História A Menina Rosa - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Kizashi Haruno, Mebuki Haruno, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shino Aburame, TenTen Mitsashi
Tags Drama, Romance, Sasusaku
Exibições 116
Palavras 4.572
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Fluffy, Hentai, Lírica, Luta, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Shounen, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi. Primeiramente, desculpe a demora. Segundamente, GANHEI UM NOTEBOOK NOVO. Terceiramente, desculpe. Boa leitura!

Capítulo 12 - Primo


Fanfic / Fanfiction A Menina Rosa - Capítulo 12 - Primo

A tarde não poderia estar mais agitada, - tive a permissão da rainha de dormir até o horário que eu bem entendesse, vai acontecer uma festa no pálacio e quanto menos pessoas perambulando pelos corredores, melhor. Não vi sinal de Sasuke ou das minhas criadas o dia todo, vi somente a Suky correndo de um lado para o outro em a tanta bagunça. Cheguei a conclusão que ela gosta de atrapalhar as pessoas.

Passo pelo meu corredor sem ser muito notada, tenho bastante experiência nisso, e chego a cozinha extremamente lotada (parece que nenhum lugar está calmo). Avisto Chloe e faço sinal para que venha até mim mas está tão ocupada, que nega e se lamenta. Não a cobro nada, está tudo bastante ocupado, e, antes que eu deixe a cozinha sem ao menos ter conseguido passar da porta, Hanabi toca meu braço.

- Quer alguma coisa, alteza?

Estamos fora do quarto, temos que ser formais.

- Para ser sincera, sim. Estou faminta.

- Retorne para o quarto e em seguida levarei seu almoço, creio que ainda não almoçou.

- Sim.

- Pois bem,, - fez uma reverência -, com sua licença.

- Licença concedida.

Seu corpo minúsculo desapareceu entre os corpos musculosos dos outros empregados que corriam com várias peças nas mãos. Em vez de ir até meu quarto, como Hanabi havia pedido, vou até a parte detrás do palácio e avisto Itachi olhando para o chafariz que ainda não tive o prazer de me aproximar. O príncipe parecia perdido em devaneios.

- Alteza - indago, antes de me aproximar. Ele me olha e sorri amigável.

- Olá, Sakura. Como se sente hoje no meio de toda essa correria?

Vou até o mesmo, que volta a manter os olhos no chafariz soltando água pela estátua de anjo, um estátua bem feia.

- Me sinto como em um protesto.

- Já esteve em um? - perguntou, sem muita atenção.

- Não, mas deve ser assim – menti.

- Tem toda razão.

Fico ali tentando entender o motivo de tenta distração do príncipe de Haven, mas nada me vem à cabeça. Respiro fundo e pergunto sem pensar muito, coisa que eu não faço há muito tempo:

- O que o deixa tão distraído? Algo aconteceu? – Ele me olha e perco a respiração. – Quer dizer... eu sei que sou nova aqui, não tenho muitos quesitos para que você goste de mim ou confie em mim, mas quero ajudar.

Termino de dizer e fico pasma comigo mesma. Eu quero que ele goste de mim? Não mesmo, eu detesto os capitalistas. Eu estou aqui por vingança a mim e ao meu povo, não quero saber da vida dele ou o que o perturba. Se tem alguma coisa que incomoda o irmão do meu noivo rejeitado, eu tenho que ficar feliz, né?

Seu riso me faz despertar.

- Para ser bem sincero, você tem muitos quesitos para me fazer gostar de você. Deu um tapa na cara do Sasuke na primeira vez que o viu, ignora qualquer carinho que ele tenta dar, fala as verdades na cara dele sem se importar com as consequências e o despreza na maioria das vezes.

- E onde estão as coisas de se admirar? – Tento fazer uma cara melhor do que estou fazendo. Nossa, eu sou um monstro com Sasuke.

- Eu adoro essas coisas, juro, ninguém teria coragem de fazê-lo. E, principalmente, gosto de você mais ainda por ter mudado ele.

- Mudado?

- Sim, ele era um canalhinha antes de você atender o telefonema dele. Do tipo “faça isso” e ele responde “vai a merda”.

- Não gosto de palavrões.

- Ele percebeu – riu. – Mas não é você que me aflige, é Mika. – Ele respira fundo e se recosta no muro, que apoiava os cotovelos. – Mika está grávida. Por favor não conte a ninguém, contaremos depois da festa.

- Alteza, por que isso te incomoda? – pergunto. Se ela está realmente grávida não é como se fosse um problema, o que não falta é riqueza na vida deles, o filho não passaria necessidade.

- Não é o filho que me preocupa, se é isso que está pensando - touché -, Vivemos sendo atacados por rebeldes, Sakura. O tempo todo. Eu nem posso ter certeza se ela vai descer para beber água e uma bomba não vai ser tacada contra o palácio. Imagina agora que está grávida? É o meu filho e minha esposa correndo risco. É um tempo muito difícil. Queria pensar nisso, em ter filhos, quando Sasuke já estiver no controle de tudo, pois todo mundo sabe que ele pensa diferente e pode mudar a situação. Entende?

Sem ter muito o que dizer, assenti a cabeça. Era incrível como até os capitalistas não concordam com as próprias regras e que desejam o fim dessa escravidão mais do que nós, mas, uma coisa eu sei, eles só conseguem desejar que isso passe se algo lhes acontecer, se a vida deles estiver em perigo. Eles não se importam conosco.

- Não conte para ninguém, lhe peço. – Aceno com a cabeça novamente. – Preciso voltar, ela deve estar me esperando no quarto.

- Até mais, Alteza.

- Me chame de Itachi – sorriu e se foi, como de costume.

E enquanto mais distante fica o som de seus passos, mais eu penso em tudo o que acabara de dizer: “É um tempo muito difícil, queria pensar nisso quando Sasuke já estiver no controle de tudo, pois todo mundo sabe que ele pensa diferente e pode mudar a situação”. E se todo mundo sabe, isso inclui o rei. Tenho certeza que o rei não quer que Sasuke mude nada e sim dê continuação ao que vem fazendo. Porém, se ele sabe disso, por que não impede o Sasuke? O que o rei pretende, afinal?

Volto para meu quarto em passos ligeiros, para que ninguém perceba que eu saí por tanto tempo. Quando chego, minha bandeja de comida já está em cima da minha cama e bastou olhá-la para minha barriga roncar de ansiedade.

 

...

 

- Mais rápido! – Hanabi dizia pulando na frente da porta, olhando o relógio de pulso.

Sasuke vem me buscar às sete horas e falta dois minutos, eu não duvido nada que ele já esteja atrás da porta, rindo e ouvindo as consequências do meu atrasado. O que eu posso fazer? Dormi muito depois do almoço, - estava realmente cansada por tudo o que a Tsunade me fez passar -, e acabei não acordando na hora que tinha. Agora Ino tenta ajeitar minha maquiagem com rapidez e Hinata fechar o vestido.

- RÁPIDO! – Hanabi gritou mais uma vez.

- Você faz sua irmã parar de gritar ou eu mato ela com esse rimel - Ino se dirigiu a Hinata, que riu nervosa, provavelmente acreditando nas palavras da loira.

- Olha, eu juro que posso esperar um pouco mais. Juro, sem problemas – a porta disse, ou o que está atrás dela.

Hanabi ia abri-lá, mas a repreendi pelo simples fato do vestido ainda estar na metade do meu corpo. Ino termina o trabalho com a maquiagem e eu visto adequadamente o longo vestido azul escuro que Hinata escolheu para mim. Abro a porta depois de verificar o quão futura-rainha eu estou parecendo, e fico admirada pelo belo trabalho que minhas criadas fizeram em tão pouco tempo. O espelho reflete um Sasuke com um sorriso brilhante parado na porta e me viro para encará-lo.

- Você está encantadora - ele diz.

Analisei o príncipe, o terno branco com algumas medalhas e cordas, sapato bem limpo e cabelo bem arrumado e despenteado, do jeito que ele gosta.

- Você também.

Sasuke me estende a mão, ainda sorrindo, e me conduz até o salão deixando minhas criadas com suspiros de emoção para trás. No caminho não dissemos nada, ele parecia mais nervoso que eu, mesmo sorrindo e mostrando que realmente havia gostado da minha roupa.

Descendo as escadas para o salão, ele suspirou.

- Não aguento – o príncipe disse de imediato, parando no meio da escada. Me surpreendi.

- O que não aguenta? – perguntei, tanto confusa.

- Essa noite, tudo isso. Eu sei que não é nada demais, são só meus primos, mas eu não aguento essa pressão. Tenho que apresentar você a toda minha família, ao povo e convencer meus pais que escolhi a pessoa certa, ainda tem o casamento daqui a cinco meses e todo o reinado que eu terei que exercer durante toda minha vida... – ele parou de dizer e suas bochechas ganharam uma cor forte – ou até tivermos filhos.

Ter filhos? Eu não quero filhos. Eu ainda sou nova para cuidar de crianças, tudo bem, ele não especificou que teríamos filhos assim que casássemos, mas eu não penso em me deitar com ele, não penso nem em beijá-lo. Me arrependo toda vez que penso no que fiz com a minha vida e repenso quando vejo a maldade que meu povo sofre, porém isso não tira o fato que me vendi para um homem. Carícias está no contrato.

- Está pensando em desistir? – indaguei, tentando mudar de assunto.

- Não! Nem um minuto se quer. Eu sei que nos conhecemos há pouco tempo mas, Sakura, você está sendo a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Não quero desistir de você.

Os seus olhos se fixaram nos meus como se todas as joias que usamos sumissem e só restasse nós dois, inteiramente verdadeiros, mas nem tanto assim. Eu queria gritar, dizer a ele que esses dois meses e uns dias foram bons mas não é assim que a vida é, não estou morrendo de amor por ele ou achando sua presença na minha vida uma dádiva como ele acha de mim. Queria gritar, eu juro que queria lhe dizer a verdade naquela escada longa brilhando sob nossos pés, - estou cansada de mentiras. O problema são seus olhos, tão escuros quanto o céu a noite, e tão intenso que me faz pensar “por que não espero mais um pouco?”.

E nisso de pensar o que é bom para mim e para todos, eu já estou no meio do salão segurando o braço forte de Sasuke e dando o meu sorriso mais sincero. Ou tentando. O salão está enfeitado com dezenas de esculturas de gelo, no qual não parecem nem soar uma gota. Mesas foram postas para os convidados da família e todas já ocupadas, vários lustres iluminam o salão. E, bem como esperado, uma banda toca jazz no palco improvisado. Os criados circulam de uma mesa a outra, servindo, sem ser notados ou agradecidos. Eles estão invisíveis.

Pego uma taça de vinho, mesmo que eu não beba, só com o intuito de segurá-la a noite toda e parecer que já estive em festas como aquelas. Sasuke percebeu meu nervosismo e passou o braço pela minha cintura, - me arrepiei de imediato. Mas tudo pareceu ficar pior quando ele sussurrou no meu ouvido que tinha que ir cumprimentar outros reis com o pai, e meu mundo foi ficando mais esquisito enquanto ele andava para longe de mim. Devo ter ficado uns segundos parada no mesmo lugar com muita gente me olhando, até que avistei Hinata e apontei para ela ir atrás da segunda pilastra. Ela chega logo depois segurando uma bandeja de doces.

- Você não pode ser vista falando comigo! – ela me repreendeu.

Notando bem, a morena está arrumada. A franja cai com delicadeza sobre seu rosto e um delineador é bem-posto em seus olhos claros, um brilho quase não notável cobre sua boca. E assim que repara que eu estou a analisando, cora.

- Está arrumada – digo.

- Eu sei, me perdoe, eu...

- Está linda – pisco para ela. – Usou a minha maquiagem, né?

- Bem, assim que a senhorita saiu Ino me ajudou.

- Está ótima, só não deixa ninguém notar isso. - Ela assente. - Indo ao ponto, eu preciso de uma ajuda, Hinata.

- Fale, Alteza.

- Sem essa. Eu preciso saber o que fazer! Achei que ia ficar com Sasuke a noite toda e olha como estou, sozinha! Não sei me enturmar, ainda mais com essa gente.

O nervosismo é visível em minha voz. Hinata ri.

- Por que não tenta falar com a rainha, ela está na mesma posição que você.

Tento procurar a rainha no meio daquela gente com vestidos escandalosos e a encontro conversando com uma mulher de chapéu de pavão.

- Acho que não está.

- Acredite, assim que aquela mulher parar de paparicá-la, ela estará. É assim em todas as festas. – Dou de ombros. – Eu preciso trabalhar agora ou vou ser punida e não é bom para sua reputação ficar falando com uma serva assim, exposta. Com licença, Alteza.

Hinata se reverencia devagar e dá um belo meio sorriso, o que me faz retribuir em uma gargalhada baixa. Volto ao meio do salão ainda segurando a taça com o vinho, então decido experimentá-lo e não imagino a cara que fiz, mas me arrependi quando ouvi uma risada atrás de mim.

- Achei que você não bebia – Ino disse, segurando um champanhe. Ela usa um vestido amarelo chamativo estilo sereia.

- Aí meu Deus, você pode estar aqui?

Meus olhos devem ter brilhado.

- Claro que sim, eu sou capitalista, esqueceu? Eu só faço sua maquiagem como mandava as criadas fazerem no meu salão. Não me rebaixe.

- Olha lá, hein.

Ela pigarra.

- Sinto muito, às vezes esqueço de onde você veio por causa de todo essas joias no seu pescoço.

Dou de ombros e ela me repreende, mas estou ocupada demais olhando Sasuke apertar a mão de pessoas que nunca ouvi falar, que nem ligo para ela. Entretanto, Ino percebe.

- Parece que alguém se apaixonou – ela diz, colocando aquela taça na boca.

- Parece que alguém só está observando.

Avisto uma mesa vazia e me direciono até ela, Ino vem ao meu encontro rindo da minha reação. Eu não estou apaixonada, oras. Passou pouco tempo apenas. Mas ter a companhia de alguém que sabe minha verdadeira identidade e minhas intenções, até que estava sendo bastante prazeroso. Em uma conversa sobre o quanto exagerado estão as roupas das mulheres, Ino atende o celular e em seguida sorri para mim.

- Notícias boas.

- O que? Você vai ser a rainha no meu lugar?

-  Rárá, engraçada. – Ela colocou o copo de suco que eu estava bebendo na mesa. – Vem.

Pegou meu pulso e me conduziu até a porta do salão, onde chega mais e mais pessoas. Ia argumentar alguma coisa, mas Sasuke aparece por trás de Ino e me lança um sorriso que faz alguma coisa no meu estômago revirar, - talvez o vinho?

Ia perguntar o porquê daquele suspense todo mas meu nome foi gritado atrás de mim, depois disso só soube correr como uma criança boba para os braços daquele doido loiro. Deidara me suspendeu e me rodopiou, suas lágrimas tocam meu ombro. Abro os olhos ainda abraçada em Deidara e vejo Kakashi sorrir para mim, então vou até ele e o abraço apertado. Quem diria que eu sentiria saudades até do grisalho? Fazia dois meses que não os via e nem telefonava, mas justo que viessem me ver.

- Mas o quê?  – Bati no braço do Kakashi e ele riu.

- Bem, eu ainda sou amigo da família – ele respondeu.

- E eu fui convidado por aquele garanhão que está vindo até aqui – Deidara se justificou.

Olhei para trás e vi Sasuke com um ar de orgulho por ter feito eu ficar ainda mais feliz. Depois eu agradeço.

- Não nos conhecemos pessoalmente, mas é um prazer – Sasuke disse, apertando a mão do Deidara que fez uma leve reverência em seguida. – Oh, não precisa.

- Eu faço questão, alteza. Olha como você deixou a Sakura, linda.

- Creio que ela já era bastante bonita antes de vir até mim. – Sasuke sorriu de canto.

- Tudo bem, somos todos bonitos, mas vamos ao que interessa. Quanto tempo ficarão aqui? – perguntei.

- Até amanhã – Ino respondeu - todos os demais ficarão só até amanhã.

- E os seus primos? – Olhei para Sasuke e ele respondeu sem ar de alegria:

- Até quando nos casarmos.

Ótimo. Uma hora ele me faz acreditar que sou a mulher da sua vida e outra hora ele responde cabisbaixo sobre o nosso casamento. Talvez até goste de mim, mas nem tanto para se casar comigo. E por que eu estou me importando com isso? Eu que disse desde o começo que não queria nada demais.

Antes que eu pudesse dizer em poucas palavras meu desapontamento, uma serva morena como a noite (bem linda por sinal) veio nos avisar que a família Uzumaki está para entrar e que precisamos estar nos nossos lugares. Sasuke me deu segundos para despedir deles por aquele momento e me conduziu até ao lado direito dos seus pais (no esquerdo está Itachi e Mika). Ficamos parados em frente ao portão principal da festa, que arrumaram só para a chegada da segunda família mais cobiçada do mundo. A mão de Sasuke na minha está inquieta. Olho para ele e seu rosto está concentrado na porta – está mais ansioso que eu. Um sorriso brota em seus lábios e olho na direção da porta, uma garota de cabelo ruivo (Karin) é a primeira a aparecer, em seguida um garoto de cabelo loiro e atrás deles um homem loiro todo formal com sua coroa e sua rainha do lado, sorrindo. Os dentes dela brilham mais do que a coroa em sua cabeça. Todos estavam bem formais e com roupas belíssimas. O garoto loiro está em uma vestimenta igual a Sasuke, porém, dourada. Seu pai usa um uniforme azul marinho com detalhes dourados e sua esposa um vestido branco. Já Karin abusa do brilho em seu vestido cor de uva, quase um vinho. Sasuke ama vinho.

Me contraí de repulsa. Ela estava na seleção comigo e é prima de Sasuke, era só o que me faltava. Mas o que não entendo é o motivo dele ter sorrido para ela assim que os portões se abriram, e o motivo dele não ter dispensado ela de imediato assim que se escreveu para o concurso. Ela é prima dele! O sorriso de Sasuke permaneceu a todo momento, até terminar de cumprimentar cada um presente naquela maldita sala. Karin, que usa um batom escuro, beijou a bochecha de Sasuke demoradamente, sussurrou algo em seu ouvido e passou a mão sobre seus cabelos em um último abraço, e, ainda assim, ele continuou sorrindo.

Repito várias vezes na minha cabeça que aquilo é tudo encenação, mas o sorriso do rei Uchiha ao ver meu rosto perplexo, me dá ojeriza.

- Olá, concorrente – Karin me cumprimenta com somente um escondo de bochechas. – Está bela.

- Obrigada, digo o mesmo.

Talvez eu devesse ser atriz. A verdade é que eu nunca vi mais oferecida. O vestido dela está com um grande decote em V e as costas abertas. Será que nada do “formal” veio a sua mente quando escolhia o vestido?

- Eu sei que estou. Parece que ficaremos bem amigas nesses cinco meses até seu casamento.

Ela piscou e saiu, queria perguntar por que não seríamos amigas depois do meu casamento, mas me conformei com o fato de que não quero sua amizade. Logo fui despertada dos meus pensamentos por um loiro sorridente abraçando Sasuke, o fazendo soltar minha mão.

- PRIMO! – Ele gritou.

- PRIMO! – Sasuke rebateu.

- Quantos anos que eu não vejo essa sua cara de pastel? Uns três?

- Quatro – Sasuke ri. – Não se importe com datas, você não tem memória boa mesmo.

- Eu tenho que concordar. – Seus olhos azuis bateram com os meus. – E quando vai me apresentar a futura rainha de Haven?

- Ah, é verdade. – Sasuke ficou embaraçado, como se não quisesse ter que falar de mim como a futura rainha. – Sakura Hatake, minha noiva, esse é meu primo, Naruto Uzumaki.

- Prazer. – O tal príncipe Naruto me estendeu a mão e eu a apertei de bom grado, ele parecia ser uma boa pessoa.

- Prazer - respondi. - Sem querer ser muito inconveniente, mas achei que teriam mais coisas em comum.

- Eu não sou primo do Sasuke, mas somos grandes amigos. E com todo o poder que temos, registramos ser da mesma família. Não é muito difícil quando seus pais concordam.

Primos de consideração, mas primos agora no papel. Que amizade forte. Dou meu sorriso sincero e confuso, e me volto para os reis Uzumaki vindo nos conhecer. Kushina é o nome da rainha e Minato o nome do rei, fiquei um tempo pensando que já tinha ouvido esses nomes, mas Kushina me elogiou dizendo que nunca tinha visto sorriso mais lindo que o meu, e eu fiquei constrangida demais para lembrar de alguma coisa. A noite continuou depois de algumas taças de champanhe (para mim, suco) e um brinde a chegadas dos primos e tios. Sasuke logo se separou de mim para dar atenção ao primo e eu fiquei procurando Kakashi e Deidara no meio de tanta cabeça, nenhum sinal.

- Procurando alguém? – Virei e é Hinata. Ela e sua bandeja de champanhe.

- Kakashi e Deidara.

- Eles tiveram que ir.

- Ir para onde?

Podia jurar que ela havia ouvido meu coração se partir.

- Eu não sei, mas parece que foi ordem do rei. Ino também foi, mas voltará de manhã.

- Eu não acredito – bufei. – Falando nisso, não era você que dissera incapaz de falar comigo na frente dos outros?

- Trago um recado para Sasuke.

Procurei Sasuke, ele está de pé em frente ao seu primo que tagarela mais que ouve. Sasuke parece feliz.

- E por que não vai dá-lo a ele?

- Por que... – ela olha Sasuke e cora – não posso.

- Não me diga que...

Devo ter ficado branca, pois a bandeja tremeu na mão dela.

- Eu não gosto do príncipe – ela corou ainda mais. – Eu... O recado é que dona Karin quer vê-lo daqui a uma hora no andar de cima, biblioteca.

Parece que essa noite nada vai dar certo.

- Por favor, avise-o. Se ele não souber eu serei castigada.

- Tudo bem.

O que eu poderia fazer? Ele não é primo dela de verdade, faz com ela o que quiser e eu não estou aqui para me apaixonar e priva-lo disso. Dou as costas a Hinata e vou até Sasuke, ele me vê e me abraça. Por fim sussurro o recado em seu ouvido e ele confirma com a cabeça.

- E por que Hinata não veio aqui avisar? – Ele pergunta em voz alta.

Naruto se engasga com a bebida e uma garalhada de Sasuke se faz música por quem estiver por perto para ouvir, aproveito a distração e confusão em minha mente e me retiro. Vou até os fundos, onde conversei com Itachi mais cedo, e me encosto no muro. O silêncio é agradável quando você está um barulho por dentro.

- Pensado, querida?

Olho para trás e vejo a rainha Mikoto com seu lindo vestido cinza e sua coroa do mesmo brilho da lua hoje. Faço uma reverência.

- Sim, majestade.

Ela veio até mim e olhou para a taça em suas mãos.

- Nunca gostei de bebidas, sabia? Eu bebo em festa para deixar meu marido feliz, ele me acha charmosa com isso nas mãos. – Colocou a taça em cima do muro. – Mas desce queimando minha garganta.

Rimos.

- Sei, experimentei vinho hoje.

- Evolução, comecei com vinho também. Parece suco de uva.

- Tem toda razão, majestade.

Ela me olhou como se tentasse me decifrar, seus olhos penetraram os meus e eu agradeci por estar escuro ao ponto dela não conseguir ver meu rosto pegando fogo. Ela sorri e posso ver seus olhos lacrimejarem, ia perguntar algo, se ela se sentia bem, mas ela somente me abraçou e beijou minha testa como meu pai costumava fazer. Era tão reconfortante quanto me lembrava. Por impulso a abracei também.

- Assustada com algo? - ela perguntou antes de me soltar.

- Sim.

- Com o que, querida?

Tudo. Estar aqui, essa visita dos primos e se eu não conseguir tomar conta de um reino, de um povo inteiro. Parece que minha vida está cada vez mais complicada e, tudo o que eu queria fazer era apenas matar o rei. Agora nem isso eu sei se quero.

- Acho que com o casamento. - Tentei sorrir.

- Vai dar tudo certo, o Sasuke parece intimidador mas é um ótimo garoto.

- Acredite, majestade. O Sasuke  não é nem um pouco intimidador.

Riu e sua gargalhada era tão doce quanto ela parece ser.

- Jura? Ele era bem arrogante, - suspirou -, e chato. Não estou tendo muito contato com ele. O Fugaku suga quaisquer tempo que sobra. Que mãe eu sou, né, que nem tem tempo de ver o filho que mora sobre o mesmo teto.

- Rainha, se me permite dizer umas coisas.

- Claro.

- Creio que leu o histórico da minha vida antes que eu fizesse morada na sua casa? - ela confirmou com a cabeça. - Lá diz que eu não conheci minha mãe biológica, mas eu tive uma mãe serva. Ela era minha mãe independe de tudo e continua sendo. Faz um tempinho que ela morreu, não tenho muito o que dizer sobre ela. Ela não era a melhor das mães carinhosas, na verdade ela não era nem pouco carinhosa, nem compreensiva, brigava por quase tudo, mas ela era perfeita do mesmo jeito. A mulher mais corajosa e gentil que eu já conheci, talvez ela nunca tenha duvidado disso mas, se duvidou um minuto se quiser, queria que soubesse o quanto ela era importante para mim. Eu ainda a amo tanto e sou muito orgulhosa de onde eu vim. Eu sinto tanta saudade. Então, rainha, acho que não se deve culpar pelos momentos que não pode estar ao lado do Sasuke, ele com certeza sabe o quanto você o ama e esse amor é mais que reciproco.

Concentrei minha mente nas palavras que saíam da minha boca e pude perceber o que tinha deixado escapar. Acabei de demonstrar afeto pelos criados para a rainha, eu tinha que os desprezar, como qualquer capitalista. Agora ela tem todo o direito de contar ao rei e me punir por estar ao lado deles, depois me mandar embora. Mas seu sorriso e lágrimas escorrendo pelas suas bochechas me assustaram. Foi diferente do que eu pensei.

- Vai ser um prazer ter você como nora.

 

...

 

A festa continuou no salão depois da minha longa conversa com a rainha, mas me senti enjoada e achei melhor voltar ao meu quarto. As mesas estão sendo esvaziadas mesmo, eles mal sentirão a minha falta. Dei uma olhada no salão procurando Sasuke e nenhum sinal dele, então não avisei ninguém que voltaria para o quarto. Cada degrau que eu subia, me sentia mais enjoada e não sabia porquê. Os corredores estão vazios como nunca antes, costuma ter empregados por toda parte.

Estava quase perto do meu quarto, quando uma risada me fez parar de andar e me concentrar em outro corredor e outro cômodo. A biblioteca. Me aproximo da grande porta entreaberta e dou uma espiada em quem poderia estar lá. De imediato lembro do recado que Hinata pediu que eu desse a Sasuke e penso em voltar e fingir que nunca vi nada, mas é tarde demais, estou vendo tudo o que não deveria. Sasuke está aos beijos com Karin na biblioteca.

 

Continua...


Notas Finais


E então?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...