História A Mediadora - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno
Tags Fantasmas, Naruto, Romance, Sasusaku, Sobrenatural
Exibições 67
Palavras 2.105
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Luta, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 16 - Capítulo XVI


 

—Nem pensar — disse padre Hatake.

—Padre — tentei argumentar. — Não vejo outra saída. Nós sabemos perfeitamente que ela não irá por vontade própria. E ela é perigosa demais para ficar por aí perambulando indefinidamente. Acho que vamos precisar dar um empurrão.

—Não é para isso que estamos aqui, pessoas como você e eu, Sakura — ele falou com a voz mais triste que eu jamais ouvira. — Nós somos as sentinelas dos portões do Além. Somos nós que ajudamos a guiar as almas perdidas para seu destino final. E não houve um só espírito ajudado por mim que não tivesse passado pelo portão por vontade própria...

Devia ser muito bom, pensei, ver o mundo pelos olhos do padre Hatake. Ficava parecendo um lugar muito legal. Muito melhor que o mundo no qual eu vivia há dezesseis anos.

— Certo. Bom, não vejo outro jeito.

—Um exorcismo — murmurou padre Hatake, pronunciando a palavra como se fosse algo nojento.

—Ouça — prossegui, começando a me arrepender de ter dito alguma coisa. — Acredite, não é um método que eu recomendo sempre. Mas não acho que tenhamos muita escolha. A Temari já não é um perigo apenas para Shikamaru. Ela é um perigo para o colégio todo e precisa ser contida. - Ele assentiu com a cabeça.

—Sim, sim, você tem razão. Mas Sakura, você tem de prometer que vai esperar que eu tenha alta. Conversei com a médica, e ela disse que pode me dar alta já na sexta-feira. Com isto, teremos tempo suficiente para pesquisar a metodologia apropriada... — ele deu uma olhada para a mesinha-de-cabeceira. — Quer me dar aquela Bíblia ali, Sakura? Quem sabe não encontramos aqui... - Eu lhe entreguei a Bíblia.

—Tenho plena convicção de que domino perfeitamente a coisa — falei.

Ele levantou os olhos e me fixou com aquele seu olharzinho triste de criança. Pena que já fosse tão velho, e ainda por cima padre. Fiquei me perguntando quantos corações ele não teria partido antes de encontrar sua vocação.

—E como é que você pode dominar perfeitamente uma coisa complicada como um exorcismo católico romano? — quis saber ele.

—Bem, eu não estava pretendendo usar exatamente a versão católica romana.

— Existe alguma outra?

—Mas claro! A maioria das religiões tem sua versão. Pessoalmente, prefiro a umbanda. É bem objetiva. Nada de sortilégios demorados ou coisas do gênero. - Ele parecia estar sofrendo.

— Macumba?

—Isso mesmo. É o vodu brasileiro. Descobri na Internet. Só precisamos de um pouco de sangue de galinha e...

—Maria Santíssima, mãe de Deus! — interrompeu padre Hatake, levando algum tempo para se recuperar e prosseguir: — Fora de questão. Temari No Sabaku era uma católica batizada e, apesar da causa de sua morte, merece um exorcismo católico, se não um enterro católico. No momento ela não tem grandes chances de ir para o Céu, devo reconhecer, mas posso garantir que pretendo fazer tudo para que tenha a oportunidade de cumprimentar São Pedro no portão.

—Padre Hatake. Realmente não acho que faça a menor diferença se ela tiver um exorcismo católico, brasileiro, pigmeu ou o que seja. A dura realidade é que, se houver um Céu, não existe a menor possibilidade de que Temari vá para lá.

—Sakura, como pode dizer uma coisa dessas? Todo mundo tem alguma coisa de bom. Acho que até você é capaz de ver isso.

— Até eu? Como assim, até eu?

—Estou querendo dizer que até Sakura Haruno, que pode ser muito dura com os outros, deve ser capaz de entender que até no ser humano mais cruel existe a flor do bem. Talvez um brotinho muito pequeno, carente de água e luz do sol, mas ainda assim uma flor.

Fiquei me perguntando que analgésicos estariam dando ao padre Hatake.

—Tudo bem então, padre. Só sei que, aonde quer que Temari vá, não será para o Céu. Se é que existe um Céu... -Ele sorriu para mim com tristeza.

—Eu apenas gostaria, Sakura, que você tivesse em matéria de fé no Senhor metade do que tem de coragem. Ouça-me um instante. Você não pode, simplesmente não pode, tentar deter Temari sozinha. Ficou perfeitamente claro que ela quase a matou na noite passada. Não consegui acreditar quando cheguei e vi os estragos que ela tinha provocado. Você teve muita sorte de sair com vida. E pelo o que aconteceu esta manhã também está claro, como você mesma diz, que ela está apenas acumulando forças. Seria uma tolice, uma grande tolice, se você tentasse fazer alguma coisa sozinha novamente.

Eu sabia que ele tinha razão. Pior ainda, se eu levasse adiante aquela história de exorcismo, não poderia contar com a ajuda de Sasuke, pois o exorcismo poderia muito bem mandá-lo de volta para o Criador, juntinho com a Temari.

—Além disso — prosseguiu padre Hatake — não há qualquer motivo para se apressar, não é mesmo? Agora que ela já conseguiu mandar Shikamaru para o hospital, não fará nenhuma outra bobagem, pelo menos até ele voltar para o colégio. Parece que ele é a única pessoa contra a qual ela alimenta instintos assassinos...

Eu não disse nada. E como poderia? O pobre infeliz parecia tão patético, deitado naquela cama... Eu não queria dar-lhe mais motivos de preocupação. Mas a verdade é que eu não poderia esperar que padre Hatake saísse do hospital. A Temari não estava brincando. A cada dia que passava, ela só ia ficando mais forte, perversa e cheia de ódio. Eu tinha de me livrar dela, e precisava ser logo. De modo que cometi algo que deve ser um pecado mortal. Menti para um padre. Ainda bem que eu não sou católica.

—Não se preocupe, padre Hatake. Vou esperar que o senhor se sinta melhor.

— Prometa-me, Sakura — insistiu.

—Prometo.

Claro que eu tinha cruzado os dedos. Eu esperava que, se existisse um Deus, isto servisse para neutralizar o pecado de mentir para um dos seus mais devotados servidores.

—Deixe-me ver — murmurava padre Hatake. — Vamos precisar de água benta, naturalmente. Mas isto não é problema. E, naturalmente, de um crucifixo. - Enquanto ele pensava sobre os itens necessários, Sai e Tenten entraram no quarto.

—E aí, padre Hatake? — Sai perguntou. — O senhor está péssimo! - tenten cutucou-o com o cotovelo.

—Sai — sussurrou ela, voltando-se com vivacidade para o padre. — Não dê bola para ele, padre Hatake. Acho que o senhor parece ótimo. Parece mesmo, para quem quebrou um bocado de ossos...

—Crianças! — fez padre Hatake, realmente contente por vê-los. — Que bom! Mas por que estão desperdiçando uma tarde bonita como esta para visitar um velho num hospital? Vocês deviam estar na praia aproveitando o sol.

—Na verdade estamos fazendo uma matéria sobre o acidente para o Notícias Missionárias — informou Tenten. — Acabamos de entrevistar o monsenhor. É realmente uma pena essa história da visita do arcebispo e tudo mais, e a estátua do padre Serra sem cabeça...

— Isso aí — concordou Sai. — Um horror mesmo.

—Não faz mal — disse padre Hatake. — É o empenho e a preocupação de vocês que vão realmente impressionar o arcebispo.

—Amém — disse Sai, solene.

Antes que uma de nós duas tivesse tempo de ralhar com Sai por causa do sarcasmo, uma enfermeira entrou e comunicou a Tenten e a mim que tínhamos de sair porque ela ia dar um banho no padre Hatake.

 

 

 

Pouco depois, estava me perguntando como é que nunca tinha pensado antes em me mudar para a Califórnia. Sentada numa manta que Sai tirou da mala do carro, observando os atletas correndo e os surfistas de fim de tarde, os cães correndo atrás de frisbees e os turistas com suas câmeras, estava me sentindo tão bem como não me sentia há muito tempo... Mas o fato é que estava me sentindo realmente em paz, como se fosse pela primeira vez na vida.

O que não deixava de ser estranho, levando-se em conta que dentro de poucas horas eu estaria em luta contra as forças do Mal. Até que essa hora chegasse, no entanto, decidi que ia curtir a vida. Voltei o rosto para o sol que se punha, sentindo os seus raios quentes na bochecha, e fiquei ouvindo o barulho das ondas, os gritos das gaivotas e a conversa de Tenten com Sai.

... Sabe o que realmente me faz sentir ameaçado? Esses orangotangos que ficam tomando esteroides, do tipo Naruto Namikaze, isto sim. -Tenten lançou um olhar de advertência para Sai e depois olhou para mim.

—E como você está se dando com seus meios-irmãos, Sakura?

—Acho que bem — respondi. — Mas é verdade que o Dun... quer dizer, Naruto, toma esteroides?

Eu não devia ter dito isto. Sinto muito. Tenho certeza de que ele não toma. Mas aqueles caras todos da equipe de luta-livre, eles realmente são de dar medo. E têm tanta raiva de gays... que dá para desconfiar de suas preferências sexuais. Eles todos pensam que sou gay, mas não sou exatamente eu que fico metido numa roupa apertada agarrando as coxas de outros caras.

—Não estou tão certa assim de que ele seja gay. Outro dia ele ficou todo feliz quando a Ino Yamanaka ligou para nos convidar para a festa em sua piscina no sábado.

—Você não prefere algo melhor que esta manta? Quem sabe uma toalha de praia de caxemira?... É o tipo de toalha que a Ino e o pessoal dela usam na praia.

—Ué, eu não sabia... Pensei que a Ino também tivesse convidado vocês. Achei que ela ia convidar todos os alunos do primeiro ano.

—Com certeza não — disse Tenten, fungando. — Só os alunos com status, o que não é caso do Sai nem o meu.

— Mas você é a editora do jornal do colégio — ponderei.

—Certo — respondeu Sai. — Traduza isto como a mesma coisa que bosta, e vai entender por que nunca fomos convidados para uma festa na piscina da princesa Ino.

— Não que eu estivesse pensando em ir...

—Não mesmo? — e os olhos de Tenten se esbugalharam por trás dos óculos.

—Não. No início, porque eu tinha um encontro com o Shikamaru, que acabou sendo cancelado. Mas agora porque... bom, se vocês não forem, com quem eu vou conversar?

—Sakura — disse ela. — Você alguma vez pensou em ser vice-presidente da turma? - Eu achei graça.

— Espera aí, eu sou a aluna nova da turma, lembra?

—Isso aí — fez o Sai. — Mas você leva jeito. Vi que você tem alguma coisa de líder na maneira como acabou com a raça da Hinata ontem. Os homens sempre admiram as garotas que parecem capazes de dar um murro na cara de outra garota a qualquer momento. É mais forte que nós. Talvez seja genético — concluiu ele, dando de ombros.

—Certamente vou levar isto em consideração — falei, rindo. — Cheguei a ouvir um boato de que a Ino pretendia gastar todo o orçamento da turma numa festa...

—Exatamente — confirmou Tenten. — Ela faz isto todo ano. É aquela baboseira da dança da primavera. Um saco. Pelo menos para quem não está de namorado, não serve para nada. Não dá para fazer mais nada, só dançar.

—Espera aí — atalhou Sai. — Lembra aquela vez em que a gente levou balões de água?

— Bom, naquele ano foi divertido — reconheceu Tenten.

—Eu estava pensando — interferi — que talvez fosse melhor uma coisa assim. Sabe como é. Um piquenique na praia. Talvez até dois...

—Isso mesmo! — exclamou o Sai. — Com fogueira! O meu lado piromaníaco sempre quis fazer uma fogueira na praia.

—Exatamente! É exatamente o que a gente devia fazer. Sakura, você tem de concorrer a vice-presidente!

Santa virgem, mas o que foi que eu fiz? Eu não queria ser vice-presidente da turma do primeiro ano! Não queria me envolver com essas coisas! Eu não tinha o menor espírito de comunidade, não tinha opinião sobre nada! Que diabos estava eu fazendo? Será que tinha perdido a cabeça?

—Olha lá! — disse Sai de repente, apontando para o sol. — Lá vai ele.

Enquanto ia desaparecendo no horizonte, a enorme bola alaranjada parecia estar mergulhando no mar. Não tinha nada respingando nem fumaça, mas eu seria capaz de jurar que tinha ouvido o sol atingindo a superfície da água. Lá em Nova York, a gente costumava ficar sentado no parque vendo os policiais à paisana prenderem traficantes de drogas. Mas não dava para comparar com o prazer de cantar despreocupado na praia enquanto o sol se põe.

Alguma coisa estranha estava acontecendo. E eu não sabia direito o que era. Estranhamente, naquele exato momento, eu realmente acreditei que seria assim. Que ficaria tudo bem. E foi aí que me dei conta do que estava acontecendo.

Eu estava me integrando. Eu, Sakura Haruno, a mediadora. Pela primeira vez na vida, eu estava me integrando com alguma coisa. E fiquei feliz. Realmente feliz. Naquele momento, eu realmente acreditava que tudo ficaria bem.

Mal sabia eu!...

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais




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