História A Mediadora - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno
Tags Fantasmas, Naruto, Romance, Sasusaku, Sobrenatural
Exibições 130
Palavras 3.267
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Luta, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Capítulo VIII


Ele não precisou esperar muito. Para dizer a verdade, foi logo depois do almoço que ela veio atrás dele. Não que Shikamaru percebesse, claro. Fui eu que imediatamente a vi no meio da multidão, quando todo mundo começou a se encaminhar para os armários.

Os fantasmas exalam uma luminosidade que os diferencia dos vivos – felizmente, pois caso contrário muitas vezes eu nem saberia a diferença. Seja como for, lá estava ela fulminando-o com olhares de ódio. Sem saber que ela estava ali, as pessoas simplesmente passavam através dela. Eu até que os invejava. Preferia que os fantasmas fossem invisíveis para mim, como são para todo mundo.

Não que eu soubesse o que ela estava pretendendo fazer com ele. Os fantasmas podem ser bem mauzinhos quando querem. Aquele lance do Sasuke com o espelho não era nada. Já houve casos de me atirarem objetos com tanta força que, se eu não tivesse me abaixado, também estaria hoje no mundo dos espíritos. Já sofri concussões e tive ossos quebrados não sei quantas vezes. Minha mãe acha que eu atraio acidentes. É isso aí, mãe. Isso mesmo.

Mas bastou eu ver a Temari para entender que ela não estava com intenções nada boas. E eu não chegara a esta conclusão baseada no nosso encontro prévio. Não, senhor. Apenas acompanhei o olhar da falecida e vi que não era exatamente para Shikamaru que ela estava olhando. O que atraíra sua atenção fora um dos suportes da parte do corredor por onde Shikamaru estava passando.

E dali onde estava, vi que a madeira estava começando a tremer. Mas não em toda a extensão do corredor, claro que não. Era só uma peça que estava tremendo, daquelas bem pesadas. Exatamente a peça que se encontrava acima da cabeça de Shikamaru.

Agi sem pensar. Joguei-me contra Shikamaru com toda a força e ambos voamos juntos. O que veio exatamente a calhar. Pois ainda estávamos rolando no chão quando ouvi uma enorme explosão. Abaixei a cabeça para proteger os olhos, de modo que não pude ver quando a peça de madeira explodiu. Mas ouvi. E também senti. As lascas de madeira doeram à beça. Ainda bem que eu estava usando calças de lã.

Shikamaru estava tão imóvel debaixo de mim que pensei que um pedaço mais pesado da madeira podia tê-lo atingido entre os lobos frontais ou algo assim. Mas quando afastei meu rosto do seu peito, vi que ele estava bem.

Por toda parte ao nosso redor estavam espalhados pedaços de madeira. Provavelmente Shikamaru estava se dando conta de que, se aquela prancha tivesse atingido seu crânio, também haveria agora pedacinhos de dele espalhados por ali.

—Dá licença, dá licença — disse a voz assustada do padre Hatake, que logo vi abrindo caminho pela multidão apavorada que se juntava ali. Ele ficou congelado quando viu aquele pedação de madeira, mas ao dar com Shikamaru e comigo voltou à ação. — Deus do céu! — exclamou, correndo a nós. — Vocês estão bem, crianças? Sakura, você se feriu? Shikamaru?

Lentamente, comecei a me sentar. Eu já tinha me acostumado a me apalpar para ver se algum osso estava quebrado, e acabei descobrindo, ao longo dos anos, que quanto mais lentamente a gente se reerguer, mais chances terá de descobrir o que está quebrado, e menos chances de apoiar o peso do corpo nessas partes. Mas daquela vez nada parecia estar quebrado. Fiquei então de pé.

—Deus misericordioso! — dizia o padre Kakashi. — Têm certeza de que estão bem?

—Estou bem — respondi, me sacudindo toda.

Estava toda coberta de pedacinhos de madeira por cima da minha melhor jaqueta. Olhei em volta para ver se via a Temari, pode acreditar, se eu a tivesse visto ali naquela hora, iria matá-la, realmente iria... só que ela já estava morta, claro. Mas ela já tinha ido embora.

—Meu Deus! — exclamou Shikamaru, aproximando-se de mim.

Ele não parecia estar ferido, só um tanto abalado. Na verdade seria difícil ferir um grandalhão como ele, com seu um metro e oitenta de altura e aqueles ombros largos. E era comigo que ele estava falando. Comigo!

—Caramba, você está bem? — quis saber. — Obrigado. Meu Deus! Acho que você salvou a minha vida.

—Ora, não foi nada — disse eu, e não resisti a esticar a mão e pinçar uma farpa de madeira do seu suéter.

— O que está acontecendo aqui?

Um sujeito alto metido num monte de túnicas e com um gorro vermelho na cabeça abria caminho na multidão. Quando viu aquela madeira toda no chão e olhou para cima para avaliar o buraco que fora aberto, ele se virou para o padre Hatake.

—Viu? Está vendo, Hatake? É nisto que dá permitir que os seus lindos passarinhos façam ninhos onde bem entendem! O sr. Namikaze nos avisou que isto podia acontecer, e agora veja só! Ele tinha razão! Alguém podia ter morrido!

Só podia mesmo ser o monsenhor Hiruzen.

—Sinto muito, monsenhor, sinto muito mesmo — disse padre Hatake. — Não sei como uma coisa dessas foi acontecer. Graças a Deus ninguém ficou ferido — e, voltando-se para Shikamaru e para mim: — Vocês dois estão bem mesmo? Parece-me que a senhorita Haruno está meio pálida. Vou levá-la para ver a enfermeira, se não se importa, Sakura. E vocês, crianças, voltem todas para a sala de aula. Todos estão bem. Foi apenas um acidente. Agora vão.

Incrivelmente, todo mundo obedeceu. Padre Hatake era assim mesmo. De uma maneira ou de outra, você acabava fazendo o que ele dizia. Felizmente ele usava seus poderes para o bem, e não para o mal! Gostaria de poder dizer o mesmo sobre o monsenhor. Lá estava ele de pé no corredor, que de repente ficara vazio, contemplando o enorme pedaço de madeira.

Qualquer um poderia dizer só de olhar que não tinha nada de podre. Claro que a madeira não era nova, mas estava perfeitamente seca.

—Mandarei tirar esses pássaros, Hatake — disse o monsenhor, asperamente. — Todos eles. Nós simplesmente não podemos correr este tipo de risco. E se um turista estivesse de pé aqui? E Deus nos livre, o arcebispo!... O arcebispo estará aqui no mês que vem, como sabe. E se o arcebispo estivesse bem aqui e esta viga caísse? E então, Hatake?

As freiras que haviam se aproximado, ouvindo todo aquele tumulto, lançavam olhares de tamanha reprovação para o pobre padre Hatake que quase me pronunciei.

Cheguei até a abrir a boca, mas o padre apertou mais o meu braço e começou a caminhar comigo para longe dali.

—Naturalmente — concordou. — Tem toda a razão. Vou mandar o pessoal da manutenção cuidar disso imediatamente, monsenhor. Imagine se o arcebispo fosse ferido!... Nem pensar.

—Meu Deus, quanta besteira! — desabafei, assim que nos vimos dentro do gabinete do diretor, com a porta fechada. — Ele só pode estar brincando, pensar que um casal de passarinhos podia fazer tudo aquilo.

Padre Hatake tinha atravessado todo o gabinete direto para um armário onde se encontravam alguns troféus e placas – prêmios de magistério, como eu viria a descobrir. Ele estendeu o braço por trás de um dos troféus e apanhou um maço de cigarros.

—Receio que talvez seja um pequeno sacrilégio, Sakura, dizer que um monsenhor da Igreja católica pensa besteiras — disse ele, de olhos baixos sobre o maço vermelho e branco.

—Então ainda bem que não sou católica. E pode ficar à vontade para fumar se quiser. Não vou contar a ninguém.

Ele continuou contemplando o maço de cigarros sonhadoramente por mais um minuto, deu um suspiro profundo e voltou a guardá-lo onde estava.

—Não, muito obrigado, mas é melhor não — concluiu.

Minha nossa! Devia ser mesmo uma grande vantagem eu nunca ter me viciado com essa história de cigarro. Achei melhor mudar de assunto e então me debrucei para dar uma olhada nos troféus.

—1964. O senhor já está aqui há um bom tempo...

—Estou mesmo — reconheceu padre, sentando-se em sua escrivaninha. — Mas, Santo Deus, Sakura, o que exatamente que aconteceu lá?

—Ora — dei de ombros — foi só a Temari. Acho que agora já sabemos por que ela ainda está rondando por aí. Quer matar Shikamaru Nara. - Padre Dominic sacudiu a cabeça

—Mas isto é terrível! Terrível mesmo. Eu nunca vi tanta... tanta violência a partir de um espírito. Nunca, em todos estes anos como mediador.

—É mesmo? — indaguei, olhando pela janela. O gabinete do diretor não dava para o mar, mas para as colinas onde eu morava. — Olha só — prossegui. — Daqui se pode ver a minha casa!

—E era uma moça tão boa — continuou ele. — Nunca tivemos qualquer problema disciplinar com Temari em todos os anos em que ela passou na Academia Missionária. Por que estaria sentindo tanto ódio de um rapaz que dizia amar? - Eu olhei para ele de lado.

— O senhor está brincando comigo?

—Não, tudo bem, eu sei que eles tinham acabado o namoro... Mas emoções tão violentas... essa fúria assassina a que ela se entregou... É tão inusitado...

—Olha, eu sei que o senhor fez voto de castidade e tudo isso, mas o senhor nunca se apaixonou? Não sabe como é? Aquele cara a passou para trás. Ela achava que iam se casar. Sei que parece bobagem, ainda mais que ela só tinha... quantos anos mesmo? Dezesseis? Ainda assim, ele simplesmente a botou no chinelo. Se isso não é suficiente para levar uma garota a um acesso de fúria assassina... - Ele me olhava pensativo.

— Você parece estar falando por experiência própria.

—Quem, eu? Absolutamente. Isto é, já gostei de uns caras e tal, mas não posso dizer que algum deles tenha correspondido – o que lamento muito. - Ainda assim, posso imaginar como a Temari deve ter se sentido quando ele terminou com ela.

— Com vontade de se matar, suponho — disse padre Hatake.

—Exatamente. Mas se matar acabou não sendo suficiente. Ela não vai ficar satisfeita enquanto não o levar com ela.

—Isto é terrível. Realmente terrível. Eu conversei com ela até acabar a saliva, mas ela não ouve. E agora, no primeiro dia de aula, acontece isso. Vou ter que recomendar que esse rapaz fique em casa até que tudo seja resolvido. - Eu achei graça.

—E como é que o senhor vai fazer isso? Vai dizer a ele que sua namorada morta está tentando matá-lo? Aposto que monsenhor adoraria...

—Em absoluto — respondeu padre Hatake, abrindo uma gaveta e começando a remexer nela. — Com um mínimo de engenhosidade, podemos conseguir uma boa semana ou duas para ele em casa...

—Mas o que é isto?! — exclamei, lívida. — O senhor vai envenená-lo? Pensei que o senhor fosse um padre! Esse tipo de coisa não é proibido? Envenenar?

—Não, não, Sakura. Vou infestá-lo com lêndeas. A enfermeira examina a cabeça dos alunos uma vez por semestre em busca de piolhos. Apenas vou dar um jeito para que o jovem sr. Nara apresente um caso bem adiantado de infestação...

—Oh meu Deus! — berrei. — Que horror! O senhor não pode encher a cabeça dele de piolhos! - Padre Hatake levantou os olhos da gaveta.

—E por que não? Servirá perfeitamente para o que precisamos. Mantê-lo longe do perigo por tempo suficiente para que você e eu possamos convencer a srta. Temari e...

—O senhor não pode encher a cabeça dele de piolhos! — repeti, talvez com mais veemência que necessário.

Nem sei por que eu estava tão contra a ideia, só que... bem, ele tinha um cabelo tão bonito. Eu tinha dado uma sacada legal quando estávamos lá jogados no chão juntos. A simples ideia de insetos rastejando por ali embrulhava meu estômago.

—Puxa vida — eu disse, sentando no tampo da escrivaninha. — Guarde os piolhos, tá bem? Deixe que eu cuido da Temari. O senhor disse que está falando com ela há quanto tempo? Uma semana?

—Desde o Ano Novo — respondeu padre Hatake. — Exatamente. Foi quando ela apareceu aqui pela primeira vez. Agora entendo que ela só estava esperando que Shikamaru voltasse.

—Ok. Então deixe que eu cuido disso. Talvez ela só esteja precisando de uma conversa entre garotas.

—Não sei... — fez padre Hatake, olhando-me meio de soslaio. — Acho que você tem certa tendência para... bem, para tentar resolver as coisas um tanto... fisicamente. O mediador deve desempenhar um papel não-violento, Sakura. Você deve ser alguém que ajuda os espíritos perturbados, em vez de machucá-los.

—Alô! O senhor por acaso não estava lá fora ainda há pouco? Acha que eu podia simplesmente ficar ali e convencer aquela viga a não esmagar o crânio de Shikamaru?

—Claro que não. Só estou querendo dizer que, se você tentasse demonstrar um pouco de compaixão...

—Caramba! Eu tenho muita compaixão, padre. Meu coração ficou partido com a história dessa garota, realmente ficou. Mas este aqui é o meu colégio, entende? Não o dela. Não mais. Ela tomou uma decisão e agora tem que aguentar as consequências. E não vou permitir que ela leve Shikamaru ou quem quer que seja com ela.

— Bem, se você está tão segura assim...

—Estou segura, sim — respondi, quase saltando por cima da escrivaninha. — Deixe comigo, está bem?

Padre Hatake concordou, mas sem muita convicção, deu para ver. Precisei que ele me desse um passe por escrito, para poder voltar à sala de aula sem ser interceptada no corredor por uma das freiras.

Eu estava esperando que uma delas, uma noviça de cara murcha, acabasse de examinar o passe, para poder passar para o corredor, quando uma porta lateral onde estava escrito ENFERMARIA se abriu e lá de dentro saiu o Shikamaru com o seu próprio passe.

—Ei! — não pude impedir-me de gritar. — O que aconteceu? Ela por acaso... quer dizer, aconteceu mais alguma coisa? Você está ferido? - Ele deu um sorriso tímido.

—Não. Só esta farpa desgraçada que entrou debaixo da unha. Estava tentando me livrar de todas aquelas farpas que se agarraram à minha calça e uma delas entrou aqui, e...

Ele mostrou a mão direita, com uma enorme bandagem envolvendo o polegar.

— Eca! — fiz eu.

—É isso aí — disse ele, todo injuriado. — E ainda por cima ela usou mercúrio cromo. Odeio esse troço.

— Cara! Foi mesmo um dia de cão para você...

—Nem tanto assim — respondeu ele, baixando o polegar. — Pelo menos não foi tão ruim quanto teria sido se você não estivesse lá. Se não fosse você, eu estaria morto.

Ele percebeu que eu havia saído da sala do diretor.

— Algum problema?

—Não — respondi. — Padre Hatake só queria que eu preenchesse uns formulários. Sou nova aqui, você sabe.

—E como a aluna nova — interrompeu a noviça com severidade — deve ficar sabendo que não é permitido ficar perambulando pelos corredores. É melhor vocês dois irem para suas salas.

Eu me desculpei e apanhei de volta o meu passe. Muito cavalheirescamente, Shikamaru se ofereceu para me mostrar onde seria minha próxima aula, e a noviça se afastou, aparentemente satisfeita. Quando já se havia distanciado o bastante para não poder mais ouvir o que dizíamos, Shikamaru disse:

—Você é a Sakura, certo? Yahiko me falou de você. Você é a meia-irmã dele que chegou de Nova York.

— Exatamente — respondi. — E você é o Shikamaru Nara.

—Ah, o Yahiko falou de mim?

Quase dei uma risada só de pensar no Soneca falando qualquer coisa.

—Não, não foi o Yahiko.

Ele fez um “Oh” tão decepcionado que quase senti pena dele. — Aposto que as pessoas devem estar falando de mim, não?

—Um pouco — arrisquei. — Sinto muito pelo o que aconteceu com a sua namorada.

—Eu também, pode acreditar — disse ele, sem aparentar ter ficado aborrecido porque eu mencionara o assunto. — Eu nem queria voltar aqui depois... você sabe. Tentei me transferir, mas não tinha vaga. Nem a escola pública quis me receber. É muito difícil conseguir transferência faltando só um semestre. Eu não teria voltado de jeito nenhum, só que... bem, você sabe. As faculdades só te aceitam quando você já concluiu o segundo grau.

— Já ouvi falar.

—Seja como for...

Shikamaru percebeu que eu estava segurando meu casaco. E realmente eu o estivera carregando o dia inteiro, já que não consegui usar o armário, cuja porta não se abria por ter ficado muito amassada com o impacto do corpo astral da Temari.

—Quer que eu leve para você?

Fiquei tão abobalhada com tanta gentileza que, sem nem pensar, fui dizendo que sim e entregando o casaco. Ele o apanhou dobrado num dos braços.

—Quer dizer então que todo mundo deve estar me culpando pelo o que aconteceu... Pelo que aconteceu à Temari.

—Não creio — respondi. — No máximo, as pessoas estão culpando a Temari pelo o que aconteceu a ela.

—Sei, mas estou querendo dizer que fui eu que a levei a isto, sabe? O problema é este. Se eu não tivesse rompido com ela...

—Você se tem mesmo uma conta muito alta, não é? - Ele foi apanhado de surpresa.

—Como?

—Bem, o fato de você deduzir que ela se matou porque você rompeu com ela... Não acho que tenha se matado por isto. Ela se matou porque estava doente. E você não tinha nada a ver com o fato de ela estar assim. O fato de você ter terminado pode ter sido a gota d'água para o colapso final, mas podia perfeitamente ter sido outro o motivo – o divórcio dos pais dela, o fato de ela não ter sido escolhida chefe da torcida, a morte do gato... Qualquer coisa. Portanto, tente não ser tão duro consigo mesmo.

Tínhamos chegado à porta da minha sala: acho que era geometria, com irmã Kurenai. Virei para ele e peguei de volta o meu casaco.

—Bom, desço aqui. Obrigada pela carona. - Ele agarrou uma das mangas do meu casaco.

—Espera aí — disse, olhando-me firmemente.

Era difícil ver seus olhos, pois estava bem escuro no corredor, protegido como era do sol. Mas eu lembrava, daquele momento em que havíamos caído juntos no chão.

—Espera um pouco — disse ele. — Deixe-me levá-la para sair hoje à noite. Para agradecer por ter salvo a minha vida e tudo mais.

—Obrigada — respondi, dando uma puxada no meu casaco — mas já tenho planos para hoje à noite.

Eu só não disse que meus planos envolviam sua pessoa de uma maneira bem íntima.

—Então amanhã à noite — insistiu ele, ainda agarrado ao meu casaco.

—Olha, eu não tenho permissão para sair à noite em dias de semana.

Era a maior mentira. À parte o fato de ter sido levada para casa algumas vezes pela polícia, estava implícito que minha mãe confiava em mim. Se eu quisesse sair à noite num dia de semana, ela deixaria. O fato é que nunca tínhamos falado desse assunto, pois nenhum cara tinha me convidado para sair, fosse em dia de semana ou em qualquer outro.

Mas agora eu tinha a oportunidade de começar tudo de novo, com toda uma nova população de caras que não sabiam nada do meu passado.

—Então no fim de semana. O que você vai fazer no sábado à noite?

Eu não estava certa de que fosse lá uma ideia tão boa assim me envolver com um cara cuja falecida namorada estava tentando matá-lo. E se ela descobrisse e ficasse ressentida comigo? Podia apostar que o padre Hatake não ia achar muito legal eu estar saindo com o Shikamaru.

Mas por outro lado, quantas vezes uma garota como eu é convidada para sair por um cara sensacional como Shikamaru Nara?

—Ok — concordei. — No sábado. Me pega às sete? - Ele deu um sorriso. Tinha dentes lindos, brancos e regulares.

—Às sete — confirmou, largando o meu casaco. — Até lá. Senão antes...

—Até lá, então — disse eu, com a mão na porta da classe de geometria da irmã Kurenai. — Ah, Shikamaru!

Ele já estava seguindo para sua sala pelo corredor.

— Sim?

—Cuidado por onde passa.

Acho que ele piscou para mim, mas era difícil dizer na sombra.

 


Notas Finais


;*


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