele não parecia muito diferente do habitual. Sua boca, que era mais para larga, de lábios finos, parecia estar meio carrancuda, o que, até onde eu sabia, era o normal. E por baixo daquelas espessas sobrancelhas negras, seus olhos, de cílios tão densos.

—Hmm... Sabe o que mais? Esquece. Se não quiser, não precisa me contar...

— Não — ele respondeu. — Tudo bem.

—É só que eu estava meio curiosa, só isso. Mas se achar que é uma coisa muito pessoal...

—Não, não é.

Nós já havíamos chegado à casa. Ele empurrou a bicicleta até o ponto onde ela devia ficar e a recostou no muro da garagem. Estava mergulhado na sombra.

— Como você sabe, nem sempre esta casa foi o lar de uma família.

— É mesmo?!

—Sim. Houve uma época em que era um hotel. Quer dizer, mais uma estalagem propriamente do que um hotel.

— E você estava hospedado aqui?

—Sim. - Ele saiu da sombra da garagem, mas em vez de olhar para mim quando voltou a falar, estava com o olhar apertado voltado para o mar.

— E... Aconteceu alguma coisa quando você estava aqui?

—Sim — e ele olhou para mim. Ficou me olhando por um longo momento. — mas esta é uma longa história, e você deve estar muito cansada. Vá se deitar. Amanhã de manhã decidiremos o que fazer sobre a Temari.

—Espera um pouco — interrompi. — Não vou a lugar nenhum enquanto você não acabar de contar essa história.

—Não, já é muito tarde. Eu conto outro dia.

—Puxa vida! — Eu devia estar parecendo uma garotinha recebendo ordens da mãe para ir-se deitar cedo, mas estava pouco ligando. Estava brava demais. — Você não pode começar uma história assim e não terminar de contá-la. Você tem de... - Agora Sasuke estava rindo de mim.

—Vá se deitar, Sakura — ordenou ele, empurrando-me suavemente para a escada. — Você já foi assustada suficientemente esta noite.

— Mas você...

—Quem sabe outro dia... — insistiu ele. Já me havia conduzido na direção da varanda e agora eu estava no primeiro degrau, virando-me para vê-lo rindo de mim.

— Você promete? - Seus dentes brilharam no luar.

— Prometo. Boa noite, hermosa.

—Já disse para não me chamar disso — resmunguei, subindo os degraus batendo os pés.

Entrei na casa o mais discretamente possível. Felizmente, todo mundo, menos o cachorro, dormia profundamente. Ao me ver, ele levantou a cabeça no sofá onde se havia espichado e começou a sacudir o rabo. Grande cão de guarda.

Fui me arrastando como podia escada acima, pensando o tempo todo no que haveria de fazer com Temari. Provavelmente teria de me levantar cedo e telefonar para o colégio, avisando ao padre que fosse ao encontro do Shikamaru assim que ele pusesse os pés no campus e o mandasse de volta para casa.

Ainda assim, a simples ideia de ter de levantar cedo para fazer alguma coisa – mesmo que fosse salvar a vida do cara com quem eu tinha um encontro no sábado à noite – não parecia das mais atraentes. Agora que a adrenalina toda já havia passado, eu me dava conta de que estava morta de cansaço.

Foi só no momento em que decidi mudar a atadura no meu pulso que prestei atenção no que ele havia usado. Era um lenço. Antigamente todo mundo usava lenço de pano, pois não havia lenços de papel. E as pessoas pareciam dar a maior importância, costurando neles as suas iniciais, para que não se perdessem ao serem lavados.

Só que o lenço de Sasuke não tinha as suas iniciais, conforme pude notar ao lavá-lo e tentar tirar o sangue o melhor que pude. Era um grande quadrado de linho, branco com um debrum de delicada renda branca. Meio delicadinho para um cara como ele. Eu teria ficado meio cismada com a orientação sexual de Sasuke se não tivesse visto as iniciais que estavam bordadas num dos cantos.

Os pontos eram minúsculos, linha branca sobre tecido branco, mas as letras propriamente eram enormes, numa caligrafia floreada: KU. Isso mesmo. KU. Nada de S. Estranho. Muito estranho. Pendurei o lenço para secar.

Amanhã de manhã ele estaria lá exatamente como agora. E talvez eu decidisse exigir explicações sobre aquelas letras antes de devolvê-lo. KU. Só quando estava começando a adormecer é que me dei conta de que K devia ser uma garota. Caso contrário, por que tanta rendinha? E aquelas letras todas caprichadas? Será então que Sasuke não tinha morrido num tiroteio, como eu acreditava inicialmente, e sim em alguma briga de amantes?

Não sei por que, mas o fato é que esta ideia me deixou bem perturbada. Por causa dela fiquei acordada uns três minutos. Até que virei para o outro lado, senti falta da minha antiga cama por um instantinho só e caí no sono.

 

 

 

 



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