História A Mediadora - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno
Tags Fantasmas, Naruto, Romance, Sasusaku, Sobrenatural
Exibições 145
Palavras 2.028
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Luta, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 13 - Capítulo XIII


Minha intenção, naturalmente, era acordar cedo e telefonar para o padre Hatake e avisá-lo sobre Temari. Mas de boas intenções o inferno está cheio e vai ver eu não presto mesmo para nada, pois só fui acordar com minha mãe me sacudindo, e àquela altura já eram sete e meia e minha carona já estava indo embora.

Ou pelo menos era o que eles achavam. Eles se atrasaram à beça quando o Soneca descobriu que tinha perdido as chaves do Rambler, de modo que deu tempo de eu me arrastar da cama e enfiar-me numa roupa qualquer. Foi aí que eu lembrei que as chaves do Rambler estavam no bolso da minha jaqueta de couro desde a noite anterior.

Discretamente, subi novamente e fingi que tinha achado as chaves no patamar da escada. O pessoal comemorou um pouco mas reclamou um bocado, pois o Soneca jurava que as tinha deixado penduradas no gancho da cozinha e não sabia como tinham ido parar no patamar.

—Deve ter sido o fantasma do Konohamaru — disse Dunga, olhando de soslaio para Mestre, que ficou totalmente sem graça.

Claro que estávamos atrasados. Na Academia Missionária Junipero Serra, a reunião começa às 8 horas em ponto. Nós chegamos uns dois minutos depois. Nessa reunião, que dura mais ou menos quinze minutos antes do início das aulas, é feita a chamada e são lidos os comunicados aos alunos, enfileirados separadamente por sexo.

Quando chegamos, claro que a reunião já tinha começado. Eu pretendia passar agachada direto para o gabinete do padre Hatake, mas evidentemente não tive a menor chance. Irmã Anko nos apanhou em cheio e nos fulminou com o olhar até que cada um de nós entrasse em forma.

Eu não estava ligando muito para o que irmã Anko anotava a meu respeito em seu caderninho negro, mas percebi que seria impossível chegar ao gabinete do diretor, por causa das fitas isolantes amarelas que impediam a passagem pelos arcos ao redor do pátio – e, é claro, por causa dos guardas.

Só posso deduzir que os padres, freiras e todo o pessoal se levantaram para a matinal, que é como eles chamam a primeira missa da manhã, e deram de cara com a estátua do fundador da igreja sem cabeça, a fonte quase sem água nenhuma, o banco onde eu estivera sentada completamente retorcido e revirado e a porta da sala de aula do professor Asuma em pedaços.

Compreensivelmente, eles surtaram e chamaram a polícia. Vi um sujeito metido num casaco de couro azul-marinho conversando com o padre Hatake, que parecia muito, mas muito cansado. Não consegui que ele me notasse, e concluí que teria de esperar o fim da reunião para sair de fininho e me desculpar com ele.

Na reunião, a irmã Anko, que era a vice-diretora, disse que aquilo tinha sido feito por vândalos. Se algum de nós soubesse alguma coisa sobre aquela terrível violência, deveria informar imediatamente. E se não nos sentíssemos à vontade para fazê-lo pessoalmente, poderíamos informar anonimamente – monsenhor Hiruzen estaria ouvindo confissões durante toda a manhã.

Mas é claro que assim que a reunião acabou e eu tentei me encaminhar depressinha para o gabinete do padre, a irmã Anko me apanhou com a boca na botija, no exato momento em que eu tentava passar por baixo de uma das fitas amarelas.

—Espera aí um pouquinho, senhorita Haruno. Talvez lá em Nova York as pessoas possam ignorar fitas de isolamento da polícia, mas aqui na Califórnia não é nada recomendável.

Eu me endireitei. Quase tinha conseguido... Fiquei pensando umas coisas nada agradáveis sobre a irmã Anko, mas fui educada.

—Puxa, irmã, sinto muito. É que eu preciso chegar ao gabinete do padre Hatake.

—O padre Hatake — disse friamente irmã Anko — está muito ocupado esta manhã. Ele está reunido com os policiais por causa do lamentável incidente da noite passada. Não vai poder falar com ninguém mais pelo menos até depois do almoço.

Eu sei que provavelmente não é certo ficar pensando em dar um golpe de caratê no pescoço de uma freira, mas não conseguia me impedir. Ela estava me deixando nervosa.

—Deixa eu lhe dizer uma coisa, irmã — continuei. — O padre Hatake pediu que eu viesse falar com ele hoje de manhã. Ele quer ver uns... uns documentos que eu trouxe da minha antiga escola. Tive de pedir que mandassem esses documentos por correio especial lá de Nova York, e eles acabam de chegar...

—Entregue-os a mim e eu os faço chegar ao padre. - Droga!

—É... — disse eu, recuando. — Pode deixar. Acho que vou... vou falar com ele depois do almoço então.

Irmã Anko me olhou com um jeito de “eu sabia” e voltou sua atenção para o inocente garoto que caíra na besteira de ir ao colégio de jeans, uma falta imperdoável. Eu não tinha outra opção senão ir para a sala de aula. Afinal, o que poderia dizer ao padre Hatake que ele já não soubesse? Eu tinha certeza de que ele sabia que Temari é que tinha devastado o colégio, e que eu tinha quebrado a janela da sala do professor Asuma.

Pelo o que eu podia imaginar Temari ainda devia estar se recuperando de sua fúria assassina da noite anterior. Não vi qualquer sinal dela quando me encaminhei para a sala de aula do professor Asuma para o primeiro período, o que era bom sinal: significava que o padre Hatake e eu teríamos tempo para fazer algum plano antes que ela voltasse a atacar.

Claro que todo mundo no colégio estava comentando o que havia acontecido. As pessoas estavam dizendo que a decapitação de Junipero Serra tinha sido uma piada de mau gosto. Mas uma piada e tanto. O lugar da Temari, ao lado da Ino Yamanaka, continuava vazio, enquanto o seu armário – que agora era meu – ainda não podia ser usado por causa do amassado provocado pelo impacto do seu corpo.

Não deixou de ser irônico que, enquanto eu estava pensando exatamente nisto, Ino levantou o braço e, recebendo autorização do professor Asuma para falar, perguntou se ele não achava injusto que monsenhor Hiruzen decidisse que não haveria nenhum serviço religioso em memória da Temari. O professor Asuma recostou-se na cadeira e pôs os pés em cima da mesa.

— Não pergunte a mim. Eu só trabalho aqui.

—Mas o senhor não acha que é injusto? — insistiu Ino, voltando-se para o resto da turma com seus enormes cílios cheios de rímel piscando muito. — A Temari frequentou este colégio durante dez anos. Não dá para entender que ela não possa ser homenageada em seu próprio colégio. E para dizer a verdade, acho que o que aconteceu ontem foi um sinal...

—Um sinal, Ino? - O professor Asuma parecia estar se divertindo horrores.

—Exatamente. Tenho certeza de que o que aconteceu aqui ontem à noite, inclusive aquela tora de madeira que quase matou Shikamaru, tem ligação. Não acho mesmo que a estátua do padre Serra tenha sido depredada por vândalos, e sim por anjos. Anjos que estão muito bravos com o fato de monsenhor Hiruzen não permitir que os pais da Temari realizem seu funeral aqui.

A turma toda começou a cochichar. As pessoas ficavam olhando nervosas para o lugar vazio da Temari. Geralmente eu não falo muito no colégio, mas aquela eu não podia deixar passar.

—Você está dizendo então que foi um anjo que quebrou esta janela aqui atrás de mim, Ino? - Ela precisou virar-se para me ver.

— Bem... — fez ela. — Pode ter sido...

—Certo. E você acha que foram anjos que arrombaram a porta da sala, arrancaram a cabeça da estátua e arrasaram o pátio? - Ino esticou o queixo para a frente.

—Sim — respondeu. — Acho sim. Foram anjos inconformados com a decisão de monsenhor Hiruzen de não permitir que a gente homenageie a Temari. - Eu balancei a cabeça.

— Besteira — falei. Ino levantou as sobrancelhas.

— Como?!

—Besteira, Ino. Acho que a sua teoria é pura besteira.

Ino adquiriu uma coloração avermelhada das mais interessantes. Acho que ela provavelmente estava lamentando ter me convidado para a festa na piscina.

—Você não pode ter certeza de que não foram anjos, Sakura — disse ela toda azeda.

—Na verdade posso, pois pelo que sei anjos não sangram, e o carpete estava cheio de sangue desde o lugar onde o vândalo se cortou ao arrombar a janela até aqui. Foi por isto que a polícia cortou pedaços do carpete para examinar.

Ino não foi a única a engolir em seco. Todo mundo meio que surtou. Provavelmente eu não devia ter falado do sangue, ainda mais porque era meu, mas não podia deixar que ela ficasse dizendo que era tudo por causa dos anjos. Anjos uma droga.

—Muito bem, muito bem — interrompeu o professor Asuma. — Agora, pessoal, está na hora do segundo período. Sakura, posso falar com você um instantinho?

—Agora você está na roda, bobinha — disse Tenten.

Ela nem sabia como podia estar certa. Bastava que qualquer um desse uma olhada nos band-aids que estavam no meu pulso, e ficaria sabendo que eu sabia por experiência própria de onde vinha aquele sangue.

Por outro lado, ninguém podia ter motivos para suspeitar de mim, certo? Fui me aproximando da mesa do professor Walden com o coração na boca. Mas o professor Walden só queria me cumprimentar pelas notas de rodapé da minha redação sobre a batalha de Bladensburgo, que ele havia notado quando eu a entreguei.

—Ah... — disse eu. — Não é nada demais, professor.

—Sim, mas notas de página... — suspirou ele. — Desde que eu dava aulas para adultos na escola comunitária, nunca mais tinha voltado a ver notas de rodapé serem usadas corretamente. Realmente, você fez um excelente trabalho. — É engraçado, realmente, que a Ino tenha se referido daquela maneira à Temari, Sakura. - Eu olhei para ele desconfiada.

— Ah, é? Como assim?

—Bem, não sei se você sabia, mas a Temari era vice-presidente da turma, e agora que não a temos mais aqui, estou recolhendo indicações para o cargo. E acredite ou não, você foi indicada. Doze vezes por enquanto.

Meus olhos devem ter saltado da órbita. Esqueci completamente que eu tinha de me arrancar dali para ir falar com o padre Hatake.

— Doze vezes?!

— Sim, é estranho, não é mesmo? Eu não conseguia acreditar.

— Mas eu só estou aqui há um dia!

—O fato é que você causou uma forte impressão. Eu mesmo me arriscaria a dizer que você não fez exatamente inimigos ontem quando ameaçou quebrar os dedos de Hinata Hyuuga depois da aula. Ela não é das colegas mais queridas...

Fiquei olhando para ele. Quer dizer então que o professor Asuma realmente tinha ouvido a minha ameaça. O fato de ele ter ouvido e não ter me mandado direto para o castigo me fez admirá-lo de uma maneira que nenhum professor antes havia merecido.

—E acho também que o fato de você ter empurrado Shikamaru Nara quando aquela tora de madeira vinha na direção dele também deve ter ajudado um pouco — acrescentou.

—Uau!

Eu estava orgulhosa demais para seguir meu instinto, que me dizia: agradeça, mas diga que não, e saia correndo.

— Bem... — comecei. — Quais são as obrigações do vice-presidente?

—Ajudar o presidente a decidir como gastar a verba da turma, principalmente. Não é muita coisa, pouco mais de três mil dólares. Ino e Temari estavam planejando promover uma festa no Carmel Inn, mas...

— Três mil dólares!? — repeti, provavelmente com o queixo caído.

— É, eu sei que não é muito...

—E a gente pode gastar como quiser? — Minha mente estava girando. — Quer dizer que se a gente quisesse fazer uma série de festinhas na praia poderíamos? - O professor Asuma me olhou com curiosidade.

—Claro. Mas o resto da turma precisa aprovar. Desconfio que pode estar rolando na administração um papo sobre usar o dinheiro da turma para consertar a estátua do padre Serra, mas...

O que quer que o professor Asuma fosse acrescentar, no entanto, não conseguiu. A Tenten voltou correndo para a sala, os olhos muito arregalados por trás das lentes de seus óculos de vidro colorido.

—Venham, venham depressa! — berrava ela. — Aconteceu um acidente! O padre Hatake e Shikamaru...

—O quê? — perguntei, com muito mais ênfase do que seria desejável. — O que aconteceu com eles?

— Acho que estão mortos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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